14
May
2012
China na Pratica – sem medos, preconceitos nem estereotipos!
Escrito por Adriana Miller

Nenhuma viagem pra Asia eh planejada sem um monte de medinhos… Se essa viagem inclui a China entao pronto, pode ter certeza que todo mundo tera uma opiniao, uma historia pra contar ou seus proprios motivos pelo qual jamais faria uma viagem dessas.

E confesso que sempre tive meu pe atras tambem. Meu pai e minha tia viajaram pela China nos anos 90 e voltaram com altas historias de assustar criancinhas – e sem falar em tudo que vemos na TV, jornais e afins.

Mas a verdade eh que viajar pela China foi incrivelmente mais facil doque jamais imaginei!

Talvez tenha sido por realmente estar esperando sempre o pior, ou talvez seja porque, por comparacao, ja viajei por paises bem “piores” (Marrocos, Egito, India e Vietnan, so pra citar alguns…) e muito mais dificeis de se viajar.

Tudo bem que nao nos aventuramos pelo interior, nem nos metemos em cidadezinhas no meio do nada – mas tivemos nossa dose de aventura e de viagem independente, e a cada nova descoberta era uma surpresa – sempre pra melhor!

Dificuldades em geral

Acho que a principal dificuldade em planejar uma viagem pra China eh justamente acreditar que tudo sera muito dificil.

Aquele preconceitozinho que te freia, que te impõe limites por ter medo do desconhecido.

No meu caso eu tinha muito receio em relacao a comunicacao, entao preferi tomar certas precaucoes como viajar apenas de aviao (em vez de arriscar umas viagens de onibus e trem de longa distancia) e ficar hospedada em hoteis de redes internacionais em vez de arriscar uns albergues.

Assim eu achei que estaria nos protegendo de eventuais pepinos linguisticos, pois sempre estariamos numa ambiente “internacional”.

A verdade eh que realmente ajudou bastante, mas ainda assim nao foi infalive. E quer saber, nao foi esse bicho de 7 cabecas nao!

Lingua e comunicacao

Acho que realmente a comunicacao foi a parte mais dificil da viagem, principalmente depois de ter passado por Hong Kong, Macau e Cingapura, todas muito internacionais.

Mas nao chega a ser um impecilho. Eu fique surpresa de ver que quase todas as placas de rua tem a versao em Chines e a versao “Ocidental”, seja com as instrucoes em Ingles (tipo “Cidade Antiga: segunda rua a direita”) ou com o nome das coisas em alfabeto ocidental, oque facilita na hora de pronunciar, procurar no mapa etc.

O memso eh valido pra transporte publico, sempre com placas e instrucoes em Ingles, e foi sempre facilimo se virar por la apenas usando as maquininhas das estacoes.

Restaurantes tambem quase sempre tinham alguma opcao de menu em Ingles.

O problema mesmo eh quando voce precisa interagir com alguem. Muita gente que trabalha com turismo sabe falar apenas o basico, umas frases ja meio ensaiadas – qualquer coisa alem disso se torna uma verdadeira luta, mesmo com o concierge de hoteis de luxo!

Isso sem falar que no geral os Chineses sao muito timidos e fechados, entao se voce tentar falar com alguem na rua, ja era! Eles viram bicho do mato e nao dao muita atencao mesmo!

Mas fomos preparados, sempre tinhamos tudo escrito em chines antes de sequer sair na rua, e sempre tinha a App tradutira no bolso, para os momentos de aperto.

Transporte

Sem duvida alguma o transporte fo um dos pontos altos da viagem – nas 4 cidades Chinesas que passamos, o transporte publico era eficiente, barato, modernissimo, limpo e muito facil de usar.

Todas as estacoes teem informacoes em Ingles e mapas das linhas e estacoes tanto em chines quanto Ingles – e pra evitar confusoes, iamos sempre direto na maquininha automatica de ticket das estacoes, onde bastava selecionar a lingua (Tem Ingles, Espanhol, Frances, etc), marcar de onde voce queria ir e onde queria chegar e pronto. Muito simples e muito facil!

A unica dificuldade que tivemos foi com taxi, pois muitas vezes os taxistas simplesmente fugiam da gente!

A recepcionista do hotel disse ser por receio deles mesmos de nao conseguirem se comunicar com turistas, entao sempre tentavamos parar os taxis com o papelzinho com o endereco em Chines ja na mao – e assim eles entendiam que a interecao seria minima, e aceitavam nossa corrida.

 

E tivemos outras vezes tambem onde pedimos pra algum Chines chamar um taxi pra gente enquanto ficavamos escondidos… quando um taxi parasse, a gente pulava dentro e mostrava o endereco!

Dinheiro e Compras

A moeda na China eh o Yuan chines, que na epoca que viajamos estava cotado a mais ou menos 15 dolares por unidade.

Foi facilimo achar caixas automaticos de saque, mas nao vimos muitas casas de cambio nao…

No geral achamos as coisas bem baratas na China, mas nada que me fisesse enlouquecer de querer sair comprando tudo. Precos em shoppings e lojas internacionais sao bem homogeneos com oque vemos por aqui na Europa e EUA, e ate mesmo os eletronicos foram um pouco decepcionante.

O Aaron achou que ia fazer a festa nas lojas de cameras e materiais fotograficos, e a verdade eh que tirando uma lojinha de pinta duvidosa aqui ou ali, os precos que vimos eram todos bem tabelados com o ocidente, e algumas vezes ate mais caros!

Entao oque vale a pena comprar memso sao os “cacarecos” em mercados e afins, que ja virou ate post!

E claro, nao sejamos ingenuos, e eh sempre bom ficar de olho quando o seu “negocio da China” for generoso demais – afinal nao eh por acaso que a China tem a maior industria de pirataria e falsifcacao do mundo!

Comida

Nos comemos bem demais na China, como ja contei com todos os detalhes aqui.

Choque cultural (e nojices em geral)

Como em qualquer outra viagem para um lugar muito diferente, choques culturais fazem parte do aprendizado da viagem – afinal viajar eh muito mais que fazer compras e tirar foto em frente a monumentos famosos: Eh a arte de exercitar sua tolerância e abrir a mente para o fato de que pessoas diferentes, em diferentes artes do mundo fazem as cosias de maneira diferente.

Entao esse “choque” pode ser bem sutil como a comida do cafe da manha do hotel, que em vez de suco de furtas e panquecas, tera arroz frito e sopa de noodles. Nos primeiros dias eh divertido, depois so de sentir aquele cheiro no corredor do hotel tao cedo, voce ja quer voltar pra casa!

Pra mim o principal foi me acostumar a ter muita gente, o tempo todo, saindo de todos os cantos. Afinal, apesar de que a China eh um pais grande, eh dificil conter quase 2 Bilhoes de habitantes.

Entao se prepare pra ignorar filas, passar na frente das pessoas, entrar no elevador (ou no metro) antes que todo mundo saia primeiro e etc.

Coisas basicas da convivencia “civilizada ocidental”, na China se tornam detalhes insignificantes da sobrevivencia do mais forte.

O seja, se vc nao furar fila (como todo mundo) nao vai conseguir comprar seu ticket a tempo. Se vc nao entrar no metro assim que porta do vagao abrir (em vez de esperar todo mundo sair), vai perder o bonde.

E no fundo, nao esquece que a visita na casa dos outros ali eh voce – entao em vez de reclamar e ficar indignada com certos comportamentos, adapte-se!

Nao perca a aportunidade de aprender alguma coisa nova sobre um povo tao diferente da gente!

Visto

Todos os visitantes precisam de visto pra entrar na China, mas nos ultimos anos o requerimento de visto Chines tem sido mais facil e tranquilo doque era ha uns anos atras.

Voce pode pedir um visto de entrada unica ou de entradas multiplas, lembrabdo que tanto Hong Kong quando macau nao exigem visto de seus visitantes.

Porem, qualquer cruzadinha da fronteira podera resultar em deportacao caso voce nao tenha o tipo correto de visto, entao atente bem em qual visto de encaixa melhor com o seu estilo de viagem.

Nos pedimos o visto de entrada multipla, que da direito a entrar e sai da China por um periodo de 6 meses.

Nos sabiamos que nao iamos precisar disso tudo, mas como nosso voo pra Hong Kong fazia escala (mas nao era conexao da mesmo cia aerea) em Pequim, e depois voltariamos pra Xangai semamas mais tarde, nao queriamos correr o risco de sermos barrados.

Transporte Interno

A China eh mais um desses paises de proporcoes continentais, e qualquer pulinho na cidade ali do lado pode significar horas e mais horas de viagem.

Inicialmente tinhamos planejado fazer a viagem entre Xangai, Xian e Pequim de trem, porem isso significaria passar um media de 12 a 14 horas em trens por cada trajeto, oque tornaria nosso roteiro impraticavel.

E mesmo roteiros que incluem roteiros entre Xangai e Pequim diretamente de trem bala (que viaja a mais de 300km por hora!) demoram pelo menos 8 horas de viagem durante o dia.

