06
Feb
2014
Mantendo a forma
Escrito por Adriana Miller

Volta e meia eu posto alguma foto dos meus exercicios no Instagram e sempre tem alguem que me pede “dicas”, coisa que nunca me animei muito em fazer… Acho que nesse momento de “Instafitness” e “Insta-fitness-neurose” que a blogsfera esta passando eu tenho muito pouco a acrescentar. Ate que uma leitora comentou que era isso mesmo que ela queria saber: como eh a rotina de alimentacao e exercicios de uma pessoa “normal” – e nao uma socialite que tem todo tempo do mundo pra malhar, fazer tratamentos esteticos mil, gastar fortunas com suplementos e ter todo acompanhamento de profissionais, personal trainers etc.

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Bem, nao sei nem por onde comecar, pois nao estou querendo re-inventar a roda, mas essa eh mais ou menos minha rotina e o que da certo pra mim.

O principal de tudo eh que eu gosto de me exercitar e de esportes, e isso sempre fez parte da minha familia e da minha vida, entao fazer exercicios, ginastica, malhacao ou “treino” (essa eh a nova palavra da moda neh?!), entao nao eh uma coisa que faco apenas pra atingir uma “meta”, e sim uma coisa que – na medida do possivel – faz parte do meu dia dia assim como tomar banho, escovar os dentes etc.

E isso inclui ser muito ativa no dia a dia tambem, e acho que uma coisa leva a outra – por um lado sempre estou me exercitanto (faco tudo andando em Londres), mesmo quando nao estou malhando propriamente dito, que por sua vez faz com que eu tenha muito mais disposicao pra fazer as coisas que gosto no meu tempo livre (como caminhar bastante nas minhas viagens, nadar e mergulhar, fazer trilhas e escaladas, esquiar etc).

Mas claro, seria muita hipocrisia dizer que a malhacao nossa de cada dia nao tem um fim estetico, por que claro que tem – e quem falar que quer “apenas saude”esta mentindo! Todo mundo quer ser saudavel, mas todo mundo tambem quer ficar de bem com o espelho… entao acho que os dois se complementam (ate por que, muito mais dificil que alcancar um objetivo de corpo ou de peso, eh conseguir mante-lo pra vida toda!).

Entao eh o seguinte: eu faco exercicios aerobicos todos os dias de manha, antes do trabalho. E sempre que da (pelo menos umas 2 ou 3 vezes por semana) vou na academia do escritorio fazer musculacao.

As vezes nao rola. Durmo mal, estou mais cansada que o normal, estou viajando, trabalhando muito ou simplesmente sem saco. Muitas vezes passo semanas, e as vezes meses sem me exercitar (no sentido “malhacao” da palavra, mas meu dia dia eh sempre muito ativo), o que tambem nao eh o fim do mundo. Assim que as cosias voltem ao normal, volto pra minha rotina numa boa.

E a musculacao, infelizmente, acabo fazendo bem menos do que gostaria, pois nao tenho como controlar minha agenda e sempre estar livre na hora do almoco (porque viajo muito, tenho que participar de reunioes e calls com escritorios em fuso horarios diferentes, tenho prazos e afins… nao eh um dia a dia muito regrado e previsivel).

Engracado que enquanto escrevia esse post eu parei pra pensar e realmente nas minhas melhores fases de atividade fisica, saude e estar de bem com o corpo, sempre foi nesse esquema de me exercitar de manha e depois na hora do almoco, desde que comecei a estagiar numa empresa no Rio de Janeiro que tinha academia (e ai entre faculdade, estagio, familia, amigos e namorado, eu chegava na academia no centro do Rio as 6:30 da manha pra correr na esteira ou fazer spinning e na hora do almoco fazia musculacao ou aula de localizada/body pump, etc). E principalmente nos ultimos dois anos essa foi a rotina ideal que tem dado MUITO certo pra mim: pra comecar que sou uma pessoa matinal. Tenho muuuuuito mais disposicao pela manha, nao sofro de mau humor cronico e nem sofro pra acordar cedo…

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E convenhamos que aquele momento que o despertador toca eh sempre horrivel, seja as 6 ou as 7 ou as 8 da manha… entao ja que voce vai sofrer mesmo pra levantar da cama, aproveita e ja acorda logo mais cedo e se livre das “obrigacoes” do dia!

Alem disso, nao tenho hoooooras no meu dia para me dedicar a academia, entao fica muito mais facil encaixar 1 ou 2 sessoes de 30 ou 40 minutos de exercicios por dia, do que ficar naquele compromisso de que preciso de 2 horas pra ir na academia.

Entao a uns anos atras eu montei uma mini academia em casa, bem basica, mas que supre minhas necessidades, onde tenho uma maquina eliptica/transport, caneleiras, pesinhos livres, bola de pilates, elasticos de resistencia, colchonete de ioga e etc.

E foi a MELHOR coisa que fiz por mim mesma!

TAO pratico pular da cama e ja ir direto me exercitar, sem ter que gastar tempo me arrumando, indo pra academia, exibindo a figura com os marombeiros, me preocupar (e gastar $$$$) com o tenis da moda, a roupa da moda e afins, nem ter que revesar equipamento, colocar o nome na lista da aula da modinha etc, etc, etc.

Ah, eh uma liberdade!

Entao acordo, me exercito por uns 30/40 minutos, depois ja pulo direto no banho, me arrumo voando, e quando a Isabella acorda, la pra umas 7 da manha, ja estou prontissima para meu dia, e de quebra ainda tenho tempo pra brincar com ela, tomamos cafe da manha juntas, nos arrumamos juntas etc.

Claro que por outro lado isso tambem significa que eu nao tenho acesso a alguns equipamentos mais especializados, acompanhamento profissional etc, entao umas 2 ou 3 vezes por semana vou na academia da empresa fazer musculacao.

Obviamente meu objetivo com essa rotina nao eh ser marombeira e muito menos saradona, e muito menos vou sofrer porque minha barriga nao eh trincada coma as modelos da Victoria’s Secret, nem minha bunda eh dura como a madrinha da bateria – mas aprendi a respeitar meu biotipo e ser feliz com o que tenho (ja passei aaaaaanos sendo rata de academia, fazendo todas as aulas e exercicios da moda, tomando suplementos, dietas de engorda e sonhando com pernas grossas e musculosas – coisa que obviamente nunca aconteceu porque simplesmente esse nao eh meu biotipo. Entao hoje sou feliz sendo magrinha da perna fina e ponto final).

Quanto a dieta, eu sempre comi muito bem – meus pais tem uma alimentacao otima e super saudavel, entao cresci com otimos habitos alimentares (que nada mais eh do que uma dieta balanceada e equilibrada. Um pouquinho de tudo, e de tudo um pouco), mas confesso que isso mudou um pouco depois que conheci o Aaron (pois ele tem uma dieta pessima e pessimos habitos, entao tentamos nos balencear). E pra mim, ter uma dieta balanceada tambem signifca comer tudo (incluindo refrigerante, doces, gorduras), mas nao todos os dias!

Odeeeeeeio esse auto-flagelo que anda rolando nas redes sociais de “jaquei”, “gordices” e afins. Escapuliu da dieta? Paciencia. Amanha a vida volta ao normal… nao precisa ficar sofrendo em publico!

Entao como muitas frutas, muuuuuuita salada, carne magra, pao integral e todas essas coisas cliche que todo mundo esta careca de saber que faz bem – mas se no fim de semana eu quiser comer 5 pedacos de pizza e um pote inteiro de sorvete, vou comer, sem sofrer por isso.

Jamais sacrificaria minha vida social, e o puro prazer de comer em nome de uma “dieta” – porque dieta nada mais eh doque um estilo de vida. E sei que pra mim jamais daira certo viver uma vida inteira de sacrificos, entao temos que achar um balanco que de certo a longo prazo (ainda que isso signifique se privar de excessos no dia a dia pra poder curtir um pouco mais em outras ocasioes).

