24
Oct
2013
Curriculo X Vaga: Como se destacar num processo de selecao
Escrito por Adriana Miller

Nossa, ha muito tempo que eu nao falava sobre Recursos Humanos por aqui, heim?

Pois eh, mas estive pensando bastante no topico acima recentemente, principalmente depois que vi uma manchete do jornal ha umas semanas atras: a reportagem pegava carona no drama/panico da crise financeira que assola a Europa e fez um dramalhao sobre o perfil de uma menina (que estampava a capa da reportagem com uma cara de triste e desiludida), que tinha acabado de se formar, cheia de energia e qualificacoes e nao conseguia arrumar nenhum emprego (nem sequer entrevistas!) apesar dos mais de 3.000 aplicacoes para vagas que ela tinha enviado.

Eu imediatamente revirei os olhos… Afinal, alem do panico e sensacionalismo descenessario criado pela reportagem, pelo ponto de vista de Recursos Humanos, a coisa nunca eh tao assim preto no branco. Claro que a recessao ajuda (quer dizer, atrapalha, e muito), mas existem dezenas de outros fatores e indicativos na reportagem que mostravam que na verdade, ela estava fazendo TUDO errado em sua estrategia pra encontrar um emprego.

Entao eu fiquei pensando em todos os pedidos de “revisao de curriculo” que eu recebo de leitores e conhecidos, e uma situacao engracada que passei no outro dia, durante o recrutamento de uma nova vaga para minha equipe.

Volta e meia algum leitor(a) me manda e-mails pedido ajuda a revisar seu curriculo, dicas de como fazer seu curriculo se destacar e afins, e infelizmente eu quase nunca sei responder essas mensagens.

Por um lado, porque realmente nao tenho tempo. Mas o principal motivo, mesmo, eh que eh impossivel revisar um CV sem ao mesmo tempo ter acesso a vaga a qual aquele curriculo se refere.

Quer dizer, ate da: sempre eh bom pedir pra alguem dar aquela olhada final, pra garantir que voce nao esta enchendo linguica desnecessariamente, que nao tem erros de gramatica nem de digitacao e tal. Mas ai ninguem precisa ser especialista em RH pra fazer isso. Sua mae, marido, namorada, amiga… qualquer um pode fazer uma revisao final.

Porem isso nao significa que seu curriculo esta “bom”, pois simplesmente nao existe “curriculo bom” – os CVs bem sucedidos sao aqueles que se encaixam perfeitamente aos requerimentos de uma vaga especifica.

Ou seja, usando o exemplo da reportagem que dei acima, o erro numero um da menina foi escrever seu CV, salvar o arquivo em seu computador e comecar a enviar candidaturas desenfreadamente, sem parar pra analisar as nuances e especificacoes de cada vaga, e ir adaptando seu perfil, a ordem das experiencias, os adjetivos usados, incluindo e excluindo cursos e extras etc, de acordo com o que cada vaga pede.

Ou seja, se ela se candidatou a 3 mil vagas, deveria ter escrito 3 mil CVs!

Nunca trate seu curriculo como um documento final, estatico. Cada empresa, cada vaga, cada equipe e cada chefe procura um perfil especifico e unico – voce ate pode se encaixar e moldar a todos eles, mas se isso nao estiver explicito naquela folha de papel, esquece. Se voce nao demostrar suas capacidades unicas, naquela oportunidade unica, ninguem nunca vai saber!

E acredite, pelo ponto de vista de recrutadores e gerentes, ninguem esta disposto a dar “chances”, nem “arriscar” e muito menos deixar alguem “dar o primeiro passo”, quando na verdade eh o seu sucesso que tambem esta em jogo.

Recrutamente eh uma coisa muito cara pras empresas, e achar alguem, passar por todo processo de inducao e treinamento ate que aquele novo candidato esteja pronto pra desempenhar um cargo da muito trabalho e exige muitos recursos de todos os envolviddos. Entao esse conceito de que qualquer coisa serve soh pra dar o “primeiro passo” eh uma ilusao que na verdade nao se contretiza na pratica.

Entao no outro dia aconteceu uma coisa curiosa comigo.

Aqui estava eu, revisando curriculos que recebi de um recrutador para uma vaga em minha equipe. Meus requerimentos e exigencias eram bem especificos: eu sei muito bem oque preciso atingir atravez da minha equipe, e ja tinha uma ideia formada sobre oque queria encontrar – como gerente e chefe, uma boa adaptacao com o resto da equipe e do departamento, e claro, o trabalho a ser feito.

Alguns CVs foram descartados na hora, ja alguns outros conseguiram captar minha atencao a ponto de querer “gastar” meu tempo pra conhecer aquela pessoa pessoalmente (afinal, a entrevista eh pra isso mesmo).

Um desses CVs era de uma menina cujo nome me soou familiar. O engracado eh que o nome dela eh super comum aqui na Inglaterra, e nada demais, mas fiquei com aquilo na cabeca.

O CV dele era otimo, direto ao ponto exato do que estava procurando, ate que cheguei a descricao de sua vaga anterior e BOOM! Ja trabalhamos pra mesma empresa! Por isso seu nome era familiar…

Por sorte (ou azar, neh?!) eu lembrava dela, sabia bem oque ela de fato fazia nessa empresa (e portanto sabia que ela tinha “embelezado” demais sua experiencia), e principalmente, sabia os reais motivos que a levaram a ser demitida daquela empresa, e que portanto nao queria te-la em minha equipe.

E qual a moral da historia?! Sem duvida alguma ela escreveu seu CV com todo cuidado, especificamente para minha vaga. Ela leu nas entrelinhas da descricao da vaga, da equipe e do trabalho que eu estava procurando, e soube focar seus pontos fortes, e esconder seus pontos fracos, de tal maneira que imediatamente seu CV captou minha atencao.

Ou seja, se nao fosse a coincidencia de que ja trabalhamos juntas, com certeza absoluta ela teria sido convidada para uma entrevista – e dependendo de sua desenvoltura durante a entrevista, poderia ate ter conseguido o emprego, apesar de tecnicamente, nao ser a pessoa mais qualificada para a vaga.

Entao algumas dicas de coisas pra ficar de olho, e ir adicionando, retirando e modificando em seu CV a CADA vaga que voce se candidatar:

- Qualificado demais, ou qualificado de menos?

Um dos principais erros cometidos por candidatos eh nao saber identificar, realisticamente, sua capacidade de se encaixar ou nao numa vaga especifica.

Quem nunca olhou pra uma vaga e pensou “Ah, eu consigo fazer isso!”?! Das duas, uma: ou voce pensou “tenho experiencia de sobra, e eh obvio que consigo fazer isso de olhos fechados”, ou voce pensou “Parece facil. Nunca fiz isso, mas ja li um livro/fiz um curso/estagio/etc, se alguem me der uma chance, conseguirei aprender bem facil”.

Ambas as respostas estao erradas, e provavelmente nenhum dos dois candidatos vai ser convidado pra uma entrevista.

Do ponto de vista da empresa e do gerente da vaga, um processo de recrutamento eh um grande risco. Eh caro. Eh estressante e cria uma grande impacto na performance da equipe.

Selecionar candidatos, fazer dezenas de entrevistas, contratar e treinar alguem… eh muita trabalheira envolvida pra voce simplesmente dar a vaga a alguem que por mais que voce saiba que sabera fazer tal trabalho sem grandes dificuldades, vai ser dificil de reter e motivar.

Por um lado, o candidato qualificado demais: “Esse candidato ja tem X decadas de experiencia na coisa tal, porque ele quer se rebaixar? Como vou conseguir motiva-lo a longo prazo? Qual sera o impacto de sua experiencia no equilibrio e igualdade no resto de minha equipe?”.

A realidade eh que de maneira geral, gerentes preferem um candidato que seja levemente inexperiente, pois essa pessoa sera mais facil de treinar, de se adapatar e, principalmente, tera motivacao suficiente pra permanecer na vaga por mais tempo.

Mas entao, qual a desvatagem do candidato inexperiente?!

A desvatagem nao eh necesariamente a inexperiencia, e sim nao saber demonstrar (afinal um CV eh apenas um pedaco de papel…) como o pouco de experiencia que voce tem podera ser util para aquela vaga especifica, ou quais outras qualificacoes e experiencias voce tem que podera ser mais ultil do que X decadas de carreira.

Um exemplo bem simples foi quando escrevi sobre carreiras internacionais: e que as vezes o simples fato de voce ja ter morado fora, falar outras linguas e ter feito um mochilao, por exemplo, podem ser apresentados de maneira que voce pode convencer seu “futuro” chefe, que voce tem muito mais talento pra relacoes internacionais doque o cara que fez faculdade de Relacoes Internacionais e passou os ultimos 5 anos revisando contratos de logistica.