Outra complicacao eh que apesar de eficiente, o sistema ferroviario da Chinae foi feito para atender a populacoa local – e nao os turistas.

Entao nao eh possive comprar passagensde trem pela internet, nem comprar passagens com cartao internacional e muito menos comprar passagens antecipadas.

O mais cedo que um turista pode comprar passagem de trem na China sao 10 dias (via agencia) e geralmente isso nao eh suficiente, pois os tickets esgotam muito antes disso!

Então o mais facil é sempre utilizar uma agencia local como seu intermediario. Originalmente nós utilizamos agencia China Trip Advisors, que tem um website de interface bem fácil, com uma lista de horarios e tipos de trem, você faz um depósito via paypal e então, dez dias antes da data da sua viagem (quando eles abrem venda antecipada pra extrangeiros) alguem vai lá furar a fila pra você.

Como já estavamos imaginando, não conseguimos comprar nenhuma passagem, pois tudo acabou bem antes desses 10 dias, e no mesmo dia eles devolveram o custo do depósito via paypal.

Então a maneira mais barata, rápida e eficiente de viajar internamente pela China é mesmo de avião, como já comentei aqui nesse post. Depois que a agência confirmou que não conseguiríamos comprar a passagem de trem (que custava cerca de 100 dolares, cada trecho, entre Xangai e Xian), compramos uma passagem de avião de ultima hora pela China Eastern que mesmo sendo apenas 10 dias antes da viagem, custou apenas 50 dolares! Sem falar que a viagem de avião demorou 2 horas, e de trem teriamos levado 12 horas…

 

Categorias: China, Pequim, Viagens, Xangai, Xian
27
12
May
2012
Roteiro de viagem Asia 2011/2012
Escrito por Adriana Miller

Nossa viagem durou apenas 3 semanas e meia, mas ja que eu demorei quase 6 meses para conseguir postar tudo por aqui, sei que a sequencia da viagem criou confusao, e como recebi muitas perguntas sobre o roteiro especifico que fizemos e quantos dias passamos em cada lugar, achei que valeria a pena fazer um resumao passo a passo da viagem.

Lembrando que no total visitamos 3 paises (na verade 4, incluindo um pernoite em Kuala Lumpur), e viajamos atravez de uma area geografica bem extensa, oque nos proporcionou fazer a combinacao perfeita de cidade grande + praia + templos historicos e frio + calor que queriamos.

Os posts ficaram espalhados e datados entre Dezembro de 2011, logo quando embarcamos, ate Maio de 2012, quando tive tempo de terminar de escrever e postar todas as fotos, mas a viagem foi feita apenas durante as tres semanas entre o Natal e as duas primeiras semanas de Janeiro (nos embarcamos no dia 22 de Dezembro de 2011 e voltamos no dia 15 de Janeiro de 2012.

Entao o roteiro ficou assim:

Londres – Beijing - Hong Kong

Nossa primeira parada foi Hong Kong, onde passamos o Natal e os 3 primeiros dias (e 3 noites) da viagem.

De la, pegamos um ferry e fomos direto pra Macau, onde passamos 2 noites e um dia inteiro.

De Macau voamos para Bali de Air Asia, via Kuala Lumpur. Passamos um dia inteiro viajando.

Em Bali passamos 5 dias e 6 noites, incluindo a noite de revellion.

De Bali voamos diretamente pra Cingapura, onde passamos mais 3 dias e 2 noites.

De Cingapura voamos Air Asia novamente pra Kula Lumpur, onde passamos uma noite, e no dia seguinte voamos pra Xangai.

Em Xangai ficamos mais 3 dias e meio e 3 noites.

Entao voamos pra Xian ja tarde da noite, onde passamos 1 dia inteiro e duas noites.

Por fim chegamos ao nosso destino final, Pequim - onde ficamos mais 4 dias e 4 noites.

 

E sem esquecer claro, dos posts “making off”, incluindo a mala/mochila que levei nessa viagem e mais algumas dicas sobre planejamento de viagem e transporte interno na Asia (AQUI e AQUI).

 

Categorias: China, Cingapura, Indonésia, Viagens
11
11
May
2012
Dim Sum e um Guia – mastigadinho – de comida Chinesa
Escrito por Adriana Miller

Desculpem a piadinha alimentícia, mas não resisti!

Um dos comentários mais comuns que ouvi de amigos turistas e Chineses antes da viagem sempre foi em relação a comida – o quanto a comida Chinesa na China é tãaaaao diferente doque estamos acostumados no Ocidente, como se come mal por lá, isso e aquilo.

Eu sempre gosto de explorar a gostronomia dos lugares por onde viajo (principalmente na Asia), mas fui pra China sem a menor expectativa. Na verdade eu fui com medo doque encontraria por la!

Afinal quem nunca ouviu falar aquelas historias que involvem ingredientes exoticos como miolo de macaco, file de cachorro, escorpiao frito e varios outros itnes que parecem saidos de uma receita de pocao magica do Harry Potter!?!

Puro bla bla bla. Variando entre restaurantes baladados em Hong Kong, Xangai e Beijing, a barraquinhas de rua, mercadinhos inteligiveis e restaurantes sem uma unica palavra em Ingles, comemos muito, mas MUITO bem na China!

Confesso que ate pra mim isso foi uma surpresa, pois realmente esperava altas emocoes alimenticias e cheguei a cogitar levar um estoque de barrinhas de cereais na mala!

Mas claro, isso vindo do ponto de vista de duas pessoas com baixissimo limite de frescuras, e que gostamos mesmo de nos aventurar a mesa e sempre provar oque um determinado destino tem a oferecer.

Dim Sum:

O primeiro passo na minha check list gastronomica era o Dim Sum, pois apesar de gostar bastante de comida Asiatica em geral, eu sabia que o ritual de Dim Sum era uma coisa bem tipicamente Chinesa, que nao vemos em outras regioes da Asia.

Minha primeira introducao ao Dim Sum foi na verdade na China Town de Londres, com uma amiga Chinesa – entao pelo menos a primeira vista, nao foi tao intimidador!

Tentando ser o mais simplista possivel, Dim Sum poderia ser comparado como as Tapas Espanholas – nada mais eh doque comida servida em pequenas porcoes individuais, tendo como objetivo que cada pessoa possa comer e provar o maior numero possivel de opcoes.

 

A tradicao de Dim Sum comecou ao longo das estradas da Rota da Seda, onde os viajantes paravam em pensoes para o ritual de cha Chines. Porem, originalmente as pessoas nao tinham o costume de comer e beber cha ao mesmo tempo, entao apenas pequenas porcoes eram servidas.

Oque era excessao cabou virando regra, e pouco a pouco o costume de servir pequenas porcoes de comida com o cha, foi se espalhando pela China.

Hoje em dia, apesar de ser possivel achar Dim Sum em restaurantes Chineses e Asiaticos em todo mundo, na China esse costume ainda eh ligado a pequenas refeicoes, como por exemplo, um lanche depois de fazer exercicios pela manha, pra acompanhar o cha da tarde ou entao um brunch no fim de semana.

Nos tivemos oportunidade de comer Dim Sum em dois lugares fantasticos na China: primeiro no restaurante Tim Ho Wan em Hong Kong, considerado um dos melhores do mundo, e vencedor ate de esrela Michelin!

Em Xangai tivemos o privilegio de nos hospedar no Westin Bund, que pra nosso deleite serve o Dim Sum brunch mais famoso e badalado de Xangai!

O ritual do Dim Sum eh bem legal: voce recebe uma comanda com as varias opcoes de pratos e porcoes – tente nao se assustar com os nomes e traducoes dos ingredientes (que eram sempre um tanto quanto assustadores!) – e entao vai escolhendo oque quer comer.

 

Logo depois, um garcon passa com um carrinho lotado de bandeijinhas de bambu empilhadas, e vao espalhando pela mesa suas diversas opcoes.

Tudo que provamos foi delicioso, e tentavamos focar nos ingredientes principais, ja que as traducoes nao faziam muito sentido.

E acho que eh justamente por isso que tanta gente se assusta com a comida na China – nas eh que a comida seja ruim ou diferente, muito pelo contrario! Mas os nomes e descricoes sao pessimas!

Afinal, quem quer comer “frango no vapor com arroz gelatinoso”?!?!

Mas quem tiver medo de provar, nao vai descobrir que na verdade esse prato se trata de um paozinho delicioso de massa de arroz com recheio de frango temperado!

E aos poucos descobrimos que quase todas as comidas e restaurantes na China sofrem do mesmo mal – e nao ha tradutor Google on line que ajude esse povo a dar nomes mais apetitosos a seus pratos!

Pato Laqueado de Pequim:

Outra iguaria que eu sabia que nao podia voltar pra casa sem provar in loco era  o Pato Laqueado de Pequim!

Eu nao sou muito fa de pato nao, mas esse estilo de pato assado Chines eh uma coisa de boa!

Tanto que foi esse o prato que escolhemos pra nossa ceia de Natal em Hong Kong no dia 24 de Dezembro!

