01
Jun
2011
T.V. EveryWhere: Trekking no Annapurna (parte 3 e final!)
Escrito por Adriana Miller

Aqui estão os ultimos dias do trekking e algumas cenas de Pokhara.

E aprendi a colocar legenda nos videos (continuo na filosofia “editando e aprendendo”…) entao mesmo quem nao fala Ingles pode entender as partes narradas pelo Aaron.

E esse video encerra de vez a serie de posts sobre o Nepal!

Categorias: Annapurna, Nepal, Pokhara, T.V. EveryWhere, Viagens
21
30
May
2011
T.V. Everywhere: Trekking no Annapurna (Parte 2)
Escrito por Adriana Miller

Video que cobre os dias 3 e 4 do nosso trekking no Annapurna!

Em breve a parte final vem ai….

Categorias: Annapurna, Nepal, T.V. EveryWhere, Viagens
23
27
May
2011
T.V. Everywhere: Trekking no Annapurna (Parte 1)
Escrito por Adriana Miller

No total nós fizemos quase uma hora de videos, então deu trabalho pra editar tudo, e meu computador, tadinho, quase não aguentou!

Então o relato-visual da nossa viagem pelo Annapurna vai ser dividido em partes. E aqui esta a parte 1, que cobre o dia 1 e 2.

A musica é da cantora Nepalesa Anju Panta, que nosso guia era, sem duvidas, fa numero 1!!!!

Ele tinha umas musicas dela no celular, que tocava, repetitivamente o dia todo. Eu praticamente decorei a letra!

 

Categorias: Annapurna, Nepal, T.V. EveryWhere, Viagens
42
25
May
2011
Dal Bhat – A Comida Nepalesa
Escrito por Adriana Miller

Uma das coisas uqe mais me surpreendeu no Nepal – e que ue mais gostei tambem – foi a comida!

Depois de uns dias 100% a base de curry na India, eu ja estava meio apavorda achando que ia ficar isolado no meio dos Himalaias comendo curry todos os dias!

A culinaria Nepalesa ainda tem muita influencia da India, e consequentemente, curry. Mas eles tambem sofrem bastante influencia das China (Tibet) e entao a culinaria local eh meio uma mistureba dos dois.

Mas principalmente, apesar dos visinhos peso-pesados, o Nepal eh um pais bem individual, e cheio de particularidades, entao por mais que esteja esmigalhado entre as duas principais potencias da Asia (e do mundo!) o Nepal tem uma principal influencia: Os Himalaias!

Entao sao justamente as montanhas que determinam o estilo de vida e a cultura Nepalesa, e independente de qualquer outra coisa, impacta diretamente no que eles comem.

Momo

‘O pais tem um mistura entre Hindus e Budistas, sendo que muita gente acredita mais ou menos nas duas religioes (nosso guia era engracado, qualquer templo que aparecesse pela frente, la ia ele fazer sua oferenda e dar uma rezadinha – fosse o templo Budista Nepales, budista Tibetano ou Hindu!), entao isso significa que nao eh tao impossivel achar carne, por exemplo.

Mas por outro lado, 90% do nosso tempo e nossas “experiencias gastronomicas” foram nas montanhas, oque por si so, ja faz com que tudo seja bem diferente. Entao por mais que uma familia seja budista e tenha vacas no quintal por exemplo, isso nao significa que les vao querer matar a vaquinha pro almoco. A vaca vai ajudar a arear a terra, vai dar leite, vai carregar mercadoria entre uma vila e outra e afins.

Entao oque vimos por la foi que intencionalmente ou nao, a grande maioria das pessoas eh vegetarian. As vezes rolava um frango aqui ou ali no menu, mas meio raro.

Refeição Completa!

Mas a culinaria no Nepal tem dois carros chefe: “Dal Bhat” e “Momo”.

Eu cnheco uma menina aqui em Londres que eh Nepalesa e a primeira coisa que ele me disse foi “Prove Momo!”, entao essa foi a primeira coisa que eu fiz!

Momo eh tipo um dumpling de massa de arroz, com recheio de vegetais, queijo ou frango e pode ser um dumpling ensopado (meu preferido) ou frito. Ele nada mais eh doque um mini pastelzinho, mas que vem com um molho meio apimentado, meio de curry, que eh uma delicia!!

