26 Jul 2017
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O fim da licença Maternidade… Mais uma vez!

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade, Oliver, Pessoal, Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior

Umas semanas atras encerrei mais um periodo na minha vida: depois de 10 meses, acabou minha licenca maternidade, e voltei a trabalhar.

Uns anos atras, eu escrevi alguns posts sobre como funciona a licenca maternidade no Reino Unido, e como foi a minha experiencia de voltar a trabalhar depois que a Isabella nasceu.

E 4 anos depois, aqui estou eu novamente!

Desde que comecei a escever sobre maternidade e minhas experiencias aqui na Inglaterra, esse tem sido um dos temas mais procurados aqui no blog – e nos ultimos meses, desde que o Oliver nasceu, isso so se intensificou!

Mas eu mesmo fui reler meus posts antigos sobre isso, e me surpreendi com o quao pouco minha posicao e sentimentos em relacao a isso mudaram.

E principalmente agora, mae de duas criancas, me sinto ainda mais segura do caminho escolhido e de como estamos criando nossa familia!

Dessa segunda vez confesso que as decisoes foram mais faceis de serem tomadas: os medos e insegurancas ja nao sao os mesmos, e acima de tudo, eu ja sabia do bem incrivel que voltar a trabalhar faria pra mim mesma. E nunca, nunca se esquecam: mae feliz = bebe feliz! Independente de qual escolha tal mae tenha feito em relacao a sua propria carreira.

Dessa vez, as duvidas e insegurancas foram mais nem relacao a  questoes praticas: horarios e creche/escolas, viagens a trabalho, custos a mais e como conjugar isso tudo. Enquanto que da primeira vez, era tudo mais sentimental, filosofico mesmo.

Sera que a maternidade me mudaria tanto assim mesmo? Sera que me transformaria em uma pessoa assim tao diferente da Adriana que sempre fui? Dos sonhos e aspiracoes que sempre tive?

Nao. Absolutamente nao. A maternidade apenas foi a realizacao de mais um sonho, mais uma etapa na vida, e mais uma adaptacao.

Na verdade, ter tido a Isabella, passado varios meses cuidando dela, depois voltado a trabalhar por alguns anos, ter tido o Oliver e ter passado varios meses em casa cuidando dele, reforcaram o que sempre achei da maternidade: ser mae em periodo integral eh uma carreira, uma profissao como outra qualquer. Algumas mulheres nasceram pra isso. Outras nao.

Algumas mulheres nasceram para serem medicas. Outras advogadas. Outras designers. Outras dentistas. Outras, mae.

E nao precisa ser polemico, nem rolar bafafa. Nao eh isso que quero dizer!

Eu nasci pra ser mae! Mas nao quer dizer que eu queria ser “apenas” a mae da Isabella e do Oliver – e tao pouco digo isso em tom pejorativo! Ser “soh” mae eh muitas vezes muito mais dificil do que qualquer profissao do mundo! E pior: sem reconhecimento social e financeiro.

Nenhum curso te prepara para ser mae. Nenhum livro tem todas as respostas. E nem mesmo ter tido outros filhos vai te dar respostas e solucoes! Eh um misterio da humanidade, e a unica solucao eh aprendendo na marra, dando a cara a tapa. Um filho atras do outro.

Mas pra mim, ser “eu mesma” sempre foi igualmente importante. Claro que a Adriana de 2017 eh diferente da Adriana de 2013 (quando a Isabella nasceu), que por sua vez eh muito diferente da Adriana pre-2012 (pre maternidade)!

Mas eu nunca quis escolher – pra mim nunca foi “ou um ou outro”! Entao adicionei o fator “mae” na equacao da minha vida, mas ela aida inclui “marido”, “familia”, “amigos”, “viajar”, “hobbies”, etc

A gente nao passa a vida toda aprendendo a se adaptar? A crescer, desenvolver e ir se adaptando aos poucos?

Da escola pra faculdade. Da casa dos pais pra morar sozinho. Casamento. Carreira. Filhos. Filhos crescidos fora de casa. Aposentadoria, etc, etc, etc

Entao pronto. Porque tanta polemica?

