03
Oct
2013
O fim da licença maternidade!
Escrito por Adriana Miller

Ano passado, no auge da gravidez e me preparando pra sair de licença maternidade,  escrevi um post enorme explicando como a parte legal/corporativa funciona aqui na Gra Bretanha, e como funciona na empresa onde trabalho e meus planos pessoais.

Na época eu tinha muitas duvidas e incertezas de como a “vida real” de ter um bebe em casa iria me mudar, e como eu passaria a encarar meu trabalho e carreira depois do nascimeto da Isabella.

Quase 10 meses se passaram e essa semana minha licença chegou ao fim e eu voltei ao batente!

E antes de mais nada, vou confessar: estou muito feliz de estar de volta!

Ao mesmo tempo que sou extremamente grata por ter tido a oportunidade de passar os primeiros 9 meses e vida da Isabella cuidando dela pessoalmente (e com a segurança de saber que caso fosse necessário ou se eu quisse, poderia ter estendido esse período por mais 6 meses!), eu sempre soube que no fundo no fundo sentiria falta do meu dia a dia e de minha carreira.

Por mais clichê e piegas que possa soar (principalmente pra quem ainda não tem filhos), ser mãe é a coisa mais maravilhosa do mundo! A Isabella me transformou em maneiras inimagináveis e volta e meia me peguei pensando: se eu soubesse que era tão bom assim, teria começado bem antes!! :-)

Mas ao mesmo tempo, ser mãe é uma das coisas mais difíceis que ja fiz. E não estou falando de coisas “práticas” como acordar no meio da noite pra amamentar, trocar fraldas ou  lidar com choros e cólicas, nem nada não (porque quando é o nosso bebezinho essas coisas – por mais difíceis que sejam – acabam virando prazer).

Estou falando do lado mais “filosófico” da coisa: aquele eterno conflito de “ser mãe” e ao mesmo tempo “ser eu mesma” e como a sociedade enxerga (e julga!!) essa dupla personalidade e nossas decisões.

Porque convenhamos, ser mãe é uma carreira por si só!

Não reconhecida, não remunerada e na maioria das vezes não aprecidada pela propria família e filhos – nada mais revoltante do que quando ouço alguém falando que fulana “é só mãe”, como se isso não fosse bom o suficiente!

Mas como qualquer outra escolha de carreira na vida, ser mãe em tempo integral demanda um talento especial, e sempre soube que assim como nunca quiser advogada ou publicitaria, também não queria ser mãe em tempo integral.

Tive meus momentos de pânico, imaginando como seria difícil não ve-la durante o dia todo, ter que viajar e passar vários dias longe dela e coisas do tipo; mas ao mesmo tempo, a alternativa era largar todo o resto e me dedicar a ela 100%, o que também não era uma ideia que me agradava.

Então decidi voltar mais ou menos quando eu sabia que queria voltar.

Tivemos um ano delicioso, o verão em Londres foi incrível, muitas viagens e curtimos demais nosso tempo mae-filha!

Mas ai rolaram umas mudanças organizacionais na empresa, e isso foi uma boa oportunidade pra negociar minha volta: optei por não tirar minha licença ate o final do período a que tenho direito, mas por outro lado estou voltando aos poucos, trabalhando apenas 4 dias por semana, viajando menos e com alguns dias no home office – e assim ir pegando o ritmo aos poucos, em vez de ficar tanto tempo longe do escritório e de minha equipe e acabar voltando de sopetão e desatualizada demais!

Assim tenho tempo de ir me acostumando a nova rotina aos poucos, sem sentir que estou abrindo mão de uma coisa ou outra na minha vida pessoal e profissional.

Ao longo desses meses, e principalmente daqui pra frente, eu e o Aaron formamos uma ótima equipe pra cuidar da Isabella; apesar de uma licença paterniadade curta, ele pode coincilar muitas viagens de trabalho com viagens em familia, pode ficar em casa com a gente durante muitos dias todas as semanas, e principalmente sempre fez questão absoluta de participar de tudo e contribuir igualmente nos cuidados com ela.

Então conseguimos nos organizar bem nas reponsabilidades de casa-creche-baba, quem da banho e quem da a janta, quem arruma ela de manha e quem cuida dela na hora de dormir!

Claro que tenho certeza absoluta que esse “sistema” tera muitas excesões e contra tempos (logo no meu primeiro dia de volta ao escritório já tive que planejar viagens para os proximos 2 meses!), mas pelo menos voltei a minha rotina de trabalho 100% confiante de que tudo acabará bem e a Isabella esta em boas mãos!

Então pelo menos até o final do ano, enquanto ainda estarei trabalhando meio periodo, nossa semana será dividida entre 2 dias na creche, 2 dias com uma baba (Brasileira) e 1 dia na semana comigo em casa.

A Isabella já esta nesse ritmo a algumas semanas e se dando muito bem na creche e amando a baba – então nos proximos 3 meses vamos avaliar como as coisas ficarão ano que vem quando eu voltar a trabalhar todos os dias.

Por enquanto foram apenas 4 dias, e estou me sentindo revigorada por ter voltado a trabalhar! E principalmente estou mesmo me sentindo uma mãe “melhor” agora que nosso tempo juntas está muito mais focado na qualidade do que na quantidade do tempo que passamos juntas!

Claro que eu sei que terei muitos dias estressantes no escritório e que tudo que mais vou querer era estar em casa brincando e cuidando da Isabella, assim como tive muitos dias em que a folha de pagamento Russa me pareceu tão mais fácil de entender do que um bebe chorando na madrugada!

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Categorias: Baby Everywhere, Isabella, Pessoal, Trabalho, Vida na Inglaterra
52
16
Jul
2013
Maternidade no UK: Durante e Depois
Escrito por Adriana Miller

Esse post est uns meses atrasado, mas eu queria mesmo esperar passar um pouco o rebulio de hormnios e emoes da gravidez e ps parto pra contar um pouco mais sobre a experincia de ficar grvida e ter um beb na Inglaterra, e responder algumas perguntas que recebi ao longo desse ltimo ano.

Mas antes de mais nada, vale reforar a ideia de que cada caso um caso, e a sua experincia (na Inglaterra ou qualquer outro lugar) ou a histria que voc ouviu da prima da vizinha do conhecido do seu amigo pode ter sido completamente diferente, o que no desmerece a experincia de ningum! E outra coisa que eu aprendi a duras penas foi o tanto que as pessoas gostam de dar palpite, opinio e sugestes na vida alheia – como se uma barrigona ou um beb no colo derrubasse todas as cortesias e a moral e bons costumes de respeito ao prximo (incrvel como ouvi barbaridades de estranhos nas ruas nas 3 semanas que passamos no Brasil! Aqui o pessoal se controla mais, mas volta e meia rola algum sem noo…).

Bem, comeaando pelo princpio, de maneira geral toda gravidez e parto no Reino Unido acompanhado e realizado pelo NHS (National Health System), que o sistema pblico de sade nacional.

