09 Sep 2016
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Alimentação infantil – técnicas e filosofias de vida

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade

No outro dia a leitora Juliana me perguntou sobre a alimentação da Bella e pediu pra falar mais um pouco sobre isso.

Pra quem lê o blog a bastante tempo sabe que ela não é muito boa de boca – come pouco e simplesmente não é muito fan de comida em geral e ponto final.

Na verdade ela nunca foi comilona, mesmo bebezinha quando eu ainda amamentava, e todo o período de introdução alimentar e afins. Mas mais ou menos com 1 ano e meio, de um dia pro outro (depois de uma virose, na verdade) a coisa degringolou de vez e seu apetite desapareceu.

Tentei várias dicas/técnicas e conselhos, e aos poucos fui me dando conta que cada criança é de um jeito, as fases vão e vem, e enquanto ela estivesse saudável (Não fica doente nunca, é impressionante!), crescendo se desenvolvendo (e com energia pra dar e vender), eu não iria mais me estressar.

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Dri, me lembro uma vez que vc comentou que a Isabella não comia muito bem. Passo por isso em dose dupla em casa, e tento não me estressar, mas juro que morro de medo de ver meus filhos no futuro com péssimos hábitos alimentares. Vejo que vc costuma dar sorvete para sua filha em passeios, levou ela no vídeo para comprar bolachas. Como você deu as dicas da chupeta e da fralda e achei bem sensatas e sem extremismos, queria te perguntar sobre a alimentação, se você puder, tipo, qual o seu approach ? Que tipo de dicas você daria, e como vc procura fazer isso com a Bella ? Alguma dica sobre como melhorar a alimentação dos pequenos ? Meu marido quer sempre dar sorvete e biscoitos, mas sou eu que sempre corto o barato, e fico com receio de ser radical.
Obrigada. Juliana

 

Bem, então antes de começar o post, quero deixar o disclaimer de sempre: O que deu certo pra mim e funciona bem na nossa família, não quer dizer que vá funcionar na sua família ou com seus filhos – e muito menos quer dizer que se você fez diferente, significa que fez/faz errado. Criar filhos é uma coisa muito individual, e o “certo” é o que dá certo pra você!

 

Pois é, o “problema” da Bella é que ela é tão ruim de boca, que até porcaria ela não come! Hehehhe
Adora sorvete, mas raramente consegue comer um até o final… sempre pede biscoito ou bolo, aí lambe a cobertura e deixa o resto…

Mas sim, deixo ela comer “besteiras” numa boa, desde que sempre sejam longe dos horários das refeições, e depois de ter comido alguma comida de “verdade” e frutas.
Também tento não ser radical nem permito muito oba-oba, mas não sou hipócrita, e se vamos jantar pizza, não vou obriga-la a comer ensopadinho de brócolis, sabe?

Me considero uma pessoa “balanceada” na alimentação, e pra mim “balanço” também significa comer besteiras, beber refrigerante, comer doces… porém, de maneira balanceada, sabendo que não é a melhor opção, mas que também não vai me matar – e assim não entro em paranoias, nem faço dietas malucas, e me considero ter uma relação muito saudável com comida em geral etc

Mas claro, eu nunca tive barriga de tanquinho, e obviamente tenho celulites e todas essas cosias vistas como “vilã” e oposto da imagem que se prega para uma “vida saudável” hoje em dia – e sinceramente, saber apreciar um bom restaurante, uma taça de vinho ou uma fatia de bolo do aniversário de um amigo, me trás muito mais felicidade do que ter uma barriga sem dobras ou o “bumbum na nuca”!

Na minha vida seria inconcebível levar marmita de clara de ovo pra um evento social, só para ter uma barriga “seca”. É uma conta que não fecha…

E espero conseguir passar isso pra ela.
Em casa comemos saudável no dia a dia – não fazemos receitas “fit” nem “funcionais”, mas comemos “comida de verdade”, muitas saladas, legumes, verduras, e frutas, e jantamos juntos todos os dias (isso significa que hoje em dia eu e meu marido jantamos as 18:30 com ela, que não é nossa preferência, mas achamos que essa tradição de refeiçoes “em família” reforçariam um relacionamento saudável com a comida, em vez de ficar dando papinhas e comidas separadas e insossas pra ela num horário diferente do nosso).

Crianças aprendem na base do “faça o que faço e não apenas o que digo”, e se ela crescer vendo seus pais tendo uma relação saudável com a comida e refeições, acredito que ela também terá (assim como eu cresci assistindo meus pais terem bons hábitos à mesa, e acho que isso se reflete em mim).

Nossa única regra com a Bella é que ela sempre tem que provar o que colocamos na frente dela. Se ela não gostar, não precisa comer (mas geralmente come, ainda que pouco). E no momento que ela diz que não quer mais, que esta satisfeita, ok. Pode parar de comer. Sem forçar, sem negociar “mais 3 colheradas” nem nada disso.
Ela come tipo passarinho (muito pouco!), mas continua crescendo e se desenvolvendo sem o menor problema, então já esta claro que apesar de ser uma criança magrinha, ela esta consumindo o que seu corpo precisa… E meu maior medo é tentar força-la a comer “demais” e criar algum tipo de trauma, onde comida vire castigo, ou ainda pior, que comida vire “recompensa”.

Provando noodles com curry no Japão.

Provando noodles com curry no Japão. (com 1 ano e 3 meses)

Desde que começamos com a introdução alimentar dela, aos 6 ou 7 meses de idade, aplicamos a técnica do “Baby Led Weaning” (que acho que cheguei a mencionar por aqui algumas vezes…), que nada mais é do que servir ao bebê a mesma comida que o resto da família, e deixar ela ir explorando aos poucos, sozinha, com as mãos, fazendo sujeira e bagunça mesmo.

