11 Apr 2007
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Mother Russia

Dicas de Viagens, Moscou, Russia

*O titulo do post for escolhido a pedidos do Aaron que ficava repetindo essa frase a cada 5 minutos (eh de algum filme americano de espionagem, na epoca da guerra fria)

O sabado comecou atrasado. Nos dois, achamos que nao precisavamos de despertador por causa do fuso horario.  O fuso horario era ao contrario, estavamos horas adiantados, e nao atrasados. Soh conseguimos acordar numa hora descente pq deixamos a cortina aberta e a luz me acordou cedo. Enquanto terminavamos de planejar o dia, resolvi secar meu cabelo e detonei nao soh o secador, como tb a televisao e a tomada na parede esquerda… Tivemos que ligar pra recepcao, esperar alguem ir lah dar uma olhada, empacotar tudo, e trocar de quarto.

E nisso tudo, lah for a uma tempestade de neve glacial. Nao sou fresca, mas nao tinha condicoes de sair com o cabelo pingando na neve. Resultado, eu tive que passar uma hora sentada no chao do quarto com meu cabelo em cima do aquecedor, ateh secar o suficiente pra que eu nao pegasse uma pneumonia no caminho do metro. Apesar do atraso e do meu cabelo de juba (devidamente escondido pelo gorro de la), conseguimos chegar cedo, e achar a estacao certa no centro da cidade.

Uma coisa que demoramos a nos acostumar foi que eles nao tem faixa de pedreste nas ruas! O transito eh um caos, no sinal vermelho soh para quem quer, entao em quase todos os grandes cruzamentos e avenidas as pessoas soh podem atravessar se for por passagens subterraneas. Mas isso nao vem escrito no guia de viagem, vem?! Entao ateh nos tocarmos disso, quase fomos atropelados algumas vezes, for a o tempo perdido nas esquinas numa “agora da! Corre! Nao! Espera! Olha o carro!” Que rendeu boas risadas.

Mas isso contribuiu ao clima da cidade. As passagens subterranes, as lojinhas, as pessoas. Aquele clima de filme de espionagem mesmo. Ai quando vc chega do lado de fora, da de cara com um jardim lindo, cheio de neve e as tulipas brotando, e as muralhas do Kremlin.

St Basil e Praca Vermelha

Decidimos deixar o Kremlin pro dia seguinte e fazer uma tour com tudo que tinhamos direito e no sabado fomos explorar a cidade a peh.

Quando vc sai do jardin Alexandrovsky jah da pra ver as muralhas do Kremlin, e o fogo em homenagem ao Soldado Desconhecido com os soldadinhos fazendo guarda. Quando vc atravessa os portoes de ferro com a aguia de duas cabecas em cima, e olha pro lado direito, lah esta ela. A Basilica. Uma das coisas mais bonitas que jah vi na vida.

Grandes cidades tem grandes icones (Big Ben, Torre Eiffel, pao de Acucar, etc) mas nada se compara a St Basil. Nada mesmo. As torres coloridas, as abobodas, nem da pra explicar. Eh fascinante! Nao conseguia tirar meus olhos de lah, e nao parava de tirar fotos da mesma coisa (tirei pelo menos umas 50 fotos… nao eh exagero..).

Quando chegamos lah, a Praca Vermelha ainda estava fechada ao publico, pois o mausoleo de Lenin estava aberto.

Mas eh de uma beleza tao grande que as vezes vc tem a impressao que aquilo nao eh de verdade, eh feito de plastico, faz parte de um dos parques da Disney ou algo assim.

A Praca Vermelha eh um retangulo. Numa ponta esta a St Basil, de costas pro Rio Moscou, e na outra ponta esta o predio do Museu de Historia Nacional. De um lado esta a muralha de Kremilin com a torre do Relogio, e do outro esta o GUM.

O GUM (que em Russo eh a abreviacao para “Loja de departamento do Estado”) era a loja principal de “distribuicao” de bens no governo socialista. Depois da queda do comunismo no incio da decada de 90, a loja ficou fechada a abandonada por mais de uma decada, ateh que una anos atras foi transformada num mega shopping de luxo. Que por si soh, contradiz toda a ideologia que os Bolshevikes pregaram durante tanto tempo.

