22 Oct 2015
47 comentários

SAL: Trabalhar em Londres – Vou conseguir um emprego na minha área?

S.A.L., Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior

O “tema” das perguntas mais comuns que recebo aqui no blog geralmente variam de acordo com a situacao politica e economica do Brasil…

Mas de uns tempos pra ca comecei a perceber uma mudanca no perfil e “intencao” nos e-mails em relacao a se mudar, morar e trabalhar em Londres.

Antes rolava muito “to disposto a fazer qualquer coisa”, mas acho que com mais acesso a informacao, blogs e relatos sinceros e verdadeiros, e ate mesmo por me “conhecerem” atras do blog e midias sociais, os aspirantes a imigrantes tem se (e me) perguntado mais se “vale a pena” imigrar pra Europa e Inglaterra (cuja minha resposta e opiniao já virou post aqui oh), e mais recentemente tem aumentado as perguntas sobre o mitico “emprego na minha area”.

help-wanted

Como quase todos os posts sobre o tema que aparecem aqui no SAL (Servico de Atendimento ao Leitor), vou comecar falando o obvio: não existe resposta certa, e eh impossivel eu te dar uma resposta certeira, que seja aquele empurrao final que voce estava precisando pra tomar coragem de largar tudo.

Muita gente quer aquele apoio psicologico, e uma passada de mao virtual na cabeca pra ter coragem de fazer uma coisa que sim, eh muito arriscada e assustadora!

E não, voces nunca vao me ver incentivando ninguem a fazer isso – já brinquei muitas vezes por aqui que imigracao eh coisa seria e “não facam isso em casa”, e a decisao e riscos são seus – nem deve ser um blog nem uma blogueira (eu, no caso) te dando resposta as quais eu obviamente não sei sobre uma decisao que deveria ser so sua.

Pra comecar com “minha area” – eu não conheco sua experiencia, provavelmente não conheco sua area ou industria de atuacao (tanto no Brasil quanto aqui na Europa) alem dos muitos outros fatores que separam um candidato de uma vaga: visto, formacao academica, experiencia relevante, fluencia na lingua, desenvoltura nas entrevistas, carisma, e principalmente – se destacar em processos de selecao onde voce estara concorrendo com os mehores candidatos do mundo.

Eu já escrevi um monte de posts com dicas de Recursos Humanos, entrevistas, cartas de apresentacao, etc, aqui oh!

Outra frase que já repeti bastante por aqui tambem eh: Londres eh a terra das oportunidades, mas tambem eh a terra da concorrencia, pois assim como eu, voce, e mais um monte de gente, todo mundo quer vir pra ca “passar um tempo trabalhando na minha area”.

Aqui a concorrencia eh contra um mercado infinitamente maior, cada candidato esta concorrendo contra um mundo de Britanicos, Europeus e gente do mundo todo com um bisavo Italiano ou uma avo Espanhola que te deu direito ao passaporte Europeu. (que sim, facilita, mas não eh garantia de absolutamente nada).

Entao minha gente, não, não eh facil.
Eh impossivel? Devo desistir de tudo agora?!
Não, tambem não eh assim. Eu consegui e muita gente tambem consegue!
Mas temos que ser realistas, certo?

E usando a mim mesma como exemplo: eu vim pra ca super nova, há mais de 10 anos atras. Já tinha uma boa formacao no Brasil, estudei na Espanha e já era fluente em Ingles. E sem falar que há 10 anos atras Londres era beeeem diferente. A concorrencia era diferente, uma epoca pre-recessao de 2009, pre midia social, pre boom da inernet.

E ainda assim, parando bem pra pensar, esse papo de “minha area” foi total furada pra mim!

Sou formada em Economia e trabalhva com financas no Rio. Fui pra Espanha estudar turismo e vim pra Londres achando que aqui eu conseguiria arrumar um bom emprego “na minha area” (turismo), e inclusive vim pra ca já com um estagio organizado pela Universidade de Madrid, onde fiz meu mestrado. Ou seja, tudo pra dar certo ne?

Pois eh, mas não foi bem assim. A falta de experiencia na area de formacao (turismo) e conhecimento e experiencia relevante no mercado (Inglaterra) fecharam todas as portas, e depois de algumas idas e vindas eu acabei caindo de para-quedas em Recursos Humanos.

RH agora eh a “minha area”, mas não eh exatamente o que eu tinha sonhado em fazer la atras, há 12 anos quando sai do Brasil.

Mas deu certo pois eu estava numa outra fase da vida, comeco de carreira em tudo mesmo, e no fundo, não me fazia a menor diferenca. Dei muita sorte de ter acabado numa area não planejada, mas que foi onde eu me encontrei e me realize profissionalmente.

Hoje em dia, esse papo seria beeeem diferente, e no mercado de hoje eu provavelmente não teria tido as oportunidades e experiencias que tive nesses quase 12 anos de vida na Europa.

Entao o moral da historia eh que por mais que eu tente ajudar, dar dicas, e escrever posts de “utilidade publica” respondendo perguntas mais comuns e frequentes, eh impossivel prever se voce vai conseguir um emprego na sua area em X meses e que pague X mil Libras (volta e meia eu recebo e-mail com valores exatos que a pessoa “precisa” ganhar pra manter o padrao de vida que tem no Brasil! Gente, por favor! Se “manter o padrao de vida do Brasil” eh tao importante pra voce, entao por favor, não vire imigrante na Europa!!).

Já ate me acusaram a ser “cabeca fechada”, mas não eh isso gente – eh ter responsabilidade, experiencia propria e anos de estrada.

Claro que meu ponto de vista tambem mudou. Hoje tenho uma familia e uma filha pequena, e afinal, estou 12 anos mais velha do que aqueles primeiros posts cheios de energia!

Já sei tudo que pode dar certo ou errado, ou quando a pessoa esta simplesmente se iludindo.

EU, hoje em dia, com trinta e tantos anos, marido e familia, com certeza absoluta não teria embarcado nas mudancas que fiz aos 20 poucos, livre, leve e solta. Não mesmo!