E o mesmo eh verdade pra rotina de exercicios; quando viajo a trabalho, geralmente levo meu tenis e tal e tento manter a rotina de me exercitar pela manha (fuso horario e outros eventos na noite anterior permitindo…), mas nem sempre da – temos que reconhecer que as vezes uma horinha a mais de sono faz muito melhor pra nossa saude do que 30 minutos na esteira!

E acho que nunca na vida levei roupa de academia numa viagem a passeio! Minhas viagens ja sao super ativas mesmo (gosto de fazer tudo a pe!), entao nao acho que tenha a menor necessidade de ficar carregando tralhas de academia pra cima e pra baixo mundo a fora.

Vai la, curte sua viagem, seus amigos e familia – experimente a culinaria local, os drinks no fim do dia e as sobremesas – na volta pra casa a rotina volta ao normal!

Outro habito que eu prefiro eh comer pouco… mas comer muito! Heheheh! Ou seja, eu raramente bato um pratao de PF, mas em compensacao praticamente nao paro de comer o dia todo, e sempre vou trabalhar cheia de comida na bolsa, faco marmita no cafe da manha do hotel quand estou viajando e etc. Entao nunca deixo de tomar cafe da manha (ate porque como me exercito de manha, depois do banho to morrendo de fome!), depois faco outro lanche quando chego no escritorio, as vezes faco outro lanche antes de ir na academia na hora do almoco, ai vem o almoco, e a tarde faco pelo menos mais uns 2 lanches. E como durmo cedo, tambem janto super cedo (super entrei na rotina Britanica de ser, e geralmente janto umas 7 ou 7:30 da noite! E geralmente durmo entre 10 e 11 da noite).

Assim evito aquela fome irracional incontrolavel (inimiga numero 1 de qualquer dieta) e fica mais facil fazer opcoes saudaveis sem ter que pensar muito na “dieta”.

Mas confesso que hoje em dia me policio muito mais no dia a dia do que fazia ate uns 2 anos atras (basicamente ate engravidar), pois sempre soube que meio que podia comer de tudo (em moderacao) e conseguia manter tudo numa boa.

Ate que descobri que estava gravida da Isabella e foi um susto atras do outro! Hehheheeh

Foi sim assustador assistir meu corpo mudando tanto, tao rapidamente e nao poder fazer nada!

Eu fui uma gravida suuuuuper saudavel, minha vida e alimentacao continuaram equilibradas (nao tive desejos loucos nem me entupi de porcarias), eu continuei fazendo muitos exercicios, mas eu engordei MUITO e muito rapido!

Como sepre fui uma “magra de ruim”, sempre me imaginei aquela gravida “so barriga”, que nao engorda nada e usa a calca jeans skinny ate o dia do parto, so colocando um elastico no botao da cintura, sabe?

Que nada!

Mesmo comendo tao bem quanto sempre comi, e me exercitando como sempre me exercitei eu engordei 18 quilos (sendo que engordei 6 quilos so no primeiro trimestre, que eh uma fase que a maioria das mulheres nao engorda nada!), e achei tudo muito assustador! Ao mesmo tempo que demorei quase 5 meses pra sequer aparentar que estava gravida, a balanca e a circunferencia geral nao paravam de me assustar!

E sabe aquelas lendas de que “ah, voce vai perder tudo no parto!” ou entao que “amamentar seca! Voce vai emagrecer muito amamentando!”.

Pois eh… Nada disso aconteceu pra mim!

3 dias depois do parto quando voltei pra casa e me pesei eu tinha perdido apenas 5 quilos (tudo bem que eu ja tinha inchado bastante e ja estava transbordando de leite, o que deve ter pesado bastante na balanca), e durante os 4 meses que amamentei a Isabella acho que perdi no maximo mais uns 3 ou 4 quilos.

Foi desesperador!

E o engracado que meu obstetra tinha me alertado pra essas coisas todas (que esse papo que amamentar emagrece eh puro mito, principalmente para mulheres que ja passaram dos 30 – o metabolismo fica muuuuuito lento para poder usar toda sua energia na producao de leite, mas ao mesmo tempo sentimos MUITA fome), alem de nao poder fazer dieta nem me exercitar demais pra nao prejudicar a producao de leite.

Entao tentei continuar a me alimentar com equilibrio como sempre fiz, e voltei a me exercitar 5 semanas depois que a Isabella nasceu (colocava ela no carrinho, tenis no pe e pasava 1 ou 2 horas caminhando por Londres!), mas a verdade eh que so depois que ela parou de amamentar eh que finalente vi as coisas voltarem ao normal – meu organismo e metabolismo voltaram ao normal quase que instanteneamente (assim como a pele voltou a ter brilho, o cabelo parou de cair, a energia e disposicao voltou, o apetite diminuiu…. Aff! Amamentar eh muita judiacao pro corpo da mulher! #prontofalei) e nos 3 meses seguintes perdi os ultimos 8 quilos.

Mas olha, queria muito poder falar que os quilos extra “desapareceram”, mas nao foi bem assim nao!

Eu voltei a acordar cedissimo pra poder malhar antes da Isabella acordar, fiz dieta (contei caloria, contei carboidratos, contei gorduras e todas as coisas que no “dia a dia” nao faco porque acho que acabam virando neura e nao sao sustentaveis a longo prazo), me inscrevi num grupo de exercicios no parque com outras maes e fiz de tudo pra voltar ao meu normal!

Entao a verdade eh que hoje em dia, apesar de me sentir “de volta” com o meu corpo de antes (sabe que ate passei a gostar mais da minha barriga?! A pela fica diferente mesmo, mas no processo de esticar e depois encolher, achei que minha cintura ficou mais fina e meu etomago menos alto, que sempre foram cosias que me incomodaram bastante!), mas morro de medo de voltar a engordar (mesmo sendo alta – 1,75cm – 18 quilos eh coisa pra caramba!), entao levo essa minha rotina de exercicios e de alimentacao muito mais a serio do que antes!

Bem, falei, falei sem dizer nada ne? Nao acho que eu tenha muitas “dicas” pra dar nao, mas sempre acho que podemos tirar uma ideia daqui, outra dali e achar nosso proprio balanco.

Eu pessoalmente acho que as musa-fitness vivem um realidade que nao eh compativel com meu dia dia e estilo de vida, entao nao da pra ficar sofrendo porque sua barriga nao eh igual a da fulana nem sua bunda eh igual a da ciclana – mas sigo varias, e acho que vale a pena filtrar algumas ideias de refeicao, lanches, e principalmente exercicios pra fazer em casa.

 

Categorias: Beleza, Bobagens, Corrida e Esportes, Dia a dia, Gravidez
64
16
Jul
2013
Maternidade no UK: Durante e Depois
Escrito por Adriana Miller

Esse post est uns meses atrasado, mas eu queria mesmo esperar passar um pouco o rebulio de hormnios e emoes da gravidez e ps parto pra contar um pouco mais sobre a experincia de ficar grvida e ter um beb na Inglaterra, e responder algumas perguntas que recebi ao longo desse ltimo ano.

Mas antes de mais nada, vale reforar a ideia de que cada caso um caso, e a sua experincia (na Inglaterra ou qualquer outro lugar) ou a histria que voc ouviu da prima da vizinha do conhecido do seu amigo pode ter sido completamente diferente, o que no desmerece a experincia de ningum! E outra coisa que eu aprendi a duras penas foi o tanto que as pessoas gostam de dar palpite, opinio e sugestes na vida alheia – como se uma barrigona ou um beb no colo derrubasse todas as cortesias e a moral e bons costumes de respeito ao prximo (incrvel como ouvi barbaridades de estranhos nas ruas nas 3 semanas que passamos no Brasil! Aqui o pessoal se controla mais, mas volta e meia rola algum sem noo…).

