04 Jul 2016
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Criando crianças bilíngues: minha experiência, aprendizados e dicas

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade

Esse ano, eu e o Aaron comemoramos 10 anos juntos, e uma coisa que sempre fez parte do nosso relacionamento, foi justamente a “aceitação” 100% do fato de sermos multiculturais, multinacionais e multi-línguas, e uma futura família bilíngue sempre foi uma conversa séria, desde que o namoro ficou “sério”, ha uma década atrás.

Então ao longo dos anos o blog registrou por exemplo as tentativas do Aaron aprender Português, seus cursos e esforços, já se preparando para um futuro numa casa de uma família bilíngue, pois nunca, jamais, me imaginei falando outra língua com meus filhos, que não fosse o Português.

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Avançamos vários anos, várias visitas ao Brasil, casamento, e finalmente a Isabella chegou em nossas vidas.

Desde nosso primeiro contato mãe e filha, ainda na sala de parto, entre nós duas, nunca existiu outra língua que não fosse o Português.

Assim como eu não conseguia imaginar lhe dar seu primeiro “Oi seja bem vinda ao mundo, eu sou sua mamãe” em outra língua que não fosse a minha, também não consigo imaginar nossas brincadeiras e interações, ensinamentos, despedidas pela manhã ou conversas futuras sobre os dilemas da adolescência, sua vida adulta e seus próprios filhos, que não seja, única e exclusivamente, em Português.

Claro que ainda tem toda questão sobre interagir com minha família e amigos no Brasil, conhecer minha cultura, e simplesmente ser uma pessoa multi-cultural, cidadã do mundo e bilíngue, que por si só, já é um grande presente para seu futuro que nós estamos dando.

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Então eu sempre falo muito sobre isso, já postei ela falando Português (e Inglês) nas redes sociais, e recebo muitas, muitas perguntas, então finalmente resolvi escrever um post sobre minha experiência até agora criando uma criança bilíngue.

Eu pensei em gravar um vídeo para a TV Everywhere, mas acho que ia ficar tão aleatório e tagarela (e gigante!), que achei mais fácil organizar meus pensamentos e “técnicas” num post, mas se vocês tiverem mais dúvidas, porque favor deixem nos comentários e assim fica mais fácil de fazer um vídeo mais focado.

E claro, esse post será uma constante evolução. Hoje a Isabella tem 3 anos e pouco, já fala super bem as duas línguas (mas ainda não fala perfeito nenhuma das duas, óbvio, afinal ele só tem 3 anos), já já teremos um outro bebê na casa (que com certeza mudará mais uma vez a dinâmica da família), então eu tenho plena consciência de que criar crianças bilíngues é uma esforço pra vida toda, um ônus que fará parte da minha “maternidade” pra sempre – cada fase da vida trará seus desafios e mudanças, sempre ouvirei comentários do contra (que geralmente veem de famílias onde o bilinguismo falhou), e sei, por experiência própria que língua, seja ela bilíngue “de berço” ou do cursinho do bairro, ou que você aprendeu com fluência num intercâmbio, é um exercício constante, assim como um esporte ou tocar um instrumento – a partir do momento que você parar de usar e praticar, sua proficiência e expertise vai pelo ralo.

Ou seja, a maternagem bilíngue é trabalhosa, cansativa, as vezes enche o saco e dá vontade de jogar tudo pro alto, mas é um compromisso que fiz pra vida toda, e nada mais é como a maneira como escolhi criar meus filhos e minha família. Hoje em dia, falar tudo em dobro e misturado, faz parte de quem somos, e é o normal da vida “de casa” de nós 3 (quase 4!), e nunca mais vai mudar.

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  • Como foi o aprendizado da Bella? Você sempre falou em Português com ela? Quando começou a ensinar?

Como mencionei aí em cima o aprendizado dela foi desde de sempre. Durante toda a gravidez e a partir do segundo que ela nasceu, eu só falo em Português com ela. Mesmo. E só bem recentemente ela começou a reparar que eu também falo Inglês com outras pessoas, assim como outras pessoas também falam Português.

Eu quase caí pra trás quando estávamos em Barcelona uns meses atrás e ela me ouviu falando em Espanhol com a recepcionista do hotel e me deu “bronca”: “mamãe, você tem que falar em Português ou Inglês, se não eu não entendo!” – e foi a primeira vez que me dei conta que ela já sabe que eu também falo Inglês!

A criança demora cerca de 1 ano pra começar a balbuciar as primeiras palavras, e uns 2 anos pra começar a “falar”, mas eles aprendem e absorvem tudo, desde seu primeiro segundo de vida. Então não pode esperar até a criança começar a falar ou “entender” para só então começar a falar sua língua com ela. É todo dia, desde sempre, o tempo todo.

Lembro que durante minha licença maternidade, eu até achei que meu português melhorou (afinal já eram muitos anos vivendo numa ambiente em Inglês em casa e no trabalho todos os dias), pois pela primeira vez em anos eu voltei a falar Português em casa, todos os dias, me preocupar em falar corretamente e sem “traduções” toscas (sou mestra!) e muito menos misturar as palavras (erro comum à muitos expatriados).

E mesmo quando ela tinha dias e semanas de vida, “conversávamos” o dia todo: eu descrevia tudo que estava fazendo pra ela em Português, explicava tudo que ia fazer (“agora tá na hora de trocar de fralda”, “nossa, já esta com fome de novo?!”, “vou preparar seu banho, tá?” e todo e qualquer tipo de “conversa” que se possa ter com um bebê de colo). As vezes eu achava que ia enlouquecer… afinal passava o dia todo falando sozinha e com as paredes, mas acredito do fundo do meu coração que isso criou uma base de linguagem nela, uma costume a ouvir a língua, e não me surpreendi nem um pouco quando mais de um ano depois, suas primeiras palavras foram justamente em Português.

E teve um pouco de sacrifício social também. Eu não fiz nenhuma das aulinhas típicas de mamãe-bebê que rolam por aqui (músicas, estorinhas, play group, etc), pois queria, mesmo, limitar a exposição dela à língua inglesa tão cedo. Não queria que suas primeiras músicas fossem em Inglês, e não queria que ela passasse várias horas por semana me ouvindo conversando em Inglês com outras pessoas (além de claro, com o Aaron, pois isso não dava pra evitar mesmo).

Então eu mesma cantava musiquinhas, lia histórias e livros etc em Português, por mais que muitas vezes quisesse e precisasse conviver com outros seres humanos!

Hoje vejo que isso provavelmente foi um exagero da minha parte, mas na época foi o certo pra mim e pra ela, e não me arrependo nem um pouco.

 

  • E seu marido, fala Português? Como você se comunica com a Isabella quando ele está por perto?

Apesar de já estudar Inglês ha muitos anos, ele nunca ficou fluente. Consegue entender e acompanhar uns 80% de uma conversa em Português, e quando estamos no Brasil, se tiver que se virar, ele se vira em Português, mas não se sente confortável nem fluente.

E parte disso foi culpa minha. Por mais que eu sempre tenha apoiada mil % sua vontade de aprender Português, eu nunca consegui quebrar a barreira do Inglês sendo nossa língua-relacionamento.

Das vezes que tentamos “ok, daqui pra frente só falamos português em casa”, falhamos terrivelmente, pois o Português dele nunca chegou num nível avançado onde pudéssemos ter uma conversa normal e adulta que não fosse em Inglês.

Mas assim que a Isabella nasceu, o Português virou a língua da casa, e essa dinâmica começou a fluir mais facilmente; até porque eu e Isabella ainda não chegamos ao ponto de termos um debate sobre a crise política da Venezuela, ou as táticas econômicas da China em português, então nossos diálogos do dia a dia (entre eu e o Aaron) na presença da Bella eram bem mais simples, e fáceis pra ele acompanhar, o que foi uma grandíssima ajuda pra ele.

E quando ela começou a falar, suas frase eram tão, mais tão misturadas (ela usava a palavra/vocabulário que soubesse e conhecesse, sem distinção ou reconhecimento de qual língua aquela palavra pertencia) , que o Aaron foi forçado mais uma vez a adquirir e incorporar certas palavras em seu vocabulário e diálogos também.

Então até hoje, entre eles, as conversas e frases são uma misturada sem fim, principalmente em relação a cosias do dia a dia (“daddy, I want more leite, please.”, “Ok Bella, do you want your leite to be quente or frio?”, “I want my mamadeira quente, tá bom?”), e eu acho uma fofura eles dois conversando em PortuGLÊS! hehehehe

Até meus sogros incorporaram algumas palavras em Português nos diálogos deles com a Isabella, e acho isso o máximo! “Isabella, did you acabou your dinner? Do you want more suco?”).

 

  • E quando ela fala alguma coisa em Inglês pra você? Como você reage? “Meus filhos só falam a língua X comigo e não respondem em Português”

Bem, aí a coisa muda de figura.

Acho fofo ela misturar o Inglês e manter algumas palavras de seu vocabulário do dia a dia enraizados no Português, mas eu, de jeito nenhum, deixo ela misturar o Inglês quando fala comigo.

Não existe essa de “vem comer sua chicken porque esta yummy!”! Consistência e disciplina são cruciais nesse processo!

E essa é a maior dificuldade, a parte mais cansativa do bilinguismo. A insistência, a repetição constante, e as vezes até ignorar pedidos caso eles sejam feitos na língua “errada”.

“Mamãe, quero juice”

“Quer o que?”

“Juice por favor”

“Não to entendo o que você quer Bella”

“Juice mamãe”

“Não sei o que é isso… mas tem água, leite, suco… o que você quer?”

“Ah! Eu quero suco por favor”

Volta e meia algum “do contra” me fala: “ah, bilinguismo com criança pequena é fácil, o difícil é depois que eles vão pra escola”. Mas a Isabella vai pra creche desde os 9 meses de idade, então ela passa 3 dias por semana só falando/ouvindo/aprendendo em Inglês, e mais todas as noites e os fins de semana com o pai.

Então nós nunca tivemos esse choque cultural & linguístico de um criança que só fala a língua X em casa, e de repente, anos mais tarde começa a frequentar uma escolinha e se converte à língua Y, e passa a recusar ou esquecer a língua minoritária em casa.

A vida dela sempre foi bilíngue mesmo, e ela sempre conviveu e aprendeu tudo em dobro, nas duas línguas. Por um lado isso foi muito mais difícil (pra mim, que sou a “guardiã” da língua minoritária), mas acho que a longo prazo, vai ser melhor pra ela.

Mas eu escrevi isso tudo, simplesmente pra exemplificar que por mais que eu tenha martelado o Português na cabeça dela nos seus primeiros meses de vida, logo depois ela passou a conviver em ambientes em Inglês também, e não dá pre negar dos benefícios (sociais e educacionais) que as crianças adquirem ao frequentar creches/escolinhas, e é claro que por mais que eu me esforce muito, ela aprende (em) Inglês numa velocidade muito mais rápida e intensa do que em casa comigo.

Então apesar de ter falado suas primeira palavras em Português, logo que ela começou a “falar” de verdade o Inglês tomou conta, e eu tive que ser muito, mas MUITO disciplinada pra re-ensinar tudo que ela aprende na escola, em Português.