Mas também nunca fui radical, nem levei nenhuma “técnica” a ferro e fogo. Apesar do Baby Led Weaning, tinha dias que fazia papinha especial, tinha dias que servia papinha pronta de potinho… e assim íamos levando. Ela se acostumou com todos os tipos de sabores, texturas e temperos (de casa, de potinho pronto, legumes e frutas inteiros, pedaçudos ou triturados), e nunca teve nenhuma rejeição desse tipo (como por exemplo, a criança que só como BLW e aí quando precisa de um papinha – por ser mais prático ou numa viagem – não consegue se acostumar. Ou a criança que só come papinha peneirada e tem dificuldades em passar pras papinhas com pedaços e comidas inteiras).

Talvez isso tenha sido um “erro”… nunca vou saber… mas ela come o que a gente come, não temos (muito) problemas quando viajamos e nos deparamos com comidas “exóticas” (ou um simples tempero ou consistência diferente das papinhas de casa).

Então ela come comida “normal” e não apenas comida “de criança”.
E pra mim comida “saudável” é comida “normal” – é lasanha, é frango assado, é chili con carne, é peixe empanado, curry, é arroz com feijão.

Me assusto com essa onda “fitness” onde as pessoas olham para um prato de spaghetti bolognese e proclamam não ser “saudável”! Como assim? Só porque tem “carbo”? Ou seria lactose? Ou Glutem?

Papinha de legumes na Bósnia (com 9 meses)

Papinha de legumes na Bósnia (com 9 meses)

Quero que ela possa crescer sabendo saborear e apreciar um sorvete durante um passeio sem ficar achando que “não é saudável”, ou que vai ficar “gorda” porque não é uma comida “fit”. Sabendo que uma vez por semana (no caso do biscoito da padaria depois da escola na quarta feira que apareceu no vlog) ela pode comprar um biscoito pra sobremesa, e não ter a necessidade (psicológica) de ter que devorar a caixa inteira de biscoito. Ou achando que tem que “pagar os pecados” na academia porque “jacou” no meio da semana.

Pra mim, isso sim é que não é ser saudável, e não necessariamente (apenas) o alimento em si!

É a filosofia que aplico na minha vida (e tem dado certo!), e espero poder passar para meus filhos. Afinal, um corpo saudável não é necessariamente um corpo “sarado” ou “fit” – Saúde é um conjunto de fatores, e o psicológico e como nos relacionamos com a comida revela muito mais sobre nossa saúde do que o percentual de gordura do seu corpo.

Mas por outro lado nós nunca temos “guloseimas” em casa, então ela já sabe que não faz parte do dia a dia, e nem sequer pede. Não tem 1 pacote de biscoito na dispensa, nem sorvete no freezer, nem chocolates, nem nada disso. Sobremesa e lanches são sinônimo de frutas e nada mais.

Sempre foi assim na casa dos meus pais. Lembro que achava o máximo quando ia na casa das amigas e tinha Coca-Cola na geladeira! Lá em casa no máximo tinha Mate em dia de festa! Hahahha

Provando Strogonoff na Russia (com 2 anos e 2 meses)

Provando Strogonoff na Russia (com 2 anos e 2 meses)

Porque claro, bons hábitos se formam em casa, e não dá pra negar que açúcar, gorduras e industrializados em geral podem causar vícios e dependências, etc. Então se não fizer parte do dia a dia, melhor. Mas de jeito nenhum significa que são “proibidos”. Se um dia ela disser que quer um sorvete depois do jantar, nós compramos sem problemas!

Então sempre que possível ela come alguma combinação de proteína + carboidrato + legumes/vegetais (prefere os crus), sempre come alguma fruta de sobremesa (em relação a frutas ela topa tudo, nunca recusou nenhuma, o que é um alívio! Foi a salvação em muitas refeições!).

E também sempre faço adaptações mais naturebas ou saudáveis, como por exemplo cereais, massa, arroz e pães integrais (nem compro nada refinado), sucos sem açúcar (desde que não tenham adoçantes artificiais), muitas e muitas frutas, e pequenos gestos do tipo, que acho que fazem diferença ao longo prazo.

A escolinha dela também colabora e reforça essa filosofia, o que foi um dos motivos pelos quais a escolhemos – eles também aplicavam BLW (Baby Led Weaning) na medida do possível, servem de um tudo para as crianças (que almoçam por lá, e tem um cardápio que varia de “Mac and Cheese”, a cordeiro ao curry, frango creóle, sopa de cebola francesa, salada de feijões mexicana, etc, etc. Super eclético e variado, sem frescura).

Muitas vezes fazem passeios ao mercado local onde as crianças compram as frutas e legumes da refeição do dia, e mantêm uma hortinha no playground.

Comendo sanduíche de salsichão na Alemanha (com 1 ano e 11 meses)

Comendo sanduíche de salsichão na Alemanha (com 1 ano e 11 meses)

Mas obviamente, eu apelo muitas vezes! Nuggets, pizza, baked beans (aquele feijão Inglês enlatado), salsicha, mac and cheese de caixinha, misto quente… Porque não sou de ferro e as vezes estou sem tempo, paciência e saco pra fazer nada mais elaborado que isso!

Fish and Chips no pub!

Fish and Chips no pub!

E a comida preferida dela no mundo é fish’n’chips! Então também sempre temos fish fingers no freezer (aquelas nuggets de peixe branco, que faço no forno), ervilhas congeladas e cenoura cortadinha. E se vamos no pub no fim de semana, ela pode comer o fish’n’chips tradicional sem problemas: com direito a empanado frito e batata frita!

Jantando semana passada (com 3 anos e 7 meses)

Jantando semana passada (com 3 anos e 7 meses)

Então eu aprendi desde cedo a respeitar os limites dela (bem cedo mesmo, desde a época de amamentação!) e não me ligar demais nas regras em relação a quantidades por idade etc. Cada criança é uma pessoinha diferente, não dá pra ditar que todos os bebes de 6 meses querem/precisam beber X mls de leite a cada Y horas! Penei pra aceitar e entender isso, afinal, não é o que os livros, sites e pediatras dizem! Mas hoje em dia levo super numa boa.