As opinies positivas e negativas ao servio de sade varia o de 0 a 1000 – ha quem ame e ha quem odeie, o que depende demais de sua experincia nas mos deles. Mas o que interessa mesmo ressaltar que na Inglaterra todo mundo (que mora aqui legalmente) tem acesso a um sistema de sade de qualidade e totalmente de graa.

Claro que nada perfeito e a qualidade do servio geralmente esta atrelada a onde voc mora – se mora numa cidade/bairro bom, provavelmente o NHS local ser melhor. Se mora num bairro mais marginalizado, com muitos imigrantes e afins, as condies gerais do servio ser consideravelmente pior. Infelizmente.

Mas tambm existe um sistema privado de sade, que varia bastante de plano pra plano, mas que no geral no cobre maternidade e parto – eu tive a sorte de ter um timo plano de sade atravs da minha empresa que cobriu por inteiro meu pr-natal e parto, ento tive experincia nos dois lados.

Se voc fará seu pr natal e parto no NHS, o primeiro passo quando desconfiar que esta grávida, é ir no seu GP (seu médico de família da clínica do seu bairro) e fazer um exame de sangue. Esse exame é ultra básico, e apenas confirma o nível do hormônio Beta HCG, confirmando ou não a gravidez. Se o resultado for positivo, seu GP lhe encaminhará ao hospital (público) de seu bairro, onde você será acompanhada por midwives (enfermeiras obstetras, ou “parteiras”).

Na maioria das vezes, essa primeira consulta pode demorar semanas (que parecem ser eternas nesse comecinho de gravidez!), o que e extremamente frustrante, numa fase sensível onde tudo que queremos é a certeza que o bebê está bem!

Na pior das hipóteses a primeira consulta é marcada pra 12ª semana de gravidez – mas geralmente a primeira consulta com a midwife acontece entre a 8ª e 10ª semana, onde elas fazem um questionário geral sobre sua saúde (e avaliam a necessidade de mais exames), ouvem o batimento cardíaco do bebê, tiram pressão, peso etc.

Não espere nada muito sofisticado nem “personalizado”.

A primeira ultra sonografia acontece apenas na 12ª semana, quando fazem uma avaliação do desenvolvimento do bebê, e testam a possibilidade de doenças genéticas (síndrome de down e mais algumas outras).

Uma coisa que as vezes “choca” as mães Brasileiras de primeira viagem é que como na Inglaterra o aborto é 100% legalizado, rola todo um papo sobre suas “opções” caso o resultado dos exames não seja positivo – então cabe a cada mãe e cada pai a decisão sobre o que fazer daí pra frente.

Se tudo correr bem, a partir da 12ª semana de gestação você terá 1 consulta com a midwive por mês até a semana 36, quando as consultas passam a ser a cada 15 dias; e se sua gestação passar das 40 semanas, as consultas passam a ser semanais (e em alguns casos, a cada 2 ou 3 dias).

A sua única outra ultra sonografia será na semana 20, quando avaliam a formação física do bebê e onde os pais tem a opção de descobrir o sexo.

Aqui não existe exames de “sexagem fetal” nem nada do estilo, mesmo no sistema particular, e descobrir se o bebê é menino ou menina só mesmo na 20ª semana – e se o bebê cooperar (se o bebê estiver de pernas cruzadas ou numa posição onde não seja possivel ver o sexo, os pais tem que esperar até o nascimento do bebê pra descobrir, ou então fazer uma ultra num hospital particular. Mas o comum aqui é que ninguém descubra o sexo do bebê mesmo de qualquer maneira).

Ou seja, em uma gestação normal e saudável, a grávida não se consulta com um obstetra uma única vez, e é atendida pelo time de midwives de seu hospital (cada consulta será uma pessoa diferente, para que você se familiarize com toda equipe).

Quando você entrar em trabalho de parto, será atendia por uma das midwives (que provavelmente você já conheceu em alguma das consultas), que são também responsáveis pelo parto. Os Obstetras só entram em cena em casos de emergência.

E aqui na Inglaterra, parto é parto. Todos são normais, e de preferência o mais natural possível.

Cesáreas são consideradas “cirurgia de retirada de bebê”, e nunca chega a ser uma opção, a não ser que realmente exista um risco muito grande para a mãe e/ou bebê. Alguns fatores podem ser encarados como complicadores do parto normal, mas a decisão por uma cirurgia só acontece quando a mãe entre em trabalho de parto, ou nas semanas finais da estação (como por exemplo cordão umbilical enrolado no pescoço, bebê de cabeça pra cima, gêmeos, bebê grande, etc. Todos são vistos como “complicadores”, porém não são motivos suficientes para fazer a mulher passar por uma cirurgia abdominal).

Eu tive o privilégio de experimentar os dois lados do sistema de saúde na Inglaterra, e confesso que por ser mãe de primeira viagem e estar acostumada com os padrões Brasileiros (e o Aaron com padrões Americanos) de saúde, toda essa cosia de não ter obstetra, exames superficiais, não fazer ultras etc, me assustava um pouco, então fiz todo meu pré natal e parto pelo sistema privado.

E por aqui, pelo menos no meu plano de saúde, o sistema funciona igual ao Brasil: eu consultei meu ginecologista no inicio da gestação, fiz todos os exames necessários de sangue e hormonal, fiz a primeira ultra na 7ª semana para confirmar a gestação e batimentos cardíacos do bebê, e dai pra frente fiz uma ultra por mês.

Mais ou menos no 4ª mês, meu ginecologista me encaminhou para um Obstetra e prosseguimos com o pré natal normalmente.

Por sorte, meu Obstetra atende em vários hospitais particulares em Londres, então na reta final (7ª mês) eu resolvi trocar de hospital, para ficar mais perto de casa, então tive que refazer alguns exames e voltei a misturar um pouco o lado do NHS com o particular (a quem interessar possa: fiz meu pré natal no Portland Hospital, mas resolvi ter a Isabella na Lansdell Suite do St Thomas Hospital – uma ala particular dentro um hospital público – pois achei que a infra estrutura num caso de emergência seria mais completo).

Quando entrei em trabalho de parto, fui direto para o hospital, onde pude ficar relaxando com o Aaron enquanto esperava o parto progredir (no NHS a gestante só pode dar entrada no hospital quando já esta em trabalho de parto avançado, com contrações a cada 5 minutos pelo menos), com acompanhamento das midwives e do Obstetra.

De modo geral eu achei a experiência o máximo, e tanto no lado do NHS quando no particular fui muito bem cuidada, e gostei demais do estilo que os Britânicos (e Europeus em geral) encaram a maternidade e principalmente o parto.

A maioria das mulheres sonha e opta pelo parto normal sem anestesia (lembrando que a cesárea não faz parte do leque de “opções” e só acontece em casos muitos específicos), então o sistema é preparado pra isso.