Então sempre, até hoje, que ela me fala ou me pede alguma coisa em Inglês, eu repito a palavra/frase em Português, falo que a mamãe só fala em Português, e se ela quiser a coisa tal, tem que pedir assim (e repito a palavra). As vezes, repito a mesma palavra/frase 50 vezes, e é nessas horas que entendo perfeitamente quem desiste do bilinguismo!!

É cansativo e é frustrante, pra nós duas, mas agora, 3 anos depois, ela já nem pestaneja, incorpora a nova palavra em Português e consegue “trocar o chip” rapidinho, assim que eu digo “em Português, por favor” – e se ela não sabe como falar a palavra tal em Português, ela me pergunta “mamãe, como você fala a palavra X?”, e eu ensino a nova palavra em Português.

As vezes temos uns diálogos assim: “a mamãe fala a palavra X (em Inglês) em Y (português)”. “Tá bom, mas na escola eu prefiro falar X (inglês”. “Tudo bem, mas com a mamãe você tem que falar Y, se não eu não entendo”.

E isso sem falar nas palavras que ela “traduz”! Acho TÃO fofo!!! Mas me policío pra sempre corrigir e traduzir, seguindo o raciocínio acima. (os mais fofos são “brokAR” ou “brokEI” quando ela quebra alguma coisa; “JumpAR” quando ela esta pulando, “PanÇA” as vezes é sua versão de “calça” (pants + calça) (“rápido mamãe, o xixi vai sair na minha pança!”), ou então likAR (lamber) alguma coisa (a massa do bolo, ou um sorvete). E meu preferido de todos os tempos (e que demorei muito tempo pra entender o que era), é “frigideira”, que é como ela chamava a geladeira (misturando “fridge” com “geladeira”!).

 

  • E quando são estranhos? Tenho vergonha/acho falta de educação falar Português na frente de outras pessoas.

Bem, minha filosofia é: vergonha eu teria de ter uma filha que não fala minha língua! E se alguém no meu círculo social se ofender ou achar falta de educação eu estar falando minha própria língua com minha filha, então essa pessoa não deveria fazer parte de nosso círculo social!

E ponto final.

Eu nunca, nunca falo em Inglês com a Isabella, e manter esse “vinculo” linguístico no nosso relacionamento é importantíssimo para a manutenção a longo prazo do português e bilinguismo na vida dela.

Então eu aplico o “language attachment” a ferro e fogo, e não me importo mesmo quem esteja por perto. As vezes até falo com as amiguinhas dela em Português! hahahaha! Funcionava melhor quando eram todas mais bebês e ninguém entendia nem respondia nada, hoje em dia ela ficam me olhando tipo “oi?!” e aí eu peço pra Isabella traduzir (“shiiii Bella, acho que a fulana não entendeu a brincadeira, explica pra ela em Inglês?”).

Mas o que é o language attachment? É quando se cria um vínculo entre um relacionamento e uma língua. Ou seja, é quando se torna “esquisito” falar na língua X com uma pessoa, quando vocês se conheceram e formaram o relacionamento numa outra língua.

Pra mim, o Aaron é um bom exemplo disso. Nosso relacionamento é em Inglês, e por mais que ele queira falar em Português as vezes, não é natural, é quase como se estivesse falando com outra pessoa.

E tenho algumas amigas aqui onde temos a mesma situação. Tenho uma amiga Portuguesa, mas que quando nos conhecemos eu não sabia que ela falava português (e vice e versa), pois ela é também Canadense. Então nos conhecemos numa ambiente de trabalho e por muito tempo só falávamos em Inglês. Então até hoje entre nós duas só falamos em Inglês, pois é o nosso “natural”, e se outra amiga Brasileira, ou seu marido (Português) estiver na conversa, aí sim, mudamos pro Português. mas é simplesmente, desconfortável

Uma outra amiga, que eu conheci quando morava na espanha, é Inglesa, e hoje em dia também mora na inglaterra. Mas apesar do Inglês ser a língua nativa dela, e hoje em dia meu Inglês ser bem melhor que meu Espanhol, até hoje quando nos encontramos, só conversamos em Espanhol, pois essa é a língua do nosso relacionamento.

Ou seja, os pais (avós, ou seja lá quem for), da língua minoritária tem que criar essa situação de “relacionamento” com a língua na criança, e a Isabella tem que crescer achando “estranho” falar comigo em Inglês, sempre preferindo o Português em primeiro lugar.

E para isso, eu não posso deixar que ela se acostume a me ouvir falando com ela e me dirigindo a ela em Inglês seja no dia a dia, no parquinho, na saída da escola e lendo livrinhos. Uma palavra aqui ou outra alí, podem parecer inofensivas, mas não são. As crianças absorvem tudo, e aos poucos são essas palavrinhas na lingua “errada” que vão quebrando esse vínculo linguístico tão importante.

Aliais isso é uma cosia que sempre me perguntam ou comentam, e já vi muitos pais “bilingues” cometendo esse erro. Sempre leia para seus filhos na sua língua!

Eu compro muitos livros pra Isabella em Português, mas é claro que ela também tem alguns preferidos em Inglês, que volta e meia ela pede pra eu ler pra ela. A solução? Traduzir a história e ler em Português. Ou seja, a história é a mesma, os personagens são os mesmos, mas quando sou eu quem leio, as palavras saem em Português!

E o mesmo vale para desenhos animados na TV. Ela adora a Turma da Mônica, Show da Luna, e Sítio do Pica Pau Amarelo, mas também tem seus desenhos preferidos em Inglês. A solução? Youtube!

Todos os desenhos que passam na TV aqui que ela adora, existem em versão Português no Youtube, então instalamos um Google Chrome e Apple TV na nossa TV, e sempre que ela pede pra assistir Peppa Pig, Bubble Guppies, Dora, e afins em casa, o que passa na TV está sempre em Português.

 

  • Você leu algum livro ou técnica específica para se basear?

Pra falar a verdade não cheguei a ler nenhum livro não, mas pesquisei e li bastante a respeito da técnica OPOL (One parent, one language) que é o mais recomendado para famílias cujo cada pais/mãe fala uma lingua diferente (e ajuda a criar essa coisa do “Language attachment” que falei acima).

E esse é um assunto que eu sempre gostei muito e sempre soube que queria aplicar quando tivesse uma família, então sempre li e pesquisei a respeito, mas nada muito formal não.

Além disso, pra mim o bilinguismo e falar em Português com meus filhos é simplesmente instintivo. Não me imagino, nem nunca imaginei me comunicando com eles numa língua que não fosse a minha, a da minha família e do meu coração.

 

  • O Bilinguismo não atrasou a fala dela? Você não ficou com medo dela não se desenvolver direito?

Isso é outra coisa que sempre me perguntam e comentavam bastante, principalmente quando a Bella era mais novinha.

Quer saber? Sim, atrasa sim.

E não, não tem o menor problema!

Tecnicamente, se você ler a respeito, as pesquisas indicam que não atrasa em nada, e aprender 2 ou mais línguas não prejudica as crianças, muito pelo contrário. Os benefícios para o desenvolvimento cognitivo e cerebral de crianças bilíngues é incrível. Mas essas pesquisas olham para o lado físico/morfológico e fonoaudiólogo da fala das crianças. Então não.

Não atrasa nem prejudica. E se seu pediatra, pedagogo da escola, ou bisbilhoteiro da vizinhança te disser o contrário, procure outro profissional na mesma hora! Essa pessoa obviamente não é capacitada pra cuidar de uma família como a sua!

Mas a realidade é que sim, atrasa. Porque pensa só: tudo, TUDO que a Bella aprende, ela aprende em dobro.

Pensa na quantidade de palavras, conjugações e vocabulários uma criança aprende em seus primeiros 2 ou 3 ou 4 anos de vida. Agora duplica. Cada palavrinha. Cada expressão. Cada frase. Cada brincadeira. Cada música.

É muita coisa gente!

Então sim, lá pelos 2 anos e pouquinho, quando ela finalmente deslanchou a falar e montar frases, tanto seu Inglês quanto seu Português eram menos “perfeitos” do que seus coleguinhas de mesma idade (mono-línguas).

Mas em compensação ela sempre conseguiu se comunicar e se expressar em duas línguas, e com o tempo, ambas as línguas se encaixaram ao considerado “normal” para sua idade, sem problemas, sem traumas, nem tratamento de fono nem nada disso.

O português dela, que é e sempre será sua língua minoritária, ainda é menos desenvolvido que o Inglês, por motivos óbvios, mas ela consegue se comunicar e se expressar 100% em Português, e continuarei trabalhando pra sempre (literalmente!) em enriquecer seus vocabulário, melhorar sua gramática e afins. É um trabalho em progresso para o resto de minha vida!

 

 

Bem, essas são as dúvidas mais comuns, e as perguntas que mais recebo sobre esse assunto.

Eu acho o assunto fascinante e adoro trocar ideias e dicas com outras famílias! Então podem deixar mais dúvidas e sugestões e da próxima vez eu gravo um vídeo também!

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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  1. Nathalia T. - 04/07/16 - 16h18

    Uauuuu!
    Um trabalho diário que sem dúvidas vai compensar lá na frente.
    Ela ficará extremamente agradecida de ser bilingue com tanta “facilidade”.
    Muito legal a forma como vocês aplicaram isso.
    Gostei!

    beijos

    Responder
  2. Ana Rita - 04/07/16 - 16h27

    Oi Dri.
    Muitíssimo obrigada pelo post, muito bom saber da tua experiencia.
    Comentaste sobre as aulinhas tipicas em ingles que deixaste de fazer com a Bella quando ela era bebe. Tens planos de fazer diferente com o baby numero 2? Meu amrido é sul africano e passaremos pelas mesmas situacoes…..e concordo contigo 100%, quero que meus filhos falem portugues sim!
    Parabens viu! :)

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h29

      Não, não me arrependo…
      Acho que dessa vez minha licença maternidade vai ser menos “solitária”, justamente por já ter a Bella e suas rotinas, mas pretendo seguir pelo mesmo caminho, já que – por enquanto – tem dado certo pra gente!

      Responder
  3. Carla - 04/07/16 - 16h34

    Dri, nem precisa ter filhos para a casa ter um estilo próprio de comunicação que funcione super bem. Eu sou casada há 10 anos com um canadense francófono e, no início do relacionamento, o inglês foi nossa lingua de attachment, ainda que eu soubesse falar francês. Já ele havia aprendido espanhol antes de me conhecer e, ao aprender portugues por conta própria, virou tudo um portunhol só. Então, é normal numa mesma conversa a gente pular de uma língua pra outra sem nem perceber. As pessoas acham que somos loucos. hahaha

    No meu círculo de cohecidos brasileiros e portugueses que tiveram filhos em Montreal, conheço apenas quem se arrependeu de não ter tentado ensinar português. A maioria perseverou e foi bem sucedido, sobretudo os que viajam para o Brasil (ou Portugal) uma vez por ano e a criança pode viver uma imersão e criar laços com outras pessoas importantes que só vão falar com ela em português.

    Abraço e sucesso!

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h28

      Pois é… por mais trabalhoso e cansativo que seja, ninguém nunca vai se arrepender de ter ensinado sua própria lingua para os filhos, e nem nunca conheci nenhuma criança/adolescente/adulto que pense “que saco, eu sei falar fluentemente X linguas!” Hheheheeh
      Ou seja, não tem como errar!

