05 Aug 2014
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Ginkaku-ji: O templo Prateado e a Trilha dos Filosofos

Dicas de Viagens, Japão, Kyoto

Construido com a intenção de seguir os moldes (arquitetônicos) do templo Dourado Kinkaku-ji, o Ginkaku-ji, conhecido como “Templo Prateado”, parece ter esquecido de um detalhe: ele não é prateado!

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Mas na verdade, essa era a intenção original do projeto de 1482, onde o pavilhão seria forrado com folhas de prata, que acabou não acontecendo depois da morte do Imperador.

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Aliais, o templo nem sequer foi concluído, e o que vemos hoje em dia eh apenas sua construção parcial, mantido como visto pelo Imperador pela ultima vez antes de sua morte, e mantido assim por seus descendentes, de acordo com a filosofia “wabi-sabi” do ensinamento budista (que eh muito legal e vale a pena a leitura sobre! O Wabi-sabi prega que devemos aceitar a imperfeição das coisas, e que descreve beleza como uma coisa que seja “imperfeita, incompleta e não permanente” – ensinamento de ouro que o mundo ocidental esta precisando aprender a praticar!).

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Hoje em dia o apelido de “prateado” permanece, não por causa do templo propriamente dito, e sim por causa do jardim a sua volta.

A começar pelo Ginshadan, uma areai em tons de cinza e prateado e dominam a entrada do templo. Sabe aquelas bandejinhas de areia japonesas, que as pessoas comprar pra “relaxar”? Então, é tipo isso, soque numa tamanho mega.

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A perfeição do desenho das ondas da area são incríveis, que parece que vão mudando e “ondulando” dependendo do ângulo que você os vê.

E bem no centro esta o Kogetsudai, um “morrinho” feito da mesma areia e que simboliza o Monte Fuji.

E por fim o jardim a sua volta, com aquela perfeição de laguinhos, plantas, flores, e arvores minuciosamente podadas para criar um ambiente praticamente artificial, como se estivéssemos andando pelo set de um filme!

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Mas uma das principais atracoes do templo Ginkaku-ji eh na verdade o fato de que ele marca o inicio do caminho conhecido como “Trilha dos Filosofos”.

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O nome eh herdado dos estudiosos e filósofos que vinham estudar por lá, na beira do riacho e embaixo das arvores, mas essa area vira visita obrigatória em Kyoto durante a primavera, quando as Sakuras estão em flor, ou no outono, quando as folhas das arvores “Japonese Maple” se tornam incrivelmente vermelhas!

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A trilha completa, tem apenas 1 ou 2 quilômetros de distancia, mas nos passamos horas por lá, praticamente uma tarde inteira, pois o lugar realmente é incrível.

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Mas claro, não esqueçam que nos estivemos por lá bem na época das cerejeiras em flor, que foi um espetáculo a parte!

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Mas foi bem legal também ver de perto uma região mais residencial e menos “urbana” de Kyoto, ver casas de famílias Japonesas e entender um pouco melhor como as pessoas vivem por la.

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O caminho eh repleto de ruas paralelas que sobem as montanhas de Quioto e ponteado de outros templos – então foi difícil manter o foco e tentar chegar ate o fim sem nos distanciar demais do riacho, que marca a trilha principal.

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Acabamos desistindo de entrar em outros templos pelo caminho, so pra pdoer andar com calma e curtir essa trilhazinha – talvez esse passeio nao seja tao atrativo nem valha tao a pena em outras epocas do ano (afinal sao as flores das Sakuras que deram o toque especial), mas se sua viagem a Kyoto coincide com Primavera ou Outono, separe muitas horas pra passar por la!

 

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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04 Aug 2014
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Kinkaku-ji: O templo Dourado

Dicas de Viagens, Japão, Kyoto

Entre os cerca de 300 templos e palacios de Kyoto, sem duvida alguma, alguns merecem maior destaque que outros. E em qualquer lista de “coisas a fazer” ou “imperdiveis” no Japao (nao so em Kyoto) o templo Kinkaku-ji, um palacio indescritivel, situado no meio de um laguinho (Rokuon-ji) e jardim Japones, e como o nome indica, totalmente dourado.

