14 May 2012
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China na Pratica – sem medos, preconceitos nem estereotipos!

China, Dicas de Viagens, Pequim, Xangai, Xian

Nenhuma viagem pra Asia eh planejada sem um monte de medinhos… Se essa viagem inclui a China entao pronto, pode ter certeza que todo mundo tera uma opiniao, uma historia pra contar ou seus proprios motivos pelo qual jamais faria uma viagem dessas.

E confesso que sempre tive meu pe atras tambem. Meu pai e minha tia viajaram pela China nos anos 90 e voltaram com altas historias de assustar criancinhas – e sem falar em tudo que vemos na TV, jornais e afins.

Mas a verdade eh que viajar pela China foi incrivelmente mais facil doque jamais imaginei!

Talvez tenha sido por realmente estar esperando sempre o pior, ou talvez seja porque, por comparacao, ja viajei por paises bem “piores” (Marrocos, Egito, India e Vietnan, so pra citar alguns…) e muito mais dificeis de se viajar.

Tudo bem que nao nos aventuramos pelo interior, nem nos metemos em cidadezinhas no meio do nada – mas tivemos nossa dose de aventura e de viagem independente, e a cada nova descoberta era uma surpresa – sempre pra melhor!

Dificuldades em geral

Acho que a principal dificuldade em planejar uma viagem pra China eh justamente acreditar que tudo sera muito dificil.

Aquele preconceitozinho que te freia, que te impõe limites por ter medo do desconhecido.

No meu caso eu tinha muito receio em relacao a comunicacao, entao preferi tomar certas precaucoes como viajar apenas de aviao (em vez de arriscar umas viagens de onibus e trem de longa distancia) e ficar hospedada em hoteis de redes internacionais em vez de arriscar uns albergues.

Assim eu achei que estaria nos protegendo de eventuais pepinos linguisticos, pois sempre estariamos numa ambiente “internacional”.

A verdade eh que realmente ajudou bastante, mas ainda assim nao foi infalive. E quer saber, nao foi esse bicho de 7 cabecas nao!

Lingua e comunicacao

Acho que realmente a comunicacao foi a parte mais dificil da viagem, principalmente depois de ter passado por Hong Kong, Macau e Cingapura, todas muito internacionais.

Mas nao chega a ser um impecilho. Eu fique surpresa de ver que quase todas as placas de rua tem a versao em Chines e a versao “Ocidental”, seja com as instrucoes em Ingles (tipo “Cidade Antiga: segunda rua a direita”) ou com o nome das coisas em alfabeto ocidental, oque facilita na hora de pronunciar, procurar no mapa etc.

O memso eh valido pra transporte publico, sempre com placas e instrucoes em Ingles, e foi sempre facilimo se virar por la apenas usando as maquininhas das estacoes.

Restaurantes tambem quase sempre tinham alguma opcao de menu em Ingles.

O problema mesmo eh quando voce precisa interagir com alguem. Muita gente que trabalha com turismo sabe falar apenas o basico, umas frases ja meio ensaiadas – qualquer coisa alem disso se torna uma verdadeira luta, mesmo com o concierge de hoteis de luxo!

Isso sem falar que no geral os Chineses sao muito timidos e fechados, entao se voce tentar falar com alguem na rua, ja era! Eles viram bicho do mato e nao dao muita atencao mesmo!

Mas fomos preparados, sempre tinhamos tudo escrito em chines antes de sequer sair na rua, e sempre tinha a App tradutira no bolso, para os momentos de aperto.

Transporte

Sem duvida alguma o transporte fo um dos pontos altos da viagem – nas 4 cidades Chinesas que passamos, o transporte publico era eficiente, barato, modernissimo, limpo e muito facil de usar.

Todas as estacoes teem informacoes em Ingles e mapas das linhas e estacoes tanto em chines quanto Ingles – e pra evitar confusoes, iamos sempre direto na maquininha automatica de ticket das estacoes, onde bastava selecionar a lingua (Tem Ingles, Espanhol, Frances, etc), marcar de onde voce queria ir e onde queria chegar e pronto. Muito simples e muito facil!

A unica dificuldade que tivemos foi com taxi, pois muitas vezes os taxistas simplesmente fugiam da gente!

A recepcionista do hotel disse ser por receio deles mesmos de nao conseguirem se comunicar com turistas, entao sempre tentavamos parar os taxis com o papelzinho com o endereco em Chines ja na mao – e assim eles entendiam que a interecao seria minima, e aceitavam nossa corrida.