      Responder
  4. Carol - 04/07/16 - 16h40

    Oi Dri,
    Sigo seu blog ha anos e amo! Admiro e me identifico com a forma como encara a vida fora do Brasil.
    Sou carioca, temos a mesma idade, amo viajar e ja morei em varios lugares (KL, Oman, Brisbane) a trabalho. Ha 4 anos vim transferida para Toronto, me apaixonei pelo país e decidi morar e formar minha familia aqui.
    Amei seu post, pois tenho pensado muito sobre isso. Ainda nao tenho filhos mas nao tenho a menor duvida que falarei em Portugues desde o primeiro minuto tb. Nao existe a possibilidade de meus filhos nao falarem portugues.
    Alguma dica ou experiencia/leitura para criança trilingue? No meu caso, sou casada com um francês, a lingua do nosso relacionento eh ingles e, mesmo o Canada sendo bilingue, nossa vida em TO eh em ingles.
    Eu estou estudando frances e ele portugues mas a ideia eh: comigo so em portugues, com ele so em frances (ele tb nao abre mao) e o ingles na rua/day are etc.
    Sei que nao eh sua experiencia mas como vc disse gostar do assunto, quem sabe pode me dar umas dicas! :)

    Parabens pela blog e fiquei feliz que vc voltou com tudo!

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 18h32

      Acho que você esta certissima, e as mesmas tecnicas/dicas se aplicam: com você so em portugues, com ele so em frances, e o ingles na rua/day are etc.

      Responder
    • Carol - 05/07/16 - 03h02

      Obrigada pela resposta! Torço para ver vcs aqui pelo Canada! :)

      Responder
      • Adriana Miller - 05/07/16 - 09h38

        Temos uma super viagem pelo Canada planejada pro ano que vem! Veremos se vai sar do papel ou nao! :-)

        Responder
  5. Luana - 04/07/16 - 16h41

    Dri, nunca comentei aqui e já acompanho seu blog há uns 5 anos, desde que eu tinha 16! hehe
    Acho incrível o jeito que você leva as coisas, com foco e determinação. Parabéns. Fiquei imaginando o quão fofa deve ser a Bella misturando as línguas “frigideira” hahah
    Sou sua fã, quando crescer quero ser como você.
    Beijos

    Responder
  6. Ana - 04/07/16 - 17h00

    Amei o post! Sou brasileira, meu marido é inglês e moramos na França. Estou grávida do nosso primeiro filho(a). No seu caso, vcs definiram o português como a língua principal em casa, pois sabem que o inglês vai se desenvolver naturalmente na escola, na rua, etc. Mas como vcs fariam se vivessem num país com uma terceira língua, como é meu caso? Por exemplo, acho que o pai vai preferir que ele(a) veja Peppa Pig original em inglês.

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 17h09

      Mas o pai pode preferir o que quiser – quando ele estiver com a criança. O Aaron também coloca desenhos na TV em Inglês, e lê histórias pra Bella em Inglês, e isso não tem o menor problema. O importante é manter o vínculo com você.

      Quanto à uma terceira lingua, geralmente ela se tornará maioritária (da escola, tv, amigiguinhos etc), então o importante é que você e se marido sejam disciplinados cada um com sua lingua, seguindo as tecnicas do OPOL.
      Uma das amiguinhas da Bella na escola é filha de pai Francês e mãe Russa, e ela e a irmã falam as 3 linguas perfeitamentes! Quer dizer, eu não entendo Russo, mas vejo que ela interaje com ambos os pais, cada um na sua lingua, e com as amigas na escola, em Ingles perfeito!

      Responder
      • Yohanne Saconato - 04/07/16 - 18h44

        Dri, então poderíamos dizer que na prática, nessa fase que a Bela está, tem sido mais importante o fortalecimento do vínculo (language attachment) do que o compromisso com a “perfeição” da língua em si?
        Por exemplo, vc falou acima que coloca desenhos em português, mas o Aaron coloca em inglês.
        Muitas pessoas se preocupam com a aquisição do conteúdo em si (tipo ficar aprendendo tudo que o desenho tá ensinando e podem achar que ficar assistindo em um idioma seria reforçador) , mas no caso a principal preocupação nessa fase seria a diferenciação dos idiomas?
        Percebo que muita gente que passa por esse processo tem preocupação maior com o conteúdo que a criança aprende e não com o processo do aprendizado. . Por isso fica bem mais difícil educar (em um ou mais idiomas).
        Eu tb adoro o assunto, acho fascinante aprender com quem tá na prática.

        Parabéns pela sua força e dedicação! !

        Beijao

        Responder
        • Adriana Miller - 04/07/16 - 19h47

          Acho que eles andam de mãos dadas.
          como em qualquer aprendizado de lingua (crianças ou adultos), primeiro você tem que adquirir e entender o que esta aprendendo, pra depois aperfeiçoar.

          E em segundo, criança não aprende lingua assistindo desenho. O desenho apenas reforça o vocabulário que ela já aprendeu em casa, e demonstra como a mesma palavra pode ser usada em situações diferentes, por exemplo. Então não faz diferença se um episódio foi em Português e o seguinte em Inglês. cada um no seu quadrado, e ela vai continuar aprendendo tudo em dobro.

          Não sei se entendi direito sua dúvida, mas acho que na aquisição de linguagem e alfabetização “quantidade” e “qualidade” andam juntos. Não adianta só saber meia dúzia de palavras, e fala-las perfeitamente. Assim como não adianta saber 300 palavras e não saber como usa-las…

          Responder
          • Yohanne Saconato - 05/07/16 - 05h12

            Exatamente isso que eu acho! Você me entendeu.
            Eu conheço alguns pais que independente do momento ou do próprio idioma, só permitem que a criança assista desenho em um idioma X (geralmente, o minoritário) pra que ela fortaleça mais o contato com aquela língua que geralmente é mais “escassa”de fontes pra ela. (Tipo adulto quando começa a ter contato com uma lingua diferente e quer ficar ouvindo musica e vendo filme pra “reforçar” o aprendizado). Como se no caso da Bela, vocês só estimulassem que ela assistisse desenhos em português pra ela ter “mais contato” com a lingua.
            Por exemplo,um caso especifico que conheço de pais brasileiros que criam criança nos EUA, mas que ainda não tem muito contato com o inglês (nem creche, nem muito convívio com americanos). Percebo neles um excesso de estimulo pro inglês pra que a criança consiga se adaptar ao país que está crescendo, e realmente fazem uma mistureba em casa de português/ inglês mais preocupados para quando houver a inserção em escola e outros ambientes. Então para eles o foco maior está em ensinar o inglês para ela não “sofrer”, e português em segundo plano..
            Tenho uma família conhecida também onde as 3 crianças vivem na Irlanda, só com mãe brasileira, mas nenhuma fala português. E é uma pena enoooorme pq o relacionamento com os avós e família materna parece abismal, visto que eles também não falam inglês…. como você falou, não saber expressar a saudade, o carinho… a qualidade do tempo juntos parece tão reduzida.
            Eu vejo que as pessoas às vezes se preocupam só com o conteúdo ou com a quantidade dele que a criança vai ser exposta para tentar assimilar e não com a forma que ela vai aprender…
            Como você falou… a criança aprende 300 palavras, mas não faz a menor ideia de como aplicá-las.
            Eu que trabalho com desenvolvimento humano fico sempre querendo “aprender” sobre esses diferentes processos de aprendizagem… rsrs lendo o post gostei muito do seu processo com a Bela,de como você a ensina mudar a chavinha, trocar o chip… o ensinar a pensar mesmo. “Dizemos assim em portugues ou você pode dizer assim em inglês com os colegas na escola” e ela vai aprendendo a usar e quando usar.
            Enfim… que textão mais cheio de xurumelas esse meu hahahaha… Foi mal! Tudo isso é só pra dizer que eu achei muito interessante a parte do vinculo afetivo relacionado ao idioma/ processo.. e acho que além do trabalhao de ensinar tudo dobrado, manter o languange attachment é um senhor desafio onde as coisas podem escorregar e acabar tudo indo pro saco mesmo!

            De novo, obrigada por compartilhar suas técnicas e nos gerar vários insights ! kkkkk

            beijão! =)

            Responder
            • Adriana Miller - 05/07/16 - 09h37

              Acho que faz todo sentido quando pais querem “maximizar” o contato com a lingua minoritaria (de certa forma eu tambem faco isso), mas no nosso caso, nao podemos excluir o Ingles totalmente da vida da Bella e apenas focar no Portugues pois ela frequenta escolar aqui, alem de ter pai/familia paterna 100% English Speakers. Entao tem que ser no esquema bilingue mesmo, sem rolar uma forcacao para que o Portugues prevaleca.

              Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 18h30

      Faria exatamente igual.
      Eu falando em Portugues exclusivamente, o pai falando em Ingles exclusivamente, e deixando o Françês se desenvolver naturalmente na rua/escola/amigos.
      A diferença é que você e seu marido tem que ambos serem super determinados em manter suas próprias linguas – o primeiro a relaxar, já era. Sua lingua vai pro final da fila!

      Responder
  7. Letícia - 04/07/16 - 17h02

    Achei super interessante! :)

    Responder
  8. Roberta - 04/07/16 - 17h06

    Adorei o texto, super interessante!! Meu filho tem 1 aninho, o pai é tcheco e eu brasileira, desde do nascimento eu só falo portugues com ele e o pai em tcheco e assim é nosso diálogo em frente dele, curiosa pra ver o desenvolvimento, essa “troca de chip” que vc citou…E as palavrinhas misturadas, isso é muito fofo, só nao sei como será com tcheco-portugues hahaha

    Responder
  9. Aline - 04/07/16 - 17h07

    Dri, sou formada em Letras e minha monografia de fim de curso foi sobre o bilinguismo, e acho que você está certíssima! A Bella só tem a ganhar!

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  10. Marina - 04/07/16 - 17h26

    Dri, mais um texto incrível! Marido e eu já conversamos sobre isso e, assim como você, achamos extremamente ideal os nossos filhos poderem se comunicar com as duas famílias sem barreira…
    Hoje em dia, mesmo ainda não pensando em filhos, nos perguntam como faremos para conversar com as crianças e a maioria das pessoas julgam ser difícil manter até o final, achando que vai chegar um ponto que não vamos aguentar mais fazer tal divisão linguistica. E é lendo depoimentos de pessoas fortes como você que nos dá ainda mais força pra seguir com esse mesmo pensamento e criar forças quando o cansaço chegar.
    Já estou curiosa para ver a Isabella conversando com @ irm@zinh@! Será que vai ser em PortuGLES também? :)
    Uma sugestão quando fizer o vídeo: mostra um pouquinho de como é a troca/conversa quando vocês 3 estão juntos, brincando por exemplo (como vemos em pouquíssimos segundos as vezes no Snapchat)!
    Beijos

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 18h28

      Mas é tão difícil capturar esses momentos mais espontâneos em vídeo! Eles acontecem todos os dias, mas sempre quando menos esperamos… e em adianta pedir pra Isabella “repetir” nada, porque não tem jeito mesmo! Hehehhehe
      Sobre os palpites que você (já) recebe (e ainda nem teve filhos, se prepara! hehehehe), afinal o que seria “até o final”? tenho primos em idade de high school que são perfeitamente bilingues, e amigos (filhos de amigos dos meus pais), que meio que abandonaram o português na vida adulta/faculdade e resolveram retomar justamente quando seus filhos também nasceram.
      Ou seja, cada família sabe o que funciona melhor pra si.
      Se quando a Isabella for adulta, ela não quiser mais conversar em Portugues comigo, tudo bem também. Será uma opção dela, mas pelo menos sei que lhe dei a opção e o bilinguismo, que de uma maneira ou outra, será uma herança imensurável. Mas pensa só, você já conheceu alguma vez na vida uma pessoa bilingue/poliglota que deteste falar mais de uma lingua fluentemente? Alguem que esconda em seu CV que fala mais de uma lingua?
      Não existe isso né?
      Mas como falei, é um compromisso que fiz pra vida toda, assim como ter filhos e lhes dar uma boa educação. É pra sempre, não tem saída.
      Seja falar e ensinar Português, seja ensinar a falar “obrigada / por favor”, seja escovar os dentes, ou qualquer outra coisa relacionada à paternidade/maternidade.

