16
Jul
2013
Maternidade no UK: Durante e Depois
Escrito por Adriana Miller

Esse post está uns meses atrasado, mas eu queria mesmo esperar passar um pouco o rebuliço de hormônios e emoções da gravidez e pós parto pra contar um pouco mais sobre a experiência de ficar grávida e ter um bebê na Inglaterra, e responder algumas perguntas que recebi ao longo desse último ano.

Mas antes de mais nada, vale reforçar a ideia de que cada caso é um caso, e a sua experiência (na Inglaterra ou qualquer outro lugar) ou a história que você ouviu da prima da vizinha do conhecido do seu amigo pode ter sido completamente diferente, o que não desmerece a experiência de ninguém! E outra coisa que eu aprendi a duras penas foi o tanto que as pessoas gostam de dar palpite, opinião e sugestões na vida alheia – como se uma barrigona ou um bebê no colo derrubasse todas as cortesias e a moral e bons costumes de respeito ao próximo (incrível como ouvi barbaridades de estranhos nas ruas nas 3 semanas que passamos no Brasil! Aqui o pessoal se controla mais, mas volta e meia rola algum sem noção…).

Bem, começaando pelo princípio, de maneira geral toda gravidez e parto no Reino Unido é acompanhado e realizado pelo NHS (National Health System), que é o sistema público de saúde nacional.

As opiniões positivas e negativas ao serviço de saúde varia o de 0 a 1000 – ha quem ame e ha quem odeie, o que depende demais de sua experiência nas mãos deles. Mas o que interessa mesmo ressaltar é que na Inglaterra todo mundo (que mora aqui legalmente) tem acesso a um sistema de saúde de qualidade e totalmente de graça.

Claro que nada é perfeito e a qualidade do serviço geralmente esta atrelada a onde você mora – se mora numa cidade/bairro bom, provavelmente o NHS local será melhor. Se mora num bairro mais marginalizado, com muitos imigrantes e afins, as condições gerais do serviço será consideravelmente pior. Infelizmente.

Mas também existe um sistema privado de saúde, que varia bastante de plano pra plano, mas que no geral não cobre maternidade e parto – eu tive a sorte de ter um ótimo plano de saúde através da minha empresa que cobriu por inteiro meu pré-natal e parto, então tive experiência nos dois lados.

Se você fará seu pré natal e parto no NHS, o primeiro passo quando desconfiar que esta grávida, é ir no seu GP (seu médico de família da clínica do seu bairro) e fazer um exame de sangue. Esse exame é ultra básico, e apenas confirma o nível do hormônio Beta HCG, confirmando ou não a gravidez. Se o resultado for positivo, seu GP lhe encaminhará ao hospital (público) de seu bairro, onde você será acompanhada por midwives (enfermeiras obstetras, ou “parteiras”).

Na maioria das vezes, essa primeira consulta pode demorar semanas (que parecem ser eternas nesse comecinho de gravidez!), o que e extremamente frustrante, numa fase sensível onde tudo que queremos é a certeza que o bebê está bem!

Na pior das hipóteses a primeira consulta é marcada pra 12ª semana de gravidez – mas geralmente a primeira consulta com a midwife acontece entre a 8ª e 10ª semana, onde elas fazem um questionário geral sobre sua saúde (e avaliam a necessidade de mais exames), ouvem o batimento cardíaco do bebê, tiram pressão, peso etc.

Não espere nada muito sofisticado nem “personalizado”.

A primeira ultra sonografia acontece apenas na 12ª semana, quando fazem uma avaliação do desenvolvimento do bebê, e testam a possibilidade de doenças genéticas (síndrome de down e mais algumas outras).

Uma coisa que as vezes “choca” as mães Brasileiras de primeira viagem é que como na Inglaterra o aborto é 100% legalizado, rola todo um papo sobre suas “opções” caso o resultado dos exames não seja positivo – então cabe a cada mãe e cada pai a decisão sobre o que fazer daí pra frente.

Se tudo correr bem, a partir da 12ª semana de gestação você terá 1 consulta com a midwive por mês até a semana 36, quando as consultas passam a ser a cada 15 dias; e se sua gestação passar das 40 semanas, as consultas passam a ser semanais (e em alguns casos, a cada 2 ou 3 dias).

A sua única outra ultra sonografia será na semana 20, quando avaliam a formação física do bebê e onde os pais tem a opção de descobrir o sexo.

Aqui não existe exames de “sexagem fetal” nem nada do estilo, mesmo no sistema particular, e descobrir se o bebê é menino ou menina só mesmo na 20ª semana – e se o bebê cooperar (se o bebê estiver de pernas cruzadas ou numa posição onde não seja possivel ver o sexo, os pais tem que esperar até o nascimento do bebê pra descobrir, ou então fazer uma ultra num hospital particular. Mas o comum aqui é que ninguém descubra o sexo do bebê mesmo de qualquer maneira).

Ou seja, em uma gestação normal e saudável, a grávida não se consulta com um obstetra uma única vez, e é atendida pelo time de midwives de seu hospital (cada consulta será uma pessoa diferente, para que você se familiarize com toda equipe).

Quando você entrar em trabalho de parto, será atendia por uma das midwives (que provavelmente você já conheceu em alguma das consultas), que são também responsáveis pelo parto. Os Obstetras só entram em cena em casos de emergência.

E aqui na Inglaterra, parto é parto. Todos são normais, e de preferência o mais natural possível.

Cesáreas são consideradas “cirurgia de retirada de bebê”, e nunca chega a ser uma opção, a não ser que realmente exista um risco muito grande para a mãe e/ou bebê. Alguns fatores podem ser encarados como complicadores do parto normal, mas a decisão por uma cirurgia só acontece quando a mãe entre em trabalho de parto, ou nas semanas finais da estação (como por exemplo cordão umbilical enrolado no pescoço, bebê de cabeça pra cima, gêmeos, bebê grande, etc. Todos são vistos como “complicadores”, porém não são motivos suficientes para fazer a mulher passar por uma cirurgia abdominal).

Eu tive o privilégio de experimentar os dois lados do sistema de saúde na Inglaterra, e confesso que por ser mãe de primeira viagem e estar acostumada com os padrões Brasileiros (e o Aaron com padrões Americanos) de saúde, toda essa cosia de não ter obstetra, exames superficiais, não fazer ultras etc, me assustava um pouco, então fiz todo meu pré natal e parto pelo sistema privado.

E por aqui, pelo menos no meu plano de saúde, o sistema funciona igual ao Brasil: eu consultei meu ginecologista no inicio da gestação, fiz todos os exames necessários de sangue e hormonal, fiz a primeira ultra na 7ª semana para confirmar a gestação e batimentos cardíacos do bebê, e dai pra frente fiz uma ultra por mês.

Mais ou menos no 4ª mês, meu ginecologista me encaminhou para um Obstetra e prosseguimos com o pré natal normalmente.

Por sorte, meu Obstetra atende em vários hospitais particulares em Londres, então na reta final (7ª mês) eu resolvi trocar de hospital, para ficar mais perto de casa, então tive que refazer alguns exames e voltei a misturar um pouco o lado do NHS com o particular (a quem interessar possa: fiz meu pré natal no Portland Hospital, mas resolvi ter a Isabella na Lansdell Suite do St Thomas Hospital – uma ala particular dentro um hospital público – pois achei que a infra estrutura num caso de emergência seria mais completo).

Quando entrei em trabalho de parto, fui direto para o hospital, onde pude ficar relaxando com o Aaron enquanto esperava o parto progredir (no NHS a gestante só pode dar entrada no hospital quando já esta em trabalho de parto avançado, com contrações a cada 5 minutos pelo menos), com acompanhamento das midwives e do Obstetra.

