24 Oct 2013
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Curriculo X Vaga: Como se destacar num processo de selecao

Recursos Humanos, Trabalho

Nossa, ha muito tempo que eu nao falava sobre Recursos Humanos por aqui, heim?

Pois eh, mas estive pensando bastante no topico acima recentemente, principalmente depois que vi uma manchete do jornal ha umas semanas atras: a reportagem pegava carona no drama/panico da crise financeira que assola a Europa e fez um dramalhao sobre o perfil de uma menina (que estampava a capa da reportagem com uma cara de triste e desiludida), que tinha acabado de se formar, cheia de energia e qualificacoes e nao conseguia arrumar nenhum emprego (nem sequer entrevistas!) apesar dos mais de 3.000 aplicacoes para vagas que ela tinha enviado.

Eu imediatamente revirei os olhos… Afinal, alem do panico e sensacionalismo descenessario criado pela reportagem, pelo ponto de vista de Recursos Humanos, a coisa nunca eh tao assim preto no branco. Claro que a recessao ajuda (quer dizer, atrapalha, e muito), mas existem dezenas de outros fatores e indicativos na reportagem que mostravam que na verdade, ela estava fazendo TUDO errado em sua estrategia pra encontrar um emprego.

Entao eu fiquei pensando em todos os pedidos de “revisao de curriculo” que eu recebo de leitores e conhecidos, e uma situacao engracada que passei no outro dia, durante o recrutamento de uma nova vaga para minha equipe.

Volta e meia algum leitor(a) me manda e-mails pedido ajuda a revisar seu curriculo, dicas de como fazer seu curriculo se destacar e afins, e infelizmente eu quase nunca sei responder essas mensagens.

Por um lado, porque realmente nao tenho tempo. Mas o principal motivo, mesmo, eh que eh impossivel revisar um CV sem ao mesmo tempo ter acesso a vaga a qual aquele curriculo se refere.

Quer dizer, ate da: sempre eh bom pedir pra alguem dar aquela olhada final, pra garantir que voce nao esta enchendo linguica desnecessariamente, que nao tem erros de gramatica nem de digitacao e tal. Mas ai ninguem precisa ser especialista em RH pra fazer isso. Sua mae, marido, namorada, amiga… qualquer um pode fazer uma revisao final.

Porem isso nao significa que seu curriculo esta “bom”, pois simplesmente nao existe “curriculo bom” – os CVs bem sucedidos sao aqueles que se encaixam perfeitamente aos requerimentos de uma vaga especifica.

Ou seja, usando o exemplo da reportagem que dei acima, o erro numero um da menina foi escrever seu CV, salvar o arquivo em seu computador e comecar a enviar candidaturas desenfreadamente, sem parar pra analisar as nuances e especificacoes de cada vaga, e ir adaptando seu perfil, a ordem das experiencias, os adjetivos usados, incluindo e excluindo cursos e extras etc, de acordo com o que cada vaga pede.

Ou seja, se ela se candidatou a 3 mil vagas, deveria ter escrito 3 mil CVs!

Nunca trate seu curriculo como um documento final, estatico. Cada empresa, cada vaga, cada equipe e cada chefe procura um perfil especifico e unico – voce ate pode se encaixar e moldar a todos eles, mas se isso nao estiver explicito naquela folha de papel, esquece. Se voce nao demostrar suas capacidades unicas, naquela oportunidade unica, ninguem nunca vai saber!

E acredite, pelo ponto de vista de recrutadores e gerentes, ninguem esta disposto a dar “chances”, nem “arriscar” e muito menos deixar alguem “dar o primeiro passo”, quando na verdade eh o seu sucesso que tambem esta em jogo.

Recrutamente eh uma coisa muito cara pras empresas, e achar alguem, passar por todo processo de inducao e treinamento ate que aquele novo candidato esteja pronto pra desempenhar um cargo da muito trabalho e exige muitos recursos de todos os envolviddos. Entao esse conceito de que qualquer coisa serve soh pra dar o “primeiro passo” eh uma ilusao que na verdade nao se contretiza na pratica.

Entao no outro dia aconteceu uma coisa curiosa comigo.

Aqui estava eu, revisando curriculos que recebi de um recrutador para uma vaga em minha equipe. Meus requerimentos e exigencias eram bem especificos: eu sei muito bem oque preciso atingir atravez da minha equipe, e ja tinha uma ideia formada sobre oque queria encontrar – como gerente e chefe, uma boa adaptacao com o resto da equipe e do departamento, e claro, o trabalho a ser feito.

