07 Jun 2010
14 comentários

Monte das Oliveiras

Israel, Jerusalém, Viagens

(acho que eu nunca demorei tanto pra terminar a serie de posts de uma viagem….)

Além de passar nossos dias perambulando sem rumo pelas ruelas da cidade antiga de Jerusalém, nós também queriamos ver um pouco mais da cidade fora do muro. Entao nos inscrevemos no tour do Monte das Oliveiras com o grupo do New Jerusalem que já contei aqui.

Até daria pra fazer esse mesmo passeio de maneira independente, mas estava o maior calor, é meio complicado de chegar lá em cima, e adoramos os guias e a aula de historia e religião de cada uma dos passeios.

A primeira parada do passeio foi a Igreja da Ascenção, onde acredita-se que foi o lugar onde Jesus Cristo ressucitou e ascendeu ao paraiso. E assim como o Domo da Rocha no bairro Muçulmano, o templo da ascenção foi construido em cima do lugar onde a impressão digital do pé de Jesus ficou impresso na rocha.

Curiosamente, a “Igreja” hoje em dia esta sobre o comando de uma familia Muçulmana, e está sob os cuidados dessa familia ha centenas de anos. Então não é de se estranhar que na verdade o templo nao é nem um pouco segundo os moldes catolicos: a construção é em formato exagonal, o teto é um cupula em domo e lá dentro tem um minarete (que indica a direção a Mecca).

De lá fomos direto pra Igreja Pater Noster, que é a Igreja que foi construida no mesmo lugar onde Jesus ensinou a oração do “Pai Nosso” aos seus descipulos – a Igreja foi parcialmente destruida durante a 2ª Guerra, e sua estrutura foi usada como deposito de armas, porém esta sendo cuidadosamente reconstruida e como parte da decoração do jardim e patio estão inumeros mosaicos com a oração Pai Nosso impresso, em dezenas e centenas de linguas e dialetos de todas as partes do mundo, oque é bastante emocionante!

Por dentro a igreja é bem simples, e a atração principal é justamente a gruta onde o ensinamento da oração aconteceu.

Ainda na mesma rua, descemos em direção ao ceminterio Judeu, que por centenas de anos foi o principal e mais importante cemitario Judeu do mundo. Centenas de milhares de judeus estão enterrados por ali, onde acredita-se que o julgamento final vai acontecer – e assim, a crença é que as almas que foram enterradas por ali serão as primeiras a receberem o julgamento e ascender para a vida eterna.

O interessante é reparar que todos os caixões e sarcofagos estão virados com os pés voltados para o vale, já preparados e virados para o lado certo – visão de camarote para o julgamento!

E não é por acaso que logo do outro lado do vale, frente a frente está tambem o cemiterio Muçulmano, enterrados na mesma direção e tambem estperando o julgamento divino.

Reparem que em cima dos sarcofagos, existem umas pedrinhas – na tradição judaica, em vez de deixar flores para os entes queridos, as pessoas deixam pedras, afinal elas duram muito mais e portanto a presença de quem esteva por ali durarah pra sempre. Então imagina que algumas dessas pedrinhas podem estar ai ha centenas de anos!

Isso sem falar que a vista lá de cima é super privilegiada! É possivel ver a cidade inteira e entender melhor como funciona a dinamica do muro da cidade, o vale, os cemiterios, os portões e as cupulas!

Continuamos descendo o Monte até que chegamos no Igreja Dominus Flevit, que é uma igreja de arquitetura bem moderna e recentemente construida, e sob os cuidados de Monges Franciscanos, e foi construida em homenagem ao local onde Jesus teve a visão de que Jerusalem seria atacada e destruida e o templo Judeu seria destruido (oque de fato aconteceu, 40 anos depois, sob ataque do Romanos em 70dc).

A Igreja é bem pequena, e em vez de um altar, o fundo da Igreja tem uma janela enorme, com a vista privilegiada do Templo do Monte, onde um dia o templo Judeu estava, e foi essa a vista que Jesus teve.

