19 Jun 2015
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E o novo emprego, como vai?

Pessoal, Trabalho

Uns anos atras, da ultima vez que tinha mudado de empresa eu escrevi um post com um titulo parecido . Uma avaliacao geral da mudanca e uma reflexao sobre recomecar. Meu ultimo emprego foi uma grande mudanca de carreira e foi uma das melhores decisoes e experiencias que poderia ter tido na vida!

Dessa vez, a mudanca foi mais uma mudanca decisiva. Não foi intencional… Consultoria não era exatamente uma “meta”, mas quando a oportunidade bateu na minha porta, não pude deixar passar.

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O engracado eh que tecnicamente, no dia a dia do trabalho, nada mudou. Continuo fazendo exatamente oque fazia em meu antigo emprego, e fui recrutada justamente por causa desse conhecimento e “talento”.

Mas por outro lado, ter saido do ambiente de RH interno de um empresa e ter passado pro lado da consultoria, faz um mundo de diferenca!

A decisao foi tomada pensando no longo termo e futuro da minha carreira. Nas possibilidades de crescimento e ganhos potenciais. A curto prazo, a consequencia imediata eh que aceitei regredir. Foi uma daquelas decisoes onde damos um passo pra tras, já de olho em poder dar mais dois ou 3 passos la na frente.

Mas como assim?

Bem, eu passei de um cargo alto, titulo corporativo de encher a boca, gerenciando um departamento inteiro dentro de um dos maiores bancos do mundo. Gerenciava processos especificos em 25 paises em 3 regioes. Tinha uma equipe de 8 pessoas reportando diretamente a mim, e varias regalias confortaveis (hospedagem no Ritz de Paris? Quem não gosta, certo??).

Mas sou realista e RH eh um departament interno, de back office. Eh uma area que apenas “custa” para empresas, e geralmente não eh uma area que tenha muito destaque como um todo. Num momento de crise, geralmente são departamentos como RH, Marketing e outras firulas, que passam a ser dispensaveis, e não essenciais.

Entao apesar de que estava numa otima posicao, feliz e satizfeita, eu sabia que estava perto do “fim”. Talvez ainda subisse mais 1 ou 2 niveis ao longo da carreira e so! Não eh que eu ache que deveria ser CEO ou algo do tipo, não eh isso. Mas eu tenho 35 anos e 15 de carreira (10 em RH) e era meio desesperador pensar que ainda tenho pelo menos mais uns 15 ou 20 anos “uteis” de carreira, mas o fato de estar num departamento “interno” ia acabar me embarreirando e iria passar muitos, e muitos anos encalhada, fazendo a mesma coisa (JAMAIS conseguiria ser funcionaria publica gente!).

Entao essa ultima mudanca, e “cruzar a fronteira” pra consultoria, me abriu todo um leque de opcoes e possibilidades!

Apesar de que tecnicamente estar fazendo a mesma coisa (igual!) que fiz nos ultimos 2 ou 3 anos, o “mind set” eh diferente. Numa consultoria o que eu produzo, eh o que a empresa vende. Meu conhecimento gera vendas, gera lucro. Não eh que RH não gere lucro; mas eh um ganho dificil de contabilizar num departamento “interno”, em RH tradicional. Dificil explicar por 2 + 2 que as acoes e atitudes de RH de uma empresa possam vir a ter impacto imediato nos resultados da mesma. Pois esses resultados não são imediatos e nem diretos.

E apesar de continuar trabalhando com projetos de Recursos Humanos, eu não sou mais RH, não sou mais parte daquele departamento interno, que cuida dos pepinos dos funcionarios! Agora, sou expert de um conhecimento e “talento” especifico, e a cada novo projeto eu gero uma receita e um lucro especifico para a empresa, e isso eh sensacional! Pode parecer bobo pra quem esta de for a, mas faz uma diferenca incrivel pra auto estima!

Mas me rebaixei em titulo corporativo, já não gerencio minha propria equipe e acho que as mamatas serao drasticamente reduzidas.

Mas por outro lado, as possibilidades de crescimento interno e de ganho$ aumentou consideravelmente, e agora vejo todo um novo mundo de possibilidades na minha carreira, que antes, num departamento “interno” simplesmente não existiriam.

E claro, teve o lado pessoal tambem.

A remuneracao eh melhor, a flexibilidade de horarios tambem, e voltei a ir pro escritorio andando! Pura qualidade de vida!