Somos encorajadas a fazer um “birth plan” (“plano do parto”) onde é estabelecido seus desejos e prioridades, desde qual música você quer ouvir durante o trabalho de pato, a intensidade da luz, até decisões mais “sérias” como anestesia, episiotomia, opções de emergência (as mulheres aqui fogem MESMO da cesárea, então temos várias opções de intervenções e “ajudas” médicas para facilitar o parto normal), quem vai cortar o cordão umbilical, se o bebê vai ser examinado antes ou depois da primeira mamada etc, etc.

Eu optei pela anestesia peridural, mas ainda assim, a anestesia aplicada nos hospitais Ingleses é conhecida como “walking epidural”, ou a “peridural andante”, pois é aplicado apenas a dose mínima do anestésico, então elimina toda dor, mas sem eliminar a sensação do parto.

Então apesar de não ter sentido dor nenhuma em momento algum, eu pude andar pelo quarto, ir ao banheiro quantas vezes quis, usei a bola de pilates, as barras de apoio, etc e fiquei bastante ativa durante todo o parto, o que ajudou demais a passar o tempo e progredir com as contrações, dilatação etc. Mas ao mesmo tempo eu conseguia sentir tudo que estava acontecendo “dentro” da minha barriga – sabia quando estava tendo uma contração (sem dor, mas sentia a barriga ficando dura), sentia ela se mexer, quando a cabeça foi abaixando etc. E na hora de empurrar, também conseguia sentir cada contração, o que ajudou a focar meus esforços, saber quando respirar, quando empurrar, quando parar etc. O médico e as parteiras iam me guiando, mas foi sensacional conseguir participar “ativamente” do parto.

Não existe experiência igual!! Só tenho memórias maravilhosas daquele dia/noite e já mal posso esperar pelos próximos partos!

Foi cansativo, claro. No total, entre a bolsa romper e a Isabella nascer foram 21 horas de “trabalho”, sem comer ou dormir direito, mas foi o que meu corpo precisava para se preparar para aquilo tudo.

Eu também aceitei/optei por receber hormônios artificiais (oxitocina) para acelerar as contrações/dilatações, pois as horas estava passando rápido demais e o parto não estava progredindo de acordo. E como a regra aqui é que a mulher só pode ficar em trabalho de parto por 24 horas depois que a bolsa estoura, não quis arriscar ter que acabar numa mesa cirúrgica depois de passar tantas horas “trabalhando”. Mas gostei que no fim das contas, a opção foi minha. Poderia ter esperado mais algumas horas, e quem sabe, tudo teria progredido normalmente, sem intervenções nem hormônios artificiais. Mas naquele momento foi o melhor pra mim e minha filha, pois estava ficando cansada e não queria arriscar estragar o momento.

A fase de recuperação pós também é diferente entre o NHS e particular, pois a grandíssima maioria dos hospitais públicos, a mulher é transferida para uma ala pós parto, que são enfermarias divididas com outras mulheres e seus bebês (os hospitais Ingleses não tem berçários, e seja público ou particular o bebê SEMPRE fica com a mãe desde o primeiro segundo de vida). Portanto não há privacidade, as visitas são limitadas e o pai da criança ou parceiro(a) da mãe não podem ficar junto.

Se o parto não tiver complicações e o bebê nascer durante a manhã/dia, a família volta pra casa no mesmo dia (uma amiga voltou pra casa 6 horas depois que sua filha nasceu – sem anestesia e num parto na agua. Ela preferiu se recuperar em casa do que na enfermaria do hospital).

No nosso caso, como estávamos na ala particular eu pedi pra passar mais uma noite (estava muito cansada e com muito medo de voltar pra casa e ser responsável por um bebê! hahahahah), então eu e o Aaron passamos um total de 3 dias e 2 noites no hospital (o 1ª dia em trabalho de parto, e 2 dias e 1 noite já dividindo o quarto com a Bella!).

Mas o surpreendente mesmo é depois que o bebê nasce e achei o serviço prestado pelo NHS incrível!

Entre as primeiras 24 e 48 horas depois que a mãe e bebê voltam pra casa nós somos visitadas por uma midwife e/ou Health Visitor, que a cada 3 ou 4 dias vem visitar a mãe e o bebê para se assegurar que esta tudo bem na recuperação e adaptação da nova família.

Elas pesam o bebê, examinam a mãe, conferem amamentação, informam sobre alimentação, vacinação do bebê, depressão pós parto e o que mais mãe/pai/bebê precisem!

No nosso caso foi crucial pois a Isabella perdeu muito peso depois que nasceu, então a midwife vinha nos ver a cada dois dias (mesmo no dia que a cidade parou por causa de uma nevasca ela apareceu!), me orientou em relação a amamentação, como cuidar do umbigo, dar banho, colocar pra dormir, etc, etc, etc, até tudo estar 100% normal, o que só aconteceu com quase 3 semanas. E lembrando que a Isabella nasceu no auge do inverno, na semana mais fria do ano (na sua primeira semana de vida nevou 4 dias seguidos!), e só o fato de não ter que sair de casa com um bebê recém nascido abaixo do peso no frio foi uma alívio!

Esse apoio do sistema público de saúde foi fundamental para uma recuperação tranquila, amamentação bem sucedida e um bebê saudável!

Depois disso, na 6ª semana pós parto fizemos (eu e Isabella) um check up com o GP (General Practice, ou o clínico geral que é o médico de família de seu bairro) e eu também tive um check up com o Obstetra.

Daí pra frente, uma vez por semana (e agora que ela esta mais velha, uma vez por mês) vamos na “baby clinic” da clínica do bairro medir/pesar e fazer um check up geral e conversar com as Health Visitors.

Uma coisa estranha é não ser consultada por um pediatra, e sim um clínico geral ou enfermeira (a não ser que você tenha plano de saúde), mas eles fazem uma triagem inicial e se algo não estiver bem, seu bebê é encaminhado para a pediatria do hospital de seu bairro.

No sistema privado, funciona como no Brasil: você leva seu bebê uma vez por mês no pediatra, pode ligar de madrugada, fazer perguntas bobas sobre a cor do cocô e o que mais quiser :-)

 

Não sei se minha experiência teria sido tão positiva se meu pré natal e parto tivessem sido 100% pelo NHS, mas o pouco que vi, gostei bastante da filosofia “gestação-parto-pós parto” que eles tem aqui, em ambos os lados do sistema, e fico um pouco decepcionada com as estatísticas de parto no Brasil.

Agora só me resta esperar que minha próxima gestação seja tão saudável e tranquila quanto a primeira e que mais uma vez eu possa ter um parto normal, natural e sem complicações!

 

Categorias: Gravidez, Pessoal, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
72
29
Dec
2012
Boxing Day: Foi dada a largada na maior epoca de liquidações do UK!
Escrito por Adriana Miller

Como eu já contei em outros anos, o dia 26 de Dezembro é feriado nacional no Reino Unido e conhecido como “Boxing Day“.

