30
Sep
2010
Dia 2: Rongai Camp ao Kikelelwa Camp
Escrito por Adriana Miller

O Segundo dia de caminhada foi o mais longo e causativo… Na verdade, a cada dia que ia passando, AQUELE dia se tornava o mais cansativo, pois a estafa ia acumulando, o oxigenio ia diminuindo… Mas nós ainda nao sabiamos disso, estando apenas começando o segundo dia…

Mas “no papel” esse seria nosso dia mais puxado (excluindo o dia da escalda final), onde tinhamos uma caminhada de 9 horas pela frente, ganhando cerca de 900 metros de altitude!

O unico probleminha, eh que logo depois que acordamos e comecamos a nos organizar para comecar a escalada, as nuvens nos alcancaram e o tempo fechou de novo! Mas pelo menos nesse dia nao choveu, apenas tivemos um nevoeiro muito denso praticamente o dia todo!

Teoricamente esses dois dias seriam os mais puxados em relacao a altitude ganha num unico dia, e em ambos alcancamos o limite maximo (seguro) de ganho de altitude que o corpo humano aguenta. Claro que isso varia muito de pessoa para pessoa, organismo para organismo, mas dizem que passar de 1000 metros de altitude num unico dia eh arriscado demais para saude.

Entao os guias aproveitavam a altitude ainda relativamente baixa (tudo abaixo de 3 mil a 3.500 metros de altitude ainda eh considerado de baixo risco) para conseguirmos subir o maximo da montanha de uma vez soh, enquanto nossos pulmoes aguentavam, para podermos ter um dia extra de aclimatizacao numa altitude bem alta.

Alguem tambem me perguntou oque seria uma escalda de aclimatizacao, que significa que escalavamos ate um ponto maximo, pasávamos um tempinho la em cima, e depois desciamos de novo, para acampar e dormir numa regiao de mais oxigenio – e nesse sobre e desce no nivel de oxigenio que o organismo vai se acostumando com a altitude.

Mas voltando a caminhada, foi sem duvidas um dia, muito, muito longo, mas nao necesariamente difícil.

A subida foi bastante gradual, com algunas areas mais inclinadas que outras, onde tivemos que usar as maos para subir, mas no geral, uma longa e inclinada caminhada.

Nesse dia foi quando saimos da regiao de Floresta Alpina e a paisagem foi ficando menos e menos densa, e passamos a ver mais flores e plantas “exoticas”! Foi nesse dia tambem que vimos nossa primeira arvore Senecio gigante!

Os pontos altos do dia foi ver as cavernas escondidas na trilha Rongai, onde geralmente os animais de escondem durante a noite – vimos varias pegadas de bufalos! E segundo o guia, volta e meia tambem aparecem umas pegadas de elefante!

O grupo de carregadores estava nos esperando na primeira caverna, onde nos serviram o almoco – a sopa do “engenheiro estomacal” caiu perfectamente pois pegamos muito frio nesse dia!

Mas logo depois tivemos que seguir viagem, e a tarde foi ainda mais difícil! Nao soh porque jah estavamos cansados das primeiras 4 horas de caminhada, mas a temperatura caiu bastante a medida que iamos subindo e a trilha foi ficando mais e mais inclinada (sem falar que a quantidade de oxigenio na parte da tarde, jah era mais baixa que na parte da manha, que contribuiu pro cansaco….).

Finalmente acampamos no Kikelelwa Camp, perto da segunda caverna, a 3.600 metros de altitude.

Essa altitude jah eh considerada de risco, entao o guia chefe, Makeke jantou com a gente, prestando bastante atencao em como estavamos reagindo ao cansaco, as horas puxadas de caminhada e a altitude.

Algumas pessoas de nosso grupo comecaram a passar mal nessa noite, com fortes dores de cabeca, enjoo e um desarranjo generalizado, entao resolvi comecar a tomar o Diamox por prevencao. Ate entao eu estava me sentindo otima! Cansada, mas otima. Sem nem um pingo de dor de cabeca, nem enjoo e nem sequer sentia muita falta de ar, e como uns dias antes da viagem, ainda em Londres eu tomei um Diamox (conforme o medico recomendou) para testar o efeito, e passei meio mal, tinha pensado em nem tomar – mas ao ver como algunas pessoas estavam reagindo, resolvi arriscar os efeitos do Diamox para prevenior os efeitos da altitude, e tomei ½ comprimido. Me senti super bem, sem efeito nenhum!