Alguns CVs foram descartados na hora, ja alguns outros conseguiram captar minha atencao a ponto de querer “gastar” meu tempo pra conhecer aquela pessoa pessoalmente (afinal, a entrevista eh pra isso mesmo).

Um desses CVs era de uma menina cujo nome me soou familiar. O engracado eh que o nome dela eh super comum aqui na Inglaterra, e nada demais, mas fiquei com aquilo na cabeca.

O CV dele era otimo, direto ao ponto exato do que estava procurando, ate que cheguei a descricao de sua vaga anterior e BOOM! Ja trabalhamos pra mesma empresa! Por isso seu nome era familiar…

Por sorte (ou azar, neh?!) eu lembrava dela, sabia bem oque ela de fato fazia nessa empresa (e portanto sabia que ela tinha “embelezado” demais sua experiencia), e principalmente, sabia os reais motivos que a levaram a ser demitida daquela empresa, e que portanto nao queria te-la em minha equipe.

E qual a moral da historia?! Sem duvida alguma ela escreveu seu CV com todo cuidado, especificamente para minha vaga. Ela leu nas entrelinhas da descricao da vaga, da equipe e do trabalho que eu estava procurando, e soube focar seus pontos fortes, e esconder seus pontos fracos, de tal maneira que imediatamente seu CV captou minha atencao.

Ou seja, se nao fosse a coincidencia de que ja trabalhamos juntas, com certeza absoluta ela teria sido convidada para uma entrevista – e dependendo de sua desenvoltura durante a entrevista, poderia ate ter conseguido o emprego, apesar de tecnicamente, nao ser a pessoa mais qualificada para a vaga.

Entao algumas dicas de coisas pra ficar de olho, e ir adicionando, retirando e modificando em seu CV a CADA vaga que voce se candidatar:

– Qualificado demais, ou qualificado de menos?

Um dos principais erros cometidos por candidatos eh nao saber identificar, realisticamente, sua capacidade de se encaixar ou nao numa vaga especifica.

Quem nunca olhou pra uma vaga e pensou “Ah, eu consigo fazer isso!”?! Das duas, uma: ou voce pensou “tenho experiencia de sobra, e eh obvio que consigo fazer isso de olhos fechados”, ou voce pensou “Parece facil. Nunca fiz isso, mas ja li um livro/fiz um curso/estagio/etc, se alguem me der uma chance, conseguirei aprender bem facil”.

Ambas as respostas estao erradas, e provavelmente nenhum dos dois candidatos vai ser convidado pra uma entrevista.

Do ponto de vista da empresa e do gerente da vaga, um processo de recrutamento eh um grande risco. Eh caro. Eh estressante e cria uma grande impacto na performance da equipe.

Selecionar candidatos, fazer dezenas de entrevistas, contratar e treinar alguem… eh muita trabalheira envolvida pra voce simplesmente dar a vaga a alguem que por mais que voce saiba que sabera fazer tal trabalho sem grandes dificuldades, vai ser dificil de reter e motivar.

Por um lado, o candidato qualificado demais: “Esse candidato ja tem X decadas de experiencia na coisa tal, porque ele quer se rebaixar? Como vou conseguir motiva-lo a longo prazo? Qual sera o impacto de sua experiencia no equilibrio e igualdade no resto de minha equipe?”.

A realidade eh que de maneira geral, gerentes preferem um candidato que seja levemente inexperiente, pois essa pessoa sera mais facil de treinar, de se adapatar e, principalmente, tera motivacao suficiente pra permanecer na vaga por mais tempo.

Mas entao, qual a desvatagem do candidato inexperiente?!

A desvatagem nao eh necesariamente a inexperiencia, e sim nao saber demonstrar (afinal um CV eh apenas um pedaco de papel…) como o pouco de experiencia que voce tem podera ser util para aquela vaga especifica, ou quais outras qualificacoes e experiencias voce tem que podera ser mais ultil do que X decadas de carreira.