De modo geral eu achei a experiência o máximo, e tanto no lado do NHS quando no particular fui muito bem cuidada, e gostei demais do estilo que os Britânicos (e Europeus em geral) encaram a maternidade e principalmente o parto.

A maioria das mulheres sonha e opta pelo parto normal sem anestesia (lembrando que a cesárea não faz parte do leque de “opções” e só acontece em casos muitos específicos), então o sistema é preparado pra isso.

Somos encorajadas a fazer um “birth plan” (“plano do parto”) onde é estabelecido seus desejos e prioridades, desde qual música você quer ouvir durante o trabalho de pato, a intensidade da luz, até decisões mais “sérias” como anestesia, episiotomia, opções de emergência (as mulheres aqui fogem MESMO da cesárea, então temos várias opções de intervenções e “ajudas” médicas para facilitar o parto normal), quem vai cortar o cordão umbilical, se o bebê vai ser examinado antes ou depois da primeira mamada etc, etc.

Eu optei pela anestesia peridural, mas ainda assim, a anestesia aplicada nos hospitais Ingleses é conhecida como “walking epidural”, ou a “peridural andante”, pois é aplicado apenas a dose mínima do anestésico, então elimina toda dor, mas sem eliminar a sensação do parto.

Então apesar de não ter sentido dor nenhuma em momento algum, eu pude andar pelo quarto, ir ao banheiro quantas vezes quis, usei a bola de pilates, as barras de apoio, etc e fiquei bastante ativa durante todo o parto, o que ajudou demais a passar o tempo e progredir com as contrações, dilatação etc. Mas ao mesmo tempo eu conseguia sentir tudo que estava acontecendo “dentro” da minha barriga – sabia quando estava tendo uma contração (sem dor, mas sentia a barriga ficando dura), sentia ela se mexer, quando a cabeça foi abaixando etc. E na hora de empurrar, também conseguia sentir cada contração, o que ajudou a focar meus esforços, saber quando respirar, quando empurrar, quando parar etc. O médico e as parteiras iam me guiando, mas foi sensacional conseguir participar “ativamente” do parto.

Não existe experiência igual!! Só tenho memórias maravilhosas daquele dia/noite e já mal posso esperar pelos próximos partos!

Foi cansativo, claro. No total, entre a bolsa romper e a Isabella nascer foram 21 horas de “trabalho”, sem comer ou dormir direito, mas foi o que meu corpo precisava para se preparar para aquilo tudo.

Eu também aceitei/optei por receber hormônios artificiais (oxitocina) para acelerar as contrações/dilatações, pois as horas estava passando rápido demais e o parto não estava progredindo de acordo. E como a regra aqui é que a mulher só pode ficar em trabalho de parto por 24 horas depois que a bolsa estoura, não quis arriscar ter que acabar numa mesa cirúrgica depois de passar tantas horas “trabalhando”. Mas gostei que no fim das contas, a opção foi minha. Poderia ter esperado mais algumas horas, e quem sabe, tudo teria progredido normalmente, sem intervenções nem hormônios artificiais. Mas naquele momento foi o melhor pra mim e minha filha, pois estava ficando cansada e não queria arriscar estragar o momento.

A fase de recuperação pós também é diferente entre o NHS e particular, pois a grandíssima maioria dos hospitais públicos, a mulher é transferida para uma ala pós parto, que são enfermarias divididas com outras mulheres e seus bebês (os hospitais Ingleses não tem berçários, e seja público ou particular o bebê SEMPRE fica com a mãe desde o primeiro segundo de vida). Portanto não há privacidade, as visitas são limitadas e o pai da criança ou parceiro(a) da mãe não podem ficar junto.

Se o parto não tiver complicações e o bebê nascer durante a manhã/dia, a família volta pra casa no mesmo dia (uma amiga voltou pra casa 6 horas depois que sua filha nasceu – sem anestesia e num parto na agua. Ela preferiu se recuperar em casa do que na enfermaria do hospital).

No nosso caso, como estávamos na ala particular eu pedi pra passar mais uma noite (estava muito cansada e com muito medo de voltar pra casa e ser responsável por um bebê! hahahahah), então eu e o Aaron passamos um total de 3 dias e 2 noites no hospital (o 1ª dia em trabalho de parto, e 2 dias e 1 noite já dividindo o quarto com a Bella!).

Mas o surpreendente mesmo é depois que o bebê nasce e achei o serviço prestado pelo NHS incrível!

Entre as primeiras 24 e 48 horas depois que a mãe e bebê voltam pra casa nós somos visitadas por uma midwife e/ou Health Visitor, que a cada 3 ou 4 dias vem visitar a mãe e o bebê para se assegurar que esta tudo bem na recuperação e adaptação da nova família.

Elas pesam o bebê, examinam a mãe, conferem amamentação, informam sobre alimentação, vacinação do bebê, depressão pós parto e o que mais mãe/pai/bebê precisem!

No nosso caso foi crucial pois a Isabella perdeu muito peso depois que nasceu, então a midwife vinha nos ver a cada dois dias (mesmo no dia que a cidade parou por causa de uma nevasca ela apareceu!), me orientou em relação a amamentação, como cuidar do umbigo, dar banho, colocar pra dormir, etc, etc, etc, até tudo estar 100% normal, o que só aconteceu com quase 3 semanas. E lembrando que a Isabella nasceu no auge do inverno, na semana mais fria do ano (na sua primeira semana de vida nevou 4 dias seguidos!), e só o fato de não ter que sair de casa com um bebê recém nascido abaixo do peso no frio foi uma alívio!

Esse apoio do sistema público de saúde foi fundamental para uma recuperação tranquila, amamentação bem sucedida e um bebê saudável!

Depois disso, na 6ª semana pós parto fizemos (eu e Isabella) um check up com o GP (General Practice, ou o clínico geral que é o médico de família de seu bairro) e eu também tive um check up com o Obstetra.

Daí pra frente, uma vez por semana (e agora que ela esta mais velha, uma vez por mês) vamos na “baby clinic” da clínica do bairro medir/pesar e fazer um check up geral e conversar com as Health Visitors.

Uma coisa estranha é não ser consultada por um pediatra, e sim um clínico geral ou enfermeira (a não ser que você tenha plano de saúde), mas eles fazem uma triagem inicial e se algo não estiver bem, seu bebê é encaminhado para a pediatria do hospital de seu bairro.

No sistema privado, funciona como no Brasil: você leva seu bebê uma vez por mês no pediatra, pode ligar de madrugada, fazer perguntas bobas sobre a cor do cocô e o que mais quiser :-)

 

Não sei se minha experiência teria sido tão positiva se meu pré natal e parto tivessem sido 100% pelo NHS, mas o pouco que vi, gostei bastante da filosofia “gestação-parto-pós parto” que eles tem aqui, em ambos os lados do sistema, e fico um pouco decepcionada com as estatísticas de parto no Brasil.

Agora só me resta esperar que minha próxima gestação seja tão saudável e tranquila quanto a primeira e que mais uma vez eu possa ter um parto normal, natural e sem complicações!

 

Categorias: Gravidez, Pessoal, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
72
21
Dec
2012
Licenca Maternidade no UK
Escrito por Adriana Miller

Nos ultimos meses muita gente me perguntou detalhes e me pediram pra contar como funciona a Licenca Maternidade no UK. Eu fiquei sem tempo, e ai enrolei, enrolei… mas como hoje eh meu ultimo dia de trabalho por muito e muitos meses, achei que seria uma boa finalmente falar um pouco sobre isso.

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Pra comecar um esclarecimento, pois sempre ouco por ai o pessoal falando sobre “la fora” ou “na Europa”, como se todo o continente pudesse ser classificado como uma coisa soh.

Por aqui, temos paises com politicas otimas, porem a maioria esta na media mundial ou ate mesmo um pouco pior.