O real motivo pelo qual esse dia é feriado é desconhecido da maioria, mas basta perguntar pra qualquer pessoa por aqui o que significa o Boxing Day e a resposta sera sempre a mesma: Liquidações!

Então dia 26 de Dezembro é uma espécie de Black Friday Britânica, e dá inicio ao periodo de liquidações mais importante do ano – que geralmente dura grande parte do mes de Janeiro.

Portanto não é tão crucial que você aproveite as liquidações apenas no dia 26, já na verdade terá o mês todo de preços baixos em 99% das lojas em Londres e no resto do pais.

Mas não dá pra negar que rola toda uma mística e ritual no Boxing Day, e tem muita gente que leva isso super a serio – e as filas na porta das lojas prova bem isso! Não sei se é curtição ou puro desespero e medo de acabarem os estoques, mas principalmente nas lojas de departamento ou de designers o pessoal perde a noção!

Mas dá pra aproveitar os bons preços sem pressa o mês todo, e o período de Boxing Day e Sales também se extende ao universo on line. Quase todas as lojas iniciaram sua página de promoções especiais de manha bem cedinho no dia 26 – muitas vezes com taxas de descontos (e maiores estoques) bem melhores doque nas lojas fixas!

Categorias: Compras, Conhecendo Londres, Inglaterra, Tradicoes Inglesas
4
21
Dec
2012
Licenca Maternidade no UK
Escrito por Adriana Miller

Nos ultimos meses muita gente me perguntou detalhes e me pediram pra contar como funciona a Licenca Maternidade no UK. Eu fiquei sem tempo, e ai enrolei, enrolei… mas como hoje eh meu ultimo dia de trabalho por muito e muitos meses, achei que seria uma boa finalmente falar um pouco sobre isso.

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Pra comecar um esclarecimento, pois sempre ouco por ai o pessoal falando sobre “la fora” ou “na Europa”, como se todo o continente pudesse ser classificado como uma coisa soh.

Por aqui, temos paises com politicas otimas, porem a maioria esta na media mundial ou ate mesmo um pouco pior.

Ok, que nao da pra comparar com a politica familiar vergonhosa dos EUA por exemplo, mas muito se engana quem esta no Brasil e acha que “na Europa” a coisa eh muito melhor! (quem acompanha o blog ha um tempinho deve lembrar que minha dissertacao de mestrado foi justamente sobre a licenca maternidade nos EUA!)

Na verdade, tirando os paises Escandinavos e o Reino Unido, a politica Maternidade/Paternidade dos paises Europeus eh bem homogenea – a maioria dos paises oferece apenas cerca de 4 meses para maes e 2 semanas para pais. Ou seja, praticamente o mesmo oferecido na iniciativa privada no Brasil, por exemplo.

O que varia entre um pais ou outro eh justamente os “plus a mais”, ja que no geral a Europa eh bastante generosa com politicas “familiares” e a lei trabalhista tende a ser muito amigavel a familias e o balanco vida/trabalho dos trabalhadores.

Entao em alguns paises eh possivel passar anos trabalhando em meio periodo para cuidar das criancas (e alguns paises ate oferecem seguranca de emprego durante esse periodo, entao trabalhar a menos pra cuidar da familia garante que vc nao seja demitido), outros paises permite que voce amplie a licenca familiar por um certo periodo nao remunerado, e por ai vai.

Ja na Inglaterra especificamente, as leis trabalhistas nao sao tao protecionistas quanto em alguns paises Europeus (principalmente os paises Latino-Europeus), mas a licenca maternidade e paternidade estatutoria (a garantida por lei) ja comeca bem mais confortavel que seus vizinhos Europeus.

Pra comecar que por lei, maes tem direito a 52 semanas de licenca (um ano completo) e pais tem direito a 26 semanas (6 meses) de licenca paternidade.

Mas eh claaaaro que nem tudo eh tao lindo e simples assim, e apesar de termos o direito de tirar ese tempo todo de licenca, a grandissima parte desse periodo eh nao remunerado, oque significa que a maioria das pessoas tira apenas uma fracao desse periodo.

E o grande variante eh justamente seu empregador, e obviamente sua situacao financeira e familiar.

Se voce trabalha para uma boa empresa (geralmente as multinacionais) com politicas generosas de Recursos Humanos, a sua empresa vai oferecer um “top up” no seu salario, garantindo X meses de licenca remunerados. Ou se a renda familiar se segura numa boa com apenas 1 salario, entao a coisa tambem fica mais facil por mais tempo.

Mas a lei, no papel funciona assim:

Licenca Maternidade:

A Licenca Maternidade na Inglaterra dura 52 semanas e eh dividida da seguinte maneira:

6 semanas iniciais onde o National Insurance (o equivamente ao nosso INSS ou Seguranca Social) paga 90% do seu ultimo salario – caso voce esteja trabalhando – ou entao te da uma “bolsa auxilio” de £125 Libras por semana (caso vc nao esteja trabalhando, mas seja contribuinte e pague impostos).

Depois dessas 6 semanas iniciais, a mae ainda tem direito a mais 33 semanas, totalizando 39 semanas chamadas de “Ordinary Maternity Leave”. Essas 39 semanas (mais ou menos 9 meses) eh o periodo “Pago” da licenca, porem o Governo so paga uma bolsa auxilio semanal, que para o ano fiscal 2012/2013 eh de apenas 125 Libras por semana, ou cerca de 500 Libras por mes.

Depois desse periodo, a mulher ainda tem direito a mais 13 semanas (mais 3 meses) de “Additional Maternity Leave”, onde ela retem todos os seus direitos trabalhistas porem eh um periodo de licenca nao remunerado.

Ou seja, para a grandissima maior das pessoas, nao eh possivel viver na Inglaterra com um salario de 500 Libras por mes, ainda mais considerando os custos extras de um bebe pequeno, e portanto a muitas mulheres voltam a trabalhar 3 ou 4 meses depois do nascimento do bebe.

Porem, se voce trabalha para uma boa empresa na iniciativa privada, com certeza voce tera direto a “Occupational Meternity Leave”, que eh um beneficio privado e facultativo a definir por cada empresa, que complementa seu salario durante parte ou a totalidade do periodo de sua licenca maternidade “Ordinary”.

Tenho varias amigas gravidas aqui na Inglaterra no momento, todoas com bons empregos em empresas multinacionais, e as politicas de suas empresas variasm entre 3 meses de licenca paga a 9 meses de licenca paga – mas a media do mercado eh pagar pelo menos 6 meses de salario integral.

Licenca Paternidade:

Em 2010 o governo Britanico mudou suas leis de Licenca Paternidade e os homens agora tambem tem direito a tirar ate 26 semanas de licenca paterndade, porem, assim como a licenca maternidade, as regras (e o pagamento) nao eh assim tao generosa quanto parece ser.

