19
Aug
2008
Paella
Escrito por Adriana Miller

Depois de um looooongo dia de entrevistas, que serviu de inspiracao pro post anterior, voltei pro hotel pra trabalhar mais um pouco. O problema com essas viagens todas eh que meu “day job” fica se acumulando, e quando volto encontro aquele caos…

Mas como em Agosto a Espanha para (todo mundo tira ferias ao mesmo tempo), e os poucos que sobram trabalham no horario de verao (ou seja, durante o inverno as pessoas trabalham meia hora a mais por dia, e depois no verao, trabalham 2 horas MENOS por dia, por umas 8 semanas…), as 4 da tarde eu estava liberada.

Mas como Espanhol nenhum que se preze dispensa um belo de um almoco (independente de trabalhar menos horas por dia ou nao), o diretor me levou pra comer um paella sensacional!

 

Entao, como ainda estava um pouco atolada de comida, resolvi dar uma voltinha no centro, pra matar hora. Big mistake! Eu jah fico meio perdida nas lojas espanholas, e quando estao em rebajas entao, perco a nocao. Mas como essas viagens teem me saido muito caras ultimamente, me segurei.

Amanha tenho mais um batalhao de entrevistas, mas dessa vez nao estou tao estressada quanto da outra vez, pois o projeto esta chegando ao final (espero eu) e as coisas estao comecando a se encaixar.

Dessa vez, como vamos juntar duas empresas, varios departamentos e vagas estao sendo criados, o que significa que os funcionarios terao varias novas oportunidades. E estou empenhada em ajudar!!

Uma coisa que me deixa muito frustrada aqui na Espanha, eh como o mercado eh injusto, desigual e racista. E foi justamente isso que pesou muito na minha decisao de ir embora, ha 3 anos atras.

Me sinto um pouco impotente ao entrevistar varias pessoas com mestrado, doutorado, que falam varias linguas, mas que nao tem oportunidades, simplesmente por serem estrangeiras.

Depois de ficar um tempo batendo papo com uma das meninas do call center, uma Mexicana, formada pela universidade da cidade do Mexico, com mestrado, e um doutorado (da Universidade Complutense de Madrid) e que se mudou pra Espanha por ter casado com um espanhol, e ha 8 anos ela trabalha em telemarketing. Simplesmente nao consegue nada melhor, apesar de ter todas as qualificacoes do mundo, ser super inteligente e simpatica. Depois da entrevista virei pro Diretor e falei “acho que devemos tranferir a fulana pra um dos novos postos em financas”, e ele que eh espanhol, quase caiu da cadeira.

Mas por mais que virar assistente de contabilidade nao seja o emprego dos sonhos dela, pelo menos isso pode ser o passo que ela precisava dar pra conseguir ter a carreira que ela sonhava (e que provavelmente teria se tivesse ficado no Mexico) quando recebeu o diploma do seu doutorado em financas.

Entrevista apos entrevista, aquela lista interminavel de “Mil-Euristas” conformados… (giria espanhola pra funcionarios qualificados mas que estao estagnados em empregos que pagam Mil Euros por mes).

Se vai dar certo nao sei, mas a funcao do RH eh justamente essa. Por mais que a decisao nao seja nossa, o papel do RH eh analisar e fazer recomendacoes.

Ela foi logo a primeira do dia, e surprise, surprise, todas as estrangeiras que trabalhavam no call center tinham excelentes qualificacoes, entao comecei a perguntar oque elas gostariam de fazer em seu “emprego dos sonhos”, comecei a contar das posicoes novas, as novas oportunidades, tentando analisar onde poderia encaixar os funcionarios atuais em algumas das posicoes novas. O Diretor espanhol quase teve um infarto, mas quando finalmente entrou um espanhol da gema, que trabalha em informatica, e nos contou que ele abandonou a unversidade pq repetiu materias demais, que na verdade ele nao gostava do emprego mas que o salario era razoavel, que sei lah oque era chato, que nao sei oque lah era um saco… Tipo assim, meu filho, cala a boca! Nao estrague suas changes de no minimo manter seu emprego! Ai o diretor se convenceu, que realmente as operadoras eram o melhor “materia prima” da empresa.

Vamos ver, vamos ver. Na verdade eu nao decido nada, mas sei que posso fazer boas recomendacoes, e isso pode mudar muita coisa.