Outra igreja linda ali na mesma rua é a Igreja Ortodoxa Russa, que domina a vista do Monte das Oliveiras, para quem olha desde Jerusalem, com suas cupulas douradas reluzentes. Porem ali funciona um convento Ortodoxo, e portanto as visitas sao super hiper limitadas – nós não tivemos sorte e só vimos as cupulas de longe!

A ultima parada na descida do Monte das Oliveiras é a Igreja de Todas as Nações, que foi construida no meio do Jardin Gathsemane, onde Jesus foi traído e preso pelos Romanos. O Jardin é impressionante, com Oliveiras que estiman-se que existem por ali ha mais de 2 mil anos! Se elas realmente são tão antigas não se sabe ao cero, pois provavelmente os Romanos destruiram tudo, mas as arvores são sem sombra de duvida enormes e antiquissimas!

E as poucas Oliveiras que ainda existem e são produtivas por ali, são as Oliveiras que fornecem as olivas/azeitonas que produzem o azeite usado pelo(s) Papa no Vaticano!

A Igreja, que também é conhecida como a Igreja da Agonia também é uma construção relativamente moderna, e tem 12 cupulas, representando os discupulos e as nações que foram envolvidas em sua construção. E por dentro sua decoração é toda bastante escura, para representar a traição e a agonia de Jesus.

Mais uma vez o passeio foi bem legal, e ajudou ainda mais a entender melhor a historia do local, e o quanto as 3 religiões de Jerusalem são tão interligadas!

Adriana Miller
14 comentários
03 Jun 2010
9 comentários

Masada

Israel, Palestina, Viagens

Um passeio a Masada nao estava nos nossos planos durante a viagem a Israel, e pra ser bem sincera eu nunca tinha ouvida falar sobre essa cidade, ateh que uns dias antes da nossa viagem, um amigo do Aaron recomendou que visitassemos o lugar.

Pra nossa surpresa, quando chegamos em Jerusalem, quase todos os passeios ao Mar Morto incluiam uma passadinha a Masada, entao porque nao?!

Masada eh o tipo do lugar que nem tem tanta coisa assim pra ver, e as ruinas estao bem mal conservadas, mas uma vez que voce conhece a historia do lugar o o significado que representa pra religiao Judaica, ai sim, tudo faz sentido e entemdemos porque aquelas ruinas atraem milhares de pessoas todos os anos.

Masada eh uma mini-cidade fortaleza, construida pela faccao “Sicarii” judaica, que eram os guerrilheiros de Jerusalem. Apos a destruicao do Segundo Templo pelos Romanos em 70d.c. os Sicarii fugiram para essa montanha no meio do deserto onde contruiram o forte e se recusaram a se render ao poder Romano.

Entao dentro da cidade eh possivel visitar as ruinas da estrutura construida por eles, e como era possivel sobreviver por tantos anos no meio do deserto, em situacoes sao adversas – sem agua, sem agricultura, nem nada. O ponto de referencia mais proximo eh o Mar Morto e as montanhas do deserto ao redor.

A cidade era composta de cistertas, armazens para comidas, pastos para animais e muitas armas. E deu certo. Por varios anos a cidade sobreviveu sem enfrentar grandes problemas contra os Romanos, que jah tinha dominado Jerusalem – de onde eles fugiram, pra salavar sua religiao e sua crenca.

Ateh que o Governador Romano Lucius Flavius Silva resolveu atacar a cidade, e levou seu exercito para o deserto, onde por anos os Romanos construiram seus acampamentos e cercaram a cidade, impedindo que os Sicarii saissem de Masada para mantimentos, agua, armas, etc.

Mas pro sua localizacao geografica, era simplesmente impossivel que o os Romanos atacassem a cidade – a cada tentativa, os Sicarri atacavam os Romanos de cima pra baixo e ganhavam de lavada.

Ateh que um belo dia Lucius Silva resolveu jogar sujo: escravizou centenas de escravos de guerra Judeus que entao comecaram a construir uma rampa (de terra e pedras) conectando o deserto a montanha – O Governador sabia que os Sicarii nao atacariam nem matariam outros judeus, e portanto eles sucederam em contruir a rampa e alcancar a cidade.