Ok, que nao da pra comparar com a politica familiar vergonhosa dos EUA por exemplo, mas muito se engana quem esta no Brasil e acha que “na Europa” a coisa eh muito melhor! (quem acompanha o blog ha um tempinho deve lembrar que minha dissertacao de mestrado foi justamente sobre a licenca maternidade nos EUA!)

Na verdade, tirando os paises Escandinavos e o Reino Unido, a politica Maternidade/Paternidade dos paises Europeus eh bem homogenea – a maioria dos paises oferece apenas cerca de 4 meses para maes e 2 semanas para pais. Ou seja, praticamente o mesmo oferecido na iniciativa privada no Brasil, por exemplo.

O que varia entre um pais ou outro eh justamente os “plus a mais”, ja que no geral a Europa eh bastante generosa com politicas “familiares” e a lei trabalhista tende a ser muito amigavel a familias e o balanco vida/trabalho dos trabalhadores.

Entao em alguns paises eh possivel passar anos trabalhando em meio periodo para cuidar das criancas (e alguns paises ate oferecem seguranca de emprego durante esse periodo, entao trabalhar a menos pra cuidar da familia garante que vc nao seja demitido), outros paises permite que voce amplie a licenca familiar por um certo periodo nao remunerado, e por ai vai.

Ja na Inglaterra especificamente, as leis trabalhistas nao sao tao protecionistas quanto em alguns paises Europeus (principalmente os paises Latino-Europeus), mas a licenca maternidade e paternidade estatutoria (a garantida por lei) ja comeca bem mais confortavel que seus vizinhos Europeus.

Pra comecar que por lei, maes tem direito a 52 semanas de licenca (um ano completo) e pais tem direito a 26 semanas (6 meses) de licenca paternidade.

Mas eh claaaaro que nem tudo eh tao lindo e simples assim, e apesar de termos o direito de tirar ese tempo todo de licenca, a grandissima parte desse periodo eh nao remunerado, oque significa que a maioria das pessoas tira apenas uma fracao desse periodo.

E o grande variante eh justamente seu empregador, e obviamente sua situacao financeira e familiar.

Se voce trabalha para uma boa empresa (geralmente as multinacionais) com politicas generosas de Recursos Humanos, a sua empresa vai oferecer um “top up” no seu salario, garantindo X meses de licenca remunerados. Ou se a renda familiar se segura numa boa com apenas 1 salario, entao a coisa tambem fica mais facil por mais tempo.

Mas a lei, no papel funciona assim:

Licenca Maternidade:

A Licenca Maternidade na Inglaterra dura 52 semanas e eh dividida da seguinte maneira:

6 semanas iniciais onde o National Insurance (o equivamente ao nosso INSS ou Seguranca Social) paga 90% do seu ultimo salario – caso voce esteja trabalhando – ou entao te da uma “bolsa auxilio” de £125 Libras por semana (caso vc nao esteja trabalhando, mas seja contribuinte e pague impostos).

Depois dessas 6 semanas iniciais, a mae ainda tem direito a mais 33 semanas, totalizando 39 semanas chamadas de “Ordinary Maternity Leave”. Essas 39 semanas (mais ou menos 9 meses) eh o periodo “Pago” da licenca, porem o Governo so paga uma bolsa auxilio semanal, que para o ano fiscal 2012/2013 eh de apenas 125 Libras por semana, ou cerca de 500 Libras por mes.

Depois desse periodo, a mulher ainda tem direito a mais 13 semanas (mais 3 meses) de “Additional Maternity Leave”, onde ela retem todos os seus direitos trabalhistas porem eh um periodo de licenca nao remunerado.

Ou seja, para a grandissima maior das pessoas, nao eh possivel viver na Inglaterra com um salario de 500 Libras por mes, ainda mais considerando os custos extras de um bebe pequeno, e portanto a muitas mulheres voltam a trabalhar 3 ou 4 meses depois do nascimento do bebe.

Porem, se voce trabalha para uma boa empresa na iniciativa privada, com certeza voce tera direto a “Occupational Meternity Leave”, que eh um beneficio privado e facultativo a definir por cada empresa, que complementa seu salario durante parte ou a totalidade do periodo de sua licenca maternidade “Ordinary”.

Tenho varias amigas gravidas aqui na Inglaterra no momento, todoas com bons empregos em empresas multinacionais, e as politicas de suas empresas variasm entre 3 meses de licenca paga a 9 meses de licenca paga – mas a media do mercado eh pagar pelo menos 6 meses de salario integral.

Licenca Paternidade:

Em 2010 o governo Britanico mudou suas leis de Licenca Paternidade e os homens agora tambem tem direito a tirar ate 26 semanas de licenca paterndade, porem, assim como a licenca maternidade, as regras (e o pagamento) nao eh assim tao generosa quanto parece ser.

O padrao do mercado eh que apenas a primeira ou as 2 primeiras semanas apos o nascimento do bebe sejam remuneradas. Depois disso, as 24 semanas seguintes sao classificadas como “Ordinary Paternity Leave”, e assim como para as mulheres, os pais passam a ter direito apenas a receber uma bolsa auxilio do governo de 125 libras por semana.

Alem disso, qualquer semana (alem das 2 semanas iniciais) tirada pelos pais, eh descontada das semanas da licenca da mae. Ou seja, se o pai da crianca requisitar tirar 26 semanas de licenca, a mae da crianca so tera direito a 26 semanas, em vez do ano todo.

Ainda ssim eh bom, ja que daria a oportunidade a ambos os pais terem uma participacao igualitaria na criancao dos filhos durante os primeiros 6 meses de vida da crianca (Ou os 12 primeiros meses, caso o pai e a mae nao saiam de licenca ao mesmo tempo. Eque eh a intencao da politica), mas em termos praticos, o corte na renda familiar faz com que o beneficio nao seja muito utilizado – e sem falar no preconceito que ainda rola em relacao a homens que querem participar tao abertamente na criacao dos filhos a ponto de abrir mao da carreira por 6 meses.

Afinal, por mais que as mulheres reclamem de um certo “preconceito” em relacao a oportunidades de carreira e tal, essa ausencia eh bem aceita e ate mesmo esperada, mas ja os homens nao tem a mesma vantagem.

No outro dia eu estava conversando com uma colega aqui no RH, e dos quase 10 mil funcionarios que meu banco tem na Inglaterra, desde a mudanca da lei apenas 1 unico homem pediu licenca paternidade!

No nosso caso em particular a empresa do Aaron so paga por 2 semanas de licenca paternidade, entao eh apenas esse periodo que ele vai tirar pra ficar em casa 100% comigo. E apesar de que ele negociou um periodo de trabalhao mais “leve” e sem viagens nos primeiros meses, seu chefe (que eh Alemao) ficou horrorizado com a sequer possibilidade de que ele teria direito a pedir 6 meses de licenca! Ou seja, essa possibilidade foi de cara descartada, pra nao colocar sua carreira em risco.

E na minha empresa eu tenho direito a 6 meses de salario integral durante minha licenca, entao o padrao eh que mulher nenhuma volta a trabalhar antes dos 6 meses iniciais.

Eu dei aviso previo de 1 ano, so por via das duvidas, e potencialmente poderia ficar um total de 15 meses de licenca – considerando que minha data prevista de retorno eh dia 29 de Dezembro de 2013, e ainda tenho 6 semanas de ferias em 2013 e mais 6 semanas de ferias em 2014. Entao caso queira, ou precise, poderia ficar de licenca maternidade ate o inicio de Abril de 2014!!! Coisa de louco!