- Seja objetivo:

Nao sabe como moldar e “se vender” atravez de seu curriculo? Faca bom uso das cartas de apresentacao, que eh uma meneira mais “livre” de vender seu peixe, de falar mais abertamente sobre suas razoes para QUERER aquele emprego e seguir aquela carreira (se voce nao sabe como responder esses dois pontos, entao nem deveria estar se candidatando a essa vaga…).

Um bom exemplo? Mostre que gracas ao seu mochilao, voce teve que gerenciar um orcamento restrito a longo prazo, teve que lidar com imprevistos e timelines, planejamento antes e durante a viagem, e sem nem falar em todas as qualificacoes “sociais” de ter feito amigos, aprendido a conviver com culturas e linguas diferentes. E isso minha gente, faculdade nenhuma, nem nenhum cursinho da FGV vai te ensinar.

Lembre-se que cada carta de apresentacao ou “objetivo” (aquele primeiro paragrafo do seu CV onde voce se apresenta) deve ser UNICO e escrito especificamente praquela vaga (principalmente em se tratando de cartas). Uma carta de aprensetacao “one size fits all” (Tamanho unico), na verdade nao veste bem a ninguem.

E por favor: evite frases feitas e cliches do tipo “profissional ambicioso, disposto a crescer na carreira” e afins, que falam, falam e nao dizem nada.

- Crie perfis:

Voce pode ate nao sofrer de personalidades multiplas, mas com certeza sabe fazer mais de uma terefa, tem preferencia/interesse por mais de uma area ou industria, tem experiencia em lidar com diferentes situacoes.

Pronto. Cada um desses cenarios deve virar um CV diferente, com foco e destaque a diferentes experiencias e situacoes, que mostre seus pontos fortes por diferentes angulos.

- Da trabalho!

Muitas vezes, achar um bom emprego, eh um emprego por si soh!

Tudo isso que eu escrevi, da trabalho, gasta seu tempo e sua paciencia… Afinal, num periodo de tempo que voce poderia sentar em seu computador e “enviar” 37 CVs, talvez voce so consiga mandar 1 ou duas aplicacoes.

Mas se isso aumenta suas chances de sucesso, que diferenca faz? Quem disse que numa carreira de sucesso o importante eh a quantidade, e nao a qualidade?

Afinal a unica coisa que voce quer eh aquele emprego, aquela chance  (unica) na sua carreira. Entao de que adianta pensar que “mandei 52 curriculos hoje!”, se empresa nenhuma vai te chamar pra uma entrevista? Os as entrevistas acabarao sendo grandes furadas, ou voce vai trabalhar num emprego que odeia?

Nao seria melhor ser mais objetivo e mandar apenas 3 ou 4, e de repente ser chamado pra 1 ou 2 entrevistas (que potencialmente podera se transformal no tal emprego e chance)?

 

Ou seja, claro que vale a pena escrever um curriculo que ja esta ali atualizado e prontinho pra ser enviado, mas encare esse exercicio como um “work in progress”, uma base de rascunho que pode facilmente ser adaptada e modificada para diferentes situacoes (vagas, empresas, industrias, paises etc), e nunca encare seu curriculo como um documento final, estatico e infelxivel – se seu perfil, experiencia e carreira nao sao assim, porque o seu curriculo deveria ser?!

 Outros posts que complementam a ideia e dao outras dicas (todos estao na tag “Recursos Humanos”)

- Dicas para Entrevistas

- (Mais) Dicas para entrevistas

- Como escrever seu curriculo

- Como desenvolver a carreira “Internacional”

- Como se vestir para entrevistas e no trabalho

 

Categorias: Recursos Humanos, Trabalho
45
21
Dec
2012
Licenca Maternidade no UK
Escrito por Adriana Miller

Nos ultimos meses muita gente me perguntou detalhes e me pediram pra contar como funciona a Licenca Maternidade no UK. Eu fiquei sem tempo, e ai enrolei, enrolei… mas como hoje eh meu ultimo dia de trabalho por muito e muitos meses, achei que seria uma boa finalmente falar um pouco sobre isso.

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Pra comecar um esclarecimento, pois sempre ouco por ai o pessoal falando sobre “la fora” ou “na Europa”, como se todo o continente pudesse ser classificado como uma coisa soh.

Por aqui, temos paises com politicas otimas, porem a maioria esta na media mundial ou ate mesmo um pouco pior.

Ok, que nao da pra comparar com a politica familiar vergonhosa dos EUA por exemplo, mas muito se engana quem esta no Brasil e acha que “na Europa” a coisa eh muito melhor! (quem acompanha o blog ha um tempinho deve lembrar que minha dissertacao de mestrado foi justamente sobre a licenca maternidade nos EUA!)

Na verdade, tirando os paises Escandinavos e o Reino Unido, a politica Maternidade/Paternidade dos paises Europeus eh bem homogenea – a maioria dos paises oferece apenas cerca de 4 meses para maes e 2 semanas para pais. Ou seja, praticamente o mesmo oferecido na iniciativa privada no Brasil, por exemplo.

O que varia entre um pais ou outro eh justamente os “plus a mais”, ja que no geral a Europa eh bastante generosa com politicas “familiares” e a lei trabalhista tende a ser muito amigavel a familias e o balanco vida/trabalho dos trabalhadores.

Entao em alguns paises eh possivel passar anos trabalhando em meio periodo para cuidar das criancas (e alguns paises ate oferecem seguranca de emprego durante esse periodo, entao trabalhar a menos pra cuidar da familia garante que vc nao seja demitido), outros paises permite que voce amplie a licenca familiar por um certo periodo nao remunerado, e por ai vai.

Ja na Inglaterra especificamente, as leis trabalhistas nao sao tao protecionistas quanto em alguns paises Europeus (principalmente os paises Latino-Europeus), mas a licenca maternidade e paternidade estatutoria (a garantida por lei) ja comeca bem mais confortavel que seus vizinhos Europeus.

Pra comecar que por lei, maes tem direito a 52 semanas de licenca (um ano completo) e pais tem direito a 26 semanas (6 meses) de licenca paternidade.

Mas eh claaaaro que nem tudo eh tao lindo e simples assim, e apesar de termos o direito de tirar ese tempo todo de licenca, a grandissima parte desse periodo eh nao remunerado, oque significa que a maioria das pessoas tira apenas uma fracao desse periodo.

E o grande variante eh justamente seu empregador, e obviamente sua situacao financeira e familiar.

Se voce trabalha para uma boa empresa (geralmente as multinacionais) com politicas generosas de Recursos Humanos, a sua empresa vai oferecer um “top up” no seu salario, garantindo X meses de licenca remunerados. Ou se a renda familiar se segura numa boa com apenas 1 salario, entao a coisa tambem fica mais facil por mais tempo.

Mas a lei, no papel funciona assim:

Licenca Maternidade:

A Licenca Maternidade na Inglaterra dura 52 semanas e eh dividida da seguinte maneira:

6 semanas iniciais onde o National Insurance (o equivamente ao nosso INSS ou Seguranca Social) paga 90% do seu ultimo salario – caso voce esteja trabalhando – ou entao te da uma “bolsa auxilio” de £125 Libras por semana (caso vc nao esteja trabalhando, mas seja contribuinte e pague impostos).

Depois dessas 6 semanas iniciais, a mae ainda tem direito a mais 33 semanas, totalizando 39 semanas chamadas de “Ordinary Maternity Leave”. Essas 39 semanas (mais ou menos 9 meses) eh o periodo “Pago” da licenca, porem o Governo so paga uma bolsa auxilio semanal, que para o ano fiscal 2012/2013 eh de apenas 125 Libras por semana, ou cerca de 500 Libras por mes.

Depois desse periodo, a mulher ainda tem direito a mais 13 semanas (mais 3 meses) de “Additional Maternity Leave”, onde ela retem todos os seus direitos trabalhistas porem eh um periodo de licenca nao remunerado.

Ou seja, para a grandissima maior das pessoas, nao eh possivel viver na Inglaterra com um salario de 500 Libras por mes, ainda mais considerando os custos extras de um bebe pequeno, e portanto a muitas mulheres voltam a trabalhar 3 ou 4 meses depois do nascimento do bebe.

Porem, se voce trabalha para uma boa empresa na iniciativa privada, com certeza voce tera direto a “Occupational Meternity Leave”, que eh um beneficio privado e facultativo a definir por cada empresa, que complementa seu salario durante parte ou a totalidade do periodo de sua licenca maternidade “Ordinary”.