Com familia e filhos, ou voce já esta aqui e “cresceu aqui” como eu, ou entao fique onde estiver se nao estiver disposto a comecar do zero, arriscar e perder tudo…

Por exemplo, no outro dia recebi um comentario engracado: uma leitora pediu pra escrever sobre algumas adaptacoes da vida “aqui fora”, e como lido com coisas do dia a dia, como cuidar da casa, cuidar da minha filha “sem ajuda”, fazer supermercado e afins.
E essa pergunta me fez parar pra pensar… Eu simplesmente não tive que me “adaptar” a nada disso, pois “cresci”  e virei gente grande aqui, ou seja, a primeira vez que fiz supermercado sozinha, já foi aqui. A primeira vez que cuidei da casa foi aqui, a primeira vez que tive uma filha e tive que aprender a ser mae “sem ajuda” foi aqui.

Entao não tenho parametros de comparacao com a realidade de outras pessoas, e de pessoas que imigram pra outros paises e culturas em diferentes fases da vida, deixando outros estilos de vida pra tras, e com outras necessidades imediatas pra sobreviver e ser feliz (como por exemplo, o mitico “emprego na area”).

Ou seja, eh possivel conseguir um emprego na sua area profissional? Sim, claro.
Vai ser facil, e garantido que voce vai ter uma vida boa? Não, asolutamente não!

E infelizmente eu não tenho a resposta magica, entao cada um tem que saber e reconhecer sua propria disposicao a arriscar e aceitar que tudo pode dar errado.

E claro que a vida de imigrante pode ser maravilhosa (a minha eh!), mas uma boa dose de realidade tambem ajuda a manter as coisas no eixo!

 

Adriana Miller
Siga me!

Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
Adriana Miller
Siga me!

Latest posts by Adriana Miller (see all)

Adriana Miller
47 comentários
Comente pelo Facebook
Escreva o seu Comentário
* Preenchimento obrigatório. Seu email não será divulgado.
Quer que a sua foto apareça nos comentários? Clique aqui!
47 comentários
  1. helo - 22/10/15 - 12h40

    Boa! cada caso eh um caso, e sempre bom relembrar a galera de q nao existe formula magica do emprego em Londres

    Responder
    • Adriana Miller - 22/10/15 - 13h44

      Pois eh… nao existe formula magica de emprego em lugar nenhum do mundo…. e por aqui nao eh diferente, ne?

      Responder
  2. AElitis - 22/10/15 - 13h42

    Moro em Angola e sinto o mesmo: recebo email de pessoas que me perguntam quanto se deve receber aqui, quanto custa estudar, quanto custar ter um parto, qual o salário de tal e tal função (que não são a minha área) e fico perdida sem saber o que responder, pois sei que as pessoas estão à espera de respostas que validem um sim ou um não, que eu nao me posso responsabilizar em dar.
    Gostei deste post.

    Responder
    • Adriana Miller - 22/10/15 - 13h58

      Pois eh, nao da pra ser responsavel por uma decisao tao pessoal. IMigrar nao eh facil, muito pelo contrario, e quem decide tomar esse passo precise estar em paz com sua decisao e possiveis consequencias – e essa decisao eh pessoal e intrasferivel!

      Responder
  3. pedro - 22/10/15 - 14h49

    acho que voce esta certissima! infelizmente nao tem resposta certa!! Eu acabei de me ‘mudar’ pra Franca e estou fazendo algo relacionado a minha area porque isso faz parte do meus objetivos de vida! Mas nada impede que no final do meu curso, eu resolva voltar pro Brasil ou procurar algo pela Europa. Acho que cada um e cada um mesmo nesse caso e, sinceramente, HAJA disposicao para ser ‘imigrante’…hahahahahahahha

    Responder
  4. Alana - 22/10/15 - 15h09

    PERFEITO, Dri! Eu estava pensando em falar com você sobre isso e caí de paraquedas nesse post. Já morei algumas semanas na Inglaterra em Intercâmbio e foi uma maravilha! É tentador ficar de vez.. Mas sei que não funciona assim. Tudo que falaste é a dura realidade que muitas pessoas preferem ocultar e arriscar de vez e no primeiro obstáculo ou não afoga as expectativas de um suposto paraíso imigrante. Obrigada por compartilhar desse pensamento”in loco” seu! 😊

    Responder
  5. Elizabeth - 22/10/15 - 15h10

    Nossa, ja’ faziam tantos meses que eu nao passava aqui! OTIMO texto, ultimamente com a crise que o Brasil tem vivido eu tb recebo todos os dias mensagens e emails desesperados de grandes amigos querendo vender tudo la’ e comecar uma nova vida aqui, pessoas me mandando CVs e etc e fico mega sem-graca sem saber o que responder pois se eu falar, CUIDADO, nao e’ facil… sempre vem a pergunta… mas se vc conseguiu pq q eu nao conseguiria?! Acho que agora vou recomendar uma lida nesse seu post, PRINCIPALMENTE no paragrafo aonde vc fala sobre como era procurar empregos ANTES da crise de 2009 se comparado com agora! Trabalho na area de Oleo e Gas a 10 anos e, como vc, moro na Europa a 13 anos mas cheguei aqui com 20, entao… foi uma carreira construida em outra faixa etaria e com outras ambicoes (e engolindo sapos que hj com certeza nao engoliria!) Enfim, “to cut a long history short… you nailed it!”.

    Responder
    • Adriana Miller - 22/10/15 - 15h24

      Pois eh, nao sei voce, mas eu veo uma mudanca drastica no mercado pos-recessao. Talvez seja porque ue trabalho com RH e presto mais atencao nisso, mas como a Europa como um todo ainda esta sofrendo as consequencias, o fluxo de imigrantes Europeus (tanto os muito bem qualificados quanto os que estao topando tudo) aumento bastante, e as empresas estao mais seletivas e exigentes.
      Aquele oba-oba da deca de 2000 ja nao existe mais nem em sonho!

      Responder
  6. Juliana - 22/10/15 - 15h41

    Muito verdadeiro e real o seu post Dri!
    Moro em Portugal, sou advogada e tb trabalho “na minha área” aqui. Exigiu esforço, dedicação, flexibilidade para se adaptar, perceber as diferenças culturais, etc. Depois de uma carreira já iniciada no Brasil, tive que voltar a ser estagiária por um tempo, aceitar a oportunidade de uma experiência, para só depois ver as coisas se consolidarem. Tive e tenho que ralar muito. Trabalho é trabalho em qualquer lugar no mundo!