Eu lembro do choque que foi ter que estudar pro vestibular: Nao posso mais dormir a tarde toda e assistir Sessao da Tarde?! Tenho que estudar e fazer cursinho?! E ai depois que entrei na faculdade: O que?! Tenho que fazer estagio? Estudar de manha, trabalhar a tarde toda, e ainda fazer materias eletivas a noite? Estudar fim de semana?! E que horas eu vou pra praia com os amigos?! E depois me formei, comecei a trabalhar “de verdade” e pagar contas, mudei de pais varias vezes (tem choque maior que esse?!), fui morar sozinha, depois fui morar com o namorado, depois casei, fiz mestrado, bla bla bla…

E a cada nova etapa fui me adaptando. Algumas fases melhores, outras piores. As vezes olhava para as “vidas” anteriores e sentia saudades… Mas a fase seguinte no jogo da vida sempre touxe alguma coisa melhor, mais exitante! Uma Adriana melhor e mais completa do que a anterior.

E me tornar mae, foi exatamente igual!

Entao porque tudo tem uma conotacao tao negativa, ne? “Ter filhos eh cansativo”, “viajar com criancas da trabalho”, “nao ter ajuda todos os dias eh muito dificil”…

Ah gente!! Vamos reclamar menos!

E nao eh que ter filhos nao seja cansativo… mas bom mesmo era dormir depois da aula e assistir Sessao da Tarde comendo goiabada com requeijao na cama dos meus pais! O que nao quer dizer que eu quero voltar a ter essa vida!

Entao as vezes eu queria poder ficar no escritorio sem pressa pra voltar pra casa – mas ao mesmo tempo, por mais cansada que esteja, nao tem nada melhor na vida do que ser recebida em casa por sorrisos banguelas, gritinhos de “mamae chegou!!” e todas as suas variacoes!

No outro dia eu e o Aaron estavamos conversando sobre isso, como por mais cansativo que essa fase de filhos pequenos seja, esses sao os melhores e mais felizes anos de nossas vidas, e sao esses dias (e noites) que um dia vamos relembrar com saudades e lagrimas nos olhos, assistindo nossos filhos crescendo e ganhando o mundo e vivendo suas vidas sem depender da gente…

 

Mas voltando a volta a labuta propriamente dita…

O prazo e periodo para o retorno nao foi exatamente estrategico nao. Entrei de licenca ano passado sabendo que poderia ficar fora ate 13 meses sem problemas, e ia decidir aos poucos. Mas depois de fazer alguns dias de “KIT days” (que aqui no UK permite que a mae possa trabalhar alguns dias sem comprometer os beneficios da licenca), estar de volta no escritorio, conversar com meus colegas, reunioes sobre potenciais projetos e oportunidades, etc, aquilo me fez TAO bem, que resolvi ja me programar pra voltar mais cedo.

Alem disso, como trabalho com projetos de consultoria, volta e meia fico uns periodos sem “trabalhar”, entao achei que isso poderia acontecer, entao era melhor voltar antes mesmo e ter tempo de ir me re-adaptando.

Mas fiz muito bom proveito dos meus dias KITs, fiz otimos contatos e logo no primeiro dia de volta, fui alocada a um projeto muito legal, com uma equipe super legal e estou amando cada segundo – apesar de que sim, eh cansativo, ainda estamos nos adaptando com a nova rotina, e morro de saudades dos meus bebes todos os dias!

 

Mas apesar dos pesares, acho que o principal eh mesmo o fato de que tive a opcao e o provilegio da escolha, de sequer ter essa opcao.

O mundo paralelo da maternidade ja tem julgamento e palpites nao requisitados demais – e nao podemos esquecer que a maioria esmagadora das mulheres do mundo simplesmente nao tem essa opcao. Muitas adorariam poder parar de trabalhar e se dedicar aos filhos, mas nao podem, pois precisam trabalhar por questoes financeiras e sociais. Enquanto outras, adorariam poder voltar a trabalhar e estudar, desenvolver suas carreiras, mas nao conseguem – pelas circunstancias, os muitos preconceitos e machismos que as maes-trabalhadoras enfrentam no mercado de trabalho, ou ate mesmo por preconceitos sociais e religiosas.

