04 Apr 2010
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Khan Al-Khalili e o Cairo Islamico

Cairo, Dicas de Viagens, Egito

O mercado Khan Al-Khalili definitivamente não é uma das areas mais bonitas do Cairo. Até mesmo como mercado Arabe propriamente dito nao tem a beleza do mercado de Instambul nem é tao autentico quanto o de Marrakesh. Mas perambular pelas ruas do bairro Islamico e se perder pelas ruelas do mercado é uma experiencia sem igual.

Na verdade, muitos turistas partem do principio que esse mercado será mais uma roubada-Egipcia, mas eu me surpreendi (pra melhor!) com a quantidade de locais andando pra cima e pra baixo, fazendo compras de verdade.

Existe uma pequena parte que realmente é mais turistica, onde em vez de tendas e lojas de roupas e especiarias, se encontra imã de geladeira em formato de esfinge ou peso de papel em formato de piramide. mas ainda assim, se voce pretende comprar souvenirs – ou qualquer outra coisa – da sua viagem ao Egito, aqui será provavelmente o melhor lugar para comprar qualquer coisa!

Muitas vezes me senti passeando em pleno Saara (no centro do Rio) numa sexta feira, hora do almoço vespera de Natal! Muita gente, muito caos, muito calor. Só que dessa vez, a gringa tirando foto close das especiarias sou eu!

Rapidamente virávamos atração da area. Apesar da segurança (Cairo tem indices de criminalidade baixissimos), os Egipcios encaram, sem o minimo pudor, como ninguem! Crinças ficam de queixo caido, adolescentes tiram fotos, marmanjos dão cantadas e até as mulheres (de quem em sua maioria só vemos os olhos) te encaram fixamente sem o menor pudor.

Apesar de ser extremanente turistica, Cairo é uma cidade que vemos poucos turistas nas ruas, andando meio sem rumo, entao quando aparecem dois (e suas cameras) perdido num beco no meio do bairro Islamico, pode ter certeza que a rua vai virar um circo!

Definitivamente não é uma situaçao que assuste, mas as vezes intimida, e entao ficamos indo e voltando, tentando evitar nos perdermos demais do caminho “turistico” da area.

Mas essa “raridade” toda acaba sendo uma grande vantagem, pois como não é taaaao turistico assim, os preços sao mais “normais” (para padrao Cairo) e o poder de barganha é bem maior.

No caminho do mercado, o motorista de taxi nos avisou: Quando te derem um preço, nunca pague mais que metade do valor inicial!

A concorrencia é acirrada, e vendedor nenhum vai dar bobeira de deixar um turista ir embora de maos abanando!

Eu acho que na verdade gosto desses mercados muito mais pela “arte de barganhar” doque pelas compras de bugingangas propriamente dita, e mato o Aaron de vergonha!

Compramos alguns presentinhos pra familia, enfeite de natal (pra minha coleção) e mais umas besteirinhas – e acho que no total nao gastamos mais de 20 dolares (incluindo almoço!).

Adriana Miller
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03 Apr 2010
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Se essas piramides falassem!

Cairo, Dicas de Viagens, Egito

Nao tem como começar um post sobre as piramides de Gizé sem antes passar por todo cliche sobre elas.

Um dos monumentos mais antigos do mundo, as unicas das 7 maravilhas do mundo originais ainda de pé e uma fonte inesgotavel de misterio. Mas apesar de todo hype, é impossivel nao pensar quase que automaticamente: “Como elas foram construidas?!”

Apesar dos seculos de pesquisa e possibilidades, a verdada é que pouco se sabe sobre elas, além de que na verdade foram contruidas com a finalidade de serem tumbas aos Faraos.

Nas ultimas decadas varias novas teorias tem surgido e já não se acredita que as piramides foram contruidas por Faraos malvados se aproveitando dos escravos, como é mostrado no cinema. Ha pouco tempo foi descoberto o “diario” de um dos responsaveis pela construçao, incluindo mapas, planos e calculos, que na verdade indica que a construção de cada uma delas fez parte um plano muito bem traçado, milimetricamente calculado (em relacao a altura, tamanho e peso dos “tijolos” de pedra e alinhamento com o sol e as estrelas) e utilizando mao de obra camponesa, que durante os meses de alagamento na margem do Nilo (que impossibilitava trabalho nas fazendas) arrumavam empregos na construção das piramides – e tudo indica que as pedras foram para lá tambem com ajuda da correnteza do Nilo.

Mas apesar das provas que existem (e continuam sendo decifradas) ainda existe uma legiao de pessoas e “cientistas” que se dedicam a tentar provar que as Piramides foram construidas por deuses, extra terrestres, astrologia, numerologia e afins.

É facil pensar que todas essas teorias mirabolnates sao uma grande besteira, mas chegar lá perto e ver com os proprios olhos as proporções das primaides, realmente fica impossivel nao imaginar que aquilo só pode ser obra de outro mundo!

Mas se as piramides falassem mesmo (e vissem e ouvissem), com certeza a primeira coisa que iriam a reparar hoje em dia é quantidade de trambiqueiros espalhados pelos cantos intimidando os turistas.