Ela sempre mamou menos que a média recomendada (tanto no peito quanto os complementos), sempre comeu menos quantidades de sólidos que outros bebês, mas sempre comeu de tudo. Nunca se interessou por lanches, e como ela come pouco nas refeições eu também nunca insisti (até hoje ela só faz 3 refeições diárias, sem lanchinhos pela manhã ou a tarde). Se ela não quis comer, e não estava com fome no almoço, por exemplo, pelo menos também não tem dessa de ficar beliscando biscoitos a tarde e afins (até porque nunca temos em casa). Só vi comer de novo na hora do jantar, e (se tudo der certo!), comer bem melhor com um apetite (um pouco) maior.

Mas de uns meses pra cá isso vem mudando um pouco. Não me perguntem o que fiz pra resolver a greve de fome dela, porque não sei mesmo!! Hahahaha

Mas sei que é normal, e foi uma fase que foi e voltou. Então hoje em dia, aos 3 anos e meio, o corpo e metabolismo dela provavelmente precisam de mais quantidade, mais energia e mais calorias do que precisava antes. Vai saber…

Então ela tem se aventurado mais nos pratos diferentes e tem comido mais quantidade também. Então estou achando ótimo, e isso até tem nos incentivado a cozinhar mais, e nos aventurar em receitas mais exóticas e variadas no dia a dia, e por enquanto tem dado certo!

Mas se ela provar o Green Thai Curry e não gostar, ok também. Rapidinho faço um misto quente e assunto resolvido. Daqui a umas semanas faço de novo, e ela vai provar de novo… e por aí a diante.

 

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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29 Aug 2016
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Transições do 2′ ano: Desfralde e chupeta

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade, Isabella

Confesso que dar “dicas de maternidade” é uma das coisas mais difíceis pra mim… simplesmente pois sei que o que da muito certo para uma família, pode ter dado super errado pra outra família…

Nenhum método é infalível, nenhuma técnica é melhor que a outra. Mas ainda assim é um mundo cheio de julgamentos e “eu fiz assim logo esse é o certo”, e outros tantos “se você fez assim é porque fez errado e arruinou a vida de seus filhos pra sempre”… Tudo muito com emoções a flor da pele e sentimentos extremos, principalmente num mundo internético movido a ódio como temos visto ultimamente.

Mas ao longo dos últimos meses, nossa família passou por grandes transições na vida da Isabella, e algumas delas foram brevemente comentadas nas redes sociais, o que sempre leva a perguntas, pedidos de posts e dicas.

Não que eu ache que o que fiz foi tao diferente ou inovador assim nao… apenas um misto de “Dr Google”, dicas de amigos e muito “teste e erro” ate achar o que daria certo pra gente.

Mas por outro lado, a realidade é que esse blog nada mais é do que uma coleção de memorias minhas mesmo, então achei melhor escrever a respeito antes que fique tudo perdido na memoria… afinal, quando menos esperar estaremos passando por isso tudo de novo com o Baby #2, então melhor já deixar registrado antes que eu esqueça como foi!

 

  • Desfralde:

Desfralde nunca foi uma coisa que tínhamos muita pressa não. Trocar fraldas, mesmo aquelas mais explosivas, nunca foi uma cosia que incomodou nem a mim nem ao Aaron, e sempre foi uma tarefa dos cuidados da Isabella totalmente e 100% igualitária la em casa (acho o cumulo do absurdo pai que não troca fralda gente! #GarotaEnxaqueca).

A medida que a criança vai crescendo, as fraldas vão ficando mais esparsas, mais econômicas… e enfim, nunca foi uma coisa que impactava nossa vida e dia a dia.

As vezes a gente ate brincava que trocar fralda é tao fácil, rápido e simples, que o dia que ela fosse grande o suficiente pra escrever um business case nos convencendo do dresfralde, nós o faríamos! Antes disso era desnecessário…

Mas é obvio que era só brincadeira, e estávamos esperando o periodo do verão de 2015, quando ela estaria com 2 anos e meio para começar o processo.

Como aqui na Inglaterra faz frio e chove quase o ano todo, sabíamos que tínhamos que esperar um período de verão e “tempo bom”, para diminuir algumas das mazelas do desfralde…

Outro ponto que foi importante pra gente foi a linguagem – como a Isabella é bilíngue, sabíamos que ate essa fase de 2 anos e pouco o vocabulário dela e a sua capacidade de se expressar nas duas línguas ainda não era muito boa, então queríamos ter certeza que ela conseguiria expressar e comunicar suas necessidades fisiológicas nas duas línguas sem dificuldades, assim evitando acidentes e traumas desnecessários.

Mas ao longo dos meses depois que ela fez 2 anos começamos a introduzir o assunto: compramos livrinhos sobre pinicos e fraldas, compramos uma tampa especial pro vaso sanitario, espalhamos pinicos pela casa, etc, etc.

Aos poucos ela começou a “anunciar” quando tinha feito xixi ou coco (ainda na fralda), e depois de um tempo começou a falar o que ia fazer…. As vezes ate tentávamos levar ela correndo pro pinico, as vezes apenas agradecíamos o “aviso”, e sempre fizemos uma festa! O “aviso” do coco ou xixi era sempre uma felicidade, e trocar fralda nunca uma punição (nem pra ela, nem pra gente).

Então escolhemos um período sem viagens, eventos nem grandes mudanças na rotina da família mais ou menos em Julho de 2015 para começar de fato o processo.

Já tínhamos pinicos e afins em casa, e a levamos em algumas lojas para escolher suas novas calcinhas (eu comprei também umas calcinhas de “treinamento”, que nao sao fraldas, mas sim calcinhas/cuecas com os fundilhos acolchoados pra pescar eventuais vazamentos!).