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O impacto da primeira vista eh inegavel (ate porque estavamos recen saidos de uma longa e frustrante viagem de onibus no transito de Quioto!): se o paraiso for Japones, ele eh assim!

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O templo data de 1397, e seguindo o estilo arquitetonico na epoca no Japao, o paisagismo do jardim em sua volta, foi todo planejado como se fosse uma miniatura, dando uma maior enfase e grandiosidade ao pavilhao dourado.

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O resultado eh surpreendente: de qualquer lugar que voce olhe no jardim, o templo se sobresai, e suas paredes e telhado dourados sao um contraste com o verde do jardim.

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Eh quase impossivel nao querer ficar o tempo todo apenas em volta do lago, de frente pro pavilhao, mas todo o jardim segue uma trilhazinha, seguindo a filosofia e principios “zen Budista”, que foram minuciosamente seguidos pelo Imperador para sua construcao.

Mas nao se acanhe, a trilha no leva a um passeio pelo jardim, suas fontes e mini pagodas pelo caminho, ate chegar la em cima, na casa de chas do pavilhao.

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01 Aug 2014
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Kyoto na prática: a introdução

Dicas de Viagens, Japão, Kyoto

Já vou logo avisando: nenhuma viagem ao Japão esta completa sem uma passadinha em Kyoto!

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Eu A-MEI Tóquio, espero poder voltar outras vezes em minha vida, e sei que as vezes eu soei injusta em meus comentários sobre essa mega metrópole (pois todos os posts de Tóquio foram escritos no final da viagem, depois de conhecer Kyoto, então por comparação, acho que muitas das experiências me pareceram diminuídas pela comparação entre as duas cidades).

Mas não adianta: é em Kyoto, a antiga e milenar capital do pais, que esta o Japao “dos sonhos”: os jardinhs imaculados, os templos imponentes, as casinhas de madeira, e as Gueixas delicadas.

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Pra completar a experiencia, chegamos numa das melhores epocas do ano para se visitar o pais, em plena primavera, com toda exuberancia das Sakuras, as cerejeiras em flor, dando uma ainda maior sensacao de magica, e de exotico ate.

Mas por outro lado, a cidade Kyoto de 2014 nao é exatamente como eu imaginei nao!

Pra comecar que a cidade eh E-NORME!! Seu centro eh uma metrópole bem caótica, com ruas muvucadas e prédios altos, e a primeira vista nao da pra imaginar tudo de encantador que a cidade esconde!

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Todos os mapas e planejamentos de roteiro que fizemos foram por agua abaixo logo no primeiro dia na cidade, quando nos demos conta de como os mapas sao fora de escala, como o transito eh caotico, e como tudo eh tao espalhado e longe.

Navegar pela cidade foi relativamente simples, mas nao foi facil. Ao contrario de Toquio, Quioto nao tem sistema de metro, mas em compensacao tem um sistem de onibus muito completo, e de facil acesso e uso para turistas.

Como ja comentei em outro post, todos os dias nos compravamos um passe diario, que dava acesso a usar quanto onibus, quantas vezes quisessemos por dia, que foi super pratico e barato (o passe diario custa a mesma coisa que uma viagem de ida e volta, e de quebra voce nao precisa ter o troco exato-certissimo exigido pela maquininha dos onibus!).

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Junto com os passes diarios, pegamos tambem o mapa das linhas de onibus, super util e essencial pra andar pela cidade – foi nossa biblia!!

Os onibus de Quioto sao todos de 1 andar so, com entrada pela traseira, e todos tem uma area central reservada para cadeirantes, idosos e pais com bebe de colo, entao nao foi dificil viajar com a Isabella e seu carrinho, e sempre tinhamos um espacinho pra “estacionar” ela sem problemas.

Dificil mesmo foi mante-la entretida e de bom humor nas loooooongas viagens de onibus e no transito da cidade (as distancias entre um ponto a outro e de um templo a outro eram-  facil, facil – entre 40 minutos e 1 hora!! Fiqui passada como tudo era muito longe). Mas em compensacao o que nao faltavam era outros turistas ou Japoneses bem humorados e dispostos a fazer caretas, gracinhas e origamis para nos ajudar a mante-la entretida nas viagens!