Bem, comeaando pelo princpio, de maneira geral toda gravidez e parto no Reino Unido acompanhado e realizado pelo NHS (National Health System), que o sistema pblico de sade nacional.

As opinies positivas e negativas ao servio de sade varia o de 0 a 1000 – ha quem ame e ha quem odeie, o que depende demais de sua experincia nas mos deles. Mas o que interessa mesmo ressaltar que na Inglaterra todo mundo (que mora aqui legalmente) tem acesso a um sistema de sade de qualidade e totalmente de graa.

Claro que nada perfeito e a qualidade do servio geralmente esta atrelada a onde voc mora – se mora numa cidade/bairro bom, provavelmente o NHS local ser melhor. Se mora num bairro mais marginalizado, com muitos imigrantes e afins, as condies gerais do servio ser consideravelmente pior. Infelizmente.

Mas tambm existe um sistema privado de sade, que varia bastante de plano pra plano, mas que no geral no cobre maternidade e parto – eu tive a sorte de ter um timo plano de sade atravs da minha empresa que cobriu por inteiro meu pr-natal e parto, ento tive experincia nos dois lados.

Se voc fará seu pr natal e parto no NHS, o primeiro passo quando desconfiar que esta grávida, é ir no seu GP (seu médico de família da clínica do seu bairro) e fazer um exame de sangue. Esse exame é ultra básico, e apenas confirma o nível do hormônio Beta HCG, confirmando ou não a gravidez. Se o resultado for positivo, seu GP lhe encaminhará ao hospital (público) de seu bairro, onde você será acompanhada por midwives (enfermeiras obstetras, ou “parteiras”).

Na maioria das vezes, essa primeira consulta pode demorar semanas (que parecem ser eternas nesse comecinho de gravidez!), o que e extremamente frustrante, numa fase sensível onde tudo que queremos é a certeza que o bebê está bem!

Na pior das hipóteses a primeira consulta é marcada pra 12ª semana de gravidez – mas geralmente a primeira consulta com a midwife acontece entre a 8ª e 10ª semana, onde elas fazem um questionário geral sobre sua saúde (e avaliam a necessidade de mais exames), ouvem o batimento cardíaco do bebê, tiram pressão, peso etc.

Não espere nada muito sofisticado nem “personalizado”.

A primeira ultra sonografia acontece apenas na 12ª semana, quando fazem uma avaliação do desenvolvimento do bebê, e testam a possibilidade de doenças genéticas (síndrome de down e mais algumas outras).

Uma coisa que as vezes “choca” as mães Brasileiras de primeira viagem é que como na Inglaterra o aborto é 100% legalizado, rola todo um papo sobre suas “opções” caso o resultado dos exames não seja positivo – então cabe a cada mãe e cada pai a decisão sobre o que fazer daí pra frente.

Se tudo correr bem, a partir da 12ª semana de gestação você terá 1 consulta com a midwive por mês até a semana 36, quando as consultas passam a ser a cada 15 dias; e se sua gestação passar das 40 semanas, as consultas passam a ser semanais (e em alguns casos, a cada 2 ou 3 dias).

A sua única outra ultra sonografia será na semana 20, quando avaliam a formação física do bebê e onde os pais tem a opção de descobrir o sexo.

Aqui não existe exames de “sexagem fetal” nem nada do estilo, mesmo no sistema particular, e descobrir se o bebê é menino ou menina só mesmo na 20ª semana – e se o bebê cooperar (se o bebê estiver de pernas cruzadas ou numa posição onde não seja possivel ver o sexo, os pais tem que esperar até o nascimento do bebê pra descobrir, ou então fazer uma ultra num hospital particular. Mas o comum aqui é que ninguém descubra o sexo do bebê mesmo de qualquer maneira).

Ou seja, em uma gestação normal e saudável, a grávida não se consulta com um obstetra uma única vez, e é atendida pelo time de midwives de seu hospital (cada consulta será uma pessoa diferente, para que você se familiarize com toda equipe).

Quando você entrar em trabalho de parto, será atendia por uma das midwives (que provavelmente você já conheceu em alguma das consultas), que são também responsáveis pelo parto. Os Obstetras só entram em cena em casos de emergência.

E aqui na Inglaterra, parto é parto. Todos são normais, e de preferência o mais natural possível.

Cesáreas são consideradas “cirurgia de retirada de bebê”, e nunca chega a ser uma opção, a não ser que realmente exista um risco muito grande para a mãe e/ou bebê. Alguns fatores podem ser encarados como complicadores do parto normal, mas a decisão por uma cirurgia só acontece quando a mãe entre em trabalho de parto, ou nas semanas finais da estação (como por exemplo cordão umbilical enrolado no pescoço, bebê de cabeça pra cima, gêmeos, bebê grande, etc. Todos são vistos como “complicadores”, porém não são motivos suficientes para fazer a mulher passar por uma cirurgia abdominal).

Eu tive o privilégio de experimentar os dois lados do sistema de saúde na Inglaterra, e confesso que por ser mãe de primeira viagem e estar acostumada com os padrões Brasileiros (e o Aaron com padrões Americanos) de saúde, toda essa cosia de não ter obstetra, exames superficiais, não fazer ultras etc, me assustava um pouco, então fiz todo meu pré natal e parto pelo sistema privado.

E por aqui, pelo menos no meu plano de saúde, o sistema funciona igual ao Brasil: eu consultei meu ginecologista no inicio da gestação, fiz todos os exames necessários de sangue e hormonal, fiz a primeira ultra na 7ª semana para confirmar a gestação e batimentos cardíacos do bebê, e dai pra frente fiz uma ultra por mês.

Mais ou menos no 4ª mês, meu ginecologista me encaminhou para um Obstetra e prosseguimos com o pré natal normalmente.

Por sorte, meu Obstetra atende em vários hospitais particulares em Londres, então na reta final (7ª mês) eu resolvi trocar de hospital, para ficar mais perto de casa, então tive que refazer alguns exames e voltei a misturar um pouco o lado do NHS com o particular (a quem interessar possa: fiz meu pré natal no Portland Hospital, mas resolvi ter a Isabella na Lansdell Suite do St Thomas Hospital – uma ala particular dentro um hospital público – pois achei que a infra estrutura num caso de emergência seria mais completo).

Quando entrei em trabalho de parto, fui direto para o hospital, onde pude ficar relaxando com o Aaron enquanto esperava o parto progredir (no NHS a gestante só pode dar entrada no hospital quando já esta em trabalho de parto avançado, com contrações a cada 5 minutos pelo menos), com acompanhamento das midwives e do Obstetra.

De modo geral eu achei a experiência o máximo, e tanto no lado do NHS quando no particular fui muito bem cuidada, e gostei demais do estilo que os Britânicos (e Europeus em geral) encaram a maternidade e principalmente o parto.

A maioria das mulheres sonha e opta pelo parto normal sem anestesia (lembrando que a cesárea não faz parte do leque de “opções” e só acontece em casos muitos específicos), então o sistema é preparado pra isso.

Somos encorajadas a fazer um “birth plan” (“plano do parto”) onde é estabelecido seus desejos e prioridades, desde qual música você quer ouvir durante o trabalho de pato, a intensidade da luz, até decisões mais “sérias” como anestesia, episiotomia, opções de emergência (as mulheres aqui fogem MESMO da cesárea, então temos várias opções de intervenções e “ajudas” médicas para facilitar o parto normal), quem vai cortar o cordão umbilical, se o bebê vai ser examinado antes ou depois da primeira mamada etc, etc.