Mas agora tenho que terminar de escrever uns contratos e responder uns e-mails…

 

Categorias: Trabalho, Vida na Espanha
12
03
Sep
2005
Ay me voy otra vez, ay te dejo Madrid*
Escrito por Adriana Miller

Ultimos momentos em Madrid


- A correira nao para… É tanta coisa pra arrumar, pra fazer, pra separar, pra ir buscar, que eu já estou de saco cheio!


- Aparentemente no final tudo vai dar certo… as coisas já estao todas “quase” prontas pra viagem amanha de manha


- Digo “quase” pq fiquei doente esse fim de semana e nao conseguia sair da cama… Entao oque eu tinha pra fazer em 3 dias estou tendo que fazer em uma tarde


Em breve o blog voltará ao normal e com as novidades da terra da Rainha…


*: “Te dejo Madrid”, Shakira


 

Categorias: Vida na Espanha
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22
Aug
2005
Los juguetes rotos, los amantes locos*
Escrito por Adriana Miller

A Lingua espanhola, ah… O espanhol… Também conhecido como Castellano, e que tb compreende o Basco, o Gallego, o Catalan, o Valencian e o Ballear (dialetos oficiais da espanha).

Linga traiçoeira para Luso-fonicos, que acreditam que sabem falar e só sabem passar vergonha (vide, nossos queridos jogadores de futebol…), uma das linguas mais faladas do mundo e em plena expansao.

Expressiva. Dramatica. Passional.

Porém, BREGA!

Sim, brega.

Eu adoro espanhol, nao estou aqui pra falar mal do idioma de ninguem, mas depois de muito estudar, escutar, falar e refletir sobre o assunto, cheguei a essa conclusao. O espanhol é brega.

Pra começar pelas musicas melosas que grudam na cabeça. Principalmente os hits do verao.

Tá bom, tá bom… Se formos analisar a musica brasileira, tb encontramos muitas pérolas, mas eu prefiro ignorar a existencia de pagodinhos, axés e afins.

A diferença é que aqui todo mundo ADORA a musica espanhola. As radios só tocam musica espanhola, as discotecas só tocam musica espanhola, e no metro as pessoas cantarolam musica espanhola. Nas primeiras semanas eu tinha odio mortal de todas, nao entendia nada, e mal conseguia identificar quando acabava uma e começava outra (todas sao terrivelmente parecidas), mas com o tempo vc acaba se acostumando, vai aprendendo a lingua, e quando vê já sabe de cor a letra da musica “La madre de José me esta volviendo loco”.

Só pra ilustrar meu pensamento, alguns exemplos dos hits do verao 2005:


“La Tortura”, Alejandro Sanz:
Oye mi negra no me castigues más
Porque allá afuera sin ti no tengo paz
Yo solo soy un hombre arrepentido
Soy como el ave que vuelve a su nido
 
(Traduzindo: Escute minha preta, nao me castigues mais, porque lá fora sem vc nao tenho paz, só sou um homen arrependido, sou como uma ave que volta ao ninho)


“La Camisa Negra”, Juanes:
Por beber del veneno
malevo de tu amor
yo quede moribundo
y lleno de dolor
respiré de ese humo
amargo de tu adios


(Traduzindo: Por beber o veneno malvado do seu amor, eu fiquei moribundo e cheio de dor, respirei o fumo amargo do seu adeus)


Entre muitas outras que nos brindam com versos poeticos como “Quiero vivir, quiero gritar, quiero correr en libertad, quiero llorar de felicidad”; “No es amor, lo que tu sientes es una obseción, una ilusion en tus pensamientos”; “Me gusta la gasolina, dame mas gasolina, me encanta la gasolina”; “A mover el culo, a mover el culo!”, etc… entre muitas outras…
 
As vezes, quando vc faz uma pequena traduçao, a letra nem é tao escabrosa assim, mas a maneira como ela soa em espanhol é que o problema, e esse é o meu ponto.


Tem certas coisas, que apesar de normais e corriqueiras para os hispano-hablantes, pra nós sao muito engraçadas, e muitas, consequentemente bregas.


Um exemplo classico é o “eu te amo”. Acho que jamais me paixonaria por um espanhol, só pelo simples fato de ser incapaz de virar pra alguem é dizer “Te quiero” sem rolar de rir.

Ou como me sentia ridicula, fim de semana após fim de semana que ligava pras minhas amigas e dizia “vamos bailar”. Ou chamar o trabalho de “curro”, ou uma coisa legal de “chulo”, e assimpor diante. E qualquer discussaozinha te faz sentir como “Carmen Antonia” a estrela de algum folhetin Mexicano, com direito a laquê no cabelo, cilios posticos e unhas vermelhas.