Mas na realidade, estou me preparando psicologicamente pra voltar a trabalhar la pra Setembro ou Outubro do ano que vem, e ja negociei com meu chefe que quando voltar, provavelmente voltarei num esquema flexivel, trabalhando 2 ou 3 dias em casa por semana, e os outros 2 ou 3 dias no escritorio ou viajando., e usarei parte das minhas ferias para trabalhar em esquema part time, mas recendo salario integral por mais uns meses.

Por sorte o Aaron conseguiu negociar o mesmo esquema com a empresa dele, e quando eu voltar a trabalhar ele tambem vai ficar em casa 2 ou 3 dias, e assim poderemos organizar nossas rotinas de trabalho e viagens a trabalho de maneira que nossa bebe nunca fique uma semana inteira sozinha em casa com a baba sem um dos pais sempre em casa durante o dia, garantindo que esta tudo bem, nem teremos que manda-la pra creche com 6 ou 7 meses de vida (que eu ainda acho muito noviha pra mandar pra creche).

Como isso tudo vai se desenrrolar na pratica, so o tempo dirah (sera que vou querer voltar a trabalhar antes de outubro, ou vou acabar querendo ficar de licenca ate Abril do ano seguinte?! Vamos nos acostumar com baba, ou vamos acabar preferindo uma creche?!), mas esse eh o plano no momento e esses sao nossos direitos e beneficios.

Entao tenho me sentido incrivelmente sortuda e felizarda de morar num pais que respeite tanto os direitos familiares, e por trabalhar numa empresa tao generosa em suas politicas e beneficios, onde nao terei que escolher entre uma carreira ou o bem estar de minha filha.

 

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29
23
Nov
2012
Acao de Gracas 2012
Escrito por Adriana Miller

Todos os anos nos tentamos ir visitar a familia do Aaron nos EUA nessa epoca de fim de Novembro, pra comemorar o feriado Americano de Acao de Gracas.

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Esse ano, por motivos de forca maior, nao pudemos ir, mas ainda assim nao deixamos a data passar despercebida!

Alem disso, ja que nao podiamos viajar nessa epoca, minha sogra aproveitou o feriadao e veio passar uns dias com a gente aqui em Londres.

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Ano passado eu falei bastante sobre esse feriado e os motivos pelo qual eu gosto batante dessa epoca e seu simbolismo – e esse ano, mesmo nao estando in loco nos EUA, nos temos TANTOS, mas TANTOS motivos pra comemorar e dar gracas, que nao queriamos deixar passar em branco!

O evento foi pequeno, com a BFF Tati de convidada de honra, mas mesmo depois de um longo dia de trabalho e reunioes, ainda conseguimos preparar um menu tipico da data!

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Ao redor da mesa, o assunto foi unanimidade: em 2012 sem duvidas somos muito gratos pela nossa baby, uma gravidez e bebe saudaveis e uma vida inteira pela frente de sonhos e realizacoes!

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Mas claro, em se tratando de Americanos, oque seria do Acao de Gracas sem o Black Friday, certo?

Entao a sogra ja chegou em Londres empolgadissima com a primeira netinha e trouxe nada mais nada menos que uma malona inteira soh de roupinhas de bebe! Foi praticamente um cha de bebe meets Black Friday fora de epoca!

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Entao valeu ne? Porque se tivessemos ido na Black Friday de verdade, cm certeza essas seriam exatamente as mesmas coisas que comprariamos… entao ja que nao fomos na Black Friday, a Black Friday veio ate nos!

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8
21
Feb
2012
Shrove Tuesday – O dia da panqueca
Escrito por Adriana Miller

Enquanto os paises ao sul do equador estao se esbaldando no Carnaval, a vida aqui na Inglaterra segue exatamente a mesma…

Se nao fosse por uma notinha minima no jornal de ontem, com uma foto de alguma piriguete semi-nua desfilando no Carnaval do Rio, anunciando o Carnaval, esse acontecimento teria quase passado despercebido…

Mas assim como a grandissima maioria dos paises cristaos, o Reino Unido tambem tem seu proprio ritual de comemorar a terca feira gorda e a quarta feira de cinzas – que nao importa o quao animado estava o bonde eletrico, ou o quao afinada estava a bateria no recesso da Sapucai, o motivo do aue eh o mesmo: o ritual de meter o peh na jaca proverbial nos dias que antecedem o periodo de 40 dias da quaresma, um periodo de reflexao e sacrificio cristao que antecedem a Pascoa.

Aqui na Inglaterra, esse periodo sempre foi historicamente ligado a periodos de jejum e sacrificio, entao a terca feira que antecede a quarta feira de cinzas eh conhecida como Shrove Tuesday (algo do tipo “terca feira anti desperdicio”) e eh o dia em que os Ingleses comem paquecas!

Entao o restaurante da empresa ja esta todo decorada com tematica de paquecas, e ano passado ate mesmo a “princesa” Kate Middleton teve uma de suas primeiras aparicoes oficiais pre-casamento na festa da Shrove Tuesday na Irlanda do Norte, virando paquecas como ninguem, que ocupou todas as capas de jornais daquela semana!

Mas porque panquecas?

Historicamente o Inglaterra e os paises do Reino Unido sempre foram muito pobres e com recursos limitados. Entao farinha, ovos, leite e gordura eram os principais ingredientes da alimentacao de qualquer familia proletaria.

E se voce juntar todos esses ingredientes numa frigideira oque sai? Pancakes! (que numa traducao tosca, significa “bolo de panela”).

Entao esse era a refeicao final que as familias Inglesas faziam antes do periodo de “Lent” (jejum), e portanto utilizavam todos os seus ingredientes que nao durariam mais de 40 dias armazenados.

Entao esteja voce pulando Caranaval ou nao nesse terca feira, aproveite mais uma desculpa pra encher a barriga de panquecas!

P.S. Eu ja postei aqui minha receita preferida de paquecas “tipicas”, aquela que fica bem fofinha e gorducha!

 

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15
13
Jul
2011
É dando que se recebe
Escrito por Adriana Miller

Ontem eu participei de um evento super legal aqui em Londres, organizado pela ONG EBP e ELBA com o programa “Head to Head”. Então passei minha manhã toda fazendo trabalho voluntário numa escola pública para meninas de origem “étnica” no Leste Londrino.

O Leste de Londres, tem umas areas super legais e trendy, mas é tambem considerado uma das areas menos “Inglesas” e mais barra pesada da cidade. É ali que se concentram comunidade de imigrantes (muitas vezes ilegais) e quase sempre que lemos em jornais sobre violência e guerra de gangs, provavelmente o problema aconteceu no lado leste da cidade. É ali tambem que tem o maior índice de desemprego do país (na casa dos 15%) e a maior concentração de famílias vivendo de benefícios do governo.

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As pessoas até brincam que se largarem um turista em plena Commercial Road (uma das principais avenidas da região), você ia jurar que estava em Dhaka (capital de Bangladesh) e não Londres… Homens de turbante e mulheres de burca é uma cena mais comum por ali doque em muitas regiões do Oriente Médio, por exemplo.

Na verdade essa é uma região que em sua grande maioria é bem “familia”, mas o problema mora justamente por eles serem fechados em suas comunidades, limitanto seu acesso a educação, empregos e oportunidades melhores, oque consequentemente faz com que essa região de Londres esteja entre as mais pobres do pais. Eu fiquei até meio chocada de ler os relatórios e os fatos que a ONG mandou, pois é dificil de acreditar que numa cidade como Londres exista tanta gente vivendo em condições sub-humanas.

Então eu tentei me envolver em programas onde au poderia realmente usar minhas experiências pessoais e profissionais pra ajudar alguém, e me inscrevi no programa de “mentoring” da escola “Mulberry”, que é uma escola secundária pública que atende apenas meninas no bairro de Whitechapel.

Eu fiquei imaginando que ia chegar num CIEP caindo aos pedaços, e me surpreendi de encontrar uma escola moderníssima, limpíssima e com todos os aparatos tecnológicos possiveis.