Foi facil achar Momo nos vilarejos que passamos, mas como a comida era sempre “da terra”, acabamos desistindo do MOmo porque demorava muito pra preparar (elas iam moer o arroz pra fazer a farinha, misturar a massa, colher os vegetais pro recheio, preparer os temperos, cozinhar etc… Zzzzzz….).

E alem disso, precisavamos de sustancia pra andar 8 horas por dia ladeira acima e ladeira abaixo, entao comiamos sempre o memso que o guia e o carregador pedissem: Dal Bhat!

A maneira mais facil de descrever o Dal Bhat eh falar que Dal Bhat esta para o Nepal, como o arroz com feijao esta pro Brasil e a batata cozida esta pra Portugal.

Eh o basico da culinaria, eh a comida que todo mundo tem acesso, cresce o ano todo, eh barato e enche barriga.

Mas pra completer, o Dal Bhat realmente eh como arroz e feijao!

Dal = Lentilha, Bhat = Arroz.

Entao os nepaleses comem todos os dias, 365 dias por ano, arroz com lentilhas. 

Dal Bhat

E a maneira como eles preparam eh igualzinha ao feijao preto Brasileiro, cheio de temperos, alho e cebola refogada, e cozido na panela de pressao!

Logo na nossa primeira noite, quando eu senti aquele cheirinho “de feijao” no ar e ouvi o barulho da panela de pressao foi um déjà vu muito bizarro…

E o gosto tambem eh muito parecido! Delicia!

Molho de Pimenta verde

Eu comi Dal Bhat TODOS OS DIAS com o guia, de chagar ao ponto de ja virar piadinha, e eles ficavam falando que eu ja podia pedir minha nacionalidade Nepalesa no fim da viagem. Ja o Aaron nao conseguia entender porque eu gostei tanto daquela comida sem grace… eh soh arroz e lentilhas e feijao… Ele ficava falando que eu ia VIRAR uma lentilha de tanto comer Dal Bhat!

Mas nao adianta, nesses lugares assim, se vc quer comer bem e evitar ziqueziras estomacais, tem que comer oque os locais comem e ponto final!

O Aaron nao aguentou o ritmo de comer arroz e lentilha 2 vezes por dia, por 10 dias e sempre que a Tea House tinham opcoes diferentes, ele pedia alguma coisa nova, entao acabamos comendo pizza, batata frita, pasta etc. Resultado? Nenhum desses pratos estava bom, e no fim da viagem o Aaron se sentiu meio mal… Sabe-se la quando que a Tiazinha desceu pra civilizacao pra comprar aquele pacote de macarrao, certo?!

Entao quando me perguntam quantos quilos emagreci nessa viagem, a resposta eh: nenhum!

Parada pro almoço!

Eh verdade que gastamos muitas calorias todos os dias, mas tambem comemos super bem, e ninguem aguenta o ritmo fazendo dieta nem comendo que nem passarinho. Nossa alimentacao foi mesmo pra repor energia, entao cada refeicao era um pratao de peao, e apesar de pagarmos uma media de 1 dolar por refeicao, quando mais voce come, mas elas te servem! Enquanto vc nao dizer “chega” elas continuam servindo “refill” e seu prato nunca fica vazio.

 

Categorias: Annapurna, Kathmandu, Nepal, Viagens
13
25
May
2011
Annapurna dia 5: De Ghondruk a Deurali (ou: Pra baixo todo Deus Hindu ajuda) e a volta pra Phokara
Escrito por Adriana Miller

No nosso ultimo dia “inteiro” de trilha nos resolvemos mudar um pouco o roteiro. Nós tinhamos gostado tanto de Phokara, que resolvemos ‘puxar” um pouco mais no 5o dia, pra conseguir acabar o 6o dia bem cedo e ter o resto do dia pra aproveitar Phokara mais uma tarde.

Mas acho que estavamos um pouco empolgados e “animados” demais com a tarde de descanso em Ghondruk e não nos demos conta do quanto passar 8 horas descendo escadas seria tão terrivel.

Aliais, pra não dizer que foi tão dificil assim, depois de umas 3 horas descendo as escadas sem parar, me dei conta que tinhamos chegado no fundo do vale, então tinhamos que cruzar o riozinho e SUBIR tudo de novo no outro lado do vale, pra continuar a trilha!

E foi dificil, viu?