Tenho varias amigas gravidas aqui na Inglaterra no momento, todoas com bons empregos em empresas multinacionais, e as politicas de suas empresas variasm entre 3 meses de licenca paga a 9 meses de licenca paga – mas a media do mercado eh pagar pelo menos 6 meses de salario integral.

Licenca Paternidade:

Em 2010 o governo Britanico mudou suas leis de Licenca Paternidade e os homens agora tambem tem direito a tirar ate 26 semanas de licenca paterndade, porem, assim como a licenca maternidade, as regras (e o pagamento) nao eh assim tao generosa quanto parece ser.

O padrao do mercado eh que apenas a primeira ou as 2 primeiras semanas apos o nascimento do bebe sejam remuneradas. Depois disso, as 24 semanas seguintes sao classificadas como “Ordinary Paternity Leave”, e assim como para as mulheres, os pais passam a ter direito apenas a receber uma bolsa auxilio do governo de 125 libras por semana.

Alem disso, qualquer semana (alem das 2 semanas iniciais) tirada pelos pais, eh descontada das semanas da licenca da mae. Ou seja, se o pai da crianca requisitar tirar 26 semanas de licenca, a mae da crianca so tera direito a 26 semanas, em vez do ano todo.

Ainda ssim eh bom, ja que daria a oportunidade a ambos os pais terem uma participacao igualitaria na criancao dos filhos durante os primeiros 6 meses de vida da crianca (Ou os 12 primeiros meses, caso o pai e a mae nao saiam de licenca ao mesmo tempo. Eque eh a intencao da politica), mas em termos praticos, o corte na renda familiar faz com que o beneficio nao seja muito utilizado – e sem falar no preconceito que ainda rola em relacao a homens que querem participar tao abertamente na criacao dos filhos a ponto de abrir mao da carreira por 6 meses.

Afinal, por mais que as mulheres reclamem de um certo “preconceito” em relacao a oportunidades de carreira e tal, essa ausencia eh bem aceita e ate mesmo esperada, mas ja os homens nao tem a mesma vantagem.

No outro dia eu estava conversando com uma colega aqui no RH, e dos quase 10 mil funcionarios que meu banco tem na Inglaterra, desde a mudanca da lei apenas 1 unico homem pediu licenca paternidade!

No nosso caso em particular a empresa do Aaron so paga por 2 semanas de licenca paternidade, entao eh apenas esse periodo que ele vai tirar pra ficar em casa 100% comigo. E apesar de que ele negociou um periodo de trabalhao mais “leve” e sem viagens nos primeiros meses, seu chefe (que eh Alemao) ficou horrorizado com a sequer possibilidade de que ele teria direito a pedir 6 meses de licenca! Ou seja, essa possibilidade foi de cara descartada, pra nao colocar sua carreira em risco.

E na minha empresa eu tenho direito a 6 meses de salario integral durante minha licenca, entao o padrao eh que mulher nenhuma volta a trabalhar antes dos 6 meses iniciais.

Eu dei aviso previo de 1 ano, so por via das duvidas, e potencialmente poderia ficar um total de 15 meses de licenca – considerando que minha data prevista de retorno eh dia 29 de Dezembro de 2013, e ainda tenho 6 semanas de ferias em 2013 e mais 6 semanas de ferias em 2014. Entao caso queira, ou precise, poderia ficar de licenca maternidade ate o inicio de Abril de 2014!!! Coisa de louco!

Mas na realidade, estou me preparando psicologicamente pra voltar a trabalhar la pra Setembro ou Outubro do ano que vem, e ja negociei com meu chefe que quando voltar, provavelmente voltarei num esquema flexivel, trabalhando 2 ou 3 dias em casa por semana, e os outros 2 ou 3 dias no escritorio ou viajando., e usarei parte das minhas ferias para trabalhar em esquema part time, mas recendo salario integral por mais uns meses.

Por sorte o Aaron conseguiu negociar o mesmo esquema com a empresa dele, e quando eu voltar a trabalhar ele tambem vai ficar em casa 2 ou 3 dias, e assim poderemos organizar nossas rotinas de trabalho e viagens a trabalho de maneira que nossa bebe nunca fique uma semana inteira sozinha em casa com a baba sem um dos pais sempre em casa durante o dia, garantindo que esta tudo bem, nem teremos que manda-la pra creche com 6 ou 7 meses de vida (que eu ainda acho muito noviha pra mandar pra creche).

Como isso tudo vai se desenrrolar na pratica, so o tempo dirah (sera que vou querer voltar a trabalhar antes de outubro, ou vou acabar querendo ficar de licenca ate Abril do ano seguinte?! Vamos nos acostumar com baba, ou vamos acabar preferindo uma creche?!), mas esse eh o plano no momento e esses sao nossos direitos e beneficios.

Entao tenho me sentido incrivelmente sortuda e felizarda de morar num pais que respeite tanto os direitos familiares, e por trabalhar numa empresa tao generosa em suas politicas e beneficios, onde nao terei que escolher entre uma carreira ou o bem estar de minha filha.

 

Categorias: Baby Everywhere, Gravidez, Recursos Humanos, Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
29
05
May
2011
Enquanto eu estou de ferias, vamos falar de trabalho!
Escrito por Adriana Miller

Ha umas semanas atras a Paula começou uma serie de posts sobre carreira. Aquela coisa que todo mundo já passou na vida (voce não? Sortudo!) de não saber oque fazer quando crescer…. ou ainda, crescer e descobrir que não fez a escolha certa.

Então ela convidou leitoras e blogueiras pra darem depoimento sobre carreiras interessantes e diferentes. A minha, de diferente e interessante não tem nada (teve post sobre Oceonografia, Paleontologia, etc, então meu job 9-to-5 ficou sonolentamente normal), mas nunca fiu timida ao admitir que até me encontrar numa carreira que amo e que e satisfaz, eu troquei de rumo e quebrei a cara não 1, não duas, mas 3 vezes nessa vida.

Então foi sobre isso que contei no post sobre dar uma guinada na carreira.

Eu já falei muito sobre isso por aqui, mas nunca ficou assim, tão conciso e resumido… então quem tá pensando sobre oque quer ser quando crescer, dá uma passadinha !

Categorias: Blog, Midia, Recursos Humanos, Trabalho
27
05
Jul
2010
Dicas para Entrevistas
Escrito por Adriana Miller

As dicas de hoje sao para as pessoas que estao do outro lado da mesa: os entrevistadores!

A grande maioria dos comentarios, e-mails e pedidos realcionados a carreira e RH sao sob o ponto de vista do candidato, mas volta e meia alguem me pede dicas para entrevistador.

Nao todas as empresas que tem o luxo de ter um departamento de RH, com pessoas treinadas para entrevista e selecao, e a grande maioria das entrevistas que acontecem mundo a fora sao feitas por gerentes e funcionarios “comuns”.

O interessante eh que quem se candidata a uma vaga e vai fazer sua entrevista numa determinada empresa, nunca imaginaria que provavelmente a pessoa te entrevistando esta tao nervosa quanto o candiato!

Jah perdi as contas de quantas vezes entrei na sala de entrevista com um gerente ou diretor suando frio, sem saber oque falar, oque perguntar, e com inseguranca de tomar uma decisao e acabar contratando a pessoa errada pro emprego. A responsabilidade eh grande!

Entao uns dias atras uma amiga da blogsfera me mandou uma e-mail de socorro, pedindo minhas Top 5 dicas de entrevistas, pois no dia seguinte ela entrevistaria umas 15 pessoas, e nunca tinha entrevistado ninguem na vida!

Entao porque nao transformar isso num post, certo?

Pra comecar, acho que a licao numero 1 em entrevistas, como entrevistador eh evitar a todo custo as perguntas “fechadas”, ou seja, nunca perguntar nada diretamente, tipo “voce sabe usar Excel?” A resposta vai ser SIM ou NAO e voce nunca vai poder de fato avaliar quanto aquela pessoa sabe usar excel (por exemplo).

O truque eh sempre focar nas perguntas de situacao, compentecy based e sempre, sempre abertas. Sempre pensando e focando nas qualificacoes e qualidades que voce quer que o candidato ideal tenha. Eh nisso que voce vai basear sua entrevista.
 
Entao digamos que vc vai entrevistar uma secretaria, e as “base compentencies” sao, digamos: atencao ao cliente, informatica e organizacao. De quebra se a pessoa tiver experiencia similar, souber falar Ingles e tal serao adicionais e diferenciadores.
 