E nunca pensei que ia gostar TANTO de não ter uma equipe tao grande pra gerenciar! Nossa, como eu gastava tempo, energia e saliva tentando administrar os problemas e o trabalho alheio! Isso vai mudar nos proximos meses, e voltarei a ter uma equipe, mas pelo menos por agora, estou adorando tanto tempo”livre”!

Mas enfim. Foi sem duvidas uma mudanca grande, e mais um grande passo na minha vida e carreira e estou muito feliz e orgulhosa de mim mesma!

Foi um grande risco, ainda que tenha sido um risco bem “confortavel” e facil, comparado com outras mudancas de rumo que já tomei no passado.

Mas nunca tive medo de reinventar, recomecar e mudar os rumos da vida, e esse foi apenas mais um!

E quem sabe? Talvez não tenha sido o ultimo!

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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04 Mar 2015
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O melhor ainda esta por vir!

Pessoal, Trabalho

Uns dias atras eu postei uma “frase feita” no Instagram que gerou varias perguntas e curiosidade. Na verdade essa coisa de ficar dando “indiretas” nas redes sociais, ou frases feitas com mensagens psicografadas não faz nada meu estilo, e cheguei a debater se deveria comentar alguma coisa aqui no blog ou não – afinal o site tem focado cada vez mais nesse lado de “turismo” e “viagem”, mas ao mesmo tempo não quero que ele deixe de ser um blog pessoal – minha vida, minhas experiencias, meus erros e acertos.

Então nas ultimas semanas eu tomei uma grande decisão profissional e estou saindo da empresa onde trabalhei por quase 5 anos, e embarcando num novo desafio, com uma nova empresa.

Por um lado a decisão foi fácil, pois estava precisando dar uma chacoalhada na vida e dar uma renovada (odeio me sentir “acomodada” com as coisas!), mas ao mesmo tempo os últimos 5 anos foram de muito trabalho, realizações e reconhecimento, e de fato adorava meu trabalho!

Nos últimos anos trabalhei para um banco de investimento onde aprendi demais, me desenvolvi demais e encontrei a “carreira dos sonhos”! Boa parte desse tempo eu realmente achei que trabalharia por la pro resto da vida!

Mas desde que voltei da minha licença maternidade, muitas coisas mudaram, ganhei um novo chefe e acabei caindo no buraco negro de concertar as bobagens que fizeram no meu departamento durante os 9 meses que fiquei de licença.

No inicio eu enxerguei isso como um desafio, uma empolgação a mais, mas depois de quase 1 ano e meio de “volta a vida real”, a troca na estrutura da empresa e do departamento e as más decisões tomadas pela diretoria acabaram me deixando muito desanimada #QuemNunca

Então 2014 foi um ano difícil no lado “pessoal” da motivação profissional, com uma nova rotina familiar, novas responsabilidades e novas prioridades de vida. Não sou o tipo de pessoa (e profissional) que gosta de fazer as coisas pela metade e tarefas meia boca. Se me proponho a fazer alguma coisa, quero fazer bem feito, ser a melhor e receber todo mérito e reconhecimento que mereça. Mas foram tantas mudanças na empresa no ultimo ano, tantas más decisões fora do meu controle, que meu desanimo foi lá para baixo.

E a gota final, era minha viagem diária pro trabalho. O que por muito tempo eu até que gostava (pois fugia do horário de rush de Londres), ou simplesmente não me incomodava (pois viajei muito mesmo e raramente estava batendo ponto do escritório), passou a ser um estorvo na minha vida, roubando minutos preciosos de tempo com a Isabella durante a semana e engessando demais nossa rotina de 2’ a sexta.

Ate que em outubro, no fim de um dia péssimo, recebi uma ligação de um headhunter, com a proposta que estava precisando ouvir!

Um emprego praticamente feito sob medida para mim, como consultora de projetos na área de RH internacional ara uma das firmas de consultoria “big 4”.

O processo foi longo e difícil, como eu imaginei que seria, incluindo muitas entrevistas, provas escritas e orais, apresentações, business cases e dinâmicas, com um total de 3 meses de processo!

No finalzinho de Dezembro recebi o feedback final que tinha conseguido a vaga, e ainda assim, demoramos mais quase 5 semanas para negociar contrato, termos, números e datas.

Ate que semana passada, dia 27 de Fevereiro de 2015, chegou meu ultimo dia.