      Ninguém nunca fala “Ah, você quer que seus filhos sejam educadinhos? Duvido, dar muito trabalho ensinar as crianças a falarem “obrigada”!”
      “Você quer dar uma boa educação pros seus filhos? Ah pode desistir, porque ajudar com o dever de casa todos os dias é muito cansativo!”

      Porque simplesmente são coisa que sim, dão muito trabalho, são cansativos, e as vezes você quer mais é que seu filho dê um soco na cara da criança mala do parquinho…! Hahahhaha mas que fazem parte do pacote “ter filhos”.
      Mas o bilinguismo é diferente, nem todo mundo passa por isso… e as pessoas sempre são desconfiadas daquilo que não conhecem… gostam de dar palpite no que não entendem, e gostam de ser estraga-prazeres em relação às suas próprias falhas. (ninguém gosta de ver o outro ser bem sucedido nas áreas onde falharam, e a competição entre pais/filhos é sempre muito voraz!)

      Responder
  11. Mariana - 04/07/16 - 18h11

    AMEI MUITO esse post! Creio que dificilmente passarei por essa situação, mas acho muito incrível e interessante!
    Parabéns, Dri! Imagino que seja muito difícil mesmo. É como vc falou, um exercício e esforço diário, mas vale a pena ver o resultado de tudo isso!
    Beijos

    Responder
  12. Shirlei - 04/07/16 - 19h02

    Aiaiaia que post incrível! Quanta generosidade ! Obrigada! Eu adoro ver a Bella falando português com vc e no instante seguinte, virar-se para o pai, e continuar o mesmo assunto em inglês. Vc está de parabéns, é um presentão aprender duas liguas de berço, gratuitamente (quem fez anos de cultura inglesa que o diga hahahaha) . Um beijo e continue nos mostrando a evolução da linguagem da Bella. Ela é uma graça! ❤️
    Ps: eu acompanho há mtos anos o blog. Acho q uns 3 anos depois q vc o comecou. E percebo nitidamente o quanto a sua escrita tb evoluiu de lá para cá. Acho que exercitar o português , inclusive através do blog (mto antes da Bela e da tentativas em falar portuga com o Aron em casa) foi incrível inclusive para vc. Tem muiiito tempo que não cato um “chícara” por aqui ! Haha
    Dri, de verdade!, obrigada por sempre compartilhar um pouco desse tanto que cultura que vc absorveu estes anos todos vivendo e experimentando a vida aí fora. Acredite, vc me faz mais culta tb. Através de vc, da sua generosidade c o blog, conheci lugares e aprendi mto sobre coisas que nem sabia que existiriam se não fosse essa sua doação para conosco.
    MTO OBRIGADA .
    bj

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 19h43

      De nada!!
      Hahahhaah
      Acho que a evolução dos laptops e smart phones (com corretor ortográfico e acentuação em Portugues) também ajudaram bastante! Hahahhaha

      Responder
  13. Carolina - 04/07/16 - 19h14

    Olá Adriana,
    Sigo seu blog e sou sua fã há um tempo já. E fiquei com uma duvida pois hoje moro na França e como você, no dia que tiver um filho também ensinarei a ele o português pelas mesmas razões que você. Desde que meu namoro ficou sério também discutimos a questão dó bilinguismo aqui em casa (eu também sou a minoria) e meu namorado sempre me questiona sobre o dever de casa. Acredito que a Isabella ainda tenha dever de casa, mas quando a hora chegar você já sabe como irá procede?. Com meu namorado acreditamos que nesse caso essa tarefa será dele (enquanto eu for a minoria linguística) e que somente na sua ausência eu poderia ajudar mas ainda em português (ou seja explicando o exercício e deixando a criança fazer sozinha). Você já se organizou ou já tem uma ideia de como será quando chegarem nessa fase. Obrigada de já. É só para adicionar, fiquei super feliz com a volta do blog, adoro acompanhar suas aventuras. Beijos e obrigada mais uma vez. Carolina

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 19h42

      Olha, difícil opinar sobre uma situação pela qual eu ainda não passei na prática… mas acho que o mesmo princípio se aplica: a conversa é em Português, ainda que o “Subject matter” seja em Inglês.
      Continuaremos conversando em Português sobre os assuntos que ela estará aprendendo na escola em INglês, que além de tudo é minha deixa e oportunidade e reforçar o aprendizado & vocabulário em Português.
      Já fazemos isso com números, cores, animais, letras do alfabeto…
      Como disse no post, aqui em casa é tudo em dobro, e a alfabetização e dever de casa provavelmente será o mesmo.

      Responder
  14. Patrícia - 04/07/16 - 19h18

    Dri, demais o seu post! Certamente a Isabella e o baby que está vindo serão muito gratos a você por essa decisão.
    Tinha um blogueira expatriada (que abandonou o blog há um tempo, mas ele ainda está disponível: http://flaviamandic.blogspot.com.br/) que falava muito dos dois dos filhos trilingues. Eles cresciam no Canadá, com mãe brasileira e pai acho que húngaro. Ela não entendia o que os filhos falavam com o pai, mas as crianças bem pequeninhas eram fluentes nas três línguas. Ela fazia como você, e sempre pedia pros parentes livros em português! rs
    Vale a pena olhar quando precisares de mais inspiração… os posts dela são muito gostosos!

    Responder
  15. Maria Waldilene - 04/07/16 - 19h38

    adorei o post… sempre tive curiosidade sobre esse assunto… ajudou muito a enxergar essa rotina de vocês na prática… Parabens!!!

    Responder
  16. Luizaa - 04/07/16 - 19h54

    Oi, adorei o post!! Mas uma dúvida, e qdo chegar a alfabetização! Já pensou como será sua estratégia?

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 20h09

      Sim, vamos alfabetizar nas duas línguas (minha mão é professora de Português então já tem altas técnicas!)
      A prioridade será o Inglês, claro, para que ela não se prejudique na escola, e o Português virá em segundo lugar (mas de preferência acontecerão na mesma época/fase)

      Assim como o bilinguismo como um todo, aprender uma nova etapa numa lingua não tem (e não deve) que necessariamente prejudicar a outra.

      Responder
  17. Gabi - 04/07/16 - 20h33

    Dri, inspirador demais ver o tamanho da tua dedicação e comprometimento!!! Nunca tinha pensado nessas várias táticas de reforçar o relacionamento com a língua, de colocar desenhos em português, traduzir as historinhas em inglês pro português e simplesmente fazer com que absolutamente tudo relacionado a você seja sinônimo de português.

    Tenho total language attachment com o Alex, sempre senti esse negócio de ser muito estranho falar em português com ele mas não sabia que existia um termo técnico, e muito menos que no futuro poderia usar exatamente esse mecanismo pra minha vantagem! Já conversamos muito sobre isso e apesar de ter rolado conversas sobre fazermos minority language at home, achamos que seria triste pra ele privá-lo desse prazer de falar a própria língua com os filhos. Por mais fluente que a gente seja, na minha opinião nada substitui as nuances de personalidade que a gente transmite ao falar a própria língua – a não ser que a pessoa seja bilingue de berço, como as crianças que pretendemos criar!

    Também acho esse assunto fascinante! Tenho um chefe italiano casado com uma inglesa, que agora tem 3 filhos adolescentes e fiquei maravilhada quando ele me contou da rotina deles. Falou que os 3 falam em inglês entre si, mas que o mais velho, agora com 13 anos, tá tomando gosto pelo falar corretamente, se orgulhando da língua, sabe? E que a troca é 100% automática, enfim, me contou um monte de coisa legal. Achei emocionante. Também acho inconcebível (pra mim!) meus filhos não falarem português, e quando for a minha vez, também quero fazer disso uma prioridade. Meu sogro é totalmente alemão culturalmente, e eu percebo como ele é realizado por poder falar com os filhos (totalmente britânicos culturalmente) em alemão. Acharia uma pena sem tamanho meus filhos não conhecerem a mãe deles por completo!

    Só um adendo: só eu que acho bizarro esse negócio de “mas não vai atrasar a fala?”. Mas gente, a criatura vai ter 80 anos pela frente pra falar! A única razão pra “pressa” que eu vejo é a criança aprender a comunicar para os pais as necessidades e vontades urgentes, mas de resto é cada um na sua velocidade né? Não tô ansiosa por essa parte competitiva do mundo pais&filhos não…
    Beijos e obrigada por compartilhar e set us up for success como uma irmã mais velha que vai desbravando os caminhos! 👯

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  18. Jo - 04/07/16 - 20h33

    Eu vivencio tudo isso no dia a dia.. E concorcordo que tem um lado bem cansativo nisso tudo. Eu faco a mesmo coisa, repito a frase em Portugues, peco pra repetir a frase em Portugues no final do dia estou exausta. E no meu caso eu tenho dois filhos, um menino de 3 anos e uma menina de um ano e meio. Eles estao aprendendo simultaneamente Sueco, Holandes e Portugues. E obviamente o ingles porque e a lingua que eu e meu marido nos comunicamos pelos mesmos motivos. nao da pra fazer diferente porque E a “nossa” lingua! Entao do nada meu filho solta tambem umas frases em ingles. Ou seja meus filhos sao expostos diariamente a quatro linguas, “treinados ” em 3 linguas. Mas por irem para creche algumas vezes por semana o holandes tomou conta. As Quartas feiras é o dia que eu fico em casa com eles, no final do dia estou exausta desse exercicio de repetir tudo em Portugues.. Livros eles tem em 3 linguas, e devo confessar detesto quando meu filho pega um livro em sueco pra eu ler e eu tenho que traduzir tudo para Portugues sendo que muita coisa eu nao entendo pois nao domino a lingua. Entao no final do dia ao coloca–los pra dormir ainda tenho esse exercicio. Mas é algo que eu decidi muito antes deles nascerem e vou continuar pra sempre. Ah! Ainda tem a curiosidade de todos, fazem sempre as mesmas perguntas, conto o nosso processo a cada pessoa que conheco no trabalho, ou na creche ou um vizinho.. E ainda tem os familiares da velha guarda que falam que eu vou deixar meus filhos loucos! hahaha

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 20h46

      Pois é… nesses momentos de exaustão e saco cheio, eu penso: imagina a tristeza de ver a Isabella não conseguindo se comunicar com minha família e amigos no Brasil?
      Imagina a dor de não poder falar “que saudade”, ou oferecer um “cafuné”, e receber um “I love you” em troca do “Eu te amo”?
      A cada dia/semana/mês/ano essa luta diária (como tudo na maternidade) vai ficando mais fácil, novas cosias vão surgindo…

      Mas os familiares velha guarda é que são pura diversão né?!
      Uma tia uma vez me perguntou se eu já tinha levado ela num “médico de cabeça”, porque não é possível que falar duas línguas fizesse bem pra uma criança!
      Aff!

