19
May
2011
India: Manual do usuario
Escrito por Adriana Miller

Apesar de que passamos pouco tempo na India, foi um processo de imersao total, onde voce acaba assimilando e aprendendo algumas coisas na marra, e muitos desses detalhes, se voce soubesse com antecedencia, teria facilitado bastante a “adaptacao”.

- Dinheiro:

A moeda na India eh o Rupee Indiano, que por agora esta valendo mais ou menos 50 Rupees para cada Dolar.

No geral as coisas sao bem baratas na India, mas eh aquele tipo de pais onde turista eh tipo carne de acougue, e eles farao qualquer coisa pra arrancar dinheiro de gringo otario (presente!).

Oque nos nao sabiamos eh que o Rupee Indiano eh uma moeda super controlada pela governo e portanto super dificil de trocar por outras moedas.

Pra comecar que apenas cidadaos Indianos podem trocar Rupees por outras moedas fora da India. Nos tentamos comprar Rupees na casa de cambio do aeroporto em Londres e nao pudemos, e depois tentamos trocar nosso “troco” quando chegamos no aeroporto do Nepal e tambem fomos proibidos, pois nao tinhamos passaporte Indiano nem comprovante de residencia (?!)!

Entao a meneira mais facil e economica de ter dinheiro vivo na India eh sacar Rupees la mesmo, direto em ATMs (que tem aos montes). Nos cometemos o erro de levar muitos dolares e libras, achando que seria dificil de achar caixa eletronico nas estradas da India, e que moeda estrangeira fosse facilmente aceita, mas quebramos a cara. Em alguns momentos de aperto tivemos que trocar nossos dolares/libras por Rupees e foi pura roubalheira!

- Ciladas de Turistas

Todos os palacios, monumentos e passeios que fizemos na India sempre terminava com algum “gift shop” digno de Disneylandia! Nos pegamos vaaaarios guias diferentes, uns otimos outros nem tanto, mas o “processo” engana-turista era sempre o mesmo: ao longo do passeio o guia ia falando sobre o palacio tal e sempre dando destaque a alguma caracteristica da decoracao, por exemplo.

Seja porque Jaipur tem as melhores tapecarias do mundo! Agra tem o melhor marmore do mundo! Amber eh o paraiso das joias! Fatehpur tem as melhores esculturas! E assim por diante… e de maneira quase imperceptivel (pelo menos nas primeiras vezes que caimos no golpe) sempre tinha algum “centro cultural” de sei la oque no nosso roteiro do dia.

Mas sem excessoes, o tal do “centro cultural” nada mais era que uma loja de souvenir super turistica (= a baixa qualidade e altos precos) onde algum vendedor (que invariavelmente era descendente de alguma “tribo” super exotica com dons sobrenaturais de artesanato exclusivo) nos contava toda historia da super tecnica exclusiva de como aquele coisa tal (seja Saris, tapetes, joias, esculturas, porcelana, etc) eh feita. E no final do lero-lero, tcharam: Seus problemas acabaram! Voce podem comprar tudo isso aqui mesmo, comigo eh mais barato!

E chegamos a ver um elefante de madeira (mais ou menos do tamanho de uma xicara) com preco de 80 dolares!!!

Das vezes que nos estavamos de fato interessados em alguma coisa, e com paciencia pra negociar o preco, os Indianos sao irritantemente insistentes! De fazer os comerciantes Turcos parecerem criancinhas ingenuas!

Eles choram, falam das criancas com fome em casa…. “e voce, turista rico sem coracao, nao vai querer comprar meu elefante por 80 dolares”??

Repito: OITENTA DOLARES!

Era de dar raiva!! E eu sou paciente e geralmente me divirto com essas coisas de mercado, ficar brigando por precos e tal, mas na India perdi a paciencia (e a educacao) algumas vezes, e realmente deixei de comprar algumas coisa que queria por puro despeito!

E claro, a tal da super exclusividade que eles baseiam seu sales pitch, assim que vc sai da sala deles (ou chega no templo ou na cidade seguinte) ve tudo igualzinho, soh que por 1/5 do preco!

Entao depois de cair na mesma ladainha 3 vezes, ficamos cara de pau e ja mandamos a direta pro guia: Se vc nos levar numa loja falcatrua de souvenir como parte do “tour” nao vamos nem sair do carro!

Deu certo!

- Adriana, a Superstar!

Sempre que eu viajo para culturas muito diferentes eu fico surpresa quando as pessoas se surpreendem de ver turistas ocidentais! E nem foi a primeira vez que isso acontece comigo nao (no Egito tive o mesmo status de superstar!), mas continuo me divertindo e achando a maior graca do status de celebridade que ganho automaticamente na Asia!

Talvez seja a altura (afinal com 1,76m sou uma gigante na Asia!), talvez seja a pele, as roupas… Ou talvez eu seja a sosia de alguma sub-celebridade Asiatica e ainda nao descobri quem! Nao sei explicar…

Mas era sair do carro e entrar em algum ambiente cheio de Indianos que as pessoas comecavam a seguir a gente!

La estavamos nos tirando fotos, aprendendo sobre os Marajas e tal, e os turistas Indianos estavam na verdade prestando atencao e tirando fotos de nos dois!

No Taj Mahal entao! Nossa! Talvez porque esses lugares mais super turistoes recebam muita gente local que vem de outras partes do pais (que sao menos turisticas) e nunca tenham tido muito contato com ocidentais, mas no Taj Mahal a gente mal conseguia se concentrar no Taj as vezes, de tao engracado que eram as cenas de familias inteiras seguindo nos dois por onde iamos, tirando fotos (bem paparazzi) e os mais corajosos pediam pra tirar foto comigo.

Tirei foto com marmanjo adolescente, tirei foto com familias completas e dando abracinho na vovo, tirei fotos segurando vaaaarios bebes chorando…

Surreal!

Na hora eu fico tao sem graca, mas ao memso tempo achando tudo tao divertido, que vou falando que sim, que sim, tudo bem, e vem mais um, sim pode vir, seu bebe? Ok, seguro no colo. Ah voce tambem? Ok, entao vem, etc, etc,etc ate que chegava num ponto que nao dava mais e tinham de dispensar o resto da “fila” e sair de fininho!

Ai eu fico pensando, oque essas pessoas fazem com essas fotos?

Sera que em algum canto perdido da India tem uma casa de familia com uma foto minha segurando um bebe no colo??

Ate um dos nosso guias foi pedir “permissao” pro Aaron pra tirar uma foto comigo pra mostrar pra filha e pra mulher dele…

Entoa na India voce tem que se acustumar rapidinho a sempre ter alguem te encarando e tirando fotos suas sem sua permissao! Ocidental sempre vira atracao turistica!