Entao nesse caso as perguntas devem ser direcionadas aos “skills“, ou habilidades, que o candidato ideal TEM que ter, tanto baseado em experiencias passadas, mas tambem baseado em como aquele pessoa reagiria em situacoes hipoteticas. Por exemplo:
 
- Me de um exemplo de uma situacao onde voce teve que lidar cara a cara com clientes?
 
- Me de um exemplo de uma situacao onde um cliente foi mau educado com voce, e como voce lidou com essa situacao?
 
- Oque voce faria na situacao onde um cliente tem uma reclamacao, onde a culpa foi da empresa?
 
- Me de um exemplo de uma cargo ou experiencia passada (ou atual) onde vc eh responsavel por oganizar a correspondencia de um gerente? Quais sao seus criterios de prioridades?
 
- Me de um exemplo de uma apresentacao que voce teve que fazer em Power Point onde a informacao sobre o assunto era limitado? Como voce se preparou ou pesquisou sobre o assunto?
 
- Descreva uma situacao onde voce teve que lidar com clientes ou fornecedores internacionais? Quais foram as principais dificuldades dessa situacao?
 
Cada uma dessas perguntas vai colocar o candidato numa situacao real, onde voce, como entrevistador, podera avaliar se a maneira como aquela determinada pessoa lidou com uma determinada situacao esta de acordo com oque voce espera ou nao.
 
Deu pra entender o espirito da coisa?
E ai, cada pergunta pode ter uma inifindade de sub-perguntas, onde voce vai testar e aprofundar as respostas do candidato, pra garantir que nao tah rolando pura enrrolacao nas respostas.
Esse metodo eh semi-infalivel pois tudo eh baseado em situacaoes reais, e ou eles sabem lidar com aquele situacao de uma maneira satisfatoria, ou nao.
E isso vale pra tudo numa entrevista, as habilidades praticas (informatica, Ingles, datilografica, conhecimentos tecnicos e qualquer outra coisa “demonstravel”), e para as habilidades teoricas (comunicacao, atendimento ao cliente, personalidade, paciencia, etc).
Um exercico que eu sempre faco com meus gerentes antes de sequer comecar a procurar CVs eh sentar com eles e comecar a investigar oque eles esperam daquela pessoa. O Job Description vai te dar todas as informacoes praticas, mas oque eu preciso saber mesmo, como recrutadora profissional sao os detalhes sutis que vai fazer um candidato se sobresair entre todos os outros…
Tanto como entrevistadores, ou como candidatos, lembrem-se que quando os candidatos chegam no estagio de entrevista, eh porque o nivel “tecnico” e teorico jah esta todo igual.
Voce vai acabar entrevistando 10 pessoa que estudaram algo bem parecido, que tem mais ou menos o mesmo nivel tecnico, os mesmos anos de experiencia profissional, os mesmos cursos extras etc… hoje em dia eh muito dificil achar alguem que se sobressaia completamente (dependendo da vaga, todos falam uma segunda lingua, todos tem uma pos graduacao, todos trabalharam em multinacionais, por exemplo). Entao, oque, pra voce, gerente daquele time ou departamento, vai fazer a diferenca na hora de escolher o fulano e nao o cicrano?
E eh nisso que voce vai se focar. Entao eu sempre sento com meus gerentes pra perguntar e refletir sobre isso. E dependendo do “perfil” de candidato, habilidades pessoas e tecnicas, personalidade, se o candidato vai se adaptar a cultura da empresa, ou perfil dos clientes, se vai se dar bem com o resto da equipe, etc, ai montamos uma listinha, como alguns dos exemplo que dei acima, com perguntas que visam investigar justamente como os diferentes candidatos vao se sair em determinadas situacoes.
E eh baseado em todos esses pontos juntos, eh que adecisao final deverah ser tomada, e o candidato escolhido.
Selecionar alguem eh uma grande responsabilidade para um gerente; se aquela pessoa der certo, pode ser o sucesso do departamento, da empresa, do escritorio.
Se der errado, basta um “mau elemento” pra desmoronar uma equipe inteira, desmotivar os colegas, irritar clientes, e cometer erros incorrigiveis.
Entoa na hora de avaliar Cvs, nao basta escolher qual a Universidade com mais nome, ou a empresa mais conhecida, nem a pessoas que tem mais anos de experiencia. Essas coisas contam, e muitas vezes dao uma otima colaboracao, mas oque define o sucesso de uma funcionario eh o conjunto da obra, eh a pessoa que nao soh sabe fazer o trabalho, mas faz bem feito!
Categorias: Recursos Humanos, Trabalho
14
02
Feb
2010
Feedback cara de pau
Escrito por Adriana Miller

Um post-pergunta:

Voces se sentem confortaveis de dar feedback honesto com seus chefes e colegas?

Eu pergunto isso como pura curiosidade de prefissional de RH, e tambem como uma pessoa naturalmente cara de pau.

Logicamente nem sempre foi assim, e acho que com a experiencia fui criando mais confianca em mim mesma e aprendi a dar valor a importancia de ser honesta e compartilhar suas opinioes num ambiente de trabalho.

Essa semana passei por duas situacaoes interessantes sobre esse mesmo tema, uma relacionada a mim mesma como funcionaria, e outra com uma menina que tinha recrutado ha uns meses atras.

No caso dela, apesar de ultra super capaz tecnologicamente e profissionalmente, sua personalidade simplesmente nao “bateu” com o chefe: ela eh bem timida, daquelas pessoas que teem medo de estar incomodando, e vai deixando os nos na garganta pra depois. Ele (o chefe) bem simpatico e falador, mas por falta de experiencia em gerenciar outras pessoas, nao soube lidar com a diferenca de personalidade dos dois que acabou numa situacao bem feia. Situacao essa que poderia facilmente ter sido evitada e contornada, se um dos dois (ou de preferencia os dois!) tivessem dado um feedback honesto desde o principio da situacao.

No meu caso, eu tenho uma relacao pacifica com minha atual chefa. Tambem temos personalidades completamente diferentes, mas nunca tentamos forcar a barra e virar BFFs. O dialogo sempre foi aberto, e assim fomos melhorando individualmente e como time (nao soh comigo, mas o time todo).

Ano passado aconteceram umas coisas que me deixaram bem desanimada e chateada no trabalho, e isso tirou toda minha energia e vontade de fazer meu self-appraisal. Mas como ela pressionou, resolvi escrever meu feedback.

Acabei escrevendo tanto, mas tanto, que nao coube no sistema de avaliacao, entao copiei tudo num documento Word, escrevi um pouco mais e mandei pra ela por e-mail.

As meninas que trabalham comigo ficaram horrorizadas com minha “coragem” de ser tao sincera e dar um feedback assim tao honesto e direto (por e-mail ainda por cima! Sem ter o “disfarce” do sistema – como se mudasse alguma coisa).

Mas a verdade eh que voces nao teem ideia de quantas coisas podem ser evitadas com o simples gesto de sermos abertos com outros no trabalho. Se minha chefa nao for honesta e cara de pau comigo, me dando uns puxoes de orelha de vez em quando, dizendo na minha cara em que preciso melhorar, onde fiz besteira e tal, eu nunca vou aprender. Se as expectativas dela (e consequentemente da empresa) nao estiverem claras, como vou saber oque precisa ser alcancado, e assim ultrapassados?

E da mesma maneira, se eu nao falar pra ela abertamente como me sinto, minhas frustracoes, dificuldades e development needs, como ela vai saber em que e como me ajudar, me treinar e me desenvolver?

Ainda nao tive meu appraisal final, mas obviamente, depois que mandei minha auto-avaliacao de mais de 3 paginas pra ela ontem de manha, do nada ela quis marcar uma reuniao. Diz ela que ainda nao tinha tido tempo de “nem abrir” meu e-mail, mas coincidentemente acabou mencionando tudo que eu tinha escrito… como se jah estivesse me preparando para oque vem pela frente.

O feedback que ela me deu, apesar de ter algumas cosias negativas, nao me deixou nem um pouco chateada, e acho (espero!) que o feedback que eu dei a ela seja igualmente bem captado.

Se a outra menina tivesse feito isso, a situacao poderia ter sido facilmente resolvida, justamente porque ninguem ia ficar numa situacao de “mas eu nao sabia de nada disso… Porque vc nao falou antes?!”.

E acho mesmo que a grande maioria das dores de cabeca num ambiente de trabalho podem ser resolvidas, desde que todas as expectativas sejam bem estabelecidas, desde o inicio do jogo.

Aff. Falei, falei e nao disse nada.

Categorias: Recursos Humanos, Trabalho
18
20
Jan
2010
S.A.L. – Como entender os salarios na Inglaterra
Escrito por Adriana Miller

A Flavia me mandou um e-mail pedindo uma explicacaozinha sobre como entender os salarios na Inglaterra.