A pratica é assim: voce já ficam embasbacado da estrada, e se dá conta que na verdade as piramides estao no meião da cidade. Acho que não me choquei com a cena porque já tinha tanto ouvido falar nisso, que esperava muito mais. Esperava praticamente uma filial do McDonalds na base da piramide. Mas nao é bem assim.

E estradinha que passe entre as piramides não é uma rua “comum” com pessoas nao-turistica voltando do dentista ou dando uma passadinha no supermercado. É na verdade uma rua que conecta as 3 piramides, que na verdade estao bem longe uma das outras. E por mais que elas estejam realmente dentro de Cairo (na verdade o bairro é Gizé), ao mesmo tempo estao longe suficiente que em sua volta, tudo que se ve é o deserto. Talvez fazendo um esforcinho vc veja as casa em volta, mas a poluição é tanta que a cidade fica escondida na nevoa.

O complexo onde estao as piramides é enorme, e achei bem dificil de andar de uma lado pro outro. Como chegamos lá de maneira “independente”, ou seja, sem um carro, tour ou taxista nos levando de um canto pro outro, pagamos nosso tiquete (60 Libras Egipcias – mais ou menos 8 dolares – mas estudante paga meia) e saimos andando naquele sol de matar.

A primeira impressao que tive é que na verdade elas nao sao taaaao grandes assim, mas assim que vc resolve começar a desbravar a area, a pé sem uma sombrinha pra contar historia e caminhando na areia… ai sim nos damos conta da real proporção de cada uma delas.

Tentamos das umas voltinhas, sempre evitando os grupos de trambiqueiros alugando camelos, as crianças pedindo esmola e as mulheres vendendo cartão postal, mas acabamos nos dando por vencidos.

A area é realmente muito, muito grande. As piramides estao bem longe umas das outras e o sol do deserto é impiedoso, entao negociamos o preço de uma charrete que nos levaria pra dar uma voltinha entre as 3 piramides, com direito a paradas panoramicas para fotos e uma carona até a Esfinge. Essa voltinha na carrete custou 150 Libras Egipcias (mais ou menos 20 dolares), que eu tentei barganhar, mas já estava perdendo minhas forças (se bem que o preço inicial tinha sido 180), e aceitei que é uma daquelas situações que nao vale a pena brigar muito. Eu queria ir nas outras pirmides custe oque custar!

Uma das coisas que eu li sobre a Esfinge é que a primeira impressão que se tem ao ve-la é comparavel a experiencia de ver uma celebridade ao vivo pela primeira vez: fica fica encatado e hipnotizado mas ao mesmo tempo com aquela leve impressao que ela é menor doque voce imaginava!

Na verdade a Esfinge é gigantesca, mas sentadinha ali lado a lado com as piramides, realmente ela parece uma miniatura!

Diz a lenda que o nariza da esfinge foi destruido pelo exercito de Napoleão, e a barba – que caiu – foi restaurada e esta exposta no British Museum em Londres (junto com varias outras reliquias encontradas em outros monumentos….).

A maneira mais pratica de passear por Gizé é na verdade alugando um carro/taxi que vai ficar a sua disposição o dia todo e te levando de uma lado pro outro pela cidade e entre as piramides.

Nosso albergue se ofereceu pra organizar um taxi, mas achamos que seria furada e preferimos ir sozinhos, mas acabou que entre a furada que (quase) caimos pra chegar lá, mais o preço que pagamos pra andar de charrete, mais o taxi da volta, acabou siando bem mais caro doque a oferta inicial!

Pelo que vi, desaconselharia as grandes tours/city tour oferecidas por algumas agencias locais, porque a parada é uma industria mesmo! Vimos inumeros onibus e vans chegando e saindo na velocidade da luz, e mal dava tempo pro pessoal sair do onibus, posar pra meia duzia de fotos e já tinham que partir pra outra!

Acabamos passando grande parte do nosso primeiro dia no Cairo apenas nas Piramides (mais ou menos entre 10 as 14:00), e isso porque nao entramos em nenhuma delas (as filas estavam imensas)! Talvez tivesse dado pra fazer em menos tempo, mas acho que pelo menos 1/2 dia dedicado as piramides seria um desperdicio!

Adriana Miller
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02 Apr 2010
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Se a primeira impressão é a que fica…

Cairo, Dicas de Viagens, Egito

Nosso voo estava marcado pra chegar no Cairo bem tarde da noite, entao como precaução reservei um transfer do albergue para que alguem fosse lah nos buscar. E nosso voo ainda atrasdou mais de uma hora, pois o terminal 5 do Heathrow estava uma zona nessa vespera de feriado.

Pousamos no terminal novissimo do aeroporto de Cairo mas de cara senti que falatavam sinais de informação: pra onde vamos? Onde fica a imigração?

Eu sabia que tinhamos que comprar o visto, pago no desembarque, mas nao estava obvio o suficiente onde deveriamos faze-lo. Entramos na fila da imigração, os formularios para estrangeiros tinham acabado, e quando chegou a nossa vez o policial nos mandou de volta, pois estavamos sem o visto… Voltamos o corredorzão e entramos na fila do “Bank of Cairo” comprar nosso visto-adesivo por 15 dolares (que voce mesmo cola no seu passaporte).

