14
Apr
2010
Sobrevivencia no Egito: Modus Operandi
Escrito por Adriana Miller

Seja uma viagem mochileira como a nossa, ou com um pouco mais de luxo, qualquer viagem independente ao Egito requer uma certa preparacao para o choque cultural.

Egito DYI

Se voce pretende ir pra lah com uma agencia e guias que te levam pra cima e pra baixo e te “protegem” do Egito real, entao esse post nao eh pra voce.

Apesar dos pesares, e dos perrengues, nao trocaria nossa viagem ao Egito por nada, nem por hotel de luxo, e muito menos por onibus com ar condicionado e guia bilingue.

Egito eh o tipo do lugar que 90% do que tem pra oferecer eh a experiencia em si, e saber se moldar a cultura local nos ensinou muito mais doque aprender sobre as dinastias e Faraos!

Entao pra quem for ao Egito, aqui estao algumas dicas do modus operandi local!

- Gorjetas, propinas, subornos e afins. Ou o Baksheesh Egipcio.

Em Arabe Egipcio a expressao baksheesh significa “gorjeta”, mas eh amplamente utilizada pra sempre que qualquer pessoa tentar tirar dinheiro de voce. Faz parte da cultura local, e todos, em qualquer situacao vao esperar que voce de um extra por fora como baksheesh.

Nao adianta negar, porque eles vao te encher o saco, e eh mais facil carregar sempre umas moedas no bolso (de facil acesso, sem ter que ficar abrindo carteira e afins) e se livrar da situacao antes de virar uma intimidacao.

Ao mesmo tempo que todo e qualquer preco seja negociavel, dificilmente o preco final acordado, sera o preco final mesmo – sempre vai rolar uma tentativa de baksheesh. A grande maioria eh inofensivo, como a gorjeta do garcon, do motorista de taxi, do guia do passeio pelos templos.

Mas eh sempre bom ficar esperto com as falcatruas.

No nosso segundo dia no Egito, contratamos um taxi no albergue, uma familia canadense tinha feito um passeio parecido e deram uma boa recomendacao. Nos negociamos um pouco o preco (afinal eramos apenas nos 2, e eles eram 5), e pronto. No dia seguinte seguimos alegreces e faceiros pra Saqqara e Dashur.

Ao chegar lah, achamos que tinhamos tirado a sorte grande, a piramide de Dashur era praticamente toda nossa! Sem vendedores chatos, grupos de turismo atrapalhando as fotos e afins como tinha sido em Gize.

Abordamos o tiozinho do camelo e demos um baksheesh pra tirar fotos do camelo (sem subir nem nada), soh pra ser gentil.

Segundos depois chegaram dois policiais (“Tourism Police” que teoricamente estavam la pra nos proteger) insistindo DEMAIS pra tirar uma foto nossa, e nos sempre dizendo que nao, pois queriamos mesmo era a foto do camelo. E os caras nao nos deixaram em paz, quase arrancando a camera da minha mao pra tirar uma foto.

Ateh que um deles, se escondeu atras da cazinha, deu uma apontada na mega metralhadora no seu ombro e fez sinal de dinheiro.

Tentamos sair andando, dizendo que nao tinhamos nada, e o segundo policial, chegou, fechando nossa passagem – ou seja, estavamos “presos”, longe do nosso motorista e longe da vista de outros turistas.

Entao eu tirei umas moedas do meu bolso e dei pro primeiro policial, que imediatamente disse que era muito pouco, e ficou apontando pra camera do Aaron! (nao no sentido de roubar a camera, e sim para enfatizar que sim, nos tinhamos dinheiro)

Entao demos mais dinheiro, e ele ainda ficou dizendo que queria mais, e que tinhamos que dar mais dinheiro pro seu colega tambem!

Eu sinceramente nao acho que eles iam atirar ou fazer nada com a gente por causa de uma gorjeta mas a situacao foi muito intimidante, ficamos mesmo apavorados, e depois desse dia nao passavamos nem perto de uma “Tourism Police” (que aliais, depois reparamos que sempre se “escondem” nos fundos dos templos, e vimos – de longe -  outros turistas passando pela mesma situacao em outros templos).

Ainda no mesmo dia, a segunda falcatrua veio do nosso motorista, que mal falava ingles, e no meio da estrada (ou seja, no meio do nada no deserto) parou no acostamento e me passou o celular: era seu “primo” dizendo que nos tinhamos enganado o motorista, pois o hotel nao disse que o passeio tambem ia incluir Dashur, que eh bem longe da cidade. Mas como agora jah tinhamos ido e voltado, tinhamos que pagar 50 libras a mais na mao do motorista.

Fiquei revoltada, e bati boca, mas a troco de que? Estavamos no meio do nada, com um motorista que mal falava Ingles e um “primo” nada simpatico no telefone. E afinal de contas, 50 libras Egipcias sao apenas 10 dolares, e nao valia apena a confusao.

Esse dia foi um estresse, apesar do passeio maravilhoso que fizemos nas piramides antigas. Mas foi um crash course sobre a corrupcao e falcatruas egipcias, e aprendemos a licao! Foi a ultima vez na viagem que fomos passados pra tras!

O pedido de Baksheesh mais estranho que tive, foi o dono de uma barraquinha de livros que perguntou se eu tinha ciclete; quando ofereci um, ele pegou o pacote todo, dizendo que os filhos iam adorar!

E todas as canetas que tinhamos perdidas em bolsos e fundo de bolsa, foram ficando pelo caminho, de “presente” pras adultos e criancas.

- Celebridade por um dia (ou  politico em epoca de eleicao)

Como ja disse em outros posts, os Egipcios nao sao nada timidos, e nao tem a menor vergonha de ficar encarando ninguem.

Depois do segundo dia, jah nem me sentia envergonhada de ter minha foto tirada no metro, enquanto esperavamos pra atravessar a rua, ou sentada num restaurante. Depois dessa viagem, definitivamente vou pensar duas vezes antes de coprar uma revista de fofoca de novo!

E alem de se sentir uma celebridade, voce ainda se sente um pouco como um politico em plena campanha eleitoral, tirando fotos com bebe remelento no colo, posando ao lado de familias e com marmanjos de abracando!

Se for um grupo de criancas entao nem se fala! Se jogam na sua frente, pedem pra voce tirar foto delas, e ficam maravilhadas com a telinha da camera! Eh bem fofo, mas chega uma hora que vc cansa de tirar fotos de velinhos, criancas e familias completas na frente do templo.

Apesar da situacao surreal, eu ficava morrendo de doh de dizer nao! No dia que fomos na Citadela, tinha uma excursao escolar visitando a mesquita e as criancinhas fizeram a festa com a gente! Mas depois de uma meia hora posando e tirando fotos, disse nao pra um grupo de meninas (com pinta de ter uns 8 anos) e elas ficaram tao tristes, mas tao tristes, que me partiu o coracao! Entao voltei atras e prometi uma foto soh! Mas obviamente logo depois mais umas 15 criancas apareceram dentro da mesquita!