 

E tivemos outras vezes tambem onde pedimos pra algum Chines chamar um taxi pra gente enquanto ficavamos escondidos… quando um taxi parasse, a gente pulava dentro e mostrava o endereco!

Dinheiro e Compras

A moeda na China eh o Yuan chines, que na epoca que viajamos estava cotado a mais ou menos 15 dolares por unidade.

Foi facilimo achar caixas automaticos de saque, mas nao vimos muitas casas de cambio nao…

No geral achamos as coisas bem baratas na China, mas nada que me fisesse enlouquecer de querer sair comprando tudo. Precos em shoppings e lojas internacionais sao bem homogeneos com oque vemos por aqui na Europa e EUA, e ate mesmo os eletronicos foram um pouco decepcionante.

O Aaron achou que ia fazer a festa nas lojas de cameras e materiais fotograficos, e a verdade eh que tirando uma lojinha de pinta duvidosa aqui ou ali, os precos que vimos eram todos bem tabelados com o ocidente, e algumas vezes ate mais caros!

Entao oque vale a pena comprar memso sao os “cacarecos” em mercados e afins, que ja virou ate post!

E claro, nao sejamos ingenuos, e eh sempre bom ficar de olho quando o seu “negocio da China” for generoso demais – afinal nao eh por acaso que a China tem a maior industria de pirataria e falsifcacao do mundo!

Comida

Nos comemos bem demais na China, como ja contei com todos os detalhes aqui.

Choque cultural (e nojices em geral)

Como em qualquer outra viagem para um lugar muito diferente, choques culturais fazem parte do aprendizado da viagem – afinal viajar eh muito mais que fazer compras e tirar foto em frente a monumentos famosos: Eh a arte de exercitar sua tolerância e abrir a mente para o fato de que pessoas diferentes, em diferentes artes do mundo fazem as cosias de maneira diferente.

Entao esse “choque” pode ser bem sutil como a comida do cafe da manha do hotel, que em vez de suco de furtas e panquecas, tera arroz frito e sopa de noodles. Nos primeiros dias eh divertido, depois so de sentir aquele cheiro no corredor do hotel tao cedo, voce ja quer voltar pra casa!

Pra mim o principal foi me acostumar a ter muita gente, o tempo todo, saindo de todos os cantos. Afinal, apesar de que a China eh um pais grande, eh dificil conter quase 2 Bilhoes de habitantes.

Entao se prepare pra ignorar filas, passar na frente das pessoas, entrar no elevador (ou no metro) antes que todo mundo saia primeiro e etc.

Coisas basicas da convivencia “civilizada ocidental”, na China se tornam detalhes insignificantes da sobrevivencia do mais forte.

O seja, se vc nao furar fila (como todo mundo) nao vai conseguir comprar seu ticket a tempo. Se vc nao entrar no metro assim que porta do vagao abrir (em vez de esperar todo mundo sair), vai perder o bonde.

E no fundo, nao esquece que a visita na casa dos outros ali eh voce – entao em vez de reclamar e ficar indignada com certos comportamentos, adapte-se!

Nao perca a aportunidade de aprender alguma coisa nova sobre um povo tao diferente da gente!

Visto

Todos os visitantes precisam de visto pra entrar na China, mas nos ultimos anos o requerimento de visto Chines tem sido mais facil e tranquilo doque era ha uns anos atras.

Voce pode pedir um visto de entrada unica ou de entradas multiplas, lembrabdo que tanto Hong Kong quando macau nao exigem visto de seus visitantes.

Porem, qualquer cruzadinha da fronteira podera resultar em deportacao caso voce nao tenha o tipo correto de visto, entao atente bem em qual visto de encaixa melhor com o seu estilo de viagem.

Nos pedimos o visto de entrada multipla, que da direito a entrar e sai da China por um periodo de 6 meses.

Nos sabiamos que nao iamos precisar disso tudo, mas como nosso voo pra Hong Kong fazia escala (mas nao era conexao da mesmo cia aerea) em Pequim, e depois voltariamos pra Xangai semamas mais tarde, nao queriamos correr o risco de sermos barrados.

Transporte Interno

A China eh mais um desses paises de proporcoes continentais, e qualquer pulinho na cidade ali do lado pode significar horas e mais horas de viagem.

Inicialmente tinhamos planejado fazer a viagem entre Xangai, Xian e Pequim de trem, porem isso significaria passar um media de 12 a 14 horas em trens por cada trajeto, oque tornaria nosso roteiro impraticavel.

E mesmo roteiros que incluem roteiros entre Xangai e Pequim diretamente de trem bala (que viaja a mais de 300km por hora!) demoram pelo menos 8 horas de viagem durante o dia.