Oque faz do pato de Pequim ser diferente eh o processo de assado, onde os patos sao assados inteiros, em um forno especial vertical (entao cada pato eh assado pendurado, para que todas as areas sejam assadas por igual).

E claro, os temperos usados (que cada restaurante  jura ter a mistura perfeita da combinacao de ingredientes e ervas) na preparacao o pato, que tambem sao criados e alimentados especialmente para esse fim.

O pato eh servido individualmente, cortado pelo chef direto na mesa a ser servida – e a parte do pato que eh considerada iguaria eh somente a pele.

Com o que sobra do pato (basicamente a ave toda) voce pode escolher comer tambem, e os diferentes pratos usando a carne de pato sao preparados na hora, depois que seu pato ja foi fatiado na sua mesa.

A pele do pato eh entao servida com alguns acompanhamentos complementares, como uma mini paqueca, que usamos pra enrrolar o pato com uns molhinhos e vegetais, que fazem a combinacao perfeita de sabores!

Ai eh so fazer um rolinho com seus ingredientes, e pronto!

E quando chegamos em Pequim, claro que nao poderia deixar passar a oportunidade de comer um bom pato de Pequim, em Pequim!

Por recomendacao de nosso hotel e a Time Out Beijing, escolhemos o restaurante Da Dong, super premiado (apesar de nao ser muito badalado) e reconhecido como um dos melhores e mais tradicionais restaurantes especializados em pato laqueado da cidade.

E todo o resto? A Comida do dia a dia?

Essa foi sem duvidas minhas principal surpresa. Comemos desde barraquinhas no mercado a restaurantes no meio do nada que simplesmente resolvemos entrar e arriscar – e foram justamente nesses lugares onde comemos melhor.

No fundo no fundo, se voce gosta de comida Chinesa e Asiatica, pode ir sem medo. Os pratos sao basicamente os mesmos, e as opcoes bem parecidas.

Tirando umas invencoes e misturebas com nome mais ocidentais (tipo “Frango Chadrez” e “molho agridoce”), o basico eh exatamente igual que veriamos no menu de qualquer China Town do mundo.

Os pratos principais sempre incluem algum tipo de carne, molhos, vegetais e voce tem a opcao de escolher diferentes tipos de arroz ou noodles para acompanhar.

Verdade que os menus dos restaurantes na China incluem alguns pratos e algumas opcoes que nao fariam sucesso no ocidente (pe de pato, ou rosto de porco, alguem?!?), mas isso nao quer dizer que eles soh comam isso por la!

Comemos muitos stir fry de carne e frango com vegetais – tanto com molho de soja, ou molho de feijao, ou simplesmente grelhado no alho.

Sempre, sempre, sempre deliciosos!

Os dumplings tipo Gyosa e rolinhos primavera tambem estao sempre disponiveis como entrada, e claro os mais diversos tipos de noodles e arroz que voce puder imaginar!

E como eu disse acima, tente focar nos ingredientes principais e nao se assustar tanto com as traducoes sem pe nem cabeca (ate porque alguns dos ingredientes incluem pes e cabecas de diferentes animais!) que voce vai ver nos restaurantes!

E como se diz em Ingles, as vezes “ignorancia eh uma bencao” e por nao saber exatamente oque vc esta comendo, voce pode acabar provando uma coisa nova deliciosa que nem sabia que existia!

Essa era nossa politica nos mercadinhos de rua – sempre procuravamos barraquinhas bem movimentadas, pra garantiar uma boa rotatividade de ingredientes, e evitamos (por puro preconceito mesmo) opcoes muito “explicitas”, como o rosto de porco ou o passarinho (literalmente) no palito – mas mesmo tendo procurado bastante nao vimos espetinhos de barata, nem escorpiao frito e nem churrasquinho de cachorro…

Sabe?! Aquelas coisas esquisitas que voce passou a vida toda ouvindo falar que as pessoas na China comem?!

Na hora de fazer o pedido, era tudo sempre na base da mimica. Por sorte quase todos os restaurantes tem o costume de incluir fotos dos pratos, entao iamos escolhendo pela pinta de cada prato e apontando oque queriamos. Nas barraquinhas era so apontar pra sua escolha!

Ate imagino que no interior da China e cidades mais remotas o esquema realmente seja diferente, mas convenhamos neh, que voce meu caro amigo turista, por mais aventireiro que seja, voce provavelmente vai viajar por regioes mais industrializadas e turisticas, e dificilmente tera que conviver com familias que passam dificuldade e comem escorpiao na fronteira com o Tukmenistao

Entao pode ir pra China com a mente e a boca bem aberta e eu garanto que seu estomago nao vai se decepcionar!

 

Categorias: China, Hong Kong, Pequim, Viagens, Xangai
15
10
May
2012
Os Templos e Parques de Pequim
Escrito por Adriana Miller

Pequim eh sem duvidas uma cidade de superlativos - por mais que nao tenha o ambiente cosmopolita e moderno de Xangai ou Hong Kong, Pequim tem tantas outras atracoes milenares e imperdiveis, que eh facil ficar meio perdido na cidade, sem saber exatamente como dividir seu tempo.

Pra piorar aidna mais a situacao do turista, a cidade eh enorme e super espalhada. O sistema de metro eficiente ajuda, mas nao soluciona. E sem contar na quantidade enorme de novas construcoes e atracoes que surgiram nos ultimos anos por causa das Olimpiadas de 2008.

Entao, entre todos aqueles lugares que voce ja chega sabendo que nao pode perder, eh impossivel ignorar os tantos parques e templos que vemos espalhados pela cidade, que deixam sempre aquele sensacao de “nossa, olha aquele pavilhao! oque sera que eh aquilo? Vamos la ver?” – e foi assim que passamos praticamente todo nosso tempo em Pequim.

Nao tinhamos um roteiro nem “programacao” detalhada, e queriamos justamente aproveitar a cidade como nos parecesse melhor – indo descobrindo Pequim aos poucos, indo na contra mao da correria da cidade de 20 milhoes de habitantes.

Claro que isso tambem significou que em 4 dias na cidade, nao tivemos tempo de ver absolutamente tudo que a cidade tem a oferecer – oque, realisticamente, seria impossivel! – mas voltamos de la com aquela sensacao boa de que realmente conhecemos a cidade!

Entao alguns dos nossos lugares preferidos foram os parques e os templos. Apesar de ser inverno, e os jardins estarem congelados e sem flores, demos muita sorte com o clima, oque significou que apesar do frio, os parques estavam sempre lotados de gente curtindo sua fotossintese invernal – familias, idosos praticando Tai Chi e ate aula de Tango nos vimos!

Parque Beihai (Palacio de Inverno)

O Parque Beihai, fica imediatamente no noroeste da Cidade Proibida, e durante muitos seculos, fez parte do complexo Imperial de palacios e jardins.

Ele foi construido para servir de parque/palacio de Inverno a familia Imperial, que morava na CIdade proibida e frequentava o palacio de verao, apenas nos meses mais quentes do ano.

As principais atracoes de Beihai sao seus lagos e o templo Bai Tai, uma Dagoba construida em pedra branca, que fica bem no topo da ilha Ilha Qiónghuá, no centro do lago principal.

A Stupa abriga um relicario Budista, e eh ate hoje um local de prestigio nas cerimonias Budistas, abrigando por exemplo, as cinzas de monges cremados.

Uma das coisas mais legais que vimos foi que na subida para a Stupa, existem uns outros mini templos pelo caminho, e todos eles sao rodeados de mensagens, bilhetinhos e oferendas – e apesar de nao conseguirmos entender nada, eles criaram otimas oportunidades fotograficas!

O parque foi construido no seculo X, mas so foi desconectado da Cidade Proibida e aberto ao publico depois da queda do Imperialismo, em 1925.

Mais da metade dos 69 hectares do parque sao ocupados por lagos artificiais, interligados por canais – e demos sorte de ver os lagos completamente congelados, servindo de ringue de patinacao para familias locais, que nao se deixaram abater pelo inverno! 

Templo do Ceu ( Tiantan )

Um dos templos mais iconicos da China, o Templo do Ceu eh tambem o maior complexo de templos Taoistas do pais, construido em 1420 pela Dinastia Qing.

O principal intencao religiosa do templo era relacionado a colheitas, onde as familias Imperiais realizavam cerimonias de colheita no inicio da primavera, e cerimonias de agredacimento pelos frutos no Outono.

O pavilhao principal, e que simboliza o parque, eh o templo “Sala de Oracao pelas Boas Colheitas”, uma construcao imponente com 30 metros de diametro e 38 metros de altura – interamente construido e talhado em placas de madeira e pintado a mao. A construocao inteira nao utilizou nenhuma viga, nem nenhum outro material de suporte – e esta de pe ha 600 anos!

O simbolismo do templo eh super interessante, nso contando um pouco mais sobre as crencas e misticismos Chineses. Uma cosia que eu achei muito interessante por exemplo, eh que todos as escadas que nos levam ao templo, sao organizados em grupos de 9 degraus, ja que o numero 9 eh considerado o numero da sorte do Taoismo.