Na saida nosso motorista estava a nossa espera, e depois de passar por varias vans, carros privados e semi-limousines, chegamos ao carro mais caindo aos pedaços do estacionamento. Onde colocamos as mochilas? No colo pq o porta malas nao abre.

O Aaron sentou na frente, e se deu conta que o cinto de segurança nao funcionava “Que isso meu amigo! Nao precisa de cinto nao! Eu sou bom motorista!”, ao mesmo tempo que ligava o radio na estação de musica arabe no volume maximo, abriu as janelas e ascendeu um cigarro!

Eu pensei com meus botoes que aquele era provavelmente o carro mais velho que já tinha visto na vida. Mas obviamente eu ainda nao tinha visto nada!

O Albergue fica bem no centrão de Cairo, a menos de 10 minutos da estação de metro e do Museu Arqueologico, e até que é bem “simpatico”. Simpatico na proporção que um albergue que custou cerca de 15 dolares por noite no norte da Africa pode ser!

Os unicos sustos foram as escadarias do predio centenario, que nao veem uma boa vassoura ha muitos anos; ah, e o banheiro, que é literalmente “dentro do quarto” (deixarei a foto falar por si. A camiseta foi minha toalha.).

Banheiro privativo dentro do quarto. Mesmo!

Mas serio, nao tem do que reclamar. A agua do chuveiro era quente, o ar condicionado gelado, a televisao pega BBC e a internet sem fio é de graça!

Ah! E já contei que esse preço inclui café da manha? Cha de menta, ovo cozido (haha), uns 3 tipos de pão, geleia de figo, polenguinho e falafel!

Fomos acordados cedo pela agencia que veio entregar o ticket de trem pra Luxor e aproveitamos pra começar o dia.

Primeira parada? E dá pra nao ser as Piramides de Gizé?!

Ficamos batendo papo com uma familia Canadense na salinha do albergue (um casal novinho que esta aqui com 3 filhos pequenos!) que nos ensinaram a pegar o metro ateh Gizé. Uma taxi custaria 60 Libras Egipcias, o metro custou 1 libra egipcia cada um!

A primeira furada do dia, acabou nao dando em nada, mas o Aaron começou a bater papo com um carinha no metro, e o papo foi enrrolando, enroolando, ele disse que morava em Gizé e ia nos ajudar a sair da estaçnao e pegar um onibus até a entrada das piramides.

Agora, eu tenho que confessar que sou uma turista bem antipatica! Nao tenho vergonha de barganhar preços, de dizer não a pedidos de propina, e principalmente nunca aceitar ajuda de estranhos “solicitos”, principalmente em paises famosos pelas roubadas.

Já o Aaron nao. Entrou numa de “nossa, como todo mundo no Cario é simpatico, nao?”. NAO! Para de puxar papo com a cara e vamos seguir nosso caminho.

Mas nao rolou. Na saida do metro uma multidão de taxistas voou em cima da gente, e esse cara ficou nos protegendo (tava praticamente rolando briga entre os motoristas!); atravessamos um avenida de umas 3 faixas (Pyramid Road) na unha e ficamos parados na beira da estrada esperando o tal do onibus.

Passaram uns 3, todos com sinais em Arabe, e nada. Até que um carro parou do nosso lado, e ele nos mandou entrar. Um carro, nao um taxi! Ainda tentei dar uma de desentendida do tipo “mas oque aconteceu com o onibus?”, e o carinha garantiu que o motorista era amigo dele e ia nos dar uma carona.

Era uma daquelas situações que voce fica entre a espada e a parede. Nao tinha como fugir da situação, e não dava pra evitar entrar no carro do amigo do carinha.

Agora imaginem os olhares de pavor que trocamos. Um carro caindo aos pedaços, os dois Egipcios conversando em Arabe, e eu e o Aaron sentados na ponta do assento, com a mao na maçaneta do carro.

Usei umas das tecnicas de viagem do meu pai, e abri o mapa, fiquei lendo as placas de rua bem explicitamente, tentando mostrar que sabia onde estava. (Obviamente nao tinha a menor ideia!)

Até que vi uma placa avisando a direção das piramides, e quando olhei pro lado esquedo… Tcharam! Lá estavam elas!!

Enormes, magnificas… e cobertas por uma nevoa de poluiçnao como nunca vi igual!

E entao o carro parou. O amigo-motorista nos indicou o caminho certo, nao aceitou nosso dinheiro e nos deixou na porta da entrada das piramides!

Entao em menos de 10 minutos, passarmos do pavor de nos jogar de um carro em movimento em pleno Cairo, a ter conhecido provavelmente um dos Egipcios mais legais e prestativos da cidade!

Dai pra frente foi só alegria, apesar do sol que parecia estar uns 178 graus direto na nossa cabeça!

Mas isso fica pra depois que eu baixar as fotos!

Adriana Miller
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