Eu optei pela anestesia peridural, mas ainda assim, a anestesia aplicada nos hospitais Ingleses é conhecida como “walking epidural”, ou a “peridural andante”, pois é aplicado apenas a dose mínima do anestésico, então elimina toda dor, mas sem eliminar a sensação do parto.

Então apesar de não ter sentido dor nenhuma em momento algum, eu pude andar pelo quarto, ir ao banheiro quantas vezes quis, usei a bola de pilates, as barras de apoio, etc e fiquei bastante ativa durante todo o parto, o que ajudou demais a passar o tempo e progredir com as contrações, dilatação etc. Mas ao mesmo tempo eu conseguia sentir tudo que estava acontecendo “dentro” da minha barriga – sabia quando estava tendo uma contração (sem dor, mas sentia a barriga ficando dura), sentia ela se mexer, quando a cabeça foi abaixando etc. E na hora de empurrar, também conseguia sentir cada contração, o que ajudou a focar meus esforços, saber quando respirar, quando empurrar, quando parar etc. O médico e as parteiras iam me guiando, mas foi sensacional conseguir participar “ativamente” do parto.

Não existe experiência igual!! Só tenho memórias maravilhosas daquele dia/noite e já mal posso esperar pelos próximos partos!

Foi cansativo, claro. No total, entre a bolsa romper e a Isabella nascer foram 21 horas de “trabalho”, sem comer ou dormir direito, mas foi o que meu corpo precisava para se preparar para aquilo tudo.

Eu também aceitei/optei por receber hormônios artificiais (oxitocina) para acelerar as contrações/dilatações, pois as horas estava passando rápido demais e o parto não estava progredindo de acordo. E como a regra aqui é que a mulher só pode ficar em trabalho de parto por 24 horas depois que a bolsa estoura, não quis arriscar ter que acabar numa mesa cirúrgica depois de passar tantas horas “trabalhando”. Mas gostei que no fim das contas, a opção foi minha. Poderia ter esperado mais algumas horas, e quem sabe, tudo teria progredido normalmente, sem intervenções nem hormônios artificiais. Mas naquele momento foi o melhor pra mim e minha filha, pois estava ficando cansada e não queria arriscar estragar o momento.

A fase de recuperação pós também é diferente entre o NHS e particular, pois a grandíssima maioria dos hospitais públicos, a mulher é transferida para uma ala pós parto, que são enfermarias divididas com outras mulheres e seus bebês (os hospitais Ingleses não tem berçários, e seja público ou particular o bebê SEMPRE fica com a mãe desde o primeiro segundo de vida). Portanto não há privacidade, as visitas são limitadas e o pai da criança ou parceiro(a) da mãe não podem ficar junto.

Se o parto não tiver complicações e o bebê nascer durante a manhã/dia, a família volta pra casa no mesmo dia (uma amiga voltou pra casa 6 horas depois que sua filha nasceu – sem anestesia e num parto na agua. Ela preferiu se recuperar em casa do que na enfermaria do hospital).

No nosso caso, como estávamos na ala particular eu pedi pra passar mais uma noite (estava muito cansada e com muito medo de voltar pra casa e ser responsável por um bebê! hahahahah), então eu e o Aaron passamos um total de 3 dias e 2 noites no hospital (o 1ª dia em trabalho de parto, e 2 dias e 1 noite já dividindo o quarto com a Bella!).

Mas o surpreendente mesmo é depois que o bebê nasce e achei o serviço prestado pelo NHS incrível!

Entre as primeiras 24 e 48 horas depois que a mãe e bebê voltam pra casa nós somos visitadas por uma midwife e/ou Health Visitor, que a cada 3 ou 4 dias vem visitar a mãe e o bebê para se assegurar que esta tudo bem na recuperação e adaptação da nova família.

Elas pesam o bebê, examinam a mãe, conferem amamentação, informam sobre alimentação, vacinação do bebê, depressão pós parto e o que mais mãe/pai/bebê precisem!

No nosso caso foi crucial pois a Isabella perdeu muito peso depois que nasceu, então a midwife vinha nos ver a cada dois dias (mesmo no dia que a cidade parou por causa de uma nevasca ela apareceu!), me orientou em relação a amamentação, como cuidar do umbigo, dar banho, colocar pra dormir, etc, etc, etc, até tudo estar 100% normal, o que só aconteceu com quase 3 semanas. E lembrando que a Isabella nasceu no auge do inverno, na semana mais fria do ano (na sua primeira semana de vida nevou 4 dias seguidos!), e só o fato de não ter que sair de casa com um bebê recém nascido abaixo do peso no frio foi uma alívio!

Esse apoio do sistema público de saúde foi fundamental para uma recuperação tranquila, amamentação bem sucedida e um bebê saudável!

Depois disso, na 6ª semana pós parto fizemos (eu e Isabella) um check up com o GP (General Practice, ou o clínico geral que é o médico de família de seu bairro) e eu também tive um check up com o Obstetra.

Daí pra frente, uma vez por semana (e agora que ela esta mais velha, uma vez por mês) vamos na “baby clinic” da clínica do bairro medir/pesar e fazer um check up geral e conversar com as Health Visitors.

Uma coisa estranha é não ser consultada por um pediatra, e sim um clínico geral ou enfermeira (a não ser que você tenha plano de saúde), mas eles fazem uma triagem inicial e se algo não estiver bem, seu bebê é encaminhado para a pediatria do hospital de seu bairro.

No sistema privado, funciona como no Brasil: você leva seu bebê uma vez por mês no pediatra, pode ligar de madrugada, fazer perguntas bobas sobre a cor do cocô e o que mais quiser :-)

 

Não sei se minha experiência teria sido tão positiva se meu pré natal e parto tivessem sido 100% pelo NHS, mas o pouco que vi, gostei bastante da filosofia “gestação-parto-pós parto” que eles tem aqui, em ambos os lados do sistema, e fico um pouco decepcionada com as estatísticas de parto no Brasil.

Agora só me resta esperar que minha próxima gestação seja tão saudável e tranquila quanto a primeira e que mais uma vez eu possa ter um parto normal, natural e sem complicações!

 

Categorias: Gravidez, Pessoal, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
72
10
Jan
2013
#365Everywhere
Escrito por Adriana Miller

Quem me acompanha no Instagram (@DriMiller) deve ter reparado que algumas fotos aparecem com a hashtag “#365Everywhere”, e varias pessoas já me perguntaram oque significa.

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Essa “hashtag” surgiu quando estávamos pensando em projetos de fotografia que queremos fazer durante os primeiros meses de vida da nossa bebê (e de nossas vidas como pais!).

Alguns anos atras, durante dois anos, o Aaron fez um projeto no Flickr chamado “Project 365″, que basicamente era tirar uma foto por dia, todos os dias, documentando sua vida ao longo de um ano inteirinho – 365 dias.

Mas esses projetos deram trabalho – ele levou tido super a serio, então todos os dias “planejava” suas fotos, depois editava etc. Oque sejamos realistas – com um recem nascido em casa, isso vai ser cada vez mais difícil.

E eu queria fazer alguma coisa que fosse off-blog, mas que fosse fácil e que nao demandasse taaaanto tempo quanto escrever posts (mas podem deixar que o blog nao vai morrer nao! Nem tampouco vai virar “mommy blog”!), e como to numa fase super viciada em Instagram, acabei convencendo o Aaron a criar uma conta tambem e assim vamos fazer um novo “Projeto 365 dias” juntos ao longo de todo 2013.

Então quem quiser acompanhar, é só seguir meu perfil @DriMiller e/ou o do Aaron @armiller007 e a tag “365 Everywhere”.

Mas quem nao tem Instagram nao tem problema!
As fotos também estarão disponíveis aqui na barra lateral do blog e aos poucos vamos atualizar um novo álbum no Flickr do Aaron (tambem aqui na barra lateral do blog).