- Sujeira

Esse papo ateh ja rolou nos comentarios de outros posts, e impressionante como uma das reacoes mais imediatas que as pessoas tem quando pensam na India eh justamente a sujeira. E posso confirmar: a India eh suja demais!

Eu realmente achava que era meio exagero de gente preconceituosa, cabeca pequena etc, etc, mas nao eh!

E olha que nos passamos bastante tempo no carro, dirigindo de um canto pro outro, cruzando varias cidades, vilarejos, metropoles…. entao vimos diferentes partes da India, e nao foi o caso de apenas uma cidade mais suja…

Voce anda, anda, anda, e tudo que ve eh lixo que nao acaba mais!

Sim, eh um pais muito pobre, e ver aqueles barracos amontoados nao contribui em nada na “belezura” do ambiente, mas nao eh aquela coisa de pobreza humilde, de “pobre mas limpinho”, sabe?

Eh lixo, eh coco de vaca, eh porco selvagem comendo lixo nas calcadas, esgoto a ceu aberto…. e as criancinhas jogando criket de pe descalco em cima do lixo!

E pra piorar: Ratos! (se bem que pra quem mora em Londres a tanto tempo, ratos e ratazanas ja nao assustam em nada!)

Ver uma ratazana andando pelos cantos pros Indianos eh mais ou menos como ver um gatinho de rua pra gente…. ninguem se abala! Afinal, os ratos (principalmente os pretos) sao uma dos animais sagrados e aadorados pels Hindus….

Entao era super comum a gente esta comendo num restaurante (relativamente) legalzinho, e bem turistao (que geralmente tendem e ter praticas mais ocidentalizadas pra nao assustar demais os turistas), e de repente ver uma ratazana andando nos cantos! Ou entao estar numa loja e ver os ratos andando pelo balcao, por cima das mercadorias e afins…

Um choque cultural! Mas que depois de ver pela segunda ou terceira vez, voce ate abstrai…

- Espaco pessoal

Talvez eu tenha me tornado uma pessoa fresca, “fria” e “distante” depois de tantos anos morando na Europa (nao eh isso que Brasileiro acha dos gringos?!), mas uma das coisas que mais estranhei na India eh o respeito ao “espaco” alheio.

Mas convenhamos neh? Sao 1 bilhao de pessoas dividindo o espaco que equivale a mais ou menos 1/3 do tamanho de paises como EUA ou Brasil, entao a densidade populacional realmente extrapola os limites da civilidade, e ate mesmo culturalmente eles sao mais “aproxegados”.

Aliais a cena mais comum era ver rapazes e marmanjos andando de maozinha dada, sentados um no colo do outro ou de abracos. Isso eh uma pratica realtivamente comum em paises nao-macho-man, como no Oriente Medio ou Norte da Africa (a primeira vez que vi foi em Marrocos e fiquei chocada!), oque pra eles eh tao normal e inocente quando para nos eh ver duas meninas adolescentes se abracando na saida da escola.

Entao essa nocao de “espaco” eh relmente muito diferente da nossa (e isso porque no Brasil e em paises latinos essa mesma nocao de espaco ja he bem mais “apertadinha” doque aqui no Norte da Europa!) e as pessoas chegam perto mesmo!

Todo mundo te encoxando nas filas, praticamente fungando cangote pra dar informacoes, e tudo com muito toque, abraco, maos e dedos.

Sei lah, vai ver que eu to mais gringa doque me dou conta, mas era um tal de gente te encurralando, ja chegando cheio de abraco pra tirar fotos (lembre-se que eu tirei MUITAS fotos com estranhos!), jogando os bebes no meu colo, segurando minha mao, tocando meu cabelo….

Estranhei bastante e ficava meio numa paranoica de “tao querendo bater minha carteira”, ou “vou levar um beliscao na bunda”… “essa mulher vai sair correndo e vai deixar o bebe dela comigo pra sempre”… Sei la! Umas paranoias assim! HAHHAAH

Categorias: Agra, Delhi, India, Jaipur, Perrengues, Viagens
52
19
May
2011
Nova Delhi
Escrito por Adriana Miller

O plano original da nossa curtissima viagem pela India era passer o ultimo dia/tarde explorando um pouco de Nova Delhi. Oque nao esperavamos era que viajar pela India fosse tao dificil e cansativo, e as estradas tao caoticas!

Na verdade eu fiquei surpresa de como as estradas sao boas nessa parte da India (avenidas largas, pista dupla, boa sinalizacao, asfalto em otimo estado e com pinta de novo), mas o problema eh o caos generalizado! Afinal nao adianta ter uma estrada tinindo de boa, se nao existem leis de transito (ou se ninguem respeita…) e dividindo a mesma pista temos carros novinhos em alta velicidade (tentando, neh?), carros caindo ao pedacos, tratores, carrocas puchadas a camelo, pastores cruzando rebanho de ovelhas, vacas que resolveram tirar um cochilo no acostamento (ou no meio da pista como vimos algumas vezes!), lambretas, tuk-tuks e oque mais der pra imaginar!

Entao o resultado eh que uma viagem de 200km numa estrada otima, que tecnicamente deveria lever cerca de 3 horas, demorava em media de 5 a 7 horas!!!

Meu Deus que desespero aquelas freiadas loucas e a mao incansavel na buzina!! E olha que nos estavamos de carro particular, com ar condicionado e tals… imagina quem se aventura a andar de onibus de linha por lah…?!?! (mes passado um grupo de amigos resolveu cruzar a India de sul a norte – 3.000 km – num tuck tuk!!! Loucos!)

Entao quando finalmente chegamos em Nova Delhi, fomos deixar as malas no hotel e tudo foi por agua a baixo… o programado com o motorista era que depois de deixar as malas no hotel, nos seguirimos num city tour express de Delhi, mas assim que entramos no Sheraton New Delhi foi como entrar num mundo paralelo que eu nao queria sair mais de jeito nenhum!

Foi um oasis no deserto depois de alguns dias em albergues e horas sem fim dentro do carro!

Pausa pra falar um pouco sobre nossa experiencia com albergues na India – e que fique bem claro que eu nao sou nada fresca quando o assunto eh albergue!!