Mas oque realmente faz dessa historia tao magica, e dessa cidade tao significativa eh que na noite anterior ao ataque Romano, quando os Sicarii se deram conta que eles tinham perdido a batalha, eles organizaram um suicidio coletivo – pois preferiram tirar suas proprias vidas doque se entregar aos Romanos e abrir mao de sua feh.

Na manha seguinte, quando os Romanos finalmente invadiram o forte, encontraram toda populacao morta e tudo destruido. E essa “batalha” ficou pra sempre conhecida como a vergonha dos Romanos, que apesar de tudo nao tiveram a satizfacao de conquistar o povo Judeu.

Mas como disso, a cidade/fortaleza em si nao tem muita coisa pra ver nao, e sem um guia eh praticamente entender oque eh oque, oque significa oque. mas n total, passamos menos de 20 horas por lah, oque achei suficiente.

O dia estava um calor de MATAR, e lah de cima tinhamos a vista privilegiada do Mar Morto e do deserto da Jordania e jahe stavamos sedentos pra ir mergulhar no mar!!

Adriana Miller
9 comentários
29 May 2010
24 comentários

Jerusalém – Bairro Muçulmano

Israel, Jerusalém, Viagens

O bairro Muçulmano de Jerusalém é o mais “vivo” e movimentado de todos, e o motivo é bem simples: o super movimentado mercado Arabe, ou Souq.

Uma das ruas do bairro Muçulmano visto desde o bairro Armênio

Outra das muitas ruas interligadas do bairro

Na verdade não existe uma area apenas para o mercado, e por todas as partes para onde as ruas se espalham, lá estão as lojinhas, vendendo toda sorte de quinquilharias, e principalmente toda e qualquer coisa religiosa. Quer um crucifixo? O Arabe tem (com preço melhor que o tio da lojinha Cristã). Quer uma Menorah? O Arabe também tem.

Mas o melhor do bairro Arabe de Jerusalém é que ao contrario dos muitos outros marcados arabes que já fui no mundo, eles te deixam em paz!

Voce pode andar a vontade, olhar as coisas expostas, mexer, tirar fotos e ninguem fica te enchendo o saco pra comprar isso ou aqui, meu preço é melhor, qual seu preço, quem dá mais, etc, etc, que são tão tipicos em Souqs, e que para muita gente estraga a experiência.

Mas as atrações principais do mercado são as frutas secas e nozes, temperos e ervas, incensos, tapetes, porcelanas, pratas e joias, muitas joias (daqueles mega douradas com pedras colorias e bem espalhafatosas!)

Uma das areas mais animadas do mercado/barro Arabe estão na vizinhança do Portão de Damascus, e onde o mercado fica com menos cara de turismo e com mais cara de feira local, onde a comunidade Muçulmana faz suas compras.

E é aqui também que como em qualquer outra area Muçulmana do mundo é bom estar bem coberta, nada de muita perna, ombros e peles em geral apareçendo – quanto mais perto do Portão mais “autentica” a area vai ficando e volta e meia voce acaba ouvindo umas barbaridades.

Mas cruze o portão e suba nas Ramparts, que são as areas “andaveis” do muro que cerca a cidade e teem uma vista incrivel da dinamica da cidade antiga.

A principal atração do bairro Muçulmano é sem sombra de duvidas o Domo da Rocha, que é o santuario dourado com pinta de Mesquita.

Mas é também o Domo da Rocha que é  (uma das) fontes de tensão em todo Oriente Medio. Porque? Se voces repararem bem, o Domo da Rocha esta construido bem em cima do “Monte do Templo”, a plataforma construida pelo Rei Salomão para abrigar o principal Templo Judeu do mundo – que foi construido e reconstruido duas vezes, e hoje em dia sobrou apenas o Muro das Lamentações.