 
* Trecho damusica “El universo sobre mi” de Amaral


 

Categorias: Vida na Espanha
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30
Jun
2005
She said good bye too many times before…*
Escrito por Adriana Miller

Ontem foi o dia mais temido dos ultimos 11 meses. Eu sabia que um dia ia chegar, mas me parecia um futuro tao longiguo, que eu nem pensava nisso.

O problema é que o tempo passa rapido demais. Sempre passa. E como nada dura para sempre, e oque é bom dura pouco, ontem virei a pagina final de um grande momento da minha vida.

Cliches e frases feitas a parte, eu explico.

Ontem foi a festa de despedida dos meus grandes amigos. Alguns já tinham ido antes, outros ainda ficam um tempinho mais, mas ontem foi literamente uma debandada, e as pessoas que partiram eram sem sombra alguma de duvida, as mais importantes.

  

Quando eu vim pra cá, e durante todo o tempo que eu planejei a vinda pra espanha, o mestrado etc, eu nunca nem poderia imaginar as pessoas tao maravilhosas que eu encontrei aqui, e nem no meu mais wildest dream eu sonhava em viver tudo que vivi e ser tao feliz quanto fui todo esse tempo.

  

Esse meu estado de graça tem varios motivos, uma conspiraçao galatica extrememtante feliz, uma conjugaçao de fatores que fez com que tudo fosse dando certo, e muito certo.

Sem duvida um dos pontos fundamentais foi ter conhecido as pessoas certas nos momentos certos.

  

Os amigos que conquistei aqui foram os melhores companheiros que eu podia pedir pra compartilhar a maravilha que foi toda essa experiencia.

Aqui eles foram meus companheiros, amigos de verdade. Minha familia, minha bebida, minha comida, meu ar. Assim como eu pra eles, e todos por todos. Aqui formamos uma comunidade e niguem era “yo”, mas todos eramos “nosotros”. O pensamento era sempre coletivo. A feliciadade era compartilhada irmamente, assim como a dor e as dificuldades.

Eles cuidaram de mim, e eu cuidei deles.

Eles me amaram, e eu amei eles.

  

Agora ficou a promessa dos reencontros futuros, que sinceramente nao acho que será dificil de virar realidade, mas nunca, jamais, será a mesma coisa.

  

Viajar o mundo, conhecer pessoas diferentes, é uma coisa maravilhosa, mas nada vem de graça, e nesse caso o preço que se paga é que um dia vc tem que se despedir de todas as pessoas que vc conheceu.

  

Ontem eu chorei até nao poder mais… soluçei de verdade, como ha muito tempo nao fazia. Mas pensando bem, eu nao consigo ficar triste.

Sou uma otimista irrmediavel, nao tem jeito. Memso quando me estestelo de cara no fundo do poço eu vejo o lado positivo. Sou dessas pessoas irritantes que sempre estao tentando convercer os outros de como a vida é boa. E acho que é por isso que a minha vida é tao boa. Eu faço ela ser assim.

Entao como poderia ficar triste, mesmo depois de todas essas despedidas?

Voltando pra casa ontem, caminhando pela Calle Fuencarral, olhando a lua e só conseguia pensar: OBRIGADA!! Por tudo. Pela vida, pela experiencia, pela oportunidade e pelas pessoas.

  

Outros amigos virao; outras situaçoes, outras experiencias virao. Cada um terá seu papel importante, sua contribuiçao.

  

Sabado estou saindo de ferias, por 2 semanas, e com certeza isso vai ajudar bastante a me adptar a nova “realidade”. E com certeza agora a expectativa em relaçao ao novo rumo e novo futuro estao cada mais mais aguçadas. Espero poder compartilhar as boas novas muito em breve.

  

  

*musica “This Love”, Maroon Five, que eu simplesmente adoro, e já ouvi tanto que até enjoei do cd.

E realmente eu já dei adeus vezes demais na minha vida. Já tive que deixar pra tras, e já fui deixada pra tras por pessoas muito importantes. Cada despedida é uma nova fase que começa.

Já passei por isso tantas vezes, e sei que ainda tenho muitos outros me aguardando vida afora.

Quando sai de Portugal aos 15 anos, me rasgando de desespero, uma amiga me deu um bilhetinho, um papel enrroladinho, meio sujo, meio amassado que dizia “Uma despedida nao é um ponto final… e sim uma virgula”. Tenho esse bilhetinho guardado até hj, e acho que ela nao tem nem ideia de como esse gesto tao simples e inocente mudou tanto a minha vida.