Meus joelhos estavam pedindo arrego e eu ia tentando revezar os lados, mudar o ritmo dos passos, usar a “bengala” do Aaron, e assim fui me arrastando.

Incrivel como depois de descer tanto, subir nem foi tão ruim assim!

Mas o principal azar do dia foi o clima muuuuito ruim! Nem estava muito frio, mas não parava de chover, e durante varias vezes ao longo do dia a chuva foi se transformando em temporais como nunca vi igual, e voce jurava que aquelas cazinhas nao iam aguentar o tranco!

Então a cada nova pancada de chuva, tinhamos que para tudo, sair correndo pra alguma casa, pedir pra entrar, e esperar o chuvisco voltar ao “normal”.

Por um lado foi bom que deu bastante tempo de gente ir descansando as pernas e joelhos ao longo do dia, mas essa coisa de anda e para, esquenta e esfria é muito desconfortavel!

E pra completar, como estavamos cruzando uma região de floresta, fomos atacados por mosquitos e sanguessugas  que sairam a tona durante as chuvas!

Eu nunca tinha sido picada por sanguessuga, não senti nada na hora, e só no fim do dia é que nos demos conta que o Aaron tinha uma enorme grudada no pescoço e eu tinha duas nas pernas (como elas conseguiram subir pela bota, meias de la e entrar por baixo das calças eu não sei…)!!

No fim do dia finalmente chegamos a Deurali, quando já estava praticamente ficando escuro, e foi a menor vila que ficamos, com apenas 2 (DUAS) casas. O Alojamento foi super simples, sem luz, sem vidro nas janelas, e sem chuveiro, mas em compensação foi a “familia” mais legal que nos recebeu, apesar da comunicação dificil…

 

 

DIA 6: DE DEURALI A PHOKARA


No ultimo dia na trilha, conforme planejamos, tinhamos apenas 3 horas de caminhada, e assim pudemos voltar bem cedinho pra Phokara e ter o resto do dia pra aproveitar a cidade!

 

Categorias: Annapurna, Nepal, Viagens
11
25
May
2011
Annapurna dia 4: De Tadapani a Ghondruk
Escrito por Adriana Miller

Depois de 3 dias bem punk de subidas, finalmente teriamos um dia curtinho (“apenas” 4 horas de trilha) e começariamos a perder altitude – depois de 3 dias subindo sem parar, descer soa bem!

E o dia começou feio, e bastante nublado e frio. E justamente nesse dia tinhamos que cruzar uma região de floresta.

Mas ainda assim, justamente por não estar sol e super calor, a caminhada foi bem mais confortavel doque nos outros dias.

Mas em compensação, as escadarias – dessa vez descendo – me lembraram como machuquei meu joelho ano passado….!

Durante 3 dias eu não via a hora de começar a descer logo, achando que ia ser bem mais facil, mas não adianta. Descer é um movimento tão não-natural pro corpo humano que na metade do dia eu já estava mancando…

Essa area de floresta foi a unica parte inabitada que passamos até então nos Himalaias, e ficamos quase a manha toda sem ver nada nem ninguem…. só arvores, riachos, cavalos selvagens, Bufalos de montanha e muitos, mas muitos macacos!

Mas pelo menos o guia foi sincero e o dia realmente foi curtinho. Saimos de Tadapani de manha cedinho, e já almoçamos em Ghondruk, nosso destino final pro dia.

E ter a tarde toda livre pra simplesmente não fazer nada, foi ma-ra-vi-lho-so!

Ghondruk é uma das unicas “cidades grandes” dessa região dos Himalaias, com cerca de 1.000 pessoas vivendo por lá, e foi o melhor Tea House que ficamos (com energia eletrica a vontade, banheiro no quarto e tal) e a cidade até tem uns templos budistas, um museu sobre alpinismo e o Annapurna e etc.

Mas sabe oque fizemos? NADA!

Sentamos na varandinha do nosso quarto e lá ficamos, a tarde toda olhando as nuvens subirem e descerem nos vales entre as montanhas, bebendo cha de limão com gengibre, e tirando muitas, MUITAS fotos da paisagem!

Foi o melhor dia da trilha, simplesmente porque tivemos tempo de curtir um pouco mais o fato de que estavamos lá! Sem pressa, sem subidas nem descidas e sem o cansaço extremo.