- Carne de acougue

Independente das falcatruas e do status de celebridade de tabloide fajuto, por mais que o Egito seja um pais que recebe muitos turistas, ao mesmo tempo a grande maioria das pessoas que vao pra lah viajam como grupos turisticos, sempre com guias por perto. Entao dois gringos como nos peranbulando pelas ruas chamava bastante atencao.

Tentamos, na medida do possivel, ter uma experiencia autentica, fugindo de restaurantes turisticos, andando de metro ou kombi ou pegando taxi local; por mais dificil que tenha sido se virar nessas situacoes, nos poupou muito dinheiro e dor de cabeca de negociacao com gente querendo tirar vantagem.

Porque? Poque ser um extrangeiro no Egito significa que sempre, a qualquer momento alguem estara tentando te passar pra tras e tirar vantagem de alguma coisa.

Se um taxista te aborda em Ingles, pode ter certza que ele vai te cobrar o triplo do preco de uma corrida com um taxista local, idem para restaurantes ou lojas de rua.

- “Tres palavras”, a primeira silaba é…

Falar Ingles eh imprencidivel, mas ao mesmo tempo, por termos evitado ao maximo as situacoes turisticas demais, acabou que falar ou nao ingles nao fazia a menor diferenca, jah que quase ninguem nos entendia mesmo.

Entao viramos mestres da arte de fazer mimica, apontar e fazer contas com dedos.

Fizemos mimica pra pegar um taxi do centro da cidade ateh a Citadela, mimica pra pedir um kebab de frango (foi engracado demais!!) e minha performacne digna de oscar foi fazer mimica pra comprar spray pra desentupir nariz e papel higienico na farmacia!

Deu certo! Nos entenderam, e entendemos tudo!

(soh nao pode ser timido, porque fazer mimica de papel higienico nao eh nada digno… tentei ser sutil, mas nao fui compreendida, e soh quando fui o mais grafica possivel na minha mimica eh que a mocinha atras do balcao arregalou os olhos e “Ah!” puxou o pacote de papel higienico debaixo do balcao!)

- Numeros Arabes

Eu li essa dica num blog escrito por um egipcio, e resolvi imprimir uma copia da tabela soh por via das duvidas.

Mas me surpreendi com a quantidade de lugares que apenas expoem seus precos em Arabe, menu de restaurante com preco em Arabe e as plataformas da estacao de trem sao identificadas com numeros Arabes.

Nada que uma mimica nao resolva na hora de negociar o preco de qualquer cosia, mas ter uma nocao do preco “normal” dah uma grande ajuda!

- Negociar, negociar, negociar!

O preco final nunca eh o preco final, e o preco inicial tabem nunca eh o preco inicial.

Geralmente as negociacoes se limitam ao mercados “arabes”, mas no Egito a negociacao de preco acontece em TODOS os lugares!

E por isso que entender os numeros Arabes nos ajudou demais!

Por exemplo, compramos nosso jantar no kebab ao lado do albergue, e quando fomos pagar o carinha quis cobrar 6o libras por dois kebabs! Imediatamente apontei pro menu onde li que cada um deveria custar apenas 6 libras! O tiozinho se assustou que eu “entendi” o menu e imediatamente cobrou o preco normal, sem nem discutir!

E minha tecnica de negociacao era sempre vergonhosa: se me cobravam 400, eu oferecia 100, ateh conseguir negociar o preco a 200, ou ameacar sair da loja!

No souk em Luxor

As vezes a reducao inicial eh demais, e nao rola mesmo. Ai cabe a voce saber se realmente quer comprar aquela determinada coisa, e seguir pra barraquinha/loja seguinte.

O mesmo vale pra passeios turisticos, mas quase tudo tem um preco tabelado, e as agencias trabalham em clima de cartel: o preco eh sempre o mesmo, o servico e o roteiro eh sempre o mesmo.

Depois que levamos o susto em Saqqara percebemos que nao valia tanto a pena ficar batendo boca pelo preco de certas coisas.

E nunca, nunca, entre num taxi sem concordar direitinho preco antes da corrida (e de preferencia tenha o dinheiro trocado certo, ou se nao vc nunca mais vera o troco!).

- Como se vestir e se comportar

Ao contrario da viagem a Dubai, eu nao tinha visto muitas cosias pela net relativo a roupas e costumes no Egito; mas por via das duvidas e por ser um pais muculmano preferi ser o mais “recatada” possivel com meu guarda roupa.

Andar pelo Cairo era bem complicado, e realmente nao se via NINGUEM de short ou saia, ou nada que mostrasse os joelhos – homens, mulheres, turistas e afins.

Dei gracas a deus pelos meus vestidos compridos e calca jeans, mas morria esturricada de calor com uma pasmina enrrolada nos ombros o tempo todo.

Ms assim que chegavamos num lugar mais turistico (nos templos, museus e tals) a coisa fica menos restrita,  e os turistas se liberavam!

Mesmo assim eh bom sempre usar o bom senso – por respeito a cutlura e religiao local, e para seu proprio conforto.

Mesmo com vestidos compridos ateh os pes ou calca comprida, as pessoas jah te encaram e os homens dao em cima, coisa que me deixa extremanente desconfortavel (pior que o calor!), mas oque mais vi foram turistas exibidas, se achando o maximo por serem o centro das atencoes (principalmente as Russas! Muita vergonha alheia delas…). O mesmo vale para os homens, e o Aaron usou calca comprida e camisa de manga varios dias, independente do calor de 40 graus na sombra!

Jah em Luxor achei o clima mais confortavel, talvez porque a cidade nao eh tao tumultuada como o Cairo. Eles ainda te encaram, dao em cima e te abordam o tempo todo, mas a sensacao de vulnerabilidade e sufocamento-humano eh incrivelmente menor.

Entao me senti bem mais a votade pra usar bermudas por exemplo, sem achar que seria apedrejada na rua!

E alem disso, Luxor eh uma cidade que vive exclusivamente de turismo, entao alem de estarem mais acustumados a verem as turistas Russas andando de micro short com a lateral da calcinha aparecendo (serio!) e top de biquine, eles sao bem mais tolerantes, pois sabem que precisam dos turistas pra sobreviver.

Jah em Sharm El Sheikh eh puro oba-oba! De Alema de top less na praia, a Ucraniana com vestido totalmente transparente a Italianos se amassando na piscina!

Em nome do turismo, os Muculmanos fingem que nao veem – mas sinceramente, o bom senso (e bom gosto) mandou lembrancas, e por respeito a cultura alheia, eh sempre bem saber se vestir apropriadamente!

Categorias: Cairo, Egito, Luxor, Sharm El Sheikh, Viagens
47
12
Apr
2010
Uma cidade Cairótica!
Escrito por Adriana Miller

Nao resisti a piadinha, pois realmente nao existe cidade tao caotica quanto Cairo!