E todos os templos e pavilhos foram construidos com uma acustica perfeita de “eco”, e portanto a voz dos monges e do imperador poderia ser perfeitamente ouvida em qualquer posicao dentro do tempo, e ia se repetindo e propagando aos poucos!

O parque estava incrivelmente decorado para as celebracoes do ano novo Chines, que aconteceria cerca de 1 semana depois, e a paisagem do parque com o ceu perfeitamente azul foi o contraste perfeito para as lanternas Chinesas!

Parque Jingshan

O Paruqe Jingshan eh mais um parque que originalmente fazia parte do complexo Imperial da Ciadade Proibida.

Na verdade, quando a capital Chinesa foi transferida para Pequim e as construcoes da Cidade Proibida se iniciaram, os idealizadores da capital notaram um grave problema: Pequim nao tinha colinas nem lagos suficientes para trazer a boa fortuna ao Imperador.

Entao o Parque Jingshan foi iteramente construido a mao para fornecer o simbolismo Feng Shui necessario para que Pequim pudesse ser uma capital prospera.

O solo escavado na construcao dos palacios da Cidade Proibida e seu fosso protetor, foram transferidas para o norte, criando – manualmente – a colina de 46 metros de altura.

Entao segundo as regras do Feng Shui, residencias sempre devem ser construidas ao sul de colinas, e o Parque vizinho, o Beihai, providenciava os lagos e riachos necessarios para que a boa energia possa fluir livremente.

Mas o melhor mesmo do Parque eh a vista Magnifica da Cidade Proibida – la de cima eh possivel ter uma melhor perspectiva sobre como a “cidade” eh organizada, como cada construcao se intercala e relaciona com as outras, alem de claro, deixar bem claro da magnitude e imponencia da Cidade Proibida e a Praca Tianemen!

Ah, e em dias claros e de boa visualizacao, ainda eh possivel ver muito alem da Cidade Proibida, com uma vista total de Pequim, incluindo algumas de suas novas construcoes, como o ginasio Olimpico “O Ovo” de um lado e a Torre CCTV do outro.

Os Hutongs de Pequim

E apesar de nao serem exatamente parques nem templos, outra parte da cidade que nao da pra ser ignorada sao os Hutongs, que sao pequenas casas e ruelas que foram se espalhando ao redor da Cidade Proibida, e sao na verdade a Pequim “original”.

Ou seja, quando Pequim foi transformada em Capital, a populacao “proletaria” vivia a margem da Cidade Proibida, desenvolvendo pequenas comunidades que vivam de comercio e servicos que serviam a nova cidade.

Depois do fim do Imperialismo, os bairros de Hutongs diminuriam drasticamente, seja pela instauracao de um regime igualitario socilaista (onde boa parte dessa populacao foi transferida para blocos de apartamentos socialistas), ou seja mais recentemente, pelo crescimento da classe media Chinesa.

Mas nos arredores da Cidade Proibida, eles ainda existem, e hoje em dia sao considerados patrimonios da humanidade, com muitas dessas casinhas Hutongs restauradas e transformadas em hoteis e restaurantes de luxo.   

Entao em nossos passeios entre templos e parques no centro de Pequim, sempre optavamos pelos triciclos e tuk’tuks, pra fugir do caos do transito, e de quebra, pra escapar das avenidas principais, sempre acabavamos pegando atalho pelas ruelas dos Hutongs, que era sempre uma aventura…!

 

Categorias: China, Pequim, Viagens
5
09
May
2012
Guia passo a passo pra visitar a Muralha da China por conta propria
Escrito por Adriana Miller

Visitar a Muralha a China esta longe de ser uma tarefa difícil – mas nós tínhamos um requerimento bem específico: não queríamos ir de excursão de jeito nenhum!

O motivo era simples: depois de fazer muita pesquisa, chegamos a conclusão que a maioria das excursões seguem o mesmo roteiro, sendo que na verdade dedicam apenas uma parte mínima do dia para visitar a muralha, e passando o resto do dia todo visitando lojas, museus, vilarejos e outras programações aleatórias que não tínhamos o menor interesse! Lemo muitos feedbacks negativos, nenhum positivo, e ate o Lonely Planet China tem uma pagina inteira dedicada a furada que eh fazer excursoes pra Muralha!

Além disso, as excursões pra Muralha, em sua grandíssima maioria, além de caros, visitam a parte mais turística e lotada da muralha, nos horarios de pico do dia, oque queríamos evitar.

Chegamos a considerar opções como a agencia Beijing Hikers, recomendada pelo Lonely Planet (e testada pela Mirella), mas devido a época do ano que fomos (muito frio!) e o tipo de viagem que fizemos (mochilando) não queríamos nos comprometer a passar o dia todo fazendo trilha (e ter que carregar equipamento de caminhada no inverno durante toda a viagem exclusivamente pra isso!) e correr o risco de pegar um tempo horrível. Por fim, decidimos nao fechar com eles pois seus horarios e dias eram muito restritos ao roteiro que queriamos fazer nos nossos dias em Pequim.

Além disso, a idéia de seguir um guia, ter que visitar a muralha no ritmo de um grupo não fazia parte da nosso idéia de diversão. Queríamos visitar a Muralha no nosso ritmo, no nosso horário, podendo mudar os planos de ultima hora e fazer oque bem entender! (leia, parar para tirar mil fotos, montar e desmontar o tripé, ir e voltar mil vezes até conseguir um ângulo perfeito, fazer filminho de kung fu e nos divertir sem seguir um ¨criterio¨).

Não vou falar que foi fácil não, e mesmo depois de fazer muita pesquisa em fóruns na internet, acabei achando algumas dicas mais práticas no site Seat61 (que também já tinha usado ha muitos anos pra planejar minhas viagens de trem no Marrocos e no Egito). Mas como acabamos descobrindo na prática que as informações do site estavam desatualizadas e incompletas, aqui vai meu B-A-BÁ.

Existem várias regiões restauradas abertas a visitação da Muralha nos arredores de Pequim, mas a única que tem um bom sistema de transporte público é a região de Badaling – que geralmente é usada para exemplificar um dos maiores pega-turista da China!, e que ate entao tinhamos certeza absoluta que nem sequer colocariamos nossos pes – mas sabendo fugir do horario de pico, foi bem tranquilo.

Então sabíamos que pra visitar Badaling por conta própria teríamos que chegar super, SUPER cedo, pegar o primeiro trem do dia, passar algumas horas na muralha e ir embora no horário onde as centenas de ônibus de turismo estão desovando suas excursões e tornando a muralha um inferno na terra.

Então na nossa primeira tentativa, seguimos passo a passo as instruções do site e deu tudo errado – TUDO errado – então ainda na estação de trem, ligamos pro motorista que fez nosso transfer (que eu perdi o cartão com o contato dele… infelizmente!! o nome do guia é Michael Dong, Agencia  China CITS, e-mail: China_cits@hotmail.com e tel +86-0/13671038062) e combinamos dele passar por lá e nos levar direto a Mutyanu, que é outra região restaurada da muralha, e considerada a mais bonita, mas que sabiamos que não seria possivel chegar até lá de transporte publico.

Mutyanu foi exatamente oque esperávamos da Muralha da China!

Uma paisagem impecável, quilômetros e mais quilômetros de muralha a perder de vista com as montanhas como pano de fundo.

E o melhor: VA-ZIO! Durante a manhã toda tivemos a muralha inteirinha praticamente só pra gente, sem outros turistas, sem vendedores chatos, nem guias forçando a barra!

Fomos e voltamos inúmeras vezes, explorando cada canto e cada detalhe da muralha!

Subimos fazendo trilha só nos dois, e voltamos de bondinho (apesar do céu azul, tava MUITO frio), enquanto nosso motorista nos esperava lá em baixo.

Nós pagamos cerca de 50 doláres por 6 horas de passeio, fazendo nosso horário e no nosso ritmo. Saímos de Pequim as 8 da manha, evitamos o engarrafamento do horario do rush e antes das 9, quando a muralha “abre” já estávamos na fila pra comprar nosso ingresso!

Infelizmente perdi o cartão com o contato do Michael, nosso motorista, que não só nos levou pra muralha, como ainda fez nosso transfer na chegada e saída entre o aeroporto de Pequim e nosso hotel. Mas para quem quiser tentar em contato com ele mesmo assim, nós entramos me contato com ele atravez da agência do nosso hotel em Xi’An.

A experiência na Muralha foi tão divertida, que não nos damos por vencidos e resolvemos voltar pra muralha e dessa vez reunir mais informações com os locais e conseguir chegar a Badaling por contra própria!

A maneira mais eficiente de visitar a Muralha da China por conta própria é de trem, saindo a partir da estação “Pequim Norte”.

A estação é moderna, grande e limpa – a única e principal dificuldade é a comunicação. Basta um simples mal entendido (como aconteceu com a gente na nossa primeira tentativa!) para que todos os seus planos vão por agua a baixa.

Então nosso passo a passo foi assim:

Na noite anterior, pedimos pro nosso hotel reservar um taxi bem cedinho pra nos levar para a estação Pequim Norte. É imprescindível ter todos os detalhes e instruções escritas em Chinês, bem direitinho e explicadinho.