Ela gostaria de trabalhar aqui e tem aplicado para empregos on line na sua area, pra ver se alguma coisa pinta.

E entao ela ficou na duvida, pois a grande maioria das vagas pedem pretencao salarial, e ela nao entendeu muito bem como funciona a media por aqui.

O engracado eh que eu recebo muito essa pergunta nao soh pelo blog, mas dos candidatos extrangeiros que entrevisto diariamente, pois muitas das pessoas que veem trabalhar na Inglaterra ao entendem direito nosso “sistema”.

A primeira coisa a salientar, eh que aqui as diferencas salariais sao minimas. Sao precisos muitos e muitos anos de experiencia e muito sucesso na sua carreira para que seu salario seja realmente “astronomico”, que te permita uma vida de luxos em Londres.

Ou seja, nao existe muita diferenca salarial entre uma faxineira, um garcon, uma recepcionista, um trainee de escritorio de advocacia, ou um analista junior de Marketing com diploma e pos graduacao.

A unica diferenca eh que com um bom nivel de Ingles e boa qualificacao o trainee de advocacia e o analista de Marketing terao progressao de carreira, e as outras vagas “nao qualificadas” nao. Mas jah vi muita gente que serve mesa em bar que ganha bem mais que outra pessoa que trabalha em “escritorio”.

Isso soh pra dar uma introducao a nao-existencia de diferencas sociais, oque pode ser um pouco confuso pra quem acabou de chegar ou esta procurando emprego antes mesmo de vir pra cah. Voce vai ver um monte de vagas completamente diferetes que pagam mais ou menos a mesma coisa.

Outra coisa importante de saber eh que as vagas aqui geralmente sao anunciadas com uma “banda salarial”, que eh calculada em valor bruto anual. E isso eh bem diferente doque se ve no Brasil, na Espanha ou em Portugal por exemplo, que os salarios sao anunciados jah com o valor final que vai entrar na sua conta bancaria todo mes.

Isso porque, por aqui, se parte do principio que varias pessoas diferentes, de niveis de qualificacao e experiencia diferentes podem fazer um determinado trabalho. Sua qualificacao e experiencia vao determinar sua colocacao na “banda” salarial. Quem tem mais experiencia e qualificacao ganha mais. Quem tem menos qualificacao e experiencia (incluindo experiencia “local”) ganha menos. Eh bem comum vermos, em um mesmo time, varias pessoas fazendo o mesmo trabalho, mas com salarios beeeem diferentes.

Entao o exemplo que dei pra Flavia foi o seguinte:

Ela queria ter uma ideia sobre medias do mercado na area dela, que eh uma coisa que nao sei, pois nao trabalho com esse tipo de vagas. Mas uma boa indicacao sao as “salary bands” que quase sempre estao incluidas nos anuncios.

Entao por exemplo, uma vaga que anuncia uma banda salarial entre 35 mil libras e 45 mil libras, e voce se qualificar como “middleweight” e pedir um salario de 40 mil, seu salario liquido mensal serah uma media de 2,5 mil libras, por exemplo (mas isso varia de individuo pra individuo, depende qual Tax Code o governo vai alocar pra voce – baseado na sua situacao socio economica – e outras deducoes de beneficios que sua empresa faca).

Ou seja: 40.000 / 12 = 3.333 – (+-)30% = 2.300 Libras liquidos por mes.

(parentese: o imposto de renda da Inglaterra varia entre 15 e 40%, mas o calculo eh meio complicado e leva um zilhao de coisas em consideracao, nao apenas seu salario, entao usei uma media bem media, tendo em base o salario do meu exemplo)

(Parentese 2: aqui na recebemos 13o salario no Natal nem 14o salario no verao – como na Espanha, Portugal, Itaia e Grecia – entao o salario bruto anual eh dividido por 12 e nao 13 ou 14)

Mas na verdade, antes de sequer te oferecerem a vaga, com certeza eles vao pedir que voce confirme sua “compensation package” atual, ou seja, seu salario bruto anual, seus beneficios, bonus, e todos os extras, para poderem te comparar com a media do mercado. E na verdade eh isso que vai definir seu novo patamar salarial.

Infelizmente, muitos candidatos que vem do exterior recebem salarios (em seus paises) bem abaixo da media Inglesa, e isso acaba influenciando seu (novo) salario final.

Entao usando o exemplo que dei acima, digamos que sua experiencia e qualificacao te posiciona na “media” da banda e portanto com um salario equivalente de 40 mil Libras por ano.

Mas por outro lado, enquanto no Brasil voce ganhava um salario de 8 mil reais por mes (nao faco menor ideia se isso eh viavel no Brasil, se eh muito ou pouco heim gente! Apenas um exemplo!), totalizando 104 mil reais brutos por ano (os salarios no Brasil sao calculados em 13 meses, mas aqui nao temos 13o em dezembro, portanto sao apenas 12 meses de salarios por ano), que convertidos a libras te colocaria numa media de 26 mil libras por ano.

Por causa disso, dependendo da empresa, ha grandes chances que numa media de mercado, voce nao seja posicionada na media “real” de 40 mil e sim na “sua” media, e talvez ganhe inicialmente uns 30 mil libras, por exemplo.

O motivo pelo qual empresas fazem isso eh por causa do tax code de extrangeiros, e como “periodo de prova”, jah que eh sempre um grande risco contratar alguem que vem diretamete de outro pais. As situacoes em que eu vi isso acontecendo, depois de um tempo os salarios se regularam, e os funcionarios estrangeiros passaram a receber o salario da media inicial.

Eu sei que eh complicado, mas eu lembro do quanto eu fiquei perdida quando comecei a procurar emprego em Londres!!

Mas voltando ao meu comentario no inicio do post, sobre diferecas sociais, oque quis dizer eh que a “qualidade” de vida aqui e no Brasil nao eh a mesma.

Apesar de sempre reclamar dos precos no Brasil, como turista, sei que a comparacao entre pagar um aluguel, conta de luz e gaz, supermercado e afins no Brasil eh infinitamente mais barato que aqui por exemplo. E uma pessoa que ganha 8 mil Reais por mes, numa cidade como Rio ou Sao Paulo com certeza vai dirigir o carro do ano, ter uma empregada ou faxineira, sair todo fim de semana pra barzinhos da moda e achar que uma saia de 300 reias no shopping eh um “achado”, enquanto que aqui esse padrao de vida eh BEM diferente.

Comecando pela compracao entre o profissional estabelecido, bem qualificado e cheio de experiencia e fluencia em linguas que ganharia um salario mensal de 2.500 Libras. Esse cara nunca vai poder pagar 800 por mes pra ter uma faxineira trabalhando o dia todo duas vezes por semana, por exemplo.

Por isso acho tao complicado responder os e-mails que me perguntam: “Quanto eh preciso ganhar por mes pra ter uma vida boa em Londres? Uma aprtamento de 2 quartos numa area bonitinha de Londres, sair pra comer em restaurantes legais e viajar de vez em quando?”.

Complicado neh? Oque eh uma “vida legal” pra mim, pode nao ser nada legal pra voce, e vice versa. Uma area bonitinha em Londres pra mim pode ser bem diferente pra voce, a necessidade de ter faxineira, manicure, depiladora, carro do ano, viajar e ficar em bons hoteis, comprar roupa nova, frequentar os restaurantes e barzinhos da moda, etc, etc, eh muito diferente de uma pessoa pra outra.

O moral da historia eh que, pra bem ou pra mal, a vida fora do Brasil (e nao me refiro apenas a Inglaterra nao) eh bem diferente. Em alguns aspectos eh um diferente bom, mas para muitas outras cosias, eh um diferente nao tao legal.

Quer quer morar fora, tem que vir com uma mente aberta, e disposto a viver a vida como ela eh em seu novo destino. oque nao dah eh achar que vai imigrar pra Europa, EUA, e afins e manter a mesma vida classe-media que teus pais te criaram… As vezes ateh dah, mas eh preciso adaptacao e jogo de cintura, pra nao virar um daqueles Brasileiros que vive reclamando da vida “dura”, pois lah no Brasil eh que era bom!

Categorias: Recursos Humanos, S.A.L., Trabalho, Vida na Inglaterra
87
12
Nov
2009
Candidato robotico
Escrito por Adriana Miller

Um tipo de candidato muito comum que eu tenho visto ultimamente sao os candidatos-robot.

Sao varios motivos que podem levar alguem a se comportar assim, mas que pode ser tao prejudicial a performace numa entrevista, como qualquer outra gafe mais “classica” como chegar atrasado, amarrotado, descabelado, e afins.