O unico problema que tivemos em Kyoto foi o hotel. Nao sei se foi azar nosso, se a cidade estava mais lotada que o normal, ou se foi por causa da alta temporada das Sakuras, mas mesmo com meses de antecedencia, todos os hoteis da cidade estavam lotados! (e eu ja contei ne, como hoje em dia acho essencial ficar em bons hoteis quando viajamos com a Isabella para paises mais “diferentes” de casa).

So sobraram os extremos: os albergues tipo “pod” (onde voce nao tem nem um quarto, apenas uma “gaveta” com uma cama na parede!) ou as suites presidenciai$$ dos hoteis 5 estrelas!

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Por sorte, consegui achar um ultimo quarto em um dos hoteis da rede APA (super conhecida no Japao, e praticamente em cada esquina!), que a principio atendia a todas as nossas necessidades.

Meus requisitos para hospedagem em Kyoto seguiu todas as dicas que recebi de amigos que conheciam a cidade, e foram certeirissimas:

– Sempre se hospedar pertinho da estacao de trem, que eh o “centro” turistico da cidade. A estacao eh praticamente um shopping, com tudo! Muitas lojinhas, farmacias, mercados, restaurantes (asiaticos e redes ocidentais), e alem de , claro, ser nosso ponto de chegada e partida (podiamos ir andando, sem precisar de taxis ou onibus pra chegar no hotel) e em frente ao ponto central de onibus (oque facilita DEMAIS os passeios pela cidade).

Alem disso eu queria que fosse um hotel de uma boa rede, que tivesse restaurantes, etc.

Entao acabamos nos hospedando no hotel APA Horikawa-Dori, que atendia a todos os requisitos acima, mas no fundo, no fundo eu sabia que seria roubada, logo uns dias depois quando recebi um e-mail do hotel avisando que eu nao poderia utilizar o berco, pois nao cabia no quarto…

Eu ja fiquei em varios outros hoteis com quarto pequenos e apertadinhos antes, mas sabia que se um quarto estava sendo classificado como “pequeno” para padroes Japoneses, era porque a coisa ia ser feia! (eles tem outros quartos maiores tambem, mas quando fomos os unicos disponiveis eram os “pequenos”).

E nao deu outra! Seria comico se nao fosse tao tragico! Resultado: as malas nao cabiam no quarto, a cama encostava nas 4 paredes (entao nem deu pra usar o bercinho pra viagem que levamos), e a cama de casal era tao minuscula que nao coube meus 1,75m de altura + 1,80m do Aaron mais uma bebe no meio!

Resultado: eu dormi na cama com a Isabella e o Aaron acabou dormindo no chao do corredor (bloqueando a porta do banheiro!!). HAHAHAHAHA! TREVAS!!!

Quem gostou mesmo foi a Isabella, que ficava animadona pulando na cama, comia na cama e “dormia” comigo (mas alem de demorar horas pra pegar no sono pq ficava muito exitada com a situacao, ainda ficava se remexendo a noite todo e me “expulsando” do espaco!

Demos muitas gargalhadas e boas memorais em familia, mas foram 3 noites de muito perrengue!

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No total nos passamos 3 dias e 3 noites em Quioto, que foi de bom tamanho. Deu pra ver quase tudo que queriamos (logo no primeiro dia nos demos conta de que nao ia dar pra fazer tudo pq a cidade tem muita coisa e eh muito grande!), num ritmo bom, porem numa correria constante de onibus/taxis e horarios de abertura dos templos.

Mas nao teve problema. A cidade tem cerca de 300 templos, mas nunca foi nossa intencao chegar nem perto de fazer tudo isso! Ate porque, sejamos sinceros, tirando os maiores e principais (provavelmente uns 5 ou 7 templos), todos os outros sao muito parecidos, e rapidinho a gente enjoa de ver um templo atras do outro!

Nos proximos dias vou postar sobre os templos e regioes de Kyoto que visitamos em nossa passagem pela cidade, e no final de tudo organizo um roteiro certinho, assim como fiz para Toquio.

 

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