    Responder
  7. Flaviana - 22/10/15 - 15h46

    Penso mtooo como você fala. Eh coisa séria… Existe uma ideia de glamour intrinseca a morar na europa, no meu caso Paris eh vista como chiquerrima. Acho q uma coisa importantissima eh fazer uma parte dos estudos aqui, abre mais as portas. No meu caso foi mestrado e doutorado- sem isto nao teria validado meu diploma ( area de saude) nem conseguido um bom emprego. Vir cedo eh mto diferente: eu vim com o objetivo claro de estudar e voltar; Aceitei morar em apê pequeno, fazer bbsitting ou trabalhar na biblioteca da universidade, pq era jovem e tava disposta. Hj em dia jamais…. So fiquei pq no final, o amor mudou meus planos por enquanto e tenho uma otima vida aqui..

    Responder
  8. Isadora - 22/10/15 - 16h14

    Acho que muita gente ainda tem aquela ilusão de que morar no exterior é sempre melhor (em comparação com o Brasil). Pode ser melhor ou pior, tudo depende do seu ponto de vista e situação (financeira, familiar, etc.). ‘Largar tudo’ e ir pra outro lugar nem sempre é a solução – e nesse caso falta um pouco de bom senso para algumas pessoas! Haha Dri, fico imaginando vc lendo os e-mails: “quero ganhar X mil libras por mês e ter tal emprego. Comofas?” kkkkkkk

    Responder
    • Adriana Miller - 22/10/15 - 16h18

      Pois eh… comofas?!
      Ai voce conta que o imposto de renda aqui eh 40%, faxineira custa 15£ por hora, crèche custa 1500£ por mes… Hehehhehe
      Querendo ou nao, morar fora sempre tem um nivel de perrengue ja imbutido quando comparado com a a vida da classe media no Brasil (mesmo com a crise).

      Responder
  9. Sheila - 22/10/15 - 16h32

    Eu acho que o mal das pessoas eh querer achar que aqui na Europa vao levar a mesma vida que levam no Brasil, que sao tudo flores e se decepcionam quando veem que nao eh bem assim. Nesses quase 6 anos de Londres, eu tambem ja recebi perguntas absurdas, quanto eu ganho, como me mantenho, se eu recomendo as pessoas a virem pra ca, etc, etc, etc. Eu sempre respondo da mesma maneira, se voce gosta de conforto, tem um ingles mediocre, pessimas qualificacoes, fica por ai, pq aqui sao 30 pessoas extremamente qualificadas e competentes disputando 1 unica vaga e voce vai ter que se virar e fazer tudo que a sua mae ou empregada domestica fazem por voce! Quando eu decidi vir pra Londres, a crise ainda nao era o que eh hoje, eu tive otimos empregos, mas so fui achar um que se ‘encaixava’ em tudo que eu sonhava no ano passado. Imigrar exige trabalho duro, persistencia e muita sorte. Eu imigrei sozinha, mas se fosse por tudo hoje na ponta do lapis, com pros e contras (mesmo amando minha vida aqui), com a idade que eu tenho, pra comecar do zero, talvez nao viesse.

    Responder
  10. Paula Machado - 22/10/15 - 16h47

    Engraçado que na minha última viagem internacional (que foi justamente para Londres – 1a vez e amei de paixão), eu e meu marido estávamos pensando sobre a questão da imigração. Eu sempre sonhei em morar fora do Brasil, mesmo que só por um tempo, e até começamos a participar da imigração para o Canadá anos atrás, mas acabamos desistindo por causa do clima. Ainda pensávamos às vezes sobre isso, mas nesses 2 últimos anos, acabamos chegando à conclusão de que nunca valeria a pena na nossa situação atual.

    Com mais de 30 anos, carreira definida, morando no centro de uma cidade que amamos com toda a maravilha de não depender tanto de carro, clima perfeito (pra mim que necessito de calor, sol e céu azul de brigadeiro), família e amigos por perto, viagens nacionais e internacionais sempre agendadas, chegamos à conclusão de que hoje, definitivamente, nenhuma cidade européia ou americana vai nos fazer mais felizes e realizados. E não, não somos ricos, muuuuuito distante disso. Nós temos prioridades e deixamos de fazer muitas coisas para fazer as que amamos. Eu tenho negócio próprio e estou enfrentando os perrengues econômicos do Brasil a duras penas. Mas começamos a pensar: onde será que está muito melhor do que aqui? Morar fora poderia nos possibilitar conhecer novos lugares e viver novas experiências, ok, mas não é isso que estamos fazendo todo ano durante as viagens? Pra que forçar a barra? E isso nos deu uma paz tão grande, um alívio e uma certeza de que sim, o Brasil está num momento caótico e triste, mas ainda oferece um mundo de possibilidades pra gente porque estamos batalhando muito, como teríamos que fazer mesmo em qualquer outro lugar.

    Antes eu achava que nos faltava era coragem de largar tudo e ir. Agora eu vejo que o que faltou mais foi analisar a realidade da vida, da nossa vida, sem ficar comparando com as outras pessoas. Quando fizemos isso, chegamos a uma conclusão excelente pra nós, que nos deu até mais ânimo de correr atrás dos nossos sonhos aqui.

    Desculpa o testamento, mas engraçado que foi até um desabafo pra mim mesma, hahaha! Só tenho que acrescentar que te admiro demais: o que você conquistou e a forma como conquistou devem ser mesmo motivo de orgulho sempre. E vejo tudo isso como um grande incentivo para continuar me orgulhando da minha vida por aqui, em terras tupiniquins! Muito obrigada!