Oque eh um candidato robotico? O discurso cliche ensaiado, as respostas na ponta da lingua e a sensacao de linha de producao, de comportamento padrao.

Eh aquele candidato que geralmente esta desempregado, desesperado pra arrumar um emprego e aplica pra qualquer coisa que pareca nos sites de emprego.

Nao existe problema nenhum em fazer isso. Eu jah fiz, voce jah fez, e TODO mundo faz. O resultado final eh conseguir um emprego e um salario no fim do mes, entao vale tudo. Porem, ninguem precisa saber disso, e se ficar obvio, ninguem vai querer te entrevistar.

O problema eh que quando vc senta numa sala de entrevista e chega com sua carta de apresentacao copy/paste, usando chavoes e cliches pra descrever sua experiencia e as respostas ensaiadas na ponta da lingua, todo mundo percebe, e eh o maior queima filme.

Como eu jah mencionei aqui outras vezes, eh super importante se “dedicar” a cada uma das vagas.

Muito mais que um curriculo exemplar, formacao de primeira, curso disso e daquilo, na reta final oque conta mesmo eh ser diferente! Voce, como candidatdo, pode ateh nao estar nem ai sobre qual emprego vai arrumar, desde que pague suas contas, mas pra pessoa do outro lado da mesa, te entrevistando, eh importante ver que aquela pessoa (vc, candidato!) respondendo suas perguntas quer trabalhar para e com voce!

Quem trabalha em RH, esta acostumado e nao nasceu ontem, mas geralmente a decisao final nao eh de RH e sim do gerente que esta recrutando (ou seja, o chefe da vaga em questao), que eh uma pessoa que nao eh entrevistador profissional, e com sorte faz uma ou outra entrevista por ano. Por isso, mais que um curriculo top, um terno bem cortado e um aperto de mao firme, eh muito importante rolar uma empatia, uma sintonia e ter a impressao de que aquele candidato realmente esta interessado na empresa, na vaga e na oportunidade. E mais que isso, saber que para aquele gerente (entrevistador) aquela pessoa do outro lado da mesa vai facilitar sua vida, vai participar do seu time, e ainda por cima, vai ser uma pessoa sua legal de se trabalhar, afinal voces vao pasar 8 horas por dias, 5 dias por semana, nos proximos muitos e muitos anos.

Pensa soh, fazendo analogias simplistas: Voce vai sair pela primeira vez com um menino/menina que seus amigos querem te apresentar. O candidato eh cheio de potencial: bonito, inteligente bla bla bla. O curriculo perfeito. Mas ai, quando vc dah de cara com o cidadao, descobre que ele(a) anda por ai jogando a rede (CV) pra tudo quanto eh lado, mal sabe quem voce eh, oque faz, e mal presta atencao noque vc esta falando.

Qual vai ser sua reacao? Provavelmente nao rolara o menor interesse, por mais que seja o Brad Pitt do outro lado da mesa.

Ontem entrevistei um cara assim. On paper ele era perfeito. Daqueles curriculos que eh dificil de aparecer, mas quando aparecem sao a solucao dos seus problemas! O cara chegou e estava tudo perfeito: bem vestido, simpatico, bom eye contact, tom de voz, a educacao, seus empregos anteriores, etc, etc.

Porem, ele era um candidato robotico! Ele esta desempregado ha uns meses, e assim como outros milhares de Ingleses nao esta conseguindo arrumar outro emprego durante a crise, mesmo tendo um CV exemplar.

O problema eh que por estar fazendo centenas de entrevistas o tempo todo ele virou um entrevistador profissional e perdeu todo sua personalidade, seu dferencial. Suas respostas sao ensaiadas, e ele jah responde sem nem prestar atencao, sem nem ouvir a pergunta ateh o final. Qualquer pedido de detalhes ou perguntas fora do normal, ele se atrapalhava todo. Respondia, e bem, mas nitidamente desconfortavel, pois nao para isso que ele estava “preparado”.

Outro problema de fazer entrevistas em “serie” e perder o controle de quem eh quem, quem faz oque, e tal.

Eh super importante estar preparado para cada entrevista individual, assim como eh importante se preparar para cada CV enviado.

Geralmente as cartas de apresentacao copy/paste sao bem obvias, cheias de enche-linguica que falam, falam e nao dizem nada. No meu ultimo period job hunting eu criei uns 4 ou 5 tipos de carta de apresentacao diferentes (e os respectivos CVs), dependendo do perfil da vaga e da empresa para qual eu queria aplicar. E no fim das contas, dei de cara com uma vaga que eu achei que perfeita pra mim, escrevi um e-mail direto e personalizado pro recrutador/agencia me apresentado e explicando o porque de querer aplciar praquela vaga (que na verdade eh como toda carta de apresentacao deveria ser). Nao deu outra: no dia seguinte ele me ligou, na semana seguinte fiz minha primeira entrevista e duas semanas depois recebi a oferta de emprego.

Soh pra servir como um pequeno exemplo de que as vezes, uma certa personalizacao faz toda a diferenca.

Mas voltando ao candidato robotico de ontem , e tantos outros que tenho visto nessa epoca de crise e de muitos desempregados topando qualquer coisa.

A principal problema da performance dele eh que ficou obvio durante toda a entrevista que, apesar de super bem qualificado, e sem sombra de duvidas super competente pra desempenhar a funcao, ele mal sabia doque a vaga se tratava e oque a empresa fazia.

Logo, por nao estar preparado especificamente para esse entrevista suas respostas nao eram especificas e relevantes para a funcao, e acada pergunta feita tinhamos que fazer outras 3 ou 4 para poder conseguir arrancar todos os detalhes dele e ver se ele acordava do transe candidato-entrevistador.

Eu nao canso de repetir o quanto eh importante se preparar antes de qualquer entrevista. Pesquisar sobre a empresa, a industria, os concorrentes, como esta o mercado, a estrutura do time, etc, etc. Enfim, mostrar um interesse genuino por aquela vaga, ainda que seja apenas o meio para conseguir pagar as contas no fim do mes.

Tenha perguntas preparadas, pois fazer perguntas mostra interesse,  e apenas candidatos bem preparados e interessados teem duvidas genuinas sobre a empresa e a vaga. Mesmo que sejam perguntas bem bobinhas, sobre a estrutura do time, os planos para o futuro, ha quanto tempo o tal gerente trabalha na empresa, ou seja lah oque for.

Investige o site da empresa na internet, veja no Google se existe alguma noticia atual sobre eles, algum press release, ou qualquer outra coisa que possa te dar indicacoes de quem sao, e oque fazem.

No fim das contas o candiato robotico foi embora sem ter tirado um monte de nossas duvidas, pois ele estava tao distraido em suas resposats padroa, que qualquer coisa a mais doque jahe stava ensaiado na cabeca dele virou uma operacao arrancar leite de pedra. mas ao mesmo tempo, ele veio com otimas recomendacoes da agencia de recrutamento e tem um perfil bem raro de ser encontrado.

Entao tive que ser bem sincera no feedback, pra dar uma chacoalhada nele e ver se na proxima entrevista ele acorda e se prepara antes de vir.

Mas infelizmente nem todos os candidatos tem uma segunda chance. Numa entrevista oque vale MESMO sao as primeiras impressoes. Voce tem apenas 1 hora pra mostrar oqeu tem a oferecer e causar uma boa impressao, entao quanto mais preparado estiver melhor!!

E voltando a minha analogia simplista, conseguir um emprego eh mais ou menos como conseguir um namorado!

Se vc sair por ai mandando seu curriculo pra tudo quanto eh canto, o interesse diminiu. Se vc for pra um encontro (entrevista) despreparado, sem se importar em sabaer mais sobre a outra pessoa, sem ter um interesse genuino que nao seja a beleza ou algo a mais (no caso o salario no fim do mes), nos mostrar seu lado charming, suas qualidades e diferencial, nao fizer perguntas interessantes mostrando seu interesse pela outra pessoa, as chances de que esse relacionamento de em alguma cosia, sem bem reduzidas.

Sempre que dou treinamento de entrevistas e recrutamento para novos gerentes eu falo que job hunting (ou no nosso caso, candidate hunting) eh um relacionamento como outro qualquer. Voce tem que se mostrar atraente, mas sem fazer falsas promessas. Tem que se mostrar interessado, sem estar desesperado, e mais que nada, tem que rolar uma empatia, e uma quimica comum. Afinal uma carreira bem sucedida eh um relacionamento mais exigente e provavelmente mais duradouro que qualquer outro que vc tenha na vida!