Mas nessa viagem teve incidencias do tipo: macacos atacadores de turistas em Agra. Nosso albergue ficava a pouquissimos metros da entrada Oeste do Taj Mahal, localizacao privilegiadissima, e eles anunciavam um terraco (laje, ne?) com vista pro Taj. O problema eh que quando chegamos la, nos avisaram que o hotel estava sendo infestado de macacos, e que eles eram super agressivos e atacavam turistas, entao se fizessemos muuuuuuita questao de ir tirar fotos no terraco, alguem do hotel teria que nos acompanhar armado….!!! Bem… Thanks, but no thanks!

E o hotel que ficamos em Jaipur era ate bem legalzinho, supostamente 3 estrelas com e decoracao moderninha. Porem o chuveiro nao funcionava e tive que tomar banho usando o chuveirinho da privada (afinal nao tinha nem sequer distincao entre oque era box, oque era banheiro, privada, pia e afins…) com agua fria, e quando finalmente jantamos (comida deliciosa do hotel por sinal!) e fomos dormir, chegou um onibus de excursao com turistas Indianos vindos de alguma outra parte do pais, que serio mesmo, eu acordava de sobresaltos durante a noite, achando que o hotel estava pegando fogo, que estava rolando uma evacuacao por ameaca de bomba, a terceira guerra mundial tinha comecado e por ai a diante!! Parecia que o pessoal parava na frente da nossa porta soh pra comecar a a conversar aos berros com alguem no andar de cima!!!!

Mas o melhor de tudo foi quando resolvi pegar minha bolsa, que eu tinha deixado no chao do quarto em Agra por alguns minutos, e uma coisa gosmenta pula de la de dentro: um SAPO!!!!!! Meu deeeeeeeeeus, ninguem entende como eu tenho PAVOR de sapos!!! Acho que eh o unico animal da face da terra que eu tenho verdadeira fobia (culpa da minha irma que me traumatizou!!!!Isso mesmo Monica, voce eh a causa do meu unico trauma de infancia!)! Eu comecei a gritar e chorar escandalosamente descontrolada, correndo pelo quarto e pelo corredor do hotel. De tal ponto que o Aaron achou que eu estava sendo atacada por um dos macacos asssassinos de Agra!!! HAHAHAHA

Cruzes…. passei umas duas horas tremendo e chorando de solucar, tamanho o susto que levei… e o coitado do Aaron teve que desfazer e refazer minhas mochilas e bolsa completamente, pra garantir que nenhum outro MONSTRO (afinal, pererecas e sapos sao monstros!!!) tinha se infiltrado nas minhas cosias…. (eu sei que sou fresca, mas medo é uma coisa irracional…).

Mas entao voltando a falar de Nova Delhi, deu pra entender porque entrar no Sheraton foi como cruzar os portoes do paraiso! E quando vimos a piscina entao… pronto! Agradecemos o servico e dispensamos o guia! Depois das 6 horas de carro sob um sol de 39 graus, tendo aquela piscina a nossa disposicao, nao havia deus Hindu que me faria encarar as ruas de Delhi…

Entao passamos o resto da tarde toda boiando na piscina, e no fim do dia descobrimos que o hotel ficava a 4 passos de um shopping super moderninho no bairro de Saket, onde furamos nosso trato e nao comemos nada que tivesse curry! Pra completar ainda tentamos assistir um filme, soh que todos em cartaz eram Bollywood, mas infelizmente sem versao legendada pra Ingles, acabamos desistindo e voltando pra dormir cedo, ja que no dia seguinte tinhamos que estar no aeroporto as 4 da manha, a caminho de Kathmandu!

Categorias: Delhi, India, Perrengues, Viagens
21
19
May
2011
Fatehpur Sikri
Escrito por Adriana Miller

Nossa ultima parada no circuito do Triangulo Dourado, antes de voltar a Delhi, foi a cidade-fortaleza Fatehpur Sikri, a cerca de 40km de Agra.

A fortaleza foi planejada e construida pelo imperador Mugal Akbar em 1570, que queria homenagem a crenca do Sufismo Islamico. A arquitetura teve influencia Islamicas, Hindus e Cristas, e sao justamente essas 3 religioes que fazem com que esse palacio seja tao interessante.

Akbar era muculmano de origem Mugal, mas era um amante das religioes e estudante de teologia – alem de otimo estrategista de guerra, e sabia que quanto mais conhecesse e respeitasse as demais religioes da regiao, mais bem sucediso e pacifico sei reino seria.

Entao Akbar teve tres mulheres (esposas oficiais), cada uma delas de uma religiao diferente: Uma esposa Muculmana Turca, uma Indiana Hindu, e uma Portuguesa Crista (que se chamava Marilia, e era Portuguesa de Goa – da epoca que Goa ainda era parte do Imperio Portugues. E o guia fez questao de repetir isso um milhao de vezes pra me deixar “orgulhosa”).

Cada uma de suas rainhas morava em um palacio diferente dentro das muralhas da fortaleza, com carcteristicas arquittonicas e religiosas de acordo com sua religiao. No centro de tudo ficava o aposento do Rei Akbar, com vistas para a “piscina” e a area de jogos onde as mulheres do palacio (esposa e comcubinas) brincavam durante o dia.

Uma das lendas de Fatehpur Sikri eh que o Rei Akbar gostava de “entreter” seus convidados e comcubinas com festivais, musica e jogos. Por exemplo, no centro do fonte/piscina do palacio fica um palco enorme, onde musicos vindos de toda a India cantavam pra ele e seus convidados (ele tinha vista privilegiada do palco direto de sua cama), e varios outros jogos pintados no chao, em tamanho “real”.

Uma das areas de jogos, tinha um “tabuleiro” gigante no chao do patio, que parecia tipo um jogo de xadrez, e segundo nosso guia, diz a lenda que o Rei usava suas comcubinas – nuas! – como pecas do jogo!

O Palacio demorou cerca de 14 anos pra ser construido, mas foi abandonado depois de apenas 4 anos de uso – devido ao material usado na construcao (tudo 100% em marmore vermelho!) sob o sol do deserto faziam com que o palacio fosse quente demais (nos presenciamos o quao infernal o lugar eh!!), alem da dificuldade de transportar agua potavel pra abastecer a fortaleza. Entao o Rei e sua familia se mudaram novamente pra Agra.

Mas oque eu gostei mesmo em Fatehpur Sikri foi a mesquita (Templo Teologico, ja que tem um pouco de tudo) Jama Masjid!