Também é possivel chegar na estação de trem de metro (que usamos na volta), mas como fomos super cedo, pois queríamos pegar o primeiro trem, preferimos usar um taxi.

Chegando na estação, começam os detalhes que fazem toda diferença:

Pra começar que apenas a bilheteria do térreo vende passagens para Badaling (tem outro guichê no sub-solo, bem na saida do metrô, que NÃO vende tickets para Badaling).

A entrada é pela rua, no canto direito da estação, sem nenhuma placa nem símbolo em Ingles…

Lá dentro começa o caos…

Na nossa primeira tentativa, seguimos as instruções do Seat61, mas por estar incompleto, nos faltou alguns detalhes cruciais:

Primeiro, os trens tem horários bem específicos, sendo que o primeiro trem é as 6 e pouco da manha. Mas a bilheteria só abre depois desse horário. Como não sabíamos disso, chegamos lá as 5 e pouco da manha e ficamos mais de 1 hora esperando em vão, sem conseguir esclarecer nada com ninguém (ingles é não existente), e a esse ponto, desistimos e ligamos pro Michael (e fomo pra Mutyanu, como contei acima).

Outro detalhe, é que por algum motivo que nunca chegamos a entender, eles não vendem bilhetes de trem para Badaling para turistas antecipadamente – ou seja, quando tentamos comprar passagem pro dia seguinte as 6 da manha (que já sabíamos que seria antes da bilheteria abrir), descobrimos que não seria possivel, e turistas só podem comprar passagem para o mesmo dia de viagem.

Portanto, só é possível comprar passagem para trens a partir das 7 da manha.

Quando finalmente chegamos lá depois das 7 e a bilheteria já estava aberta, nos deparamos com um mar de Chineses, que imediatamente se congelaram no momento, para assistir nós dois tentando comprar nossos tickets.

Nesse momento, a principal barreira foi mesmo cultural… A bilheteria tem 8 guichês, e nenhuma fila. Era gente pra tudo quanto é lado, sem a menor ordem, nem o menor sentido. Tentamos nos comunicar usando o tradutor do iPhone, mas no geral, apesar de simpáticos e prestativos, os Chineses são muito tímidos.

Todo mundo queria chegar perto pra ajudar e nos “assistir”, mas ninguém conseguir se explicar nem comunicar. Até que por sorte, ouvi duas meninas Asiáticas escrevendo em Chines, mas falando em Inglês – na cara de pau foi falar com elas, e acabamos descobrindo que elas eram duas irmãs Japonesas, que conseguiam ler e escrever em Chines, mas não sabiam falar.

E foram elas que nos deram a dica de ouro: Fure fila, assim como todo mundo, e faça muita mímica!

Ok, deixamos a educação de lado, e pouco a pouco fomos nos infiltrando na multidão de Chineses – em questão de segundos lá estava eu me pendurando na janelinha do guichê, fazendo sinal de “2″ e apontando pro papelzinho com “badaling” em Chinês.

Tão facil!

Em questão de segundos estávamos com as passagens na mão, e finalmente pudemos entrar na estação.

Ah, e esse é outro pequeno, grande detalhe: você só pode entrar na estação Pequim Norte com as passagens na mão!

Aí, já la dentro foi só ficar de olho no painel com o número do nosso trem, e pontualmente as 7:58 da manhã, partimos em direção a Badaling!

O trem é bem moderninho e super confortável – e a medida que vamos saindo do centro de Pequim, pouco a pouco já dá pra avistar alguns pedaços da muralha, oque torna a viagem hipnotizante!

A viagem não dura mais que uns 40 minutos, bem tranquilão, e ao chegar em Badaling, tem outra pegadinha:

A estação fica a uns 10 minutos (andando) da entrada do bondinho da muralha, mas não tem placa nenhuma (em Inglês) na plataforma nem na estação, e tem uma multidão de taxistas esperando os turistas desavisados na saida a plataforma.

Todos vão tentar te convencer que a distância é enorme, e vão tentar cobrar os olhos da cara – mas basta sair da estação, virar a esquerda e seguir na mesma estrada sempre reto – em 10 minutos você esta lá!

Na bilheteria da muralha já compramos logo a passagem ida e volta do bondinho e entrada para a muralha, e passamos o resto do dia tranqüilamente passeando de um lado pro outro!

E realmente essa parte da Muralha é bem diferente e muito mais movimentada doque Mutyanu, que tinhamos ido no dia anterior.

Apesar de termos chegado bem cedo, e bem antes dos grupos de excursão, ainda assim tinha gente em tudo quanto é canto!

A muralha é igualmente imponente, e apesar de ser maior, mais larga e comprida, também é mais nova, e nos deu uma impressão menos autêntica da coisa.

 

No fim do nosso dia, pra voltar pra Pequim foi o mesmo esquema – só que agora já sabiamos oque fazer e foi muito mais fácil!

Andamos de volta pra estação de Badaling (tem que ficar de olho nos horários dos trens, pois eles só vão pra Pequim de hora e hora mais ou menos), e deixamos pra comrpar nossa passagem de volta na hora que quiséssemos voltar, pra não ter que ficar pra não ter que ficar traduzindo e tentando entender os horários e tal.

Mas lá estava tudinho em Ingles 0 compramos nossa passagens, esperamos mais uns minutos e voilá! E meia horinha estávmos de volta a Pequim!

 

Apesar da nossa enrrolação inicial, foi surpreendentemente fácil ir na Muralha por conta propria.

E apesar de realmente não ter sido o processo mais simples do mundo, os benefícios são incomparáveis com uma excrusão.

Pra começar que nos custou apenas 12 Yuans (ida e volta, cada um – cerca de 3 dolares) para chegar até lá, oque é cerca e 0,5% do preço da maioria dos passeios que sondamos.

Mas a principal vantagem mesmo é a liberdade de ir e vir, de não ter que seguir guias, não estar limitado a horários, e principalmente não ter que aturar programas e “passeios” que não te interessam ao longo do dia, só pra encher lingüiça e tentar tirar mais dinheiro do turista (todos os feedbacks de excursões que lemos incluiam “atividades” como” museu de jade, mudeu do cha, loja de esculturas chinesas, etc).

Vai por mim que vale a pena!

 

Categorias: China, Pequim, Viagens
61
08
May
2012
A Grande Muralha!
Escrito por Adriana Miller

Esse vai ser uma daquelas posts que é impossível de não escrever, mas ao mesmo tempo, dos mais difícil de colocar no papel… Afinal, oque posso falar sobre a Muralha da China que ainda não foi dito?

Mas ao mesmo tempo, como negar que visitar a Muralha foi sem dúvida alguma o ponto alto da viagem – e porque não, o objetivo principal de toda essa viagem que fizemos pela Ásia!

Gostamos TANTO que não satisfeitos de ir uma vez, acabamos voltando também no dia seguinte! Porque foi sem dúvidas um sonho realizado, e a impolgação foi tanta que nos foi impossível continuar em Pequim sem dar mais uma passadinha na Muralha (por mais que esse passeio propriamente dito seja uma certa dor de cabeça… Mas detalhes “práticos” no próximo post!).

A Muralha foi inicialmente construída entre os anos 220 a 206 A.C. pelo Imperador Qin, o mesmo que também construiu seu mausoélo e construiu o exercito de Guerreiros de Terracota! Mas ao longo dos quase 1000 anos seguintes a muralha foi re-construida, reforçada e expandida por muitos dos Imperadores seguintes, e alcançando seu auge sob a Dinastia Ming.

Originalmente a Muralha foi construída com o propósito de servir como fronteira oficial para a novíssima China unificada, oferecendo segurança e controle de fronteira ao longo da Rota comercial da Seda – e ao longo dos séculos assumiu o mítico papel principal de proteger a China das invasões de seus vizinhos (principalmente os Mongóis que andavam tocando terror pelo mundo).

Além disso, a Muralha é um daqueles lugares tão cheios de mitos e lendas – que conseqüentemente só aumentam a curiosidade e a imponência do lugar.

Então que tal um joguinho de “verdade ou mentira”?

A Muralha da China é a única construção do mundo visível do espaço.

A Muralha da China protegeu o Império Chinês de invasões durante mais de 2 milênios.

Se você, assim como eu um dia já acredito em alguma dessas duas afirmações, então saiba que você esta redondamente enganado!

Mas realmente, quando você finalmente chega lá na Muralha e finalmente a vê de perto, tudo faz sentido, e fica mais fácil de acreditar que essas lendas (e várias outras) não passam de lendas…

Apesar de seus quase 6 mil quilômetros de extensão, a muralha não é vista do espaço, pura e simplesmente porque apesar de comprida, a muralha não é grande o suficiente (na verdade eu achei a Muralha supreendentemente estreita e pequena!), além de se mesclar perfeitamente ao seu redor – a Muralha é inteiramente construída em pedra, no topo das montanhas que naturalmente cercam o norte da China – oque faz com que ela se torne praticamente invisível na paisagem.