Categorias: Recursos Humanos, Trabalho
24
30
Oct
2009
Em terra de cego, caolho eh rei!
Escrito por Adriana Miller

Como jah diria minha avoh!!

Pois eh, todo mundo jah cansou de ouvir falar da crise economica. Dizem os jornais que o fim esta proximo e 2010 pode vir a ser um ano um pouco mais otimista.

A verdade eh que a coisa esta preta, e apesar de que a Inglaterra nao esta sofrendo tanto quanto alguns vizinhos Europeus, tambem estamos longe de estar no auge e com o conforto de alguns anos atras.

Muitos do meus amigos perderam seus empregos, receberam reducao de salarios, foram rebaixados em seus cargos, ou entao sao os “sortudos” que apenas tiveram que fazer o trabalho de 3 pessoas sem receber nem um centavo a mais (hello!).

Por sorte, minha empresa nao entrou na banda das demissoes, e ao contrario estao recrutando e contratando mais gente a todo vapor.

O resultado eh que as agencias de recrutamento nos amam! Eh um tal do meu telefone tocar um zilhao de vezes por dia com consultores e recrutadores querendo saber como estou, se esta tudo bem e se tenho algum nova posicao pra dar pra eles…

Temos recebido presentinhos, cestas de muffin, gift cards e enfim, e as agencias que no fim das contas sao as escolhidas (logo faturam alto em cima dos nossos recrutamentos) soh faltam estender o tapete vermelho.

Entao hoje eu e mais duas meninas que trabalham comigo finalmente aceitamos o convite de uma agencia de recrutamento que tem feito um otimo trabalho esse ano, e nos ajudou a achar candidatos pra varias vagas, e fomos todas almocar com a consultora: marquei o dia, escolhi o lugar e dai pra frente ela cuidou de tudo.

Aqueeeeeela secao de puxa-saquismo que soh consultores pagos por comissao sabem fazer!

Mas adorei. A menina era bem legal, e uma das poucoas consultoras com a qual eu realmente me dou bem, mesmo soh falando por telefone.

Recrutamento eh um trabalho super dificil, caro, trabalhoso e time consuming que pouca gente aprecia, e ela em particular me ajudou muito esse ano em colocar os condidatos certos, nas vagas certas.

Mas (jah que estou num momento proverbios populares) uma mao lava a outra, e assim como preciso da ajuda dela pra dar conta do meu trabalho, ela precisa da minha ajuda pra manter o emprego dela, e a troca tem dado certo!

E o almoco foi delicioso! E falei que se ela conseguir condidatos pras proximas vagas que terei ateh o fim do ano, ela tem que nos levar pra jantar, com direoto a cocktails!

 

Categorias: Dia a dia, Recursos Humanos, Trabalho
4
05
Aug
2009
Como se vestir para uma entrevista / no Trabalho
Escrito por Adriana Miller

Esse post eh repetido, mas como sempre me fazem perguntas sobre isso aqui no blog, e como jah dei outras dicas sobre Recursos Humanos, entrevistas, CVs, etc, achei que seria uma boa discutir esse lado da vida “corporativa” e dar a dica.

Essa semana rolou um bafafa lah no escritorio, pois o CEO, do nada, resolveu mandar um e-mail copiando a empresa TODA liberando “casual wear” o mes de Agosto inteiro, e basicamente falando pra galera que todo mundo pode usar oque quiser pra enfrentar o “verao” Ingles (haha!).

Isso por si soh jah foi um certo incomodo ao departamento de RH, pois esse tipo de decisao cabe a nos decidir e comunicar, mas como o e-mail veio do CEO ninguem falou nada…

Ateh que comecaram a parecer uma galera de sainha jeans micro, chinelo, regatinha com a alca do sutia aparencendo, camiseta do time do futebol, e etc… e a coisa comecou a passar dos limites; e nessas horas, logicamente eh o RH que paga o pato, pois ninguem tem coragem de virar pra um funcionario e dizer “meu filho, camiseta de futebol puida nao rola” ou “minha querida, saia curta de linho transparente pra reuniao com cliente nao dah neh?!” sem morrer de medo de ser classificado (e julgado(a)) de inconveniente, racista, assedio sexual, etc.

Ou seja, uma saia justa (quite literally!).

Eu particularmente nao aderi a onda de casual month porque acho que jah estou um pouco velha pra cair nessas bobagens e prefiro acreditar que eu know better than that. E entao fiquei pensando nessa coisa de se vestir pra trabalhar e como isso pode ser taaaao dificil de manha.

De uns anos pra cah, desde que voltei a trabalhar no mercado financeiro, tenho feito um constante ritual de me vestir bem, nao apenas de acordo com a empresa e posicao que trabalho (muitas entrevistas, reunioes com pessoas externas e com outros departamentos), mas sim onde quero trabalhar.

Jah assumi varias vezes que moda nao eh meu forte. Nao que nao goste de uma roupa nova, fazer compras ou sair de casa me sentindo bem arrumada. Mas simplesmente tenho preguica. Tenho preguica de modas passageiras, tenho preguica de ter obrigacao de estar na moda, saber todas as tendencias ao peh da letra e afins. E mais que tudo, tenho preguica de me arrumar de manha!!

Entao todo dia eh a mesma coisa…. E mesmo com um gurda roupa ABARROTADO de opcoes, sempre acho que nao tenho naaaaaada pra vestir.

E entao eu descobri o Polyvore e minha vida mudou! Quer dizer, tenho ainda mais preguica de fazer montagens on line doque tenho de fazer montagens na vida real, porem o Polyvore te deixa bisbilhotar as montagens dos outros, fazer comentarios e salvar seus favoritos.

E isso eh o maximo! Alem disso existem umas “comunidades” onde as pessoas postam seus looks de acordo com certas categorias. Eu pessoalmente adoro o Elegant & Chic e o Work Wear que sao grupos inteiramente dedicados a montagens “elegantes” e para usar no trabalho.

As vezes passo horas analisando as montagens, identificando pecas que eu tenha parecidas e guardando as ideias.

Entao fiz algumas selecoes de ideias de como se vestir pra trabalhar, ou se vc vai fazer uma entrevista e quer ir bem arrumada(o) mas sem estar com cara de garconete de festa de crianca (terninho preto e camisa branca), mas tambem nao quer assustar ninguem lancando uma super moda rocker-biker-fluor-anos 80.

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Saber se vestir pra uma reuniao eh sim super importante. Por mais que oque vale na verdade eh oque esta no seu curriculo e tudo oque vc souber demonstrar durante a entrevista, jah perdi a conta de quantas vezes vi gerentes e diretores fazendo comentarios do tipo “Vc viu o sapato/terno/gravata do candidato? Nao poderia leva-lo(a) para conhecer clientes”. No inicio ficava meio chocada, pois sempre fui do partido de que “a beleza interior eh que conta”, mas nao dah pra negar que nem todo mundo pensa assim e muitas vezes os livros sao julgados por suas capas.

Alem disso tem que ser apropriado a voce mesma e sua personalidade (nada pior doque resolver lancar moda, ou usar uma roupa inedita numa entrevista e ficar ultra desconfortavel o tempo todo) e ao lugar onde vc esta indo fazer a entrevista/trabalhar (nao vah aparecer de calca jeans para uma entrevista em um banco, e muito menos aparecer de terno e gravata para uma entrevista numa agencia de design grafico!). Na duvida pergunte ao recrutador/agencia que te convidou pra entrevista, e eles te darao uma indicacao sobre a cultura/estilo da empresa. Mas use SEMPRE o bom senso…

Entao como jah falei antes, nao eh um questao de usar roupas novas, caras ou de marca, e sim como vc as usa. Roupas limpas, bem combinadas, bem passadas. Gravata alinhada, sapato polido, cabelo penteado, maquiagem leve, unhas apresentaveis (nao precisa estar “feita”, mas nao me vah ficar roendo as unhas durante a entrevista, e muito menos aparecer com unhas gigantemente enormes, batendo na mesa o tempo todo!).

As entrevistas geralmente sao com alguem do RH e o gerente que esta contratanto, e nisso, eu jah ouvi de tudo nessa vida! Que fulana estava bronzeada demais (laranja!), que a gravata do cilcano estava toda desbeicada, que a unha de nao sei quem era muito comprida e o barulho na mesa era irritante, que o cabelo estava todo desgrenhado, o decote avantajado, etc, etc.

Por mais que RH esteja lah para evitar comentarios desapropriados, descriminacoes, e todas as coisas politicamente incorretas que gerentes geralmente fazem/falam, a verdade verdadeira eh que sao eles que vao ter que trabalhar diariamente com o candidato escolhido, e eh muito importante rolar um empatia, uma quimica entre os dois lados, para que a relacao de trabalho de certo.