A noite ainda dormi bem, apesar do saco de dormir deslizante!

Mas eu realmente me surpreendi de como me adptei super bem – eu imaginava que jah no segundo dia ia estav me desfazendo de tanto vomitar e dor de cabeca, mas o fato de que meu apetite ainda estava intacto, e estava me sentindo super bem e “forte” foi um alivio que me animou ainda mais pra seguir a escalada nos dias seguintes!

Postado em: Kilimanjaro Tanzania Viagens
17
30
Sep
2010
Os ecosistemas do Kilimanjaro
Escrito por Adriana Miller

Uma das coisas mais interessantes durante nossa caminhada no Kilimajaro era ver como seria a paisagem daquele dia.

E todo dia a paisagem mudava consideravelmente, e a cada hora parecia que estavamos num lugar completamente diferente.

E nao digo da paisagem da vista nao, e sim o lugar onde estavamos caminhando (ate porque pegamos muito nevoeiro e chuva, entao a vista lah de cima era bem restrita).

Uma das caracteristicas principias do Kilimanjaro eh que por seu uma montanha independente (que nao faz parte de nenhuma cordilheira) as mudancas no clima e na vegetacao sao bem visiveis a cada X metros de altitude, devido ao solo vulcanico e a flora Sub-Sahariana, a proximidade do Equador e ao Oceano Indico. Nossos dias eram passados admirando as flores diferentes, as arvores extranhas e como de uma hora para outra tudo mudava, como num passe de magica!

Dizem que escalar o Kilimajaro eh passar pelas 4 estacoes do ano em 4 dias (ou no mesmo dia), e nao poderia ser mais verdade!!

A pesar de termos cuidadosamente escolhido a estacao seca para nossa viagem, e termos subido a montanha pelo lado seco (Trilha Rongai, que eh considerado o lado mais seco da montanha) nos pegamos chuva todos os dias, menos o ultimo!

Todos os dias acordavamos com o sol brilhando, e aos poucos as nuvens iam subindo, o clima ia fechando, a temperatura descendo Entao nossa mochila do dia sempre tinha que incluir opcoes de roupas que nos protegessem nas 4 estacoes! Camisetas, calcas que viram bermuda, blusa de manga comprida, bone e oculos de sol ate agasalhos de la merino, gorro e luva e todo equipamento a prova dagua!

E a medida que iamos subindo a montanha as diferentas no clima e nas temperaturas iam ficando mais e mais extremas! No nosso ultimo dia de subida (o dia antes do summit final) tivemos uma caminhada de 6 horas, onde comecamos com sol, depois o tempo foi fechando (todos os dias acordavamos acima das nuvens, e a medida que o sol ia subindo e esquentando a atmosfera as nuves iam subindo e nos pegando pelo caminho!), ateh que virou num temporal, o temporal virou granizo, depois o granizo virou neve e nossa ultima noite, no acampamento base Kibo Hut, fomos atolados por neve e temperaturas que beiravam os -20 graus! Por sorte essa foi justamente a noite que nao dormimos, porque realmente seria imposivel pegar no sono no chao congelado e a 4.700 metros de altitude!!

Entao tudo isso contribui para que o Kilimnjaro tenha uma das paisagens mais diversificadas do planeta e com uma vegetacao interesantísima, variada e unica!

A regiao entre os 800  e 2800 metros de altitude eh a area de cultivo e floresta. Nossa caminhada comecou a cerca de 1.800 metros de altitude no primeiro dia, e na regiao dos 2 mil metros foi onde vimos os ultimos vilarejos e familias que cultivam a terra aos pes da montanha. A cada hora a vegetacao ia mudando de floresta tropical para uma floresta Alpina, com muitos pinheiros e eucaliptos por todos os lados.

Essa eh tambem a parte mais umida da montanha, e segundo nosso guia, a regiao mais Londrina pois esta exatamente na altitude onde a condensacao fica presa na montanha, e por tanto essa area fica quase que constantemente enterrada em nuvens e nevoeiros.

Foi tambem o ultimo dia onde vimos cultivo e pessoas nao-turismo; Demos de cara com um vilarejo que vive do cultivo do milho ha mais de 2300 metros de altitude!