E realmente, quando finalmente chegamos lá em cima, apesar de toda animação de estarmos pisando na Muralha da China, ficamos com aquela sensação de “nossa, pequena heim?! Não é a toa que a China já foi invadida por quase todos os exploradores do mundo…”.

A Muralha não deve ter mais do que 3 ou 4 metros de largura, por uns 5 metros de altura, dado uma impressão de ser muito menos robusta doque muitas muralhas medievais que vemos em cidades Européias por exemplo.

Mas a Muralha não foi completamente inútil não. Apesar de não ter sido nem um pouco infalível, a Muralha acabou tendo como utilidade principal oferecer uma base natural de proteção e fronteira, criando uma divisão oficial entre a China e o resto do mundo.

A grande sacada da Muralha não é necessariamente a muralha propriamente dita, e sim o local onde foi construída – exatamente no topo das montanhas que separam o norte da China e o deserto da Mongólia.

Então na verdade a China já estava naturalmente protegida de seus inimigos, e a muralha apenas criou uma base ofocial onde o exercido armazenava suas armas e montava suas bases.

Mas em muitas outras regiões ao longo da “muralha” não existe muro algum, já que as montanhas eram tão altas e íngremes, que sua barreira natural impedia qualquer invasão.

Ou seja, tecnicamente a muralha cobre uma area de mais de 8.000 quilômetros de extensão (imaginem uma construção que tem a mesma distância que ir de Porto Alegre a Manaus – ida E volta!), porém apenas 6 mil foram construídos, e os outros 2 mil quilômetros são compostos pela barreira natural das montanhas Chinesas.

Infelizmente, depois de mais de 2 mil anos de guerras e abandono, a grandíssima parte da muralha é vetada ao publico e esta (literalmente) caindo aos pedaços.

Nas ultimas décadas o governo Chinês tem reformado algumas seções da Muralha, que agora são abertas ao publico nos arredores de Pequim e outras cidades no Norte da China – nossa visita foi uma aventura (mesmo!) pois queríamos fujir das armadilhas turistas, então vou deixar os detalhes para um próximo post!

 

 

Categorias: China, Pequim, Viagens
12
01
May
2012
Hotel em Pequim: Sheraton Great Wall
Escrito por Adriana Miller

Um dos acordos que eu e o Aaron fizemos em relacao a viagem pra Asia ano passado foi que iriamos maneirar a pao durice na escolha de hoteis – em vez de ficar apenas em albergues e sempre fazer nossas escolhas baseados em preco, dessa vez iriamos tentar escolher uns hoteis merlhores.

E tirando algumas excessoes (como Honk Kong e Cingapura em epoca de altisisma temporada!), nosso plano deu certo e ficamos em otimos hoteis durante toda a viagem!

O ultimo hotel que ficamos foi em Pequim, o Sheraton Great Wall, que fica no bairro Chaoyang.

Antes de confirmar a reserva li varias otimas reviews sobre o bairro e o hotel, ja que Chaoyang eh o novo distrito financeiro e comercial da Pequim moderna, com otimo acesso de transporte e muitos otimas novissimos de quase todas as bandeiras internacionais, alem de otimos restaurantes.

Como era uma cidade totalmente desconhecida, nao sabia exatamente oque esperar, e confesso que dei preferencia (propisitalmente) a ficar numa regiao mais afastada e mais “moderna” doque arriscar ficar em alguma espelunca no centro de Pequim.

E realmente o hotel foi uma otima escolha!

Servico muito bom e funcionarios sempre prontos a nos ajudar em Ingles quase perfeito – alem de estar muito bem posicionado entre duas estacoes de metro que cobrem as principais linhas de transporte publico da cidade, e bares, restaurantes e um spa que definitivamente ajudou a aquecer nossas noites congelantes em Pequim!

Mas agora que conoheco a cidade e ja sei que Pequim (e China como um todo) definitivamente nao eh esse bicho papao que todo mundo tanto fala, e com certeza nao ficaria numa area tao afastada do centro turistico de Pequim.

Nao que Chaoyang tenha algum problema, muito pelo contrario – o bairro eh tudo aquilo que eu esperei que fosse, mas Pequim eh uma cidade MUITO absurdamente grande e bstante espalhada entao apesar do facil acesso a transporte e tudo mais, tudo que resolvemos fazer nos tomava pelo menos entre 40 minutos a 1 hora pra ir do ponto A ao ponto B.

E nem estavamos tao longe assim nao, mas Pequim eh realmente caotico!

As linhas de metro estao sempre abarrotadas, onde nos eramos carregados pra dentro e pra fora das estacoes pela massa de pessoas, entao acabavamos tendo que eserar varios terns passarem antes de conseguirmos sequer chegar perto da porta do metro.

Taxi tentamos umas duas vezes, pra nunca mais – o engarrafamento, a qualquer hora do dia ou da noite, eh daqueles desesperadores que voce fica parada no mesmo lugar por horas, e o motorista sai do carro pra fumar um cigarrinho varias vezes….

Entao apesar de ter adorado o hotel, e definitivamente recomendo pra quem estiver buscando opcoes mais modernas, confortaveis e padrao internacional (porem com bom preco) em Pequim, mas numa segunda visita eu com certeza vou preferir ficar hospedada na regiao central, ali pertinho da Cidade Proibida!

Sheraton Great Wall

Beijing 10 North Dong San Huan Road, Chaoyang District

China

P.S. As fotos são de divulgação do site do hotel, pois acabamos não tirando muitas fotos do hotel (já tava muito no finzinho da viagem…) e não ficaram muito boas… (menos essa ultima – pessima – do bar do lobby que tirei com meu iPhone)

 

Categorias: China, Pequim, Viagens
9
25
Apr
2012
Um negócio da China!
Escrito por Adriana Miller

Volta e meia alguem me pergunta se existe alguma dificuldade em morar fora, ser casada com um Americano e trabalhar com Ingleses (e não-faladores de Portugues em geral). E a verdade é que não. E se tem, rapidinho você se acostuma e até esquece oque era.

Mas se tem uma coisa me deixa tensa é não conseguir usar no meu dia a dia algumas frases-chavão em Portugues que eu acho que descreveriam perfeitamente uma situação, ou resultariam numa piada perfeita para o momento! E não tem nada pior doque uma piada que perde seu sentido ao ser traduzida (e claro, o mesmo acontece na versao Ingles-Portugues, depois de tantos anos por aqui).

Então imagina o quanto eu sofri na viagem pela Asia a cada vez que eu queria dizer pro Aaron: “Nossa! Fiz um negócio da China!”! Naquele clima de um trocadalho-do-carilho (outra que nao tem sentido algum quando traduzido!)

Porque olha, se tai uma coisa que eu fiz nessa viagem pra China foram otEmos “negocios da China”!

Mas eh aquela historia neh? Ou voce ama, ou voce vai adiar a experiencia. Eu adorei, o Aaron odiou.

Na China, assim como em varios outroa paises orientais, a cultura “comercial” eh fortissima, e existe todo um ritual sobre como as transacoes devem ser feitas. Logico que voce nao pode entrar na Zara do shopping em Hong Kong e ficar batendo boca sobre o preco da saia, mas em lojinhas de rua, mercados (tipo “China Town”) e lojas mais turisticas, nao soh pode, como deve e eh o esperado!

E tem todo aquele ritual e regras invisiveis de comportamento entre o cliente e o vendedor – assim como tambem existe fortissimo na Turquia, no Egito, na Tailandia e na India.

A primeira coisa que voce vai reparar eh que nas areas mais turisticas, raramente as mercadorias tem preco. Os precos sao dados de acordo com a pinta do cliente, entao sempre partimos do principio que preco nenhum era o preco final.

Nossa principal sorte nessa area foi ter tempo pra pesquisar precos e pensar bem oque e se queriamos comprar alguma coisa na China. Entao logo que chegamos em Hong Kong e Macau, como iriamos fazer todas as viagens internas viajando de low cost, decidimos nao comprar absolutamente nada, mas ir pesquisando, pensando bem oque queriamos comprar, e no final da viagem, em Xangai e Pequim poderiamos finalmente abrir a carteira sem medo do excesso de peso!

E isso eh importantissimo, pois os precos variam demais de uma loja/barraquinha pra outra, e ate mesmo dentro de uma loja, dependendo de qual vendedor voce pegar, eles vao te dar precos diferentes para o mesmissimo item!

E o ritual danca-do-acasalamento entre o cliente e vendedor geralmente era assim:

1) Avaliacao da presa: Sempre que perguntavamos o preco de alguma coisa, a resposta vinha em forma de outra pergunta “Where are you from?” (da onde voce eh?). Entao da pra imaginar que tanto eu quanto o Aaron eramos destaque em comparacao com outros clientes, sem a menor chance de passarmos despercebidos.

Paises como Turquia e Egito por exemplo, eu me sentia na vantagem em relacao ao Aaron. Apesar de que ambos paises nao sao muito tolerantes de mulheres tomando as redeas nas negociacoes, eu definitivamente passava mais despercebida doque o marido gringo. Mas na China, ambos viramos gatos pardos, vistos como presa facil pra qualquer vendedor.