Quando me falavam isso eu pensava quase que automaticamente: Porque voce nunca foi a Hanoi! Pois sempre achei que nenhum outro lugar do mundo seria tao, mais tao confuso quanto Hanoi.

Mas eu estava enganada, e jah nos primeiros momentos andando pela cidade formei minha opiniao! Cairo ate que tem bastante coisa pra oferecer, mas eh o tipo de cidade, que basta uma vez na vida!

Pra comecar que a cidade eh extremamente populosa, e qualquer esquina tem a capacidade de desafiar as leis da fisica: 5 pessoas numa lembreta? Cabe! 5 carros numa rua de mao dupla? Cabe! Camelos, charretes, mulas, carrinho de bebe, kombi, onibus e taxi, todos tentando passar pelo cruzamento ao mesmo tempo? Tambem cabe!

Nosso albergue era bem no centro do Cairo, oque foi uma mao na roda, pois estavamos a 5 minutos do metro (que evitou perder horas no transito louco da cidade) e tambem andando do Museu do Cairo, com muitas opcoes de restaurantes, lanchonetes, famacias e supermercados a poucos passos.

Mas por outro lado isso tambem significou que estavamos no centrao do burburinho, e uma coisa que os “Cairanos” nao sao mesmo, eh ser timido!

Sao milhoes de pessoas disputando cada centimetro da calcada, calcadas estreitas, cheias de pedintes, ambulantes, latas de lixo e afins, e a cada pessoa que passava por nos nos abordavam ou falavam alguma coisa, variando do “welcome do Egypt!” ao “taxi! taxi!”, “where you go sir?”, “cheap price for you!”, “lucky man!” e ofertas de bons precos em lojas, taxis, charretes, e oque mais fosse possivel nos vender (inclusive alguns camelos pela sua mulher!)!

Apesar da seguranca, poder andar pra cima e pra baixo com cameras fotograficas pendurada no pescoco e outras atitudes “gringas” que evitamos em outros paises, no Cairo uma palavra que descreve bem como nos sentiamos o tempo todo eh: vulneraveis.

Nao existe a nocao de espaco pessoal, as pessoas sao diretas demais, e aos poucos nos tornamos extramamente grossos com todos a nossa votla. Qualquer sorriso ou um simples “nao obrigada” eh a deixa perfeita pra te seguirem pelos proximos 5 quarteiroes enchendo o saco e oferecendo alguma coisa! Entao pra conseguir chegar do ponto A ao ponto B, tinhamos que ignorar muito vendedor pelo caminho, e alguns “nao estou interessado!” com voz bem grossa!

Alem disso, ao contrario da Asia, os Egipcios te encaram! Encaram, analisam, olham de cima a baixo, e nao teem a menor cerimonia de sacar o celular da bolsa e tirar uma foto sua, na cara de pau!

Eu nao sei voces, mas minha primeira reacao foi de choque! E pensava, deve ser assim que uma celebridade se sente o tempo todo! hahahaha!  E nao podem te ver com a camera apontada pra algum lugar que vao se oferecer para posar pra voce (que geralmente termina em um pedido de dinheiro) ou simplesmente se jogam na frente, estragando sua paisagem!

Mas apesar da nossa localizacao central, achei “navegar” pela cidade bem dificil.

Muitas ruas nao tem nome, e quando tem, estao escritas em Arabe, e tuso isso sem a minima organizacao urbana. Sabe aquela intuicao de que se vc seguir em frente, depois virar a direita e pegar a segunda rua a direita, vc chega em algum lugar? Essa coisa nao existe no Cairo, entao o medo de nos perdermos era constante!

Isso sem falar que 95% das esquinas nao tem sinal de transito, ou se tem, nao funcionam! Entao eh cada um por si! Olhar pra um lado, e depois pro outro antes de atravessar, pode ateh ajudar, mas na verdade soh aumento o medo de morrer atropelado!! Nos horarios de rush, as esquinas mais movimentadas tem um guardinha tentando organizar um pouco as cosias, mas tenho minhas duvidas sobre a eficacia…

Enquanto qualquer encruzilhada eh aquele bando de carro velho (todos os carros sao muito velhos!! Pegamos varios taxis que dava pra ver o motor embaixo do painel!! Acho que o ultimo carro vendido/comprado no Cairo foi 1967!) buzinando enlouquecidamente, desviando de outros carros, outras motos, pessoas, camelos e mulas de carga, tentando se enfiar em cantos ou por cima das calcadas pra passar na frente de outro carro que esta fazendo a mesma coisa, isso tudo enquanto uma familia de 7 tenta atravessar a rua (fora da faixa de pedreste, logico!) carregando as sacolas de compra, o carrinho do bebe e a cadeira de rodas da avo.

Sentiu o drama?

Oque nos salvou mesmo foi o metro – facil de usar, extremamente barato (1 Libra Egipcia em qualquer linha, qualquer direcao e qualquer distancia), com funcionarios que falam ingles e placas e mapas informativos em Arabe e Ingles.

Uma cosia interessante no metro do Cairo eh que os vagoes sao separados entre homens e mulheres.

Mulheres acompanhadas podem andar no vagao masculino, mas homens nao podem nem sequer ficar parados no lado feminino da plataforma!

No nosso primeiro dia na cidade, pegamos o metro pra ir ateh Gize e reparamos que eu era a unica mulher no vagao e foi a atracao principal do lugar. mas na hora achamos que aquele mundarel de homens estvaam me olhando simplesmente por ser turista, e porque eles sao cara de pau e encaram mesmo.

Ai no dia seguinte, estavamos na plataforma, juntos e soh tinham mulheres em volta. Umas senhoras ficaram encarando o Aaron e falando elaguma cosia em Arabe, que nao conseguimos entender. mas quando o trem chegou, e o Aaron comecou a caminha em direcao a porta, a mulherada se juntou pra barrar a entrada dele, e a mesma senhora invocada (que nao soh estava usando uma Abaya dos pes a cabeca, daqueles que cobrem ate os olhos, mas ainda estava de luvas, cobrindo a pela das maos!) levantou os dedos fazendo sinal de “nao” e proibindo a entrada dele!

Tudo aconteceu numa fracao de segundo, nos demos uns passos pra tras, tentando entender oque tinha acontecido, enquanto as outras milhares de pessoas na plataforma do metro nos encaravam de cima a baixo, e enfim vi a placa que separa a estacao entre homens e mulheres.

Mas posso falar? Ateh que gostei de andar num vagao soh com mulheres! Sem me preocupar se tem alguma marmanjo me manjando demais, chegando perto demais, preocupada com minha bolsa e afins. E achei que ser encarada por mulheres, e ter minha foto tirada (sem autorizacao, claro) por meninas adolescentes, bem mais tranquilo doque por um Egipcio barbado!

A pobreza tambem eh dificl de ignorar, e a quantidade de pedintes, mesmo que nao seja comparavel com as cidades brasileiras, por exemplo, estao em todos os lugares onde os turistas tambem estao.