Do banco estou levando uma bagagem profissional incrível, contatos para vida toda, e principalmente muita vontade de fazer mais, aprender mais e continuar subindo!

Mas qualquer recomeço é assustador, então apesar da ótima oportunidade “no papel” ainda estou morrendo de medo da mudança, de me arrepender, de ter tomado a decisão errada. Mas isso, só o tempo dirá!

O que importa é a sensação de ter começado 2015 com o pé direito e mergulhando de cabeça nessa nova oportunidade!

Essa semana estou participando de um programa de treinamento de imersão, semana que vem vou tirar uns dias de ferias, e ai sim começo esse novo desafio com energias recarregadas!

Não sei o que essa mudança vai significar para a vida “virtual” no blog (em termos de tempo, rotina, etc), mas não pretendo abandonar o hobby de escrever por aqui, e já tenho bastante coisa preparada para atualizar sobre os últimos meses.

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
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04 Jan 2015
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Festa das crianças!

Dia a dia, Isabella, Natal, Trabalho

Eu fiquei meio na dúvida sobre como categorizar esse post e onde encaixar no blog, mas não quis deixar passar em branco!

Uns dias antes do natal minha empresa organizou uma festa pros filhos dos funcionários, e claro que não pensei duas vezes em levar a Isabella!

Ao longo dos anos, e em empresas diferentes eu sempre adorei esses dias “traga seus filhos pro escritório” que muitas empresas por aqui fazem – acho tão legal ver o fascínio das crianças com a vida off-pai e mãe dos pais, e é ainda mais fascinante ver como certos colegas se transformam em situações assim (meu Diretor é super durão e certinho, mas no dia das festas das crianças ele é o primeiro a pegar o microfone, rolar no chão, pintar seu próprio rosto de princesa, etc! Acho o máximo!).

Além de lembrar como se fosse ontem de ir visitar meu pai em seus escritório quando eu era pequena com minha irmã!

Nossa, achava a máquina de café e o bebedouro pura mágica e fascínio! Hahahah

E fotocópia! Nooooosa!! Se meu pai deixasse eu passaria o dia todo fazendo cópias das páginas da revista “Manchete” #DenunciandoAIdade

Então eu e Bella acordamos cedo e nos arrumamos a caráter pra festa!

(eu sei que um dia ela provavelmente vai odiar todas essas roupinhas de natal que visto nela, mas gente, como resistir essa fofurice?!)

Já cheguei lá exausta! hahahahah Mas foi meio surreal ir pra estação de trem com ela, brincar no trem, contar as estações e etc.

E mal chegamos ela já se empolgou! Brincou de colorir, “ligou” pra vovó no telefone por horas e foi dando “hello” um por um dos meus colegas no escritório!

Uma coisa que eu adoro na Isabella é o quanto ela é simpática e cheia de auto estima e segura. Eu fui uma criança super tímida e morria de pavor de situações assim (crianças que não conhecia direito, apresentações de dança, festas grandes etc), e AMO que de tímida ela não tem nada!

Se jogou na dancinha “Gangnan Style” com as crianças maiores, foi dar “high five” no Papai Noel, sem o menor medo de nada!

Ela é sempre a primeira a levantar pra dançar e participa de qualquer brincadeira sem a menor cerimônia (mesmo as que não são exatamente pra sua idade! Ela não ta nem aí!)

E na hora que estavam chamando as crianças pra dar presentes e ficava indo de uma a uma perguntando/pedindo “Agora Bella?” – e quando o papai Noel chamou o nome dela… nossa, que felicidade! Saiu correndo e um abração no pobre coitado do estagiário que pegaram pra Papai Noel! Hahahhaha

Foi uma manhã deliciosa, e espero que façam outra ano que vem!

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16 Dec 2013
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SAL: Carreira Internacional, como fazer “valer a pena”?

Trabalho

A leitora Mariana me mandou um e-mail outro dia sobre carreira internacional, e achei que valia um post de “Servico de Atendimento ao Leitor”, que andava desaparecido aqui no blog!

Eu ja fiz varios posts sobre dicas de recursos humanos, e alguns outros esclarecendo duvidas sobre seguir uma carreira internacional, mas o que me chamou a atencao na pergunta da Mariana foi justamente o equivoco, ou a percepcao (errada) que as pessoas geralmente tem sobre a carreira.