 

Categorias: Dia a dia, Vida na Espanha, Vida no Exterior
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20
Jun
2005
Isso aqui é um pouquinho de Brasil
Escrito por Adriana Miller

A festa sabado foi muuuuuuuuuuito legal!!!!!!!!!!!!
Eu imaginava que seria animada e tal, até porque o Carlito Marrón faz muito sucesso aqui, mas nunca imaginei que fosse tanto!!!

A festa começou na casa de um amigo que mora perto da Plaza Castilla, lugar onde seria a “concentraçao” dos trios. Como aqui o esquema da festa ia ser diferente, sem abadá nem nada disso, eu dei a ideia de fazermos todos uma roupa igual, inventar nosso proprio abadá, escrever algumas coisas e tal…. expliquei pra eles como é que funcionam as micaretas no Brasil e todos adoraram a ideia!!


Plaza Castilla bombando!!

Quando cehgamos lá foi aquele aperto!!! Um empurra empurra, um sufoco horrivel…. metados dos meus amigos queriam ir embora… NAO!!!!!!!! Vcs tem que aguentar!! vamos tentar chegar lá na frente!!!
Quando chegamos nem dava pra acreditar o tamanho e a energia da festa, e quantidade de gente que estava lá… Eu já sabia que o Brasil é a ultima moda, e nao é de hoje, mas aquilo lá estava impressionante… Colocou no chinelo qualquer outra micareta que ja fui na vida… nivel de Carnaval de Salvador… Quem já foi, e gosta, sabe oque eu estou falando….

Chega de falar!!! Uma imagem vale mais que 1000 palavras!!!


Depois dessa festa, metade dos meus amigos já estao com a passagem marcada pra conhecer o Brasil, e todos voltaram pra casa cantando “Agua mineral, agua mineral, agua mineral”… Hehehehehe

Cobertura completa!!!

 

Categorias: Party, Vida na Espanha
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17
Jun
2005
CarnaMadrid
Escrito por Adriana Miller

Antes tarde oque nunca¿. O carnaval esta atrasado em apenas 4 meses, mas acho que vai valer a penater esperado!

Esse fim de semana, quer dizer, amanha tem CarnaMadrid, uma “micareta” do Carlinhos Brown e Timbalada.

Eu nao sou muito fã de nenhum deles, mas é incrivel o sucesso que esse cara faz aqui na Espanha!! Nao tem uma pessoa que nao entoe a praga to “te te te te te” da musica dele…. foi a musica do verao, do outono, do inverno, da primavera…. Nao sei como esse povo nao cansa… Nao tem uma noite que vc nao ouça essa musica pelo menos umas 2 vezes… mas enfim….

Voltando ao assunto:

Amanha as 19:00 o Carlinhos Brown, a Timbalada e seus trios vai fechar o Paseo de la Castellana, simplesmente uma das maiores e principais avenidas de Madrid.

Claro que nao dá pra comparar com nenhuma micareta verdadeira, e com o original de Salvador entao nem se fala, mas a coisa esta sendo panejada de uma maneira TAO mega, que até da frio na barriga… Eu li no jornal hj que estao esperando mais de um milhao de pessoas amanha.

E oque importa mesmo é que o povo aqui ta MUITO empolgado!! Hj o dia todo foi um tal de enviar e receber arquivos de musica pela internet, e as perguntas “vc vai?” “vai concentrar aonde?” faziam parte da conversa de no minimo 99,99% das pessoas que eu conheço!!

  

Meu amigos vao fazer uma pre fiesta ante de ir pra Castellana, onde vamos preparar nossos “abadás” e eu vou tentar ensinar algumas musicas pra eles.

  

Hj eu passei o dia todo trabalhando de fone de ouvido me chaqualhando na cadeira e tentando explicar pra um holandes oque significam as letras das musicas da Margareth Menezes!!! Hahahaahha! Nem eu sei qoue ela fala!!

  

Estou empolgadissima pra ver como vai ser essa festona do carnaval madrileño!!!

Logicamente depois conto como foi com direito a fotos e tudo mais!!

  

EU QUERO UMA LATINHA TRANSBORDANDO VOCÊ!!!!!

 

Categorias: Party, Vida na Espanha
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15
Jun
2005
Diversidade
Escrito por Adriana Miller

Um dos principias pontos que eu vejo que realmente a vida na espanha é diferente da vida no Brasil e em Portugal, é a aceitaçao dos homosexuais, e “diferentes” em geral.