Outra coisa que me chamou demais a atencao foram as casa semi-acabadas – a cidade INTEIRA parece uma grande favelona, sem pintura, sem telhado, de reboco, nem nada. Predios e casa inacabadas, alguns habitados, outros nao.

Mas na verdade, depois descobrimos que a falta de reboco ou tinta nas paredes nao tem nada a ver com a pobreza da populacao e sim com a corrupcao e burocracia do governo! No Egito, qualquer cada ou predio completo (com acabamento) paga 40% a mais de imposto urbano e de propriedade! nao eh um absurdo?

Entao pra burlar o sistema, as pessoas constroem suas casas e deixam o telhado inacabado (nao chove mesmo!), nao passam reboco nas paredes, nem pintam nada por fora.

No fim das contas, eh uma economia e tanto pra familias egipcias e soh vimos casas/predios pintados quando chegamos em Sharm El Sheikh, e mesmo nos bairros nobres do Cairo, ou em hoteis de rede internacional, as vezes a fachada estava pintada, mas as laterais das casas ainda tinham os tijolos aparentes.

No total, passamos 3 dias e 3 noites no cairo, oque achei mais que suficiente pra ver tudo de interessante que a cidade tem a oferecer. Se tivessemos um dia a mais, por exemplo, provavelmente teriamos ido ate Alexandria de trem.

Mas pra quem esta sem tempo, diria ateh que em 1 ou 2 dias daria pra fazer o “basico” (Piramides e museu).

Categorias: Cairo, Egito, Viagens
24
07
Apr
2010
Trem Noturno: Do Cairo a Luxor (e Answan)
Escrito por Adriana Miller

Desde que começei a planejar essa viagem ao Egito, uma das partes que estava me deixando mais animada com a “aventura” era pegar o trem noturno que, beirando o Nilo o templo todo, conecta Alexandria, Cairo, Luxor e Answan em algumas horas.

Infelizmente, depois dos ataques terroristas a turistas no Egito em 1999 e 2005 o governo criou uma serie de regrinhas para garantir a segurança dos visitantes e afastar os radicais religiosos (que estavam afastando a principal fonte de renda do pais!), e uma delas é a restrição ao numero de trens que permitem turistas por dia.

Entao, por mais que se possa pegar trens rapidos de uma cidade a outra livremente, para viagens mais longas que conectam destinos turisticos, hoje em dia operam trens privados, com otima infraestrutura e que sao acompanhados/protegidos pela policia o tempo todo (que eles chamam de “Convoy”).

O principal meio de transporte entre essas cidade, e unica opção de trem noturno disponivel a turistas é o Sleeper Train da empresa Abella Trains. O trem é todo “primeira classe”, com cabines privadas com ar condicionado, com camas para duas pessoas, e inclui jantar e café da manha.

Os tickets sao vendidos apenas em dolares (US$60 por pessoa) e pessoalmente na estação de trem Ramses II (a estação central do Cairo).

Todas as instrucoes e reviews que li me pareciam super complicado, pois eles só vendem pessoalmente, tem que ser compado com no minimo 24hrs de antecedencia, nao fazem reserva e esgota rapidamente.

Como nao tinhamos tempo a perder, nao estava nem um pouco gostando da ideia de ter que desperdiçar uma manha inteira (ou mais!) tentando me achar na estação, fazendo mimica pra comprar ticket, etc. Entao decobri esse site aqui com algumas reviews e indicações de agencias locais que vendem os tickts do Sleeper Train.

Ainda nao chega a ser venda on line (vc tem que fazer uma transferencia pra conta deles. Meda) e incluem tantas taxas a mais, que acaba saindo 1/3 mais caro. Mas mesmo assim, pensamos, pensamos e resolvemos que valeira o preço do tempo pra conhecer a cidade.

Entao entrei em contato com a Osiris Travel, na cara e na coragem, e foram super solicitos dando todas as informações necessarias. Entao paguei o deposito mais uma taxa de entrega e na manha seguinte a nossa chega no Cairo, recebemos nossos tickets em mao.

Uma outra coisa que estava nos deixando um pouco tensos é o fato da estaçnao central estar em obras, e varios trens estao sendo desviados para outras cidades ou bairros, mas os trens turisticos estao sendo desviados para a estação Giza (Gizé – das piramides), e depois que já estavamos lá vimos o quanto é facil! (a estação de trem fica literalmente em baixo da estção de metro).

Entao no domingo a noite, chegamos cedo, ficamos matando hora na estação e batendo papo com outros turistas, até que nosso trem chegou!

OS trens sao antigos, e longe de serem o supra suma de modernidade e conforto, mas mesmo tempo de um “Q” de charme de viagem antiga, uma coisa meio Orient Express!

Cada carro/compartimento do trem tem seu proprio comissario-ferroviario, que é quem responde suas duvidas, seve sua janta, monta sua cama, te acorda de manha e serve café da manha (todas as refeições sao incluidas no preço, menos as bebidas).

Cada cabine privada tem uma poltrona que se converte em duas camas, com travesseiro, lençol e cobertor, bandejas pras refeições, ar condicionado e luzes individuais de leitura, um mini-lavabo (com toalhas e sabonete) e compartimento para bagagens (que couberam as nossas mochilas, mas pra quem estava viajando de malona, nao sei onde colocariam as coisas… no corredor, talvez?).

O unico ponto negativo foi mesmo banheiro, que era definitivamente assustador, e quando apwrtava a “descarga”, voce praticamente ve os trilhos em baixo!

Mas a cama era bem macia e dormi que foi uma beleza!

De manha acoramos a tempo de ver o sol nascendo no Nilo, rearrumar nossas cosias, tomar café da manha e pronto! Chegamos em Luxor prontos pra outra!

Definitivamente recomendo!!

Categorias: Cairo, Egito, Luxor, Viagens
33
06
Apr
2010
Museu Egipcio do Cairo
Escrito por Adriana Miller

O Museu Egipcio do Cairo é um dos lugares mais emocionantes e ao mesmo tempo mais decepcionantes que já fui.

Mais emocionante por que é o museu com mais reliquias Egipcias por metro quadrado, e muitas, muitas coisas interessantissimas sobre a vida de Nobres e Plebeus que viveram as dinastias dos Faraos, entre 4 mil e 2 mil anos atras.

Sem sombra de duvidas a melhor parte do museu é a seção inteira dedicada ao Rei Tutankamon, que contem todos os tesouros encontrados em seu tumulo, e que foi a primeira e grande unica descoberta de tumbas reais até hoje.

Ficar cara a cara com sua mascara funeraria, feita em ouro maçico, reproduzindo a perfeição suas feições e coberta de pedras preciosas foi hipnotizante. Foi um momento olho no olho com a mascara, aquela sobre a qual já li centenas de vezes, que já vi em milhoes de fotos e capas de livros e que ilustra basicamente tudo que existe sobre o Egito no mundo.

Foi legal entender alguns dos rituais, o significado e a importancia da morte e do renascimento e tambem as intrigas e consirações.

Mas por outro lado é um lugar bastante decepcionante porque mostra uma grande desconsideração com a historia Egipcia e mundial.

