28
Mar
2005
Pra la de Marrakesh…
Escrito por Adriana Miller

Finalmente entendi o sentido dessa frase. Sempre que a minha mae queria se referir a alguma lugar muito longe, essa coisa ficava “pra la de Marrakesh”; e eu senti na pele o porque disso.

Depois de esperar o trem que nos levaria a Marrakesh por nada menos que 8 horas, trancadas na estacao de Fez (varias pessoas nos falaram para nao ficar na rua durante a noite de jeito nenhum, e nosso trem so saia as 3 da manha), uma longa viagem noturna num trem lotado com um arabe louco que resolveu sentar bem do meu lado e passou a noite toda deitando no meu colo (ou caindo de sono,coitado, sei lah, soh sei que nao gostei nada) a cada 5 minutos; ou seja: uma longa e desconfortavel noite sem dormir.

Jah que eu nao dormi mesmo, assim que o dia amanheceu pude apreciar a vista durante a viagem, e ver como a medida que iamos entrando no pais o visual ia mudando pouco a pouco, a teh virar um grande deserto.

Na area de Marrakesh o deserto do Sahara nao chega a ser aquele imagem de deserto que temos, com dunas de areia e camelos pra cima e pra baixo. Eh mais uma paisagem meio lunar…terra seca, areia, pedras e muitos cactus pra todos os lados.

A aparencia de pobreza continua, mas numa maneira menos ocidental, uma coisa mais humilde que pobre. As casas sao feitas de um barro da cor da terra (meio alaranjado), e sao meio camufladas entre os cactus, e meio enterradas no chao. Uma coisa mais “tribo” e menos “favela”. Gostei.

Chegar em Marrakesh foi um presente… A cidade eh literalmente um oasis no deserto.

Aliais, foi assim que ela surgiu: um sultao qualquer se deparou com esse rico oasis no meio do deserto e ao lado das montanhas Atlas e resolver iniciar ai uma cidade e construir um palacio.






Acidade eh incrivelmente verde, e apesar de estar a anos luz do mar mais proximo, tem um ar de cidade balnearia indescritivel… As ruas sao muito arejadas e a arquitetura eh toda uniforme, inclusive na cidade “nova”, todas as construcoes tem o mesmo padrao e as mesmas cores (tb um vermelho alaranjado).

Achar um hotel humanamente aceitavel tb foi muito mais facil, e nos hospedamos logo na primeira opcao; mais ou menos o mesmo preco (muito barato!) de Fez, com banheiro no quarto (um luxo inclusive pra padrao europeu!!) e uma bonita vista da cidade.

Saimos pra explorar a cidade. A medina (parte velha, dentro das muralhas) eh muito mais organizada e ampla, entao nao precisamos de guia.

O centro da medina tem uma praca enorme, com varios vendedores de suco de laranja (um copao enorme por 0,30!! E uma delicia!), bailarinas de danca do ventre, encantadores de serpente, Bereberes vendendo cha de menta, mulheres completamente cobertas das cabecas aos pes fazendo tatuagm de hena nos turistas.

Os Zouks (mercados de dentro da medina, quartier) tb sao mais organizados e arejados, pesar de oferecer mais ou menos a mesma gama de produtos que em Fez, e estarem mais ou menos organizados da mesma maneira: zouk dos babuches, zouck das especiarias, zouk dos couros, dos tapetes, da seda, dos tecidos, dos vidros e espelhos, etc…

No fim da tarde, quando o sol baixa, a cidade se transforma e lota! A praca central da medina vira um grande mercado a ceu aberto, artistas tomam conta das ruas, e a luz do por do sol intensifica ainda mais as cores das casinhas.

Achamos outro restaurante tipico extremamente barato e bom, e depois de uma exagerada refeicao tipca voltamos pro hotel sonhando nada mais nada menos com uma tao merecida noite de sono…

No dia 2, resolvemos explorar um pouco os arredores da cidade; o plano inicial era fazer um day trip ate a cordilheira do Atlas ou o deserto, mas descobrimos que era longe demais,e corriamos o risco de perder o trem a noite. Entao ficamos pelos arredores de Marrakesh, onde nossos pes podiam nos levar. Caminhamos horas embaixo do “sol africano” recem saidas do frio Madrilenho. Resultado: queimaduras de sol, ombro ardido e a marca da camiseta nos bracos.

Fomas ateh o jardim da Menara, que era um templo onde os Sultoes levavam suas pretendentes para passear, e no meio do jardim tem um grande lago artificial, porque diz a lenda, que as “concorrentes” nao selecionadas eram afogadas e eliminadas ali mesmo. O lugar tem um visual incrivel… O lago, o jardim de oliveiras, a cordilheira do Atlas como pano de fundo e os camelos passeando pracima e pra baixo…

   

 

A noite pegamos outro trem, que nos levaria ao nosso destino final, Tanger, e de lah, de volta pra casa.

 

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