Logo na entrada, vemos desde la longe as torres do portal Persa Buland Darwaza, uma especia de “arco do triunfo” construido por Akbar para comemorar a vitoria de uma batalha. O Portao, considerado o maior do mundo Islamico ate hoje, tem influencias Persas e Mugals em sua arquitetura, mas eu achei super interessante que ao contrario do que seria normal numa mesuita, as inscricoes no alto do portao sao na verdade de origem crista, e diz: “Jesus, filho de maria, disse: O mundo eh uma ponte, cruze-a, mas nao construa casas nela. Ele que espera por uma hora, talvez esperara por toda eternidade. O mundo se acabara em uma hora, gaste-a em oracao, pois o resto nao eh previsivel”.

Eu nao consegui descobrir a citacao original de onde essa inscricao foi retirada, mas achei o maximo a mistura de estilos e religioes, que no fundo nos passam sempre a mesma mensagem!

Mas uma das atracoes principais da mesquita eh a tomba do santo Sufi Salim (O Sufismo eh uma versao “mistica” do Islamismo na India, originado na regiao que hoje em dia eh o Afeganistao), e ainda muito adorado por varias faccoes do Islamismo.

A tomba eh uma construcao contrastante dentro da mesquita, pois eh interamente construida em marmore branco, todo entalhado e bordado de pedras semi preciosas, usando a tecnica Pietra Dura, a mesma tecnica Mugal usada na decoracao do Taj Mahal.

Categorias: Agra, India, Viagens
3
13
May
2011
T.V. Everywhere: Taj Mahal
Escrito por Adriana Miller

Como eu falei no post sobre o Taj, toda experiencia foi bastante emocional, total “sem palavras”.

Acabou que consegui escrever pra caramba, mas mesmo quando ainda estava lá eu pensava com meus botões: nunca vou conseguir descrever esse momento pra ninguem.

E por causa disso enrrolei horrores pra filmar qualquer coisa lá dentro; não sabia oque falar!

Acabou que o Aaron tambem se animou com os filminhos e resolvemos fazer um video que registrasse o momento, mesmo sendo um monte de bobagens!

Senhoras e senhores, o Taj Mahal!

A musica, que gruda que nem chiclete, eh o hit Bollywood “Laila O Laila”, trilha do filme “Chalo Dilli” que estava por todos os cantos pela India! Momorizei o nome achei perfeito como trilha sonora!

Categorias: Agra, India, T.V. EveryWhere, Viagens
79
13
May
2011
Guia conciso de comida Indiana para frescos e medrosos
Escrito por Adriana Miller

Antes de viajar eu fiz umas piadinhas no Twitter sobre nossa dieta de engorda pre viagem – ja que sabia que iriamos passar 17 dias a base de curry apimentado vegetariano!

Eu nao tinha nada contra comida Indiana, mas esta longe de ser minha preferida. E isso porque sempre achei que o problema era mesmo de meu paladar, pois afinal, Londres eh considerado um dos melhores lugares de mundo pra se comer um curry autentico!

Mas eu estava enganada em duas cosias importantissimas: primeiramente, que a comida do Nepal e do Sri lanka sao muuuuito diferentes da comida Indiana (entao nao foram tantos dias assim imersos em curry!), e principalmente – voce nunca comeu curry ate comer na India!

Nao adianta o quanto digam que Londres tem alguns dos melhores restaurantes Indianos do mundo – Eu so consegui passar a gostar mesmo de curry depois da primeira refeicao na India!

As opcoes eram sempre muitas, e o principal problema eh sempre saber oque escolher no menu! Entao aproveitei a boa vontade dos guias e o Ingles precario dos garcons e explorei a fundo os menus e as especialidades servidas por la. Entao esse mini guia/menu tem algumas de minhas escolhas preferidas (com links para receitas!) que sao uma boa introducao a essa culinaria.

Logo no dia que chegamos, na estrada a caminho de Jaipur, paramos pra comer numa birosca na beira da estrada que era de arrepiar. Enquanto lia o menu, tentava recaptular onde estava o estoque de remedios pra dor de barriga que tinha comprado, e acabei pedindo uma opcao facil e segura, que reconheci na hora: Tikka Masala Vagetariano com arroz Basmati.

Tikka Masala

O Tikka Masala eh um prato tipico Indiano e muito popular na Inglaterra, que involve marinar os vegetais (ou frango, na versao Britanica) em curry e especiarias numa base de tomate, coentro, curry e yogurte, cozido num forno Tandoor (forno de barro tipico Indiano).

Eh um prato que eu como bastante aqui em Londres, e acho bem gostosinho. Mas nossa! Como foi diferente!! De-li-ci-o-so!! E foi exatamente oque precisava pra perder o medo e experimentar um pouco mais a mesa durante a viagem!

E pra completar, o prato veio acompanhado com pao Naan de alho de chorar de delicioso! (e acabou virando nosso acompanhamento obrigatoria em todas as refeicoes durante a viagem!)

Pão Naan com alho (MUITO alho)

 Entao passado o receio original, resolvi comecar a explorar outras opcoes que apareciam no cardapio e eu nunca soube oque eles eram extamente.

Uma otima descoberta (que depois tambem foi repetida algumas vezes) foi o arroz Biryani, que tem como base de seu tempero acafrao e sementes de mostarda, com nozes e cebola frita por cima pra dar uma textura.

Arroz Biryani

E apesar de que eu pedi que meu Biryani nao fosse muito apimentado, eles serviram o prato com molho Raita, feito de iogurte e muito comum em pratos de curry, pois o iogurte “refresca” a pimenta.

Molho Raita

 Esse raite em especial foi muito bom, pois em vez de ser o Raita comum que tem como ingrediente principal penino e menta, esse era quase que uma versao de molho vinagrete Indiano, com pepino, menta, tomate cebola e alho!

E olha que geralmente nao sou muito chegada em molhos cremosos e a base de leite/iogurte, mas esse tava tao bom que perdi o medo!

Depois de algumas refeicoes super bem sucedidas, o Aaron resolveu se aventurar um pouco mais e perdeu o receio de provar o tal do Paneer, que foi terrivelmente traduzido como queijo cottage, mas que depois que provamos eu achei que era super parecido com nosso queijo coalho!

Paneer

Paneer eh o principal substituto de proteina em pratos vegetarianos e vc encontrar Paneer em tudo! Ate o McDonalds tem uma selacao incrivel de McPaneer substituindo o hamburger de vaca! Mas a versao mais comum eh sempre o simples Paneer com curry.

Jalfrezi

 Quando estavamos em Agra, jantando com a vista do Taj Mahal a noite, eu resolvi provar o Jalfrezi, que eh outra maneira de preparar curry que eh tipica da regiao, e foi desenvolvida pelos Mugals, tribo de origem Bengali que foram os principais artesaos responsaveis pela construcao do Taj.