Um exemplo bem simples foi quando escrevi sobre carreiras internacionais: e que as vezes o simples fato de voce ja ter morado fora, falar outras linguas e ter feito um mochilao, por exemplo, podem ser apresentados de maneira que voce pode convencer seu “futuro” chefe, que voce tem muito mais talento pra relacoes internacionais doque o cara que fez faculdade de Relacoes Internacionais e passou os ultimos 5 anos revisando contratos de logistica.

– Seja objetivo:

Nao sabe como moldar e “se vender” atravez de seu curriculo? Faca bom uso das cartas de apresentacao, que eh uma meneira mais “livre” de vender seu peixe, de falar mais abertamente sobre suas razoes para QUERER aquele emprego e seguir aquela carreira (se voce nao sabe como responder esses dois pontos, entao nem deveria estar se candidatando a essa vaga…).

Um bom exemplo? Mostre que gracas ao seu mochilao, voce teve que gerenciar um orcamento restrito a longo prazo, teve que lidar com imprevistos e timelines, planejamento antes e durante a viagem, e sem nem falar em todas as qualificacoes “sociais” de ter feito amigos, aprendido a conviver com culturas e linguas diferentes. E isso minha gente, faculdade nenhuma, nem nenhum cursinho da FGV vai te ensinar.

Lembre-se que cada carta de apresentacao ou “objetivo” (aquele primeiro paragrafo do seu CV onde voce se apresenta) deve ser UNICO e escrito especificamente praquela vaga (principalmente em se tratando de cartas). Uma carta de aprensetacao “one size fits all” (Tamanho unico), na verdade nao veste bem a ninguem.

E por favor: evite frases feitas e cliches do tipo “profissional ambicioso, disposto a crescer na carreira” e afins, que falam, falam e nao dizem nada.

– Crie perfis:

Voce pode ate nao sofrer de personalidades multiplas, mas com certeza sabe fazer mais de uma terefa, tem preferencia/interesse por mais de uma area ou industria, tem experiencia em lidar com diferentes situacoes.

Pronto. Cada um desses cenarios deve virar um CV diferente, com foco e destaque a diferentes experiencias e situacoes, que mostre seus pontos fortes por diferentes angulos.

– Da trabalho!

Muitas vezes, achar um bom emprego, eh um emprego por si soh!

Tudo isso que eu escrevi, da trabalho, gasta seu tempo e sua paciencia… Afinal, num periodo de tempo que voce poderia sentar em seu computador e “enviar” 37 CVs, talvez voce so consiga mandar 1 ou duas aplicacoes.

Mas se isso aumenta suas chances de sucesso, que diferenca faz? Quem disse que numa carreira de sucesso o importante eh a quantidade, e nao a qualidade?

Afinal a unica coisa que voce quer eh aquele emprego, aquela chance  (unica) na sua carreira. Entao de que adianta pensar que “mandei 52 curriculos hoje!”, se empresa nenhuma vai te chamar pra uma entrevista? Os as entrevistas acabarao sendo grandes furadas, ou voce vai trabalhar num emprego que odeia?

Nao seria melhor ser mais objetivo e mandar apenas 3 ou 4, e de repente ser chamado pra 1 ou 2 entrevistas (que potencialmente podera se transformal no tal emprego e chance)?

 

Ou seja, claro que vale a pena escrever um curriculo que ja esta ali atualizado e prontinho pra ser enviado, mas encare esse exercicio como um “work in progress”, uma base de rascunho que pode facilmente ser adaptada e modificada para diferentes situacoes (vagas, empresas, industrias, paises etc), e nunca encare seu curriculo como um documento final, estatico e infelxivel – se seu perfil, experiencia e carreira nao sao assim, porque o seu curriculo deveria ser?!

Outros posts que complementam a ideia e dao outras dicas (todos estao na tag “Recursos Humanos”)

Dicas para Entrevistas

(Mais) Dicas para entrevistas

Como escrever seu curriculo

Como desenvolver a carreira “Internacional”

Como se vestir para entrevistas e no trabalho

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Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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21 Dec 2012
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Licenca Maternidade no UK

Baby Everywhere, Gravidez, Recursos Humanos, Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior

Nos ultimos meses muita gente me perguntou detalhes e me pediram pra contar como funciona a Licenca Maternidade no UK. Eu fiquei sem tempo, e ai enrolei, enrolei… mas como hoje eh meu ultimo dia de trabalho por muito e muitos meses, achei que seria uma boa finalmente falar um pouco sobre isso.