Lá dentro nao é permitido tirar fotos (mesmo, tem uns 3 pontons de check up onde revistam tudo seu) e nossa teoria é de que se permitirem fotos, as pessoas vao ver como o museu é destruido por dentro e ninguem vai querer pagar pra entrar!

Sao mumias em cima de mumias, sarcofagos em cima de sarcofagos, colunas, objetos, esculturas e afins cheios de poeira, lixo pelos cantos e sem placa de explicação – entao na maioria do tempo voce firambulando de uma lado pro outrom porque nao tem ideia oque é aquilo que vc esta vendo. Nao tem ar-condionado nem controle de umidade, o sol a pino refletindo nas pinturas originais, e as janelas todas abertas (se nao morriamos sufocados!) banhando as esculturas de poeira (que no Cairo é muita poeira!).

Entao os efeitos sao: pra quem nao gosta de historia o Museu do Cairo é extramente sem graça e chato; mais parece um deposito de quinquilharias esquecido pelo tempo.

E pra quem gosta de historia, dá uma dó de ver todo descaso, a falta de organização, sugeira e falta de explicação – a melhor explicação? Desrespeito.

Me chamem exagerada, mas algumas daquelas peças, esculturas e mumias foram conservados por 4000 anos (quatro mil!!) e vao acabar sendo destruidas nas maos de tuirtas mal educados e o descaso do governo. Supostamente estao construindo outro museu, maior  mais moderno, mas acabou virando mais uma obra faraonica, com verbas desviadas, corrupção e burocracia, e ninguem sabe quando o novo museu será aberto…

Mas vale a pena ir?

Claro que vale!!

O museu é todo dividido por partes e dinastias, seguindo uma ordem semi-cronologica que te ajuda e entender como os Deuses evoluiram, como a arte desenvolveu e os tesouros ficaram mais ricos.

Pra mim, a unica coisa que nao valeu MESMO, foi ter pago a mais (quase o dobro) pra entrar na “sala das mumias”, que apesar de ter umas mumias “ilustres” como Ramses II e Hatsheput, nao passam de meia duzia de mumias, sem muitas explicações sobre elas, num quartinho sem estrutura!

Categorias: Cairo, Egito, Viagens
11
06
Apr
2010
A Citadela
Escrito por Adriana Miller

Num pais onde a história eh tão milenar e tão abundante é fácil que algumas coisas mais “jovens” se percam pelo caminho.

A Citadela eh uma dessas áreas do Cairo que por ter “apenas” 1.000 anos de história, acaba perdendo espaço para outras atracões mais Faraonicas da cidade.

O bairro murado esta localizado no topo de um morro, com uma vista panoramica da cidade, e é justamente por isso que foi escolhida para sediar a fortaleza da era Otomana da cidade, onde seus governantes ocuparam e dominaram por mais de 700 anos.

A construção da Citadela começou em 1.176 como uma forma de proteção contra as Cruzadas, sendo reformulada, destruida e expandida por diferentes dinastias e familias reais nos 700 anos seguintes.

A verdade é que nós nem tinhamos considerado passar por lá, mas mudamos de ideia quando estavamos no parque Al-Ahzar para o por do sol e nos deparamos com aquela vista! Entao reformulamos nosso planos e fomos na Citadela na manha seguinte.

A Mesquita que marca a silueta da Ciatdela e do panorama Leste do Cairo é Mohammed Ali, construida por cima da mesquita original (em 1830), para ceder o lugar de honra a uma construçnao mais nova, com arquiterura Otomana inspirada nas Mesquitas de Instambul.

No lado oposto da Mesquita, ainda dentro de seu terraço esta o relogio Frances que foi uma presente do Rei Louis-Philippe da França como agradecimento pelo Obelisco (que veio do Templo de Luxor) que hoje em dia adorna a Place de la Concorde em Paris – Infelizmente o relogio foi danificado durante a viagem, e nunca foi consertado!

Bem atras da Mesquita de Mohammed Ali esta a mesquita An-Nasir Mohammed, que é na verdade a unica mesquita original que sobrou e que ainda tem arquitetura Manluk (dinastia original que construiu a Citadela) e data de 1318. Por dentro, o predio parece bem pobrezinho, já que todo seu marmore e pedrarias foram retirados da estrutura original para construir a nova mesquita.

A Citadela ainda se espalha por outras areas dentro da muralha, mas hoje em dia esta predominantemente ocupada pelo Exercito Egipcio – alem disso o tempo era curto, e de lá fomos direto pro Museu Egipcio do Cairo!

A Citadela nao tem metro por perto, mas fica relativamente pertinho do centro da cidade. Nos fomos de taxi e pagamos 20 Libras Egipcias (cerca de 3 dolares). Uma coisa importante de enfatizar é que por ser uma area religiosa Islamica, tanto homens quanto mulheres devem estar sempre com joelhos e ombros cobertos (nao importa o quao quente esteja – e acreditem, esse lenço preto nos ombros estava me matando de calor! Quem chegar por lá de short/saia curta, só entrar com o cobre-corpo que eles alugam na hora, que alem de pavoroso, parecem que nao veem agua e sabao ha uns 50 anos).

Categorias: Cairo, Egito, Viagens
7
05
Apr
2010
Cairo Coptico
Escrito por Adriana Miller

Apesar de ser uma cidade majoritariamente Islamica, Cairo tambem tem uma grande comunidade Cóptica (Cristã Ortodoxa), tendo sua “sede” no pequeno e murado bairro Cóptico.

Chegar lá é bem facil, pois a estaçao de Metro Mar Girgis para bem na porta (aliais, andar de metro no Cairo é uma experiencia a parte que merece post exclusivo!)

Originalmente, o bairro foi desenvolvido como uma cidade-fortaleza Romana, tendo como pricipal estrutura as torres Romanas, onde supostamente era a entrada dos Jardins da Babilonia.

Uma das torres ainda esta de pé, conforme instruções do emprador Trojano, por volta do seculo 3 d.c.

No mesmo patio que a torre esta o Museu Coptico, que foi totalmente reformado em 2006 e abriga a maior colção de arte Cóptica do mundo, e conta a historia do Critianismo da epoca que Cristianismo ainda nem existia…

Ali ao lado fica tambem a Igreja Suspensa, construida por cima do canal por onde passava o Rio Nilo ha 1800 anos atras. A igreja é a mais antiga do Egito e uma das primeiras estruturas Bizantinas de que se tem registro – era ali tambem que ficava a sede oficial do Papa Coptico, que hoj em dia mudou pra Alexandria.

Do outro lado do Bairro Coptico ficam o cemiterio Ortodoxo e a Catedral de Sao Jorge, e atravez de uma passagem subterranea se pode entrar na verdadeira e original cidade Coptica – um emaranhado de micro ruas conecatando uma casa, loja, igreja a outra. Entre elas esta a Igreja de Santa Barbara, que sedia a Cripta Sagrada, que foi o lugar onde a sagrada familia se escondeu/refugiou depois de ser exilado de Israel.