Nao que em outros lugares nao exista, mas realmente estao muito mais disfarçados.

Nao tenho nada contra, cada qual com seu cada um, e aceito numa boa. Mas na verdade é que isso nunca tinha feito parte da minha vida, até vir morar aqui;

No dia que cheguei no meu (ex) apartamento me deparei com meus roomates: uma casal de gays. Morri de rir da situaçao e contei pra todo mundo achando aquilo o maximo, e me espantei quando vi o susto que meu pai levou (pa achou que ei iria morar num ambiente de depravaçao) e minha avó caiu em prantos. Mas isso foi um caso a parte, porque a convivencia acabou nao sendo nada pacifica, e nao teve nada a ver com a opçao sexual deles.

  

Quando mudei de apartamento, um dos atuais compañeros de piso (o unico homem do apto) tb é gay. E pouco a pouco, fui vendo que 90% dos meus amigos dividem a aptos com homosexuais.

Quando comecei a trabalhar na IBM, tb vi a quantidade de homosexuais assumidissimos temos trabalhando aqui (coisa inimaginavel nas outras empresas que eu tinha trabalhado no Brasil), desde faxina até os cargos de alta gerencia.

A espanha nesse ponto, é muito aberta. A cena mais comum no metro, por exemplo, é ver um casal gay dividindo os assentos com uma casal de velhinhos que parecem ter acabado de sair das paginas do “Don Quijote de la Mancha”, e um nao está nem aí pra existencia do outro. As pessoas nao se mostram incomodadas de ver homens (ou mulheres) se beijando ou trocando gestos de carinho em publico.

  

A verdade é que aqui, as pessoas parecem ser muito mais assumidas doque oque seria normal num pais latino, inclusive o parlamento espanhol aprovou o casamento legal para casais do mesmo sexo.

  

E já passei por situaçoes muito engraçadas com meus amigos gays, que nunca tinha imaginado… Coisas como dar “dicas e conselhos” a um americano que estudava comigo, super novinho, e acho que só resolveu sair do armario quando chegou aqui e se viu livre das amarras de quem vive nos suburbios de Masachussets, mas que apesar de ser “gay to the bone”, nao tinha a menor ideia de como agir, ou oque fazer. Ou passar horas e horas debatendo sobre as pernas dos jogadores de futebol do Real Madrid com meu roommate. Ou ser uma boneca “Barbie” na mao do roommate de um amigo que é disgner de roupas e resolver me vestir, pentear e maquilhar, assim de brincadeira, junto com seu namorado, antes de uma festa….

  

Mas porque eu estou falando sobre isso? Vou me assumir?!?!? HAHAHAHA

Nao, é que esse mes é o “IBM Diversity month” na IBM mundial.

  

O predio esta todo enfeitado com as cores do arcoiris, e cheio de cartazes promovendo eventos e o pride Parede de Madrid (sabado, 25 de junho).

Achei isso uma iniciativa muito legal, e que deixa todo mundo ainda mais a vontade. Até porque a IBM tem um ambiente de trabalho super liberal e flexivel, aqui cada um faz seu horario (dentro dos limites da logica e do bom senso claro), se veste como quer e faz oque quer. Cor, credo, raça etc sao coisas que praticamente nao existem aqui dentro. Tem gente do mundo todo trabalhando aqui; tem gente que trabalha de 8 as 4 (como eu fazia durante o mestrado) e gente que trabalha de 12 às 21 (tipo… na boa, nao gosto de acordar cedo), gente que vem trabalhar de terno e gravata, e gente que vem trabalhar de chinelo e bermudao… Tem de todo tipo, pra todos os gostos.

Entao achei bem legal essa coisa de fazer um mes especial onde se comemora tudo isso, nao só sua opçao sexual, mas tambem suas opçoes na vida.

E nenhum lugar melhor pra fazer isso, que em Madrid.

 

Categorias: Bobagens, Vida na Espanha
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14
Jun
2005
El Rastro
Escrito por Adriana Miller

Um dos pontos classicos de Madrid é o mercado do El Rastro todos os domingos e feriados de manha.

O mercado ocupa uma area enorme, numa avenida que cruza 3 bairros inteiros.