O padrao do mercado eh que apenas a primeira ou as 2 primeiras semanas apos o nascimento do bebe sejam remuneradas. Depois disso, as 24 semanas seguintes sao classificadas como “Ordinary Paternity Leave”, e assim como para as mulheres, os pais passam a ter direito apenas a receber uma bolsa auxilio do governo de 125 libras por semana.

Alem disso, qualquer semana (alem das 2 semanas iniciais) tirada pelos pais, eh descontada das semanas da licenca da mae. Ou seja, se o pai da crianca requisitar tirar 26 semanas de licenca, a mae da crianca so tera direito a 26 semanas, em vez do ano todo.

Ainda ssim eh bom, ja que daria a oportunidade a ambos os pais terem uma participacao igualitaria na criancao dos filhos durante os primeiros 6 meses de vida da crianca (Ou os 12 primeiros meses, caso o pai e a mae nao saiam de licenca ao mesmo tempo. Eque eh a intencao da politica), mas em termos praticos, o corte na renda familiar faz com que o beneficio nao seja muito utilizado – e sem falar no preconceito que ainda rola em relacao a homens que querem participar tao abertamente na criacao dos filhos a ponto de abrir mao da carreira por 6 meses.

Afinal, por mais que as mulheres reclamem de um certo “preconceito” em relacao a oportunidades de carreira e tal, essa ausencia eh bem aceita e ate mesmo esperada, mas ja os homens nao tem a mesma vantagem.

No outro dia eu estava conversando com uma colega aqui no RH, e dos quase 10 mil funcionarios que meu banco tem na Inglaterra, desde a mudanca da lei apenas 1 unico homem pediu licenca paternidade!

No nosso caso em particular a empresa do Aaron so paga por 2 semanas de licenca paternidade, entao eh apenas esse periodo que ele vai tirar pra ficar em casa 100% comigo. E apesar de que ele negociou um periodo de trabalhao mais “leve” e sem viagens nos primeiros meses, seu chefe (que eh Alemao) ficou horrorizado com a sequer possibilidade de que ele teria direito a pedir 6 meses de licenca! Ou seja, essa possibilidade foi de cara descartada, pra nao colocar sua carreira em risco.

E na minha empresa eu tenho direito a 6 meses de salario integral durante minha licenca, entao o padrao eh que mulher nenhuma volta a trabalhar antes dos 6 meses iniciais.

Eu dei aviso previo de 1 ano, so por via das duvidas, e potencialmente poderia ficar um total de 15 meses de licenca – considerando que minha data prevista de retorno eh dia 29 de Dezembro de 2013, e ainda tenho 6 semanas de ferias em 2013 e mais 6 semanas de ferias em 2014. Entao caso queira, ou precise, poderia ficar de licenca maternidade ate o inicio de Abril de 2014!!! Coisa de louco!

Mas na realidade, estou me preparando psicologicamente pra voltar a trabalhar la pra Setembro ou Outubro do ano que vem, e ja negociei com meu chefe que quando voltar, provavelmente voltarei num esquema flexivel, trabalhando 2 ou 3 dias em casa por semana, e os outros 2 ou 3 dias no escritorio ou viajando., e usarei parte das minhas ferias para trabalhar em esquema part time, mas recendo salario integral por mais uns meses.

Por sorte o Aaron conseguiu negociar o mesmo esquema com a empresa dele, e quando eu voltar a trabalhar ele tambem vai ficar em casa 2 ou 3 dias, e assim poderemos organizar nossas rotinas de trabalho e viagens a trabalho de maneira que nossa bebe nunca fique uma semana inteira sozinha em casa com a baba sem um dos pais sempre em casa durante o dia, garantindo que esta tudo bem, nem teremos que manda-la pra creche com 6 ou 7 meses de vida (que eu ainda acho muito noviha pra mandar pra creche).

Como isso tudo vai se desenrrolar na pratica, so o tempo dirah (sera que vou querer voltar a trabalhar antes de outubro, ou vou acabar querendo ficar de licenca ate Abril do ano seguinte?! Vamos nos acostumar com baba, ou vamos acabar preferindo uma creche?!), mas esse eh o plano no momento e esses sao nossos direitos e beneficios.

Entao tenho me sentido incrivelmente sortuda e felizarda de morar num pais que respeite tanto os direitos familiares, e por trabalhar numa empresa tao generosa em suas politicas e beneficios, onde nao terei que escolher entre uma carreira ou o bem estar de minha filha.

 

Categorias: Baby Everywhere, Gravidez, Recursos Humanos, Trabalho, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
29
01
Aug
2012
Os festivais de musica e shows do verao Londrino
Escrito por Adriana Miller

Entra ano, sai ano, uma coisa eh certeira: Londres eh uma cidade mestre em sediar grandissimos eventos!

E vai chegando o verao entao, a cidade acorda e se anima como nunca, pra aproveitar cada dia e cada fim de semana dessa estacao como se fosse o ultimo.

Entre os muitos eventos imperdiveis do verao Londrino que ja contei em outras ocasioes, tem uma area que os Ingleses sao verdadeiros especialistas: os shows e festivais de musica!

Alguns sao legendarios, como o mitico Glastonbury, outros mal entram na lista oficial (como o Guildfest, Hahahhaha, que eu ja fui ha uns anos atras!), mas voce pode ter certeza que praticamente toda semana, e todos os condados do pais terao seu festival de verao pra chamar de seu!

Mas Ingles que eh Ingles mesmo, e principalmente o pessoal “entendido” de musica vao concordar que festival que se preze eh aquele que dura varios dias, voce acampa, passa perrengue e “vive” aquela experiencia musical como nunca.

Em Londres especificamente, entre Junho e Agosto comecam a pipocar shows em quase todos os parques, atraindo os grandes nomes da musica mundial, com performances pra agradar a qualquer gosto!

Os maiores e melhores acontecem no Hyde Park – alguns sao shows independentes e avulsos, outros fazem parte de line ups mais organizados, como se fossem um “mini” festival (so que de proporcoes Londrinas!).

Eu tive o privilegio de ir em dois shows dos (meus) sonhos no Hyde Park, um ano passado (que acabou nao entrando no blog…) quando fui assistir o Bon Jovi no line up do “Hard Rock Calling Festival”, e esse ano fui no show da Madonna!

O espaco eh perfeito pra esse tipo de evento, com uma super infraestrutura montada. O lado negativo é que qualquer evento no Hyde Park é sempre 100% ao ar livre. Ano passado, no show do Bon (delicia) Jovi, pegamos uma dia ma-ra-vi-lho-so de sol, calor com um por do sol de matar.

Já esse ano, uma dos verões mais “molhados” dos ultimos tempos, não só peguei tempo ruim no show da Madonna, como alguns shows da semana anterior foram cancelados devido ao mal tempo (e excesso de lama no parque!).

E pra quem encara os grandes festivais INgleses, que duram varios dias, só aumenta a probabilidade de pegar tempo ruim em pelo menos algum dia.