Infelizmente, fotos nao sao permitidas dentro de nenhuma das criptas, museus e Igrejas (apenas Sao Jorge pois ainda esta aberta para missas e serviços) e o bairro (que é cercado por muros) fecha as 5 da tarde (sendo que as Igrejas e museu fecham as 4), entao pra quem quer ver tudo, é importante chegar cedo!

Categorias: Cairo, Egito, Viagens
4
04
Apr
2010
Dahshur e Saqqara
Escrito por Adriana Miller

Se voce achava que as Piramides de Gizé sao os monumentos mais antigos do mundo, então é porque voce ainda nao ouviu falar de Saqqara e Dahshur!

Saqqara foi a primeirissima piramide a ser contruida no mundo, e só pra colocar as proporções em perspectiva, quando a piramide de Cheops (a maior e mais antiga da plataforma de Gizé) foi construida Saqqara já tinha muitos seculos de vida, e já era considerado um monumento “historico” usado como modelo para outros faraós.

Na verdade Saqqara era um complexo com 11 piramides e varios outros monumento funerarios, e estavam totalmente enterrados na areais do deserto ateh meados do seculo 20. A principal e mais importante (e tambem a mais antiga) é a Piramide de degraus (Step Pyramid) de Zozer, construida por Imhotep para abrigar os corpor dos falecidos Faraos, suas familias, cidadaos de alto escalao na sociedade da epoca e oficiais do exercito.

A Piramide de degraus foi a primeira estrutura de pedra a ser construida pelo homem (que se tenha registro). A construção foi feita em 6 estagios, e a cada novo degrau, os construtores iam descobrindo que ao modificar parte da tecnica e o material, a estrutura poderia continuar subindo. Dai pra frente as maravilhas arquitetonicas do Egito floresceram!

Ao redor da piramide os sarcofagos, tumbas e templos aidna estao sendo pouco a pouco escavados e estudados, e ainda em 2006 uma nova “leva” de mumias foram achadas no inteior de uma das estruturas.

Na entrada do complexo de Saqqara esta tambem o museu de Imhotep, que fica meio esquecido entre grandes monumentos – resolvemos entrar por acaso para nos refrescar no ar condicionado e acabamos descubrindo uma grande maravilha! Quase todas as reliquias descobertas no complexo de SAqqara estao expostos ali, com esculturas, mumias e sarcofagos que datam de 3000 a.c.!!!

A tecnica de contrução de piramides de Saqqara deu origem as piramides de Dahshur, a cerca de 11km de distancia.

No complexo de Dahshur, 3 das piramides originais ainda estao de pé, e a area só foi aberta a turistas em 1996 – por estar tao afastada do Cairo, passear em Dahshur é como ter uma piramide particular só pra voce!

As duas piramides principais sao a Piramide Curvada e a piramide vermelha.

A Piramide Curvada foi a primeira tentativa de construir uma piramide sem degraus, apos a conclusao de Saqqara – os arquitetos do faraó Sneferus começaram a empilhar as pedras em algulos levemente curvados, até que a estrutura interna começou a ceder, e entao os angulos modaram de 56º para 43º graus, que originou o nome da piramide.

Por dentro, suas camaras ainda conservam a estrutura original de madeira, que balanceavam a instabilidade das pedras curvadas, e esta fechada ao publico.

Bem ao lado esta a Piramide Vermelha, que foi a primeira piramide construida em angulos retos, e que serviu de “molde” para as piramides de Gizé.

Os arquitetos foram os mesmos, seguindo o mesmo projeto, porem consertando oque nao tinha dado certo de primeira. O nome “Vermelho” é derivado da tonalidade das pedras usadas em sua estrutura, já que a piramide em estado original era coberta por tijolos de pedra branca.

A Piramide Vermelha é aberta ao publico, e a entrada é de graça (vem incluida no preço do ticket normal), e como o complexo é semi deserto (longe demais do Cairo e nao atrai muitos grupos de turistas) estava praticamente vazio!

Apesar do calor de matar, resolvemos arriscar! Afinal não é todo dia que temos a oportunidade de entrar numa piramide!

A entrada é assustadora! Uma portinha minuscula ha 125 metros do chao, e ao olhar lá dento só se vê escuridão: Fomos descendo agachados, protegendo testas e cabeças e se segurando com todas as forças no corrimão!

Valeu o sacrifico!

Apesar de nao ter nada pra ver lá dentro, é sem duvida interessante ver como eram as camaras que abrigavam os tumulos dos faraós, e é dificil acraditar que embaixo daquela montanha de pedras está aquela salinha!

Lá em baixo o ar é rarefeito, e o pouco que sobra tem um cheiro fortissimo de amonia, oque dá uma sensação de abafamento agoniante! Voce tenta desesperadamente respirar, mas o ar que entra queima suas narinas e garganta… sso sem falar no cansaço nas pernas e braços depois de descer os 150 metros praticamente de cocoras!

O pior?É lembrar que ainda temos que voltar!

A unica maneira de chegar a Saqqara e Dahshur é de carro ou tour – ambas ficam bastante afastadas do Cairo e nao existe trabsporte publico que chegue lá perto.

Nos algumaos um carro/taxi arranjado pelo nosso albergue e pagamos 150 libras Egipcias – na verdade o tour incluiria tambem Manphis e Gizé, mas já tinhamos ido a Gizé no dia anterior, entao nosso passeio durou apenas meio dia (das 8:30 as 14:00). Achamos que íamos conseguir negociar o preço, por estar cortando uma parte do tour-padrão, mas acabamos caindo no golpe do motorista e pra nao ter encheção de saco acabamos pagando 200 libras Egipcias (que dá +- 30 dolares).

Para entrar em cada uma dos sitios arqueologicos (Dahshur + Saqqara) custa 60 Libras, e estudante paga meia.

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8
04
Apr
2010
Khan Al-Khalili e o Cairo Islamico
Escrito por Adriana Miller

O mercado Khan Al-Khalili definitivamente não é uma das areas mais bonitas do Cairo. Até mesmo como mercado Arabe propriamente dito nao tem a beleza do mercado de Instambul nem é tao autentico quanto o de Marrakesh. Mas perambular pelas ruas do bairro Islamico e se perder pelas ruelas do mercado é uma experiencia sem igual.

Na verdade, muitos turistas partem do principio que esse mercado será mais uma roubada-Egipcia, mas eu me surpreendi (pra melhor!) com a quantidade de locais andando pra cima e pra baixo, fazendo compras de verdade.

Existe uma pequena parte que realmente é mais turistica, onde em vez de tendas e lojas de roupas e especiarias, se encontra imã de geladeira em formato de esfinge ou peso de papel em formato de piramide. mas ainda assim, se voce pretende comprar souvenirs – ou qualquer outra coisa – da sua viagem ao Egito, aqui será provavelmente o melhor lugar para comprar qualquer coisa!