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Pra comecar um esclarecimento, pois sempre ouco por ai o pessoal falando sobre “la fora” ou “na Europa”, como se todo o continente pudesse ser classificado como uma coisa soh.

Por aqui, temos paises com politicas otimas, porem a maioria esta na media mundial ou ate mesmo um pouco pior.

Ok, que nao da pra comparar com a politica familiar vergonhosa dos EUA por exemplo, mas muito se engana quem esta no Brasil e acha que “na Europa” a coisa eh muito melhor! (quem acompanha o blog ha um tempinho deve lembrar que minha dissertacao de mestrado foi justamente sobre a licenca maternidade nos EUA!)

Na verdade, tirando os paises Escandinavos e o Reino Unido, a politica Maternidade/Paternidade dos paises Europeus eh bem homogenea – a maioria dos paises oferece apenas cerca de 4 meses para maes e 2 semanas para pais. Ou seja, praticamente o mesmo oferecido na iniciativa privada no Brasil, por exemplo.

O que varia entre um pais ou outro eh justamente os “plus a mais”, ja que no geral a Europa eh bastante generosa com politicas “familiares” e a lei trabalhista tende a ser muito amigavel a familias e o balanco vida/trabalho dos trabalhadores.

Entao em alguns paises eh possivel passar anos trabalhando em meio periodo para cuidar das criancas (e alguns paises ate oferecem seguranca de emprego durante esse periodo, entao trabalhar a menos pra cuidar da familia garante que vc nao seja demitido), outros paises permite que voce amplie a licenca familiar por um certo periodo nao remunerado, e por ai vai.

Ja na Inglaterra especificamente, as leis trabalhistas nao sao tao protecionistas quanto em alguns paises Europeus (principalmente os paises Latino-Europeus), mas a licenca maternidade e paternidade estatutoria (a garantida por lei) ja comeca bem mais confortavel que seus vizinhos Europeus.

Pra comecar que por lei, maes tem direito a 52 semanas de licenca (um ano completo) e pais tem direito a 26 semanas (6 meses) de licenca paternidade.

Mas eh claaaaro que nem tudo eh tao lindo e simples assim, e apesar de termos o direito de tirar ese tempo todo de licenca, a grandissima parte desse periodo eh nao remunerado, oque significa que a maioria das pessoas tira apenas uma fracao desse periodo.

E o grande variante eh justamente seu empregador, e obviamente sua situacao financeira e familiar.

Se voce trabalha para uma boa empresa (geralmente as multinacionais) com politicas generosas de Recursos Humanos, a sua empresa vai oferecer um “top up” no seu salario, garantindo X meses de licenca remunerados. Ou se a renda familiar se segura numa boa com apenas 1 salario, entao a coisa tambem fica mais facil por mais tempo.

Mas a lei, no papel funciona assim:

Licenca Maternidade:

A Licenca Maternidade na Inglaterra dura 52 semanas e eh dividida da seguinte maneira:

6 semanas iniciais onde o National Insurance (o equivamente ao nosso INSS ou Seguranca Social) paga 90% do seu ultimo salario – caso voce esteja trabalhando – ou entao te da uma “bolsa auxilio” de £125 Libras por semana (caso vc nao esteja trabalhando, mas seja contribuinte e pague impostos).

Depois dessas 6 semanas iniciais, a mae ainda tem direito a mais 33 semanas, totalizando 39 semanas chamadas de “Ordinary Maternity Leave”. Essas 39 semanas (mais ou menos 9 meses) eh o periodo “Pago” da licenca, porem o Governo so paga uma bolsa auxilio semanal, que para o ano fiscal 2012/2013 eh de apenas 125 Libras por semana, ou cerca de 500 Libras por mes.

Depois desse periodo, a mulher ainda tem direito a mais 13 semanas (mais 3 meses) de “Additional Maternity Leave”, onde ela retem todos os seus direitos trabalhistas porem eh um periodo de licenca nao remunerado.

Ou seja, para a grandissima maior das pessoas, nao eh possivel viver na Inglaterra com um salario de 500 Libras por mes, ainda mais considerando os custos extras de um bebe pequeno, e portanto a muitas mulheres voltam a trabalhar 3 ou 4 meses depois do nascimento do bebe.