E pra ficar ainda mais perfeito, apesar de ter ficado o dia todo completamente nublado e com um pouco de chuva, bem na hora do por do sol as nuvens simplesmente sumiram, como magica, e quando menos esperávamos ali do outro lado do vale estavam as magnificas montanhas dos Himalaias, que nós passamos o dia todo sentados bem de frente e nem sabiamos que eles estavam lá!

Então em vez de ficar falando como foi incrivel ver o sol de pondo nas montanhas, melhor mostras as fotos, certo?

Categorias: Annapurna, Nepal, Viagens
22
24
May
2011
Tea House Trekking: Hospitalidade Nepalesa
Escrito por Adriana Miller

A principal diferenca entre fazer esse trekking no Nepal e oque fizemos na Tanzania – e tambem oque me convenceu a querer ir! – foi justamente a possibilidade de ficar hospedado nos alojamentos locais, as chamadas Tea Houses e nao ter que acampar.

Eu nao tenho nada contra acampar nao, mas nao da pra negar que eh impossivel conseguir dormir bem e recuperar o corpo das horas interminaveis de caminhadas dormindo no chao de um tendinha minuscula. E nao vamos nem mencionar a falta de banho…

Entao durante todo processo de pesquisa sobre as trilhas e roteiros, livros e foruns que falavam sobre o Nepal, todos davam otimas referencias aos trekkings que usam as Tea Houses e desencorajavam qualquer tipo de acampamento.

Eu achei bem dificil achar informacoes concretas e reais sobre oque eram e como eram as tais das Tea Houses, pois tudo que lia era que eram “otimas” e todo mundo “recomendava”, mas nao conseguia achar umas respostas objetivas, do tipo “Tem agua quente?”, “Tem energia eletrica?”, etc.

Entao aqui esta meu guia pratico de Tea House Trekking no Nepal, que eu adoraria ter lido antes da minha viagem!

As Tea Houses, que nao tem nada a ver com “casas de cha”, nada mais sao doque casas de familias Nepalesas que vivem nos vilarejos ao longo das trilhas do Circuito do Annapurna (mas que sao encontradas em todas as outras regioes), e que alugam seus quartos para turistas.

A qualidade e nivel de “luxo” ocidental disponivel nas Tea Houses varia bastante de uma pra outra, de uma vilarejo pro outro (e quando digo luxo eu estou me referindo a ter uma lampada na parede pra ler meu livro, e nao Spa nem aquecedor para as tolhas de algodao Egipcio!).

A grande maioria dessas casas sao na verdade bem pobres e humildes, e voce sera nada mais nada menos que um hospeda da familia.

Uma das inumeras vantagens eh justamente poder fazer parte e entender melhor como essas pessoas vivem, e foi uma licao de vida ser recebida com tamanha hospitalidade e carinho, vindo de pessoas que nao tem, literalmente, nada.

90% das familias que recebem turistas sao na verdade compostas basicamente por mulheres, idosos e criancas. O Nepal eh um pais pobre e sem recursos ou industrias (alem do turismo) entao os homens migram pra outras partes do pais, ou para paises vizinhos para ganhar dinheiro ao longo do ano, e deixam a familia pra tras, cuidando da casa, do terreno, das galinhas e das criancas. Entao essas mulheres (e suas familias) dependem integralmente da renda gerada pelo turismo pra se manterem durante o ano – elas lavram a terra durante o dia (a agricultura eh toda apenas de subsistencia), lavam roupa nas pedras do rio, cuidam dos animais, dos filhos (que sao muitos), dos idosos e no fim do dia, abrem suas portas para os turistas, oferecendo os melhores quartos da casa, a comida que veio direto da terra e (quase sempre) um otimo papo (quase todos falam pelo menos o basico de Ingles).

Todos os precos sao estabelecidos pelo governo e pelo NTNC e ACAP, assim evitam ganancia, discrepancia de precos, extorcoes e barganhas. Os precos sao todos iguais, e vao aumentando a medida que vamos chegando mais alto e ficando mais longe da civilizacao. Mas ainda assim, pagamos cerca de 1 a 5 dolares por noite de acomodacao, e de 1 a 3 dolares por refeicao.