O projeto começou exatamente no dia 1 de Janeiro e passa lá porque nos últimos dias tivemos grandes novidades! :-)

Categorias: Blog, Dia a dia, Fotografia, Pessoal
32
03
Jan
2013
Staycation!
Escrito por Adriana Miller

Quando comecei a planejar minha licença maternidade, eu sabia que queria ter uns dias/semanas de folga antes de emendar a labuta no escritório com a labuta de um recém nascido, então propositalmente guardei uns dias de ferias pra tirar entre o natal e ano novo e ficar em casa sem fazer absolutamente nada!

Minhas ultimas semanas de trabalho foram super punk, trabalhei e me estressei mais que deveria, e meu maior medo era ela nascer antes do previsto  e eu não ter tempo de curtir um dolce fa niente em casa!

Mas posso confirmar feliz da vida que consegui uma semana inteirinha sem fazer nada – e mal sai de casa! Delícia!

Eu tinha uma lista ambiciosa de tudo que eu queria fazer durante minha “stay-cation” (palavra que faz um trocadilho em Inglês com as palavras Stay = ficar, e vacation = ferias, ou seja, são as férias que você fica em casa em vez de viajar ou fazer alguma coisa interessante).

Comecei a temporada de não fazer nada com um dia intenso de paparicagem: manicure, pedicure, cabeleireiro e uma tarde toda no Spa, com direito a depilação, limpeza de pele e massagem!

Também aproveitamos pra ir no cinema assistir o The Hobbit e comer muita pipoca!

E logo depois começou a comilança de Natal – meta diária? Comer um pedaço de cheesecake de café da manha! :-) (e depois que minha mãe chegou em Londres o cheesecake de nosso dia foi substituido por uma bela dose de Rabanadas Portuguesas!).

E eu também queria conseguir me atualizar nos programas de TV que não tive tempo de assistir nos últimos meses: foram varias horas de maratona de The Killing, Downton Abbey e Gossip Girls, e mais um monte de filminhos bobos Natalinos que passaram na TV, além da maratona de episódios de Natal de Friends e um catch up geral de Modern Family e How I Met your Mother!

Lá pro final da semana fui ambiciosa e resolvi sair de casa pra verificar como estavam as promoções de Boxing Day esse ano e comprar uns últimos presentes (principalmente pra mim mesma!) e aproveitar os preços baixos e ir estocando coisas pra baby!

Mas infelizmente fomos pegos por um gripe formitssima que deixou nós dois derrubados…

Então somando o clima de preguiça, mas o tempinho chuvoso e miserável lá fora e a moleza da gripe acho que dormi uma media de umas 16 horas diarias!

Mas ainda assim saímos pra jantar com amigos (fomos mais uma vez no Bar Boulud! Não tem erro!)

Pena que sono não é acumulativo né? Mas estou fazendo minha parte pra descansar bastante e assim ficar pronta pra chegada da baby daqui a umas semanas (ou dias?!).

E pra completar a temporada de StayCation, essa semana ainda temos visitas dos meus pais (que já chegaram!!) e da minha irmã (que chega sabado!)! Eba!!

Portanto brindamos a chegada de 2013 com uma jantar em casa e depois fomos novamente assistir a queima de fogos no London Eye!

Então estou aproveitando enquanto eles estãoa qui só de “pais” antes de virarem “avos” pra passearmos bastante e ficar saçaricando pela cidade enquanto ainda estou aguentando!

Porque a qualquer momento essa moleza acaba! :-)

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Categorias: Dia a dia, Gravidez, Pessoal
16
21
Dec
2012
Licenca Maternidade no UK
Escrito por Adriana Miller

Nos ultimos meses muita gente me perguntou detalhes e me pediram pra contar como funciona a Licenca Maternidade no UK. Eu fiquei sem tempo, e ai enrolei, enrolei… mas como hoje eh meu ultimo dia de trabalho por muito e muitos meses, achei que seria uma boa finalmente falar um pouco sobre isso.

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Pra comecar um esclarecimento, pois sempre ouco por ai o pessoal falando sobre “la fora” ou “na Europa”, como se todo o continente pudesse ser classificado como uma coisa soh.

Por aqui, temos paises com politicas otimas, porem a maioria esta na media mundial ou ate mesmo um pouco pior.

Ok, que nao da pra comparar com a politica familiar vergonhosa dos EUA por exemplo, mas muito se engana quem esta no Brasil e acha que “na Europa” a coisa eh muito melhor! (quem acompanha o blog ha um tempinho deve lembrar que minha dissertacao de mestrado foi justamente sobre a licenca maternidade nos EUA!)

Na verdade, tirando os paises Escandinavos e o Reino Unido, a politica Maternidade/Paternidade dos paises Europeus eh bem homogenea – a maioria dos paises oferece apenas cerca de 4 meses para maes e 2 semanas para pais. Ou seja, praticamente o mesmo oferecido na iniciativa privada no Brasil, por exemplo.

O que varia entre um pais ou outro eh justamente os “plus a mais”, ja que no geral a Europa eh bastante generosa com politicas “familiares” e a lei trabalhista tende a ser muito amigavel a familias e o balanco vida/trabalho dos trabalhadores.

Entao em alguns paises eh possivel passar anos trabalhando em meio periodo para cuidar das criancas (e alguns paises ate oferecem seguranca de emprego durante esse periodo, entao trabalhar a menos pra cuidar da familia garante que vc nao seja demitido), outros paises permite que voce amplie a licenca familiar por um certo periodo nao remunerado, e por ai vai.

Ja na Inglaterra especificamente, as leis trabalhistas nao sao tao protecionistas quanto em alguns paises Europeus (principalmente os paises Latino-Europeus), mas a licenca maternidade e paternidade estatutoria (a garantida por lei) ja comeca bem mais confortavel que seus vizinhos Europeus.

Pra comecar que por lei, maes tem direito a 52 semanas de licenca (um ano completo) e pais tem direito a 26 semanas (6 meses) de licenca paternidade.

Mas eh claaaaro que nem tudo eh tao lindo e simples assim, e apesar de termos o direito de tirar ese tempo todo de licenca, a grandissima parte desse periodo eh nao remunerado, oque significa que a maioria das pessoas tira apenas uma fracao desse periodo.

E o grande variante eh justamente seu empregador, e obviamente sua situacao financeira e familiar.

Se voce trabalha para uma boa empresa (geralmente as multinacionais) com politicas generosas de Recursos Humanos, a sua empresa vai oferecer um “top up” no seu salario, garantindo X meses de licenca remunerados. Ou se a renda familiar se segura numa boa com apenas 1 salario, entao a coisa tambem fica mais facil por mais tempo.

Mas a lei, no papel funciona assim:

Licenca Maternidade:

A Licenca Maternidade na Inglaterra dura 52 semanas e eh dividida da seguinte maneira:

6 semanas iniciais onde o National Insurance (o equivamente ao nosso INSS ou Seguranca Social) paga 90% do seu ultimo salario – caso voce esteja trabalhando – ou entao te da uma “bolsa auxilio” de £125 Libras por semana (caso vc nao esteja trabalhando, mas seja contribuinte e pague impostos).

Depois dessas 6 semanas iniciais, a mae ainda tem direito a mais 33 semanas, totalizando 39 semanas chamadas de “Ordinary Maternity Leave”. Essas 39 semanas (mais ou menos 9 meses) eh o periodo “Pago” da licenca, porem o Governo so paga uma bolsa auxilio semanal, que para o ano fiscal 2012/2013 eh de apenas 125 Libras por semana, ou cerca de 500 Libras por mes.

Depois desse periodo, a mulher ainda tem direito a mais 13 semanas (mais 3 meses) de “Additional Maternity Leave”, onde ela retem todos os seus direitos trabalhistas porem eh um periodo de licenca nao remunerado.