Decidimos o dia D, e nos dois tiramos 2 dias de folga no trabalho pra emendar no fim de semana – assim teríamos 4 dias seguidos com ela em casa, dando inicio ao tratamento de choque inicial, depois ela continuaria o processo na crèche e com a babá – e se tudo desse certo, no fim de semana seguinte, ela já estaria “treinada”.

E assim o fizemos!

Foram 4 dias de muuuuuuuuitos acidentes, mas a partir do momento que tiramos a fralda, já era. Nunca mais colocamos uma fralda dela (durante o dia. Já já falo do desfralde noturno). Forramos os moveis e andávamos pra cima e pra baixo com paninhos e desinfetante pra ir limpando a casa atras dela…

Também usamos varias técnicas “golpe baixo” pra convence-la a sentar no pinico ou na privada – entupindo a menina de suco ou leite, e depois deixando ela assistir desenhos no iPad sentadinha no banheiro (uma tampa da privada confortável e segura também foi essencial – comprei essa acolchoada e com “alcas”, para que ela nao tivesse medo de cair nem ficasse cansada de sentar na privada).

O que ela comeu de balas e chocolates nesses dias… Noooossa! Tudo valia pra convence-la a ficar sentada mais um pouquinho, ate o xixi sair!

Outra coisa que fizemos também foi deixar alarmes no nosso celular pra nos lembrar de oferecer o banheiro e convence-la que estava na hora de sentar na privada de novo (cada um ligou seu alarme para meia hora, nos intercalando de 15 em 15 minutos – então ela raramente ficava mais de 15/20 minutos sem ir ao banheiro “tentar”, e fomos espaçando esse período ao longo dos 4 dias que ficamos em casa).

E acada xixi na privada ou pinico era aquela felicidade, festa e comemoração!

Fizemos uma tabela de “prêmios”, que ficava na parede da cozinha, e a cada acerto ela ganhava uma estrelinha, mas a cada acidente ela não ganhava nada… (mas ainda assim íamos na cozinha pra olhar a tabela, pra ela ir captando a menssagem do erro e acerto)

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Também colocamos um banquinho nos banheiros, para que ela pudesse puxar a descarga sozinha, e rapidinho virou uma tarefa “da Bella’s”, e ai de alguém que usasse o banheiro la em casa e não deixasse ela puxar a descarga sozinha! Hahahhaha

No final do nosso 4′  dia de carcere privado, os acidentes ja estavam controlados, e diria que 80% de suas necessidades ja eram feitas no lugar certo, e nao pelo chao da casa!

Nos dias seguintes, sua escolinha foi crucial – eles sabiam que tínhamos começado o processo de desfralde e estavam 110% de apoio. Levamos uma sacolona com mudas de roupa e calcinhas extras, e sua cuidadora manteve umas tabelas de acertos e acidentes.

Durante o resto daquela semana ela ainda teve vários acidentes, principalmente por que as vezes simplesmente não queria parar o que estava fazendo pra pedir pra ir ao banheiro… isso foi uma coisa que aconteceu aos poucos e ate hoje volta e meia temos que implorar pra ela aceitar para uma brincadeira só pra fazer xixi (mesmo quando é bem obvio que ela esta sofrendo de vontade!!).

Taméem passamos umas semanas carregando um pinico na cestinha do carrinho dela pra cima e pra baixo, alem de outros apetrechos que facilitavam nossa vida na hora de usar banheiros públicos. (como por exemplo esse mini protetor de privada, e sempre muitos lencinhos desinfetantes!).

Quanto ao desfralde noturno, isso foi uma coisa que simplesmente “aconteceu”…

Logo no começo trocamos as fraldas normais por fraldas tipo “short” (que veste igual calcinha/cueca) e passamos a chamar essa tal fralda de “calcinha” (a palavra fralda foi abolida), e só. Não acordava ela pra fazer xixi no meio da noite, nem nada disso. Apenas passamos a dar menos líquidos a noite e a insistir que ela tinha que fazer xixi antes de dormir.

Aos poucos começamos a ter mais fraldas secas do que molhadas pela manha, e quando estávamos no Brasil no final do ano (que foi uns 3 ou 4 meses depois do desfralde inicial), aproveitamos o clima quente pra tentar mais um desfralde noturno nela.

Porem não deu muito certo não… acho que a mudança na rotina e o excesso de líquidos por casa do calor, acabou gerando acidentes demais e desistimos no meio das ferias!

Ai veio Janeiro, Fevereiro, Março…. e sabíamos que o começo do ano de 2016 teríamos varias viagens e mudanças de rotina, então mantivemos a fralda noturna – mas a realidade é que ela já não tinha acidentes a noite, e durante esses 2/3 meses amanhecia sempre seca.

Então quando voltamos da Asia no final de março, o pacote de fraldas acabou e eu simplesmente não comprei mais. Avisamos pra ela que tinha acabado sua “calcinha especial” e que se ela quisesse fazer xixi tinha que acordar a noite. Na primeira semana ela nos acordou algumas vezes pra fazer xixi no meio da noite, mas as vezes nem saia nada… E nas semanas seguintes, ela voltou a dormir a noite toda, só fazendo xixi pela manha.

E assim estamos ate hoje!

Meses depois, quando fomos para as Ilhas Mauricio, tivemos alguns acidentes de coco nas calcas… mas acho que foi uma mistura de prisão de ventre por causa da mudança de rotina e comida diferente, combinada com tamanha felicidade de brincar no Kids Club do hotel! Ela simplesmente nunca queria para o que estivesse fazendo pra ir ao banheiro! Foram uns 3 dias seguidos de acidentes, mas assim que voltamos pra casa, as coisas se normalizaram de novo.

 

  • Chupeta

 

Essa foi sem duvida nossa maior transição do ultimo ano!