Chega a dar uma do no coracao pensar que estavamos pagando apenas 1 dolar pra dormir na casa de alguem, e que aquela “mae” ia ter que lavar os lencois a mao, laaaaaa embaixo no riacho gelado, e que o 1 dolar do jantar nao paga o esforco e trabalho de manter uma horta e colher todos os ingredientes de acordo com oque os turistas escolhem comer.

Mas esses sao os precos estabelecidos pelo governo como sendo “justo” para manter o equilibrio socio-economico e ambiental da regiao. Com os precos tabelados, oque se sobresai eh justamente a qualidade do servico (entao como os guias ja conhecem todas as familias, eles sabem quem cozinha melhor em cada vila, por exemplo), e na alta temporada garantem ocupacao maxima das casas e quartos.

Uma maneira de ajudar a dar uma graninha extra eh dar gorjetas (que sejam proporcionais ao servico pago), e consumir outros produtos que eles tenham pra oferecer. Entao eu sempre bebia cha no final das caminhadas, bebiamos cerveja e coca cola – que sao cobradas a peso de ouro, mas eh uma maneira justa de incrementar a renda da familia.

Eu fiquei impressionada de como o governo Nepales leva a serio essa coisa de nao incentivar barganhas nem “esmolas”, e evitar que justamente o excesso de dinheiro tenha na verdade um impacto negativo na populacao etnica que vive nas montanhas. Eles querem melhorar a qualidade de vida da populacao nativa dos Himalaias, mas nao mudar completamente o estilo de vida que essas familias levam a milhares de ano – e que tem sido impactada pouco a pouco nos ultimos 100 anos com a chegada dos montanhistas ocidentais.

Nossa experiencia nao poderia ter sido melhor! Eu AMEI cada uma das casas que ficamos, por mais humildes que fossem, e tivemos experiencias bem diferentes a cada dia, que variaram entre dormir num quarto sem luz nem vidros nas janelas e tomar banho de balde, ateh ter banheiro particular dentro do quarto com agua quente e cerveja ou Coca-Cola geladinha acompanhando o jantar!

E isso fez tooooda diferenca no bem estar generalizado ao longo da viagem, pois tomar um banho quente no fim das 8 horas de escadaria (e até lavar o cabelo! Apesar de que só aconteceu uma unica vez…), e fez com que eu aproveitasse e curtisse a experiencia muito mais.

Mas por mais que as familias estivesse alugando os melhores da casa, os quartos alugados não são exatamente a casa deles. Geralmente a familia vive toda num unico quarto, conectado a cozinha da casa (para usar o fogão a lenha como aquecimento), mas constroem quartos no andar de cima das casas.

Os quartos são o mais basico do basico, com camas, 1 porta, 1 janela, 4 paredes e teto. E só.

A cama tem colchão, mas é preciso levar seu propio saco de dormir, que tem que ser apropriado para estação que voce estiver vsitando o Nepal. As casas não aquecimento nem vedação, e a temperatura dentro e fora é exatamente a mesma.

Os banheiros são sempre comunitarios entre todos os quartos (e geralmente divido com a familia que mora por lá tambem) e são no estilo Asiatico, de apenas um buraco no chão. Só tivemos banheiro com privada uma unica vez (que foi justamente na Tea House “chique” de Ghondruk, que tinhamos banheiro no quarto). Os chuveiros (que geralmente tambem é só um) também são divididos, e caso vc queira banho quente, eles combram cerca de 1 dolar, pra compensar a energia usada (ao longo das caminhadas, nós viamos os locais tomando banho nos riachos e fontes na trilha, e nunca nos chuveiros das casas).

Quanto a energia eletrica, esse é o bem mais escasso dos Himalaias. Algumas vilas tinham energia solar, e outras usavam gerador a kerosene ou coisas do tipo, então o uso é apenas para o extremanente necessario.

As areas comuns da casa tem lampadas e iluminação (tipo cozinha, sala de jantar e tal), e as vezes até TV e geladeira, mas os quartos tem apenas uma lampadazinha em cima da cama, que geralmente não era suficiente pra iluminar um livro, e que só é “conectada” quando a noite cai totalmente e fica tudo um breu. Então eles conectam a energia eletrica da casa toda por algumas horas, e assim que todo mundo vai dormir (que é sempre cedo), a energia é novamente desligada para o resto da noite.