Lá se pode encontrar de absolutamente tudo!! Tanto em termos de compras, quanto de tipos de gente. Mesmo que vc nao esteja precisando de nada, ou esteja sem dinheiro mesmo, se vem a Madrid e passar um domingo aqui, passe no Rastro nem que seja só pra fazer um pouco de people watching… Lá vc vai encontrar familias inteiras, velhinhos, pre adolescentes, hippies, Hare Krishinas (é assim que se escreve?!), MUITOS turistas do mundo todo (provavelmente vc ouvirá linguas que nem sonhava que existiam), alternativos em geral, artistas de rua, etc…

O mercado via descendo a avenida, mas nas ruazinhas adjacentes é que esta o verdadeiro mercado artesao. Tem a rua dos pintores, a rua dos couros, a rua dos moveis, a rua das flores, etc. A coisa mais facil é se perder por lá, e a mais dificil é conseguir ver tudo.

Diz a lenda que o rastro já foi um mercado muito bom, onde realmente valia a pena comprar coisas, e onde tudo era verdadeiramente artesania espanhola. Agora é simplesmente um mercado. Tem desde pintores talentosissimos e artistas em geral, até CD e camiseta da seleçao brasileira falsificada.

Eu gosto de ir pra lá pra passear, mas se vc quieser ir com o intuito de realmente comprar algo, se prepare! As barraquinhas vao se enfileirando, criando um verdadeiro labirinto de gente e coisas, misturado com os vendedores que abrem sua tenda no meio da rua, alguma cigana se oferecendo pra ler sua mao, e turistas perdidos como eu, que vao pra lá atrapalhar os que realmente estao procurando algo… Além de que, como o Rastro virou um point turistico, o preço já nao esta tao camarada assim… Nunca compre nada antes de pexinchar MUITO, ser chingado e chingar umas 3 vezes, ameaçar ir embora e depois voltar, etc, até vcs chegarem num acordo. Quando comparado com outras capitais europeias, o Rastro pode ser uma verdadeira barganha, mas a verdade é que em relaçao a Madrid, já nao vale tao apena assim, a nao ser pra aquelas coisinhas que vc sabe que só vai encontrar por lá…

Mas sempre se encontra algo que vale a pena, e mesmo que vc nao tenha ido pra comprar nada, no final vc vai voltar pra casa com uma sacolinha na mao…!

  

  

Um outro ponto muito importante é que agora o El Rastro tb virou sinonimo de antro para ladroes e oportunistas em geral. MUITO cuidado com a carteira, bolsa, celular, ou qualquer outra coisa que possa ser roubada, e por supuesto revendida depois. Mas se mesmo assim vc for roubado, é só voltar lá no domingo seguinte, pq vc provavelmente encontrará seus pertences por lá. Alguem já viu essa historia antes?! Pois é…

  

Dependendo de onde vc começar o El Rastro, o final será em algum ponto das inumeras ruas do bairro da La Latina, tipico bairro boemio de bares de tapas y cañas. Parada obrigatoria para repor as energias perdidas subindo e descendo as ruas do mercado; Ou se vc estiver com pressa, nada melhor que um Kebab em alguma das centenas de milhares de lojinhas turcas espalhadas pelo centro da cidade.

  

El Rastro:

  

- Domingos e feriados, das 9:00 até as 14:00

- Minha sugestao de ruta: desça na estaçao de metro “Tirso de Molina” (nao se assuste com a quantidade de bebados e vagabundos em geral nessa inofensiva praçinha), e ao sair da boca do metro, vc já vai ver de longe a aglomeraçao de pessoas e barraquinhas. Daí pra frente siga por onde vc quiser…

- Quando chegar lá em baixo, na Puerta de Toledo siga as indicaçoes para La Latina, e depois é só escolher qual Terraza vc quer sentar pra tomar uma sangria ou tinto de verano (meu preferido!) acompanhado de um pincho de tortilla.

 

Categorias: Vida na Espanha
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13
Jun
2005
Mais un finde Madrileño
Escrito por Adriana Miller

Os fins de semana por aqui nunca foram ruins, mas durante o inverno as atividades ficam um tanto quanto restringidos a lugares fechados, e os programas sao sempre mais ou menos os mesmos, até que chega num ponto que vc quase nao aguenta mais, e que por mais que sempre se divirta, acaba se cansando um pouco da rotina.

Mas quando começa o verao, tudo muda de figura, e nao ha ser humano que nao seja afetado pelos ares de primavera.