Entao que tal? Da proxima vez que der aquela vontade avassaladora de “ensinar” outra mulher ou homem a como educar e criar seus filhos, pense duas vezes sobre o quanto voce nao sabe nem entende a realidade daquela familia – e logo, nao eh da sua conta! :-)

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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06 Jun 2017
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Treinamento do sono e rotina do bebê – 4 & 5 meses e a partir dos 6

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade, Oliver

Logo que o Oliver nasceu, eu escrevi um post sobre a rotina dele, e algumas técnicas que utilizamos para ensinar ele a dormir melhor. Deu super certo, e com cerca de 6 semanas ele já não acordava para mamar a noite, e com mais ou menos 10 semanas começou a dormir a noite toda.

Então quando eu falo de “treinamento”, apenas me refiro à ajuda que nós podemos dar aos bebês para que eles aprendam a dormir melhor. Um bebe recém nascido precisa aprender tudo na vida: a mamar, a dormir, a se comunicar (=chorar), se mexer etc. Alguns conseguem tudo isso numa boa, sozinhos. Outros mesmo com muita ajuda dos pais (e especialistas) simplesmente não conseguem, ou demoram bem mais tempo. Mas de uma maneira ou de outra, sempre há alguma coisa que os pais podem fazer para facilitar o processo (para o bebê, e principalmente para nós mesmos!).

E “treinar” o bebê a dormir não quer dizer, de jeito nenhum, deixar o bebe se esgoelar de tanto chorar, nem negar afeto, negar colo por medo de “mimar”, deixar a criança passar fome, ou seja lá quais forem os argumentos de quem é contra ou optou por não aplicar essas técnicas.

Muito pelo contrário! Eu não queria deixar o Oliver chorar de jeito nenhum (por vários motivos), e convenhamos, nem poderia! Com outra criança de 4 anos em casa, um bebê chorando na madrugada nem sequer era uma opção na nossa família, porque aí sim seria um caos!

Quem me acompanha no YouTube e assistiu os “diários do bebê” que tenho feito com o Ollie, viu que apesar do sucesso das técnicas quando ele era recém nascido, aos 4 meses ele passou por uma “regressão do sono”, que é tão comum nessa idade.

Mas o que seria uma “regressão do sono“? Não significa que tem nada de errado com seu bebê, e muito menos que você fez alguma coisa errada. Mas normalmente, entre os 3 e 5 meses, o cérebro do bebê amadurece, e isso muda como os ciclos do sono são processados, entrando num padrão mais normal (porque recém nascidos não tem ciclos de sono, por isso as vezes dormem 5 hora direto, e as vezes não conseguem dormir de jeito nenhum). Então nessa idade o bebê passar a ter ciclos de sono leve e profundo, e muitas vezes a regressão se instala quando o bebê tem dificuldade de passar de um ciclo para o outro. É um processo normal de desenvolvimento, assim como levantar a cabeça, abrir os olhos, sentar, rolar, etc etc. Porém alguns bebês simplesmente não apresentam sintomas, enquanto outros sofrem mais.

Ou então pode ser que seu bebê passe por isso, mas se ele(a) ainda não dormia a noite toda, talvez você nem perceba a diferença.

A Isabella por exemplo, nunca teve sintoma nenhum, logo não “regrediu” nem voltou a acordar a noite, enquanto que o Oliver, de um dia para o outro, passou de um bebê que dormia de 8 a 10 horas direito, para um bebê que acordava a cada 45 minutos!

Foi um pesadelo na terra! E eu demorei bastante tempo para sequer descobrir o que estava acontecendo. Nos primeiros dias achei que tinha sido por causa do jet lag na volta da viagem aos EUA, depois achei que fosse reação à vacina, ou até mesmo que poderia ser fome e que meu leite poderia estar secando… Isabella não teve nada disso, então acho que nunca nem tinha ouvido falar, até que numa noite insone e me desesperando, eu comecei a ler tudo quanto era artigo que aparecia no Google, e então as peças foram se encaixando…

Aí, uma vez “diagnosticado”, conseguimos ir curando esse problema. Na verdade, pelo que li, muitos bebês conseguem superar essa fase sozinhos também, as vezes só dura uns dias, ou algumas semanas e pronto. Então fomos aplicando algumas dicas aos poucos, mas sem ser radical. Tinha esperança de que assim como começou do nada, poderia acabar do nada também. Alem disso, íamos passar 1 mês no Brasil e não queria causar mais mudanças.