Porem, se voce trabalha para uma boa empresa na iniciativa privada, com certeza voce tera direto a “Occupational Meternity Leave”, que eh um beneficio privado e facultativo a definir por cada empresa, que complementa seu salario durante parte ou a totalidade do periodo de sua licenca maternidade “Ordinary”.

Tenho varias amigas gravidas aqui na Inglaterra no momento, todoas com bons empregos em empresas multinacionais, e as politicas de suas empresas variasm entre 3 meses de licenca paga a 9 meses de licenca paga – mas a media do mercado eh pagar pelo menos 6 meses de salario integral.

Licenca Paternidade:

Em 2010 o governo Britanico mudou suas leis de Licenca Paternidade e os homens agora tambem tem direito a tirar ate 26 semanas de licenca paterndade, porem, assim como a licenca maternidade, as regras (e o pagamento) nao eh assim tao generosa quanto parece ser.

O padrao do mercado eh que apenas a primeira ou as 2 primeiras semanas apos o nascimento do bebe sejam remuneradas. Depois disso, as 24 semanas seguintes sao classificadas como “Ordinary Paternity Leave”, e assim como para as mulheres, os pais passam a ter direito apenas a receber uma bolsa auxilio do governo de 125 libras por semana.

Alem disso, qualquer semana (alem das 2 semanas iniciais) tirada pelos pais, eh descontada das semanas da licenca da mae. Ou seja, se o pai da crianca requisitar tirar 26 semanas de licenca, a mae da crianca so tera direito a 26 semanas, em vez do ano todo.

Ainda ssim eh bom, ja que daria a oportunidade a ambos os pais terem uma participacao igualitaria na criancao dos filhos durante os primeiros 6 meses de vida da crianca (Ou os 12 primeiros meses, caso o pai e a mae nao saiam de licenca ao mesmo tempo. Eque eh a intencao da politica), mas em termos praticos, o corte na renda familiar faz com que o beneficio nao seja muito utilizado – e sem falar no preconceito que ainda rola em relacao a homens que querem participar tao abertamente na criacao dos filhos a ponto de abrir mao da carreira por 6 meses.

Afinal, por mais que as mulheres reclamem de um certo “preconceito” em relacao a oportunidades de carreira e tal, essa ausencia eh bem aceita e ate mesmo esperada, mas ja os homens nao tem a mesma vantagem.

No outro dia eu estava conversando com uma colega aqui no RH, e dos quase 10 mil funcionarios que meu banco tem na Inglaterra, desde a mudanca da lei apenas 1 unico homem pediu licenca paternidade!

No nosso caso em particular a empresa do Aaron so paga por 2 semanas de licenca paternidade, entao eh apenas esse periodo que ele vai tirar pra ficar em casa 100% comigo. E apesar de que ele negociou um periodo de trabalhao mais “leve” e sem viagens nos primeiros meses, seu chefe (que eh Alemao) ficou horrorizado com a sequer possibilidade de que ele teria direito a pedir 6 meses de licenca! Ou seja, essa possibilidade foi de cara descartada, pra nao colocar sua carreira em risco.

E na minha empresa eu tenho direito a 6 meses de salario integral durante minha licenca, entao o padrao eh que mulher nenhuma volta a trabalhar antes dos 6 meses iniciais.

Eu dei aviso previo de 1 ano, so por via das duvidas, e potencialmente poderia ficar um total de 15 meses de licenca – considerando que minha data prevista de retorno eh dia 29 de Dezembro de 2013, e ainda tenho 6 semanas de ferias em 2013 e mais 6 semanas de ferias em 2014. Entao caso queira, ou precise, poderia ficar de licenca maternidade ate o inicio de Abril de 2014!!! Coisa de louco!

Mas na realidade, estou me preparando psicologicamente pra voltar a trabalhar la pra Setembro ou Outubro do ano que vem, e ja negociei com meu chefe que quando voltar, provavelmente voltarei num esquema flexivel, trabalhando 2 ou 3 dias em casa por semana, e os outros 2 ou 3 dias no escritorio ou viajando., e usarei parte das minhas ferias para trabalhar em esquema part time, mas recendo salario integral por mais uns meses.

Por sorte o Aaron conseguiu negociar o mesmo esquema com a empresa dele, e quando eu voltar a trabalhar ele tambem vai ficar em casa 2 ou 3 dias, e assim poderemos organizar nossas rotinas de trabalho e viagens a trabalho de maneira que nossa bebe nunca fique uma semana inteira sozinha em casa com a baba sem um dos pais sempre em casa durante o dia, garantindo que esta tudo bem, nem teremos que manda-la pra creche com 6 ou 7 meses de vida (que eu ainda acho muito noviha pra mandar pra creche).