Logo de manhã cedinho tivemos a primeira reunião com o diretor da ONG e o Reitor da escola que nos deu uma breve explicação sobre o perfil das meninas que íamos conhecer, e o porque desse programa, e porque a ajuda é tão importante.

Quando eu falei do meu voluntariado no Twitter, me perguntaram oque seriam “meninas étnicas”, e o único motivo pelo qual eu fiz essa distinção, é porque infelzimente, em paises de “1ª mundo” como a Inglaterra, geralmente a pobreza e a falta de oportunidade são exclusivas das minorias raciais.

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Portanto essa escola atende apenas meninas de descendência Bengali, Paquistanesas, Afegãns e Indianas – não por seleção, mas porque a escola fica – fisicamente –inserida no coração da maior comunidade Bangladeshi e Paquistanesa de Londres, em Whitechapel. Tanto que o uniforme da escola (na Inglaterra, ao contrario de outros paises Europeus ou EUA, as escolas públicas usam uniforme) foi adaptado para atender a cultura das alunas, e hoje em dia nada mais é que uma burca, ou túnica com lenço cobrindo a cabeça (o uniforme “normal” de uma escola Inglesa típica é um terninho, tipo Harry Potter).

E foi justamente por isso que quis fazer parte dessa ONG e me voluntariar nesse programa – as alunas da escola Mulberry fazem parte de uma comunidade e uma cultura onde mulher não tem vez. A idade média das meninas que conheci era de 15 anos, e todas tinham responsabilidade dupla de cuidar da casa, dos irmãos mais novos, cozinhar, lavar, passar. E ainda por cima, muitas delas já eram casadas! Eu me surpreendi inclusive de ver que apesar de todas serem nascidas e criadas em Londres e terem frequentado escolas Inglesas a vida toda, elas vivem numa comunidade tão fechada, que nem sequer consideram Inglês como sua língua materna, e muitas delas inclusive tinham sotaque fortíssimo. Então essas meninas não só vivem numa das regiões mais “marginalizadas” da cidade, como ainda por cima fazem parte de uma comunidade onde elas não tem “modelos” femininos que as possam ajudar, instruir, conversar – oque muitas vezes significa que elas não terao oportunidade de ter uma vida melhor doque a vida de suas mães, avós, tias, etc.

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O meu papel no programa foi em ajudar as meninas da série 10 (equivalente ao 2º ano do 2º grau no Brasil) a escreverem currículos e se prepararem para entrevistas de trabalho e estágio (o curriculo escolar na Inglaterra é bem diferente do Brasileiro e Portugues, e a escolaridade obrigatória só vai até o ano 11, então muitos alunos fazem cursos profissionalizantes ou estágios no último ano de escola), alám de dar a elas uma oportunidade de conversar com mulheres (tambem tinham alguns homens no programa, e todos são bem vindos a ajudar) fora de sua comunidade, que possam responder perguntas que não fazem parte de seu “mundo”.

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Muitas delas queriam saber, por exemplo, como era Canary Wharf e oque acontecia mesmo dentro de um banco, e se a gente via dinheiro o dia todo!

Podem parecer perguntas bem bobinhas, mas elas sao meninas no auge da curiosidade da vida, vivendo numa cidade fervilhante como Londres e mal sao permitidas de sair de casa!

Então além de um bate papo informal, eu dei dicas de como organizar um CV (quando não se tem experiencia nenhuma), como se comportar numa entrevista e o tipo de pergunta e resposta que elas deveria estar preparadas pra responder.

Foi incrível ver que algumas meninas super, super inteligentes, com notas A e A+ em todas as materias que acham que não podem fazer faculdade porque são mulheres!

Uma delas queria ser decoradora de interiores, e me perguntou se meus pais tinham sido contra minha escolha de carreira (oque me deu a enteder que os pais dela não apoiam a idea dela de ter um emprego); e uma outra menina que estava me contando do quanto ela gostava das aulas de mídia, de editar filmes e musica, pintar posters de filmes, desenhar etc, quando eu perguntei/sugeri que ela deveria estudar propaganda e marketing, ela simplesmente ficou me olhando como se eu estivesse falando Grego com ela!

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Foram varias horas de conversa com meninas super simpáticas e educadas, e muito bate papo e dicas sobre não ter medo de conversar olhando nos olhos de alguém (todas se comportavam incrivelmente submissas, principalmente com os voluntários homens), de sorrir e sobre ter vontade de aprender mais sobre o mundo e outras oportunidades em suas vidas.

E pra mim foi uma lição de vida também, um momento de reflexão onde mais uma vez me dei conta de como eu sou sortuda nessa vida, de dar graças a Deus por ter pais e uma família maravilhosa que sempre me apoiou nos meus sonhos e ambições, que souberam me instruir e me prepararam pra vida no mundo real.

Me dei conta de como existe gente diferente no mundo, e mesmo num bairro tão pertinho, por onde eu ja passei tantas vezes achando graça das lojinhas de burcas, existe uma realidade tão diferente da minha e tanta gente que não teve as mesmas oportunidades que eu.

Recebi essa foto tirada pelo diretor do programa, junto com uma notinha de agradecimento.

E quem sabe daqui a muitos anos uma dessas meninas vai se tornar uma mulher feliz e bem sucedida, dentro ou fora de sua comunidade, e vai lembrar que um dia, quando ela tinha 15 anos, ela conversou com uma moça Brasileira que deu algumas horas de seu dia pra conversar, dar conselhor e dicas, que podem, quem sabe, um dia ajudar a transformar sua vida!

 

 

 

 

 

Categorias: Dia a dia, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
38
15
Dec
2010
Meu Peru nao morreu na vespera V
Escrito por Adriana Miller

Esse fim de semana fizemos a 5ª edição da nossa festa de natal “casa longe de casa”, onde convidamos nossos amigos expatriados (e não só) para uma ceia de natal – as atrações da noite são sempre o peru assado e a arvore de natal!

Eu adorei a festa esse ano, apesar de ter sido bem diferente! Quando a festa acabou e todos nossos convidados já tinham ido embora (antes da meia noite!!! Primeira vez que issoa contece) ficou aquela sensação de que “É… somos gente grande!”. Dificil explicar, mas foi legal sentar em volta da mesa com um grupo de novos velhos amigos!

O unico problema é que fiquei tao entretida nos bate-papo que praticamente esqueci de tirar fotos a noite toda!

Outra coisa que gostei da festa esse ano é que finalmente a festinha foi um jantar civilizado! Teve bastante comida (já teve anos em que a galera só trouxe birita!), as meninas se cordenaram pra trazer otimos acompanhamentos pro peru, ninguem quebrou anda (milagre) nem ninguem ficou trebado tomando shots “exoticas” na cozinha!

Quem sabe ano que vem a festa não fica gente grande o suficiente a ponto de servir o jantar em prato de verdade!

O peru mais uma vez ficou otimo (eu sei que sou modesta), e nao sobrou nenhuma migalha das sobremesas!

Mal acabamos de arrumar a casa pós festa, já estou animada pra festa de 2011!

Categorias: Amigos, Natal, Vida no Exterior
29
11
Oct
2010
Justiça com as proprias mãos
Escrito por Adriana Miller

Ha uns meses atras quando finalmente resolvemos nos mudar e achamos nosso atual apartamento, nós sabiamos que teriamos que gastar muito tempo, dinheiro, sangue, suor e lagrimas pra fazer o apartamento ficar com a nossa cara.

Depois de alguns anos pulando de canto em canto, queriamos um apartamento que no minimo nos desse uma sensacao de permanencia (o maximo possivel com apartamentos alugados…), e que estavamos em casa.