A partir do segundo dia a mudança da paisagem ia ficando mais e mais obvia e notavel a cada hora de caminhada, e apartir dos 2.800 metros de altitute, até mais ou menos 4.000 metros de atitude (depende da trilha que vc esta, e de que lado da montanha vc esta) é a zona onde o ar começa a ficar rarefeito o suficiente que não permite que vida se desenvolva bem, então é aqui que esta uma vegetação semi-tundra e umas flores meio secas que nascem em moitinhas de cactus.

E aí é que a coisa fica interessante tambem! É nessa região que estao as arvores de cactus (são arvores gigantes, que en vez de galhos e folhas, tem “braços” de cactos gigantes!) e as famosas arvores Senecio, que carcterizam a paisagem “exotica” do Kilimanjaro.

A partir dos 4.000 metros de altitude, vida é praticamente inexistente, na região conhecida como deserto Alpino, ou deserto Lunar.

Tudo a sua volta é uma subida gradual (que vendo em foto, parece até facil…. mas vai subir ladeira a 4.400 metros de altitude!) com nada mais que pedras e areia vulcanica por todos os lados (e como vcs podem imaginar, fazer xixi “au naturel” a cada dia que passou era mais e mais dificil, e menos e menos digno).

O ecosistema final é a zona artica, onde estão os glaciares, e só existe pedra e gelo! (e gelo empedrado!)

E que é tambem a parte mais fascinante… não existe nenhuma paisagem comparavel a ficar cara a cara com um glaciar de algum milhoes de anos, que sobe dezenas de metros acima da terra de puro gelo!

Os guias iam nos ensinando e explicando sobre cada planta, arvore e flor, contando os “causos” que eles jah presenciaram por causa do clima instavel da montanha e assim iamos nos entretendo dia a apos dia, e hora apos hora…


Postado em: Kilimanjaro Tanzania Viagens
17
29
Sep
2010
Primeiro dia – o comeco da escalada (do Portao Nale Moru aos 2.600 metros de altitude)
Escrito por Adriana Miller

Nosso primeiro dia na montanha comecou cedo e com um ultimo e reforcado banho!

Tivemos um ultimo briefing com o guia lider, ajudamos a organizar as malas e mochilas no jeep e seguimos na estrada de terra por cerca de 2:30 hrs ate a entrada do Parque Nacional do Kilimajaro, pelo lado norte, perto da fronteira com o Kenya.


A viagem de carro foi bem legal e interessante, onde pela primeira vez na viagem finalmente me senti na Africa estradas de barro e terra sem ter fim, muitos bananais por todos os lados e a pobreza e simplicidade imposible de ignorar! E isso porque devido a industria do turismo a regiao do Kilimajaro eh uma das mais prosperas do pais


Passamos por varios mercados de rua, vilas e valarejos, onde tivemos o primeiro contato e vimos de perto como eh o dia e a dia e a vida da populacao local e acho que a reacao era reciproca! Cada vez que pasavamos por algum vilarejo, nos ficavamos todos animados, tirando fotos e prestando atencao nas roupas coloridas, sacos de batata na cabeca das mulheres, as arvores e frutas exoticas, e etc, e da mesma maneira que assim que a populacao local percebia que tinha um jeep de turistas cruzando suas ruas eles vinham para beira da estrada (principalmente as criancas!) para nos ver, dar tchau, correr atrás do carro


Quando finalmente chegamos no portao da entrada do parque, o tempo tinha virado totalmente!

Um nevoreiro denso, com uma chuvinha chata que de cara desinflou nossos animos la fomos nos desempacotar mais camadas de roupas, colocar nossas capas de chuva, luva, gorros, e afins


Mas antes de finalmente subirmos a montanha, tivemos a primeira apresentacao oficial da equipe de apoio e conhecemos os 4 guias asistentes e o cozinheiro chefe uma ultima sessao de perguntas&respostas, registro de todo mundo com a Guarda Florestal, e lah fomos nos floresta acima!


Esse primeiro dia comecamos a trilha a 1.900 metros de altitude e cruzamos boa parte do dia na zona de floresta Tropical e cultivo, cruzamos um mini-micro vilarejo de cultivo de milho no meio do nada (a criancada fez a festa quando nos viu chegando!!) ate que comecamos a adentrar a zona de floresta Alpina e a montanha ficou absolutamente deserta dai para frente!