Outra complicacao eh que apesar de eficiente, o sistema ferroviario da Chinae foi feito para atender a populacoa local – e nao os turistas.

Entao nao eh possive comprar passagensde trem pela internet, nem comprar passagens com cartao internacional e muito menos comprar passagens antecipadas.

O mais cedo que um turista pode comprar passagem de trem na China sao 10 dias (via agencia) e geralmente isso nao eh suficiente, pois os tickets esgotam muito antes disso!

Então o mais facil é sempre utilizar uma agencia local como seu intermediario. Originalmente nós utilizamos agencia China Trip Advisors, que tem um website de interface bem fácil, com uma lista de horarios e tipos de trem, você faz um depósito via paypal e então, dez dias antes da data da sua viagem (quando eles abrem venda antecipada pra extrangeiros) alguem vai lá furar a fila pra você.

Como já estavamos imaginando, não conseguimos comprar nenhuma passagem, pois tudo acabou bem antes desses 10 dias, e no mesmo dia eles devolveram o custo do depósito via paypal.

Então a maneira mais barata, rápida e eficiente de viajar internamente pela China é mesmo de avião, como já comentei aqui nesse post. Depois que a agência confirmou que não conseguiríamos comprar a passagem de trem (que custava cerca de 100 dolares, cada trecho, entre Xangai e Xian), compramos uma passagem de avião de ultima hora pela China Eastern que mesmo sendo apenas 10 dias antes da viagem, custou apenas 50 dolares! Sem falar que a viagem de avião demorou 2 horas, e de trem teriamos levado 12 horas…

 

Adriana Miller
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11 May 2012
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Dim Sum e um Guia – mastigadinho – de comida Chinesa

China, Dicas de Viagens, Hong Kong, Pequim, Xangai

Desculpem a piadinha alimentícia, mas não resisti!

Um dos comentários mais comuns que ouvi de amigos turistas e Chineses antes da viagem sempre foi em relação a comida – o quanto a comida Chinesa na China é tãaaaao diferente doque estamos acostumados no Ocidente, como se come mal por lá, isso e aquilo.

Eu sempre gosto de explorar a gostronomia dos lugares por onde viajo (principalmente na Asia), mas fui pra China sem a menor expectativa. Na verdade eu fui com medo doque encontraria por la!

Afinal quem nunca ouviu falar aquelas historias que involvem ingredientes exoticos como miolo de macaco, file de cachorro, escorpiao frito e varios outros itnes que parecem saidos de uma receita de pocao magica do Harry Potter!?!

Puro bla bla bla. Variando entre restaurantes baladados em Hong Kong, Xangai e Beijing, a barraquinhas de rua, mercadinhos inteligiveis e restaurantes sem uma unica palavra em Ingles, comemos muito, mas MUITO bem na China!

Confesso que ate pra mim isso foi uma surpresa, pois realmente esperava altas emocoes alimenticias e cheguei a cogitar levar um estoque de barrinhas de cereais na mala!

Mas claro, isso vindo do ponto de vista de duas pessoas com baixissimo limite de frescuras, e que gostamos mesmo de nos aventurar a mesa e sempre provar oque um determinado destino tem a oferecer.

Dim Sum:

O primeiro passo na minha check list gastronomica era o Dim Sum, pois apesar de gostar bastante de comida Asiatica em geral, eu sabia que o ritual de Dim Sum era uma coisa bem tipicamente Chinesa, que nao vemos em outras regioes da Asia.

Minha primeira introducao ao Dim Sum foi na verdade na China Town de Londres, com uma amiga Chinesa – entao pelo menos a primeira vista, nao foi tao intimidador!

Tentando ser o mais simplista possivel, Dim Sum poderia ser comparado como as Tapas Espanholas – nada mais eh doque comida servida em pequenas porcoes individuais, tendo como objetivo que cada pessoa possa comer e provar o maior numero possivel de opcoes.

 

A tradicao de Dim Sum comecou ao longo das estradas da Rota da Seda, onde os viajantes paravam em pensoes para o ritual de cha Chines. Porem, originalmente as pessoas nao tinham o costume de comer e beber cha ao mesmo tempo, entao apenas pequenas porcoes eram servidas.

Oque era excessao cabou virando regra, e pouco a pouco o costume de servir pequenas porcoes de comida com o cha, foi se espalhando pela China.