Como isso tudo vai se desenrrolar na pratica, so o tempo dirah (sera que vou querer voltar a trabalhar antes de outubro, ou vou acabar querendo ficar de licenca ate Abril do ano seguinte?! Vamos nos acostumar com baba, ou vamos acabar preferindo uma creche?!), mas esse eh o plano no momento e esses sao nossos direitos e beneficios.

Entao tenho me sentido incrivelmente sortuda e felizarda de morar num pais que respeite tanto os direitos familiares, e por trabalhar numa empresa tao generosa em suas politicas e beneficios, onde nao terei que escolher entre uma carreira ou o bem estar de minha filha.

 

Adriana Miller
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05 May 2011
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Enquanto eu estou de ferias, vamos falar de trabalho!

Blog, Midia, Recursos Humanos, Trabalho

Ha umas semanas atras a Paula começou uma serie de posts sobre carreira. Aquela coisa que todo mundo já passou na vida (voce não? Sortudo!) de não saber oque fazer quando crescer…. ou ainda, crescer e descobrir que não fez a escolha certa.

Então ela convidou leitoras e blogueiras pra darem depoimento sobre carreiras interessantes e diferentes. A minha, de diferente e interessante não tem nada (teve post sobre Oceonografia, Paleontologia, etc, então meu job 9-to-5 ficou sonolentamente normal), mas nunca fiu timida ao admitir que até me encontrar numa carreira que amo e que e satisfaz, eu troquei de rumo e quebrei a cara não 1, não duas, mas 3 vezes nessa vida.

Então foi sobre isso que contei no post sobre dar uma guinada na carreira.

Eu já falei muito sobre isso por aqui, mas nunca ficou assim, tão conciso e resumido… então quem tá pensando sobre oque quer ser quando crescer, dá uma passadinha !

Adriana Miller
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05 Jul 2010
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Dicas para Entrevistas

Recursos Humanos, Trabalho

As dicas de hoje sao para as pessoas que estao do outro lado da mesa: os entrevistadores!

A grande maioria dos comentarios, e-mails e pedidos realcionados a carreira e RH sao sob o ponto de vista do candidato, mas volta e meia alguem me pede dicas para entrevistador.

Nao todas as empresas que tem o luxo de ter um departamento de RH, com pessoas treinadas para entrevista e selecao, e a grande maioria das entrevistas que acontecem mundo a fora sao feitas por gerentes e funcionarios “comuns”.

O interessante eh que quem se candidata a uma vaga e vai fazer sua entrevista numa determinada empresa, nunca imaginaria que provavelmente a pessoa te entrevistando esta tao nervosa quanto o candiato!

Jah perdi as contas de quantas vezes entrei na sala de entrevista com um gerente ou diretor suando frio, sem saber oque falar, oque perguntar, e com inseguranca de tomar uma decisao e acabar contratando a pessoa errada pro emprego. A responsabilidade eh grande!

Entao uns dias atras uma amiga da blogsfera me mandou uma e-mail de socorro, pedindo minhas Top 5 dicas de entrevistas, pois no dia seguinte ela entrevistaria umas 15 pessoas, e nunca tinha entrevistado ninguem na vida!

Entao porque nao transformar isso num post, certo?

Pra comecar, acho que a licao numero 1 em entrevistas, como entrevistador eh evitar a todo custo as perguntas “fechadas”, ou seja, nunca perguntar nada diretamente, tipo “voce sabe usar Excel?” A resposta vai ser SIM ou NAO e voce nunca vai poder de fato avaliar quanto aquela pessoa sabe usar excel (por exemplo).

O truque eh sempre focar nas perguntas de situacao, compentecy based e sempre, sempre abertas. Sempre pensando e focando nas qualificacoes e qualidades que voce quer que o candidato ideal tenha. Eh nisso que voce vai basear sua entrevista.
 
Entao digamos que vc vai entrevistar uma secretaria, e as “base compentencies” sao, digamos: atencao ao cliente, informatica e organizacao. De quebra se a pessoa tiver experiencia similar, souber falar Ingles e tal serao adicionais e diferenciadores.
 