Ao longo do dia a chuva apertou bastante, oque foi extremamente frustrante alem dos motivos obvios do frio e humidade, que nao sao nada legais quando se esta totalmente exposto aos elementos, mas principalmente o aspecto psicologico da viagem Mal conseguiamos ver um palmo na frente do nariz, quanto mais conseguir admirar a paisagem da subida, ver os animais etc (conseguiamos ouvir os animais, mas ver que eh bom nada).


Ja no fim do dia, chegamos no acampamento, onde cada um de nos (cada casal/grupo) conheceu sua tenda e seu “ajudante de tenda, nos mostraram como funcionava o banheiro, onde era a tenda comunitaria etc e fomos oficialmente apresnetados ao “washy-washy”…

Quando pensavamos que finalmente iamos poder descansar depois de mais de 5 horas de caminhada. O guia nos levou para mais uma caminhada de aclimatizacao de cerca de mais 1 hora de subida ingreme


Mas pelo menos chegamos no acampamento (a 2.600 metros de altitude) bem na hora do Washy-Washy e jah com tudo pronto para nosso primeiro jantar!

Como a chuva ainda estava apertada, e todos estavamos exaustos, nao rolou muita confraternizacao na barraca comunicataria, e acabamos indo todos dormir assim que o sol se pos

Essa nao foi a primeira vez que acampei na vida, entao sabia muito bem oque esperar. O unico problema eh que todas as outras vezes que acampei na vida (e foram muitas!) era em regiao de praia e fazia calor. Nao me importei nem um pouco em ficar confinada na barraca, pra mim o pior mesmo foi conseguir ficar confortavel “embrulhada” no saco de dormir ultra grosso (era um saco de dormir de 4 estacoes em formato “mumia”), e pior: como paramos pra acampar no meio do nada na montanha, o solo era ingreme! Entao lentamente iamos escorregando pro pe da barraca, e acabei acordando varias vezes durante a noite pra me “empurrar” de volta (ate porque o saco de dormir escorrega no colchao termico, que por sua vez escorrega no chao da barraca…)!

Mas surpreendentemente, acabei apagando e dormi super bem!

 

Postado em: Kilimanjaro Tanzania Viagens
17
28
Sep
2010
African Walking Company
Escrito por Adriana Miller

Nossa viagem foi contratada atraves da Exodus, uma agencia Inglesa especialista em pacotes de aventura. Mas como o Kilimajaro eh uma are protegida, turistas (e locais) soh podem entrar no parque se acompanhados por guias treinados e registrados, e portanto a Exodus tem parceria com um agencia receptiva local, a African Walking Company (nao achei um link especifico pra eles…).


O servico prestado nao poderia ter sido melhor e foi bom saber que fomos acompanhados por especialistas locais o tempo todo.

A equipe que nos acompanhou era enorme, oque definitivamente justificou o preco alto que pagamos pela viagem. E para falar a verdade, quando estavamos lah e nos demos conta na estrutura de apoio que rola no background para garantir que tudo vai ser perfeito durante nossa estadia, eu achei ateh que na verdade o preco que pagamos nao tinha sido suficiente e justo, para tipo de trabalho que aquele pessoal faz!


No total eramos 9 turistas e subimos o Kilimajaro com uma equipe de apoio de nada mais, nada menos que 31 pessoas!!!

Entre eles estavam o guia lider, que atuava como o super chefe da operacao nao soh liderava o trekking, como tambem dava as cordenadas paro pessoal da cozinha, pro pessoal do acamapamento, fazia reunioes com nosso grupo todos os dias de manha e de noite, e ainda fazia suas rondas de seguranca e primeiros socorros, para garantir que estavamos todos fisicamente e mentalmente bem o tempo todo. Era ele tambem quem carregada e verificava diariamente o kit de primeiro socorros incluindo equipamento cardiaco, seringas com esteroides e varias outras coisas assustadoras!


Alem do guia lider, tambem tinhamos mais 5 guias asistentes, que eram os caras que nos acompanhavam ao longo da caminhada, e se dividiam no grupo, para garantir que teriamos um acompanhamento personalizado o tempo todo (e assim cada um podia seguir no seu ritmo).