Como conseguir uma carreira internacional de fato atualmente?

O ponto é que, com a tecnologia e a economia atuais, as empresas têm cortado cada vez mais os custos relacionados a tudo, especialmente com relação à “luxos” como viagens para funcionários. Tudo o que pode ser resolvido via skype, e-mail, telefone, etc. é de fato feito.

Aí vem a minha dúvida: aonde de fato pode-se conseguir cargos internacionais que valham a pena, em empresas que parecem mesmo estar dispostas a deslocar funcionários?

O banco em que você trabalha parece ser uma empresa nesse sentido. Não que alguém vá trabalhar em uma empresa só para ficar se hospedando em bons hotéis, afinal, o propósito é trabalhar, mas acho que você entende o que quero dizer. Na sua opinião, uma carreira internacional depende mais da própria empresa? Do cargo? E como procurar o cargo e a empresa certa? Porque pelo que vejo, como falei, não são todas as empresas que oferecem esse tipo de oportunidade.”

A duvida da Mariana tocou no principal equivoco de quem sonha com uma carreira internacional, seja la em qual area ela for. Aquele mundo de glamour, viagem mundo a fora, hoteis de luxo, reunioes high-profile em locais exoticos.

Mas claro, a realidade nao eh bem assim.

Ela tocou num ponto importantissimo: a realidade eh que no mundo de hoje, sao rarissimas as situacoes que realmente valem a pena uma empresa deslocar fisicamente um funcionario de ponto A ao ponto B.

Muito pelo contrario! Cada vez mais as empresas estao investindo fortunas em conectividade, tecnologia “remota” e afins, que diminuem o mundo, sem envolver viagens. Pois alem do custo obvio de uma viagem de funcionario, ainda existe o custo “nao contabilizado” de horas longe do escritorio, dificuldades de acessar sistemas, e todas as outras coisas “praticas” que atrapalham que um determinado trabalho seja feito no dia a dia de um funcionario “viajante”.

Entao se voce esta estudando e lutando por uma carreira internacional, pode ter certeza absoluta que voce passara seus dias sentado na sua mesa/cubiculo, logando em video-conferencias, participando em conference calls em horarios desumanos (sempre tem um lado do globo que sofre mais com o fuso horario alheio), correndo atras de prazos e deadlines que involvam diferentes horarios de trabalho mundo afora, e lidando com diferencas e conflitos culturais (que soam ainda mais exagerados quando todo mundo esta tentando se comunicar em sua segunda ou terceira lingua!).

Ou seja, o dia a dia de uma “carreira internacional” eh exatamente igual ao dia a dia de qualquer outra carreira domestica – e provavelmente ainda mais dificil, pois voce tera que lidar com dificuldades multi-culturais que seus colegas nao terao.

Eu por exemplo, que viajo bastante a trabalho, ainda assim faco 80% de meu trabalho remotamente, via e-mail, video, Blackberry, web conference, e o que mais estiver disponivel entre um pais pro outro, sem sair de minha mesa.

Mas e esses 20%? Como consegui estar na posicao onde estou hoje em dia, e ser  – literalmente – paga para viajar?

Bem, vamos dar um passo pra tras.

Tecnicamente eu ja trabalho “internacionalmente” a mais de 10 anos – por acaso ou nao, isso foi acontecendo aos poucos e eu fui agarrando as oportunidades, pois realmente sempre foi uma coisa que quis fazer e uma area que quis me especializar (ja contei mais sobre isso nesse post aqui).

E pensando bem, os primeiros 6 ou 7 anos dessa carreira internacional foram passados sentada atras de uma mesa, sem nunca colocar os pes pra fora da cidade (no maximo uma ou outra viagem – bem chatas! – a SP ou Rio Grande do Sul quando ainda trabalhava no departamento de exportacao de uma multinacional no Rio).

Mas indo direto ao ponto, sobre o que realmente fez a diferenca e transformar uma carreira internacional em de fato, internacional?

No meu caso, projetos.

Mais uma vez foi por acaso, nao tao acaso assim. Eu tenho uma base em economia e matematica (uma grande vantagem em relacao a meus colegas de RH que geralmente sao de humanas), e um “dom” com sistemas (#nerd).

Me da uma planilha de Excell e estou no paraiso! Se a planilha for extracao de um sistema, entao, melhor ainda! :-)

E sou organizada, adoro projetos. Adoro listas, e timelines, e tudo explicadinho passo a passo. Ah! E apresentacoes! Treinamento, reunioes, o que for. Nao tenho a menor vergonha de falar em publico.