Hoje em dia, apesar de ser possivel achar Dim Sum em restaurantes Chineses e Asiaticos em todo mundo, na China esse costume ainda eh ligado a pequenas refeicoes, como por exemplo, um lanche depois de fazer exercicios pela manha, pra acompanhar o cha da tarde ou entao um brunch no fim de semana.

Nos tivemos oportunidade de comer Dim Sum em dois lugares fantasticos na China: primeiro no restaurante Tim Ho Wan em Hong Kong, considerado um dos melhores do mundo, e vencedor ate de esrela Michelin!

Em Xangai tivemos o privilegio de nos hospedar no Westin Bund, que pra nosso deleite serve o Dim Sum brunch mais famoso e badalado de Xangai!

O ritual do Dim Sum eh bem legal: voce recebe uma comanda com as varias opcoes de pratos e porcoes – tente nao se assustar com os nomes e traducoes dos ingredientes (que eram sempre um tanto quanto assustadores!) – e entao vai escolhendo oque quer comer.

 

Logo depois, um garcon passa com um carrinho lotado de bandeijinhas de bambu empilhadas, e vao espalhando pela mesa suas diversas opcoes.

Tudo que provamos foi delicioso, e tentavamos focar nos ingredientes principais, ja que as traducoes nao faziam muito sentido.

E acho que eh justamente por isso que tanta gente se assusta com a comida na China – nas eh que a comida seja ruim ou diferente, muito pelo contrario! Mas os nomes e descricoes sao pessimas!

Afinal, quem quer comer “frango no vapor com arroz gelatinoso”?!?!

Mas quem tiver medo de provar, nao vai descobrir que na verdade esse prato se trata de um paozinho delicioso de massa de arroz com recheio de frango temperado!

E aos poucos descobrimos que quase todas as comidas e restaurantes na China sofrem do mesmo mal – e nao ha tradutor Google on line que ajude esse povo a dar nomes mais apetitosos a seus pratos!

Pato Laqueado de Pequim:

Outra iguaria que eu sabia que nao podia voltar pra casa sem provar in loco era  o Pato Laqueado de Pequim!

Eu nao sou muito fa de pato nao, mas esse estilo de pato assado Chines eh uma coisa de boa!

Tanto que foi esse o prato que escolhemos pra nossa ceia de Natal em Hong Kong no dia 24 de Dezembro!

Oque faz do pato de Pequim ser diferente eh o processo de assado, onde os patos sao assados inteiros, em um forno especial vertical (entao cada pato eh assado pendurado, para que todas as areas sejam assadas por igual).

E claro, os temperos usados (que cada restaurante  jura ter a mistura perfeita da combinacao de ingredientes e ervas) na preparacao o pato, que tambem sao criados e alimentados especialmente para esse fim.

O pato eh servido individualmente, cortado pelo chef direto na mesa a ser servida – e a parte do pato que eh considerada iguaria eh somente a pele.

Com o que sobra do pato (basicamente a ave toda) voce pode escolher comer tambem, e os diferentes pratos usando a carne de pato sao preparados na hora, depois que seu pato ja foi fatiado na sua mesa.

A pele do pato eh entao servida com alguns acompanhamentos complementares, como uma mini paqueca, que usamos pra enrrolar o pato com uns molhinhos e vegetais, que fazem a combinacao perfeita de sabores!

Ai eh so fazer um rolinho com seus ingredientes, e pronto!

E quando chegamos em Pequim, claro que nao poderia deixar passar a oportunidade de comer um bom pato de Pequim, em Pequim!

Por recomendacao de nosso hotel e a Time Out Beijing, escolhemos o restaurante Da Dong, super premiado (apesar de nao ser muito badalado) e reconhecido como um dos melhores e mais tradicionais restaurantes especializados em pato laqueado da cidade.

E todo o resto? A Comida do dia a dia?

Essa foi sem duvidas minhas principal surpresa. Comemos desde barraquinhas no mercado a restaurantes no meio do nada que simplesmente resolvemos entrar e arriscar – e foram justamente nesses lugares onde comemos melhor.

No fundo no fundo, se voce gosta de comida Chinesa e Asiatica, pode ir sem medo. Os pratos sao basicamente os mesmos, e as opcoes bem parecidas.

Tirando umas invencoes e misturebas com nome mais ocidentais (tipo “Frango Chadrez” e “molho agridoce”), o basico eh exatamente igual que veriamos no menu de qualquer China Town do mundo.

Os pratos principais sempre incluem algum tipo de carne, molhos, vegetais e voce tem a opcao de escolher diferentes tipos de arroz ou noodles para acompanhar.