Ou seja, para a grandissima maior das pessoas, nao eh possivel viver na Inglaterra com um salario de 500 Libras por mes, ainda mais considerando os custos extras de um bebe pequeno, e portanto a muitas mulheres voltam a trabalhar 3 ou 4 meses depois do nascimento do bebe.

Porem, se voce trabalha para uma boa empresa na iniciativa privada, com certeza voce tera direto a “Occupational Meternity Leave”, que eh um beneficio privado e facultativo a definir por cada empresa, que complementa seu salario durante parte ou a totalidade do periodo de sua licenca maternidade “Ordinary”.

Tenho varias amigas gravidas aqui na Inglaterra no momento, todoas com bons empregos em empresas multinacionais, e as politicas de suas empresas variasm entre 3 meses de licenca paga a 9 meses de licenca paga – mas a media do mercado eh pagar pelo menos 6 meses de salario integral.

Licenca Paternidade:

Em 2010 o governo Britanico mudou suas leis de Licenca Paternidade e os homens agora tambem tem direito a tirar ate 26 semanas de licenca paterndade, porem, assim como a licenca maternidade, as regras (e o pagamento) nao eh assim tao generosa quanto parece ser.

O padrao do mercado eh que apenas a primeira ou as 2 primeiras semanas apos o nascimento do bebe sejam remuneradas. Depois disso, as 24 semanas seguintes sao classificadas como “Ordinary Paternity Leave”, e assim como para as mulheres, os pais passam a ter direito apenas a receber uma bolsa auxilio do governo de 125 libras por semana.

Alem disso, qualquer semana (alem das 2 semanas iniciais) tirada pelos pais, eh descontada das semanas da licenca da mae. Ou seja, se o pai da crianca requisitar tirar 26 semanas de licenca, a mae da crianca so tera direito a 26 semanas, em vez do ano todo.

Ainda ssim eh bom, ja que daria a oportunidade a ambos os pais terem uma participacao igualitaria na criancao dos filhos durante os primeiros 6 meses de vida da crianca (Ou os 12 primeiros meses, caso o pai e a mae nao saiam de licenca ao mesmo tempo. Eque eh a intencao da politica), mas em termos praticos, o corte na renda familiar faz com que o beneficio nao seja muito utilizado – e sem falar no preconceito que ainda rola em relacao a homens que querem participar tao abertamente na criacao dos filhos a ponto de abrir mao da carreira por 6 meses.

Afinal, por mais que as mulheres reclamem de um certo “preconceito” em relacao a oportunidades de carreira e tal, essa ausencia eh bem aceita e ate mesmo esperada, mas ja os homens nao tem a mesma vantagem.

No outro dia eu estava conversando com uma colega aqui no RH, e dos quase 10 mil funcionarios que meu banco tem na Inglaterra, desde a mudanca da lei apenas 1 unico homem pediu licenca paternidade!

No nosso caso em particular a empresa do Aaron so paga por 2 semanas de licenca paternidade, entao eh apenas esse periodo que ele vai tirar pra ficar em casa 100% comigo. E apesar de que ele negociou um periodo de trabalhao mais “leve” e sem viagens nos primeiros meses, seu chefe (que eh Alemao) ficou horrorizado com a sequer possibilidade de que ele teria direito a pedir 6 meses de licenca! Ou seja, essa possibilidade foi de cara descartada, pra nao colocar sua carreira em risco.

E na minha empresa eu tenho direito a 6 meses de salario integral durante minha licenca, entao o padrao eh que mulher nenhuma volta a trabalhar antes dos 6 meses iniciais.

Eu dei aviso previo de 1 ano, so por via das duvidas, e potencialmente poderia ficar um total de 15 meses de licenca – considerando que minha data prevista de retorno eh dia 29 de Dezembro de 2013, e ainda tenho 6 semanas de ferias em 2013 e mais 6 semanas de ferias em 2014. Entao caso queira, ou precise, poderia ficar de licenca maternidade ate o inicio de Abril de 2014!!! Coisa de louco!

Mas na realidade, estou me preparando psicologicamente pra voltar a trabalhar la pra Setembro ou Outubro do ano que vem, e ja negociei com meu chefe que quando voltar, provavelmente voltarei num esquema flexivel, trabalhando 2 ou 3 dias em casa por semana, e os outros 2 ou 3 dias no escritorio ou viajando., e usarei parte das minhas ferias para trabalhar em esquema part time, mas recendo salario integral por mais uns meses.

Por sorte o Aaron conseguiu negociar o mesmo esquema com a empresa dele, e quando eu voltar a trabalhar ele tambem vai ficar em casa 2 ou 3 dias, e assim poderemos organizar nossas rotinas de trabalho e viagens a trabalho de maneira que nossa bebe nunca fique uma semana inteira sozinha em casa com a baba sem um dos pais sempre em casa durante o dia, garantindo que esta tudo bem, nem teremos que manda-la pra creche com 6 ou 7 meses de vida (que eu ainda acho muito noviha pra mandar pra creche).

Como isso tudo vai se desenrrolar na pratica, so o tempo dirah (sera que vou querer voltar a trabalhar antes de outubro, ou vou acabar querendo ficar de licenca ate Abril do ano seguinte?! Vamos nos acostumar com baba, ou vamos acabar preferindo uma creche?!), mas esse eh o plano no momento e esses sao nossos direitos e beneficios.

Entao tenho me sentido incrivelmente sortuda e felizarda de morar num pais que respeite tanto os direitos familiares, e por trabalhar numa empresa tao generosa em suas politicas e beneficios, onde nao terei que escolher entre uma carreira ou o bem estar de minha filha.

 

Categorias: Baby Everywhere, Gravidez, Recursos Humanos, Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
29
23
Nov
2012
Acao de Gracas 2012
Escrito por Adriana Miller

Todos os anos nos tentamos ir visitar a familia do Aaron nos EUA nessa epoca de fim de Novembro, pra comemorar o feriado Americano de Acao de Gracas.

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Esse ano, por motivos de forca maior, nao pudemos ir, mas ainda assim nao deixamos a data passar despercebida!

Alem disso, ja que nao podiamos viajar nessa epoca, minha sogra aproveitou o feriadao e veio passar uns dias com a gente aqui em Londres.

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Ano passado eu falei bastante sobre esse feriado e os motivos pelo qual eu gosto batante dessa epoca e seu simbolismo – e esse ano, mesmo nao estando in loco nos EUA, nos temos TANTOS, mas TANTOS motivos pra comemorar e dar gracas, que nao queriamos deixar passar em branco!

O evento foi pequeno, com a BFF Tati de convidada de honra, mas mesmo depois de um longo dia de trabalho e reunioes, ainda conseguimos preparar um menu tipico da data!

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Ao redor da mesa, o assunto foi unanimidade: em 2012 sem duvidas somos muito gratos pela nossa baby, uma gravidez e bebe saudaveis e uma vida inteira pela frente de sonhos e realizacoes!

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Mas claro, em se tratando de Americanos, oque seria do Acao de Gracas sem o Black Friday, certo?

Entao a sogra ja chegou em Londres empolgadissima com a primeira netinha e trouxe nada mais nada menos que uma malona inteira soh de roupinhas de bebe! Foi praticamente um cha de bebe meets Black Friday fora de epoca!

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Entao valeu ne? Porque se tivessemos ido na Black Friday de verdade, cm certeza essas seriam exatamente as mesmas coisas que comprariamos… entao ja que nao fomos na Black Friday, a Black Friday veio ate nos!

Categorias: Feriados e afins, Pessoal, Vida no Exterior
8
24
Feb
2012
Feliz aniversario pra mim!
Escrito por Adriana Miller

Uma coisa engracada que sempre acontece comigo eh que ao longo da vida, por varios motivos eu sempre reclamei que nao consigo comemorar meu aniversario direito.