Por mim, eu deixaria ela chupar chupeta por quanto tempo quisesse! Nunca me incomodou mesmo!

Mas logico que sabia que estava prejudicando sua arcada dentaria, e não era um bom habito para um criança maiorzinha… O Aaron queria tirar a chupeta pouco tempo depois que ela fez 2 anos, mas eu preferi deixar a chupeta como a ultima das transições…

2015 foi um ano movimentado onde mudamos de casa, ela trocou de quarto, ela trocou de um berço pra um cama e depois ainda teve o desfralde! Então queria que pelo menos a chupeta fosse um conforto constante na vida dela!

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Mas por outro lado não tínhamos do que reclamar, pois ela nunca foi uma criança muito “viciada”, e sabíamos que não ia ser tao sofrido assim não.

Por sorte, a crèche que ela frequenta desde os 9 meses de idade não permite chupetas (só nas primeiras semanas de adaptação, depois eles desparecem com elas! hehehehe), então desde bebezinha ela se acostumou a não usar chupeta durante o dia.

Fazia suas sonecas sem chupeta numa boa, caia no sono sem dificuldades, se confortava pós choro sem pedir chupeta também etc.

Quando ela estava em casa com a gente no fim de semana, ou em viagens, passeios etc, eu liberava mais. Raramente dava (ou ela pedia) chueta a troco de nada no meio do dia, mas se quisesse/precisasse que ela tirasse uma soneca no carrinho , ou pra se acalmar em casa, eu dava, sem problema algum!

Mas a noite, para dormir, a primeira coisa que ela pedia era sempre sua “Tépa” ( ai que saudade de ouvir ela pedindo “Tépa”!!!), e era tiro e queda… era colocar a Tépa na boca que ela praticamente desmaiava na cama!

Ela também teve uma fase de querer varias ao mesmo tempo! Era tão engraçado e fofo! As vezes nem tinha nenhum Tépa na boca, mas ela segurava umas 2 em cada mão e esfregava nos olhos, nariz, testa… (ai se a vigilância sanitária examinasse aquelas chupetas! Hahhaha! Perdíamos a guarda da criança com certeza! hahah).

Então também decidimos quando seria o Dia D de finalmente tirar a chupeta dela, e queríamos que fosse num período de entre-safra de viagens, para que ela tivesse tempo de se acostumar com a nova rotina, e que fosse com bastante antecedência antes da chegada do novo bebe (pois caso ele pegue chupetas, as ditas cujas não fossem uma tentação pra ela!).

Assim como fizemos com o desfralde, compramos alguns livrinhos sobre chupetas, começamos a contar historinhas sobre a “Fada das chupetas” antes de dormir etc.

A tal Fada ia levar embora suas chupetas, mas ia deixar um presente especial, que ela podia escolher. Então na semana anterior, fomos todos a algumas lojas de brinquedo pra deixar ela escolher o que a Fada ia trazer em troca (a fada das chupetas tem boas conexões com o Papai Noel, então consegue presentes fora de época! hahaha).

O dia D chegou, um fim de semana com feriado prolongado (3 dias em carcere privado com ela em casa!), e logo de manha fizemos todo o ritual de preparar a surpresa para a Fada das Tepas: catar todas as chupetas espalhadas pela casa, escrever uma cartinha bem colorida e com um monte de adesivos e gliter, e embrulhar as chupetas num presente bem bonito, que foi deixado no jardim de casa.

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Seguimos o dia como se nada fosse, fomos passear (e deixar ela bem cansada!), e só voltamos no fim do dia, já na hora de jantar e começar toda rotina de dormir.

Ate ai tudo bem, e nenhum sinal de pedir a chupeta… ate a hora que ela finalmente deitou na cama pra dormir! Ai sim a ficha caiu!!

Foi um berreiro! Um escândalo! Ela queria porque queria suas Tepas de volta! Foi de partir o coração!

Ficamos horas nos revesando no quarto com ela, contando historinhas e fazendo carinho ate ela pegar no sono.

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No dia seguinte, quando ela acordou, seu presente estava na cozinha nos esperando e passamos o dia todo brincando!

O dia passou sem problemas, e a noite foi a mesma coisa! Choro, desespero, escândalo, e ela queria devolver o presente, pois gostava mais da chupeta do que do brinquedo novo! hahahah

Mas fomos firmes! De fato jogamos TODAS as chupetas no lixo! Levamos na lixeira da rua, pra não ter tentação mesmo (pra gente, não só pra ela!)!

Ou seja, por pior que fosse a choradeira, nós dois não tínhamos como cair em tentação…

A dificuldade pra dormir durou aquela semana toda (eu estava viajando a trabalho e o Aaron acabou ficando sozinho com ela)… Ela pedia varias historinhas e carinho na barriga na hora de dormir, que aos poucos foi ajustando na nova rotina.

Ainda demorou quase 1 mês pra ela voltar a “dormir fácil” e sozinha (sempre tivemos o habito de colocar ela pra dormir sozinha, sem ninar nem nada disso), e simplesmente parou de pedir pela Tepa (mesmo quando sabíamos que ela estava com dificuldades de pegar no sono).

Quase 1 mês depois eu fui pro Brasil sozinha com ela, e foi sua primeira viagem de avião sem a chupeta… A primeira coisa que ela pediu quando entramos no avião foi se ela podia ganhar uma “Tepa” no avião, mas eu disse que não, e ela nem insistiu…

Mas na verdade meu maior medo era dor de ouvido ou alguma outra reação durante o voo, afinal era sua primeira experiencia de voo sem ter alguma coisa pra sugar… Então levei muitos pirulitos, balas e coisinhas para distrair, e ela ficou numa boa!

Uffa!! Passou!

Dai pra frente nunca mais pediu nem mencionou nada, e a mudança de rotina enquanto estávamos no Brasil foi ótimo na verdade, uma boa distração, pois a partir dai, ela simplesmente esqueceu que a chupeta existe e nunca mais teve dificuldade pra dormir.