Mas ja tinhamos uma resposta ensaiada de outros carnavais, e a resposta na ponta da lingua sempre era “Brasil!”, que automaticamente eh um pais que chama muito menos aten$$$ao financeiramente doque EUA ou paises Europeus, por exemplo.

Entao tambem tinhamos nosso ritual enrrola-vendedor, e imediatamente comecavamos a conversar em Portugues (que geralmente significa que eu fica falando frases e palavras aleatorias, e o Aaron vai respondendo oque vier na cabeca, variando entre numeros  ou um simples “oi tudo bem”) – mas que para os vendedores Chineses, soava como se realmente estivessemos falando um lingua que eles nao reconheciam.

2) Avaliacao da mercadoria: Uma vez que nosso potencial como presa fosse estabelecido, o vendedor(a) nos dava um preco, que invariavelmente era astronomico.

Enquanto o Aaron se preparava pra se esconder de vergonha no canto, eu comecava o momento isso-tudo-nossa-to-escandalizada (que geralmente era verdade, pois o preco inicial eh sempre estratosferico!).

Os vendedores SEMPRE andam pra cima e pra baixo com um calculadora na mao, e ja ate sabem que o proximo passo e te passar a calculadora e pedir que voce faca seu proprio preco.

Na maioria das vezes eu baixava meu preco para 1/3 ou 1/4 do valor inicial – oque por sua vez causava uma nova reacao teatral do vendedor escandalizado com minha oferta tao baixa.

3) Fechando o negocio: Esse vai e vem de “me da seu melhor preco”, pode ir e vir varias vezes, ate que uma das duas opcoes aconteca – ou o cliente se sucumbe ao preco oferecido, ou o cliente sai da loja.

Na primeira opcao, a compra eh fechada e todo ficam felizes achando que fizeram um negocio da China!

Na segunda opcao, o cliente sai andando, e em questoes de segundos o vendedor vem correndo atras de voce com uma nova contra proposta!

Uma coisa que nao saia da minha cabeca eh: a maioria das tranqueiras que vemos pelo mundo sao Made in China de qualquer maneira, como podem querer me cobrar caro por uma mercadoria feita na China, NA CHINA! Nem frete pra cruzar o mundo foi pago nesse item…

Alem disso, ter feito pesquisa antes nos ajudou bastante a ter uma boa nocao de precos e qual seria nosso limite, tanto pra cima quanto pra baixo do preco inicial.

Dois otimos exemplos que aconteceram com a gente.

Uma das coisas que eu queria comprar na China era um vaso de porcelana; nada extravagante nem vintage, mas de porcelana boa e com um estilo bonito. Quando estavamos na Nanjin Road em Xangai vi um vaso perfeito por cerca de 200 Yuans.

Apesar de que a Rua Nanjin eh uma area turistica, ela eh uma rua muito mais “Chinesa” doque o mercado da cidade antiga por exemplo, entoa achei que aquele era um guia de preco. Provavelmente eu poderia barganhar um pouco, mas os precos nao eram exorbitantes, pois a maioria dos clientes por ali eram Chineses. Mas resolvi nao comprar naquela loja e esperar nosso passeio pela cidade antiga no dia seguinte (que eu sabia que tinha um mercado).

No dia seguinte, depois de procurar de cabo a rabo quase todas as lojas da area, finalmente achei o vaso que eu queria! Entrei na loja e o ritual no pontos 1, 2, e 3 se repetiram.

O porem dessa “negociacao” foi que na vespera eu tinha visto o mesmo item por 200 e a vededora queria me cobrar 2.500 Yuans! Mais de 10 vezes o preco inicial! Entao os pontos 2 e 3 se repetiram infinitas vezes, ate que falei pra vendedora que ja tinha visto o mesmissimo vaso na Najin Road por 1/10 do preco e que preferiria voltar la.

Ela ainda tentou fazer um drama de como aquele vaso daquela loja era muito melhor, mas ela deve ter percebido pela minha expressao que ela nao ia me enganar – nem aqui nem na conchinChina!

Por fim fechamos o negocio por 193 Yuans – um desconto de nada mais, nada menos que 93%!! Eu sabia que provavelmente poderia voltar na Nanjin Road e conseguir um preco um pouco melhor – mas ja estava exausta de todo esse processo, e sai da loja feliz e contente com minha compra!

Ja em Pequim resolvemos comprar uns conjuntos de cha Chines. Ja tinhamos visto alguns precos em Xangai e sabiamos mais ou menos oque queriamos. E logo numa lojinha do lado do nosso hotel vimos uns conjuntos lindos, por um preco otimo (cerca de 80 Yuans, bem mais barato doque vimos em Xangai)! Entramos, perguntamos o preco (ja sabendo/achando que estavamos fazendo um otimo negocio!), tentamos negociar um pouco, mas deixamo pra la. E o vendedor ficou TAO feliz que ate desconfiei.

Nao deu outra… uns dias depois quando fomos num mercadinho em Pequim achamos os mesmos conjuntos de cha por precos mais baixos!

E na China essa regrinha valeu praticamente pra tudo!

Para as compras no mercadinho turistico, para fechar preco de translados e passeios turisticos e ate o preco do espetinho de gato na barraquinha de rua!

As unicas excessoes realmente sao os locais de comercio mais “formal” como restaurantes e lojas de shopping – mas de resto, eh soh entrar com a cara e com a coragem e correr pro abraco!

 

P.S. Repararam como eu tentei usar todos os trocadilhos e frases chavoes possiveis nesse unico post?!?!

 

Categorias: China, Pequim, Viagens, Xangai
57
23
Apr
2012
Pequim: A Cidade Proibida e a Praça da Paz Celestial
Escrito por Adriana Miller

Depois de passarmos um dia no Palácio de Verão de Pequim, a próxima parada era a Cidade Proibida, que pelo menos pra mim, sempre foi sinônimo da cidade.

A Cidade proibida, que hoje em dia é conhecida como “Palácio Museu”, eh o coracao e o centro absoluto da capital Chinesa, e eh na verdade um complexo de pracas, parques, templos, palácios e casas, construídos no comecinho do século 15 e que durante cerca de 500 anos foi a residência oficial dos Imperadores Chineses.

E eh justamente dai que surgiu o nome popular de ser uma “cidade proibida”: a entrada, e sequer aproximação das muralhas do palacio a pessoas nao autorizadas (O Imperador e sua familia, funcionários especiais e políticos aprovados pelo Imperador) era punida com execução sumária, sendo classificado como o pior crime que alguém poderia cometer na China – sem perguntas, segundas chances nem julgamento.

E o complexo é mesmo uma cidade dentro da cidade, e algumas das traduções literais do nome dado ao complexo nos dialetos Chineses fazem justamente referencia a uma “cidade em camadas”, ou “cidade interna”.

A entrada principal, pelo Portao do Ceu, na famosa Praca Tiananmen (ou a Praca da Paz Celestial), que é outra atração a parte!

Muitos das estruturas dentro da Cidade original foram destruídos na revolução, mas a grande maioria ainda esta lá, inteirinha, formando a maior coleção de estruturas de madeira da China – que assim como no Palácio de verão, são super interessantes, extremamente trabalhadas e geralmente sustentadas por bambus ou troncos de madeira – ha 500 anos!

E a estrutura da Cidade ainda é a mesma, composta pelo circula externo, onde ficavam os palácios oficias do governo e templos, e o circulo interno, onde ficavam os aposentos da familia Imperial.

Logo o primeiro portão que vemos é a Portão da Harmonia Suprema, numa praça aberta enorme, que logo de cara dá aquele imagem inconfundível de onde você esta no mundo!

Todos os prédios e estruturas são nomeados de acordo com seu significado, e cada um tem um sentido específico e toda uma simbologia Budista.

Mas o portão é apenas a porta de entrada para a area principal, a Galeria da Suprema Harmonia, que era o principal templo cerimonial de poder Imperial, e até hoje é a maior estrtura de madeira da China!

E foi ali que Imperadores foram coroados, casaram, celebraram vitórias e conquistas, onde há um trono e um dos pouquíssimos prédios dentro da Cidade Proibida onde é possível ver o interior do templo – infelizmente quase todos os outros são fechados ao publico, então o passeio pela Cidade Proibida é muito mais um passeio pelos jardins e galerias, doque um “museu” propriamente dito.

Mas os nomes é que são um caso a parte! Claro que como as plaquinhas (que eu conseguia ler!) estavam traduzidas em Ingles, acabam sendo umas traduções literais meio toscas! mas muita “harmonia”, “paz”, “Longevidade”, e sem esquecer dos animais simbóicos, como o dragão, o leão, a tartaruga e tal.

Mas o mais legal mesmo é entender sobre todo simbolismo do lugar, e como tudo ali dentro tem uma cor, um tamanho, uma altura (por exemplo, alguns templos ficam em cima de “plataformas” de pedra, acessíveis por degraus, enquanto outros estão “no chão”), a posição em relação ao nascer e pôr do sol ou a direção da montanha ou da agua.