Quando começamos a procuar um flat novo nossa exigencia era que fosse um apartamento sem moveis (por aqui a grande maioria das casas e apartamento de aluguel já vem mobiliados), coisa que desistimos logo logo – e quando finalmente achamos esse aqui, nos apaixonamos pela localização, pelo predio e pelo apartamento; mas tinha um probleminha… O flat já vinha mobiliado, com os moveis mais feios que já vi na vida!!!

Ok, ok, não era tão ruim assim, e o lugar é cheio de potencial, e passado o choque inicial da cortina de veludo que combina com o lustre, os quadrinhos de ponto de cruz e as flores de plastico, me dei conta que podiamos, relativamente facil, fazer muitas pequenas reformas simples que iam completamente transformar o apartamento.

E é justamente nessas pequenas reformas que que temos gastado todo nosso tempo e energia nas ultimas semanas.

Ainda nao tem nada pronto, nem nenhum ambiente finalizado (porque né, haja tempo e dinheiro!), mas pouco a pouco vou postando aqui esses projetos e mini reformas que fizemos, eh incrivel como apenas algumas pequenas mudancas ja mudaram drasticamente o ambiente.

E como muita gente pediu, aqui estão minhas fontes de inspiração em tudo que é relacionado a casa, decoração e reformas:

- http://londondesigns.blogspot.com/ – A Helo saca tudo de design de moveis, e o blog dela eh uma fonte inesgotavel de inspiracoes! Ela tambem eh adepta ao faca voce mesmo, e dah otimas ideias de arrumacao e organizacao!

- http://livinggazette.com/blog/ – O blog da Barbara tem muitas fotos com inspiracoes “tematicas”, tudo isso em montagens magnificas.

- http://www.apartmenttherapy.com/ – Outro blog de inspiracoes, dessa vez, americano com otimas ideias pra quem mora em apartamento ou ambientes pequenos.

- http://www.younghouselove.com/ – Os reis do DIY (faca voce mesmo). Esse casal de Americanos reformou a casa inteira com as proprias maoes, e montaram um blog justamente pra isso, pra registrar o passo a passo de como refizeram cada canto de sua casa.

- http://littlegreennotebook.blogspot.com/ – Blog de uma decoradora Americana cheia de imagines e inpiracoes – a maioria de suas combinacoes sao “too much” demais pro meu gosto, mas aqui e acola ela da otimas ideias de como fazer qualquer coisa dar certo (e como ela mora numa casa alugada tambem, ela da otimas ideias semi-permanentes de como mudar um ambiente sem ter que quebrar paredes).

Eu gosto principalmente dos blogs que tem muitas fotos com inspira̵̤es, sejam de outras casas, de lojas ou paginas de revistas Рe assim como varias areas de vida (carreira, moda, viagens) ̩ ao ser exposto a esse tipo de informa̤̣o que fui identificando pouco a pouco oque gosto e oque nao gosto, como gostaria que fosse minha casa ou nao, oque combina comigo ou nao.

E gosto tambem dos blogs gringos porque eles sao mais “mao na massa”. Geralmente blogs de decoraçao Brasileiros sao meio “Olha que lindo: mandei fazer”, porque né, no Brasil é super simples encontrar um marceneiro, pedreiro, eletricista, pintor ou seja lá oque voce precisa fazer na sua casa por preços acessiveis.

Aqui, infelizmente não é assim. Então se vc quer mudar alguma coisa na sua casa, voce tem que fazer justiça com as proprias maos, comprar pincel, furadeira e martelo e mandar ver.

O resultado com certeza nao é tão bom, nem tao profissional, mas a economia realmente compensa, sem falar na satisfação de pouco a pouco ir transformando sua casa, dando voce mesmo seu jeito.

Tá dando um trabalho desgraçado, mas estou adorando a experiencia, e tanto eu quanto o Aaron estamos nos saindo uns DIY-ers muito melhor que a encomenda!

Como por exemplo essa banqueta que estava perdida num canto randomico da casa.

Um movel que eu jamais teria comprado pra minha casa. O formato, a madeira, as cores… sem falar no tecido manchado, sujo. Esse beije-amarelado circa 1976.

Tentamos esconde-la num canto nao-visivel da casa – o problema é que estavamos tentado fazer isso com coisas demais, e acabamos decidindo que valia mais apena fazer as pazes com certos itens e dar um jeito de incorpora-los no nosso “ideal” doque simplesmente lotar nosso armarios de trambolhos.

Entao compramos um tecido novinho, com uma estampa moderninha que combinava perfeitamente com a decoração do hall de entrada do apartamento. Comprei tambem uma pistola de grampeador (que diga-se de passagem virou minha melhor amiga!), tesoura e adesivo de tecido e mandei ver.

Em menos de meia hora de sangue, suor e lagrimas, voilá!

Um movel praticamente novo, e que nao deixou minha casa com aquela sensação de que assaltei um azilo.

Perfeito nao esta (afinal quem fez foi eu! Sozinha!), e adoraria poder tambem dar uma lixada na madeira, talvez pintar de outra cor… mas como o movel nao é meu, não rola.

E o melhor de tudo ̩ que todas essas pequenas reformas que estamos fazendo podem ser facilmente desfeitas Рafinal nem a casa nem os moveis ṣo nossos, e um dia teremos que devolve-los ao dono original, enṭo pra nao ter problemas no futuro, tudo pode ser facilmente desfeito para seu estado deploravel inicial.

Categorias: Lar doce lar, Vida no Exterior
17
22
Jun
2010
Up, down, pull and go!
Escrito por Adriana Miller

(Em cima, em baixo, puxa e vai!)

Tem muita gente me perguntando sobre como esta sendo a copa aqui na Inglaterra, e eu sempre fico sem muito oque contar.

Jah eh minha segunda Copa por aqui, e acho que jah desencanei da fissura dos Brasileiros…

Obviamente, como eh de se esperar, por mas que os Ingleses gostem bastante de futebol, estao looooonge de ser a doenca-nacional que acontece no Brasil. Quando comentei que no Brasil a maioria das pessoas nao trabalham no dia/turno do jogo, me olharam como se eu fosse louca e o pais um bando de irrepsonsaveis… afinal, como assim uma empresa para soh porque a selecao tah jogando?!

Entao a empolgacao vai mais de cada um e seu nivel de apreciacao do esporte. E para os Brasileiros em particular, isso depende tambem de sua inclinacao a gostar de todas as coisas samba e suor da comunidade Brazuca em Londres. Eu to fora, mas tem quem goste.

Entao o primeiro jogo assisti sozinha em casa, e o proximo jogo acho que nem vou assistir, por que cai no meio da tarde estarei trabalhando…

Mas em compensacao, no jogo de domingo, me juntei a um grupo de Brasileiros e simpatizantes pra fazer uma churrascada e assistir o jogo!

E copa do mundo a parte, o churrasco foi muito, muito divertido! Assistir o jogo no final do dia, foi apenas um mero detalhe…

Pra comecar que fizemos questao de um menu anti-gringal e nao teve um unico hamburger pra contar historia!

Encomendamos picanha, coracao de galinha, a Quezia fez pao de queijo, salada de batata e molho vinagrete!

E logicamente, umas 5 jarras de Pimm’s que desceram que nem agua…

E Tim Tcheeeeeeeeeam*!!!! Pra Copa do Mundo!!!!!

Como o tempo esta otimo (= nao estava chovendo, e com a temperatura na casa dos 20 graus) aproveitamos o jardinzao, enquanto o Argentino pilotava a churrasqueira, eu e a Helo tentavamos convencer a Quezia a comprar uma Lay-z-Spa (onde Marina seria nossa manicure-pedicure particular), e aproveitamos a deixa entre um “Tim Tcheeeeeam” e outro pra escandalizar o Brett (Ze para os intimos) mostrando pra eles os videos toscos de funk Carioca…

Num momento “This is just wrong!!!” quando a mulher melancia chegou na velocidade 5!