No outro dia (meses depois!) ela estava me ajudando a organizar as coisas do irmão no quarto dela, e ela viu as chupetas que eu comprei..”Olha mamãe, duas Tepas!”! Nossa gelei, achando que ela ia pedir!

Mas falei que era pro irmãozinho pois ele era bebê, e bebes as vezes precisam de chupetas, assim como ela tinha suas Tepas quando era bebe. Ela respondeu que agora que ela é uma menina grande e Irma mais velha, ela não gosta mais de Tepas…

E ponto final!!

Bem, veremos como vai ser, e se ela vai ter alguma regressão quando o bebe chegar! Mas por enquanto estou confiante!

 

E com vocês, como foi? Alguma técnica infalível?? Fizeram alguma cosia drasticamente diferente?

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01 Aug 2016
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A história de um bebê…

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade, Gravidez, Pessoal

Esse é um post que eu debati por muito tempo se deveria ou não escrever.

É um assunto sério, pessoal, íntimo e muito delicado – mas ao mesmo tempo, é o tipo de situação em que eu acredito que quanto mais falarmos sobre o problema, menos mistificado ele será, e consequentemente menos traumático (e até mesmo vergonhoso pra muitas mulheres) ele poderá ser.

Uns dias atrás uma amiga muito querida me ligou chorando querendo apoio e um bom ombro para desabafar, e uma frase que ela me disse, reforçou a vontade de falar publicamente sobre isso: “Se acontece com todo mundo, porque ninguém fala sobre isso?!”

Há muitos anos atras da Luciana Misura contou a historia dela, e recentemente a Flavia Mariano também tem falado abertamente sobre os problemas dela. E todas essas mulheres, além de corajosas de colocar a cara a tapa e se expor dessa maneira, também ajudam centenas de outras mulheres e casais a tentarem entender por que isso acontece, e ter esperança de que eles também terão um final feliz.

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Pois bem, acho que já não é novidade pra ninguém que estou gravida de nosso segundo bebê. Só que na verdade, esse será nosso 4′ bebe.

Pois é, nos últimos 18 meses eu perdi duas outras gestações por motivos que só o destino explica.

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Em ambos os casos foram abortos espontâneos, que foram retidos pelo meu corpo, ou oque os médicos aqui chamam de “Silent miscarriage”, ou “aborto espontâneo silencioso”.

O que acontece? Bem, o bebê pára de se desenvolver, por algum motivo qualquer, e morre, mas o corpo da mulher permanece “gravido”, com a placenta viva, produzindo hormônios e sintomas.

Por um lado, evita-se o drama, e o maior medo de qualquer mulher gravida: não teve dor, nem sangramento, nem nada. Não teve cena de novela das 7. É um caso raro, mas que segundo meu Obstetra é relativamente comum, e pode até levar a complicações seríssimas, como infecção, e em casos extremos, até a morte materna (quando não existia ultrasom e a mulher passava meses achando que estava gravida, porem com um feto morto dentro do útero).

Da primeira vez, foi o maior choque de todos, obviamente.

A Isabella estava com um pouco menos de 1 ano e meio, tínhamos acabado de voltar de viagem ao Japão e começamos a conversar sobre “tentar” de novo – se tudo desse certo, o timing seria ideal, e o bebe nasceria perto do aniversario de 2 anos da Isabella, como eu sempre sonhei.

Mas nem deu tempo de parar pra pensar demais, e pimba, descobri que estava gravida. Assim no susto, de primeira.

Felicidade, comemoração. Aquela coisa toda.

Fizemos os primeiros exames e ultras, no mesmo hospital e obstetra com quem tive a Bella, e que está me acompanhando agora também, e estava tudo ótimo, perfeito e saudável.

Mas foi uma gravidez sofrida. Eu passei MUITO mal, muito mesmo, durante todo primeiro trimestre, e senti coisas que com a Isabella simplesmente passaram despercebidas. O cansaço, os enjoos, aquela vontade desesperadora de desistir da vida! On steroids!

Mas né? Estava gravida, estava feliz, e os planos familiares iam de vento em popa!

Com quase 12 semanas de gravidez (aos 47 do segundo tempo do primeiro trimestre! A fase mais esperada pelas gravidas!) em uma consulta de rotina, descobrimos que o bebe não tinha batimentos cardíacos. Fui levada para a ala de Medicina Fetal do hospital, fizeram uma ultra detalhada, e descobrimos que o bebe tinham parado de se desenvolver e falecido com umas 8 semanas.

Então meu medico recomendou uma curetagem logo para o dia seguinte – não fazia sentido esperar mais tempo algum, pois se em 3 semanas meu organismo não tinha dado sinais de expelir o embrião, e a placenta estava “viva” então era melhor fazer uma cirurgia e não correr riscos.

Nem precisa falar que foi a pior noite da minha vida né?

Repassei cada dia, cada hora e minuto das semanas anteriores… Sera que eu fiz alguma coisa errada? Foi aquela taça de vinho? Será porque eu comi um sei la oque? Não devia ter tomado aquele remédio ou passado aquele creme! Como sempre, os tabus que cercam os abortos espontâneos colocando coisas na nossa cabeça e culpando a mulher…

Enfim. O principal problema de aborto espontâneo são justamente essas dúvidas, esse instinto da mulher achar que fez alguma coisa errada. Que a culpa é dela.

Mas não, não é.