Um outro personagem principal do grupo era o cozinheiro chefe! Um dos principias efeitos da altiture eh a falta de apetite e enjoo, que consequentemente pode piorar todos os outros sintomas (se vc nao se alimentar bem e beber pelo menos 4/5 litros de agua/liquidos por dia, gastando uma media de 5 mil calorias por dia, nao da pra aguentar o ritmo).  Eu nao tinha nenhuma expectativa em relacao a comida, e achava que iamos comer biscoito Maria com macarrao instantaneo e atum em lata todos os dias que ja mata meu apetite mesmo no nivel do mar, entao imagina la em cima?!

Mas para nossa surpresa a comida foi OTIMA, super balanceada, nutritiva e gostosa todos os dias! Entao apelidamos o James, nosso cozinheiro chefe de “engenheiro estomacal”, porque ele definitivamente foi muito mais que simples cozinheiro!!

O café da manha sempre tinha porridge, panquecas com geleia e/ou mel, ovos, torradas, biscoito, café e cha. E o almoco e jantar sempre incluiam uma sopa com algum prato principal (com bastante carboidrato, afinal gastavamos uma media de 5000 calorias ao dia!, carne, peixe, salada, pao, etc). E isso sem falar que sempre eramos recepcionados no acampamento por um cha da tarde tipicamente Ingles, com cha, café, bolo, biscoitos  e pipoca!! E pra mim, que nao como carne de porco, e um outro cara vegetariano, sempre tinhamos opcoes diferentes caso preferissemos!

Foi incrivel, e era so o cheirinho da sopa invadir a tenda-refeitorio que eu ficava logo morrendo de fome!! E realmente acho que isso teve um papel muito importante na adaptacao do grupo, e que ninguem sofreu nada muito grave por causa da altitude, e todos nos aguentamos bem ate quase os ultimos dias.

E alem deles, ainda tinhamos toda equipe de apoio, ou os porters, que sao os homens e mulheres que fazem com que tudo funcione perfeitamente! Sao eles que carregam nossa bagagem, nossas barracas, toda estrutura de apoio, a comida, a agua potavel e o banhero quimico.

Entao ao longo de cada dia, iamos conhecendo um pouco mais de cada um deles, e aprendendo um pouco mais sobre a vida na Tanzania, que foi uma das partes mais legais da viagem!

Na ultima manha na montanha, jah descendo, fizemos uma “ceremonia da gorjeta, onde o grupo de turistas e o grupo de apoio se junta para fazer mini discursos de agradecimento, e nos demos gorjetas extras para todos eles, como eh a pratica normal no Kilimajaro. (esse link abaixo tem um videozinho que fiz no ultimo dia. Depois vou tentar consertar o link, pra aparecer o video aqui).

Kilimanjaro

Eles nos agradeceram por vir visitar seu pais e por ter cuidado bem da montanha (o turismo no Kilimanjaro eh a princiapal industria da regiao, que gera muitos empregos e sustenta familias e cidades inteiras sem a presenca dos turistas, millares de pessoas perderiam seu ganha pao). E por outro lado nos agradecemos toda ajuda fisica e psicologica que recebemos do grupo, reconhecendo o trabalho duro que acontece por tras da cena e o esforco que cada um deles fez para garantir que nos teriamos a melhor impressao possivel do Kilimajaro, da Tanzania e da experiencia como um todo!

Eu e Makeke, no topo da Africa - sem ele me ajudando a cada passo no ultimo dia, jamais teria chegado ate o final!

E no final, tiramos muitas fotos, fizemos filminhos, trocamos e-mails e para encerrar a ceremonia todo grupo de apoio se juntou para cantar a musica-hino da montanha, com o Kilimajaro coroando a paisagem!

Antes da viagem, eu e o Aaron estavamos pensando em como seria nosso grupo, quem seriam os outros turistas que viajariam com a gente, mas na verdade esquecemos que as pessoas que realmente fizeram a diferenca foi o resto do grupo!

Eram horas e mais horas por dia andando e andando, sem muito oque fazer a nao ser conversar (ainda que bem limitado, pq a falta de ar deixava qualquer papo menos dinamico!) e ir conhecendo cada um deles. Como o guia lider, Makeke: ele ja subiu o KIlimanjaro – ate o final – 74 vezes (sem contar as outras centenas de vezes em que estava com grupos que nao chegaram ate o topo- coisa que pra ele nao conta!) e trabalha na montanha ha mais de 10 anos. Comecou como carregador, e por 5 anos subia e descia a montanha carregando malas de turistas enquanto fazia um curso de Ingles nas horas vagas.