      Responder
  19. Mariana - 04/07/16 - 20h38

    Meus pais me educaram em inglês (pai) e francês (mãe) morando no Brasil. Ambos nasceram no brasil e aprenderam a língua da família em casa, mas o português só depois já que os dois foram para a escola lá pros 7 anos (década de 60!) . Os dois queriam que eu aprendesse a língua “deles”. Minha mãe não fala inglês e meu pai fala as três línguas.

    E aí vem a parte de não desistir. Para o meu pai, eu tinha que ter tudo em inglês tbm, então ele comprava todos os VHS da Disney em inglês, livros em inglês, música em inglês e tudo isso que você falou. Minha mãe já não foi tão persistente… ela respondia em português se fosse necessário e falava português na frente das pessoas “pra não ser falta de educação”… Resumindo, eu entendo francês, mas não me sinto confortável na língua, nem sou fluente. Bem cedo eu desisti porque era difícil e cansativo pra mim tbm. Essas misturas que a Isabella faz, eu fazia vezes 3! E minha mãe desistiu junto. Hoje só conversamos em português (apesar das palavras-chave serem em francês, como “maman”) e com o meu pai, o inglês permanece até hoje!

    E eu ainda prefiro ver TV e ler livros em inglês, de tão acostumada que fiquei! E como na década de 90 o acesso as coisas eram mais difíceis e a influencia americana GIGANTE, era mais fácil eu ouvir inglês “sem querer” no dia a dia do que francês! O mesmo que aconteceria com a Isabella, se não fosse a internet! Então é super importante mesmo não desistir desse elo!

    Ah, e eu e meu irmão só falávamos inglês entre a gente quando eu era pequena (ele é mais velho), porque era a minha língua favorita e hoje só nos falamos em português, porque nos acostumamos a falar em português com os amigos do condomínio, marido/esposa etc. E ele também fala francês super mal e inglês fluente!

    Responder
    • Adriana Miller - 04/07/16 - 20h41

      Que máximo! Eu adoro essas histórias de sucesso!
      Eu lembro que no colégio (no Brasil) tinha uma amiga cujo pai era Francês, e ela SÓ flava em Francês com ele, era fascinante. Todo mundo ficava vidrado prestando atenção quando o pai da Bianca ligava…. ehhehehe Pra ela era tão natural, trocava o chip com tanta naturalidade… nunca imaginei que um dia ia poder dar esse privilégio aos meus filhos! Me sinto uma sortuda, apesar da trabalheira que dá!

      Responder
  20. Sara Morais - 04/07/16 - 22h20

    Faz tempo que eu não comento aqui Dri! Mas não tinha como não fazê-lo depois deste post…. Primeiro porque dei uma gargalhada sincera com a bronca, com a misturada e principalmente com a “frigideira” xD hahahahah muito bom!!! Mas principalmente porque acho super interessante essa cultura bilingue dentro de uma casa, no seio de uma família e não tenho a menor dúvida de que isso vai ajudar MUITO no desenvolvimento cognitivo da Isabella. No meu caso, por exemplo, não faz sentido e nem tenho bases para isso na medida em que sou portuguesa de gema, de família portuguesa, moro em Portugal e não tenho qualquer ligação directa com outra língua/cultura. MAS faço questão que um dia os meus filhos sejam o mais fluentes possível em Inglês, quanto mais cedo melhor e que aprendam outras línguas porque eu considero essencial na vida/cultura de qualquer ser humano. Independentemente de precisar de falar em casa ou não, acho que é conhecimento que só acrescenta a qualquer ser humano.
    Embora eu fale bem inglês (modéstia à parte), o meu irmão sempre foi muito melhor, é fluente (diria bilingue mesmo porque ele diz até que fala melhor inglês do que português, em termos de vocabulário) e isso foi um conhecimento que ele adquiriu desde cedo e tenho a certeza que só lhe acrescentou valor cognitivo, já que ele sempre foi mais inteligente e mais “nerd” que eu :D

    Muito interessante este tema e este post, tenho a certeza que isto ainda vai dar assunto e “pano para mangas” :D

    xx Sara

    Responder
  21. Gabriela Bertoni Vieira - 04/07/16 - 22h31

    Dri adorei o post!! Veio mto a calhar!!
    Estou meio perdida sobre como vamos seguir.. Eu e meu marido somos brasileiros e estamos morando na Austrália. Nossa filha tem 15 meses e ainda não vai ao Child Care mas já entende um pouco de inglês é bastante português. Fala apenas 4 palavras sendo 1 (bye) em inglês. O que eu faço é primeiro ensinar as palavras e “nome das coisas” em Português mas dps começo a explicar em inglês tb. Estou fazendo isso para que ela não estranhe quando for a escola ou quando tiver alguém falando com ela somente em inglês . O que você acha? Será que estou mais atrapalhando do que ajudando? Tem alguma leitura que me recomenda para me ajudar a esclarecer?

    Mto obrigada!
    Beijos

    Responder
    • Adriana Miller - 05/07/16 - 09h49

      Olha, eu sinceramente nao teria esse seu approach. Eh um erro comum que vejo muitas familias “de mesma lingua” comentendo (pai/mae que falam a mesma lingua).
      Se voces continuarem morando na Australia, logo logo sua filha vai comecar na escolinha e o Ingles vai deslanchar, quer voce queria quer nao. Ela nao precise aprender de voce nada em Ingles nem nenhuma “explicacao”. mas essa sua duvida e medo eh comum.
      Ja vi casais que ficam com medo dos filhos falarem com “sotaque”, ou serem discriminados na escolar, nao se adaptarem no novo pais, ou seja la owue for, e acabam nao criando essa “base” da lingua maternal em casa.

      O grande risco de que voce corre, ao manter essa mistura de linguas em casa, em tentar “explicar” as coisas em Ingles pra ela, eh que assim que ela comecar a frequenter uma crèche/escolar e seu Ingles deslanchar (e rapidinho se tornara a lingua maioritaria), ela por sua vez nao vai ter uma referencia base da lingua maternal. Afinal, se ela ja fala em Ingles com voce agora, se voce ja “explica” as cosias em Ingles agora, como vai conseguir impor que ela so fale Portugues no futuro? Como vai explicar que com a mamae e papai tem que falar Portugues, se ela cresceu falando tambem Ingles com voces?
      E se vc nao tiver essa disciplina e nao reforcar o fato de que “em casa” so portugues, o INgles vai dominar totalmente e rapidinho o Portugues sumirah do vocabulario e do dia a dia dela, e se tornarah uma lingua passive (ela pode ate entender, mas nao conseguirar responder nem interagir na lingua minoritaria).
      Tenho amigos Brasileiros (marido/mulher), Venezoelanos (ambos), Espanhola com Colombiano, Suecos, Franceses e afins, que os filhos simplesmente nao falam suas linguas, mesmo a lingua minoritaria sendo a lingua “da casa”.
      Crianca nao aprende por osmose. Tem que reforcar, tem que repetir, tem que impor (no bom sentido da palavra). Nao eh porque voce e seu marido falam portugues entre si que ela vai continuar aprendendo portugues, se voces misturarem (com ela) em casa.

      Pesquise sobre o One parent One Langue, Language attachement e Passive language speech – acho que podem te ajudar a entender melho. Tem bastante coisa boa na Internet.

      Responder
      • Gabriela Bertoni Vieira - 06/07/16 - 04h35

        Ótimo! Mto obrigada pela ajuda! Vou ler sim! 😚😚

        Responder
    • Tania Pereyra - 05/07/16 - 15h09

      Nao sei se meu comentario anterior pq mandei quando estava no metro :)
      Gabriela e Adriana,
      Vou dividir um pouco da experiência com meu filho. Moro em NY e meu filho tem 3a 4m. Desde que ele nasceu ele só ouviu português. Ele começou a ir para a escola/creche com 2 anos. Antes disso ele só escutava português em casa. Alguma coisa de inglês na rua mas nada muito constante. Com 2 anos ele falava bem pouco mas eu nunca me preocupei. Quando ele entrou na escola com 2 anos ele teve um pouco de dificuldade com os comandos básicos (sit down, play time, nap time, lunch time). Mas a professora sabia e teve paciência de ensinar com gestos. É claro que nessa idade eles fazem muito mais coisa por imitação e não por compreensão do comando. Mas isso passou em 2-3 semanas. Hoje o inglês dele é melhor que o português. Ele escuta inglês 8-9 horas por dia na escola e talvez 3-4 horas de português em casa. Mas quando ele não sabe uma palavra em português ele pergunta: ” como a mamãe fala house?” E eu falo: casa. E ele fica uns segundos processando a informação.
      Mas entendo a sua preocupação. Aqui nos EUA existe obrigatoriedade para escola a partir de 4/5 anos. Eu conheço brasileiros que tiveram dificuldade porque as crianças nunca foram para escolinha/day care e por consequência não aprenderam inglês desde cedo. Nesses casos é mais complicado porque tem que entrar com fono e aula de reforço. Não sei qual é o seu caso.
      Mas hoje enfrento outros problemas. Como ele já sabe que eu falo inglês ele automaticamente fala coisas em inglês. Principalmente quando vou buscá-lo na escola. Parece que ele está bem mais confortável com a língua inglesa. Eu já expliquei que tem que falar igual a mamãe mas ele insiste. Eu não desisto. Repito em português até ele repetir. Mas confesso tenho muitos momentos de saco cheio. Eu trabalho full time, sou separada, não tenho ajuda nenhuma aqui de babá/faxineira ou família. E isso é mais um stress na minha rotina. Tenho como objetivo ensinar português o suficiente para que meu filho possa se comunicar bem com a minha família no Brasil. Quanto a alfabetização eu não tenho nenhuma pretensão. Sei que não vou dar conta de mais uma coisa quando ele estiver mais velho. Aqui em NY existem algumas escolas de português que ajudam nesse processo de alfabetização então eu vou jogar a toalha e deixar isso para eles :)
      Mas sei que isso é um processo longo. Venho de família de japoneses e minha mãe sempre falou em japonês com a minha avó. Claro que eram outros tempos e eles acabaram aprendendo japonês por falta de opção, apesar da minha avó falar português (mas não falava bem).
      Acho que me estendi no textão. Mas boa sorte com a sua baby e Adriana boa sorte com a Bella e com a/o baby número 2.
      Tania.

      Responder
  22. Mel - 04/07/16 - 22h34

    Adorei o post Adriana! Estamos nos mudando pra Liverpool e o meu maior medo é que meu filho perca o contato com a língua materna. Mas farei da mesma forma que você!