Meu obstetra recomendou fazermos um novo exame disponível (essa é uma área da medicina que tem se desenvolvido bastante!) em que poderíamos analisar o material genético do embrião – isso nos daria algumas respostas que poderiam evitar futuras perdas, ajudar a prevenir-las, ou curar algum problema mais sério. O exame nos diria se o bebe tinha algum problema genético, que é a principal causa de abortos espontâneos, um acontecimento totalmente aleatório e que não tem prevenção. Estima-se que cerca de 25% dos óvulos fecundados podem ter algum defeito genético incompatível com a vida. Ou então o exame nos diria se o feto apresentava alguma toxidade (por exemplo, caso eu tenha tomado algum remédio, ou contato com algum produto químico toxico que tenha afetado o embrião), ou se o bebe era perfeitamente saudável e normal – e então investigaríamos algum potencial problema físico em mim ou no Aaron.

Os resultados voltaram da melhor maneira possível: o bebe teve um problema genético, raro e aleatório. Nada que poderia ter sido curado, nem prevenido, e que provavelmente nunca mais se repetiria. Uma chance em milhares, segundo a relatório final.

A curetagem foi um sucesso e a recuperação ótima, e poderíamos seguir com a vida normalmente. Inclusive tentar engravidar novamente quando quisermos.

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A pressa para engravidar não era necessariamente nossa prioridade, mas também não nos preocupamos em prevenir nada, e então logo no mês seguinte, eu descobri que estava grávida novamente.

Aê! Felicidade, alivio, comemorações.

Maaaaas…. Pra mim, o pior efeito de ter passado por um aborto espontâneo foi a sequela psicológica que isso deixou em mim. Aquele medo constante de que “alguma coisa vai dar errado”.

Com 7 semanas fizemos uma ultra e o embrião estava saudável, coração batendo forte, porem medindo um pouquinho menor do que deveria estar…

Estávamos com viagem marcada para ir pra França com o pai do Aaron, e então marcamos outra ultra para uns dias depois de nossa volta a Londres.Com 7 semanas fizemos uma ultra e o embrião estava saudável, coração batendo forte, porem medindo um pouquinho menor do que deveria estar…

A viagem foi um arrasto.

Ate hoje quando vejo fotos daquela viagem eu consigo ver nos meus olhos o quanto estava triste e com medo. Acho que dentro de mim eu já sabia que já tinha perdido mais um bebê

Um dia, entrei sozinha numa capela escondidinha dentro do Mont Saint Michel e entreguei pra Deus – faça oque for melhor pra mim e minha família!

Voltamo pra Londres e não deu outra. Mais um aborto silencioso… Fizemos novamente o exame genético e descobrimos que mais uma vez o bebe tinha um problema raro e aleatório que era incompatível com a vida. As chances de acontecer de novo são 1 em 10.000, segundo o relatório – mas comigo, aconteceu 2 vezes seguidas.

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Mas naquela mesma noite, voltando pra casa ainda com os olhos inchados, meu telefone tocou e era um headhunter com uma ótima proposta de emprego e mudança de carreira.

Foi um sinal.
Tentamos, tentamos. Dois bebes perdidos em 3 meses.
Não era pra ser, e esse foi o sinal que Deus me mandou.

Prossegui com o processo seletivo (consegui! É meu emprego atual!) e engavetei sem pestanejar o plano de engravidar e ter ter filhos em idade bem próxima.

Além disso, queria dar tempo ao tempo, queria me recuperar fisicamente e ter tempo de processar tudo que aconteceu.

Umas semanas depois fomos para Nova Iorque, depois recebi a proposta do novo emprego, e a vida seguiu em frente!

Um ano depois de tudo que aconteceu, começamos a pensar nisso de novo.

Eu fiquei relutante – não só pelo medo de passar por aquilo tudo de novo, mas principalmente por medo de engravidar tao rápido de novo! Heheh

Estava adorando o novo emprego, começando um projeto super legal e sem saber o que fazer…

Mas né? A única certeza que eu tinha, era que engravidar não era mais certeza de que eu teria um bebê 9 meses depois…

Então resolvemos tentar.

E nada. E nada. E nada.

Eu sei que pode parecer drama, e sei que muita gente passa anos e mais anos tentando engravidar e fazendo tratamentos sem sucesso.

Pra gente, foram 5 meses. Falando assim não parece tanto tempo (e não foi), mas para um casal que tinha tentado engravidar 3 vezes na vida, e conseguiu de primeira em todas elas, cada mês frustrado, era um choque.

E ai começaram os outros medos: será que aconteceu alguma coisa? Será que nunca mais poderemos ter filhos?

O fim do ano foi atribulado de trabalho e viagens profissionais, e logo depois fomos passar o fim de ano no Brasil e Peru – mas já estava com consultas e exames marcados para assim que chegarmos em casa em janeiro pra ver se tinha alguma coisa errada!

Pois bem. Chegamos em Londres numa terça feira, minha sogra chegou la em casa na quinta feira, e no sábado era a festa de aniversario de 3 anos da Bella.

Acordei naquele sábado me sentindo inchada, sabendo que ia ficar menstruada a qualquer minuto. Mas a ansiedade falou mais alto e resolvi fazer um teste de gravidez antes da festa!

Tcharam!!!! POSITIVO!!!

Bem, de la pra cá, vocês já estão acompanhando nos diários e relatos de gravidez, assim como fiz com a gravidez da Isabella!

Foi destino? Foi porque “tinha que ser assim”? Talvez.
Foi triste, e foi traumático, mas principalmente me fez agradecer e apreciar ainda mais minha network, de amigos, familiares, médicos… mas principalmente minhas amigas que já passaram por isso, que me contaram abertamente de suas tragédias pessoais sem drama nem demagogia – sem julgamentos nem culpas.
Acontecem com todo mundo, e ponto final. E precisamos falar sobre isso sem medo!

Mas por fim, queria deixar um outro recadinho, e uma outra contribuição à sociedade.

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Vamos acabar com essa mania e costume horrível de meter o bedelho da vida alheia com perguntas e palpites indelicados e mal educados sobre “E ai? Vão ter filhos?”

Indelicado, inconveniente, mal educado, e muitas vezes simplesmente cruel.