E como sua unica chace eh conseguir fazer uma boa impressao durante 1 hora que a entrevista dura, primeiras impressoes realmente ficam, e muito!

E depois dizem que eh bom ser homem e nao ter que se preocupar com essas coisas! Jah pensou perder toda essa diversao?!?!

 

Categorias: Dia a dia, Recursos Humanos, Trabalho
11
04
Jun
2009
S.A.L. – Reconhecimento de diplomas
Escrito por Adriana Miller

A Erika me enviou uma pergunta interessante, e que jah apareceu por aqui varias vezes. Minha resposta vai ser um pouco vaga, baseada na minha opiniao (minha experiencia pessoal e minhas experiencias como Recursos Humanos). Quem tiver opinioes,/experiencias diferentes (ateh porque essas coisas variam demais de pais pra pais, carreira pra carreira, e nao dah pra generalizar “lah fora” – exterior, fora do Brasil em geral – como se fosse uma grande nacao).

Um mestrado ou pos-graduacao em outro pais, digamos aqui mesmo no Brasil, eh reconhecido ai fora? Digo, se colocar no meu CV formada nisso, MBA naquilo e Pos ou Mestrado (nao sei ainda o q fazer..) naquilo outro, chama a atencao ou nao quer dizer nada pra vcs na Inglaterra, por ex?

Abstraindo-se a experiencia nesse caso. (leve em consideracao q a pessoa tem experiencia na area…)Pode falar ate mesmo na area de RH, pq acho uma area interessante qdo se trata do performance improvement….

Entao, formacao aqui no Brasil conta ou eles acham q nao vale nada?

Bem, vou comecar com o seguinte. Ha formacoes, E formacoes, e fazer afirmacoes generalisadas seria um erro da minha parte.

Minha visao sobre os estudos no Brasil eh um pouco suspeita, pois no Brasil qualquer “Faculdades Integradas” oferece curso de pos graducao e “MBA”, que sinceramente acho que nao valem pra nada.

Obviamente que estudar SEMPRE vale a pena, e cada dia a mais que vc passa na sala de aula, esta te trazendo um beneficio inmesuravel pro futuro.

Porem o fato de um determinado curso ter como titulo MBA nao faz dele um Master in Business Administration. Oque vejo no Brasil eh que MBA vioru giria pra curso de pos-graduacao em geral. E pos graduacao pode ser em QUALQUER coisa que seja feita DEPOIS da Graduacao oficial.

E ai comecam os problemas. Por existirem pos de tudo e mais alguma coisa, a grande maioria dessas “pos” nao tem reconhecimento algum.

Nao que nao tenham valor para quem as faz, muito pelo contrario, mas acho que “aqui fora” nao servem pra muita coisa. O proposito de fazer um curso desses (ao meu ver) eh fazer um mini-curso que seja focado num assunto e mercado especifico, fazer networking na sua area, conhecer outros profissionais, professores etc. E portanto, uma vez que vc muda de pais, essas coisas perdem um pouco o valor.

Jah se vc fizer um Mestrado (nao Pos ou “MBA”) ai a coisa muda um pouco, pois geralmente no Brasil, as unicas Universidades que ministram mestrado sao as publicas ou reguladas (ou serah que mudou? Na minha epoca de UERJ era assim). Geralmente eles exigem dedicacao exclusiva, um numero minimo de horas de sala de aula, mais as horas que vc tem que se dedicar sozinho, os livros academicos que le (que geralmente sao os mesmos no mundo todo), pesquisas de campo, dissertacao academica, qualificacao dos profesores que lecionam, etc, etc. Ou seja, a dedicacao e esforco de se fazer um mestrado de verdade, aquele que te dah um titulo de Mestre, eh reconhecido no mundo todo.

(obviamente um Mestrado em Direito, ou medicina, ou qualquer carreira super especifica, funciona diferente, e geralmente nao sao validos uma vez fora do pais ao qual o curso se refere)

Mas o problema eh que na pratica o buraco eh mais embaixo.

Se vc estiver recem saido da Universidade, tentando arrumar seu primeiro emprego, talvez um programa de trainee e tal, encher o curriculo de cursos e titulos (pos disso, MBA daquilo, etc) ateh dao um bela ajuda, jah que vc nao tem mais nada pra pra “encher papel”, e realmente como jah disse, quanto mais tempo vc passar na sala de aula, melhor.

Mas infelizmente (ou felizemente!) depois de uns anos no mercado, isso tudo jah nao vale pra mais nada. Nao importa quantos zilhoes de cursos vc tenha, se nunca tiver usado nada daquilo na pratica, eles nao tem valor ou sentido algum (a nao ser que vc esteja seguindo uma carreira academica).

Eu entrevisto pessoas com 10, 15, 20 anos de experiencia profissional, para cargos de gerencia senior, diretoria, Vice Presidencia etc, e NUNCA perdemos tempo falando sobre qual o curso universitario aquela pessoa fez, ou se a universidade ou diploma eh “bom” ou “ruim”. E acreditem, na maioria das vezes, essas pessoas estao exercendo profissoes que nao tem NADA a ver com seu diploma, ou nem sequer tem um curso universitario – acabaram entrando num determiando mercado/carreira por acaso e foram progredindo por puro talento.

As raras excessoes sao se por acaso me aparece nas maos um CV de alguem que ALEM dos 20 anos de carreira ainda fez um Mestrado em Harvard, ou Oxford, ou coisa parecida. Isso sim chama atencao.

Mas como jah falei antes, isso muda MUITO de pais pra pais. Por exemplo na Africa do Sul, os curriculos parecem CVs Brasileiros, cheeeeeiros de cursos disso e daquilo e a Diretora Regional soh gosta de entrevistar candidatos com “MBA”, coisa que jah virou ateh piada aqui em RH, pois ateh a secretaria dela e o menino que cuida do estoque teem “MBA”. Ou seja, lah em Johanesburgo virou uma coisa que todo mundo “tem que ter” mas na verdade nao tem valor algum, pois nao te diferencia, jah que nao sao Masters in Business Adminstration e sim um pos de qualquer coisa.

Isso tudo pra mostrar que generalizar eh um pouco perigoso, mas a realidade de quem quer imigrar eh que oque conta mesmo eh a experiencia profissional relevante naquela profissoa especifica, seja um curso feito “aqui fora” ou em qualquer outro lugar do mundo.

O meu exemplo eh otimo pra ilustrar isso. Fiz faculdade de Economia, numa Universaidade considerada ser uma das melhores do Rio e do Brasil. Nao gostei muito do curso, e detestei a carreira. Entao decidi que a melhor maneira de mudar seria fazer “um curso”. Fui pra Espanha e fiz um mestrado em Turismo, pois achava que uma vez tendo um titulo Espanhol todas as portas se abririam pra mim.

O curso foi otimo, aprendi um monte, fiz varios contatos (todos locais, logico) e tal, mas quando fui munida de meu Cv pro mercado, nao valia pra nada (mesmo sendo Espanhol) pois eu nao tinha experiencia NENHUMA daquele mercado.

Entao entrei numa outra situacao muito comum nesses casos: estava Overqualified (ou seja, qualificada demais) para alguns cargos (que geralmente sao os mais baixos da cadeia alimentar de determinada carreira, e que poderia me abrir algumas portas) e Underqualified para outros cargos (que exigiam experiencia na area e eu nao tinha nenhuma!).

Me deseperei e acabei caindo por acaso em RH. Como? Acabei descobrindo que oque eu fazia no Brasil na area de Financas, aqui na Inglaterra eh considerado parte de RH, entao jah tinha 3 anos de experiencia numa carreira que eu mal sabia que existia, e por sorte, me dei bem.

Entao, dois anos depois trabalhando no mercado local, resolvi fazer um outro mestrado, dessa vez especifico da carreira que queria seguir e que jah tinha experiencia, para aprimorar meus conhecimentos tecnicos e teoricos (afinal nunca tinha estudado RH antes na vida) e fazer todo networking local.

Talvez se um dia eu mudar de pais de novo, esse mestrado perca um pouco seu valor, mas pelo menos lah se foram muitos anos de carreira + um Mestrado na area, que alem do titulo de Mestre ainda me dah uma qualificacao profissional (CIPD) que eh reconhecida em varios outros paises dentro e fora da Europa.

 

Bem, esse post ficou gigantesco e nao sei se respondeu a pergunta, ou se confundiu mais ainda… Sintan-se livres para dar sua opiniao, contar diferents experiencias e tal. Quem sabe assim nao ajudamos alguem.

 

 

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