Muitas vezes me senti passeando em pleno Saara (no centro do Rio) numa sexta feira, hora do almoço vespera de Natal! Muita gente, muito caos, muito calor. Só que dessa vez, a gringa tirando foto close das especiarias sou eu!

Rapidamente virávamos atração da area. Apesar da segurança (Cairo tem indices de criminalidade baixissimos), os Egipcios encaram, sem o minimo pudor, como ninguem! Crinças ficam de queixo caido, adolescentes tiram fotos, marmanjos dão cantadas e até as mulheres (de quem em sua maioria só vemos os olhos) te encaram fixamente sem o menor pudor.

Apesar de ser extremanente turistica, Cairo é uma cidade que vemos poucos turistas nas ruas, andando meio sem rumo, entao quando aparecem dois (e suas cameras) perdido num beco no meio do bairro Islamico, pode ter certeza que a rua vai virar um circo!

Definitivamente não é uma situaçao que assuste, mas as vezes intimida, e entao ficamos indo e voltando, tentando evitar nos perdermos demais do caminho “turistico” da area.

Mas essa “raridade” toda acaba sendo uma grande vantagem, pois como não é taaaao turistico assim, os preços sao mais “normais” (para padrao Cairo) e o poder de barganha é bem maior.

No caminho do mercado, o motorista de taxi nos avisou: Quando te derem um preço, nunca pague mais que metade do valor inicial!

A concorrencia é acirrada, e vendedor nenhum vai dar bobeira de deixar um turista ir embora de maos abanando!

Eu acho que na verdade gosto desses mercados muito mais pela “arte de barganhar” doque pelas compras de bugingangas propriamente dita, e mato o Aaron de vergonha!

Compramos alguns presentinhos pra familia, enfeite de natal (pra minha coleção) e mais umas besteirinhas – e acho que no total nao gastamos mais de 20 dolares (incluindo almoço!).

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11
03
Apr
2010
Se essas piramides falassem!
Escrito por Adriana Miller

Nao tem como começar um post sobre as piramides de Gizé sem antes passar por todo cliche sobre elas.

Um dos monumentos mais antigos do mundo, as unicas das 7 maravilhas do mundo originais ainda de pé e uma fonte inesgotavel de misterio. Mas apesar de todo hype, é impossivel nao pensar quase que automaticamente: “Como elas foram construidas?!”

Apesar dos seculos de pesquisa e possibilidades, a verdada é que pouco se sabe sobre elas, além de que na verdade foram contruidas com a finalidade de serem tumbas aos Faraos.

Nas ultimas decadas varias novas teorias tem surgido e já não se acredita que as piramides foram contruidas por Faraos malvados se aproveitando dos escravos, como é mostrado no cinema. Ha pouco tempo foi descoberto o “diario” de um dos responsaveis pela construçao, incluindo mapas, planos e calculos, que na verdade indica que a construção de cada uma delas fez parte um plano muito bem traçado, milimetricamente calculado (em relacao a altura, tamanho e peso dos “tijolos” de pedra e alinhamento com o sol e as estrelas) e utilizando mao de obra camponesa, que durante os meses de alagamento na margem do Nilo (que impossibilitava trabalho nas fazendas) arrumavam empregos na construção das piramides – e tudo indica que as pedras foram para lá tambem com ajuda da correnteza do Nilo.

Mas apesar das provas que existem (e continuam sendo decifradas) ainda existe uma legiao de pessoas e “cientistas” que se dedicam a tentar provar que as Piramides foram construidas por deuses, extra terrestres, astrologia, numerologia e afins.

É facil pensar que todas essas teorias mirabolnates sao uma grande besteira, mas chegar lá perto e ver com os proprios olhos as proporções das primaides, realmente fica impossivel nao imaginar que aquilo só pode ser obra de outro mundo!

Mas se as piramides falassem mesmo (e vissem e ouvissem), com certeza a primeira coisa que iriam a reparar hoje em dia é quantidade de trambiqueiros espalhados pelos cantos intimidando os turistas.

A pratica é assim: voce já ficam embasbacado da estrada, e se dá conta que na verdade as piramides estao no meião da cidade. Acho que não me choquei com a cena porque já tinha tanto ouvido falar nisso, que esperava muito mais. Esperava praticamente uma filial do McDonalds na base da piramide. Mas nao é bem assim.

E estradinha que passe entre as piramides não é uma rua “comum” com pessoas nao-turistica voltando do dentista ou dando uma passadinha no supermercado. É na verdade uma rua que conecta as 3 piramides, que na verdade estao bem longe uma das outras. E por mais que elas estejam realmente dentro de Cairo (na verdade o bairro é Gizé), ao mesmo tempo estao longe suficiente que em sua volta, tudo que se ve é o deserto. Talvez fazendo um esforcinho vc veja as casa em volta, mas a poluição é tanta que a cidade fica escondida na nevoa.

O complexo onde estao as piramides é enorme, e achei bem dificil de andar de uma lado pro outro. Como chegamos lá de maneira “independente”, ou seja, sem um carro, tour ou taxista nos levando de um canto pro outro, pagamos nosso tiquete (60 Libras Egipcias – mais ou menos 8 dolares – mas estudante paga meia) e saimos andando naquele sol de matar.

A primeira impressao que tive é que na verdade elas nao sao taaaao grandes assim, mas assim que vc resolve começar a desbravar a area, a pé sem uma sombrinha pra contar historia e caminhando na areia… ai sim nos damos conta da real proporção de cada uma delas.

Tentamos das umas voltinhas, sempre evitando os grupos de trambiqueiros alugando camelos, as crianças pedindo esmola e as mulheres vendendo cartão postal, mas acabamos nos dando por vencidos.

A area é realmente muito, muito grande. As piramides estao bem longe umas das outras e o sol do deserto é impiedoso, entao negociamos o preço de uma charrete que nos levaria pra dar uma voltinha entre as 3 piramides, com direito a paradas panoramicas para fotos e uma carona até a Esfinge. Essa voltinha na carrete custou 150 Libras Egipcias (mais ou menos 20 dolares), que eu tentei barganhar, mas já estava perdendo minhas forças (se bem que o preço inicial tinha sido 180), e aceitei que é uma daquelas situações que nao vale a pena brigar muito. Eu queria ir nas outras pirmides custe oque custar!

Uma das coisas que eu li sobre a Esfinge é que a primeira impressão que se tem ao ve-la é comparavel a experiencia de ver uma celebridade ao vivo pela primeira vez: fica fica encatado e hipnotizado mas ao mesmo tempo com aquela leve impressao que ela é menor doque voce imaginava!

Na verdade a Esfinge é gigantesca, mas sentadinha ali lado a lado com as piramides, realmente ela parece uma miniatura!

Diz a lenda que o nariza da esfinge foi destruido pelo exercito de Napoleão, e a barba – que caiu – foi restaurada e esta exposta no British Museum em Londres (junto com varias outras reliquias encontradas em outros monumentos….).