Ou seja, tem que estar preparado pra curtir o show chova ou faça sol. Afinal, você compra seu ingresso com 6+ meses de antecedencia, e nunca se sabe como estara o clima naquele dia.

Entao a peça do vesturio Ingles que já virou sinonimo de festivais de verão são as tipicas galochas!

Mas voltando aos shows/festivais no Hyde Park.

A infraestrutura, como era de se esperar, absolutamente excelente!

Eu sempre chego com muitas horas de antecedencia pra custir bastante o clima do show – e lá você tem tudo que precisar: muitas barraquinhas com as mais diversas opções de comidas e bebidas

E os banheiros de primeirissima classe!

O principal é que são muitos! Raramente você pega fila, e mesmo quimicos/portaveis, você tem banheiros de verdade, com papel higienico, pia com ague corrente, sabonete liquido e afins.

(moral da história: pode ir nas barraquinhas de bebidas e tomar quantas pints quiser, e depois é só dar uma passadinha no banheiro antes de pegar a proxima rodada!)

A entrada e saida dos shows tambem são muito bem organizadas – na entrada todos passam pela inspeção de ingressos e pela segurança, e na saida, quando vocí começa a achar que vai dar confusão pra evacuar aquele mundarel de gente ao mesmo tempo, surpresa: varios portões ao redor do parque se abrem, liberando a galera de vota pras ruas (que ficam fechadas para carros, pra evitar acidentes) sem confusão.

Mas o principal mesmo é conseguir comprar os ingressos! Como tudo que rola em Londres, qualquer show, festival e evento esgota em questão de segundos, então todo mundo tem que ficar super esperto com datas, e sempre, sempre tentar comprar com a maior antecedência possivel!

Eu já dei a dica do TicketMaster antes (quando falei sobre ingressos pra peças e teatro em Londres), e é sem duvida o melhor site pra comprar (e ficar de olho) nos shows e eventos em Londres.

Voce compra tudo online, recebe confirmação por e-mail, imprime seu ingresso e pronto! Ready to rock!

Eu já me adaptei totalmente ao style Ingles e sou super organizazda (=neurotica) com planejamento, datas e afins, então prefiro comprar ingressos com muita antecedencia – então pra quem esta planejando viagem pra Londres (tanto no verão, mas tambem rolam altos shows o ano todo!) é uma boa já ficar de olho no site do TicketMaster e ver oque vai estar rolando na cidade durante sua estadia.

 

Categorias: Conhecendo Londres, Eventos, Inglaterra, Teatro / Musicais, Tradicoes Inglesas, Viagens
14
21
Feb
2012
Shrove Tuesday – O dia da panqueca
Escrito por Adriana Miller

Enquanto os paises ao sul do equador estao se esbaldando no Carnaval, a vida aqui na Inglaterra segue exatamente a mesma…

Se nao fosse por uma notinha minima no jornal de ontem, com uma foto de alguma piriguete semi-nua desfilando no Carnaval do Rio, anunciando o Carnaval, esse acontecimento teria quase passado despercebido…

Mas assim como a grandissima maioria dos paises cristaos, o Reino Unido tambem tem seu proprio ritual de comemorar a terca feira gorda e a quarta feira de cinzas – que nao importa o quao animado estava o bonde eletrico, ou o quao afinada estava a bateria no recesso da Sapucai, o motivo do aue eh o mesmo: o ritual de meter o peh na jaca proverbial nos dias que antecedem o periodo de 40 dias da quaresma, um periodo de reflexao e sacrificio cristao que antecedem a Pascoa.

Aqui na Inglaterra, esse periodo sempre foi historicamente ligado a periodos de jejum e sacrificio, entao a terca feira que antecede a quarta feira de cinzas eh conhecida como Shrove Tuesday (algo do tipo “terca feira anti desperdicio”) e eh o dia em que os Ingleses comem paquecas!

Entao o restaurante da empresa ja esta todo decorada com tematica de paquecas, e ano passado ate mesmo a “princesa” Kate Middleton teve uma de suas primeiras aparicoes oficiais pre-casamento na festa da Shrove Tuesday na Irlanda do Norte, virando paquecas como ninguem, que ocupou todas as capas de jornais daquela semana!

Mas porque panquecas?

Historicamente o Inglaterra e os paises do Reino Unido sempre foram muito pobres e com recursos limitados. Entao farinha, ovos, leite e gordura eram os principais ingredientes da alimentacao de qualquer familia proletaria.

E se voce juntar todos esses ingredientes numa frigideira oque sai? Pancakes! (que numa traducao tosca, significa “bolo de panela”).

Entao esse era a refeicao final que as familias Inglesas faziam antes do periodo de “Lent” (jejum), e portanto utilizavam todos os seus ingredientes que nao durariam mais de 40 dias armazenados.

Entao esteja voce pulando Caranaval ou nao nesse terca feira, aproveite mais uma desculpa pra encher a barriga de panquecas!

P.S. Eu ja postei aqui minha receita preferida de paquecas “tipicas”, aquela que fica bem fofinha e gorducha!

 

Categorias: Feriados e afins, Inglaterra, Tradicoes Inglesas, Vida na Inglaterra, Vida no Exterior
15
06
Feb
2012
Perrengue Congelado 2012
Escrito por Adriana Miller

Entre os muitos eventos que Londres proporciona anualmente a seus moradores e visitantes, o “snow day” tem se tornado cada vez mais frequente.

A parada é o seguinte: Londres não neva. Eu sei, é decepcionante pra quem se programa de visitar a cidade no inverno e acaba achando que frio = neve, e acabam se deparando com nada mais que dias escuros e chuvosos.

Porém, sempre neva em Londres! A diferença é que Londres geralmente tem UM unico dia de neve por ano (por inverno), e é sempre imprevisível saber quando será esse tal dia – já vi em Novembro, em Janeiro, em Março, agora foi em Fevereiro…).

Aí as pessoas comentam: “mas eu sempre ouço falar sobre a neve em Londres…”. E sabe porque vira noticia? Justamente porque nunca acontece, e quando finalmente neva, a cidade vira um CAOS!

Pois é, e na temporada de inverno 2011/2012, o tal dia de neve foi na noite de sabado pra domingo – e como era de se esperar, a “nevasca” foi imprevisível, e gerou o caos que já estamos acostumados!

Por acaso no sabado a noite, estava com um grupo de amigas no Leste de Londres – fomos a uma festa com uns amigos Espanhois, e o plano era, de lá, sair pelo centro de Londres.

A neve nos pegou de surpresa, mas como era bem pouquinha, não imaginamos que viria a ser um problema (além de que estavamos empolgados pra sair, e não ia ser uma nevizinha qualquer que ia atrapalhar nossos planos).

Papo vai, papo vem, quando finalmente resolvemos sair de casa, supresa: abrimos a porta e vimos tudo branquinho lá fora!