    Responder
  23. Luana - 04/07/16 - 23h50

    Amei o post Dri, inspiracao. Infelizmente eu sai do Brasil mais nova, entao meu portugues nao é tao bom quanto o seu. Tambem nao viajo pro Brasil (muito raro) porque minha familia mora na Australia tambem. Com meus dois filhos eu PERSISTO – mas é muito dificil, ja senti que falhei em alguns momentos :( As vezes meu filho de 3 anos pergunta, “como falo X em portugues?” Mas eu tenho que pausar e pensar hahahaha

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h26

      Cara, vou te dizer que as vezes eu “invento” um palavra e depois corro pro Google Translator pra lembrar como fala a coisa X em Português! Aff!
      mas o importante é mesmo não sucumbir às misturebas entre as linguas que os expatriados tanto fazem! :-)

      Responder
  24. Paloma - 05/07/16 - 07h34

    Achei o máximo o seu esclarecimento, além de envoldente e engraçado as situações com a Isabella ( o da frigideira foi demais),. Já havia pensado nessa situação várias vezes (pois sou casada com um norueguês) e não gostaría de que meus filhos ( quando os tiver) não venham a aprender o português . Tenho um primo é casado com uma americana e os 3 filhos deless não falam português , talvez porque ele passa o dia no trabalho e a mãe passa bem mais tempo com as crianças…tem que ser muita dedicação e disposição mesmo! E você além de tudo ainda consegue pra atualizar o blog, ufa!

    Me indentifiquei também com o “language attachement” ! Eu e o Fredrik nos comunicamos predominantemente em inglês. Ainda que eu esteja progredindo no norueguês , me comunico com a família dele e com meu chefe em norueguês, eu o Fredrik não ficamos muito tempo no norueguês e voltamos a nos conversar em inglês. Talvez quando eu esteja mais confidente com a língua passe a ser mais natural nos falarmos em norueguês….vamos ver!

    Parabéns pela mãe e blogueira de sucesso que você é. Felicidades!

    Responder
    • Marjorie Rodrigues - 06/07/16 - 08h40

      Não sou a Adriana, mas acho que posso te dar uma luz :) moro na Holanda há pouco mais de 3 anos, namoro um holandês e quando cheguei aqui não falava uma palavra de holandês. Usava inglês, português e francês no trabalho e inglês em casa com o namorado, mas fui prosseguindo com as aulas de holandês, consciente de que meu aprendizado talvez fosse um pouco mais devagar que o normal por conta dessa mistureba toda. Até que depois de um tempo (um ano e meio) meu vocabulário em holandês atingiu um ‘ponto crítico’ em que eu já conseguia manter conversas relativamente complexas com meu namorado (nada muito filosófico, claro, mas causos e opiniões do dia a dia). Foi aí que tomei a decisão de só falarmos holandês em casa, afinal isso só iria ajudar minha carreira e integração no país. E foi a melhor coisa que fiz, pois tive um salto de vocabulário. No começo foi esquisito e até misturávamos as duas linguas na mesma frase como a Isabella, mas aos poucos o holandês foi ficando cada vez mais natural e hoje eu acho estranho é ouvi-lo falando ingles (as vezes ainda rola, quando o assunto é muuuito complexo mesmo). Acho que ele fica tão diferente do que é falando a sua própria lingua! Entao basicamente é possível contornar o language attachment, basta querer e se esforçar pra isso. Na hora q vc sentir que tem um vocabulário OK em norueguês, faça a troca e insista nela! Bjs

      Responder
  25. Patricia - 05/07/16 - 10h23

    A experiência com minha primeira filha foi idêntica.
    Eu sou brasileira, marido inglês. A Elisa nasceu na Suécia, onde moramos até ela ter um ano e meio, e então fomos para a Alemanha, onde ela viveu até os três e meio. Fiz exatamente o mesmo que você, inclusive a levava a um playgroup de criancas brasileiras onde fizemos muitas amizades. Eram festas de aniversário, picnics, muitos play dates, tudo com mães maravilhosas que pensavam exatamente como nós sobre assunto do bilinguismo. Ela era totalmente fluente (para a idade, claro! ) nas duas línguas aos dois anos. Eu sempre falei português em toda e qualquer situação. Meu marido não fala, mas entende bastante português, e nos comunicamos sempre em inglês em casa. Agora, ela tem quase 6 anos e está na escola aqui em Londres (Reception) e nada mudou! Foi assim no Nursery e está sendo na escola: um português lindo, certinho pra idade, e ela consegue ler nas duas línguas usando o que aprende em sala (quase alfabetizada) e as diferenças que ensino. Perto de todos, até das coleguinhas, eh só português comigo. Se falo alguma coisa em inglês me dirigindo a ela e mais alguém, ela mesmo assim responde em português. Ela só foi ao Brasil de férias até agora, e fala igualzinho a minha sobrinha que mora lá! (#Orgulho) e esse ano, quando passamos férias em Portugal, ela sabia tudo, pedia comida em restaurante, conversou com todo mundo, fez amiguinhas portuguesas. Em resumo, o esforço compensa, e muito!

    Entretanto…hahaha…tenho outra de 3 anos e três meses. Criada IGUALZINHO, mas veio para a Inglaterra da Alemanha com 6 meses. Não teve amiguinhos Brasileiros como a primeira teve, e pelo fato de agora querer acompanhar a irmã que gosta de coisas de “menina grande”, ela assiste a muito mais coisas em inglês, tem contato com as amigas da irmã que sempre vem aqui, ouve/fala português só comigo (embora entre as duas se comuniquem em português). O resultado é que, aos 3 anos e 3 meses ela tem um vocabulário enorme nas duas línguas, mas faz pouquíssimas frases em ambas . Fala “Mamãe, pega mexerica Marissa”. Eu pergunto “Você quer mexerica?” Ela: “Pega, mamãe”. Ela não consegue ( ou não quer) responder perguntas maiores, parece que ainda não entende o funcionamento da língua, tipo “These are mamae’s sapatos”. Mas fala por imperativos sem problemas e entende minhas ordens, e como eu disse, sabe os nomes de TUDO, cores, números, letras, tudo nas duas línguas. Agora mesmo veio aqui e me falou “A Elisa tá dormindo” :-) Mas não é uma criança fluente, fala tudo “picadinho”, bastante atrasada mesmo.

    Então, a minha experiencia até agora tem sido 50/50, mas de forma alguma eu faria diferente. :-D A gente também precisa levar em consideração as diferenças em personalidade e prioridades de cada um. Acho simplesmente fascinante!

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h25

      Eu acho que independente da trajetória da aquisição da linguagem da criança, o importante é que ela esta aprendendo e adquirindo a segunda lingua. Mesmo que ela não se vire tão bem quanto a irmã mais velha, o importante, pra mim, é manter a lingua viva, mesmo que (inicialmente) seja aos trancos e barrancos.
      Com a consistência e insistência, acho que a medida que ela for crescendo, amadurecendo e adquirindo mais vocabulário (nas duas linguas), as cosias vão se normalizando.

      Responder
      • Patricia - 18/08/17 - 20h22

        A situação hoje em dia, quase um ano depois que escrevi meu post: agora as duas falam português fluente. A menor “deslanchou” aos 3 anos e meio. Hoje em dia, conversam em português entre elas se eu estiver perto, e em inglês se estiverem com o pai.
        Uma vai fazer 7 anos em setembro, indo pro Year 2, a outra vai para o Reception. Nem uma palavrinha em inglês comigo, jamais, nem na frente das coleguinhas, professoras ou família do pai.
        Trabalhão compensando que é uma beleza! :-)

        Responder
  26. Maria Laura - 05/07/16 - 12h46

    Que legal que finalmente esse post saiu, Dri!! Acho que muita gente estava esperando ansiosa!!!

    Eu ia levantar a mesma questão da Gabriela para saber sua opinião. Eu e meu marido chegamos em Londres em fevereiro deste ano e estou grávida do nosso primeiro filho(a) – no começo, indo para a 14a. semana! Somos brasileiros, em casa só conversamos em português e sinceramente não sei como proceder quando a criança nascer. Ainda não pesquisei nada sobre o billinguismo, mas todas as familias que conheço fazem como você e o Aaron e usam a técnica OPOL. Acho que deve ser a mais eficaz, mas fico pensando que não gostaria que meu marido só falasse em inglês com ela, já que falamos em português entre nós, e acho que nem ele fica 100% confortável com isso.
    Não pretendo colocar em creche tão cedo, penso apenas em colocar na escolinha a partir dos 3 anos. Não estou trabalhando aqui e quero me dedicar inteiramente aos filhos.
    Realmente estou perdida e não sei como fazer! Porque se eu e meu marido nos comunicamos em português, e se EU vou falar em português com a criança, acho estranho exigir que o inglês seja falado com o pai! Fico imaginando a gente à mesa,”Esposa, posso servir suco para voce?”, “Sim, marido, por favor.”, “Eu tambem quero suco, papai!” e aí ele soltar um “No, I can’t understand what you’re talking because it’s not english.” Entendeu o dilema?
    Sei que muito da sua opinião vem da sua experiência “empírica”, e como esse caso é diferente fica mais difícil de opinar, mas gostaria de saber se tem alguma dica, sabe de livros ou referencias que possam ajudar ou conhece alguém nessa mesma situação. Sempre imaginei que fosse misturar as duas línguas, mas pelo que ando vendo pode ser um grande erro, já que os casos de sucesso que conheço usam a OPOL.
    E também tem o fato de eu não saber exatamente quanto tempo ficaremos na Inglaterra, já que na empresa do meu marido as pessoas são constantemente transferidas. Pode ser 3, 5, 10 anos ou a vida… pode ser que daqui um tempo a gente mude para um país que não fale nem ingles e nem portugues, como pode ser que voltemos ao Brasil… enfim, não sabemos o que nos reserva o dia de amanhã; por hora, olho pela perspectiva de que ela passe sua infancia toda aqui.

    Tenho tentado comentar por varias vezes nos seus posts, mas nunca publica!! Vamos ver se agora dá certo!!
    Tenho outras coisas pra perguntar sobre outros assuntos, mas vamos deixar pra outro post!!

    Bjss!!

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h22

      Mas não entendi… Se vocês dois são Brasileiros e falam Português entre si, porque seu marido falaria em Inglês com os filhos??
      A Técnica OPOL trata de casais onde cada um fala uma lingua diferente (sejam elas “Lingua minoritária + Lingua Mioritária” ou duas linguas minoritárias).
      Então no seu caso tem que ser 100% Portugês emcasa o tempo todo, com todo mundo, já que essa será a lingua “oficial” da família.
      O OPOL prega que cada pai/mãe deve sempre falar com as crianças em sua lingua nativa, então não sei se entendi qual a dúvida no seu caso, já que ambos tem a mesma lingua nativa, e é essa lingua que usam entre si…

      Responder
      • Maria Laura - 07/07/16 - 11h18

        A dúvida seria porque meus filhos vão nascer e viver aqui na Inglaterra, portanto precisam saber o inglês desde sempre, não? Ou estou errada e vão aprendendo depois que entrar na escolinha?Achei que o bilinguismo teria que ser desde o começo, não só pela nacionalidade dos pais, mas pelo país onde a criança irá crescer.
        Tããão perdida… além de ser mãe de primeira viagem ainda me acostumando com tudo por aqui, e essa é uma das maiores preocupações: a comunicação dos meus filhos por aqui!