Verdade que os menus dos restaurantes na China incluem alguns pratos e algumas opcoes que nao fariam sucesso no ocidente (pe de pato, ou rosto de porco, alguem?!?), mas isso nao quer dizer que eles soh comam isso por la!

Comemos muitos stir fry de carne e frango com vegetais – tanto com molho de soja, ou molho de feijao, ou simplesmente grelhado no alho.

Sempre, sempre, sempre deliciosos!

Os dumplings tipo Gyosa e rolinhos primavera tambem estao sempre disponiveis como entrada, e claro os mais diversos tipos de noodles e arroz que voce puder imaginar!

E como eu disse acima, tente focar nos ingredientes principais e nao se assustar tanto com as traducoes sem pe nem cabeca (ate porque alguns dos ingredientes incluem pes e cabecas de diferentes animais!) que voce vai ver nos restaurantes!

E como se diz em Ingles, as vezes “ignorancia eh uma bencao” e por nao saber exatamente oque vc esta comendo, voce pode acabar provando uma coisa nova deliciosa que nem sabia que existia!

Essa era nossa politica nos mercadinhos de rua – sempre procuravamos barraquinhas bem movimentadas, pra garantiar uma boa rotatividade de ingredientes, e evitamos (por puro preconceito mesmo) opcoes muito “explicitas”, como o rosto de porco ou o passarinho (literalmente) no palito – mas mesmo tendo procurado bastante nao vimos espetinhos de barata, nem escorpiao frito e nem churrasquinho de cachorro…

Sabe?! Aquelas coisas esquisitas que voce passou a vida toda ouvindo falar que as pessoas na China comem?!

Na hora de fazer o pedido, era tudo sempre na base da mimica. Por sorte quase todos os restaurantes tem o costume de incluir fotos dos pratos, entao iamos escolhendo pela pinta de cada prato e apontando oque queriamos. Nas barraquinhas era so apontar pra sua escolha!

Ate imagino que no interior da China e cidades mais remotas o esquema realmente seja diferente, mas convenhamos neh, que voce meu caro amigo turista, por mais aventireiro que seja, voce provavelmente vai viajar por regioes mais industrializadas e turisticas, e dificilmente tera que conviver com familias que passam dificuldade e comem escorpiao na fronteira com o Tukmenistao

Entao pode ir pra China com a mente e a boca bem aberta e eu garanto que seu estomago nao vai se decepcionar!

 

Adriana Miller
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25 Apr 2012
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Um negócio da China!

China, Dicas de Viagens, Pequim, Xangai

Volta e meia alguem me pergunta se existe alguma dificuldade em morar fora, ser casada com um Americano e trabalhar com Ingleses (e não-faladores de Portugues em geral). E a verdade é que não. E se tem, rapidinho você se acostuma e até esquece oque era.

Mas se tem uma coisa me deixa tensa é não conseguir usar no meu dia a dia algumas frases-chavão em Portugues que eu acho que descreveriam perfeitamente uma situação, ou resultariam numa piada perfeita para o momento! E não tem nada pior doque uma piada que perde seu sentido ao ser traduzida (e claro, o mesmo acontece na versao Ingles-Portugues, depois de tantos anos por aqui).

Então imagina o quanto eu sofri na viagem pela Asia a cada vez que eu queria dizer pro Aaron: “Nossa! Fiz um negócio da China!”! Naquele clima de um trocadalho-do-carilho (outra que nao tem sentido algum quando traduzido!)

Porque olha, se tai uma coisa que eu fiz nessa viagem pra China foram otEmos “negocios da China”!

Mas eh aquela historia neh? Ou voce ama, ou voce vai adiar a experiencia. Eu adorei, o Aaron odiou.

Na China, assim como em varios outroa paises orientais, a cultura “comercial” eh fortissima, e existe todo um ritual sobre como as transacoes devem ser feitas. Logico que voce nao pode entrar na Zara do shopping em Hong Kong e ficar batendo boca sobre o preco da saia, mas em lojinhas de rua, mercados (tipo “China Town”) e lojas mais turisticas, nao soh pode, como deve e eh o esperado!

E tem todo aquele ritual e regras invisiveis de comportamento entre o cliente e o vendedor – assim como tambem existe fortissimo na Turquia, no Egito, na Tailandia e na India.

A primeira coisa que voce vai reparar eh que nas areas mais turisticas, raramente as mercadorias tem preco. Os precos sao dados de acordo com a pinta do cliente, entao sempre partimos do principio que preco nenhum era o preco final.