    Responder
    • Flávia - 27/10/15 - 11h47

      Oi Paula, gostei muito da sua mensagem, tenho um pensamento muito semelhante ao seu. Sempre sonhei em morar fora, mesmo que fosse por um período curto. Infelizmente acabei não indo quando era mais nova, acho que foi um pouco de medo e agora com 30 anos as vezes fico pensando “poxa, será que não vale a pena arriscar”. Minha conclusão é que não, não vale, pelo menos não para mim. Apesar de não ter a carreira dos sonhos e ganhar rios de dinheiro eu tenho uma boa vida. Meu marido e eu nos programamos para poder fazer as viagens que gostamos, nos privamos de algumas coisas para poder ter outras, mas temos o privilégio de morar em um paz tropical (tb já iniciei o processo de imigração no Canadá e desisti), gostamos da cidade onde vivemos, não perdemos horas dos nossos dias em congestionamento, podemos acompanhar meus sobrinhos crescerem, estar ao lado da minha família e tudo isso faz com que o melhor lugar do mundo para mim seja aqui. Admiro muito quem tem coragem igual a Dri e mora fora, aliás, meu marido também é estrangeiro. Mas não posso ser menos feliz por ter permanecido no Brasil.

      Responder
  11. Giselle - 22/10/15 - 17h18

    Oi Adriana, acho que de certa forma esse post foi em resposta ao meu email….rsrs…. Mas olha, só para esclarecer, eu sei bem que a vida aí na europa é diferente daqui e apesar de ser de classe média alta também não sou acostumada a “essas” regalias (empregada, manicure, babá, etc). Além de trabalhar, sempre cuidei sozinha da minha casa e da minha filha, então não acho que seria tão diferente a minha vida aí (nesse ponto). Certamente que toda decisão deve ser tomada com coragem e acima de tudo responsabilidade. E eu entendo que você não tenha uma resposta mágica para as perguntas que frequentemente recebe, mas no meu caso eu queria apenas ter uma ideia do mercado de trabalho aí em Londres para imigrantes qualificados já que você trabalha na área de RH e já mora há alguns anos na europa. O valor do salário que sugeri obviamente era apenas uma média para entender se a minha pesquisa está dentro da realidade (pensei que você como RH talvez tivesse essa informação), e o prazo para conseguir um emprego “na área” era também apenas uma estimativa (entendo que a concorrência seja enorme,… então era só para saber se você acha que pode ser viável ou acha mais fácil não rolar…) Era apenas uma opinião sua mesmo…..tipo troca de ideias…. Obrigada! Beijos e sucesso!

    Responder
    • Adriana Miller - 23/10/15 - 12h48

      Oi Giselle,
      Ainda nao li seu e-mail, desculpa! Nao deu tempo – mas parece entao que a resposta esta aqui :-)
      Eu recebo muuuuuito e-mails nesse tipo e com as mesmas perguntas todas as semanas, por isso resovi escrever esse post. Nao se preocupe, a ducida nao eh so sua!

      Nao tenho como te dar uma “ideia do Mercado”, independente de trabalhar com RH ou nao (ate porque nao sou recrutadora, entao nao lido diretamente com contratacoes e afins).
      Na verdade “o Mercado” eh o de menos… o que vai contra mesmo eh o nivel de Ingles, a experiencia relevante pro Mercado (por exemplo, alguem ja no meio da carreira e que nao tem nenhum experiencia de trabalho a Inglaterra ou na Europa tem muito menos chances de se colocar no Mercado local do que alguem que ja trabalhou aqui, ou alguem em comecinho de carreira), desenvoltura nas estrevistas, referencias etc.
      Quanto mais aquecido o Mercado, mais exigente as empresas e recrutadores ficam, entao essa coisa de “como anda o Mercado” eh um pouco mito.

      E o mesmo em relacao a qualquer valor de salarios…
      Cada pessoa e cada familia tem um padrao de vida. Nao tem como te dizer “com X vcs vao viver super bem!” porque depende de onde voce vai morar, se vc tem filhos ou nao, o que voce come, o que fazem nas horas vagas, etc.

      Sobre prazo para colocacao no Mercado, empresas multinacionais demoram entre 3 a 6 meses para recrutar, contratar e “on board” um funcionario.
      No meu atual emprego, o processo durou de Outubro de um ano, a marco de outro ano (6 meses), entre entrevistas, business cases, apresentacoes, aprovacoes, feedback, negociacao de contrato, referencias e background checking etc.
      Claro que muitas vezes, isso pode acontecer em bem menos tempo, mas procurar emprego eh um emprego por si so, e leva tempo e custa dinheiro pra fazer as cosias acontecerem, entao da nao pra prever em quanto tempo (e se) voce vai arrumar um emprego aqui.

      Responder
  12. Karine Brito - 22/10/15 - 20h48

    Aplaudindo de pé! Arrasou!

    Responder
  13. Bruna Migliani - 22/10/15 - 21h51

    É o que você mesma disse, não existe resposta mágica, formula mágica e nem a certeza de ninguém que tudo vai dar certo. Creio que tudo depende de você ter um objetivo e correr atrás dele e se esforçar ao máximo pra que se concretize. E cada caso é um caso, quando digo que eu quero sim me mudar e tentar algo fora as pessoas automaticamente me tacham de doida, mas se eu não tentar agora (acabando faculdade, sem emprego aqui, nem casa, nem filho, nem nada – apenas meus pais) me pergunto se eu terei essa mesma disposição de tentar depois…e se nada der certo a gente volta e refaz tudo. Só quero olhar pra trás daqui alguns anos e ter a certeza que eu tentei e não tive medo de falhar =) Obrigada por mais esse SAL Adriana!

    Responder
    • Adriana Miller - 23/10/15 - 12h54

      Mas ai eh que esta o “X” da questao pra mim…
      Essa cosia de “ter um objetivo e correr atrás dele e se esforçar ao máximo pra que se concretize” eh tipo tapar o sol com a paneira ne?
      Sim, tem que ter um objetivo, e sim tem que corer atras – mas nao da pra esquecer que ate isso acontecer voce vai ter que engolir sapo, vai ganhar mal, vai levar desaforo pra casa (independente se ser no Brasil, em MOcambique ou na Conchinchina, ne?).
      E quando falamos de imigracao as pesoas ja acham que isso por si so ja significa “realizar os sonhos”, e esquecem que voce vai ter que se adaptar a uma nova lingua, vai odiar o clima, vai passer mal com a comida, nao vai ter amigos, vai perder momentos importantes com a familia, vai trabalhar num sub-emprego etc.
      Nao que nada disso seja um problema, nao eh. Eu ja passei por isso tudo e to aqui, vivinha.
      Mas acho que essa onda de “largue tudo para viajar” e “vida de nomade” criar um nivel de expectativa que simplesmente nao condiz com a realidade, e esta criando um geracao que simplesmente esta intrinsecamente infeliz por simplesmente estar onde esta. (geograficamente falando).

