22 Oct 2015
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SAL: Trabalhar em Londres – Vou conseguir um emprego na minha área?

S.A.L., Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior

O “tema” das perguntas mais comuns que recebo aqui no blog geralmente variam de acordo com a situacao politica e economica do Brasil…

Mas de uns tempos pra ca comecei a perceber uma mudanca no perfil e “intencao” nos e-mails em relacao a se mudar, morar e trabalhar em Londres.

Antes rolava muito “to disposto a fazer qualquer coisa”, mas acho que com mais acesso a informacao, blogs e relatos sinceros e verdadeiros, e ate mesmo por me “conhecerem” atras do blog e midias sociais, os aspirantes a imigrantes tem se (e me) perguntado mais se “vale a pena” imigrar pra Europa e Inglaterra (cuja minha resposta e opiniao já virou post aqui oh), e mais recentemente tem aumentado as perguntas sobre o mitico “emprego na minha area”.

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Como quase todos os posts sobre o tema que aparecem aqui no SAL (Servico de Atendimento ao Leitor), vou comecar falando o obvio: não existe resposta certa, e eh impossivel eu te dar uma resposta certeira, que seja aquele empurrao final que voce estava precisando pra tomar coragem de largar tudo.

Muita gente quer aquele apoio psicologico, e uma passada de mao virtual na cabeca pra ter coragem de fazer uma coisa que sim, eh muito arriscada e assustadora!

E não, voces nunca vao me ver incentivando ninguem a fazer isso – já brinquei muitas vezes por aqui que imigracao eh coisa seria e “não facam isso em casa”, e a decisao e riscos são seus – nem deve ser um blog nem uma blogueira (eu, no caso) te dando resposta as quais eu obviamente não sei sobre uma decisao que deveria ser so sua.

Pra comecar com “minha area” – eu não conheco sua experiencia, provavelmente não conheco sua area ou industria de atuacao (tanto no Brasil quanto aqui na Europa) alem dos muitos outros fatores que separam um candidato de uma vaga: visto, formacao academica, experiencia relevante, fluencia na lingua, desenvoltura nas entrevistas, carisma, e principalmente – se destacar em processos de selecao onde voce estara concorrendo com os mehores candidatos do mundo.

Eu já escrevi um monte de posts com dicas de Recursos Humanos, entrevistas, cartas de apresentacao, etc, aqui oh!

Outra frase que já repeti bastante por aqui tambem eh: Londres eh a terra das oportunidades, mas tambem eh a terra da concorrencia, pois assim como eu, voce, e mais um monte de gente, todo mundo quer vir pra ca “passar um tempo trabalhando na minha area”.

Aqui a concorrencia eh contra um mercado infinitamente maior, cada candidato esta concorrendo contra um mundo de Britanicos, Europeus e gente do mundo todo com um bisavo Italiano ou uma avo Espanhola que te deu direito ao passaporte Europeu. (que sim, facilita, mas não eh garantia de absolutamente nada).

Entao minha gente, não, não eh facil.
Eh impossivel? Devo desistir de tudo agora?!
Não, tambem não eh assim. Eu consegui e muita gente tambem consegue!
Mas temos que ser realistas, certo?

E usando a mim mesma como exemplo: eu vim pra ca super nova, há mais de 10 anos atras. Já tinha uma boa formacao no Brasil, estudei na Espanha e já era fluente em Ingles. E sem falar que há 10 anos atras Londres era beeeem diferente. A concorrencia era diferente, uma epoca pre-recessao de 2009, pre midia social, pre boom da inernet.

E ainda assim, parando bem pra pensar, esse papo de “minha area” foi total furada pra mim!

Sou formada em Economia e trabalhva com financas no Rio. Fui pra Espanha estudar turismo e vim pra Londres achando que aqui eu conseguiria arrumar um bom emprego “na minha area” (turismo), e inclusive vim pra ca já com um estagio organizado pela Universidade de Madrid, onde fiz meu mestrado. Ou seja, tudo pra dar certo ne?

Pois eh, mas não foi bem assim. A falta de experiencia na area de formacao (turismo) e conhecimento e experiencia relevante no mercado (Inglaterra) fecharam todas as portas, e depois de algumas idas e vindas eu acabei caindo de para-quedas em Recursos Humanos.

RH agora eh a “minha area”, mas não eh exatamente o que eu tinha sonhado em fazer la atras, há 12 anos quando sai do Brasil.