Eu achei que teriamos acesso a tomadas, pra carregar camera fotografica e tal, mas foi pura ilusão. Geralmente as casas tem tipo UMA tomada, onde estão conectadas a geladeira, TV, e afins. Acho que no caso de uma emergencia, eles até deixariam (e cobrariam) para alguem usar sua tomada e energia eletrica, mas isso seria uma grande inconveniencia pra casa inteira, entao melhor levar bastante baterias extras ou apetrechos como o Pebble, que prolongam a vida de sua tecnologia.

Como nossa viagem foi relativamente curta (em comparação com o circuito ompleto do Annapurna, que dura 25 dias…) minhas 3 baterias deram conta do recado, mas se ficassemos mais uns 2 ou 3 dias sem acesso a energia eletrica, as fotos teriam sofrido um pouco…

Eh incrivel como essas experiencias de viagem mudam a maneira como vemos o mundo e nossa propria vida. Acho que foi justamente por isso que eu voltei de viagem cheia de energia, e cheia de disposicao de organizar a vida, arrumar o quarto, desfazer mala e afins.

Quanto voce pensa tudo que aquelas familias passam pra conseguir sobreviver ao longo do ano, as criancas que sobem as escadarias durante horas e horas ao longo do dia pra conseguir chegar nas escolas, as mulheres que cuidam da terra, lavam roupa no rio e parem seus filhos em casa (por falta de escolha, nao por opcao propria com acompanhamento medico como acontece na Europa), e os homens que sao forcados a migrar e abandonar suas familias por meses e anos a fio, pra virar imigrantes mal pagos em outras ciadades e paises…

Ver tudo isso “ao vivo” e ainda assim ser recebido de bracos abertos e com toda paz e energia que os Nepaleses tem, realmente nao da pra querer reclamar da vida, dah?

Categorias: Annapurna, Nepal, Viagens
2
24
May
2011
Annapurna dia 3: Nascer do sol em Poon Hill e a descida até Tadapani
Escrito por Adriana Miller

É dificil definir quando foi o final do segundo dia e o incio do terceiro, pois tivemos que acordar as 3 da manha pra subir a trilha de 2:30 horas até Poon Hill, que é tipo um “mirante” de onde é possivel ver todas as montanhas da cordilheira Annapuran, e ápice da nossa viagem!

Poon hill nem é tão alto assim, são apenas 3.200 metros de altitude, mas geograficamente esta tão bem localizado dentro do vale do Annapurna, que Poon é o unico lugar em todo circuito onde é possivel ver todas as outras montanhas.

Então eu sabia que o sacrificio ia valer a pena!

Mas foi dificil!

Depois de mais ou menos 5 horas de sono, definitivamente não foi suficiente para me recuperar das 8 horas de trilha subindo escadarias no dia anterior… e por isso eu acordei me sentindo muito, mas muito cansada!

O unico consolo era que pelo menos acordamos com um ceu super ultra estrelado, e nenhum vestigio de nuvens nem da chuva monstruosa que pegamos natarde/noite anterior!

Então mais 2 horas de escadaria acima depois, na total escuridão e muito frio, chegamos no topo de Poon Hill poucos minutos antes de sol dar o ar das graças nos Himalaias!!

Ficamos lá em cima algumas horas e cerca de 700 fotos de recordação!

Mas nem tudo foi perfeito… a medida que o sol foi subindo no horizonte, as nuvens foram chegando e ligeiramente atrapalhando a paisagem…

Realmente lá de cima a vista é algo impressionante, e foi o momento em que realmente me senti NO Himalaia. Não apenas vendo os Himalaias como parte da paisagem, mas estando lá, mesmo.

É dificil até acreitar que exista no mundo qualquer outra coisa que não sejam montanhas gigantes cobertas de neve! As montanhas se estendem até onde os olhos conseguem ir, e a cada vez que as nuvens iam se movendo, novos picos e novos vale iam surgindo…

Entre os picos vistos lá de cima estão por exemplo 8,091m Annapurna I, Nilgiri (7,061 m), Machhapuchchhre (6,993 m) e Dhaulagiri I (8,167 m), que estão entre os pontos mais altos do planeta terra!

Eu só pensava que queria ficar lá em cima pra sempre!

Mas né, a cada minuto que ficavámos lá em cima tirando fotos, o frio ia aumentando, o dia ia correndo e o guia começou a nos lembrar que ainda tinhamos uma loooooonga descida (6 horas) até Tadapani.