      Responder
  14. Luana - 23/10/15 - 00h30

    Eu nunca fui adulta no Brasil.. sai de la quando tinha 20 anos, entao nao sei tambem responder perguntas comparando a a vida aqui VS Brasil. Mas pelo que eu vejo, o imigrante que mais sofre é aquele que quer desfrutar dos beneficios do 1o Mundo (seguranca, educacao, cultura, etc) mas quer viver como se tivesse no Brasil (ou país X). Eu tenho orgulho da minha raiz brasileira… mas quem imigra tem que se desprender ne??? (Hello?? os amigos sao todos brasileiros, chegar atrasado nos lugares é ok, sempre em busca de comida brasileira, sempre comparando tambem “ah mas no brasil é assim”).

    Responder
    • Adriana Miller - 23/10/15 - 12h36

      Pois eh, tambem nao fui “gente grande” no Brasil, entao pra mim a vida aqui eh que eh o normal…

      Responder
  15. Patrícia - 23/10/15 - 04h26

    Dri, aproveitando esse post, o que acha de contar um pouco como funciona “as questões trabalhistas” aí? Por exemplo: existe carteira de trabalho como aqui? Há benefícios dados aos empregados ( plano médico, refeição etc)? Tenho curiosidade em saber como funcionam esses processos nas empresas, claro que de modo geral e entendendo que muda de empresa pra empresa.
    Aguardo seu retorno, se possível!
    Parabéns pelo post e obrigada! Bjs 😉

    Responder
    • Adriana Miller - 23/10/15 - 12h49

      Uuuuui… ai, nao tenho vontade de escrever sobre isso nao! :-)
      Como voe disse, muda de empresa pra empresa… Mas “carteira de trabalho” so existe mesmo no Brasil! Que coisa mais sem cabimento! heheheheh

      Responder
      • Patrícia - 23/10/15 - 23h05

        Hahahaha…entendi! E esses benefícios existem em algumas empresas tb ou isso tb é coisa só do Brasil?? Bjs e obrigada!

        Responder
  16. Renata RZ - 25/10/15 - 15h41

    Achei engraçadas as perguntas que você recebe… muito difíceis de responder. Mas entendo que as pessoas queiram te procurar, afinal você está mais perto da realidade do que nós aqui.
    A maioria das histórias que conheço de pessoas que mudaram de país aconteceram por causa do casamento com um estrangeiro ou alguma oportunidade de trabalho na sua empresa ou de estudo. Se a pessoa é jovem e solteira e quer ir ‘tentar uma vida na Europa’, super ok. Com família e filhos não dá para ir e começar uma nova vida, sem ter nenhuma segurança, como uma casa e um trabalho já pré-determinados. Tendo isso já não deve ser fácil, afinal a pessoa fica longe da família e amigos.

    Adoro your blog. Tô sempre por aqui, instagram e no youtube. Beijos
    Renata

    Responder
    • Adriana Miller - 26/10/15 - 10h26

      Pois eh, e por isso que respondo muitos e-mails e escrevo as duvidas mais comuns por aqui.
      Achoq ue qualquer grande mudanca na vida sempre e mais facil quando somos mais novos, mas nao acho que seja impossivel de ser feita depois de “adulto”, ou com familia e filhos nao. Acho bem possivel, so que tambem eh infinitamente mais dificil!
      Entao quem esta disposto a “tentar a vida” e “topa tudo” depois de uma certa idade e certo ponto na carreira, e principalmente com filhos na historia tem que entender que eh muito dificil sim, e tem que aceitar e entender as consequencias, os riscos e as mudancas.
      Nao da pra querer juntar o melhor dos dois mundos e querer manter a vida que se leva no Brasil com a (suposta) qualidade de vida da Europa, pois sao conceitos incompativeis.
      Em alguma coisa temos que abrir mao!

      Responder
  17. Cinthia Parente - 26/10/15 - 23h14

    Nossa, Dri! Pior que por experiência própria aposto que muita gente deve achar que você tá exagerando e querendo jogar balde de água fria no “sonho” alheio! E olha que no meu ponto de vista vc foi até bem otimista nas suas colocações, rs! Minha experiência em Londres é bem mais recente que a sua, moro aqui a 1 ano e meio, e tenho penado MUITO profissionalmente. Tb sou do rio, formada pela Federal, currículo bom e não consigo NADA de interessante (e não é por falta de correr atrás)! Estou nos chamados “subempregos”da vida e a maioria dos meus colegas é espanhol/italiano/português tb com ensino superior, muitas vezes mestrado ou doutorado na área (!!!) e estão penando junto comigo. Vaga em restaurante e loja qualquer um consegue num piscar de olhos, mas concordo com vc que se a pessoa tá acostumada a um certo padrão de vida no Brasil, tem que dar um RESET mental se quiser vir pra cá. Senão a melhor coisa é continuar onde está. Convivo com pessoas que vieram nesse contexto mas continuam mega dependentes de faxineira, manicure, feijão com arroz… Acho surreal! Eu vim acompanhando meu noivo que foi transferido na empresa dele (ou seja, tenho um certo suporte mesmo que indiretamente) e mesmo assim tenho minha parcela de “sofrência”, nunca pensei que fosse ser tão complicado de me estabelecer aqui, então bato palmas e assino embaixo do seu post! Muitos amigos (ou não tão “amigos” assim…) só acompanham nossa vida de expatriado via instagram e facebook e acham que é só glamour e mil maravilhas mas só a gente sabe o que passa ou já teve que passar e que por isso nossos conselhos e dicas não azedos a toa! Tenho certeza que seu post vai ajudar muita gente. Parabéns pelo blog, sou fã assumida!