Mas então, o que fazer se seu bebê estiver passando por uma regressão do sono?

Tudo que li gira em torno de 3 pilares:

  • O bebê precisa saber dormir sozinho.
  • Remover associações de sono negativas
  • Objetos de transição (que ajudam a criar “associações de sono” positivas).

Logo de cara isso fez sentido: o Oliver não dormia sozinho!

Com a Isabella foi mais fácil ser disciplinada em relação à isso, pois foi a primeira filha e tinha um quartinho só pra ela. Lembro de ter lido sobre isso e logo já fui aplicando, o que sempre deu certo. A gente fazia a rotina dela toda certinha e igualzinha todo dia a noite (a mesma até hoje, na verdade), e por fim, colocava ela na cama, saia do quarto e pronto. Nem sei quanto tempo ela demorava à dormir, se 30 segundos ou 20 minutos… mas como ela não chorava nem nos chamava de volta, sabia ficar numa boa na cama e pegar no sono sem “ajuda”.

Já com o Oliver foi diferente, principalmente por duas coisas: primeiro, porque como ele foi amamentado exclusivamente no peito por mais tempo que a Bella, acabava dormindo mamando, sendo acalmado mamando, e o peito virou sinônimo de cura de todas as suas mazelas. (não é que isso seja uma coisa ruim, tá? Pelo contrario. Mas cal’maê que já chego lá!)

E segundo, porque nós tínhamos o constante pânico de que ele ia acordar ou incomodar a Isabella, caso fosse deixado sozinho para se “self soothe” (auto acalmar), então tudo acabava em colo e em peito. Qualquer barulinho eu já saia correndo, sem dar uma chance de saber se aquele barulho era mesmo um barulinho de “vem me pegar pois preciso de ajuda”, ou se eram os barulhos normais que bebês fazem o tempo todo. E nessa a gente acaba atrapalhando e disturbando o sono do bebê mais ainda, sem perceber, achando que está ajudando.

Mas vejam bem: ensinar o bebê a dormir sozinho ou a se “auto acalmar” NÃO quer dizer largar o bebê sozinho, chorando de abandono, suplicando por amor e você lá, ignorando, se deliciando com o som do sofrimento do pobre coitado!

Mas faz todo sentido, pensa só! Dormir é um talento, uma coisa que aprendemos logo no início da vida e aplicamos todos os dias até o final. Imagina que você só consegue dormir com alguém fazendo massagem no seu pé. Só que você tem sono leve, ou sua casa é barulhenta, ou você esta estressado no trabalho, ou seja o que for, e as vezes, mesmo sem perceber você dá umas acordadinhas (sim, todos damos). O que você faz? Afofa o travesseiro, se cobre/descobre, vira pro outro lado, etc, na maioria das vezes nem nem perceber, sem nem lembrar no dia seguinte. Porque você sabe dormir sozinho.

Sim, a massagem no pé é uma delícia, mas imagina que a cada rotação no seu ciclo do sono (que acontece várias vezes todas as noites), ou cada vez que um ônibus passe na sua rua você tenha que acordar o namorado/esposa/marido pra vir fazer massagem no seu pé de novo?

Pois é, é isso que acontece quando o bebê tem uma regressão do sono e cria uma associação negativa do sono. Ou seja, ele está com sono, está exausto, mas a não ser que ele te chame ( = chore) pra você vir amamentar, colocar a chupeta de volta na boca, pegar no colo pra ninar, ligar maquina de barulinhos, etc etc, seu bebê NÃO vai conseguir dormir de novo! Ele não tem outra experiencia de vida. A vida dele toda, sempre que ele acorda ele pode depender de outra pessoa para fazer o que ele ainda não consegue fazer sozinho.

A não ser que você ensine e treine ele a transitar e emendar um ciclo no outro.

Porque todos os seres humanos passam por várias fases de ciclos de sono ao longo da noite, e as vezes o corpo desperta e outras não, e você (E seu bebê) precisa saber simplesmente voltar a dormir, como se nada tivesse acontecido.

Logo, tudo que gera uma necessidade “externa” (ou seja, ajuda de outra pessoa) para o bebe possa se “aconchegar” e voltar a dormir, vira uma associação negativa (pois não tem nada de positivo acordar a cada 45 minutos durante a noite! Nem para o bebê, nem para os pais!)