Mas deu certo pois eu estava numa outra fase da vida, comeco de carreira em tudo mesmo, e no fundo, não me fazia a menor diferenca. Dei muita sorte de ter acabado numa area não planejada, mas que foi onde eu me encontrei e me realize profissionalmente.

Hoje em dia, esse papo seria beeeem diferente, e no mercado de hoje eu provavelmente não teria tido as oportunidades e experiencias que tive nesses quase 12 anos de vida na Europa.

Entao o moral da historia eh que por mais que eu tente ajudar, dar dicas, e escrever posts de “utilidade publica” respondendo perguntas mais comuns e frequentes, eh impossivel prever se voce vai conseguir um emprego na sua area em X meses e que pague X mil Libras (volta e meia eu recebo e-mail com valores exatos que a pessoa “precisa” ganhar pra manter o padrao de vida que tem no Brasil! Gente, por favor! Se “manter o padrao de vida do Brasil” eh tao importante pra voce, entao por favor, não vire imigrante na Europa!!).

Já ate me acusaram a ser “cabeca fechada”, mas não eh isso gente – eh ter responsabilidade, experiencia propria e anos de estrada.

Claro que meu ponto de vista tambem mudou. Hoje tenho uma familia e uma filha pequena, e afinal, estou 12 anos mais velha do que aqueles primeiros posts cheios de energia!

Já sei tudo que pode dar certo ou errado, ou quando a pessoa esta simplesmente se iludindo.

EU, hoje em dia, com trinta e tantos anos, marido e familia, com certeza absoluta não teria embarcado nas mudancas que fiz aos 20 poucos, livre, leve e solta. Não mesmo!

Com familia e filhos, ou voce já esta aqui e “cresceu aqui” como eu, ou entao fique onde estiver se nao estiver disposto a comecar do zero, arriscar e perder tudo…

Por exemplo, no outro dia recebi um comentario engracado: uma leitora pediu pra escrever sobre algumas adaptacoes da vida “aqui fora”, e como lido com coisas do dia a dia, como cuidar da casa, cuidar da minha filha “sem ajuda”, fazer supermercado e afins.
E essa pergunta me fez parar pra pensar… Eu simplesmente não tive que me “adaptar” a nada disso, pois “cresci”  e virei gente grande aqui, ou seja, a primeira vez que fiz supermercado sozinha, já foi aqui. A primeira vez que cuidei da casa foi aqui, a primeira vez que tive uma filha e tive que aprender a ser mae “sem ajuda” foi aqui.

Entao não tenho parametros de comparacao com a realidade de outras pessoas, e de pessoas que imigram pra outros paises e culturas em diferentes fases da vida, deixando outros estilos de vida pra tras, e com outras necessidades imediatas pra sobreviver e ser feliz (como por exemplo, o mitico “emprego na area”).

Ou seja, eh possivel conseguir um emprego na sua area profissional? Sim, claro.
Vai ser facil, e garantido que voce vai ter uma vida boa? Não, asolutamente não!

E infelizmente eu não tenho a resposta magica, entao cada um tem que saber e reconhecer sua propria disposicao a arriscar e aceitar que tudo pode dar errado.

E claro que a vida de imigrante pode ser maravilhosa (a minha eh!), mas uma boa dose de realidade tambem ajuda a manter as coisas no eixo!

 

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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19 Jun 2015
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E o novo emprego, como vai?

Pessoal, Trabalho

Uns anos atras, da ultima vez que tinha mudado de empresa eu escrevi um post com um titulo parecido . Uma avaliacao geral da mudanca e uma reflexao sobre recomecar. Meu ultimo emprego foi uma grande mudanca de carreira e foi uma das melhores decisoes e experiencias que poderia ter tido na vida!

Dessa vez, a mudanca foi mais uma mudanca decisiva. Não foi intencional… Consultoria não era exatamente uma “meta”, mas quando a oportunidade bateu na minha porta, não pude deixar passar.

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O engracado eh que tecnicamente, no dia a dia do trabalho, nada mudou. Continuo fazendo exatamente oque fazia em meu antigo emprego, e fui recrutada justamente por causa desse conhecimento e “talento”.

Mas por outro lado, ter saido do ambiente de RH interno de um empresa e ter passado pro lado da consultoria, faz um mundo de diferenca!