A maneira mais pratica de passear por Gizé é na verdade alugando um carro/taxi que vai ficar a sua disposição o dia todo e te levando de uma lado pro outro pela cidade e entre as piramides.

Nosso albergue se ofereceu pra organizar um taxi, mas achamos que seria furada e preferimos ir sozinhos, mas acabou que entre a furada que (quase) caimos pra chegar lá, mais o preço que pagamos pra andar de charrete, mais o taxi da volta, acabou siando bem mais caro doque a oferta inicial!

Pelo que vi, desaconselharia as grandes tours/city tour oferecidas por algumas agencias locais, porque a parada é uma industria mesmo! Vimos inumeros onibus e vans chegando e saindo na velocidade da luz, e mal dava tempo pro pessoal sair do onibus, posar pra meia duzia de fotos e já tinham que partir pra outra!

Acabamos passando grande parte do nosso primeiro dia no Cairo apenas nas Piramides (mais ou menos entre 10 as 14:00), e isso porque nao entramos em nenhuma delas (as filas estavam imensas)! Talvez tivesse dado pra fazer em menos tempo, mas acho que pelo menos 1/2 dia dedicado as piramides seria um desperdicio!

Categorias: Cairo, Egito, Viagens
8
02
Apr
2010
Se a primeira impressão é a que fica…
Escrito por Adriana Miller

Nosso voo estava marcado pra chegar no Cairo bem tarde da noite, entao como precaução reservei um transfer do albergue para que alguem fosse lah nos buscar. E nosso voo ainda atrasdou mais de uma hora, pois o terminal 5 do Heathrow estava uma zona nessa vespera de feriado.

Pousamos no terminal novissimo do aeroporto de Cairo mas de cara senti que falatavam sinais de informação: pra onde vamos? Onde fica a imigração?

Eu sabia que tinhamos que comprar o visto, pago no desembarque, mas nao estava obvio o suficiente onde deveriamos faze-lo. Entramos na fila da imigração, os formularios para estrangeiros tinham acabado, e quando chegou a nossa vez o policial nos mandou de volta, pois estavamos sem o visto… Voltamos o corredorzão e entramos na fila do “Bank of Cairo” comprar nosso visto-adesivo por 15 dolares (que voce mesmo cola no seu passaporte).

Na saida nosso motorista estava a nossa espera, e depois de passar por varias vans, carros privados e semi-limousines, chegamos ao carro mais caindo aos pedaços do estacionamento. Onde colocamos as mochilas? No colo pq o porta malas nao abre.

O Aaron sentou na frente, e se deu conta que o cinto de segurança nao funcionava “Que isso meu amigo! Nao precisa de cinto nao! Eu sou bom motorista!”, ao mesmo tempo que ligava o radio na estação de musica arabe no volume maximo, abriu as janelas e ascendeu um cigarro!

Eu pensei com meus botoes que aquele era provavelmente o carro mais velho que já tinha visto na vida. Mas obviamente eu ainda nao tinha visto nada!

O Albergue fica bem no centrão de Cairo, a menos de 10 minutos da estação de metro e do Museu Arqueologico, e até que é bem “simpatico”. Simpatico na proporção que um albergue que custou cerca de 15 dolares por noite no norte da Africa pode ser!

Os unicos sustos foram as escadarias do predio centenario, que nao veem uma boa vassoura ha muitos anos; ah, e o banheiro, que é literalmente “dentro do quarto” (deixarei a foto falar por si. A camiseta foi minha toalha.).

Banheiro privativo dentro do quarto. Mesmo!

Mas serio, nao tem do que reclamar. A agua do chuveiro era quente, o ar condicionado gelado, a televisao pega BBC e a internet sem fio é de graça!

Ah! E já contei que esse preço inclui café da manha? Cha de menta, ovo cozido (haha), uns 3 tipos de pão, geleia de figo, polenguinho e falafel!

Fomos acordados cedo pela agencia que veio entregar o ticket de trem pra Luxor e aproveitamos pra começar o dia.

Primeira parada? E dá pra nao ser as Piramides de Gizé?!

Ficamos batendo papo com uma familia Canadense na salinha do albergue (um casal novinho que esta aqui com 3 filhos pequenos!) que nos ensinaram a pegar o metro ateh Gizé. Uma taxi custaria 60 Libras Egipcias, o metro custou 1 libra egipcia cada um!

A primeira furada do dia, acabou nao dando em nada, mas o Aaron começou a bater papo com um carinha no metro, e o papo foi enrrolando, enroolando, ele disse que morava em Gizé e ia nos ajudar a sair da estaçnao e pegar um onibus até a entrada das piramides.

Agora, eu tenho que confessar que sou uma turista bem antipatica! Nao tenho vergonha de barganhar preços, de dizer não a pedidos de propina, e principalmente nunca aceitar ajuda de estranhos “solicitos”, principalmente em paises famosos pelas roubadas.

Já o Aaron nao. Entrou numa de “nossa, como todo mundo no Cario é simpatico, nao?”. NAO! Para de puxar papo com a cara e vamos seguir nosso caminho.

Mas nao rolou. Na saida do metro uma multidão de taxistas voou em cima da gente, e esse cara ficou nos protegendo (tava praticamente rolando briga entre os motoristas!); atravessamos um avenida de umas 3 faixas (Pyramid Road) na unha e ficamos parados na beira da estrada esperando o tal do onibus.

Passaram uns 3, todos com sinais em Arabe, e nada. Até que um carro parou do nosso lado, e ele nos mandou entrar. Um carro, nao um taxi! Ainda tentei dar uma de desentendida do tipo “mas oque aconteceu com o onibus?”, e o carinha garantiu que o motorista era amigo dele e ia nos dar uma carona.

Era uma daquelas situações que voce fica entre a espada e a parede. Nao tinha como fugir da situação, e não dava pra evitar entrar no carro do amigo do carinha.

Agora imaginem os olhares de pavor que trocamos. Um carro caindo aos pedaços, os dois Egipcios conversando em Arabe, e eu e o Aaron sentados na ponta do assento, com a mao na maçaneta do carro.

Usei umas das tecnicas de viagem do meu pai, e abri o mapa, fiquei lendo as placas de rua bem explicitamente, tentando mostrar que sabia onde estava. (Obviamente nao tinha a menor ideia!)

Até que vi uma placa avisando a direção das piramides, e quando olhei pro lado esquedo… Tcharam! Lá estavam elas!!

Enormes, magnificas… e cobertas por uma nevoa de poluiçnao como nunca vi igual!

E entao o carro parou. O amigo-motorista nos indicou o caminho certo, nao aceitou nosso dinheiro e nos deixou na porta da entrada das piramides!

Entao em menos de 10 minutos, passarmos do pavor de nos jogar de um carro em movimento em pleno Cairo, a ter conhecido provavelmente um dos Egipcios mais legais e prestativos da cidade!

Dai pra frente foi só alegria, apesar do sol que parecia estar uns 178 graus direto na nossa cabeça!

Mas isso fica pra depois que eu baixar as fotos!

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