Tim Tcheeeeeeeam pra Mulher Melancia!!!

Foi uma daqueles dias de chorar de rir, ateh ter dor de barriga! E assistir o jogo com a Helo de comentarista (ela vai negar, mas quem a segue no Twitter – @HeloRighetto – vai entender) foi o auge!

Categorias: Amigos, Vida no Exterior
51
11
Mar
2010
S.A.L. – Estudar Full time ou part time em Londres?
Escrito por Adriana Miller

 A Carla me mandou um e-mail com algumas duvidas sobre os cursos de mestrado e Pos graduacao em Londres. Na verdade ela nao foi a primeira, e como jah dei algumas dicas e respostas em e-mails e comentarios que se perdem ao longo do tempo, resolvi escrever outro post de Servico de Atendimento ao Leitor, o SAL.

(…) Ainda não consegui decidir se eu deveria fazer o curso full ou part time, e por isso resolvi te escrever, pra te pedir umas dicas.
Tenho dúvidas do tipo: qual a média de livros que se lê numa semana? qual o suporte que os professores dão para os assignments/essays? as informações são claras, a gente consegue saber exatamente o que é pedido nesses trabalhos?

Vamos por partes.

Pra comecar, vou explicar um pouco a diferenca entre os cursos full time e part time nas universidades Inglesas (que eh bem parecido com as Universidades Europeias em geral).

Um curso full time (periodo integral) eh quele em que, teroricamente, o aluno eh estudante em tempo integral. Nao sobra, nem deveria sobrar tempo pra mais nada. Nao sobra tempo de fazer uns bicos durante a semana, nao sobra tempo de viajar nem de festejar muito.

Por isso tambem que o governo dah uma serie de benficios fiscais para alunos de cursos Full Time, como isencao de alguns impostos, acesso a emprestimo estudantil (Student Loan) e visto de estudante. Sao pequenas cosias que facilitam a vida de quem nao tem tempo de fazer mais nada na vida, a nao ser estudar.

A grande maioria dos cursos na Europa seguem essa linha, pois aqui nao rola muito a cultura de fazer estagios, trainee etc durante seu curso. Estudante foi feito pra estudar e nada mais. Programas de estagio soh aceitam candidatos durante os meses de verao, e programa de trainees soh aceitam candidatos jah formados.

Para ganhar uma graninha extra, os estudantes Europeus trabalham durante os meses de verao ou nos periodos de ferias escolares (natal, pascoa, spring break etc). Mas a grande maioria eh sustentada pelos pais ou pegam emprestimos estudantil do governo (e passam o resto da vida – literalmente – pagando o emprestimo. O Aaron ainda esta pagando o dele, e ainda faltam tipo mais uns 15 anos!).

Porem ser aluno de um curso full time nao significa que vc vai passar 40 horas semanas na sala de aula.

Na verdade a carga horaria pode variar bastante entre um curso e outro, uma materia e outra. Mas por via de regra, os horarios sao bem “espalhados” ao longo da semana e podem mudar constantemente (um mes vc tem aula as 2- de manha, 2- de tarde, 4- o dia todo, 5- livre e 6- na hora do almoco. No trimestre seguinte, tudo muda), ou seja, nao dah pra se preogramar a a fazer outras coisas (trabalhar, por exemplo) que exigam um comprometimente de medio e longo prazo.

Mas principalmente a regra numero UM de estudos Universitarios na Inglaterra eh: o numero de horas de dedicacao “independente” eh diretamente proporcional ao numero de horas na sala de aula.

No meu caso por exmplo, temos 6 horas de aula por semana (pois fiz um curso part time). Oque significa que cada aluno deverah dedicar pelo menos 6 horas extras para estudar por conta propria.

O mesmo curso em programa full time tem cerca de 12 horas semanas de aulas (espalhados em diferentes horarios e dias) e se espera que os alunos dediquem pelo menos mais 12 horas de estudos por conta propria.

A mesma regra vale para cursos part time (meio periodo). Nao eh porque o curso nao eh em programa integral, que voce terah muita flexibilidade.

Na minha universidade por exemplo, para o mesmo mestrado existe o programa full time, o part time e o part time business school (que eh o que eu fiz). A principal diferenca eh que o part time business school tem aulas a noite, e tem uma serie de pre requisitos para que os alunos possam ser aceitos no programa – o princpal eh jah estar inserido no mercado de trabalho, pois a grande maioria dos projetos/trabalhos que temos que fazer sao baseados em nossas proprias experiencias e empresas. Ou seja, o nivel de exigencia para os alunos eh mais alta, para que o nivel de exigencia dos professores seja mais baixa (jah que eles sabem que os alunos terao menos tempo para “estudar por conta propria” jah que todos trabalhamos full time e nossos cursos sao pagos pelas empresas que trabalhamos).

Jah o curso part time “normal” tem aulas durante o dia, em horarios aleatorios, e exige uma dedicacao “independente” ainda maior, para compensar a falta de experiencia profissional.

Em realcao aos livros lidos por semana, isso tambem depende muito de cada professor, cada materia e cada curso.

No caso da Carla ela quer fazer um curso de Direito, que eu imagino iria exigir muitos livros a serem lidos por semana.

Uma amiga fez um curso de moda, e nao tinha que ler muitos livros, mas em compensacao tinha que fazer projetos “reais” praticamente todas as semanas, oque consumia 100% do seu tempo livre (fazendo pesquisa, visitanto ateliers, costurando, colando solados, produzindo desfiles, e afins).

No meu caso algumas materias tive que ler muitos livros (Employment law principalmente!), mas outras materias liamos alguns artigos por semana, outras materias foram baseadas em pesquisas de campo (entreviats e questionarios e pesquisas a serem apresentados e discutidos todas as semanas).

Quanto aos trabalhos e projetos propriamente dito, a teoria eh sempre a mesma: alunos de nivel de mestrado devem ser independentes o suficiente para se desenvolver sozinhos.

No meu curso, cada materia tinha uma media de 2 projetos por trimestre: geralmente 1 Essay e um Business Case. Ambos os casos as instrucoes sao simples, coisa de 1 frase com um tema, ou deixando o tema livre para escolha. (no caso da dissertacao, voce ainda tem que inventar seu proprio tema “inedito” a ser pesquisado).

Os professores sao bem prestativos (bem… quase todos) e dao algumas dicas, mas a mensagem geral eh “alunos de mestrado tem que saber fazer suas proprias pesquisas, proprias referencias e formular suas proprias ideias”. Entao o resumo da opera eh que eh cada um por si.

Eu nunca tive ajuda negada (apenas da supervisora da minha tese!!), mas em compensacao, os professores sao os mais vagos possiveis nas ajudas, pois eles querem mesmo eh testar sua capacidade de pesquisar e de formular ideias e temas.

Alem, disso, o padrao e expectativa em relacao a qualidade dos trabalhos eh altissima, como jah contei em outros posts (sobre notas, plagiarismo e prazos), e nao existe segunda chance, ninguem quer saber dos seus problemas pessoais e outras dificuldades que voce possa ter (nao entender direito a lingua, ser novo no pais, morte de parente, divorcio, doenca, falta de dinheiro, etc). Regras foram criadas para serem cumpridas, e ponto final.

O meu mestrado foi, e esta sendo um otimo aprendizado de vida pra mim. Alem das aulas, dos professores super fera, a troca de experiencias com outros alunos do mundo todo, com as mais variadas experiencias de vida, esse mestrado ainda me ensimou demais a ultrapassar meus limites, seguir e respeitar as regras e mais que nada dar muito valor a fazer as cosias bem feitas.