No caso do Oliver era a chupeta. O irônico era que logo nos primeiros dias/semanas, ele não gostava de chupeta pra dormir. Aceitava chupeta numa boa durante o dia, mas a noite não queria. Mas ele foi um bebê muito barulhento – muitos roncos, runhidos, grunhidos e tals, então a chupeta acabou virando uma maneira de controlar a barulheira. Quando a chupeta entrava, ele resmungava menos – o que acabou virando uma muleta do sono.

Então primeiro passo: ensina-lo a dormir sem chupeta.

Mas por outro lado eu não queria tirar completamente a chupeta, pois acho uma ferramente muito útil, e sinceramente, quem deixa de dar chupeta por medo de ter que tirar depois, saiba que eu achei que tirar a chupeta da Isabella foi bem fácil (em comparação com os muitos benefícios que a chupeta nos trouxe – a nós 3! – ao longo dos 3 anos e pouco que ela chupou).

Então decidi que as sonecas do dia, seriam sem chupeta.

Mas você tem que substituir uma coisa boa, por outra coisa boa – então introduzimos um objeto de transição (uma naninha, bichinho de pelúcia, fraldinha, etc), que aos poucos o bebê vai associar com a hora de dormir, relaxar e tals. E no caso do Oliver, nos primeiros dias, e levava ele pra passear no carrinho, pois sabia que na ausência da chupeta, o balancinho do carrinho + o bichinho de transição iam amenizar a dor.

Não quer dizer que ele não chorou não, tá? Claro que chorou. Mas eu estava sempre ali, empurrando o carrinho ou fazendo carinho no berço, e se os decibéis do choro aumentassem muito, e virasse choro “de verdade”, na mesma hora eu pegava no colo até ele se acalmar. Uma vez acalmado com muito carinho (abraços, carinhos, beijinhos, amamentando, com chupeta… vale qualquer coisa!), recomeçava o processo. Só não pode deixar ele pegar no sono durante o processe de se acalmar e parar de chorar!

Porque tem isso também né? Há choros E choros… e rapidinho aprendemos a identificar cada chorinho de nosso próprio bebê. Então deixava ele ficara choramingando numa boa, pois eu estava ali do lado, e sabia que o motivo do chorinho era sono. Era um resmungo, e não um berreiro-de-sofrimento. Se eu colocasse a chupeta (ou peito) ele pegaria no sono instantaneamente, mas ele tinha que conseguir cair no sono sem isso. Foi uma looooonga semana, mas os resmungos foram diminuindo cada vez mais, e aos poucos ele já conseguia dormir numa boa sem chupeta, e então fomos aplicando a mesma técnica na hora de dormir a noite. (demorou uns 10 dias…)

Passado isso, ele já parou de acordar a cada 40 minutos (que até hoje é a duração do ciclo de sono dele!) e passou a acordar apenas 1 ou 2 vezes por noite (ainda era uma regressão em relação aos 3 meses de vida, mas já deu uma ótima melhorada!).

O Próximo passo era: a rotina do dia.

Quanto mais estruturado for a rotina diurna do bebê (de alimentação e sono), mais ele vai conseguir diferenciar entre o dia e a noite, e conseguir concentrar seu sono a noite. E outra: quanto melhor o bebe dorme de dia, melhor ele dormirá à noite.

Isso foi outra coisa que com a Isabella nunca tive que ser muito disciplinada: como ela sempre dormiu bem à noite, deixamos ela no ritmo/rotina do EASY da “Encantadora de Bebês” ad eternum, até que ela mesmo foi crescendo e se reajustando. Ela já tinham bem mais que 1 ano quando chegamos no ponto em que eu sabia certinho que horas era cada refeição ou cada soneca. Até então ela simplesmente dormia/acordava a cada 2 ou 3 horas e pronto.

Mas com o Oliver não dava pra ser tão flexível. Sentia que ele estava precisando de uma estrutura melhor durante o dia, e que isso provavelmente ia melhorar o sono noturno.