E eh luxo mesmo! Louis Vuitton, Christian Dior, Gucci, Lacoste, Max Mara, Versace. Tudo que vc puder imaginar.

Da pra ver que o shopping ainda nao esta pronto; muitas obras, lojas ainda abrindo, um ou dois restaurantes e apenas um banheiro.

Uma estrutura historica que obviamente nao foi feita pra virar meca do consumo de alto luxo.

E ainda andando fomos passear pelo resto do centro da cidade. Fomos na antiga sede da KGB, crente que seria algum museu legal, e na verdade levamos foi um baita de um esporro em Russo! Primeiro porque estavamos feliz e contentes tirando fotos do predio – proibidissimo. E quando o guardinha veio dar a bronca (em Russo) ainda tivemos a cara de pau de perguntar se nao tinha um museu dentro do predio.

O guardinha gritava “Nie fotografik! No! No! Military building! No! No!”

O predio que um dia foi a sede da inteligencia comunista hoje em dia eh sede do exercito do maior pais do mundo, e nao. Fotografias nao sao permitidas.

Uns quarteiroes mais a frente esta o Teatro Bolshoy, que eh a sede de uma das companias de ballet mais importantes do mundo. Eu estava empolgadissima pra ver o predio, e quem sabe ateh memso assistir um bale, mas chegamos lah e estava tudo em obras… cobertos por tapumes, e a cia de danca esta em recesso de baixa temporada…

Do outro lado da rua esta uma estatua de homenagem a Karl Marx, o idealista do socialismo perfeito e uma sociedade igualitaria onde o governo cuida de tudo e todos. Li muito ele na faculdade. Affe….

No final da tarde resolvemos atravessar a ponte do Rio Moscou e ver uma outra catedral, de onde, supostamente teriamos uma otima vista do Kremlin, e do Arranha ceus de Lenin (Lenin Skyscrapers). Soh que a primavera de Moscou eh a coisa mais LOUCA da face da terra.

Acordamos embaixo de uma tempestada glacial. Ao longo da tarde o tempo abriu um pouco, volta e meia batia um solzinho. E de repente do nada caia outra nevasca.

Pois foi soh a gente chegar no meio da ponte que a nevasca chegou com tudo! Cada floco de neve gigante! Um vento horrososo, e mal conseguia andar e abrir os olhos. Ficamos nos segurando um no outro o tempo todo, just in case… Obviamente demos meia volta e saimos da ponte o mais rapido possivel. Quando chegamos da Praca vermelha de novo, o tempo abriu outra vez.

Fizemos umas compras nas lojinhas tipicas, e voltamos pro hotel cedo, pois nao queriamos correr o risco de nos perder pela cidade depois que ficasse escuro.

Um adento que tenho que fazer eh aqui eh a quantidade de vezes que fui “confundida” com uma Russa. Jah teve a historia do cara batendo altos papos comigo quando fui pedir o visto no consulado. Isso por si soh jah foi motivo de gozacao. Tudo bem, concordo plenamente que nao tenho cara de Russa.

Mas oque eh um Russo?

No Brasil temos a imagem dos Russos como loiros de olhos azuis, assim como todos os outros Europeus do Leste. Mas agora olha o mapa. Os “Eslavos” (raca que originou os russos “loiros” eh apenas um minima fraccao da populacao, e encontrada apenas na regiao noroeste do pais).

Tem Russos com cara de chines, com cara de mongois, com cara de Iranianos, com cara de finalandes, com cara de esquimo, com cara de Turcos, etc.

E claro, mais alguns com cara de Adriana.

Serio memso. As pessoas me pediam informacao na rua. Os garcons traziam menus em ingles pro Aaron e em Russo pra mim, e no aviao, uma menina russa sentada do meu lado, puxou um papo animadisso sobre a Jenifer Lopez comigo, EM RUSSO, e ficou meio surpresa que eu respondi “nao falo Russo”.

Lah nos cafundos da Siberia deve ter uma tribo que se parece comigo (ou que eu me pareco com eles).

Fim da historia, soh queria escrever isso aqui, porque as pessoas acham que eu sou louca quando contei a historia do embaixada! Hahahahahah

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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