Quando seu nivel de Ingles ficou bom o suficiente, ele fez um curso pra ser guia assistente e com ajuda e patrocinio de um de seus clientes, ele pode ficar 6 mese sem trabalhar e tirar o certificado de guia do Kilimanjaro.

Agora seu proximo passo eh conseguir juntar dinheiro pra voltar pro curso oferecido pelo governo por mais uns meses, e o emprego de seus sonhos eh ser guia de safari! Ele vai casar em novembro com uma menina do Kenya, e acha que ser guia no Kilimanjaro ocupa tempo demais na sua vida, e quer poder estar em casa pra comecar uma familia.

E tem tambem o Venice, um dos Guia assistentes, que era maratonista da Tanzania, viajou o mundo correndo maratonas, e foi assim que aprendeu Ingles. Mas acabou machucando seu joelho e nunca mais conseguiu patrocinio pra correr – mas como gosta de fazer exercicios e natureza, agora trabalha no Kili.

E muitas e muitas outras historias como essas, algumas mais outras menos comoventes, mas que ajudou a ter uma otima ideia de como eh a vida real num pais como a Tanzania, e a importancia da conservacao ambiental pro desenvolvimento da regiao.


Postado em: Kilimanjaro Tanzania Viagens
38
27
Sep
2010
Washy-Washy
Escrito por Adriana Miller

Confesso que a coisa que mais me assustou no processo de planejamento pro Kilimajaro foi a ideia de ter que passer 6 dias sem tomar banho.

A cada dia pre viagem que chegava em casa, tomava um banho quentinho, as imagens de terror populavam minha mente: dias longos caminando debaixo do sol, suando e morrendo de calor, um fedor de suor generalizado e nao conseguir dormir directo por causa do incomodo da sujeira


Mas na tarde que chegamos ao nosso hotel na base do Parque Ecologio Kilimajaro tivemos nosso primeiro briefing com o lider local da expedicao. Entre as muitas coisas que ele ia nos contando e preguntando volta e meia ele mencionava o tal do Washy-Washy. Como os Briefings eram uma mistureba de Ingles capenga (uns guias eram melhores, outros piores) com algunas palavras em Swahili (que fomos aprendendo ao longo da viagem. Porque realmente eram bem mais interessantes que a versao Ingles!) eu achei que Washy-washy nad amais era doque uma expressao da lengua local que eventualmente iamos aprendendo

Ate que ele finalmente nos explicou oque era o tal do washy-washy, que era a versao Ingles-Swahili do popular banho checo! Ou seja, todos os dias de manha, um dos guias vinham nos acordar en nossa tenda com bacias de plastico com agua morna para nosso ritual lavagem-lavagem.


A primeira reacao, como podem imaginar foi de um pouco de choque e uma galera se empolgava no processo de washy-washy, e saiam da barraca praticamente desnudos e seguiam felizes e contentes no ato publico de auto-lavagem. (Inserir aquí piadinha de que gringo nao toma banho. Eu sei que isso que voce quer fazer)


Eu preferi a privacidade de meu lar e me trancava na barraca!

MInha primeira experiencia de washy-washy foi un tanto quanto timida. De fato nao sabia oque fazer com aquela bacia de agua quente! E como achei que o ultimo banho tomado no hotel ainda nao estava totalmente vencido, aproveitei para lavar o rosto, as maos e os pes. Jah o Aaron se juntou ao grupo Escoceses e exibiram seus bronzeados no frio do acampamento para horror de nossos carregadores!


Mas ai neh, o tempo foi passando e a memoria da minha dignidade civilizada foi se tornando uma imagem mais e mais apagada na minha mente, e finalmente me rendi ao milagre do washy-washy. Digamos que na privacidade da sua barraca, uma bacia de agua quante, lencinhos de bebe e uma lampada de cabeca operam verdadeiros milagres para sua higiene pessoal. E foi tambem esse momento que me desprendi definitivamente de minha dignidade (que dai para frente se foi ladeira a Baixo, afinal era apenas a segunda noite na montanha e eu mal sabia oque vinha pele frente)


No fim das contas, ficar sem tomar banho nao foi tao trumatico quando imaginava!