A decisao foi tomada pensando no longo termo e futuro da minha carreira. Nas possibilidades de crescimento e ganhos potenciais. A curto prazo, a consequencia imediata eh que aceitei regredir. Foi uma daquelas decisoes onde damos um passo pra tras, já de olho em poder dar mais dois ou 3 passos la na frente.

Mas como assim?

Bem, eu passei de um cargo alto, titulo corporativo de encher a boca, gerenciando um departamento inteiro dentro de um dos maiores bancos do mundo. Gerenciava processos especificos em 25 paises em 3 regioes. Tinha uma equipe de 8 pessoas reportando diretamente a mim, e varias regalias confortaveis (hospedagem no Ritz de Paris? Quem não gosta, certo??).

Mas sou realista e RH eh um departament interno, de back office. Eh uma area que apenas “custa” para empresas, e geralmente não eh uma area que tenha muito destaque como um todo. Num momento de crise, geralmente são departamentos como RH, Marketing e outras firulas, que passam a ser dispensaveis, e não essenciais.

Entao apesar de que estava numa otima posicao, feliz e satizfeita, eu sabia que estava perto do “fim”. Talvez ainda subisse mais 1 ou 2 niveis ao longo da carreira e so! Não eh que eu ache que deveria ser CEO ou algo do tipo, não eh isso. Mas eu tenho 35 anos e 15 de carreira (10 em RH) e era meio desesperador pensar que ainda tenho pelo menos mais uns 15 ou 20 anos “uteis” de carreira, mas o fato de estar num departamento “interno” ia acabar me embarreirando e iria passar muitos, e muitos anos encalhada, fazendo a mesma coisa (JAMAIS conseguiria ser funcionaria publica gente!).

Entao essa ultima mudanca, e “cruzar a fronteira” pra consultoria, me abriu todo um leque de opcoes e possibilidades!

Apesar de que tecnicamente estar fazendo a mesma coisa (igual!) que fiz nos ultimos 2 ou 3 anos, o “mind set” eh diferente. Numa consultoria o que eu produzo, eh o que a empresa vende. Meu conhecimento gera vendas, gera lucro. Não eh que RH não gere lucro; mas eh um ganho dificil de contabilizar num departamento “interno”, em RH tradicional. Dificil explicar por 2 + 2 que as acoes e atitudes de RH de uma empresa possam vir a ter impacto imediato nos resultados da mesma. Pois esses resultados não são imediatos e nem diretos.

E apesar de continuar trabalhando com projetos de Recursos Humanos, eu não sou mais RH, não sou mais parte daquele departamento interno, que cuida dos pepinos dos funcionarios! Agora, sou expert de um conhecimento e “talento” especifico, e a cada novo projeto eu gero uma receita e um lucro especifico para a empresa, e isso eh sensacional! Pode parecer bobo pra quem esta de for a, mas faz uma diferenca incrivel pra auto estima!

Mas me rebaixei em titulo corporativo, já não gerencio minha propria equipe e acho que as mamatas serao drasticamente reduzidas.

Mas por outro lado, as possibilidades de crescimento interno e de ganho$ aumentou consideravelmente, e agora vejo todo um novo mundo de possibilidades na minha carreira, que antes, num departamento “interno” simplesmente não existiriam.

E claro, teve o lado pessoal tambem.

A remuneracao eh melhor, a flexibilidade de horarios tambem, e voltei a ir pro escritorio andando! Pura qualidade de vida!

E nunca pensei que ia gostar TANTO de não ter uma equipe tao grande pra gerenciar! Nossa, como eu gastava tempo, energia e saliva tentando administrar os problemas e o trabalho alheio! Isso vai mudar nos proximos meses, e voltarei a ter uma equipe, mas pelo menos por agora, estou adorando tanto tempo”livre”!

Mas enfim. Foi sem duvidas uma mudanca grande, e mais um grande passo na minha vida e carreira e estou muito feliz e orgulhosa de mim mesma!

Foi um grande risco, ainda que tenha sido um risco bem “confortavel” e facil, comparado com outras mudancas de rumo que já tomei no passado.

Mas nunca tive medo de reinventar, recomecar e mudar os rumos da vida, e esse foi apenas mais um!

E quem sabe? Talvez não tenha sido o ultimo!

Adriana Miller
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04 Mar 2015
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O melhor ainda esta por vir!