Entao nesse caso as perguntas devem ser direcionadas aos “skills“, ou habilidades, que o candidato ideal TEM que ter, tanto baseado em experiencias passadas, mas tambem baseado em como aquele pessoa reagiria em situacoes hipoteticas. Por exemplo:
 
– Me de um exemplo de uma situacao onde voce teve que lidar cara a cara com clientes?
 
– Me de um exemplo de uma situacao onde um cliente foi mau educado com voce, e como voce lidou com essa situacao?
 
– Oque voce faria na situacao onde um cliente tem uma reclamacao, onde a culpa foi da empresa?
 
– Me de um exemplo de uma cargo ou experiencia passada (ou atual) onde vc eh responsavel por oganizar a correspondencia de um gerente? Quais sao seus criterios de prioridades?
 
– Me de um exemplo de uma apresentacao que voce teve que fazer em Power Point onde a informacao sobre o assunto era limitado? Como voce se preparou ou pesquisou sobre o assunto?
 
– Descreva uma situacao onde voce teve que lidar com clientes ou fornecedores internacionais? Quais foram as principais dificuldades dessa situacao?
 
Cada uma dessas perguntas vai colocar o candidato numa situacao real, onde voce, como entrevistador, podera avaliar se a maneira como aquela determinada pessoa lidou com uma determinada situacao esta de acordo com oque voce espera ou nao.
 
Deu pra entender o espirito da coisa?
E ai, cada pergunta pode ter uma inifindade de sub-perguntas, onde voce vai testar e aprofundar as respostas do candidato, pra garantir que nao tah rolando pura enrrolacao nas respostas.
Esse metodo eh semi-infalivel pois tudo eh baseado em situacaoes reais, e ou eles sabem lidar com aquele situacao de uma maneira satisfatoria, ou nao.
E isso vale pra tudo numa entrevista, as habilidades praticas (informatica, Ingles, datilografica, conhecimentos tecnicos e qualquer outra coisa “demonstravel”), e para as habilidades teoricas (comunicacao, atendimento ao cliente, personalidade, paciencia, etc).
Um exercico que eu sempre faco com meus gerentes antes de sequer comecar a procurar CVs eh sentar com eles e comecar a investigar oque eles esperam daquela pessoa. O Job Description vai te dar todas as informacoes praticas, mas oque eu preciso saber mesmo, como recrutadora profissional sao os detalhes sutis que vai fazer um candidato se sobresair entre todos os outros…
Tanto como entrevistadores, ou como candidatos, lembrem-se que quando os candidatos chegam no estagio de entrevista, eh porque o nivel “tecnico” e teorico jah esta todo igual.
Voce vai acabar entrevistando 10 pessoa que estudaram algo bem parecido, que tem mais ou menos o mesmo nivel tecnico, os mesmos anos de experiencia profissional, os mesmos cursos extras etc… hoje em dia eh muito dificil achar alguem que se sobressaia completamente (dependendo da vaga, todos falam uma segunda lingua, todos tem uma pos graduacao, todos trabalharam em multinacionais, por exemplo). Entao, oque, pra voce, gerente daquele time ou departamento, vai fazer a diferenca na hora de escolher o fulano e nao o cicrano?
E eh nisso que voce vai se focar. Entao eu sempre sento com meus gerentes pra perguntar e refletir sobre isso. E dependendo do “perfil” de candidato, habilidades pessoas e tecnicas, personalidade, se o candidato vai se adaptar a cultura da empresa, ou perfil dos clientes, se vai se dar bem com o resto da equipe, etc, ai montamos uma listinha, como alguns dos exemplo que dei acima, com perguntas que visam investigar justamente como os diferentes candidatos vao se sair em determinadas situacoes.
E eh baseado em todos esses pontos juntos, eh que adecisao final deverah ser tomada, e o candidato escolhido.
Selecionar alguem eh uma grande responsabilidade para um gerente; se aquela pessoa der certo, pode ser o sucesso do departamento, da empresa, do escritorio.
Se der errado, basta um “mau elemento” pra desmoronar uma equipe inteira, desmotivar os colegas, irritar clientes, e cometer erros incorrigiveis.
Entoa na hora de avaliar Cvs, nao basta escolher qual a Universidade com mais nome, ou a empresa mais conhecida, nem a pessoas que tem mais anos de experiencia. Essas coisas contam, e muitas vezes dao uma otima colaboracao, mas oque define o sucesso de uma funcionario eh o conjunto da obra, eh a pessoa que nao soh sabe fazer o trabalho, mas faz bem feito!
Adriana Miller
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02 Feb 2010
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Feedback cara de pau

Recursos Humanos, Trabalho

Um post-pergunta:

Voces se sentem confortaveis de dar feedback honesto com seus chefes e colegas?