Quando era crianca a culpa sempre era do Carnaval. Afinal dia 14 de Fevereiro sempre cai na semana antes, na semana durante ou na semana depois do carnaval. O resultado eh que meus primos, amigos e vizinhos sempre estavam viajando, era epoca de ferias escolares, e minhas festas eram sempre as mais vazias e sem graca! Hahahahah #trauma

Entao eu me lembro bem dos meus aniversarios comemorados quando morei em Portugal, porque sempre era uma dia “comum” – nunca vou esquecer o ano (acho que foi no meu aniversario de 12 ou 13 anos…) que o dia 14 caiu num dia de semana e cantaram parabens pra mim na sala de aula! Gente, foi uma emocao sem igual pra alguem que nasceu numa terca feira de carnaval!

E agora que sou “gente grande”, meus aniversarios encontraram outro impecilho-comemorativo: Valentine’s Day, o dia dos namorados aqui no hemisferio norte!

Por um lado eh bom porque aproveito a desculpa pra ganhar presentes em dobro (!), mas tambem significa que nao consigo comemorar no dia. Seja porque todos os meus amigos estao comemorando com seus namorados/noivos/maridos e afins, ou simplesmente porque isso aqui vira uma maquina-de-Sao-Valentin com restaurantes lotados, menus “especiais” e precos inflacionados, decoracoes irritantes de coracao e cor de rosa e todas aquelas coisas que sao a desculpa perfeita pra quem gosta de dizer que nao comemora dia dos namorados (inserir outra data qualqur aqui) porque virou comercial demais.

Entao oque acontece entra ano, sai ano? Sem querer acabo tendo inumeras comemoracoes pingadinhas, ja que tudo acaba virando desculpa pra comemorar!

Entao o ultimo evento foi uma festa la em casa juntando uma outra amiga que tambem faz aniversario em Fevereiro – e como o grupo de amigos eh quase sempre o mesmo, acabamos comemorando juntas quase todo ano!

A festinha como sempre foi super legal! Adoro juntar meus diferentes grupos de amigos e ver como todo mundo se da super bem – acho que seus amigos sao uma otima reflexao de voce mesmo (diga-me com quem andas…) e eh legal ver que ainda que muitos deles nao sejam amigos independentemente de mim, todo mundo se gosta, se diverte e gosta de se reencontrar!

Alem disso eu adoro dar festas! E por sorte, o Aaron tambem adora ser anfitriao, e a gente se diverte mesmo recebendo nossos amigos em casa, se preparando pra festa, cozinhando e arrumando tudo!

E isso independe de ser uma festa cheia de cerimonia e pompa ou um simples rega-bofe pros amigos, e adoro que la em casa todo mundo se sente em casa: abrem a geladeira, sentam no chao, todo mundo ja sabe onde ficam guardados as tacas de cristal ou os pratos de plastico!

Uma pena que agora soh tenho mais uma ultima comemoracao (meu presente de aniversario eh uma viagem, claro, entao ainda tem mais essa no inicio de Marco!), e depois tenho que esperar ate ano que vem!

 

Categorias: Amigos, Aniversario, Dia a dia, Lar doce lar
27
21
Feb
2012
Shrove Tuesday – O dia da panqueca
Escrito por Adriana Miller

Enquanto os paises ao sul do equador estao se esbaldando no Carnaval, a vida aqui na Inglaterra segue exatamente a mesma…

Se nao fosse por uma notinha minima no jornal de ontem, com uma foto de alguma piriguete semi-nua desfilando no Carnaval do Rio, anunciando o Carnaval, esse acontecimento teria quase passado despercebido…

Mas assim como a grandissima maioria dos paises cristaos, o Reino Unido tambem tem seu proprio ritual de comemorar a terca feira gorda e a quarta feira de cinzas – que nao importa o quao animado estava o bonde eletrico, ou o quao afinada estava a bateria no recesso da Sapucai, o motivo do aue eh o mesmo: o ritual de meter o peh na jaca proverbial nos dias que antecedem o periodo de 40 dias da quaresma, um periodo de reflexao e sacrificio cristao que antecedem a Pascoa.

Aqui na Inglaterra, esse periodo sempre foi historicamente ligado a periodos de jejum e sacrificio, entao a terca feira que antecede a quarta feira de cinzas eh conhecida como Shrove Tuesday (algo do tipo “terca feira anti desperdicio”) e eh o dia em que os Ingleses comem paquecas!

Entao o restaurante da empresa ja esta todo decorada com tematica de paquecas, e ano passado ate mesmo a “princesa” Kate Middleton teve uma de suas primeiras aparicoes oficiais pre-casamento na festa da Shrove Tuesday na Irlanda do Norte, virando paquecas como ninguem, que ocupou todas as capas de jornais daquela semana!

Mas porque panquecas?

Historicamente o Inglaterra e os paises do Reino Unido sempre foram muito pobres e com recursos limitados. Entao farinha, ovos, leite e gordura eram os principais ingredientes da alimentacao de qualquer familia proletaria.

E se voce juntar todos esses ingredientes numa frigideira oque sai? Pancakes! (que numa traducao tosca, significa “bolo de panela”).

Entao esse era a refeicao final que as familias Inglesas faziam antes do periodo de “Lent” (jejum), e portanto utilizavam todos os seus ingredientes que nao durariam mais de 40 dias armazenados.

Entao esteja voce pulando Caranaval ou nao nesse terca feira, aproveite mais uma desculpa pra encher a barriga de panquecas!

P.S. Eu ja postei aqui minha receita preferida de paquecas “tipicas”, aquela que fica bem fofinha e gorducha!

 

Categorias: Feriados e afins, Inglaterra, Tradicoes Inglesas, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
15
13
Nov
2011
Tudo em ordem!
Escrito por Adriana Miller

Hoje foi uma daqueles dias pra colocar a vida em ordem e fazer uma arrumação generalizada.

Na verdade eu sou uma pessoa desorganizadissima e ultra bagunceira em casa – tudo que tenho de TOC no trabalho e pra planejar viagens, sou o extremo oposto em casa.

Então por exemplo, ainda tinha alguma roupas jogadas no canto da mala que levei pras ferias pro Brasil!
Mais algumas dezenas de mala que foram feitas e desfeitas in between

Mas oque eu precisava mesmo fazer era finalmente organizar meu closet, que estava no topo da minha to do list desde que mudei (a cerca de 15 meses atras!!).
Então esse domingo foi dedicado a colocar a vida em ordem!

O dia começou com o ritual de fim de semana:

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Há umas semana atras compramos uma maquina de fazer pão, então esse ritual de preparar os ingredientes de noite e acordar no domingo com cheirinho de pão fresco virou a melhor parte de qualquer fim de semana!

E pra completar, café na caneca do conde Dracula que comprei na Romania!

E então finalmente parei de enrolar e fui finalmente arrumar meu quarto…

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Sapatos, bolsas, vestidos, jaquetas, roupas de trabalho…
Era uma desorganização se fim, e precisei começar do zero! Sabe quando você tira TUDO de dentro do armário e das gavetas e refaz tudo? Pois foi isso que fiz.

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E já que estava na empolgação de arrumar, aproveitei pra dar uma geral no meu banheiro também, e reorganizar minhas maquiagens, bijuterias e todas as coisas que gosto de ter mais a mão no dia a dia.

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E por fim, a melhor “tarefa” do dia!!!
Montamos a arvore de Natal!!!
Eu sei que ainda é cedo, mas nos sempre montamos a arvore no fim de semana antes do feriado de Ação de Graças, mas esse ano estaremos com a família do Aaron nos EUA, então preferimos montar antes e ter vaaaarias semanas pra poder curtir a arvore!

Depois ainda vai rolar um post detalhado sobre a arvore e os enfeites de 2011 – é sempre tão divertido rever todos os meus enfeites!!