Nossa principal sorte nessa area foi ter tempo pra pesquisar precos e pensar bem oque e se queriamos comprar alguma coisa na China. Entao logo que chegamos em Hong Kong e Macau, como iriamos fazer todas as viagens internas viajando de low cost, decidimos nao comprar absolutamente nada, mas ir pesquisando, pensando bem oque queriamos comprar, e no final da viagem, em Xangai e Pequim poderiamos finalmente abrir a carteira sem medo do excesso de peso!

E isso eh importantissimo, pois os precos variam demais de uma loja/barraquinha pra outra, e ate mesmo dentro de uma loja, dependendo de qual vendedor voce pegar, eles vao te dar precos diferentes para o mesmissimo item!

E o ritual danca-do-acasalamento entre o cliente e vendedor geralmente era assim:

1) Avaliacao da presa: Sempre que perguntavamos o preco de alguma coisa, a resposta vinha em forma de outra pergunta “Where are you from?” (da onde voce eh?). Entao da pra imaginar que tanto eu quanto o Aaron eramos destaque em comparacao com outros clientes, sem a menor chance de passarmos despercebidos.

Paises como Turquia e Egito por exemplo, eu me sentia na vantagem em relacao ao Aaron. Apesar de que ambos paises nao sao muito tolerantes de mulheres tomando as redeas nas negociacoes, eu definitivamente passava mais despercebida doque o marido gringo. Mas na China, ambos viramos gatos pardos, vistos como presa facil pra qualquer vendedor.

Mas ja tinhamos uma resposta ensaiada de outros carnavais, e a resposta na ponta da lingua sempre era “Brasil!”, que automaticamente eh um pais que chama muito menos aten$$$ao financeiramente doque EUA ou paises Europeus, por exemplo.

Entao tambem tinhamos nosso ritual enrrola-vendedor, e imediatamente comecavamos a conversar em Portugues (que geralmente significa que eu fica falando frases e palavras aleatorias, e o Aaron vai respondendo oque vier na cabeca, variando entre numeros  ou um simples “oi tudo bem”) – mas que para os vendedores Chineses, soava como se realmente estivessemos falando um lingua que eles nao reconheciam.

2) Avaliacao da mercadoria: Uma vez que nosso potencial como presa fosse estabelecido, o vendedor(a) nos dava um preco, que invariavelmente era astronomico.

Enquanto o Aaron se preparava pra se esconder de vergonha no canto, eu comecava o momento isso-tudo-nossa-to-escandalizada (que geralmente era verdade, pois o preco inicial eh sempre estratosferico!).

Os vendedores SEMPRE andam pra cima e pra baixo com um calculadora na mao, e ja ate sabem que o proximo passo e te passar a calculadora e pedir que voce faca seu proprio preco.

Na maioria das vezes eu baixava meu preco para 1/3 ou 1/4 do valor inicial – oque por sua vez causava uma nova reacao teatral do vendedor escandalizado com minha oferta tao baixa.

3) Fechando o negocio: Esse vai e vem de “me da seu melhor preco”, pode ir e vir varias vezes, ate que uma das duas opcoes aconteca – ou o cliente se sucumbe ao preco oferecido, ou o cliente sai da loja.

Na primeira opcao, a compra eh fechada e todo ficam felizes achando que fizeram um negocio da China!

Na segunda opcao, o cliente sai andando, e em questoes de segundos o vendedor vem correndo atras de voce com uma nova contra proposta!

Uma coisa que nao saia da minha cabeca eh: a maioria das tranqueiras que vemos pelo mundo sao Made in China de qualquer maneira, como podem querer me cobrar caro por uma mercadoria feita na China, NA CHINA! Nem frete pra cruzar o mundo foi pago nesse item…

Alem disso, ter feito pesquisa antes nos ajudou bastante a ter uma boa nocao de precos e qual seria nosso limite, tanto pra cima quanto pra baixo do preco inicial.

Dois otimos exemplos que aconteceram com a gente.

Uma das coisas que eu queria comprar na China era um vaso de porcelana; nada extravagante nem vintage, mas de porcelana boa e com um estilo bonito. Quando estavamos na Nanjin Road em Xangai vi um vaso perfeito por cerca de 200 Yuans.

Apesar de que a Rua Nanjin eh uma area turistica, ela eh uma rua muito mais “Chinesa” doque o mercado da cidade antiga por exemplo, entoa achei que aquele era um guia de preco. Provavelmente eu poderia barganhar um pouco, mas os precos nao eram exorbitantes, pois a maioria dos clientes por ali eram Chineses. Mas resolvi nao comprar naquela loja e esperar nosso passeio pela cidade antiga no dia seguinte (que eu sabia que tinha um mercado).