O Domo da Rocha é super impressionante e totalmente domina a paisagem da cidade. É praticamente impossivel não tirar centenas (literalmente, no nosso caso) de fotos dos diferentes angulos do templo, e querer captar todos os detalhes.

A cupula, que um dia já foi coberta de ouro 18K de verdade, alem de dourada e reluzente, ainda é totalmente decorada por azuleijos pintados a mão (!) por artesãos Armênios, com flores tipicas da região e caligrafica Arabe contando historias do Alcorão e a história doque se passou ali.

Turistas não Muçulmanos são bem vindos em cima do Monte, pero no mucho, e existem um zilhão de regrinhas que na verdade de impedem de chegar lá em cima.

Toda area, apesar de Arabe-Muçulmana, é governada pelo governo Israelita, e policiada pelo Exercito Israeli, e portanto, por pura intriga da oposição, eles nao querem que os turistas cheguem lá em cima.

São pequenas coisas do tipo: o horario de abertura é super restrito, apenas de 2ª a 5ª feira, e apenas entre 13:30 e 15:00 da tarde. Não existe uma unica placa avisando onde é a entrada, ninguem pra dar informaçoes, e o pior de tudo, o lugar onde a fila se forma nao tem uma unica sombrinha nem lugar pra sentar!

Então não foi a toa que só conseguimos achar o tal lugar quando fizemos um passeio guiado, e todas as pessoas esperando na fila (e sofrendo embaixo do sol) eram tambem de grupos com guias.

E pra completar, ainda tem uma placa enorme bem na entrada, com uma mesangem do Rabino “chefe” de Jerusalém lembrando a todos os Judeus que as leis ro Torah proibem a entrada de Judeus ao espaço do Monte do Templo!

Mas chegando lá em cima é até dificil de acreditar que ainda estamos na mesma cidade, pais ou planeta! Depois de passar por toda segurança, detector de metais e afins, subimos uma rampa de madeira e passamos por um portão que te leva ao “Central Park” do Oriente Medio.

Chega a ser dificil de acreditar que o lugar que gerou (gera) grande parte dos principals conflitos da região é tambem um lugar tão tranquilo e pacifico. Velinhos sentados na sombra, familias fazendo pic nic na sombra das arvores, crianças jogando futebol…

(Mas ai voce olha pro lado e ve um Israelita armado até os dentes!)

Garantindo a "paz" local

Não-Muçulmanos não são permitidos dentro do Domo da Rocha e da Mesquita, mas diz o nosso guia que na verdade eles não verificam nada – em Israel é tudo na base do “racial profiling” (Racismo, em bom Portugues) e te tratam bem ou mal dependendo se eles acham que voce tem cara de Judeu, Arabe ou Cristão. Diz a lenda que turistas com cara de Arabe conseguem entrar sem o menor problema!

O guia fez questão de nos lembrar várias vezes não é permitido tirar fotos se abraçando

A historia do “Monte do Templo” é super complexa, mas bastante interessante. Originalmente a “plataforma” foi construida para sediar o principal templo Judeu, e depois o segundo templo Judeu, que foi destruido pelos Romanos em 70 d.c. Uma vez que templo já estava destruida, a area livre e os Arabes (Otomanos) governando a região, eles então resolveram construir seus templos no mesmo lugar, segundo a tradição Muçulmana.

Então diz a historia que foi ali que o Profeta Mohammed ascendeu ao paraiso para conversar com Deus, e no processo de ascenção, deixou uma pegada impressa na rocha. E pra completar a santicidade do local, ainda ficaram também impressas a impressão digital das mãos do Arcanjo Gabriel, que foi quem “segurou” a Rocha enquanto Mohammed ascendia.

Então o Domo da Rocha nada mais é que um teto, ou uma estrutura construida para proteger a area e mostrar, com toda opulencia arabe, a importancia do local – assim como os Cristãos fizeram na Igreja do Santo Sepulcro.

E pra completar, lá de cima temos a vista privilegiada do Monte das Oliveiras! (que vai ficar pra outro post!)

Adriana Miller
24 comentários
Página 1 de 512345