        Bjss!! E, oba!! Meu comentário saiu!!hehehe

        Responder
        • Adriana Miller - 07/07/16 - 20h50

          Não… eles vão aprendendo aos poucos, principalmente quando frequentarem uma escolinha/creche, outras crianças no parquinho etc.
          O caso de famílias bilingues é muito particular, e criança não aprende por osmose, como muita gente se engana (ou seja, não aprende assistindo tV, nem “ouvindo” os pais conversarem). Então a lingua de casa sempre será a lingua minoritária e precisa de muuuuuuuuito reforço para se solidificar, antes da lingua maioritária ser introduzida.

          No nosso caso o bilinguismo acontece desde sempre pois já somos uma família bilingue, e cada pais fala uma lingua diferente (daí a importância do OPOL), mas seu caso é diferente, e o bilinguismo vai aconteecer mais tarde na vida da criança (ou você corre o risco de não ter uma criança bilingue, e sim uma criança que apenas fala a lingua maioritária)

          Responder
  27. Renata - 05/07/16 - 13h33

    Eu já estou me preparando pois la em casa vai ser português, holandês e amazigh (berber) que eh uma língua sem escrita oficial!

    Dri, já vi você falando que filhos de “expats” normalmente tem os mesmos nomes. Entre meus amigos, somos todos imigrantes (ou britânicos filhos de pais imigrantes) em Londres e não temos nenhum casal que são da mesma nacionalidade e/ou etnia e/ou religião – temos representantes de cada continente, dos maiores grupos religiosos e muitos de nos somos filhos de imigrantes (o/) e/ou crescemos “globalizados”.

    Esse ano mesmo nasceu uma Mia (filha de um holandês e uma marroquina bilíngue em árabe e francês) e uma Mila (mãe da Lituânia e pai da Africa do Sul – inglês, afrikaans e holandês).

    Quais nomes você acha que são os mais e menos óbvios? Eu penso em vários nomes para meninas mas para meninos…acho difícil d+ um nome que funciona bem em inglês e português sem ter que traduzir (tipo Peter e Pedro).

    xxx

    Responder
    • Adriana Miller - 05/07/16 - 13h58

      Pois eh, nomes sao um dilemma! Nos demoramos quase 6 meses pra decidir o nome da Isabella!
      Pra mim nem era um questao de ser mais ou menos obvio nao, mas nos queriamos nomes que nao fossem traduzidos (como no seu exemplo, Peter e Pedro), e que mesmo assim tivessem a mesma pronuncia (por exemplo, Alice, Amanda, Charlotte, Gabriel, Daniel etc sao nomes que “existem” nas duas linguas, mas se pronunciam totalmente diferente entre Portugues e Ingles, e a crianca teria essencialmente 2 nomes!).
      Mas nao vou te dar minha listinha de nomes pois estamos no mesmo dilemma de novo… eheheehhe

      Responder
      • Renata - 06/07/16 - 11h38

        Isso eu já imaginava ne? Mas depois do segundo ou terceiro baby você poderia liberar sua listinha :)

        Aproveitando a ocasião de finalmente comentar por aqui, quero te agradecer pelas dicas de viagem – em especial dicas do Oman. Compreis as passagens e logo depois quando percebi que os guias que comprei eram péssimos me bateu um panico! Vim correndo procurar no seu blog se você já tinha visitado o pais e os seus posts me acalmaram em relação ao que esperar – amei cada canto do pais (fiz uma road trip de 10 dias) e se não quisesse conhecer tantos outros lugares, voltaria pra la (não deu tempo de ir para Dhofar) ASAP!

        Responder
  28. Tainnah - 05/07/16 - 14h07

    Oi Dri, esse seu post veio muito a calhar, pois vou me mudar para os EUA no mês que vem, com meu marido (também brasileiro) e nosso filho de 1 ano.
    Acredito muito na abordagem de language attachment e no esforço necessário para mantermos uma consistência no uso do português, mas me preocupo com a família brasileira, que pode querer “ver” o meu filho falando inglês por achar bonitinho…ninguém da nossa família fala inglês, não vai haver diálogo, mas ainda me preocupo com o uso de uma palavrinha ou expressão aqui e acolá.
    Com a sua família é assim? E se sim, você os corrige e ensina que é o português e somente o português que devem usar com a Bella?

    Tenho medo de ser general demais em relação à isso…

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 14h19

      Ah sim, sempre tem alguém pedindo “Bella fala X em Inglês?!”
      Eu dou logo bronca! Sou “Generala” sem dó! É a educação da minha filha… e seriam os mesmos familiares que iriam me encher o saco caso ela não falasse Português!
      Então tem que se manter firme. Dou bronca também em amigas Brasileiras daqui de Londres também, que falam ou respondem pra ela em Inglês quando ela fala em Inglês.
      Eles já tem tão poucas referências em Português, e os poucos que tem ainda não reforçam a língua?
      Ah não…

      Responder
  29. Jéssika - 05/07/16 - 15h32

    Oi Adriana, que post maravilhoso!
    Tenho certeza que seu esforço será recompensado. Na minha opinião, a diferença entre você e os pais que desistiram do bilinguismo está nesta afirmação: “pra mim o bilinguismo e falar em Português com meus filhos é simplesmente instintivo. Não me imagino, nem nunca imaginei me comunicando com eles numa língua que não fosse a minha, a da minha família e do meu coração.”. Aqui está o seu diferencial, é a língua do seu CORAÇÃO. Durante a minha graduação em Letras, foi com muita tristeza e pesar que eu percebi o desprezo que os estudantes tinham para com sua própria língua, se achando superiores por falarem em inglês. Eu sei que a língua é um instrumento de poder (não à toa foi usada/imposta pelos colonizadores como forma de demarcar território), mas fico muito feliz quando é possível perceber que ela ainda pode sobreviver como símbolo de afeto e de ligação entre as pessoas. Um abraço.

    Responder
  30. Maria Laura - 05/07/16 - 19h55

    Que legal que finalmente esse post saiu, Dri!! Acho que muita gente estava esperando ansiosa!!!

    Eu ia levantar a mesma questão da Gabriela para saber sua opinião. Eu e meu marido chegamos em Londres em fevereiro deste ano e estou grávida do nosso primeiro filho(a) – no começo, indo para a 14a. semana! Somos brasileiros, em casa só conversamos em português e sinceramente não sei como proceder quando a criança nascer. Ainda não pesquisei nada sobre o billinguismo, mas todas as familias que conheço fazem como você e o Aaron e usam a técnica OPOL. Acho que deve ser a mais eficaz, mas fico pensando que não gostaria que meu marido só falasse em inglês com ela, já que falamos em português entre nós, e acho que nem ele fica 100% confortável com isso.
    Não pretendo colocar em creche tão cedo, penso apenas em colocar na escolinha a partir dos 3 anos. Não estou trabalhando aqui e quero me dedicar inteiramente aos filhos.
    Realmente estou perdida e não sei como fazer! Porque se eu e meu marido nos comunicamos em português, e se EU vou falar em português com a criança, acho estranho exigir que o inglês seja falado com o pai! Fico imaginando a gente à mesa,”Esposa, posso servir suco para voce?”, “Sim, marido, por favor.”, “Eu tambem quero suco, papai!” e aí ele soltar um “No, I can’t understand what you’re talking because it’s not english.” Entendeu o dilema?
    Sei que muito da sua opinião vem da sua experiência “empírica”, e como esse caso é diferente fica mais difícil de opinar, mas gostaria de saber se tem alguma dica, sabe de livros ou referencias que possam ajudar ou conhece alguém nessa mesma situação. Sempre imaginei que fosse misturar as duas línguas, mas pelo que ando vendo pode ser um grande erro, já que os casos de sucesso que conheço usam a OPOL.
    E também tem o fato de eu não saber exatamente quanto tempo ficaremos na Inglaterra, já que na empresa do meu marido as pessoas são constantemente transferidas. Pode ser 3, 5, 10 anos ou a vida… pode ser que daqui um tempo a gente mude para um país que não fale nem ingles e nem portugues, como pode ser que voltemos ao Brasil… enfim, não sabemos o que nos reserva o dia de amanhã; por hora, olho pela perspectiva de que ela passe sua infancia toda aqui.

    Tenho tentado comentar por varias vezes nos seus posts, mas nunca publica!! Vamos ver se agora dá certo!!
    Tenho outras coisas pra perguntar sobre outros assuntos, mas vamos deixar pra outro post!!

    Bjss!!

    Responder
  31. Maria Laura - 05/07/16 - 19h58

    Que legal que finalmente esse post saiu, Dri!! Acho que muita gente estava esperando ansiosa!!!

    Eu ia levantar a mesma questão da Gabriela para saber sua opinião. Eu e meu marido chegamos em Londres em fevereiro deste ano e estou grávida do nosso primeiro filho(a) – no começo, indo para a 14a. semana! Somos brasileiros, em casa só conversamos em português e sinceramente não sei como proceder quando a criança nascer. Ainda não pesquisei nada sobre o billinguismo, mas todas as familias que conheço fazem como você e o Aaron e usam a técnica OPOL. Acho que deve ser a mais eficaz, mas fico pensando que não gostaria que meu marido só falasse em inglês com ela, já que falamos em português entre nós, e acho que nem ele fica 100% confortável com isso.
    Não pretendo colocar em creche tão cedo, penso apenas em colocar na escolinha a partir dos 3 anos. Não estou trabalhando aqui e quero me dedicar inteiramente aos filhos.
    Realmente estou perdida e não sei como fazer! Porque se eu e meu marido nos comunicamos em português, e se EU vou falar em português com a criança, acho estranho exigir que o inglês seja falado com o pai! Fico imaginando a gente à mesa,”Esposa, posso servir suco para voce?”, “Sim, marido, por favor.”, “Eu tambem quero suco, papai!” e aí ele soltar um “No, I can’t understand what you’re talking because it’s not english.” Entendeu o dilema?
    Sei que muito da sua opinião vem da sua experiência “empírica”, e como esse caso é diferente fica mais difícil de opinar, mas gostaria de saber se tem alguma dica, sabe de livros ou referencias que possam ajudar ou conhece alguém nessa mesma situação. Sempre imaginei que fosse misturar as duas línguas, mas pelo que ando vendo pode ser um grande erro, já que os casos de sucesso que conheço usam a OPOL.
    E também tem o fato de eu não saber exatamente quanto tempo ficaremos na Inglaterra, já que na empresa do meu marido as pessoas são constantemente transferidas. Pode ser 3, 5, 10 anos ou a vida… pode ser que daqui um tempo a gente mude para um país que não fale nem ingles e nem portugues, como pode ser que voltemos ao Brasil… enfim, não sabemos o que nos reserva o dia de amanhã; por hora, olho pela perspectiva de que ela passe sua infancia toda aqui.

    Tenho tentado comentar por varias vezes nos seus posts, mas nunca publica!! Vamos ver se agora dá certo!!
    Tenho outras coisas pra perguntar sobre outros assuntos, mas vamos deixar pra outro post!!

    Bjss!!

    Responder
  32. Joana - 05/07/16 - 23h17

    Ola.
    Me identifiquei muito pois faço exatamente a mesma coisa com milha filha de 3 anos. Sou casada com francês e agora morando nos EUA. O português até então era lingua forte dela mesmo sempre tendo ido para escolinha em inglês. Agora já está mudando um pouco mas comigo sempre só em português. Só sei o nível de inglês dela quando conversa com outras pessoas. Paciência e persistência são realmente as palavras chaves.