Pra começar o finde, um amigo tinha arranjado entradas vips para a Kapital, que é a maior discoteca de Madrid, e esta entre as maiores da europa. Eu já tinha ido lá outras vezes, mas ha muuuuuito tempo que nao botava meus pezinhos por lá, devido ao altissimo preço cobrado. Mas de graça, já sabe né…

Pagando ou nao, o lugar é sensacional: Sao 7 andares de discoteca, eles ocupam um predio inteiro, tem até mapinha de locazaçao do tipo “voce esta aqui” e elevador; 5 pistas de dança, um Karaoke bar, uma sala cheia de joguinhos tipo play station, e um bar/loung no terraço com a vista do parque do Retiro. Uma das grandes vantagens da Kapital, é que é impossivel nao se divertir, já que sempre, em alguma pista, vai estar tocando algo que te agrade. Mas isso tb pode ser uma desvantagem, pq fica todo mundo tao frenetico e impaciente querendo trocar de pista o tempo todo, que quando vc se dá conta, esta perdido, pq cada um se meteu num canto…

  

No sabado, como estava planejado: PISCINA!!! Geramente essas piscinas publicas tem um aspecto um tanto quanto asquerosos (nao que sejam sujas, mas o nojo esta na minha cabeça mesmo, imaginando todas as bacterias, e as crianças que fazem xixi na agua), mas descubrimos uma muito legal, enoooorme dentro do um parque no sul da cidade. Fomos prá lá bem cedo e ficamos a tarde toda, lagartixando no sol. E pagando mico na piscina. Cheio de crianças e pré adolescentes, e nós, os marmanjos, levando bronca dos salva vidas.

A noite foi a festa de despedida da Salla, a finlandesa mais fofa do mundo. No clima de primavera, resolvemos transferir a festa que seria na casa dela (que virou um forno com a mudança de estaçao!) para o parque do Templo de Debod. Dexenas e dezenas de pessoas espalhadas pelo parque, aproveitando a brisa, conversando, bebendo se divertindo. Tirando o fato que estava um certo clima de despedida no ar, a Salla chorando até nao poder mais, a festinha foi bem legal. Uma coisa meio “luau” só que sem praia, por razoes obvias, e que terminou com um gigante sleep over de todas as meninas na casa da Salla. Me senti tao teenager…

  

O domingo começou com comprinhas no mercado do El Rastro (ainda tenho que falar desse mercado aqui no blog), e depois, logico, mais piscina. O dia todo, que nem um frango assado dourando de um lado, depois outro…. E fechamos o dia com chave de ouro, jantando num restaurante chines muito bom na Plaza de España.

P.S.: Ainda nao me acostumei com esse horario de verao, que fica sol até as 11 da noite e amanhece as 4 da matina… e a noite toda fica só meio rosa… nao é escuridao breu mais… muito esquisito jantar com o sol brilhando. Mas em compensaçao, só sai da piscina as 9 da noite!

 

Categorias: Dia a dia, Party, Vida na Espanha
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08
Jun
2005
Tauromaquia en España: A cultura dos Toros e Toreros
Escrito por Adriana Miller

Recém cegada de uma viagem ao sul da Espanha, alguns pontos da cultura dessa regiao ficaram mais marcadas na minha memoria. A Andaluzia nao é a regiao mais rica, nem mais poderosa nem mais influente na Espanha atual, mas quase todos os “estereotipos” que identificam o povo espanhol tiveram origem nessa parte do país. Tópicos como as Touradas, o Flamenco, o Gazpacho, o calor ardente, as castanholas, etc… sao na verdade, antes de serem espanholas, cultura Andaluza.


Plaza de Sevilla

As touradas, ou Corrida de Toros sao pratica muito comum em todo territorio, mas teve sua origem indiscutivelmente no sul do pais. Quase todas as festas populares da Espanha envolvem de alguma maneira o ritual (por exemplo, a mais famosa de todas, San Fermin em Pamplona), e apesar da controversia mundial e nacional, os espanhois (mesmo os que sao contra a pratica) de alguma forma defendem a Tauromaquia como uma forma explicita da cultura espanhola, e sua aboliçao seria renegar e apagar um pouco de uma cultura tao rica.

Para os espanhois ser Torero Matador é sinonimo de valentia e bravura, o ponto maximo que pode chegar o Macho Iberico, e sao tratados como celebridades nacionais de primeira linha; mais que muitos atores e jogadores de futebol, e seu estilo de vida é mais ou menos o mesmo… Namoram modelos e apresentadoras de tv, perticipam de jartar com a familia Real, estao sempre em festas badaladissimas, etc. E ganham MUITO, mas muito dinheiro!