E aos poucos isso foi me dando um “destaque” na area, e fui me envolvendo em projetos dentro de RH – e como ja trabalhava numa area internacional, dentro de RH,  muitos desses projetos acabavam envolvendo outros paises.

E assim comecou. E assim permaneci.

Ou seja, como disse acima, 80% do meu trabalho eh feito sentada na minha mesa, de cara pro meu computador, como todo mundo. Os outros 20% sao projetos.

Mas ai, o fato de viajar ou nao viajar entram varios outros fatores, mencionados pelo e-mail da Mariana.

Em primeiro lugar, porque projetos geralmente tem orcamentos especificos, que tendem a ser mais generosos que orcamentos de dia a dia. Entao quando o “projeto” demanda que eu esteja num determinado pais para uma determinada reuniao (ainda que a mesma possa ser feita por video conferencia, por exemplo), geralmente dinheiro nao eh um impecilho, pois o objetivo final eh o resultado do projeto (e quem trabalha com projetos sabe que muitas vezes – principalmente no inicio – o orcamento disponivel eh meio terra de ninguem, e se nao usar, perde!)

Todo o resto que eh BAU (“Business as Usual” em Ingles, ou dia a dia em bom portugues), nao paga nem o onibus ate a esquina.

Outro fator eh a senioridade e nivel corporativo. Hoje em dia eu ocupo uma posicao senior, de “tomada de decisoes”, entao se torna muito mais importante que eu esteja presente nessas reunioes em outras cidades e paises.

Os outros 10 funcionarios que trabalham pra mim em minha equipe, rarissimamente viajam, pois nao so o que fazem eh gerealmente mais pro dia a dia, eles nao tem um poder de decisao na empresa, e portanto sua presenca nao eh tao necessaria. Ja aconteceu varias vezes de alguns deles viajarem comigo, ou em meu lugar, mas isso eh raro, e requer muito mais aprovacoes de custo.

Ou seja, todos eles tem anos de experiencia em RH Internacional, mas raramente saem do escritorio.

(E acreditem, eles nao gostam de viajar! Eh um sacrificio arrastar alguem comigo numa viagem!)

E tem tambem essa coisa do “contato humano” que eh tao importante e valorizado em Recursos Humanos, mas nao tao importante em outras areas. Alguem que tenha mais ou menos o mesmo cargo que eu em Financas ou Tecnologia na minha empresa, por exemplo, provavelmente nunca colocara os pes no aeroporto, pois nao sao areas onde o “cara a cara” faz diferenca. Ja em RH isso eh beeeem diferente, e muitas coisas que poderiam ser facilmente resolvidas por e-mail, nao sao, simplesmente porque nao podem ser.

E claro, a empresa em si tambem influencia bastante nesse ponto.

Empresas multinacionais tendem a ter orcamentos de viagem,  e politicas corporativas de viagem muito mais “generosas” que empresas menores. Mas obviamente que o banco onde eu trabalho nao selcionou o Ritz de Paris, ou o Armani de Milao pensando nos pobres coitados de Recursos Humanos!! A politica de viagem corporativa foi desenvolvida pensando nos banqueiros, e executivos que geram muitos bilhoes de dolares pra empresa – e como nao podem descriminar internamente, a partir de um certo nivel corporativo, todos passam a ter direito de usufruir da mesma politica (mas ainda assim, dentro dessa politica existe uma “segrecacao” corporativa, que limita gastos diarios com alimentacao, acomodacao, e ate mesmo quem pode viajar de classe executiva ou quem vai na economica).

E ainda assim nem tudo sao flores. Por exemplo, na minha equipe de projeto, tenho um gerente de projeto que eh contratado (ou seja, ele nao eh funcionario permanente do banco), e apesar de estar presente em 95% das viagens que faco, ele nao tem direito a mesma politica de viagens, e portanto viaja de Easyjet e Ryanair, e fica hospedado no Ibis, enquanto o resto da equipe esta no Ritz.

Injusto? Sim! Mas eh a realidade!

Ou seja, ele esta no cargo certo, trabalhando pra empresa certa, mas ainda assim nao se beneficia das mesmas regalias.