Eu adorei o Jalfrezi vegetariano, pois apesar de ser predominantemente um prato a base de curry, o tempero eh bem mais leve e menos marcado doque num curry comum.

Mas uma coisa que me surpreendeu foi que apesar de ser predominantemente um pais vegetariano, nao foi impossivel achar carne nos menus.

Talvez tenha sido pelo simples fato de que nos acabavamos sempre sendo levados nas opcoes mais turisticas (menu em Ingles ajuda, mas eh o primeiro sinal de que vc esta longe de estar num restaurante “autentico”!), mas sempre tinha uma ou outra opcao com frango, e nas cidades maiorzinhas (ou em Delhi) vimos varios menus com carne de vaca.

O problema eh que voce se sente muito errado de estar comendo um animal na India!

Eh muito impressionante esse respeito que eles tem com a vida, por menor e mais insignificante que ela paresce ser… Por exemplo, enquanto eu ficava louca com as moscas e mosquitos e ficava me abanando e tentando matar as desgracadas desperadamente, nosso motorista ia calmamente “encaminhando” cada uma das moscas pra fora da janela do carro, sempre com uma paciencia e precisao de Gandhi pra se livrar de cada uma delas.

Mas o pricipal motivo mesmo de termos optado por seguir o vegetarianismo enquanto estavamos la (que pro Aaron era uma ideia incincebivel ate entao!) eh ver a condicao em que os animais vivem na India. Afinal, se eh proibido matar vacas, da onde saiu essa carne do seu hamburguer?! Sabe?

As vacas, galinhas, porcos, javalis e cabras estao em todos os cantos, sempre largados, sujos, magros, comendo lixo na beira das estradas.

Por mais que voce nao necessariamente associe as vacas gordinhas e saudaveis do Pampa Argentino com a picanha na sua churrasqueira, quando vc passa o dia todo vendo vacas magras e doentes comendo lixo na entrada da favela, impossivel nao pensar que voce nao quer que aquilo ali chegue nem perto do seu prato!

Entao ser vegetariana por 2 semanas foi muito mais facil doque imaginei, e nao senti falta nem um pouco de carne nenhuma!

McDonalds sem Hamburguer!

 Mas quando estavamos esperando uma conexao no aeroporto de Delhi, nao resisti em tirar uma foto do menu 100% sem carne vermelha!

E quer saber, nao passamos mal nem ficamos doentes nenhuma vez por causa da comida!

Claro que tivemos muito cuidado com agua, frutas com casca e coisa assim (cuidados normais em qualquer viagem!), mas eu ja tinha ouvido tanta historia cabeluda sobre tudo na India ser tao sujo, tao sem higiene, tao isso, tao aquilo…. achei tudo um belo exagero!

Categorias: Delhi, India, Viagens
29
11
May
2011
Mahal. Taj Mahal.
Escrito por Adriana Miller

Nao sei por onde comecar a escrever sobre o Taj Mahal. Nao consegui pensar em nada criativo para usar no titulo do post.

Afinal, como uma pobre mortal pode tentar descrever na tela de um computador um monumento tao monumental? Uma das 7 maravilhas do mundo. O maior ato de amor do planeta. Um icone tao reconhecivel e suntuoso que virou adjetivo.

Eu as vezes fico indignada quando leio sobre pessoas que viajam pelo mundo e fazem de tudo pra evitar pontos turisticos cliches. Serio mesmo?? Pra quem minha gente?! Alguem me explica qual o objetivo de ir ao Rio de Janeiro e nao ver o Cristo? Ou Paris e evitar a Torre Eiffel? India sem Taj Mahal???? Nao entendo…

E por isso mesmo que digo sem pudor que minha unica e exclusiva intencao ao marcar uma viagem para a India era ver de perto o Taj. Todo o resto, por mais incrivel que tenha sido, foram bonus.

Sim, a India tem muito mais a oferecer…. Eh um pais enorme, cheio de cultura, historia, religiao e tudo mais.

Nao importa. Sabe porque? Porque ir a India sem ver o Taj eh como nao ter ido a India.

Eu sei que eu ja repeti esse bla bla bla aqui no blog outras vezes, mas eu serei uma eterna deslumbrada pelo mundo. Eh verdade que viajo muito, sempre viajei. Cresci assim, meus pais sao assim, e nos mostrar o mundo sempre foi uma parte integral da minha (muito bem feita por sinal!) criacao. Mas nao adianta, eu nao consigo encarar uma viagem, seja ela qual for como uma coisa blase.

A cada novo voo, cada novo carimbo no passaporte eu me sinto pequena diante de um mundo tao grande e com tanta coisa legal pra oferecer!

Entao quando chegamos a Agra e comecei a ver as placas na rua indicando a direcao para o Taj eu senti um pouco de receio… Sera que o Taj eh isso tudo mesmo? Afinal quantas vezes na vida voce ja nao viu uma foto do Taj Mahal, ou alguem falando o quanto ele eh incrivel? Quantas fotos identicas?? Sera que ao vivo ele eh pequeno? Sujo? Mal cuidado?

Sera que me tornei uma dessas pessoas blase que encaram “dar uma passadinha no Taj Mahal” uma coisa corriqueira da vida?

Porque eu nao quero ser assim. Eu quero sentir meu coracao palpitando cada vez que eu vir meu passaporte sendo carimbado, e ficar sem palavras cada vez que me deparar com uma coisa nova, seja ela uma simples e desconhecida porta colorida em Tallin, ou as iconicas Piramides do Egito.

Entao enquanto o guia nos direcionava pelas ruas caoticas de Agra eu tentei apagar tudo que ja vi e ja li sobre o Taja Mahal da minha mente. Queria conseguir enxergar aquele monumento pela primeira vez, como se fosse a primeira vez….

Chegamos em Agra no fim da tarde, e a confusao na entrada era impressionantemente caotica, e me surpreendi com a desproporcao de turistas – os Indianos eram mais de 90% da massa de pessoas tentando furar fila pra nao perder o sol se pondo no marmore branco do Taj.

Ate que finalmente entramos. Passamos pela seguranca rigida na porta e confiscaram meu tripe. Entao me surpreendi que na verdade o Taj nao foi a primeira coisa que vimos. Nem a segunda.

E o guia falando sobre a muralha, e explicando sobre a cor vermelha do marmore. E isso, e aquilo.

Cade o Taj? Cadeeeeeee o Taaaaaaj?!??!?!! A ansiedade e antecipacao iam aumentando cada vez mais, e aquele mundo de gente se aglomerando em cada misero cetimetro do jardim, e o calor abafado, e o empurra empurra. (O jardim do Taj comprovou duas teorias cientificas interessantes: que os Indianos se multiplcam em progressao geometrica e desafiam as leis da fisica onde dois corpos nao ocupam o mesmo espaco!)