Pessoal, Trabalho

Uns dias atras eu postei uma “frase feita” no Instagram que gerou varias perguntas e curiosidade. Na verdade essa coisa de ficar dando “indiretas” nas redes sociais, ou frases feitas com mensagens psicografadas não faz nada meu estilo, e cheguei a debater se deveria comentar alguma coisa aqui no blog ou não – afinal o site tem focado cada vez mais nesse lado de “turismo” e “viagem”, mas ao mesmo tempo não quero que ele deixe de ser um blog pessoal – minha vida, minhas experiencias, meus erros e acertos.

Então nas ultimas semanas eu tomei uma grande decisão profissional e estou saindo da empresa onde trabalhei por quase 5 anos, e embarcando num novo desafio, com uma nova empresa.

Por um lado a decisão foi fácil, pois estava precisando dar uma chacoalhada na vida e dar uma renovada (odeio me sentir “acomodada” com as coisas!), mas ao mesmo tempo os últimos 5 anos foram de muito trabalho, realizações e reconhecimento, e de fato adorava meu trabalho!

Nos últimos anos trabalhei para um banco de investimento onde aprendi demais, me desenvolvi demais e encontrei a “carreira dos sonhos”! Boa parte desse tempo eu realmente achei que trabalharia por la pro resto da vida!

Mas desde que voltei da minha licença maternidade, muitas coisas mudaram, ganhei um novo chefe e acabei caindo no buraco negro de concertar as bobagens que fizeram no meu departamento durante os 9 meses que fiquei de licença.

No inicio eu enxerguei isso como um desafio, uma empolgação a mais, mas depois de quase 1 ano e meio de “volta a vida real”, a troca na estrutura da empresa e do departamento e as más decisões tomadas pela diretoria acabaram me deixando muito desanimada #QuemNunca

Então 2014 foi um ano difícil no lado “pessoal” da motivação profissional, com uma nova rotina familiar, novas responsabilidades e novas prioridades de vida. Não sou o tipo de pessoa (e profissional) que gosta de fazer as coisas pela metade e tarefas meia boca. Se me proponho a fazer alguma coisa, quero fazer bem feito, ser a melhor e receber todo mérito e reconhecimento que mereça. Mas foram tantas mudanças na empresa no ultimo ano, tantas más decisões fora do meu controle, que meu desanimo foi lá para baixo.

E a gota final, era minha viagem diária pro trabalho. O que por muito tempo eu até que gostava (pois fugia do horário de rush de Londres), ou simplesmente não me incomodava (pois viajei muito mesmo e raramente estava batendo ponto do escritório), passou a ser um estorvo na minha vida, roubando minutos preciosos de tempo com a Isabella durante a semana e engessando demais nossa rotina de 2’ a sexta.

Ate que em outubro, no fim de um dia péssimo, recebi uma ligação de um headhunter, com a proposta que estava precisando ouvir!

Um emprego praticamente feito sob medida para mim, como consultora de projetos na área de RH internacional ara uma das firmas de consultoria “big 4”.

O processo foi longo e difícil, como eu imaginei que seria, incluindo muitas entrevistas, provas escritas e orais, apresentações, business cases e dinâmicas, com um total de 3 meses de processo!

No finalzinho de Dezembro recebi o feedback final que tinha conseguido a vaga, e ainda assim, demoramos mais quase 5 semanas para negociar contrato, termos, números e datas.

Ate que semana passada, dia 27 de Fevereiro de 2015, chegou meu ultimo dia.

Do banco estou levando uma bagagem profissional incrível, contatos para vida toda, e principalmente muita vontade de fazer mais, aprender mais e continuar subindo!

Mas qualquer recomeço é assustador, então apesar da ótima oportunidade “no papel” ainda estou morrendo de medo da mudança, de me arrepender, de ter tomado a decisão errada. Mas isso, só o tempo dirá!

O que importa é a sensação de ter começado 2015 com o pé direito e mergulhando de cabeça nessa nova oportunidade!

Essa semana estou participando de um programa de treinamento de imersão, semana que vem vou tirar uns dias de ferias, e ai sim começo esse novo desafio com energias recarregadas!

Não sei o que essa mudança vai significar para a vida “virtual” no blog (em termos de tempo, rotina, etc), mas não pretendo abandonar o hobby de escrever por aqui, e já tenho bastante coisa preparada para atualizar sobre os últimos meses.

Adriana Miller
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