    Responder
  18. Fernanda - 28/10/15 - 11h21

    Oi Dri! Sempre acompanho seu blog e adoro os posts! Sempre muito interessantes.
    Tenho uma dúvida: os diplomas de cursos que tenho no Brasil são válidos em Londres? Caso eu queira tentar um emprego na minha área, consigo comprovar minha formação? Super obrigada!

    Responder
    • Adriana Miller - 28/10/15 - 13h12

      Depende do curso!
      Voce pode se informar melhor sobre os requerimentos com o consulado de cada pais ou com o ministerio da Educao (que eh quem valida diplomas a serem usados no exterior)

      Responder
  19. Paula - 29/10/15 - 20h52

    Sinceramente? Acho que o sonho brasileiro de morar fora acabou faz tempo. O que nos tira da competição é nossa formação.
    O aluno do ensino médio europeu é obrigado a ter 2 outras linguas além da sua.
    Em 2013 fui estudar ingles fora e os alunos brasileiros são esforçados mas com um nivel baixissimo frente aos asiáticos, por exemplo.
    O mundo mudou muito nestes ultimos 15 anos. A qualificação tem que vir com um diferencial. Não basta so força de vontade. Dificil é as pessoas entenderem isso. Fora que muitos países se vendem como multiculturais mas quando você chega lá a realidade é outra. Eles te recebem de braços abertos desde que voce viva nos guetos em que eles querem que voce more.
    Ninguem quer escutar a realidade porque a maioria de quem mora fora adora “vender” uma realidade Walt Disney.
    Abraços pela sua lucidez :)

    Responder
  20. Vanessa - 31/10/15 - 11h43

    Perfeit, Dri! Concordo com tudo o que falou! Sou apaixonada pela Europa e vira e mexe (principalmente com essa situacao politica e economica em que se encontra o Brasil), tenho vontade de largar tudo e fazer “bom uso” do meu passaporte italiano. Mas ai penso: largar minha carreira que contrui a tanto custo aqui, familia, amigos….sera que vale a pena? As vezes so temos a tendencia de enxergar a parte boa, mas passar alguns dias ou semanas de ferias em outro pais eh infinitamente diferente de decidir construir a vida nesse lugar…

    Responder
  21. joana figueiredo - 01/11/15 - 22h33

    Dri, acho muito importante um post desse , para informar as pessoas o que é a realidade. Eu nunca morei fora, e o que conheco é so de viajar. Juro q em viagens pensei mil vezes em me mandar, mas eu ja tenho mais de 40, carreira construida, etc, e nao teria coragem. Mas acho q se fosse mais nova ia me ver tentada a ir.

    Sinceramente, as pessoas que conheco pessoalmente sofrem muito por morarem fora e estao sempre dizendo que um dia voltam para o Brasil. Os blogs que conheco de quem mora fora, sempre mostram uma vida cheia de glamour. Nao estou te criticando, mas so mostrando q nos, que nao temos muita vivencia no assunto, temos a impressao que e tudo isso mesmo, que tudo e lindo e perfeito. Ao ver as fotos que voce posta, tudo parece lindo, so festas, saidas, passeios, viagens, bolsas caras, cosmeticos e maquisgem, uma realidade muito diferente de nos no brasil (sou classe media alta, e nem de longe conseguiria manter uma vida c tanto glamour como a sua ).

    Juro q acredito no seu post… mas sua vida parece de conto de fadas. E dificil a gente nao acreditar q a vida ai e infinitamente superior.

    Responder
    • Adriana Miller - 03/11/15 - 13h21

      Mas a intencao do post nao eh pra dizer que minha vida eh horrivel ou que eu sofro muito por morar aqui. Muito pelo contrario!
      AMO demais minha vida, e se minha imigracao nao tivesse dado certo, ou odiasse morar aqui ou estivesse “sofrendo e querendo voltar”, eu ja tinha me mandado daqui ha muito tempo!

      Entao sim, PRA MIM, minha vida eh um perfeito conto de fadas!

      Mas a intencao desse post era pra ressaltar que com o boom das redes sociais nos ultimos anos, as pessoas so tendem a ver a minha vida “agora”, e esquecem que ja estou fora do Brasil ha 12 anos, sem contar todos os anos de “preparacao” antes de sair do brasil (com estudos de linguas, universidade de primeira, estagios em multinacionais, e MUUUUUUUITA economia de dinheiro, pra conseguir me virar sem passer sufoco).
      E que antes de estar onde estou (com uma carreira muito bem estabelecida, confortavel financeiramente, com uma familia linda, muitas viagens e afins), eu trabalhei muito, estudei mais ainda, abri mao de muitas coisas pra fazer acontecer.

      Nao basta “ter um sonho” de morar fora, sabe?
      Eh um conjunto de coisas, de sacrificios e de fatores. Eu nao cheguei aqui ontem. Nao comecei a vida que vcs veem aqui e no Instagram ontem, sabe?

      Nao acho que imigrar eh sinonimo de “sofrer” nao, muito pelo contrario! Conheco muitos, mas muitos imigrantes por aqui (nao so Brasileiros) que amam morar aqui, e cada um do seu jeito, com suas dificuldades e desabores, criaram uma vida que amam num novo pais!

      Mas temos a tendencia a achar que a grama do vizinho eh sempre mais verde do outro lado da cerca, e que a solucao dos problemas serao solucionados pelo simples fato de ir “tentar a vida” em outro pais, quando na verdade a questao eh muuuuuuito mais profunda que isso!