Entao o guia (aliais, pegamos um otimo guia!) nos mandou andar olhando pra baixo, e nos posicionou exatamente no meio dos arcos da entrada sul, e deu o comando: agora olhem!

E la estava ele: O TAJ MAHAL!

Bocas abertas, olhos esbugalhados, coracao palpitante e um suspiro profundo!

Por um mili segundo meus neuronios esqueceram todas as fotos, todos os livros, todos os videos que ja vi sobre o Taj e consegui ver aquele monumento pela primeirissima vez com meus proprios olhos. Como se fosse a primeira vez.  Porque foi a primeira vez que eu de fato VI o Taj Mahal!

As fotos sao lindas e os relatos fascinantes, mas existe um motivo porque o Taj Mahal eh o Taj Mahal. Ora, porque ele eh o TAJ MAHAL!

A simetria perfeita, o marmore branco, as pedras preciosas brilhando na luz do por do sol. A fonte que reflete sua imagem, o jardim imaculado e os 379.234.076 turistas com cameras em punho se estapeando pra tirar as exatas mesmas fotos.

E a historia de pano de fundo, uma historia de amor e um conto de fadas de fazer Walt Disney se revirar no tumulo!

O Maraja que se apaixona pela menina mais bonita do vilarejo. Ela se torna sua terceira esposa, e o Maraja abdica de ter outras mulheres e dedica sua viada a amar apenas o amor de sua vida. Quatorze filhos e uma tragica morte durante o parto.

O Maraja com coracao destrocado, que jurou ama-la ate o fim da vida, e resolve passar o resto de sua vida e gastar cada centavo de sua fortuna construindo um mausoleo que fosse a altura de sua amada e que mostrasse ao mundo o tamanho do amor que ele sentia por ela.

O nome dado a tal monumento? O nome de sua amada, claro! Taj.

Rainha Taj. Taj Mahal (Mahal = Rainha). Simples e direto ao ponto.

Eu nao sei voces, mas acho que ele conseguiu alcancar seus objetivos!

A medida que fomos chegando perto, os detalhes da construcao vao ficando mais aparentes. A simetria eh tanta que chega a irritar (pois nao adianta de qual angulo voce olha, suas fotos – e de todas as outras 30.000 pessoas disputando espaco com voce! – ficarao exatamente iguais), o marmore branco se mostra meio cinzendo, com fissuras e ranhuras e relevos que contam a historia do alcorao em Arabe. Os minateres que se perdem no ceu azul e as pedras preciosas que bordam as beiradas e molduras de portas e janelas e refletem a luz do sol e os flashes das cameras.

Depois de duas horas andando e ouvindo, e tocando e admirando resolvemos ir embora e escolhemos um restaurante no topo de um predio, onde assistimos a noite cair mais uma vez sob o Taj, como acontece todas as noites ha quase 500 anos.

E decidimos: impossivel ir embora! Apesar das centenas de fotos que milagrosamente se parecem todas identicas, nao conseguiamos para de olhar a silueta do Taj no escuro. O garcon confirmou que o nascer do sol era as 5:30 da manha, entao no dia seguinte, as 5:20 ja estavamos na fila pra voltar ao Taj por uma ultima vez, e aproveitar nossas ultimas horas em Agra, antes do motorista chegar pra nos buscar as 8:30 da manha!

Entao ver o Taj Mahal pela segunda vez teve exatamente a mesma emocao doque ve-lo pela primeira vez, soh que ainda melhor! Os jardins estavam vazios, a agua do chafariz estava calma e a brisa ainda estava fresca.

Eramos apenas nos e mais algumas centenas de turistas, mas em comparacao com o dia anterior, eu jurava que estava ali sozinha, com exclusividade sobre a imagem!

Repetimos as mesmas fotos, repetimos as mesmas palavras de deslumbramento e o sentimento de nao-acredito-que-estou-aqui-de-verdade nunca foi embora.

Quando conseguimos nos convencer a ir embora e voltar pro hotel, foi ate engracado ver as fotos que tiramos, pois foram mais de 500 fotos que se parecem todas exatamente identicas! Mas eh impossivel resistir, e cada vez que eu olhava pro Taj, cada novo detalhe que eu descobria, cada novo angulo, era impossivel nao dar um clique que conseguisse capturar um pouco daquele momento!

Se todas as lendas e historias sobre o Taj são verdadeiras e acuradas mesmo, isso é dificil de saber, mas para um lugar que habita tantos sonhos, realiza sonhos e parece ter saido de um sonho, a quem importa qual é a realidade?

Categorias: Agra, India, Viagens
100
11
May
2011
Palacios reais e muito cor de rosa: Seria Jaipur um conto de fadas?
Escrito por Adriana Miller

Jaipur eh geralmente referenciada com a cidade Rosa pelo simples motivo de que… é cor de rosa! Em 1853, o então Principe de Gales Britanico visitou a cidade, e o entao Maraja Sawai Ram Singh resolveu mandar a populacao pintar suas paredes de cor de rosa.

O efeito ficou tão bom, e a uniformidade agradou tanto o Principe, que a ideia colou, e ate hoje, mais de 250 anos depois, periodicamente a cidade é toda repintada de cor de rosa.

Na verdade a Jaipur de hoje em dia se expandiu muito alem do seu centro historico cor de rosa, mas assim que se cruza os portões da antiga citadela o impacto é imediato, e voce jura que a India faz parte dos sonhos de uma menina de 7 anos…

Mas muito mais impressionante que as paredes cor de rosa eh a quantidade de palacios espalhados pela cidade!

Nao é a toa que Jaipur criou o termo Maraja, e a cidade é a propria definição desse estilo de vida extravagante! E isso claro, sem esquecer que a cidade sobreviveu a varios novos marajas, que por sua vez teve suas novas – inumeras – esposas e filhos, e a cada novo homem poderoso no poder, o importante mesmo é mostrar que ele é ainda mais poderoso que seu antecessor.

E qual a melhor maneira de fazer isso se nao construir um palacio?

Pra mim o mais bonito eh o Palacio dos Ventos – bem no centro historico da cidade e tambem pintado de cor de rosa, cuja arquitetura foi inspirada na coroa da Deusa Hindu Krishna. Eu nao conseguia enxergar a tal coroa e cada vez que olhava pra faxada do palacio, me minha a cabeca a imagem de um orgam gigantesco!