Por exemplo, as cores. O Amarelo é a cor simbolica do poder imperial, então quase todos os telhados são pintados em amarelo, pois os telhados eram as unicas partes da cidade visiveis ao mundo exterior.

E suas exceções também tem motivos específicos, como por exemplo o “Pavilhão da Profundidade Literária” (falei que os nomes são engraçados, né?) que tem um telhado preto, pois o simbolismo da agua é preto, e a agua espanta incêndios que por sua vez preserva e protege os livros.

Ou então o Palacio onde moravam os principes e princesas, que tem telhados pintado de verde, que esta associado a madeira e platas, que crescem.

Outro detalhe são os números das estatuetas que decoram os telhados – e quem são essas estatuetas. Quanto mais imagens, mais importante é o predio.

O numero máximo de imagens esta na Galeria da Harmonia Suprema, que possuía a honra maxima da cidade e seus habitantes.

Lá dentro varios predios e palácios são abertos a visitação e exibem diferentes coleções de pinturas, esculturas, jóias e moveis – mas uma quantidade absurda de relíquias foram despachadas pro Museu de Taipei logo depois da Segunda Guerra mundial, na iminencia da invasão Japonesa e sob ameaça da revolução Comunista.

O Governo decidiu retirar todos os itens valiosos e insubstituives da cidade, com medo de uma revolução e invasão da cidade, que poderia facilmente destruir o patrimônio do país.

A Cidade Proibida deixou de ser a sede oficial do Governo Chines em 1912, que marcou a queda do ultimo Imperador (e sua Dinastia), fechando os  quase 1.000 anos de Imperialismo Chines e 500 anos de Cidade Proibida.

E foi justamente ao fechar o capítulo do Imperialismo que a China trocou os palacios da Cidade Proibida como seu principal simbolo e apresentou o mundo a Praça da Paz Celestial, a terceira maior praça publica do mundo.

Foi ali na Praça da Paz Celestial que a República Popular da China foi proclamada em 1949. Durante as duas decadas seguintes, o novo governo popular Chines considerou destruir a Cidade Proibida, derrubar as muralhas, delapidar os palacios e transformar o espaço em um parque popular.

Mas por sorte, nenhum desses projetos saiu do papel, e hoje em dia temos um museu a ceu aberto incrivel praticamente intacto!

Mas a foto do cara continua lá, inconfundível, bem de frente para a Tiananmen e guardando a entrada da Cidade: Mao Tsé-Tung!

Mao Tsé-Tung foi o líder da revolução Chinesa em 1949 e arquitetou oque o mundo passou a conhecer (e temer!) como a Republica Popular da China, um dos maiores, mais populosos, poderosos e estritos do mundo!

E a Praça da Paz Celestial não lembra em nada o charme imperial da Cidade Proibida, e a maioria de seus predios tem uma arquitetura tipicamente Soviética, incluindo o Monumento dos Hérois, e o Mausoléu de Mao Tsé-Tung, lá no fundão do praça.

O mausoléu foi construído com a ajuda do governo Vietnamita, tendo o mausoléu de Ho Chi Minh em Hanoi, e o Mausoléu de Lenin, em Moscou, como inspiração.

Bem no centro da praça é comum vermos os “ensaios” do exercito, alem de uma cerimônia que me lembrou bastante uma troca de guardas, tanto com os soldados que guardam a entrada da Cidade Proibida, assim como os guardinhas que todos os dias hasteiam (e retiram) a bandeira da China do topo do monumento aos Herois.

 

 

Categorias: China, Pequim, Viagens
7
18
Apr
2012
Palacio de verao em Pequim
Escrito por Adriana Miller

Chega a ser um pouco ironico falar do “Palacio de Verao” de Pequim, sendo que nao soh chegamos la em pleno inverno, mas ainda pegamos o dia mais frio do ano e da nossa viagem!

Na verdade demos “sorte” com o clima (e depois de passar dois dias em Xian, realmente agradecemos a cada dia de ceu azul… que aparentemente tambem sao rarissimos em Pequim!) pois pegamos sol e ceu azul todos os dias. Mas a sorte parou por ai, ja que nesse dia, pegamos nada mais, nada menos que -17, com sensacao termica de -20 e poucos!

Mas por outro lado, esse frio todo deu um charme extra aos jardins e lagos, sendo que o frio estava tao extremos que TODOS os lagos do parque congelaram 100% solidos, e rapidamente se transformaram em ringue de patinacao!

Nos dedicamos um dia todo ao Palacio, mas que na verdade nao foi assim super inteirinho. Na verdade foi o dia que chegamos em Pequim vindos de Xian, e ate que chegamos na cidade bem cedo (nosso voo chegou tipo as 9 da manha), mas ai ate passar pela imigracao, recolher bagagem, chegar no hotel, fazer checkin, e finalmente se entender no metro de Pequim, la se foram algumas (muitas) horas.

O parque fica meio afastado da cidade, e sendo Pequim um cidade megalomaniacamente enorme, mesmo no metro (que eh maneira mais facil e rapida de chegar la) ainda demoramos mais de 1 hora, so dentro do trem. Entao sabiamos que nao era o tipo de lugar pra dar soh uma passadinha, e ja que teriamos essa metade de dia meio capengo, meio cansados, resolvemos ir direto pra la!

O “Palacio”, na verdade eh um parque/jardim com dezenas de templos e palacios la dentro, mas o nome oficial eh “Palacio de Verao”, pois todos o resto foi desenvolvido ao longo dos anos nos jardins do Palacio em decorrencia de sua importancia nas cortes das Dinastias Chinesas.

E esse Palacio eh a Torre do Incenso Budista, que fica no topo da Colina da Longevidade, e domina a paisagem e a vista do Lago Kunming.

A Torre do Incenso Budista eh realmente impressionante, com seus 3 andares e 40 metros de altura – inteiramente trabalhados em madeira com cores hipnotizantes, com uma estrutura octagonica, onde cada um dos 3 andares do templo apresenta 8 fachadas perfeitamente simetricas, que se reproduzem ns andares seguintes, sustentados por apenas 8 pilares de madeira.

O espaco total do parque tem cerca de 3 quilometros quadrados, sendo que ¾ dele eh justamente a area do Lago Kunming, que nos tivemos o privilegio de ve-lo numa das raras ocasioes onde ele se congelada integralmente!

E toda area do jardim em volta do lago foi desenvolvida para representar os diferentes estilos de arquitetura e paisagismo Chines, e mesmo passando muitas horas por la, nao chegamos nem perto de conseguir ver tudo! (e claro, o frio nao colaborou em nada!).

Uma outra grande atracao do parque eh o Corredor Long, que conecta o Templo da Benevolencia (logo na entrada do parque) ate o Barco de Marmore, circulando toda orla do Lago Kunming, e foi construido a mando do Imperador Quianlong, para que sua mae pudesse passear pelo lago protegida do sol e chuva. O nome dado ao corredor (“Long”) nao eh relacionado a quao longo ele eh, e sim por causa do nome do Imperador (Quianlong), que significa “Benevolencia Divina”.

O Corredor tem 728 metros de extensao, e assim como quase todos os outros templos do parque, eh inteiramente feito de madeira, e ricamente decorado, possuindo cerca de 14,000 pinturas individuais feitas a mao.

Na ponta extrema do Corredor Long esta o Barco de Marmore, uma estrutura interiramente feita de marmore, no formato de um barco, construido a pedido da Imperatriz Dowager Cixi.

O barco nunca teve a intencao de navegar, pois foi construido em terra firme na beirada do Lago, e supostamente representava a solidez da Dinastia Qing, que jamais “afundaria”.

Porem segundo os registros da epoca, os fundos gastos na construcao do “barco” foi o equivalente ao total do orcamento que o emperador tinha para renovar a marinha do imperio, oque deixou Quianlong falido e consequentemente o levou a sua eventual ruina para a Dinastia Tang.

La do outro lado do lago esta a Ponte do 17 Arcos, que se conecta a ilha Nanhu, que eh a maior ilha do Lago Kunming onde esta o Templo do Rei Dragao.

A ponte, eh a replica de uma outra ponte de Pequim, e representa o pescoco de uma tartaruga (ja que a Ilha Nanhu vista de cima, tem o formato de uma tartaruga), que eh o pricipal simbolo da longevidade na cultura Chinesa, e por isso e um animal sempre muito reverenciado pelos Imperadores Chineses.

O Palacio de Verao fica aberto  ano todo, e eh facil de chegar a partir de qualquer ponto de Pequim. O metro chega ate quase a porta do parque, e apesar de ter nao placas com direcoes em Ingles, nos achamos que foi relativamente facil de seguir o “fluxo” ate que finalmente achamos a entrada.

A entrada custa cerca de 5 dolares por pessoa, e uma vez la dentro as areas de suporte sao bem escassas. Entao pra quem quiser se programar para ficar por la o dia todo, eh bom levar sua propria agua e alguma coisa pra comer, ja que nao existem muitas opcoes la dentro – e as poucas que vimos, vendiam principalmente souveniers e muito cha, com poucas opcoes de comida (seja Chinesa ou nao).

 

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