19 Aug 2008
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Paella

Trabalho, Vida na Espanha

Depois de um looooongo dia de entrevistas, que serviu de inspiracao pro post anterior, voltei pro hotel pra trabalhar mais um pouco. O problema com essas viagens todas eh que meu “day job” fica se acumulando, e quando volto encontro aquele caos…

Mas como em Agosto a Espanha para (todo mundo tira ferias ao mesmo tempo), e os poucos que sobram trabalham no horario de verao (ou seja, durante o inverno as pessoas trabalham meia hora a mais por dia, e depois no verao, trabalham 2 horas MENOS por dia, por umas 8 semanas…), as 4 da tarde eu estava liberada.

Mas como Espanhol nenhum que se preze dispensa um belo de um almoco (independente de trabalhar menos horas por dia ou nao), o diretor me levou pra comer um paella sensacional!

 

Entao, como ainda estava um pouco atolada de comida, resolvi dar uma voltinha no centro, pra matar hora. Big mistake! Eu jah fico meio perdida nas lojas espanholas, e quando estao em rebajas entao, perco a nocao. Mas como essas viagens teem me saido muito caras ultimamente, me segurei.

Amanha tenho mais um batalhao de entrevistas, mas dessa vez nao estou tao estressada quanto da outra vez, pois o projeto esta chegando ao final (espero eu) e as coisas estao comecando a se encaixar.

Dessa vez, como vamos juntar duas empresas, varios departamentos e vagas estao sendo criados, o que significa que os funcionarios terao varias novas oportunidades. E estou empenhada em ajudar!!

Uma coisa que me deixa muito frustrada aqui na Espanha, eh como o mercado eh injusto, desigual e racista. E foi justamente isso que pesou muito na minha decisao de ir embora, ha 3 anos atras.

Me sinto um pouco impotente ao entrevistar varias pessoas com mestrado, doutorado, que falam varias linguas, mas que nao tem oportunidades, simplesmente por serem estrangeiras.

Depois de ficar um tempo batendo papo com uma das meninas do call center, uma Mexicana, formada pela universidade da cidade do Mexico, com mestrado, e um doutorado (da Universidade Complutense de Madrid) e que se mudou pra Espanha por ter casado com um espanhol, e ha 8 anos ela trabalha em telemarketing. Simplesmente nao consegue nada melhor, apesar de ter todas as qualificacoes do mundo, ser super inteligente e simpatica. Depois da entrevista virei pro Diretor e falei “acho que devemos tranferir a fulana pra um dos novos postos em financas”, e ele que eh espanhol, quase caiu da cadeira.

Mas por mais que virar assistente de contabilidade nao seja o emprego dos sonhos dela, pelo menos isso pode ser o passo que ela precisava dar pra conseguir ter a carreira que ela sonhava (e que provavelmente teria se tivesse ficado no Mexico) quando recebeu o diploma do seu doutorado em financas.

Entrevista apos entrevista, aquela lista interminavel de “Mil-Euristas” conformados… (giria espanhola pra funcionarios qualificados mas que estao estagnados em empregos que pagam Mil Euros por mes).

Se vai dar certo nao sei, mas a funcao do RH eh justamente essa. Por mais que a decisao nao seja nossa, o papel do RH eh analisar e fazer recomendacoes.

Ela foi logo a primeira do dia, e surprise, surprise, todas as estrangeiras que trabalhavam no call center tinham excelentes qualificacoes, entao comecei a perguntar oque elas gostariam de fazer em seu “emprego dos sonhos”, comecei a contar das posicoes novas, as novas oportunidades, tentando analisar onde poderia encaixar os funcionarios atuais em algumas das posicoes novas. O Diretor espanhol quase teve um infarto, mas quando finalmente entrou um espanhol da gema, que trabalha em informatica, e nos contou que ele abandonou a unversidade pq repetiu materias demais, que na verdade ele nao gostava do emprego mas que o salario era razoavel, que sei lah oque era chato, que nao sei oque lah era um saco… Tipo assim, meu filho, cala a boca! Nao estrague suas changes de no minimo manter seu emprego! Ai o diretor se convenceu, que realmente as operadoras eram o melhor “materia prima” da empresa.

Vamos ver, vamos ver. Na verdade eu nao decido nada, mas sei que posso fazer boas recomendacoes, e isso pode mudar muita coisa.

Mas agora tenho que terminar de escrever uns contratos e responder uns e-mails…

 

Adriana Miller
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03 Sep 2005
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Ay me voy otra vez, ay te dejo Madrid*

Vida na Espanha

Ultimos momentos em Madrid


– A correira nao para… É tanta coisa pra arrumar, pra fazer, pra separar, pra ir buscar, que eu já estou de saco cheio!


– Aparentemente no final tudo vai dar certo… as coisas já estao todas “quase” prontas pra viagem amanha de manha


– Digo “quase” pq fiquei doente esse fim de semana e nao conseguia sair da cama… Entao oque eu tinha pra fazer em 3 dias estou tendo que fazer em uma tarde


Em breve o blog voltará ao normal e com as novidades da terra da Rainha…


*: “Te dejo Madrid”, Shakira


 

Adriana Miller
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22 Aug 2005
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Los juguetes rotos, los amantes locos*

Vida na Espanha

A Lingua espanhola, ah… O espanhol… Também conhecido como Castellano, e que tb compreende o Basco, o Gallego, o Catalan, o Valencian e o Ballear (dialetos oficiais da espanha).