    Responder
  33. Tania Pereyra - 05/07/16 - 23h31

    Gabriela e Adriana,
    Vou dividir um pouco da experiência com meu filho. Moro em NY e meu filho tem 3a 4m. Desde que ele nasceu ele só ouviu português. Ele começou a ir para a escola/creche com 2 anos. Antes disso ele só escutava português em casa. Alguma coisa de inglês na rua mas nada muito constante. Com 2 anos ele falava bem pouco mas eu nunca me preocupei. Quando ele entrou na escola teve um pouco de dificuldade com os comandos básicos (sit down, play time, nap time, lunch time). Mas a professora sabia e teve paciência de ensinar com gestos. É claro que nessa idade eles fazem muita coisa por imitação e não por compreensão do comando. Mas isso passou em 2-3 semanas. Hoje o inglês dele é melhor que o português. Ele escuta inglês 8-9 horas por dia na escola e talvez 3-4 horas de português em casa. Mas quando ele não sabe uma palavra em português ele pergunta: ” como a mamãe fala house?” E eu falo: casa. E ele fica uns segundos processando a informação.
    Mas entendo a sua preocupação. Aqui nos EUA existe obrigatoriedade para escola a partir de 4/5 anos. Eu conheço brasileiros que tiveram dificuldade porque as crianças nunca foram para escolinha/day care e por consequência não aprenderam inglês desde cedo. Nesses casos é mais complicado porque tem que entrar com fono e aula de reforço. Não sei qual é o seu caso.
    Mas hoje enfrento outros problemas. Como ele já sabe que eu falo inglês ele automaticamente fala coisas em inglês. Principalmente quando vou buscá-lo na escola. Parece que ele está bem mais confortável com a língua inglesa. Eu já expliquei que tem que falar igual a mamãe mas ele insiste. Eu não desisto. Repito em português até ele repetir. Mas confesso tenho muitos momentos de saco cheio. Eu trabalho full time, sou separada, não tenho ajuda nenhuma aqui de babá/faxineira ou família. E isso é mais um stress na minha rotina. Tenho como objetivo ensinar português o suficiente para que meu filho possa se comunicar bem com a minha família no Brasil. Quanto a alfabetização eu não tenho nenhuma pretensão. Sei que não vou dar conta de mais uma coisa quando ele estiver mais velho. Aqui em NY existem algumas escolas de português que ajudam nesse processo de alfabetização então eu vou jogar a toalha e deixar isso para eles :)
    Mas sei que isso é um processo longo. Venho de família de japoneses e minha mãe sempre falou em japonês com a minha avó. Claro que eram outros tempos e eles acabaram aprendendo japonês por falta de opção apesar da minha avó falar português (mas não falava bem).
    Acho que me estendi no textão. Mas boa sorte com a sua baby e Adriana boa sorte com a Bella e com a;o baby número 2.
    Tania.

    Responder
  34. Malu - 06/07/16 - 00h33

    Adoro seu blog e estou 100% de acordo com seu belo post de hoje.
    Minha filha tem quase 9 anos, NUNCA morou no Brasil e fala português FLUENTE pois NUNCA conversei com ela em outra língua.
    vale a pena, ah se vale.. Triste é ver crianças filhos de māe ou pai brasileiros se, saber falar nada da nossa língua.. pena… Continue firme pois vale muito a pena! beijos

    Responder
  35. Rafael - 06/07/16 - 01h21

    Que post sensacional!! Meus parabéns pela persistência e, principalmente, por partilhar isso tudo aqui com a gente :) a fluência nas duas linguas com certeza não só irá ajudar a Bella a se comunicar com a sua família como também será um diferencial profissional incrível!!
    Dri, sempre tive uma dúvida: e o sotaque? hahaha por conta da escola/vida social toda em inglês britânico e em casa o inglês americano com o Aaron como que ela acaba falando??
    Beijos

    Responder
    • Adriana Miller - 06/07/16 - 10h24

      Hoje em dia, que o Inglês dela já esta bem avançado, ela tem um sotaque cada vez mais Britânico. O Aaron (e a família dele) acham engraçadíssimo, mas é o normal.
      Já no Português, ela tem uma entonação bem Carioca (principalmente nos Ss), mas com resquícios de um sotaque gringo (principalmente no Rs e na formação de frases), e ainda mistura um pouco do vocabulário Gaúcho (a babá dela é Gaúcha) e Mineiro (nossa faxineira é mineira e a Bella brinca demais com o filho dela, que tem a mesma idade), então de vez em quando sai umas misturebas de “bixxxxxcoito” “uai” e “tchê” hilários!

      Responder
  36. Veronica - 06/07/16 - 01h40

    Dri, eu morei em Londres mas já voltei, meu marido é brasileiro e não tenho filhos. Mas sou fascinada por idiomas e linguística. Parabéns pelo seu esforço, é de se admirar mesmo. Muita saúde para toda sua família e o bebê que está a caminho. Um grande beijo, Vê.

    Responder
  37. Denise - 07/07/16 - 00h57

    Eu acho muito interessante essa coisa do bilinguismo em crianças. Entendo seus pontos e até concordo com todos, mas aqui em casa não aplico tudo isso não. Eu e marido somos brasileiros e moramos na Austrália com nosso filho de 19 meses. Em casa só falamos português, e temos uma “regra” de só comprar livros em português, os em inglês alugamos na biblioteca. Quando vou ler, as vezes traduzo pro português, as vezes não, principalmente se o livro é em rima e perderia o sentido traduzir. Os desenhos também tentamos baixar em português, mas tem 2 preferidos do meu filho que só achamos em inglês. Música só tenho cds em português, mas canto músicas em inglês também. Na rua falo com ele em português, a não ser que esteja num grupo só de australianos. Eu acho rude falar em outra língua que as pessoas não entendem, super concordo com vc que é o mais indicado para crianças pequenas bilingues, mas não adianta, eu particularmente não gosto quando fazem isso comigo (tipo quando tem alguém falando em chinês/russo/etc na mesma roda que estou) então não faço com os outros. Acho que no caso de um dos pais não falar português esse reforço de português exclusivo com o pai/mãe minoritário tem que ser mais forte mesmo, mas na nossa casa eu acho que o português vai reinar de todo modo. Só luto aqui com os médicos/enfermeiras querendo mandar meu filho pra um fonaudiólogo porque ele ainda fala muito pouco (menos de 10 palavras, sendo a maioria em português – em inglês ele só fala “bye”, “yummy” e “yuchy”, mas essas duas últimas eu acho que é mais pelo som que ele gosta do que pelo significado mesmo, assim como “oh-oh” que ele sempre fala quando faz uma arte. rs), fora a família que sempre cobra e acha que ele devia estar falando mais como meu sobrinho que mora no Brasil. Sempre tenho que repetir que ele é bilingue e vai falar no tempo dele, pelo menos até ele chegar a 2 anos e meio eu não vou me preocupar nem levar a especialista nenhum.

    Responder
  38. Fernanda - 07/07/16 - 02h38

    Caramba! Qto material bacana no post e nos comentários. Minha única proximidade com o assunto é que minha filha está com 1 ano e 9 meses e vivo fascinada por sua aquisição de linguagem q talvez possa ser considerada lenta… Mas isso não importa! O bacana eh poder curtir as conquistas. O assunto já estava fascinante até vc contar que Bela mistura em português os sotaques carioca, mineiro e gaùcho! Que fantástico! Como boa mineira, sempre fico feliz em escutar um “uai”. Hehehe! Meu marido eh carioca – máximo de diferença na linguagem por aqui – e apesar de morar ha anos em Minas, tem muito sotaque. Fico imaginado se minha filha um dia, ainda pequena, vai perceber essa diferença! Tenho primos cariocas criados no Rio por mais de 15 anos, filhos de mineiros, que não tem um nada de sotaque carioca. Sempre achei isso curioso! Parabéns a vc, Adriana, e a todas as mães que encaram o bilinguismo (ou tri, ou mais…) diariamente. Mais um grande desafio nessa arte da maternidade. Abraços

    Responder
  39. Pedro - 07/07/16 - 12h52

    Que post ótimo, Adriana! Eu sempre vivo falando aos meus amigos (casais bilíngues) pra se esforçarem ao máximo pra manterem a língua minoritária. É tão triste ver uma criança que não consegue se comunicar com um lado da família… mas como você falou, é um trabalho duro mesmo.

    Muito interessante quando você comenta sobre a Isabella misturando as duas línguas, principalmente os verbos. Isso mostra como ela já internalizou as formas verbais, sabe como funciona a língua e, apesar da pouca idade, forma palavras próprias que, embora não estejam corretas per se, estão corretas de acordo com as regras da língua X. Muito legal isso, e obrigado por compartilhar com a gente!

    Responder
  40. mila - 07/07/16 - 15h31

    Oi Dri!!! Q post mais legal! Eh exatamente o q vivo aqui! Moramos em Londres tbm. Falamos so em Portugues e seria bem feio mesmo se meus filhos não soubessem a lingua da mae ne?! a palavra mais legal q o joao falou um dia foi sharpenedor (apontador). ri muito!
    todo o nosso esforço vale a pena! bjs pra vcs!

    Responder
  41. Alice - 07/07/16 - 22h20

    Dri, que post maravilhoso!! Sempre vejo seu blog (acompanho desde 2011), mas essa é a primeira vez que comento aqui. Primeiramente eu quero te agradecer. Vc nem imagina o quanto seu blog já me ajudou em roteiros (inclusive levando impresso seus post em uma eurotrip com as amigas!)
    Educar criança bilíngue é um desafio árduo, até chato, mas tão compensador na primeira palavra em português, na primeira frase certinha e no primeiro “te amo, mainha” (inclusive com sotaque nordestino)! Aí vc tem a certeza de que está no caminho certo. Pra mim, que nem com você, não tem a menor possibilidade do meu filho não falar a minha língua, a língua do meu coração.
    Moro nos EUA e sou casada com americano, mas aqui em casa só português. E, que nem o Aaron, meu marido até fala algumas coisas em português. Continue persistente, pois vocês só tem coisas a ganhar. A Bella então nem se fala.

    Responder
  42. Fernanda - 13/07/16 - 13h27

    Dri, adorei o post! Casei com um australiano e estamos atualmente morando no Brasil (falo em inglês o tempo todo com ele, há um mês ele começou aula de português, mas não consegue falar em português comigo hahaha). Então, achei muito inspirador e incentivador o jeito que está criando a Bella (e futuramente o baby 2), penso em fazer exatamente o mesmo com meus futuros filhos. Acho um super benefício para essa nova geração, acho que essa flexibilidade de língua e contato com outras culturas, trazendo para o dia a dia, só tem a acrescentar. Parabéns! E paciência também! Beijos

    Responder
  43. Amanda - 04/08/16 - 03h29

    Já pensou na alfabetização? Como vai fazer para alfabetiza-la em português?
    Penso em colocar meu filho numa escola canadense e ele sera alfabetizado em português primeiro e depois inglês, pois assim os canadenses recomendam. alfabetizar primeiro no idioma do local que você mova/vive.

    Responder
    • Adriana Miller - 04/08/16 - 08h05

      Sim, ela sera alfabetizada em INgles primeiro, seguindo a metodologia normal da escola, e so’ depois em Portugues.

      Responder