      Responder
  22. Daniela - 03/11/15 - 18h43

    Olá.
    Acho importante ressaltar, para qualquer pessoa que tenha intenção ou planos de se mudar para o Reino Unido que, além das mudanças pós-crise 2008, houve também um crescimento da hostilização a imigrantes e, principalmente em Londres, a criação de uma bolha imobiliária. Alugar e comprar propriedades em Londres é quase impossível para quem não tenha um bom emprego – por exemplo, a estimativa mínima de salário, ou salários, se combinado com um cônjuge, para conseguir um financiamento imobiliário, é de 70 mil libras anuais.
    Os aluguéis subiram, os salários estagnaram, e os salários de início de carreira são baixos. Para quem não chega com um emprego encaminhado, já mais de meio ou topo de carreira, como o da Adriana, só vai conseguir, com sorte, alugar um quarto ou um bedsit – e pagar o que antes se pagava por um flat pequeno numa área legal. Se você é mais jovem e não tem filhos, bom, faz parte da experiência londrina dividir casa. Mas se quer um pouco de privacidade, ou morar numa área legal, ou com sua família, bem, vai pagar muito caro, não há meio-termo. Isso mais creche e afins, você precisa ganhar BEM para ter uma vida “de adulto”. E não vai sobrar muito no fim do mês. Se sobrar.
    Se chegar só com a esperança e o currículo – e algo tipo de visto ou passaporte europeu -, terá de trazer uma boa quantia de dinheiro para bancar despesas de moradia e tudo mais por um tempo. Ou seja – para investir na carreira no RU, tem de ter grana (ou amigos que te dêm abrigo enquanto resolve a vida), paciência, bom inglês, e algo a oferecer dentro da sua área de atuação que esteja em demanda. Não é impossível, mas se tornou muito mais difícil do que era. Londres sempre foi cara, mas era o tipo de lugar onde as pessoas iam para juntar dinheiro, etc, hoje em dia, a não ser que se venha de uma economia com moeda muito fraca, não compensa.
    Eu não moro mais em Londres, mas sempre me perguntam as mesmas coisas. Eu não aconselho, a não ser que seja um objetivo muito desejado, muito planejado, porque as pessoas estão saindo de Londres porque não têm como se sustentar na cidade, gente com empregos legais. Quem já chegou há um tempo, como a Adriana e o Aaron, e consolidou a carreira, está bem, quem chega agora tem um caminho das pedras bem mais árduo a percorrer.
    Abraço.

    Responder
  23. Ana Paula - 04/11/15 - 23h40

    Olá, Adriana!
    Antes de tudo muuuuuito obrigada por se dar ao trabalho de ler e responder o e-mail que te enviei hoje. Muito obrigada mesmo!
    Sobre o post, está muito elucidativo e vasto em informações importantes. Espero que as coisas melhores. Qq novidade boa faço questão de te contar!
    Bjos e obrigada
    Ana Paula

    Responder
  24. Ilda Gomes - 05/11/15 - 19h27

    É verdade que os sonhos nem sempre se realizam, mas arriscar e aventurar na vida, é um risco que corremos !
    Mas entre o não ter oportunidade no país de origem , vale a pena arriscar .

    Responder
  25. Ana Julia - 10/11/15 - 12h44

    Dri
    Seu texto como sempre muito honesto.
    Contudo nao eh dificil entender que em momentos de dificuldade as pessoas pensem em mudanca, afinal, se onde estamos nao esta bom, ficar parado esperando um milagre tb nao eh la muito louvavel.
    Acho que deve rolar muito faniquito nessa questao sair do Brasil, mas sobretudo rola muita verdade tambem, porque nao so o momento politico e economico esta um caos (como eu nunca tinha experimentado nos meus 31 anos), mas a violencia esta completamente fora de controle e eu acho que sobre essa questao, nao tem como discutir.
    Ha muitos anos eu tenho passaporte europeu e desde adolescente sempre quis morar fora, mas fui construindo minha vida aqui e tenho uma vida confortavel na medida do possivel… porem hj eu nao durmo em paz dentro da minha propria casa porque a possibilidade de pular um ladrao ou muitos aqui dentro eh sempre grande e olha que eu moro numa cidade pequena de interior com 60 mil habitantes e dentro de um condominio fechado.
    Recentemente aconteceu um roubo num condominio proximo onde o ladrao “entrou” no condominio de ASA DELTA, enrolou os segurancas e comparsas seus entraram no condominio para o “resgatar” de ambulancia.. so que dentro da ambulancia estava uma duzia de homens fortemente armados.
    Ai eu te pergunto, num lugar onde isso (que parece coisa de cinema) acontece, eh realmente arriscar tudo deixar um emprego e uma casa pra tras?
    Ou ainda, da pra chamar isso de viver?
    O que nos fazemos no Brasil eh sobreviver, nao eh viver.
    Esta impossivel comprar casa com as novas regras de credito, emprego nao tem, todas as contas disparando… ao meu ver a unica coisa que salva no Brasil, de verdade mesmo, eh o clima, o resto pode por no lixo.
    Entao, eu acho que sim, quem tem a possibilidade de sair, tem que sair.

    Responder
    • Adriana Miller - 11/11/15 - 08h24

      Mas a intencao aqui nao eh desmerecer os sonhos nem as necessidades de cada um na hora de decider imigrar e sair de seu pais, muito pelo contrario.
      Eh justamente ressaltar que isso eh uma decisao muito pessoal, cheia de riscos, mas tambem cheias de beneficios, mas que cabe a cada “aspirante a imigrante” ponderar sobre as dores e as delicias de sua decisao.
      Concordo que o momento que o Brasil esta passando realmente eh apavorante, e bem que eu queria poder trazer toda a minha familia e amigas pra ca comigo!
      Entao sim, quem te a possibilidade de sair do Brasil, por que nao?
      Porem eh preciso saber no que se esta embarcando…
      Fazendo um paralelo com seu exemplo, digamos que voce teria que deixar sua casa confortavel num condominio fechada num pais de clima maravilhoso, perto de amigos, familia e onde vc domina a lingua e tem um otimo emprego. Ai voce deicide deixar tudo isso pra tras por casa da seguranca.
      Motivo justissimo!
      Mas voce estaria pronta para dividir um apartamento de 60 metros quadrados com algum estudante desconhecido, sem dominar a lingua direito, pegando um emprego qualquer numa area aleatoria e que pague mal (em comparacao com o custo de vida e com o estilo de vida levado no Brasil), longe da familia, sem amigos, com chuva, com frio, etc, etc, etc
      Ou seja, muitas vantagens, mas tambem muitas desvantagens, e esse post foi mais um alerta e “concientizacao” de que imigrar nao eh dar “copy & paste” da vida que se leva no Brasil, so que “na Europa”, sem violencia, com viagens e “experiencias internacionais”.
      Nao eh “copy & paste” eh um resert total, eh aceitar recomecar do zero.