Linga traiçoeira para Luso-fonicos, que acreditam que sabem falar e só sabem passar vergonha (vide, nossos queridos jogadores de futebol…), uma das linguas mais faladas do mundo e em plena expansao.

Expressiva. Dramatica. Passional.

Porém, BREGA!

Sim, brega.

Eu adoro espanhol, nao estou aqui pra falar mal do idioma de ninguem, mas depois de muito estudar, escutar, falar e refletir sobre o assunto, cheguei a essa conclusao. O espanhol é brega.

Pra começar pelas musicas melosas que grudam na cabeça. Principalmente os hits do verao.

Tá bom, tá bom… Se formos analisar a musica brasileira, tb encontramos muitas pérolas, mas eu prefiro ignorar a existencia de pagodinhos, axés e afins.

A diferença é que aqui todo mundo ADORA a musica espanhola. As radios só tocam musica espanhola, as discotecas só tocam musica espanhola, e no metro as pessoas cantarolam musica espanhola. Nas primeiras semanas eu tinha odio mortal de todas, nao entendia nada, e mal conseguia identificar quando acabava uma e começava outra (todas sao terrivelmente parecidas), mas com o tempo vc acaba se acostumando, vai aprendendo a lingua, e quando vê já sabe de cor a letra da musica “La madre de José me esta volviendo loco”.

Só pra ilustrar meu pensamento, alguns exemplos dos hits do verao 2005:


“La Tortura”, Alejandro Sanz:
Oye mi negra no me castigues más
Porque allá afuera sin ti no tengo paz
Yo solo soy un hombre arrepentido
Soy como el ave que vuelve a su nido
 
(Traduzindo: Escute minha preta, nao me castigues mais, porque lá fora sem vc nao tenho paz, só sou um homen arrependido, sou como uma ave que volta ao ninho)


“La Camisa Negra”, Juanes:
Por beber del veneno
malevo de tu amor
yo quede moribundo
y lleno de dolor
respiré de ese humo
amargo de tu adios


(Traduzindo: Por beber o veneno malvado do seu amor, eu fiquei moribundo e cheio de dor, respirei o fumo amargo do seu adeus)


Entre muitas outras que nos brindam com versos poeticos como “Quiero vivir, quiero gritar, quiero correr en libertad, quiero llorar de felicidad”; “No es amor, lo que tu sientes es una obseción, una ilusion en tus pensamientos”; “Me gusta la gasolina, dame mas gasolina, me encanta la gasolina”; “A mover el culo, a mover el culo!”, etc… entre muitas outras…
 
As vezes, quando vc faz uma pequena traduçao, a letra nem é tao escabrosa assim, mas a maneira como ela soa em espanhol é que o problema, e esse é o meu ponto.


Tem certas coisas, que apesar de normais e corriqueiras para os hispano-hablantes, pra nós sao muito engraçadas, e muitas, consequentemente bregas.


Um exemplo classico é o “eu te amo”. Acho que jamais me paixonaria por um espanhol, só pelo simples fato de ser incapaz de virar pra alguem é dizer “Te quiero” sem rolar de rir.

Ou como me sentia ridicula, fim de semana após fim de semana que ligava pras minhas amigas e dizia “vamos bailar”. Ou chamar o trabalho de “curro”, ou uma coisa legal de “chulo”, e assimpor diante. E qualquer discussaozinha te faz sentir como “Carmen Antonia” a estrela de algum folhetin Mexicano, com direito a laquê no cabelo, cilios posticos e unhas vermelhas.


 
* Trecho damusica “El universo sobre mi” de Amaral


 

Adriana Miller
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30 Jun 2005
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She said good bye too many times before…*

Dia a dia, Vida na Espanha, Vida no Exterior

Ontem foi o dia mais temido dos ultimos 11 meses. Eu sabia que um dia ia chegar, mas me parecia um futuro tao longiguo, que eu nem pensava nisso.

O problema é que o tempo passa rapido demais. Sempre passa. E como nada dura para sempre, e oque é bom dura pouco, ontem virei a pagina final de um grande momento da minha vida.

Cliches e frases feitas a parte, eu explico.

Ontem foi a festa de despedida dos meus grandes amigos. Alguns já tinham ido antes, outros ainda ficam um tempinho mais, mas ontem foi literamente uma debandada, e as pessoas que partiram eram sem sombra alguma de duvida, as mais importantes.

  

Quando eu vim pra cá, e durante todo o tempo que eu planejei a vinda pra espanha, o mestrado etc, eu nunca nem poderia imaginar as pessoas tao maravilhosas que eu encontrei aqui, e nem no meu mais wildest dream eu sonhava em viver tudo que vivi e ser tao feliz quanto fui todo esse tempo.