No dia seguinte, depois de procurar de cabo a rabo quase todas as lojas da area, finalmente achei o vaso que eu queria! Entrei na loja e o ritual no pontos 1, 2, e 3 se repetiram.

O porem dessa “negociacao” foi que na vespera eu tinha visto o mesmo item por 200 e a vededora queria me cobrar 2.500 Yuans! Mais de 10 vezes o preco inicial! Entao os pontos 2 e 3 se repetiram infinitas vezes, ate que falei pra vendedora que ja tinha visto o mesmissimo vaso na Najin Road por 1/10 do preco e que preferiria voltar la.

Ela ainda tentou fazer um drama de como aquele vaso daquela loja era muito melhor, mas ela deve ter percebido pela minha expressao que ela nao ia me enganar – nem aqui nem na conchinChina!

Por fim fechamos o negocio por 193 Yuans – um desconto de nada mais, nada menos que 93%!! Eu sabia que provavelmente poderia voltar na Nanjin Road e conseguir um preco um pouco melhor – mas ja estava exausta de todo esse processo, e sai da loja feliz e contente com minha compra!

Ja em Pequim resolvemos comprar uns conjuntos de cha Chines. Ja tinhamos visto alguns precos em Xangai e sabiamos mais ou menos oque queriamos. E logo numa lojinha do lado do nosso hotel vimos uns conjuntos lindos, por um preco otimo (cerca de 80 Yuans, bem mais barato doque vimos em Xangai)! Entramos, perguntamos o preco (ja sabendo/achando que estavamos fazendo um otimo negocio!), tentamos negociar um pouco, mas deixamo pra la. E o vendedor ficou TAO feliz que ate desconfiei.

Nao deu outra… uns dias depois quando fomos num mercadinho em Pequim achamos os mesmos conjuntos de cha por precos mais baixos!

E na China essa regrinha valeu praticamente pra tudo!

Para as compras no mercadinho turistico, para fechar preco de translados e passeios turisticos e ate o preco do espetinho de gato na barraquinha de rua!

As unicas excessoes realmente sao os locais de comercio mais “formal” como restaurantes e lojas de shopping – mas de resto, eh soh entrar com a cara e com a coragem e correr pro abraco!

 

P.S. Repararam como eu tentei usar todos os trocadilhos e frases chavoes possiveis nesse unico post?!?!

 

Adriana Miller
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28 Mar 2012
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T.V. Everywhere: China!!

China, Dicas de Viagens, Pequim, T.V. EveryWhere, Xangai, Xian

Geralmente eu deixo pra postar os vídeos já no final das postagens sobre a viagem, mas como ainda falta bastante coisa pra conseguir terminar de contar sobre a China e estava ansiosa pra editar e postar esse vídeo, lá vai!

Então ele fica aqui com se fosse um “cenas dos próximos capítulos” com um monte de coisa que ainda vem por aí sobre Xi’An e Pequim!

E espero que dê pra perceber o quanto a gente se divertiu fazendo esses vídeos – e como nos divertimos ainda mais na viagem!

E modéstia a parte, a trilha sonora ficou perfeita, não?

 

Créditos:

Edição: iMovie

Cameras: Canon S100 (Aaron), Sony DSC-HX5V (Adriana)

Adriana Miller
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23 Mar 2012
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Chegando em Xangai de Air Asia: Aeroporto Hangzhou

China, Dicas de Viagens, Xangai

Como eu já contei aqui e aqui, nossa viagem pela Ásia foi toda feita com voos internos Air Asia, que é uma das principais empresas aereas de low cost da Asia – escolha essa feita principalmente por causa da diferença brutal de preços, oque não quer dizer que muitas vezes o preço baixo traz certas inconveniências.

E assim como acontece nos voos low cost na Europa, a maioria dos aeroportos usados pela Air Asia também são fora das cidades para onde voa, geralmente escolhendo aeroportos em cidades vizinhas ou de apoio, permitindo assim que seus custo de pouso e manutenção sejam mais baixos, e consequentemente suas passagens mais baratas.

E em Xangai não foi diferente. O Aeroporto principal da cidade é o “Shanghai Pudong International”, que fica no lado Pudong da cidade, e a cerca de 20 minutos de distância do Bund.

Porem a Air Asia, em seus voos marcados para “Xangai” na verdade voa para uma cidade vizinha, Hangzhou.

Essa é uma pegadinha muito comum nos voos de baixo custo ao redor do mundo, e é sempre bom ficar de olho qual o aeroporto mesmo que você vai pousar, e se o barato vai acabar saindo caro.