Mas estava longe de ser uma “nevasca”, e só nos demos conta de que o caos tinha de instaurado, quando ao ligar para todos as empresas de mini cab da vizinhança, descobrimos que taxi nenhum estava fazendo serviços!

Então toca todo mundo andar até a estação de metro a pé na neve – que ainda estava bem ralinha no chão.

Chagando na estação de Startford, tudo parecia normal e ainda não tínhamos desistido da balada no centro do Londres, até que, no segundo que entramos no trem da Jubilee line, as portas do metrô se reabriram, e o condutor anunciou que por causa da neve, todas as linhas de metrô estava suspensas!

Pânico! E agora, como voltamos pra casa?

Corre pra fila de taxis, e encontramos as ruas desertas. Corre pro ponto de onibus, e mais uma vez as ruas estavam as moscas…

Quando já estavamos imaginando que teríamos que mais uma vez passar a noite na neve (e foi com o mesmo grupo de amigas do “snow day” de 2009!).

Por fim, uma das minhas amigas, ligou pra uma outra amiga que morava pela redondeza e perguntou se podiamos nos abrigar na casa dela…! Que situação! Então por motivos de força maior tivemos que passar a noite acampados no chão do quarto de estranhos, com a esperança de que na manha de domingo as coisas estaríam voltando ao normal…

Eu sei que as pessoas ficam surpresas com esse tipo de situação em Londres – afinal como uma das maiores metropoles do mundo não tem infraestrutura pra lidar com a neve, e alguns míseros centimetros de neve no chão param completamente a cidade?!

Aí que eu volto a repetir: Porque em Londres não neva!

Então todo ano o governo repete a mesma história – não vale a pena investir alguns bilhões de Libras para equipar uma cidade gigantesca como Londres com tratores limpa neve, trocar os trilhos de trem, mudar a infraestrutura do metrô e afins, que serão utilizados apenas um único dia por ano.

Então nos anos em que a neve realmente se torna um problema (como ano passado por exemplo, já que esse ano a neve já derreteu e virou lama no dia seguinte), paciencia, e todo mundo tem que sentar em casa e esperar o caos passar.

Mas realmente não dá pra negar que neve é bontinha, e todo mundo comemora aqueles primeiros floquinhos que caem do ceu – que realment enão tem como ser bonito e hipnotizante!

Só que a realidade de ter que conviver com neve é muito diferente! Neve derrete e faz lama, deixa as calçadas, ruas e estradas perigosas e escorregadias, trens e metrôs atrasam sem explicação e a vida de todo mundo vira um caos!

Por sorte eu tenho a flexibilidade de trabalhar em casa, então hoje ainda nem tirei meu pijama – mas a media de atraso do pessoal do meu time hoje foi de mais de uma hora!

Então realmente neve é linda, mas apenas nas fotos dos outros, ou quando você pode ficar admirando de longe (ou brincando na neve!) no quentinho da sua casa!

E por isso, todo ano quando neve em Londres eu repito: Ainda bem que não neva em Londres!

 

Categorias: Clima, Perrengues, Vida na Inglaterra
26
15
Dec
2011
Meu Peru não morreu na Vespera VI
Escrito por Adriana Miller

Nem acredito que já fazemos essa festa de Natal ha 6 anos!

A primeira vez que resolvi dar uma festa de natal, a ideia foi simples: eu morava num apartamento com outros 3 estrangeiros (Dois Espanhois e um Australiano) que também iam passar o natal longe da familia, e que tinham mais uma inifinidade de amigos na mesma situação. Então resolvemos fazer uma festa de Natal para nossa familia “away from home” e convidamos todos os nossos amigos para comemorar um natal antecipado antes que cada um fosse pro seu canto.

A festa foi um sucesso, e nos anos seguintes eram nossos proprios amigos que já começavam a mandar e-mails em Outubro perguntando da festa!

Esse ano eu confesso que estava desanimada… não tive tempo de organizar nada, estava cansada, viajando demais e queria mesmo era ter um fim de semana sossegado… Mas ai cheguei a comentar isso com algumas amigas e a decisão foi tomada por mim: tínhamos que manter a “tradição”, mesmo que esse ano a festa fosse mais contida e comportada!

E assim foi. Mandamos os convites com apenas 2 semanas antes da festa (lembrem-se que na Inglaterra todo mundo é super organizado socialmente, e as pessoas já tem compromissos em Dezembro desde Setembro! Em anos anteriores mandavamos os convites em Outubro ou comeco de Novembro!), e então eu já sabia que muita gente não poderia ir.

Outra grande mudança foi que alguns de nossos amigos já estão começando a ter filhos, oque mais uma vez mudou totalmente a dinâmica da coisa. Então decidimos fazer um jantar, em vez de planejar a super-festa-de-arromba de outrora, e começando bem mais cedo, pra ser o mais kids-friendly possivel e não excluir ninguem.

E ainda bem que fizemos! Essas festas são sempre tão divertidas, e as nossas vidas estão TÃO diferentes doque eram ha 6 anos atras… é sempre bom ter tempo pra colocar o papo em dia, e rever amigos que muitas vezes só vemos uma vez por ano!

Como sempre, eu assei um peru e fiz as sobremesas, e cada um dos convidados trouxe outros pratos e bebidas.

Eu gosto de ver como todo mundo fica confortavel lá em casa e como realmente somos uma grande familia longe de casa. Fiquei pensando que de todo mundo que foi esse ano, apenas 2 eram Inglesas (casadas com estrangeiros). Nós até temos muitos amigos Ingleses e Londrnos de verdade, mas principalmente nessa epoca do ano, são os amigos que estao longe de casa que acabam se aproximando mais, e é bom ter isso por aqui.

A festa já não vara a madrugada, já não rolam convidados penetras fazendo confusão, nem pegação no quarto de hospedes e muito menos NTO’s (Nesquik, Tequila and Onions, uma piada interna…), mas mais divertido ainda é passar a noite toda dando gargalhadas lembrando dos momentos maravilhosos que já passamos todos juntos!

A arvore e meus enfeites sao sempre uma atracao a parte, e alguns amigos ja chegam correndo pra tentar identificar quais enfeites novos do ano, antes mesmo de cumprimentar todo mundo! Como muitos dos amigos do Aaron sao Sul Africanos, e esse ano eu fui pra Africa do Sul pela primeira vez, eles deram total aprovacao ao enfeite escolhido!

E adorei saber que alguns amigos tambem comecaram uma colecao de enfeites de viagens, inspirados na nossa arvore! Mas oque eu gostei mesmo foi a sugestao que um amigo deu ao reparar que a arvore estava ficando cheia demais: ja que nao cabe uma arvore maior no nosso apartamento, ele sugeriu que ano que vem eu deveria montar DUAS arvores, uma com os paises do hemisferio norte, e outra com os paises do hemisferio sul! Adorei! (mas sinceramente nao cabe la em casa nao…).

Já estou animada pra festa do ano que vem!