Vale a leitura de um post ótimo que o Daniel Duclos escreveu uns anos atrás, e que traduz exatamente como eu eu me sinto (e a educação que recebi em casa!) sobre isso: Não é da sua conta!

Casais tem incontáveis motivos que os levam a não ter filhos – naquele momento, ou nunca. Por sua situação atual (ainda não é hora), por opção pessoal (não querem filhos e pronto), por infertilidade, ou por desgraças pessoais, questão profissionais, financeiras, etc, etc…

“Ah, mas é só curiosidade! Não tem mal nenhum”

Tem sim!

Se você não perguntaria socialmente quanto alguém ganha, quanto pesa ou quantas vezes por semana faz sexo, então porque acham normal perguntar uma coisa intima dessas??

Mas né? Tem gente que acha que não tem problema nenhum ficar fazendo comentários e contando piadinha machista/sexista/homofóbica/racista e o escambau, e não se dão conta mesmo do nível de inconveniência e falta de educação.
Ah, mas eu não me incomodaria se me perguntassem, então não vejo problema nenhum“.
Não interessa. De repetente você também não se incomoda de ver seu amigo sendo mal educado com um funcionário, ou o tio mala fazendo piadinha machista no almoço da família – mas isso não faz com que essas atitudes sejam corretas.

E o pior:

“Nossa, ta barrigudinha – vem bebê por ai?”. Não, mas obrigada por ressaltar o quanto eu engordei.

“Ta com cara de mamãe heim!?” – Pois é, obrigada por me dizer o quanto você acha que eu estou com cara de cansada, acabada e gorda (aliais, onde já se viu as pessoas acharem que “cara de mãe” é elogio??! Só mesmo quem nunca teve filhos, né?!?)

“E ai? Tao ficando velhos heim? Não vão ter filhos?” Ou a variável “Seu filho/a esta ficando muito velho, os irmãos não vão crescer amigos”, “O fulaninho ta querendo irmaozinho, heim!!”.

“Ah, não quer ter filhos? Você ainda vai se arrepender” – essa perola é geralmente reservada para mulheres, poque né?! Como ousa uma mulher não querer ter filhos? Não querer se “completar” nessa vida?! Ah, vah….!

Eu pessoalmente passei por varias situações super indelicadas, geralmente vindas de pessoas que sequer me conhecem (via blog ou mídias sociais), apontando que estava barrigudinha depois de ter passado por uma cirurgia para retirar um bebe morto (!). Ou a(s) pessoa(s) que comentaram que eu estava com “carinha redonda de mamãe” (argh! #DedoNaGarganta) quando na verdade já sabia que o feto estava com algum problema de desenvolvimento.

Ou principalmente quando não era nada disso, e apenas estava trabalhando mais que o normal, comendo mal e a cima do peso.

Fora os vários “e ai? Não vão mais ter filhos?” ao longo dos meses, quando estávamos tentando, mas sem saber se aconteceria de novo, ou se tínhamos algum problema. E mais recentemente, quando sim, já estava gravida, mas ainda na fase de incertezas, onde diariamente alguém apontava que eu estava “peituda”, ou com “cara redonda” ou “você engordou heim? Quem te acompanha repara mesmo!!”

Será que as pessoas não se dão conta do quão indelicadas e inconvenientes e mal educadas são?

Quando eu (ou qualquer outra mulher que você acha que tem o direito de perguntar sobre sua vida intima) realmente estiver gravida e pronta para contar pro mundo, todo mundo vai saber!

Ficar perguntando, incomodando e dando seu pitaco não ajudam em nada! Se ela ainda não falou nada e não te contou, é porque ela tem os motivos dela. Tem mulheres que saem contando pro mundo (e o Facebook todo) que estão grávidas assim que fazem xixi no palitinho. Ok, opção delas. Outras podem estar com crise no relacionamento, tendo problemas no trabalho, incertezas sobre a saúde do bebê, ou simplesmente não querem te contar agora! Respeite essa decisão tão pessoal de uma mulher/casal e não fique perguntando!
(até porque, pensa só: se ela esta guardando segredo da gravidez por enquanto, seja lá por qual motivo for, o que te leva a achar que só porque você foi indelicado ela vai te contar?! Assim, só pra você?! Do tipo: “ah, então tá bom… já que você me ofendeu e foi intrusivo, então deixa eu te contar um segredo aqui….“. Por favor né?!?!?)

 

Ah! E outra: o pessoal que fica dando pitaco no sexo do bebê!

Se um casal por acaso optar por não descobrir o sexo do bebê é porque eles não querem saber, querem uma surpresa na hora do parto, e não porque querem seus palpites, ok?

Se eles quisessem saber e ter certeza de terão menina ou menino, é simples: é só ir no médico, fazer um exame e pronto. Mistério resolvido.

Mas não. Muitos casais optam justamente pelo fator surpresa, o mistério e gostinho de suspense. E NÃO optaram por sua sabedoria em relação ao formato da barriga ou do nariz da mãe (ler acima sobre falta de educação em apontar atributos físicos da mulher em relação à gravidez!), sua intuição ou achismo.

Uma amiga (vizinha/conhecida/alguém da internet) resolveu não descobrir o sexo? Basta comentar “Nossa, que legal, já estou morrendo de curiosidade.” (ou algo do tipo). Juro que não dói guardar seu palpite pra você mesmo, e ainda vai evitar uma situação desconfortável e constrangedora com a grávida em questão.

E tenho dito!

#desabafei

P.S. Algumas das imagens desse post são da campanha da Ong Britânica “Tommys” que desenvolve pesquisas sobre aborto e oferece apoio a mulheres e casais que passaram por isso. Se você esta passando por isso e precisa de ajuda, o site deles é uma boa dica.

A campanha enumerava as muitas frases que as mulheres e casais que sofreram abortos ouvem, e que por mais que sejam “com boas intenções”, não ajudam em nada nem tapam o buraco deixado pela partida inesperada de seus bebês…

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Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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