No nosso caso, sabíamos que o voo nos levaria para outra cidade vizinha, mas ainda assim o custo-beneficio valeu a pena, então decidimos enfrentar pra ver no que dava.

Então eu fiz o dever de casa direitinho – já sabia que se na Europa muitas vezes esses aeroportos de apoio são uma dor de cabeça, imagina na China?! Mas achei boas informações no site da Air Asia sobre um ônibus que eles mesmos organizam, e depois achei bons feedbacks e comparações de transporte no Trip Advisor (você também pode fretar um taxi ou ir de trem, mas confirmo que tanto o custo quanto a comodidade do ônibus da Air Asia ganham).

Então decidimos usar o ônibus da Air Asia mesmo já que parecia ser tão simples e fácil: o ônibus só funciona nos dias que tem voo Air Asia pra Hangzhou, e você compra sua passagem e resolve todo o resto já direto lá, no terminal de chegadas.

Os comentários eram sempre os mesmo: é confuso, mas quando você chega lá, é super simples.

E foi. Foi confuso porque as informações da Air Asia são meio genéricas demais… o onibus sai mais ou menos 1 hora depois que o voo pousa (tenso!) e não podíamos reservar nem comprar on line com antecedência.

Então na minha cabeça o cenário era mais ou menos assim: o voo atrasa, depois passamos horas na fila de um aeroporto confuso com tudo em Chines no meio do nada na China, ou então o onibus lota e não conseguimos comprar nossa passagem e ficamos ilhados em Hangzhou pra sempre!

E lembrando que esse voo foi nossa primeira entrada oficial na China continental, então ainda não sabíamos mesmo oque esperar, e nossas cabeças eram um povoado de preconceitos e historias do primo-do-tio-do-vizinho-do-conhecido!

Mas olha, nada melhor doque estar tão errada numa hora dessas!

O Aeroporto de Hangzhou é enorme, lindo, novíssimo e moderno. o voo pousou sem nenhum percalço, passamos pela imigração super rápido e fomos extremamente bem atendidos, e rapidamente chegamos no saguão bem iluminado e sinalizado de recolhimento de bagagens enquanto fazia meus check ins (?!) usando o wifi gratis do aeroporto!

Mas só quando saímos no terminal de chegadas é que entendi porque é “dificil, porem facil” – por ser um aeroporto satelite, Hangzhou simplesmente não tem nada!

Então foi facil identificar o balcão de venda do onibus da Air Asia e uma mini lojinha vendendo balas, biscoitos e coisas esquisitas.

Tinha um monte de turista amontoados em volta do balcão, sem fila nem nada – então fui me aproximando, apontei pra placa do onibus, fiz sinal de “2” com os dedos e pronto. Tickets na mão!

Mas o onibus atrasou um pouco, oque gerou um pouco de tensão… mas dava pra ver que algumas pessoas iam no balcão perguntar alguma coisa (em Chines), a menina olhava no relogio e olhava pela janela. Então imaginei que o onibus deveria estar apenas atrasado mesmo, sem grandes complicações.

E assim que os ônibus chegaram (sim, foram vários, então ninguém ficou sem “carona” pra Xangai) fomos guiados até eles, embarcamos tranqüilamente e passamos as proximas 2 horas (com um pouco de transito…) admirando a paisagem ultra-urbana e as estradas per-fei-tas que nos levaram em direção a Xangai.

A viagem foi otima e tranquila, mas quando chegamos em Xangai nos demos conta que não sabiamos onde saltar… o onibus faz uma serie de paradas em diferentes estações de trem e onibus e não conseguimos nos situar no mapa a tempo de saber onde seria melhor saltar… trocamos uma ideias com um casal de Australianos que conhecemos no aeroporto, mas eles tambem estavam perdidos, ntão resolvemos descer na parada seguinte e arriscar…

Foi meio tenso, e aqui fica minha dica final: SEMPRE carregue todas as informações (nome, endereço, instruções, etc) de seu hotel em Chines, e sempre tenha um bloquinho com caneta a mao, onde vocês podem escrever numeros e ir negociando preços.

Acabamos acertando um preço (que sabíamos que era um roubo, mas chega uma hora que cansa!) com um dos motoristas, e rapidinho chegamos no nosso hotel!

E daí pra frente tudo foi uma maravilha e amamos Xangai!

O próximo voo para nosso próximo destino (Xi’An) saiu de Shanghai Pudong, oque foi – obviamente – incrivelmente mais facil e simples!

 

Adriana Miller
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