Obvio que a primeira coisa que fiz quando voltei pro hotel foi tomar banho, mas acho que de certa maneira demos sorte de ter pego um clima horroroso quase todos os dias! Como passamos muito frio, o fator suor e fedor foram reduzidos drásticamente, e a convivencia do grupo nao foi afetada!

Jah os cabelos foram totalmente esquecidos em rabo de cavalo, gorros e faixas, e preferi ignorar o efeito da falta de shampoo + chuva + poeira + suor.

Claro que nao foi confortavel, mas a verdade eh que nossos dias la em cima tinham um zilhao de outros fatores mais importantes, e no fim das contas tomar ou nao tomar banho era a ultima de minhas preocupacoes!

Alem disso tambem tinhamos um banheiro quimco portátil, que foi nossa salvacao!

Eu realmente imiginava que seria tudo 100% selvagem, cada um que encontre sua moita e seu matinho e mande ver (e realmente durante o dia, durante as caminhadas, foi assim mesmo! Mas como disse acima, a essa altura a dignidade jah se foi ha muito tempo), e era um alivio voltar ao acampamento no fim do dia e poder usar um banheiro normal e limpinho”… e com privacidade! (a medida que a altitude ia subindo, as moitas iam diminuindo, ateh chegar no ponto onde era tudo deserto a nossa volta, e nem moitas tinhamos mais. Mas como tinhamos que beber uma media de 3 a 4 litros de agua por dia, chega uma hora que voce nao esta nem ai para quem vai presenciar seus momentos fisiologicos! jah falei da falta total de dignidade, neh?!)

A tenda-banheiro era um cubiculozinho, mas a privadinha (pinico, né?)  tinha descarga e sempre tinha papel higienico! Chique!

 

Postado em: Kilimanjaro Tanzania Viagens
22
27
Sep
2010
Nguvu kama Simba!*
Escrito por Adriana Miller

Depois de quase 3 semanas desaparecida do mundo on line, tah difícil conseguir pegar o ritmo e conseguir colocar no “papel” todos os detalhes incriveis de nossa viagem a Tanzania!

Vao rolar uns posts bem no estilo “querido diario”, pois quero tentar capturar ao maximo os detalhes e dificuldades de cada dia e cada etapa da viagem (principalmente na fase Kilimanjaro), mas como uma introducao a serie de posts, acho que vale a pena contar tambem os detalhes mais “genericos”, a equipe de apoio e nossa (literal) sobrevivencia na selva.

Agora que jah se passaram muitos dias, tive a oportunidade de refletir um pouco mais sobre tudo que passamos naquelas 2 semanas, e choque de adrenalina a parte, agora meio que caiu a ficha de como tudo foi muito mais difícil doque eu jamais imginei, mas ao mesmo tempo foi uma experiencia sem igual, que nao deixou nem um pingo de arrependimento, e genuinamente me deixou com vontade de planejar mais e mais viagens “aventureiras” (sim, ja temos mais uma em fase de producto para 2011!) pro resto da vida!

*”Forte como um leão” em Swahili, a lingua nativa da Tanzania – e era a frase que nossos guias repetiam infinitamente durante o dia a medida que alguem ia cansando..

Postado em: Tanzania Viagens
15
14
Sep
2010
Cadê você?!
Escrito por Adriana Miller

Snao varias mensagens de Twitter, de e-mail e comentarios no blog perguntando de meu paradeiro, e muita coisa pra escrever e pra contar sobre a viagem a Tanzania, mas os ultimos dias forma pura correria, e incluiram: Voltar de viagem da Tanzania e passar o resto do dia resolvendo pepinos da mudança de apartamento (ou seja, passei a sexta feira toda na fila de banco, na fila dos correios, devolvendo blackberry pra empresa antiga, bla bla bla).

Isso sem falar que sexta a noite, sedentos por um descando digno, ao chegar em casa lembramos que vendemos nossa cama, como parte da mudança, entao passamos mais um dia nao só “acamapando” na sala, mas dormindo no CHÃO da sala.

Sabado começou cedo, no apartamento novo pra fazer a inspeção e vistoria e assinar o contrato enquanto o Aaron se encarregava da mudança.