  

Esse meu estado de graça tem varios motivos, uma conspiraçao galatica extrememtante feliz, uma conjugaçao de fatores que fez com que tudo fosse dando certo, e muito certo.

Sem duvida um dos pontos fundamentais foi ter conhecido as pessoas certas nos momentos certos.

  

Os amigos que conquistei aqui foram os melhores companheiros que eu podia pedir pra compartilhar a maravilha que foi toda essa experiencia.

Aqui eles foram meus companheiros, amigos de verdade. Minha familia, minha bebida, minha comida, meu ar. Assim como eu pra eles, e todos por todos. Aqui formamos uma comunidade e niguem era “yo”, mas todos eramos “nosotros”. O pensamento era sempre coletivo. A feliciadade era compartilhada irmamente, assim como a dor e as dificuldades.

Eles cuidaram de mim, e eu cuidei deles.

Eles me amaram, e eu amei eles.

  

Agora ficou a promessa dos reencontros futuros, que sinceramente nao acho que será dificil de virar realidade, mas nunca, jamais, será a mesma coisa.

  

Viajar o mundo, conhecer pessoas diferentes, é uma coisa maravilhosa, mas nada vem de graça, e nesse caso o preço que se paga é que um dia vc tem que se despedir de todas as pessoas que vc conheceu.

  

Ontem eu chorei até nao poder mais… soluçei de verdade, como ha muito tempo nao fazia. Mas pensando bem, eu nao consigo ficar triste.

Sou uma otimista irrmediavel, nao tem jeito. Memso quando me estestelo de cara no fundo do poço eu vejo o lado positivo. Sou dessas pessoas irritantes que sempre estao tentando convercer os outros de como a vida é boa. E acho que é por isso que a minha vida é tao boa. Eu faço ela ser assim.

Entao como poderia ficar triste, mesmo depois de todas essas despedidas?

Voltando pra casa ontem, caminhando pela Calle Fuencarral, olhando a lua e só conseguia pensar: OBRIGADA!! Por tudo. Pela vida, pela experiencia, pela oportunidade e pelas pessoas.

  

Outros amigos virao; outras situaçoes, outras experiencias virao. Cada um terá seu papel importante, sua contribuiçao.

  

Sabado estou saindo de ferias, por 2 semanas, e com certeza isso vai ajudar bastante a me adptar a nova “realidade”. E com certeza agora a expectativa em relaçao ao novo rumo e novo futuro estao cada mais mais aguçadas. Espero poder compartilhar as boas novas muito em breve.

  

  

*musica “This Love”, Maroon Five, que eu simplesmente adoro, e já ouvi tanto que até enjoei do cd.

E realmente eu já dei adeus vezes demais na minha vida. Já tive que deixar pra tras, e já fui deixada pra tras por pessoas muito importantes. Cada despedida é uma nova fase que começa.

Já passei por isso tantas vezes, e sei que ainda tenho muitos outros me aguardando vida afora.

Quando sai de Portugal aos 15 anos, me rasgando de desespero, uma amiga me deu um bilhetinho, um papel enrroladinho, meio sujo, meio amassado que dizia “Uma despedida nao é um ponto final… e sim uma virgula”. Tenho esse bilhetinho guardado até hj, e acho que ela nao tem nem ideia de como esse gesto tao simples e inocente mudou tanto a minha vida.

 

Adriana Miller
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20 Jun 2005
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Isso aqui é um pouquinho de Brasil

Vida na Espanha

A festa sabado foi muuuuuuuuuuito legal!!!!!!!!!!!!
Eu imaginava que seria animada e tal, até porque o Carlito Marrón faz muito sucesso aqui, mas nunca imaginei que fosse tanto!!!

A festa começou na casa de um amigo que mora perto da Plaza Castilla, lugar onde seria a “concentraçao” dos trios. Como aqui o esquema da festa ia ser diferente, sem abadá nem nada disso, eu dei a ideia de fazermos todos uma roupa igual, inventar nosso proprio abadá, escrever algumas coisas e tal…. expliquei pra eles como é que funcionam as micaretas no Brasil e todos adoraram a ideia!!


Plaza Castilla bombando!!

Quando cehgamos lá foi aquele aperto!!! Um empurra empurra, um sufoco horrivel…. metados dos meus amigos queriam ir embora… NAO!!!!!!!! Vcs tem que aguentar!! vamos tentar chegar lá na frente!!!
Quando chegamos nem dava pra acreditar o tamanho e a energia da festa, e quantidade de gente que estava lá… Eu já sabia que o Brasil é a ultima moda, e nao é de hoje, mas aquilo lá estava impressionante… Colocou no chinelo qualquer outra micareta que ja fui na vida… nivel de Carnaval de Salvador… Quem já foi, e gosta, sabe oque eu estou falando….

Chega de falar!!! Uma imagem vale mais que 1000 palavras!!!


Depois dessa festa, metade dos meus amigos já estao com a passagem marcada pra conhecer o Brasil, e todos voltaram pra casa cantando “Agua mineral, agua mineral, agua mineral”… Hehehehehe

Cobertura completa!!!

 

Adriana Miller
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