 

 

Categorias: Amigos, Natal, Vida na Inglaterra
27
04
Nov
2011
Dia de Guy Fawkes. Ou, Bonfire Night
Escrito por Adriana Miller

Aqui na Inglaterra não temos o costume de comemorar Halloween, mas em compensação o fim de Outubro/Inicio de Novembro tras uma festa tipicamente Inglesa: o dia de Guy Fawkes, também conhecida como Bonfire Night, ou o dia das fogueiras!

Não é exatamente um feriado (já contei outras vezes como o Inglaterra é pobrinha de feriados…), mas sempre rolam umas comemorações, principalmente se cair num fim de semana, como será esse ano.

O dia de Guy Fawkes é no dia 5 de Novembro, e é o dia que os Ingleses comemoram a derrota de Guy e do grupo Gunpowder Plot no dia 5 de Novembro de 1605, durante oque os Britanicos consideram o primeiro ataque terrorista da história (mas como falhou, eles comemoram).

O Gunpoweder Plot era uma organização anti-religiosa, que tentou assassinar o Rei James I, quando ele quis nomear sua filha, Princesa Elisabeth (que na epoca tinha apenas 9 anos) a ser a chefona da Igreja Católica no Reino (oque acabaria com a recém fundada Igreja Anglicana na Inglaterra, em 1534).

Guy Fawkes, que era um respeitável militar do alto escalão Naval Inglês, e o resto do grupo Gunpoweder (pólvora) invadiram o porão do Parlamento e colocaram cerca de 46 barrís de pólvora, prontas para serem explodidas durante a abertura da temporada parlamentar, matando o Rei e os Commons e Lords que estivessem presentes – além de claro, destruir completamente o predio.

Então devido a uma denúncia anônima, Guy foi encontrado no porão do parlamento, quase a meia noite do dia 4 de Novembro, prontopara sua missão suicida e explodir o parlamento e assassinar todos os principais políticos do Reino.

Guy foi logicamente preso e recebeu a sentença de pena de morte, e a maioria dos outros Integrantes do Gunpowder Plot fugiram do país.

Originalmente, esse “feriado” tinha um caracter religioso, comemorando a tolerância e liberdade da Igreja Anglicana (em comparação da Igreja Católica do século 16), oque também acabou gerando um fase de perseguição, intolerância e inquisição contra católicos no pais (principalmente quando Elisabeth I – que era criança na época) subiu ao poder.

Mas hoje em dia o dia de Guy Fawkes perdeu quase todo seu cunho religioso e acabou virando o Bonfire Night, ou a noite das fogueiras, que a maioria das pessoas aproveita pra soltar fogos de artificio e arganizar fogueiras e churrascos que comemoram o começo do inverno e a abertura da “temporada” de festas.

A grande maioria dos parques de Londres (e de todo país) organizam queima de fogos e mercados/feiras com varias atividades, parques de diversões e muitas atividades.

Ano passado nós fomos assistir a queima de fogos no Battersea Park e foi definitivamente uma experiência interessante!

Para 2011 a Time Out preparou uma boa lista de lugares pra assistir a queima de fogos, e muitos bares e restaurantes com boa “vista” da cidade também fazem festas especiais (o Madison Roof Bar é um bom exemplo e estão preparando uma festa pra assistir a queima de fogos amanha). E alguns parques vão repetir a comemoração também no sabado dia 12 de Novembro.

 

Categorias: Conhecendo Londres, Eventos, Feriados e afins, Inglaterra, Parques, Tradicoes Inglesas, Viagens
12
10
Oct
2011
Por indicacao de Vossa Majestade, a Rainha
Escrito por Adriana Miller

No outro dia, em alguma de minhas viagens a trabalho, assisti na CNN o Piers Morgan (jornalista Ingles que eu adoro, que substituiu o Larry King) entrevistando o Simon Cowel, que foi no minimo interessante.

Uma das cosias que o Simon Cowel falou e que prendeu minha atencao foi o tema da familia real. O Piers tentou jogar a isca achando que o Simon ia ser polemico e falar mal da monarquia, mas na verdade ele confessou que adorava oque a familia real representava na cultura Inglesa. O fato de que os Britanicos em geral, nao sao os melhores, nem os mais bem sucedidos, nem os mais inteligentes nem bonitos – mas eles tem uma familia real como nenhum outro povo, e essa mistica da Realeza da um poder a cultura Britanica inalcancavel a outros paises (com Monarquias operantes ou nao).

Entao esse assunto dominou grande parte do programa, e o principal argumento do Simon Cowel foi que a familia Windsor eh o grande diferencial dos Britanicos. Discussoes a parte sobre sua fortuna, verdadeira funcao politica e tal, isso me fez pensar sobre o tal do “dedo de ouro” que a realeza Britanica tem no mundo.

Vide o fenomeno irmas Middleton. Entao nao da pra negar que a realeza tem um poder que vao muito alem das escadas sociais Britanicas, e de fato, tudo que eles tocam viram sucesso.

Mas isso vai muito alem das capas de tabloides e teorias da conspiracao, pois no Reino Unido existe de fato um “selo” de autenticacao Real que reconhece os fabricantes e comerciantes que produzem bens consumidos pela familia real.

Receber o Royal Warrant eh uma honra maxima alcancada por fabricantes e marcas Inglesas, e significa nada mais nada menos que a Rainha usa, aprova e recomenda determinada marca.

Entao as marcas que recebem essa honra, expoe orgulhosamente seu selo real (com o leao e unicornio) e a frase “By appointment of her Majesty the Queen” (Por indicacao de sua Magestade a Rainha) em todas as suas embalagens e merchandising.

Sao cerca de 800 marcas Britanicas e extrangeiras que detem o selo real atualmente, e entre elas estao algumas das marcas mais tradicionais Inglesas, como a Burberry, as galochas Hunter, os chas Twinings, o hotel Ritz e as bolsas Asprey.

Mas muitas outras marcas que fazem parte do dia a dia no Reino Unido tambem entram na selecionada lista de fornecedores reais, como as farmacias Boots, o supermercado Waitrose e a loja de departamentos John Lewis.

O processo de selecao eh rigoroso, e por isso mesmo atestam a qualidade dos produtos e dos servicos – o selo pode ser conferido espontaneamente por algum membro da familia real (apenas a Rainha, o Duque de Edinburgo e o principe Charles tem “poderes” para conceder selos de appointment) ou depois de passar por uma rigorosa selecao e teste de qualidade, atravez da Camera de Comercio do reino (e do Lord Chamberlain, que tem uma funcao privilegiada de Lord-governanta e conselheiro real).

Ou entao, muito mais facil que receber o selo real pra promover sua marca, basta conseguir que uma das irmas Middleton usem alguma peca da sua loja  e pronto! Estoques esgotados na certa!

Entao da proxima vez que voce estiver preparando seu cha Twinings enquanto passa sua mostarda Colman’s no seu sanduiche, pense que a Rainha poderia estar fazendo a mesma coisa!!

 

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