Uma experiencia absurdamente diferente de qualquer outro curso (universitario ou nao) que jah tenha feito na vida, e as licoes que aprendi vao muito alem dos livros e projetos.

Mas quando digo que nao eh pra qualquer um, nao eh exagero. Aprendi muitas coisas legais, e hoje em dia estou aprendendo a dar valor pra isso, mas em compensacao sobreviver a esses dois anos deixou alguns traumas (hello tese!), e sinceramente eu nao teria aguentado o tranco num programa full time, mesmo se nao estivesse trabalhando – eh informacao demais o tempo todo e minha capacidade de absorcao tem um limite.

Antes de comecar meu mestrado achei que ia ser a maior moleza! Aulas 2 vezes por semanas, 6 horinhas semanais. Afinal isso nao eh nada pra quem estudou na UERJ tendo aula de manha (e mais algumas aulas a noite) e fazendo estagio a tarde toda; ou depois de ter estudado na Complutense de Madrid tendo aulas 4 noites por semana e trabalhando todos os dias entre as 8 e 4 da tarde!

Como estava enganada! O esquema aqui eh bem diferente, o nivel eh bem mais alto (e bota BEM mais alto nisso!) e a exigencia nem se compara. Mesmo.

Sei que muitos alunos internacionais nao tem opcao de escolher entre part time e full time (pois vistos e bolsas de estudo soh sao concedidas para alunos full time), mas pra quem tiver escolha, meu voto e conselho eh sempre optar pelo part time. Vai demorar o dobro do tempo pra voce conseguir terminar, mas em compensacao vc tambem tera a oportunidade de ter uma vida propria em paralelo e tera o dobro do tempo pra aprender tudo!

Categorias: Estudos, S.A.L., Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
27
14
Oct
2009
Vida expatriada
Escrito por Adriana Miller

Ha umas semanas atas rolou uma blogagem coletiva organizada pela Cica falando sobre a vida de expatriado. Os amores e desabores de morar no outro lado do mundo.

Estou super atrasada, e na verdade nao escrevi nada ateh agora porque simplesmente achei que tudo que tinha pra falar sobre o assunto, jah tinha sido dito ao longo desses 5 anos e meio de blog e por muitos outros blogueiros.

Alem disso, esse eh um tema que acho muito dificil de falar sobre (e quanto mais escrever!). Sem motivo algum em especial, mas simplesmente nunca sofri com esses “dilemas” do eterno expatriado.

Quando eu resolvi voltar pra Europa, de vez e sozinha, comprei uma passagem com volta pra dai a 1 ano, mas bem no fundo sabia que as chances de um dia voltar ao Brasil eram semi-nulas. A vontade de morar lah nunca existiu, nem nos anos em que morei no Brasil, e achava dificil que um dia isso mudasse.

Os anos foram passando, a vida se estabilizando, e a cada dia que passa a vida vai ficando mais e mais “normal” e a nao ser que alguem me pergunte “dah onde vc eh?”, essa nao eh uma questao que me faca constantemente.

Uma das perguntas mais frequentes que ouco eh “E ai? Nao vai voltar nao?”. “E ai? Jah se adptou?”. “Ah, mas e a familia? Como vc aguenta?”. “E a comida? E a manicure? E a faxineira? E o calor? E o frio? E? E?”.

No outro dia quando estava na casa da Helo estavamos conversando sobre essa coisa de adaptacao, e um dos primeiros sinais de que vc virou “local” (seja lah onde quer que vc esteja) eh quando alguem vem te visitar e perguntam “quer que leve alguma coisa?” e sua mente vira um braaaanco…

“Doque que eu sinto falta mesmo?”. Eu nem sei. Geralmente minha mae quando vem me visitar todo ano tras as mesas coisas: feijao preto, farofa, pao de queijo, Havaianas e biquine. Nao que eu de fato sinta falta de nenhuma dessas cosias no meu dia a dia, mas acho que isso faz parte do “pacote” amigo/familiar expatriado, e coisas que todo mundo acha que TODO Brasileiro morre de saudades. Afinal quem consegue viver sem feijao e farofa?!

Doque eu sinto saudades mesmo? Meus pais, minha irma, minha avo… Minhas tias e primos e minhas amigas.

Por isso digo que morar fora nao eh coisa pra fracos… na melhor das intencoes!

Jah recebi alguns e-mails pedindo ajuda e conselhos sobre a vida fora do Brasil, e as pessoas que morrem de vontade de ter uma experiencia fora, sao geralmente as que mais “inventam” desculpas e motivos pelos quais adiam seus sonhos e suas vontades: minha mae nao vai aguentar viver longe de mim, sou filho unico, minha avo tah velha, tenho um bom emprego, etc, etc etc.

Mas quem sou eu pra julgar alguem? Como dizem por ai, cada um sabe a dor e a delica de ser quem eh.

Acho que pensando bem eu me adaptei super bem logo nos primeiros dias, a cada nova mudanca, me readaptei novamente bem. Pelo simples motivo de que eu vim pra ca porque quis!! Fiquei e ainda estou aqui porque foi isso que quis e ainda quero!

Ninguem me obriga a estar em lugar nenhum, entao oque adianta ficar reclamando dos Ingleses (ou Italianos, Espanhois, Portuguese e Brasileiros) o tempo todo?
Tambem nunca fui aquele tipo de imigrante que depois que sai do Brasil passa a achar que a vida no Brasil eh que era boa! E vive num eterno banzo, porque lah eh que era bom… Entao porque nao volta?

Ok, ok, cada um tem seus motivos, e muitos gostariam de voltar mas nao podem, oque nao eh meu caso.
Eu tento ser o mais realista possivel, vejo e reconheco todas as coisas muito boas e muito ruins da Inglaterra, assim como vejo todas as coisas muitos boas e muito ruins do Brasil. Nao sei se tenho vontade de um dia voltar, assim como nao sei se tenho vontade de passar o resto da vida por aqui.

Quanto a familia, amigos e afins, isso a gente vai levando. Nunca me faltaram amigos em lugar nenhum do mundo, se bater saudade da picanha e do feijao preto, em todo canto tem um restaurante Brasileiro pra chamar de seu, e para se manter proximo da familia, basta um pouco de criatividade!

Jah se foi o tempo quando moravamos em Portugal e recebiamos cartas das tias 1 vez por mes, telefonemas apenas em ocasioes especiais porque era tudo carissimo, etc.
Hoje em dia, acho ateh que converso mais com meus pais doque quando morava na casa deles, e passavamos dias sem nos ver e sem nos falar…. Agora eles sabem de tudo na minha vida (hello blog, fotolog, twitter, flickr e afins!), conversamos por e-mail quase que diariamente, temos nossas conversas semanais por Skype e ateh minha avo de 77 anos adora Skype!! As vezes nem temos nada pra conversar, mas fico on line, com a webcam ligada, eles me colocam no banquinho da sala e ficamos conversando, brincando com o cachorro, lendo jornal, e eu vou fazendo minhas coisas, todo juntos, “deitados” na sala num domingo a tarde.

Isso sem falar que agora, mais que nunca minha familia esta aqui! Casei, um dia terei filhos, minha casa e assim reiniciar o processo!

Realmente eh triste quando acontece alguma coisa ruim e nao posso estar lah perto, ou quando perco casamentos e festas de aniversario, almoco de domigo e festa de natal mas confesso que sou bem egoista, e vivo minha vida pra mim mesma. Cada um tem a obrigacao de se fazer feliz, e sou muito feliz com a vida que escolhi pra mim!

Fiz uma escolha entre viver minha vida e arcar com as consequencias (saudade, solidao, apertos e perrengues), ou ficar lah, vivendo a vida que todos acham ser a melhor e mais correta e passar o resto da vida imaginando oque poderia ter acontecido se tivesse arriscado mais!
 

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