Então descemos de volta pra Ghorepani, pra finalmente comer alguma coisa, terminar de arrumar nossas mochilas e seguir viagem.

Mas pelo menos, pra compensar,a trilha do dia foi otima!

Tivemos uma subida de mais ou menos 1 hora, e as 4 horas seguintes foram relativamente planas, caminhando no topo da montanha, a caminho do vale seguinte.

E o tempo bom durou por boa parte da trilha, oque garantiu as melhores fotos da escalada até então!

Mas a alegria durou pouco, e a medida que o dia foi avançando as nuvens foram chegando e esfriando nossa caminhada…

Nós sabiamos que o dia ia ser cansativo, e o nosso guia relaxou um pouco o passo. Então pudemos caminhar com calma, sem grandes pressas, parar pra descançar em alguns dos vilarejos que cruzamos, e tentar aproveitar e curtir um pouco do dia.

Mas a verdade é que não tem como melhorar nem amenizar o cansaço de um dia como esse… depois de dormir 5 horas, acordar as 3 da manha pra duas horas de caminhada, e depois ainda andar mais 6 horas…

Eu queria parar pra descansar toda hora, mas cada vez que a gente dava uma paradinha, eu caia no sono! Em qualquer lugar.. sentada numa pedra, esperando o almoço chegar, encostada numa arvore…. Foi horrivel e eu não via a hora de chegar logo no alojamento!

Mas conseguimos chegar em Tadapani a tempo de escapar da chuva!

Tadapani é um vilarejo que tem mais ou menos umas 3 ou 4 casas e nada mais!

E o legal disso foi que as unicas Tea Houses da cidade estavam lotadas, então tinha bastante gente conversando e jantando no salão ao mesmo tempo, e mais uma vez, foi super legal conhecer alguns de nossos companheiros de trilha (e conheçemos mais pessoas que acamos encontrando e reencontrando ao longo doa dias).

 

 

 

Categorias: Annapurna, Nepal, Viagens
20
23
May
2011
Burocracias e papeladas para trekking no Annapurna
Escrito por Adriana Miller

O Nepal é inteirinho no meio da cadeia dos Himalaias, sem acesso a mar, planices nem nada do tipo. E boa parte do pais são areas protegidas, parques naturais e afins, que ajudam a regular o fluxo de turistas e controlar os impactos ambientais na região.

Então, não é coincidencia que todas as areas de trekking ficam justamente dentro dessas areas de proteção ambiental, e portanto é terminantemente proibido fazer qualquer tidpo de caminhada, passeio ou trekking sem as autorizaçoes e papelada oficial.

Como nós fizemos nosso trekking atravez de uma agencia não tivemos que fazer nada disso pessoalmente, mas o processo não é dificil, complicado nem caro, então não tem desculpa!

O principal motivo é mesmo a segurança. Os inspetores dos parques ambientais precisam saber quem voce é e onde esta ao longo de seu trekking, pois caso aconteça algum acidente ou emergencia, essa é a unica chance de socorro já que os vilarejos não tem hospital, pronto socorro, nem nenhuma estrutura de nada (nem telefone e muito menos nem internet!).

Mas outro motivo tanto (ou até mais) importante quanto é monitorar o impacto no ambiente e na população local. A região do Annapurna tem cerca de 100.000 habitantes, divididos em centenas de pequenos vilarejos, e recebem cerca de 36 mil trekkers por ano.

E como a maioria dessa população etnica depende economicamente desses visitantes, é muito importante que a região seja sustentavel, e que dure por muitos e muitos outros seculos.

O orgão que regula tudo isso no Nepal é o National Trust for Nature Conservation (NTNC), e na região do Annapurana, o orgão regional (que trabalham em parceria) é o Annapurna Conservation Area Project (ACAP), que tem postos de inspeção ao longo da trilha no Annapurna, e escritorios em Kathmandu e Pohkara, e as autorizações e sua “carteirinha” só pode ser feita lá mesmo, pessoalmente (ou por alguma agencia, que fazer em seu nome).

 

O primeiro passo é a carteirinha de entrada, ou o “Entry Permit”, que custa 2.000 Rupees Nepaleses (cerca de 20 dolares), e além de identificar o trekker, tambem identifica a agencia, guia e/ou carregador que vai viajar com voce (pelo que andei lendo, não é permitido escalar completamente sozinho, por questão de segurança).