Mas umas horas depois os caras da mudança chegaram no endereço novo e tambem entrei na roda de carregar caixas e caixotes.

O resto do dia de sabado e domingo inteiro foi desempacotando, arrumando, limpando e (tentando) organizando a casa nova… e quando tudo estava mais ou menos acabado, lá fui eu fazer minha mala mais uma vez e segunda feira de manha me meti num voo para Madrid, e aqui estou, até o final da semana…

Eu vim pra cá crente que ia ter tempo pra ficar de borestia no hotel todo dia, atualizando o blog e respondendo e-mails e tals (já que o flat novo ainda nao tem internet), mas eu sempre esqueço como essas viagens são ralação com compromissos e reuniões e fazendo sala e conversando sobre trabalho umas 14 horas por dia…

Ai quando finalmente volto pro hotel, desmaio na frente da TV e embalo até começar tudo de novo na manha seguinte.

Mas já já começa a maratona Kilimanjaro, e quem estiver com muita curiosidade, as fotos já estão aqui:

http://public.fotki.com/Adrisn/tanzania/kilimanjaro/

Mais ó, pra não dizerem que não avisei, é só pra quem estiver curioso e com muito tempo sobrando pois são mais de 1500 fotos que ainda não foram organizadas, nem selecionadas, nem separadas nem editadas….

Postado em: Dia a dia Tanzania
26
05
Sep
2010
Conseguimos! O Kilimanjaro eh nosso!
Escrito por Adriana Miller

Voltamos para a “civilizacao” ha pouco mais de 2 horas, e a primeira coisa que fiz foi correr pro banho! E nao satisfeita tomei 2 seguidos!!!

Tanto eu qaunto o Aaron conseguimos chegar ao topo da Africa e ontem as 6 da manha (horario local) chegamos ao Guillman’s Point, e duas horas depois chegamos ao Uhuru Peak, a 5.895 metros de altitude e eh o ponto mais alto do continente Africano e a montanha “free standing” mais alta do mundo!

Foi sem duvuda alguma a coisa mais dificl que fiz na vida, e (provavelmente) nunca mais farei nada parecido!

Mas ao mesmo tempo, nao tem preco chegar la em cima, ver as nuvens e o mundo laaaaaaah em baixo e se sentir parte do seleto grupo de seres humanos que conseguiram esse feito!

Soh pra ter uma ideia, do nosso grupo de 9 pessoas, apenas 4 (eu, Aaron e mais 2) conseguimos chegar ate o final!

Todos os detalhes virao em breve (a internet na Tanzania nao eh das melhores….) mas as ultimas 36 horas foram as piores da minha vida…. e ao mesmo tempo uma das melhores memorias que jamais terei que qualquer outro feito que venha a conquistar!

Nossa subida final comecou a meia noite, no breu e com lampadas de cabeca, subimos SEM PARAR por 6,5 horas ateh Guillman’s point (nessa hora jah eramos apenas 5 do grupo de 9), assistimos o nascer do sol mais incrivel do planeta, e seguimos por mais 2,5 ateh Uhuru peak, que eh a conquista final.

O problema eh que soh quando chegamos lah em cima, pulamos, comemoramos, tiramos um gazilhao de fotos eh que caiu a ficha que ainda faltava voltar tudo!

Ainda bem que pra baixo os santos ajudam, e o trajeto de 9 horas foi feito em menos de 4 horas!

E ai eh que comecou o pesadelo! Nos deram 1 misera hora de descanso (“descando”, na tenda imunda) e jah comecamos a volta da montanha, com mais 5 horas descendo, embaixo de um temporal de granizo! E hoje tivemos mais uma descida de 6 horas ate finalmente poder tomar banho e dormir numa cama!

Mas agora que o pior jah passou, revendo nossas fotos e a experiencia maravilhosa que tivemos – e claro tirando o fato de que meu joelho esquerdo esta do tamanho de um melao – eh que aos poucos a ficha vai caindo e nos dando conta dessa conquista maravilhosa!!

E tenho ate um certificado emitido pelo Governo da Tanzania pra provar!

Amanha comecamos o Safari e acho que a tecnologia serah mais amiga, e na medida do possivel, vou dando noticias!

Ah! E pro meu pai…. FELIZ ANIVERSARIO!!

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