E posso ser sincera, não consegui de jeito nenhum estabelecer essa rotina enquanto ele estava amamentando exclusivo no peito! Porque essa coisa de “sob demanda” é ótimo quando tudo dá certo… afinal como alguém consegue amamentar sob não-demanda? Eu nunca consegui… ele sempre mamou quando quis e por quanto tempo quis, o que sempre foi ótimo. Até que um dia tudo virou uma bagunça! Você não sabe quanto o bebe mamou a cada mamada, não sabe se ele mamou o leite mais aguado ou mais gorduroso, se só matou a sede ou se fez uma “refeição”… no peito não dá pra saber essas coisas! Então tem que deixar rolar mesmo, o bebê é o chefe e ele que define a oferta e demanda.

Mas assim que ele foi parando e eu comecei a complementar (aos 5 meses), tudo vez sentido!

Dependendo de quanto ele tinha mamado (na mamadeira) eu já tinha uma ideia de quanto tempo ele ia “durar”, se precisava dar um reforço antes da soneca, se estava chorando de sono/manha ou se estava com fome mesmo e tal. Então ficou beeeeem mais fácil administrar a fome dele, e logo, a habilidade de dormir por mais tempo durante o dia.

Então, outra adaptação que fiz foi trocar a ordem da mamada na rotina EASY, e passei a amamentar/dar complemento antes da soneca, para ele sempre dormir de barriga cheia, em vez de mamar logo que acordasse.

E logo depois começou a introdução alimentar. E aí, ao estabelecer horários definidos para cada refeição sólida, o dia a dia ficou beeeem mais regradinho, e sabia que ele ia conseguir dormir melhor logo depois do almoço, com a barriga cheia.

Então em cerca de 1 mês a 6 semanas que voltamos do Brasil e começamos a implementar essas técnicas, ele voltou a dormir a noite toda, com 2 ou 3 sonecas bem robustas durante o dia;

A rotina dele durante essa transição foi assim (com 4 & 5 meses):

  • Acordava por volta de 6 ou 6:30
  • Mamadeira logo depois
  • Dormia de novo por volta das 8:30/9 por pelo menos 1 hora (as vezes 1 e meia, se estivermos em casa)
  • Mamadeira logo que acordava
  • Almoço cerca de 1 hora depois da mamadeira (ele come melhor se não estiver com muita fome – os bebês em fase de introdução alimentar demoram um bom tempo para entender que comida sólida também mata a fome, e não só o leite)
  • Mamadeira pequena logo antes de dormir
  • Então colocava ele no berço, já com sono, porém acordado, com seus macaquinhos (que agora ele já sabe que eles sinalizam a hora de dormir) – e sem chupeta
  • Nos primeiros 10 dias (1 ou 2 semanas) eu ficava literalmente sentada na porta do quarto dele, pronta pra pegar no colo/fazer carinho etc, caso ele chorasse (o que é diferente daquele resmungo de soninho). Assim que ele pegasse no sono, ligava o contador da app “Baby Connect” (que já falei nesse post), e em 40 minutos entrava no quarto e ficava de joelhos do lado do berço (sem ele me ver!). No primeiro movimento, dá-lhe chupeta!
  • E foi assim que consegui ensinar e treinar o corpo dele a passar de um ciclo do sono pro seguinte, sem despertar totalmente. A chupeta aprofundava o sono dele novamente, sem deixar que ele despertasse totalmente, e como estava de barriga cheia, em dormia pelo menos mais 1 hora.
  • Depois de uns 10 dias ele parou de despertar no fim do primeiro ciclo de sono, e já conseguia emendar 2 ou 3 ciclos numa mesma soneca, dormindo pelo menos 1 hora e meia a 2 horas depois do almoço.
  • E por fim, ele geralmente ainda dava mais uma cochiladinha no fim da tarde, no carrinho, à caminho de buscar a Isabella na escolinha.
  • Assim que chegávamos em casa eu dava uma mamadeira pequena pra ele, uma meia hora/40 minutos depois o jantar (sólido), e começava toda rotina de banho, e tals, com uma última mamadeira antes de dormir.
  • E mais uma vez, preparava ele pra dormir, e colocava ele no berço bem sonolento, mas ainda acordado, com seus bichinhos e sem chupeta.
  • Lá para umas 11 da noite, um pouco antes de ir dormir, nós dávamos uma ultima mamada dos sonhos pra ele, pra dar uma uma reforçada na barriga cheia para o resto da noite.