E isso é que eu chamo de um fim de semana produtivo!

Então agora da licença porque preciso fazer mala…

 

Categorias: Dia a dia, Lar doce lar
41
13
Jul
2011
É dando que se recebe
Escrito por Adriana Miller

Ontem eu participei de um evento super legal aqui em Londres, organizado pela ONG EBP e ELBA com o programa “Head to Head”. Então passei minha manhã toda fazendo trabalho voluntário numa escola pública para meninas de origem “étnica” no Leste Londrino.

O Leste de Londres, tem umas areas super legais e trendy, mas é tambem considerado uma das areas menos “Inglesas” e mais barra pesada da cidade. É ali que se concentram comunidade de imigrantes (muitas vezes ilegais) e quase sempre que lemos em jornais sobre violência e guerra de gangs, provavelmente o problema aconteceu no lado leste da cidade. É ali tambem que tem o maior índice de desemprego do país (na casa dos 15%) e a maior concentração de famílias vivendo de benefícios do governo.

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As pessoas até brincam que se largarem um turista em plena Commercial Road (uma das principais avenidas da região), você ia jurar que estava em Dhaka (capital de Bangladesh) e não Londres… Homens de turbante e mulheres de burca é uma cena mais comum por ali doque em muitas regiões do Oriente Médio, por exemplo.

Na verdade essa é uma região que em sua grande maioria é bem “familia”, mas o problema mora justamente por eles serem fechados em suas comunidades, limitanto seu acesso a educação, empregos e oportunidades melhores, oque consequentemente faz com que essa região de Londres esteja entre as mais pobres do pais. Eu fiquei até meio chocada de ler os relatórios e os fatos que a ONG mandou, pois é dificil de acreditar que numa cidade como Londres exista tanta gente vivendo em condições sub-humanas.

Então eu tentei me envolver em programas onde au poderia realmente usar minhas experiências pessoais e profissionais pra ajudar alguém, e me inscrevi no programa de “mentoring” da escola “Mulberry”, que é uma escola secundária pública que atende apenas meninas no bairro de Whitechapel.

Eu fiquei imaginando que ia chegar num CIEP caindo aos pedaços, e me surpreendi de encontrar uma escola moderníssima, limpíssima e com todos os aparatos tecnológicos possiveis.

Logo de manhã cedinho tivemos a primeira reunião com o diretor da ONG e o Reitor da escola que nos deu uma breve explicação sobre o perfil das meninas que íamos conhecer, e o porque desse programa, e porque a ajuda é tão importante.

Quando eu falei do meu voluntariado no Twitter, me perguntaram oque seriam “meninas étnicas”, e o único motivo pelo qual eu fiz essa distinção, é porque infelzimente, em paises de “1ª mundo” como a Inglaterra, geralmente a pobreza e a falta de oportunidade são exclusivas das minorias raciais.

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Portanto essa escola atende apenas meninas de descendência Bengali, Paquistanesas, Afegãns e Indianas – não por seleção, mas porque a escola fica – fisicamente –inserida no coração da maior comunidade Bangladeshi e Paquistanesa de Londres, em Whitechapel. Tanto que o uniforme da escola (na Inglaterra, ao contrario de outros paises Europeus ou EUA, as escolas públicas usam uniforme) foi adaptado para atender a cultura das alunas, e hoje em dia nada mais é que uma burca, ou túnica com lenço cobrindo a cabeça (o uniforme “normal” de uma escola Inglesa típica é um terninho, tipo Harry Potter).

E foi justamente por isso que quis fazer parte dessa ONG e me voluntariar nesse programa – as alunas da escola Mulberry fazem parte de uma comunidade e uma cultura onde mulher não tem vez. A idade média das meninas que conheci era de 15 anos, e todas tinham responsabilidade dupla de cuidar da casa, dos irmãos mais novos, cozinhar, lavar, passar. E ainda por cima, muitas delas já eram casadas! Eu me surpreendi inclusive de ver que apesar de todas serem nascidas e criadas em Londres e terem frequentado escolas Inglesas a vida toda, elas vivem numa comunidade tão fechada, que nem sequer consideram Inglês como sua língua materna, e muitas delas inclusive tinham sotaque fortíssimo. Então essas meninas não só vivem numa das regiões mais “marginalizadas” da cidade, como ainda por cima fazem parte de uma comunidade onde elas não tem “modelos” femininos que as possam ajudar, instruir, conversar – oque muitas vezes significa que elas não terao oportunidade de ter uma vida melhor doque a vida de suas mães, avós, tias, etc.

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O meu papel no programa foi em ajudar as meninas da série 10 (equivalente ao 2º ano do 2º grau no Brasil) a escreverem currículos e se prepararem para entrevistas de trabalho e estágio (o curriculo escolar na Inglaterra é bem diferente do Brasileiro e Portugues, e a escolaridade obrigatória só vai até o ano 11, então muitos alunos fazem cursos profissionalizantes ou estágios no último ano de escola), alám de dar a elas uma oportunidade de conversar com mulheres (tambem tinham alguns homens no programa, e todos são bem vindos a ajudar) fora de sua comunidade, que possam responder perguntas que não fazem parte de seu “mundo”.

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Muitas delas queriam saber, por exemplo, como era Canary Wharf e oque acontecia mesmo dentro de um banco, e se a gente via dinheiro o dia todo!

Podem parecer perguntas bem bobinhas, mas elas sao meninas no auge da curiosidade da vida, vivendo numa cidade fervilhante como Londres e mal sao permitidas de sair de casa!

Então além de um bate papo informal, eu dei dicas de como organizar um CV (quando não se tem experiencia nenhuma), como se comportar numa entrevista e o tipo de pergunta e resposta que elas deveria estar preparadas pra responder.

Foi incrível ver que algumas meninas super, super inteligentes, com notas A e A+ em todas as materias que acham que não podem fazer faculdade porque são mulheres!

Uma delas queria ser decoradora de interiores, e me perguntou se meus pais tinham sido contra minha escolha de carreira (oque me deu a enteder que os pais dela não apoiam a idea dela de ter um emprego); e uma outra menina que estava me contando do quanto ela gostava das aulas de mídia, de editar filmes e musica, pintar posters de filmes, desenhar etc, quando eu perguntei/sugeri que ela deveria estudar propaganda e marketing, ela simplesmente ficou me olhando como se eu estivesse falando Grego com ela!

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Foram varias horas de conversa com meninas super simpáticas e educadas, e muito bate papo e dicas sobre não ter medo de conversar olhando nos olhos de alguém (todas se comportavam incrivelmente submissas, principalmente com os voluntários homens), de sorrir e sobre ter vontade de aprender mais sobre o mundo e outras oportunidades em suas vidas.

E pra mim foi uma lição de vida também, um momento de reflexão onde mais uma vez me dei conta de como eu sou sortuda nessa vida, de dar graças a Deus por ter pais e uma família maravilhosa que sempre me apoiou nos meus sonhos e ambições, que souberam me instruir e me prepararam pra vida no mundo real.

Me dei conta de como existe gente diferente no mundo, e mesmo num bairro tão pertinho, por onde eu ja passei tantas vezes achando graça das lojinhas de burcas, existe uma realidade tão diferente da minha e tanta gente que não teve as mesmas oportunidades que eu.

Recebi essa foto tirada pelo diretor do programa, junto com uma notinha de agradecimento.

E quem sabe daqui a muitos anos uma dessas meninas vai se tornar uma mulher feliz e bem sucedida, dentro ou fora de sua comunidade, e vai lembrar que um dia, quando ela tinha 15 anos, ela conversou com uma moça Brasileira que deu algumas horas de seu dia pra conversar, dar conselhor e dicas, que podem, quem sabe, um dia ajudar a transformar sua vida!

 

 

 

 

 

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