O espetáculo da-se numa Plaza de Toros (Praça de Touros). Na Arena. Algo parecido a um campo de futebol, porém com outras características. Neste lugar, as pessoas se sentam em arquibancadas (Tendidos) para assistirem a tourada (Corrida). Em todas as corridas o toro sai sacrificado (e em algumas outras – porém poucas – o torero tambem).
Inicia-se com a solta do touro na arena, onde se dará a primeira das três fases da corrida, que são chamadas de Tercios. Na primeira etapa, denominada de Tercio de Varas, o matador enfrenta o touro com uma capa vermelha, o qual é ajudado pelos Peones, seus assistentes, os quais buscam levar o touro para ser perfurado pelo Picador (cavaleiro com lança), este monta um cavalo todo protegido contra as centenas de chifradas que o touro manifesta. Assim que o picador dá as suas estocadas no touro, enfraquecendo os seus músculos, inicia-se a segunda etapa, o Tercio de Banderillas. Onde os banderilleros enfiam as banderillas (dardos afiados) nas costas do touro provocando ainda mais o touro e debilitando este também. A terceira e última etapa, Tercio de Muleta, o toureiro faz o espetáculo ficar bem bonito, com os gritos da platéia de olé-olé, ele usa a Muleta (capa) fazendo passes para que o touro fique cada vez mais cansado, e tira os suspiros da torcida. As vezes, os toureiros perdem a vida neste tão perigoso tercio. Como foi o caso de Manolete, um dos maiores matadores que já existiu. Morreu em 1947 ferido pelo touro Islero em Linares, Jaén. E tantos outros toureiros. Enfim, depois de tantos passes, gritos de olé, o matador se prepara para dar a estocada final. Com um movimento da muleta e a aproximação do touro, este enfia toda a sua espada fazendo o touro cair. É o final do espetáculo. Caso o touro não chegue a morrer com essa estocada. Rapidamente ele é sacrificado, para não ocorrer o sofrimento do animal. Com o termino da festa, vem uma carroça, com cavalos todos enfeitados e faz o arrastre de toros (tiram o touro morto da arena).

Não poderia deixar de falar que, quando no tendido (arquibancada) as pessoas acenam com lenços brancos, é em sinônimo da glória do toureiro. Ou seja, como ele está indo bem na arena. E no final da corrida, o juiz dirá se o toureiro terá o direito de tirar uma ou as duas orelhas do touro morto. E se ele for realmente um torero excepcional, ele tb ganha o rabo do toro (premio maximo!)

As duas mais famosas Plaza de Toros de Espanha são Las Ventas (em Madrid) e La Maestranza (em Sevilha). Tourear em uma dessas duas praças, é algo para os melhores matadores do mundo taurino.

Curiosidades da Taurimaquia:

- Até uns 20 anos atras os cavalos dos Picadores nao tinham nenhuma proteçao contra as chifradas do Toro, entao em cada corrida, morriam em media 25 cavalos. Porque todo mundo fica tao horrorizado com a morte do Toro e ninguem fala nada sobre os pobres cavalinhos…?!

- Um toro que foge do Torero e pula o muro da arena, é considerado um mau touro, medroso, e o torero pode exigir que troquem de toro, e o animal pode vir a ser sacrificado por isso.

- Um touro é um animal que tem no minimo 4 anos de vida (antes disso ele é um novillo) e pesa em media 700 kilos. Ha 100 anos atras os touros pesavam em media 400 kilos.

- O touro que matou Manolete (o Toureiro mais famoso da espanha e que morreu jovem) foi obviamente sacrificado, mas o seu dono, se sentindo culpado, tb matou a vaca que era sua mae (parece que estou chingando alguem né?!) para impedir que ela desse a luz a outros assassinos. Sua cabeça esta exposta no museu da Plaza de Sevilla.

A cabeça da Vaca mae

- Os Toreros sao submetidos a rigorosos controles de peso e altura, e devem seguir a um padrao estetico especifico para poderem usar as roupas tipicas do espetaculo.

Traje y Mantilla

- A santa protetora do Toreiros á a Virgem de la Macarena (eu e a Milagros começamos a dançar a “macarena” quando a guia disse isso, mas ela nao gostou muito da brincadeira, e os outros turistas morreram de rir! Aposto que todo mundo pensou a mesma coisa!) e apesar de nao terem uma padroeira, todos entoam a mesma oraçao.

- Cada corrida é composta de 6 atos, com 3 toreros e 6 toros. Cada torero mata 2 toros por corrida.

- A portinha por onde saem os toros na arena fica exatamente de frenta pro camarote do Rei.

- Já perguntei pra varias pessoas, mas ninguem sabe oque fazem com a carne do touro morto…

 

 

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