Mas na verdade o Palacio dos ventos, apesar do nome, nao eh exatamente um palacio, e sim um anexo ao Palacio Real.

Seu nome oficial eh “Hawa Mahal” e suas 953 micro janelas foram construidas como parte do Palacio Real para entreter as Rainhas e as mulheres da familia real, e eh diretamente conectado aos aposentos das rainhas e do harem do Maraja.

A mulheres reais da epoca eram submetidas ao ritual que se chamava “purdah”, que significa que alem de cobrir o rosto com veus, elas ainda nao poderiam ser vistas de maneira alguma. Entao elas passavem seus dias escondidas atras das janelinhas do palacio, vendo a vida passar em Jaipur.

O Palacio Rel (City Palace em Ingles e Chandra Mahal ou Mubarak Mahal em Hindu) eh ate hoje a residencia da familia Real de jaipur.

O Maraja ja nao governa nem manda em nada desde a independencia da India em 1947, mas a familia ainda eh considerada “real” e ainda habita parte do Palacio.

Por azar (ou sorte, neh?) nos estivemos em Jaipur uns dias depois que o ultimo Maraja faleceu, entao a cidade estava em alvoroco e nao se falava em outra coisa!

Foi bem interessante ver como a ex familia real ainda eh poderosa na regiao, e ainda muito respeitada pela populacao local. Turisticamente falando isso significou que algumas areas do palacio estavam fechadas a visitantes, pois o palacio estava sendo limpo e organizado para receber cerca de 200 outros (ex) reis e Marajas de toda a India, politicos e personalidades que participariam do funeral e das cerimonias funebres de Sawai Bhawani Singh.

Mas foi interessante ver que na India, e principalmente na fe Hindu, o branco eh a cor que representa a morte e o luto (por isso noivas Indianas nunca, JAMAIS usam branco no dia do casamento – a cor tradicional eh na verdade o vermelho), e os saris, tunicas e turbantes coloridos dos funcionarios dos Palacios foram todos substituidos por branco.

Mas as partes que conseguimos ver no palacio foram interessantissimas, como por exemplo o hall de audiencias e seus famosos vasos de prata – cada um dos vasos foram feitos usando 1400 moedas de prata derretida, e tinham como unico objetivo transportar agua do Rio Ganjes entre Jaipur e Londres, quando o Maraja viajou a Inglaterra em 1901 para assistir a coroacao de Edward III. O Maraja era extremamente religioso e considerava um pecado beber a agua Inglesa. Os tais dos vasos estao invenciveis na lista do livro dos recordes como os maiores vasos de prata do mundo (??)!

Infelizmente, a parte que eu mais gostei do palacio nao permitia fotografias, e foi justamente o salao de audiencia particulares, e eh um salao recoberto de obras de arte, tapecarias e pinturas/retratos de todos os Marajas de Jaipur e da dinastia Singh, que nos deu uma aula de historia sobre as divisoes de castas na India e ainda as divisoes e classificacoes de grandiosidade e “superhumano” dos Marajas – Alguns deles, alem do titulo de Maraja (que por definicao ja eh um degrau acima de um Rei “comum” – Maha = Superior; Raja = Rei) ainda tinham classificacoes above and beyond dos poderes de seres humanos, e entao eu aprendi que que quando um Maraja tinha numeros em seu nome (como por exemplo o Maharaja Sawai Madho Singh II), nao significa que ele era o segundo em sua dinastia a ter esse nome, e sim que ele era ¼ a de homem a mais que um Rei normal. E essa classificacao era dada de acordo com seus feitos ao longo da vida, como aptitude para ciencia, astronomia, esportes, arquitetura e medicina.

E finalmente o Jal Mahal, ou o Palacio das Aguas, que fica bem no meio do Lago Man Sagar, bem na entrada de Jaipur.

O lago artificial foi construido no final do seculo 16 por ordem do Maraja, em meio a uma crise de seca que assolou a regiao. A depressao ja existia (na epoca Jaipur ainda nao existia, mas era proxima o suficiente de Amber) e entao construiram uma represa, delimitanto o espaco, e assim permitindo que a agua das chuvas das moncoes fosse capturada, assim servindo de reservatorio para a cidade ao longo do ano.

Logo depois o Palacio foi construido, mas como soh era acessivel de barco por boa parte do ano, nunca foi muito usado.

Hoje em dia, o Palacio nao eh aberto a visitacao e esta completamente abandonado, oque eh uma pena. O governo local e a iniciativa privada tem alguns projetos de transformar o palacio em um hotel de luxo ou algum tipo de complexo turistico, mas os projetos estao empacados por enquanto – em parte por causa da corrupcao, e principalmente por causa dos altos niveis de poluico da agua do lago Man Sagar!

Mas independento do que eh, doque foi ou doque possivelmente sera, o Palacio das Guas eh uma das imagens mais marcantes da cidade!

Categorias: India, Jaipur, Viagens
4
10
May
2011
Forte Amber: A antiga capital do Rajastão e o epicentro do Reino dos Marajás
Escrito por Adriana Miller

O Rajastão, cuja capital é a cidade de Jaipur, é o maior e uma dos mais diversificados estados da India – Inclui de montanhas a deserto, rios, lagos e vales, mas é uma região que ficou conhecida principalmente pela opulencia de sua realeza: os Marajás.

Antes da independencia da India (em 1947, quando a região se dividiu em India, Paquistão e Bangladesh), o pais tinha cerca de 600 reis (basicamente cada cidade/estado tinha o seu), mas foi no Rajastão que o termo Marajá, que na lingua Sanskrit, significa “Rei Superior”, se originou, e Jaipur é a cidade ideal pra ter uma ideia do poder e da vida que essas familias reais tinham.

Jaipur nos foi descrita por nosso guia como uma cidade “pequena” e provinciana, pois afinal tem apenas 6 milhões de habitantes  e tem alguns dos palacios, monumentos e templos mais bem conservados das dinastias dos Marajás, desde que foi fundada pelo Marajá Sawai Jai Singh II em 1727.

Na verdade, a Jaipur moderna nada mais é que a continuação da cidade e dinastia de Amber, que foi fundada em 1037 e fica a cerca de 11 km de Jaipur. Cerca de 700 anos mais tarde o Marajá decidiu transferir a “capital” de Amber pra Jaipur, por causa da seca e da dificuldade de fornecer agua para a cidade que não parava de crescer.

E é justamente o Forte Amber a primeira cosia que se avista de longe ao chegar em Jaipur, e foi logo nossa primeira parada na India!