Eu pergunto isso como pura curiosidade de prefissional de RH, e tambem como uma pessoa naturalmente cara de pau.

Logicamente nem sempre foi assim, e acho que com a experiencia fui criando mais confianca em mim mesma e aprendi a dar valor a importancia de ser honesta e compartilhar suas opinioes num ambiente de trabalho.

Essa semana passei por duas situacaoes interessantes sobre esse mesmo tema, uma relacionada a mim mesma como funcionaria, e outra com uma menina que tinha recrutado ha uns meses atras.

No caso dela, apesar de ultra super capaz tecnologicamente e profissionalmente, sua personalidade simplesmente nao “bateu” com o chefe: ela eh bem timida, daquelas pessoas que teem medo de estar incomodando, e vai deixando os nos na garganta pra depois. Ele (o chefe) bem simpatico e falador, mas por falta de experiencia em gerenciar outras pessoas, nao soube lidar com a diferenca de personalidade dos dois que acabou numa situacao bem feia. Situacao essa que poderia facilmente ter sido evitada e contornada, se um dos dois (ou de preferencia os dois!) tivessem dado um feedback honesto desde o principio da situacao.

No meu caso, eu tenho uma relacao pacifica com minha atual chefa. Tambem temos personalidades completamente diferentes, mas nunca tentamos forcar a barra e virar BFFs. O dialogo sempre foi aberto, e assim fomos melhorando individualmente e como time (nao soh comigo, mas o time todo).

Ano passado aconteceram umas coisas que me deixaram bem desanimada e chateada no trabalho, e isso tirou toda minha energia e vontade de fazer meu self-appraisal. Mas como ela pressionou, resolvi escrever meu feedback.

Acabei escrevendo tanto, mas tanto, que nao coube no sistema de avaliacao, entao copiei tudo num documento Word, escrevi um pouco mais e mandei pra ela por e-mail.

As meninas que trabalham comigo ficaram horrorizadas com minha “coragem” de ser tao sincera e dar um feedback assim tao honesto e direto (por e-mail ainda por cima! Sem ter o “disfarce” do sistema – como se mudasse alguma coisa).

Mas a verdade eh que voces nao teem ideia de quantas coisas podem ser evitadas com o simples gesto de sermos abertos com outros no trabalho. Se minha chefa nao for honesta e cara de pau comigo, me dando uns puxoes de orelha de vez em quando, dizendo na minha cara em que preciso melhorar, onde fiz besteira e tal, eu nunca vou aprender. Se as expectativas dela (e consequentemente da empresa) nao estiverem claras, como vou saber oque precisa ser alcancado, e assim ultrapassados?

E da mesma maneira, se eu nao falar pra ela abertamente como me sinto, minhas frustracoes, dificuldades e development needs, como ela vai saber em que e como me ajudar, me treinar e me desenvolver?

Ainda nao tive meu appraisal final, mas obviamente, depois que mandei minha auto-avaliacao de mais de 3 paginas pra ela ontem de manha, do nada ela quis marcar uma reuniao. Diz ela que ainda nao tinha tido tempo de “nem abrir” meu e-mail, mas coincidentemente acabou mencionando tudo que eu tinha escrito… como se jah estivesse me preparando para oque vem pela frente.

O feedback que ela me deu, apesar de ter algumas cosias negativas, nao me deixou nem um pouco chateada, e acho (espero!) que o feedback que eu dei a ela seja igualmente bem captado.

Se a outra menina tivesse feito isso, a situacao poderia ter sido facilmente resolvida, justamente porque ninguem ia ficar numa situacao de “mas eu nao sabia de nada disso… Porque vc nao falou antes?!”.

E acho mesmo que a grande maioria das dores de cabeca num ambiente de trabalho podem ser resolvidas, desde que todas as expectativas sejam bem estabelecidas, desde o inicio do jogo.

Aff. Falei, falei e nao disse nada.

Adriana Miller
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