Depois dos 6 meses e pouco (até hoje – ele está com 8 meses), a rotina dele se mantém praticamente idêntica, porém aos poucos ele foi conseguindo espaçar mais o seu período acordado da rotina, então hoje em dia já não deixo mais ele tirar a última sonequinha do dia no fim da tarde, pois estava começando a atrapalhar a rotina noturna.

Com isso ele aumentou o tempo de sono na soneca da manhã, e se estivermos em casa, ele as vezes chega a dormir umas 2 horas pela manha e mais umas 2 horas a tarde (geralmente fica mais pra 1/1:30 e 2/1:30).

E olha, nada como ter um segundo filho para nos darmos conta que essa de “mãe de primeira viagem” não vale pra nada! A cada novo bebê você estará embarcando numa nova primeira viagem!

O Oliver foi/esta sendo um bebê totalmente diferente da Isabella – muito mais fácil em certas cosias, e muito mais difícil em outras coisas, e estamos (re)aprendendo a sermos pais todos os dias, e todos os meses.

Nós já fomos pais da Isabella, mas é nossa primeira vez sendo pais do Oliver, então tivemos que aprender muito coisa nova e readaptar muitas outras também!

E tudo bem gente!

Assim como minhas dicas podem vir a ser completamente inúteis pra você e sua família, outras coisas que fiz com a Isabella não deram certo com ele e vice e versa. E fomos nos adaptando e descobrindo o que deu certo pra ele!

Por exemplo, algumas mudanças:

  • Rotina regradíssima: o Oliver se deu super bem com uma rotina regradinha, calculada no ponteiro do relógio e pontualidade Britânica, coisa que sempre jurei que nunca ia fazer. Mas pelo bem estar dele e de toda família, fizemos, e deu certo.
  • Quarto escuro: outra coisa que jurei de pé junto que nunca faria com a Bella (e nunca fiz), era criar um ambiente tão limitador para as sonecas dela. Queria que ela aprendesse a dormir em qualquer lugar, de qualquer jeito. E quer saber? Com ela deu super certo. Mas quer saber? Com ele não rolou. Então hoje em dia o Oliver tira duas ótimas sonecas, mas eu fecho a cortina, ligo o barulinho da app, dou naninha pra ele e crio um ambiente de “sono”. Quando não faço isso ele só dorme 40 minutos de cada vez, que é a duração do seu ciclo de sono.

Não deixo que isso no limite nem nos escravize. Já sei que ele não dorme tão bem na rua, e tentamos contornar isso sempre que dá – mas tem vezes que não dá, e OK também. Não deixo de sair de casa nem de fazer nada só porque está na hora da soneca. As vezes ele simplesmente tem que dormir na rua, e já sei que isso significa que ele não vai dormir tão bem, e tudo bem – pra mim e pra ele.

E a mesma coisa nas nossas viagens. Quando fomos pra Doha, ficamos hospedados num resort e foi tranquilo adaptar nossa rotina para que ele dormisse no quarto, com toda rotininha que tinha direito. Mas quando fomos pra Holanda não rolou, e ele dormiu e acordou inúmeras vezes ao longo do dia e ao longo de nossos passeios.

Claro que tento não abusar demais dessa flexibilidade dele, mas acho que assim como nós vamos nos adaptando às necessidades dele, ele também vai aprendendo a se adaptar às necessidades do resto da família, e assim vamos seguindo numa boa!

Alguns sites que me ajudaram bastante:

https://www.preciouslittlesleep.com/

www.babysleepsite.com

E os livros que li:

“The no Cry Sleep Solution”

“Sleeping Through the Night”

 

Nossa próxima batalha agora é conseguir que ele durma até um pouco mais tarde (ele é madrugador e tem acordado religiosamente as 5:47 da manha todos os dias no último mês!) – então se você tiver alguma dica preciosa, passa pra cá!

 

Adriana Miller
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14 Apr 2017
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Diário do bebê: 6 meses

Baby Everywhere, Dicas de Maternindade, Oliver

Como assim já se passaram 6 meses?!

Aos poucos o Oliver está virando um bebezão, e os dias (e noites!) difíceis já ficaram para trás…

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