O Forte Amber, apesar dos tons terrosos e amarelados, não se chama “Ambar” por causa da cor, e sim por causa do nome da cidade onde foi construido – e é impossivel ignorar sua grandiosidade e seus muros que se estendem pela paisagem da cidade.

O forte na verdade é uma coleção de templos e palacios confinados entre as paredes de seus 6 quiometros de muralhas, e impossivel não se perder entre seus jardins, fontes, templos e salões majestosos.

Lá de cima, logo na entrada, a vista de todo o vale de Amber e Jaipur não nega que aqui ali foi consruido por e para alguem muito poderoso!

Hoje o Forte funciona apenas como um museu, mas nos seus tempos aureos, as entradas e portoões eram definidas de acordo com sua casta e seus escalão social e cheio de passagen secretas e salões excusivos.

Além disso, o Amber forte também é conectado com o Forte Jaigargh, construido em 1726 para defesa dos Palacios de Amber e da familia real.

O interior do forte é incrivel, e passamos horas e mais horas analisando cada detalhe e cada entalhe de suas paredes – com relevos em marmore maciço, pedras semi-preciosas e e cores de origens naturais (as principais materias primas na “decoração” do forte foram frutas, vegetais e oleo de coco, que criavam pigmentos e fixadores que resistem até hoje!

Uma das areas principais do forte é o salão dos espelhos (nome oficial Sheesh Mahal), onde o Raja (Rei) recebia seus suditos especiais para audiencias privadas ou para impressionar outros cefes de estado.

O slão demoru cerca de 6 anos pra ser construido e é inteiramente decorado com mini espelhos, todos importados da Belgica em meados dos 1600 e pedras semi-reciosas.

Uma cosia que eu achei bem interessante no interior do Forte é que todo detalhe tem uma historia pra contar, e cada canto revela sua influencia e inspiração, com motivos de origens Hindu, Budista e Islamica.

E como os Marajás não eram bobos nem nada, uma das maiores areas do forte é a Zenana, ou o palacio onde vivam as mulheres reais – o marajá tinha cerca de 12 rainhas e centenas de concubinas, todas com seus aposentos individuais, e com passagens secretas que conectavam diretamente ao quarto do Rei.

Então ele podia visitar qual esposa/cuncubina ele queria, mas sem que as outras soubessem de suas preferencias, e assim mantendo a hamonia entre suas mulheres!

Categorias: India, Jaipur, Viagens
19
10
May
2011
India – O Triangulo Dourado
Escrito por Adriana Miller

Planejar uma viagem pra India foi uma das tarefas mais dificeis que já fiz.

Pra começar que o pais é gigantesco e incrivelmente diversificado, e então é impossivel definir qual é a “melhor” area pra conhecer.

Segundo que eu nunca tive grandes vontades de explorar a India a fundo – não me perguntem porque, mas a India é um pais que sempre me fascinou e me assustou em proporções iguais! Sempre me pareceu uma daqueles lugares magicos que todo ser humano deveria conhecer na vida, mas ao memso tempo não tinha uma ideia formada na cabeça.

Mas acabou que a decisão foi tomada pelas circunstancias: a India foi apenas uma perna da viagem ao Nepal, então sabiamos que nosso tempo e esforço teria que ser concentrado nos arredores de Delhi. Oimo, pois afinal, o unico “icone” que eu realmente queria muito conhecer na India ficava ali pertinho – o Taj Mahal!

E então a medida que comecei a pesquisar sobre opções de passeios e coisas a fazer na região, descobri o tal do “Triangulo Dourado”, que acho que é o mesmo roteiro que 99% dos turistas de massa fazem na India e inclui Delhi, Jaipur e Agra. Pronto, a solução do nosso dilema!

Ai veio outro problema, pois por causa das enrrolações que tivemos com o visto pra India! Então quando finalmente confirmamos que seriamos aceitos no pais, me sobrou apenas 3 dias pra pesquisar, organizar e reservar tudo!

Resultado,  nossos planos A e B já não seriam possiveis. A India é um pais ultra mega populoso, e aprendi que tudo por lá deveria ter sido reservado com antecedencia de meses e meses!

Então a ideia original era passar os dois primeiros dias em Delhi e depois seguir de trem pra Agra. Mas lendo historias de horror sobre como “navegar” sozinha pelas ruas de Delhi, acabamos desistindo de fazer quaquer coisa independente, e muitos dos tours já estavam esgotados. E pra completar, os trens turisticos que ligam Delhi a Agra nos horarios que queriamos já estavam lotados.

Então a solução foi apelas pra uma agencia, coisa que acabou sendo nossa solução! Por acaso encontrei na Internet o Garhwal Himalayan Expedition que foram super prestativos e me responderam centenas de perguntas por e-mail. Então acabamos mudando de ideia, e em vez de passar 2 dias em Delhi, resolvemos encarar o pacotão do Triangulo Dourado e incluir Jaipur no roteiro!

O roteiro foi punk, pois depois de 8 horas de voo noturno entre LOndres e Delhi, nosso motorista já estava nos esperando no portão de desembarque do aeroporto e de lá já caimos direto na estrada!

Oque me decepcionou um pouco no roteiro que acabamos escolhendo, foi que apensar de que as distancia não são tão grandes assim (para padrão India né?), e as estradas nem são tão ruins, tudo na INdia é tão caótico que uma simples viagem de 200km, durava facil 6 horas dentro do carro!

Tudo bem que estavamos num carro super confortavel e com ar condicionado no maximo, e aproveitamos pra ir colocando o fuso horario em dia, mas ainda assim não sei se reperitia a dose – xonseguimos cobrir uma região bem grande em poucos dias, e acabamos conhecendo mais da India doque teriamos conseguido no plano original, mas ao mesmo tempo ficamos o tempo todo com aquela impressão de que não conseguimos “experenciar” a India, sabe?

Mas nosso roteiro foi o seguinte:

Delhi – Jaipur no primeiro dia, com uma noite em Jaipur.

Jaipur – Agra, com uma noite em Agra

Agra – Delhi com uma noite em Delhi.

Que serão os proximos posts!

Acho que seria impraticavel passar menos que nossos miseros 3 dias na India, e tenho minhas duvidas se sequer gostaria de ter passado mais tempo por lá – então achei que o roteiro do Triangulo foi uma otima opção e introdução ao pais!

 

Categorias: Agra, Delhi, India, Jaipur
9
25
Apr
2011
Aqui não teve coelinho da pascoa…
Escrito por Adriana Miller

… Mas teve a vaca sagrada, serve??!?!!

Feliz Pascoa!!

 

 

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Categorias: India, Viagens
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