Ou seja, viajar ele viaja, e adora, afinal essa eh a carreira que ele construiu. Mas nao da pra negar que o nivel de conforto eh bem diferente, e nao da pra negar que isso tem um grande impacto quando estamos trabalhando longe de casa!

Ah e outra coisa: eu me tornei uma especilista em EMEA (Europe, Middle East & Africa) e moro em Londres, o que torna facílimo (e relativamente barato, corporativamente falando) viajar dentro da região. Se eu estivesse lá do outro lado do mundo, viajar pra Milão pra participar de uma manhã de reuniões, ou decidir ir pra Paris de um dia pro outro seria super raro (assim como nesses anos todos eu fui pouquissimas vezes pro Oriente Médio e Africa do Sul – apenas quando foi estritamente necessário).

Todo o relacionamento que tenho com a America Latina e Asia, sao 100% por telefone, e-mail, video e afins – o custo benefício de me mandar pro outro lado do mundo (infelizmente!) ainda não compensou. Apesar de ser o mesmo cargo, mesmo projeto, mesma empresa e mesmo orçamento. A dinâmica simplesmente não é a mesma, então não rola. E isso também é importantíssimo! Meus equivalentes (e até superiores) baseados nos EUA ou na Asia também não viajam tanto quanto eu, por exemplo.

 

Entao voltando ao meu ponto inicial, o maior equivoco de quem quer seguir esse tipo de carreira eh achar que de cara a vida vai ser repleta de viagens, hoteis e restaurantes bacanas.

Quando acontece, eh otimo – nao vou negar, e voces NUNCA, nunca vao me ver reclamando!

Mas nunca, jamais, deveria ser o “objetivo” final de quem quer trabalhar internacionalmente, pois a decepcao sera grande!

Para trabalhar nessa area (seja Recursos Humanos, Projetos, Financas, Marketing, ou o que for) voce tem que gostar de linguas, de culturas, das diferencas do mundo.

De achar fascinante um relatorio de imposto de renda do Libano, ao mesmo tempo que acha super interessante o genio explosivo do Gregos, a bagunca dos Italianos e os alemaes certinhos – e melhor ainda quando estao todos na mesma linha telefonica tentando chegar a um concenso!

Ter oportunidade de presenciar tudo isso ao vivo atravez do meu emprego nao tem preco, mas ainda assim eu adoro demais meu dia a dia no escritorio, aprender sobre diferentes culturas e saber me moldar a cada uma delas, sendo verdadeiramente uma profissional internacional.

Adriana Miller
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22 Nov 2013
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Madrid ao vivo!

Dicas de Viagens, Espanha, Madrid, Trabalho

Mais uma semaninha na minha cidade querida: Madrid!

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Dessa vez a viagem foi super movimentada, muitas reuniões e coisas a fazer e aprender, e de quebra ainda servi de anfitriã a toda equipe do projeto.
E ai aconteceu uma coisa engraçada: enquanto estava guiando o “grupo” pelas ruas de Madrid uma das gerentes me perguntou quantos anos eu passei na cidade. E isso me fez pensar… Porque na verdade eu só morei em Madrid por pouco mais de 1 ano, durante meu mestrado. Mas desde que fui pra Inglaterra dei muuuuuita sorte de sempre ter tido empregos que me permitiram voltar incontáveis vezes a cidade!

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Eu sempre tento dar umas escapulidas pela cidade quando estou trabalhando, mas dessa vez nao rolaram muitos passeios.

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Mas as dicas rápidas da vez são sobre meu hotel preferido em Madrid, o Westin Palace!

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Já falei dele outras vezes no blog (e já fiz post também), e adoro me hospedar lá!

Outra dica (que tb já tem post antigo, é o bar-cobertura “Penthouse”, no topo do hotel ME Meliá na Plaza Santa Ana.

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E ainda na mesm praça Sant’Ana, seguimos mais uma dica certeira do pessoal do escritório e fomos comer tapas no badalado “Lateral”! Delicia! Delicia! Recomendo! #ficadica

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E a dica final (que também ja tem post antigo,as que muitas meninas perguntaram no Instagtam (@DriMiller) é a loja outlet da Zara, a Lefties!

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A bastante tempo que nao ia lá – eles eram ótimos, depois ficaram péssimos… Mas agora parece que estão com muitas coisas novas e linha própria!
Levei as Inglesas e Australianas lá e fizemos a festa!
Outra loja que também vale a vista é o outlet da também espanhola Mango!

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