      Responder
      • Ana Julia - 11/11/15 - 10h02

        Eu nao poderia concordar mais com vc, por isso comecei meu comentario dizendo que seu texto eh muito honesto, nao tem como vc tomar essa decisao por ninguem, dar seu aval, dizer que vai dar tudo certo nem dissertar sobre todas as carreiras e como encontrar um bom emprego na area de cada um.. se a pessoa tem o desejo de sair do Brasil, poxa, faz parte pesquisar e descobrir todas essas respostas.
        Mas..Eu sei exatamente como eh a minha area no Brasil e tb sei como ela eh em lugares onde ja tive interesse de morar, porem pra mim eh muito facil pq eu trabalho com IT, o que eu faco tem em todo canto do planeta, esta em todas as empresas sejam elas grandes, medias ou pequenas, nao dependo de revalidar diploma, talvez outras areas sejam diferentes e nao seja tao facil assim saber como funciona.. por isso as vezes o pessoal pergunta? sei la…
        O meu ponto mesmo no comentario eh que: eu jamais sairia do Brasil pelo glamour ou viagens ou comprar coisas que nao da pra comprar aqui, mas eu sairia pelo motivo seguranca com certeza (inclusive cogitando isso no momento) porque seguranca, pra mim, eh a traducao direta e perfeita da tao famigerada qualidade de vida, onde vida quer dizer vida no sentido literal.. morar num lugar onde nao se corre real risco de morte diariamente, pra mim, qualidade de vida nao tem nada a ver com ir de carro ao mercado, ter empregada ou ir a manicure toda semana.. tem a ver com viver em paz.
        E veja, eu vivo uma vida de primeiro mundo no terceiro mundo como vc muito bem citou algumas vezes… tenho uma casa maravilhosa, dois carros, um convenio medico que me atende muito bem, meus filhos estudam numa otima escola bilingue (ingles) que conta tb com um excelente programa de espanhol, o clima eh otimo.. seria a vida perfeita, nao fosse o fato que todo dia a noite a escolta armada e a policia fazem ronda aqui dentro do condominio e eu fico da janela espiando as sirenes pra saber se eh so ronda mesmo ou se mais uma vez pularam aqui dentro.
        A casa do meu pai ja foi assaltada, da minha mae tb, do meu irmao, dos meus sogros, de varios dos meus vizinhos de condominio.. inclusive um deles teve a casa invadida em pleno feriado passado (aparentemente bandido nao folga nem feriado).. a casa ficou toda revirada.. levaram de tudo, tv, computadores, joias, dinheiro.. e pasme: levaram ate colchao e roupas de cama!!!
        Quer dizer.. comecamos tendo medo de sermos assaltados na rua.. depois comecaram a assaltar a gente saindo do banco, depois no transito e agora estao nos roubando dentro de casa.. o que mais falta?
        As nossas casas viraram shoppings gratis.. bandido chega e faz ate compras de cama, mesa e banho.. entao nao eh mais aquele noia que vem roubar um eletronico pra trocar por droga, as pessoas estao mobiliando suas casas com as casas de outras pessoas.
        Nao estou dizendo absolutamente que as pessoas tem que sair correndo e tomar atitudes desesperadas e irresponsaveis. Sim, mudar pra outro pais deve ser muito dificil e deve precisar de um reset total…e claro tem muito brasileiro que acha que a Europa eh um reino encantado de limpeza hospitalar, onde tudo eh perfeito e melhor que aqui (pior que os que acham a Europa assim, so os que veneram os EUA), mas respondendo sua pergunta se eu deixaria todo meu conforto por uma vida dificil como vc citou.. sinceramente eu nao sei, mas talvez eu nao saiba essa resposta hoje porque eu sou, por enquanto, apenas uma espectadora das barbaries ao redor.. talvez se fosse a minha casa revirada, o meu colchao roubado, a minha cabeca onde o bandido tivesse encostado a arma, entao, talvez eu fosse mesmo assim.

        Responder
  26. Lais Bitencourt - 29/11/15 - 01h35

    Dri, voce conhece algum programa de summer internship em Londres? Mais na area de comunicação e marketing… Bjs!

    Responder
  27. Luana - 17/12/15 - 12h36

    Dri, e no caso de uma pessoa com diploma de uma universidade dai de Londres, mas q eh brasileira. Ou não funciona assim, apenas o diploma não da possibilidade de conseguir emprego na área?

    Responder
    • Adriana Miller - 21/12/15 - 19h34

      O diploma nao muda nada, seja de uma faculdade em LOndres ou de qualquer outro pais.
      O que vale mesmo é um visto de trabalho.

      Responder
  28. BrunA - 14/01/16 - 15h57

    Muito show o seu post! Tem muito tempo que nao entro no seu blog e fiquei feliz de achar esse topico relacionado ao trabalho. Moro ha quase 3 anos no UK, decidimos arriscar sair do pais quando meu marido recebeu uma boa oportunidade de emprego. Sempre pagamos o preco por nossas decisoes.. Minha carreira profissional foi impactada (tb sou de RH) por inumeros atravessamentos e mudanca de cidades que passamos neste tempo ( me tornei mae dentro deste periodo tb). Dentro deste periodo me dediquei a me aprofundar mais no ingles, trabalhei com traducoes, mas quero muito voltar ao RH! Moro em Manchester atualmente e a competicao tb e muito grande :( E por todo este tempo parada acho que preciso fazer alguma especializacao na area. Andei lendo que o CIPD parece essencial, o que acha, Dri? Agradeco se puder responder. Obrigada :)

    Responder
  29. Leticia - 29/08/17 - 19h01

    Adorei o que acabei de ler, belo artigo é extremamente sensacional parabéns.

    Responder
  30. Sara - 18/08/18 - 02h53

    Ola! Eu vi o seu site e achei bastante interessante todas as dicas de londres (que ainda não vi todas). Me interessei porém em saber como você conseguiu ter sucesso na área de recursos humanos, onde procurou emprego. O meu marido é formado em RH, e queria saber se tem algumas dicas para que ele consiga emprego nas terras de sua majestade :)

    Responder