Mas o mais importante (e é oque vão checar e carimbar a cada inspeção) é o “passaporte” TIMS (Trekker’s Information Management System), que funciona como se fosse um visto pra entrar na area de conservação do Annapurna, e além da identificação do trekker, indica tambem exatamente qual parte da trilha voce vai fazer, e quais checkpoints vai passar.

 

Existem dois tipos de TIMS diferente, e são divididos entre os turistas que entram no parque acompanhados por guias e/ou carregadores (seja em um grupo, ou como no nosso caso,  num grupo independente) que ganham o TIMS azul, e os turistas que se aventuram sem acompanhamento local/profissional, e carregam seu proprio equipamento e montam seu proprio roteiro, que tem o TIMS verde.

Os preços do TIMS variam de região pra região do pais, e quem pretende escalar de verdade (ou seja, escalar até algum cume) precisa de uma autorização (e preço) especial.

Mesmo pra quem pretende fazer trekking totalmente independente, pode tirar suas autorizações com ajuda de uma agencia, que ajuda a simplificar o processo.

 

 

Categorias: Annapurna, Nepal, Viagens
4
23
May
2011
Annapurna dia 2: de Tirkhedunga a Ghorepani
Escrito por Adriana Miller

O segundo dia foi sem duvida alguma o pior, mais longo e cansativo dia do trekk – e que infelizmente e consequentemente impactou todo os outro dias!

E foi um dia com pouca coisa pra falar pois passamos o dia todo fazendo exatamente a mesma coisa! Subindo escadas!

No total foram praticamente 8 horas seguidas subindo degraus e escadarias vertiginosas na beirada das montanhas.

Mas neh, como tudo nessa vida, um passo apos o outro!

O dia comecou lindo, com sol e otimas paisagens, e mais uma vez chegamos a conclusao que o melhor clima pra caminhadas eh quando esta nublado e ate mesmo com neblina, pois ameniza um pouco o calor do esforco do exercicio fisico…

Fizemos algumas paradas estrategicas para foto & oxigenio ao longo do dia, mas o guia na dava moleza, e sabia que quanto antes chegassemos me Ghorepani, melhor. Alem disso ele ficava repetindo incansavelmente que o “clima no Himalaias eh imprevisivel” e nao era porque estava sol naquele momento do dia, que faria sol o dia todo…

Na metade do dia paramos pra almocar no vilarejo Uleri (o bom de viajar com os guias locais eh que eles conhecem todas essas familias, entao sabem exatamente quam cozinha bem e quem cozinha mal, e tivemos refeicoes incriveis todos os dias!) e foi mais ou menos assim: a “mae” da casa botou a mesa pra gente e nos mostrou o cardapio. Decidimos oque queriamos comer (as opcoes sao pouquissimas, e acabamos comendo basicamente a mesma coisa todos os dias), e entao ela desceu na horta pra colher os ingredientes do nosso almoco e comecou a cozinhar tudo ela mesma no fogao a lenha da casa!

Nunca me senti tao saudavel na vida!!

Eu vi ela tirando da terra as batatas e a couve, 3 minutos antes de entrar na panela! Eh ou nao eh incrivel!?

E enquanto esperavamos a comida, a profecia do Deepak, nosso guia, se materializou: de um segundo pro outro comecou um vendaval com umas nuvens pretas de dar medo! Depois vieram os raios e trovoes, e quando a comida ficou pronta, ja estava caindo um temporal!!

Entao aprendemos o verdadeiro significado do ditado “quem ta na chuva eh pra se molhar”, e depois do almoco colocamos nossas capas ipermeaveis e seguimos nosso caminho! Nesse ponto em diante, ainda tinham cerca de 4 horas de caminhada!

A chuva deu uma aleviada, mas a medida que iamos ganahndo elevacao e ficando mais e mais altos na montanha, o tempo foi ficando cada vez pior, e voce jurava que um dos raios iam cair na sua cabeca! Estavamos Literalmente DENTRO da nuvens!!

Ate que um novo temporal chegou com toda forca! Mas chovia tanto, mas tanto que nao tivemos escapatoria e nos refugiamos numa tenda/curral que apareceu pelo caminho…. e ali ficamos plantados por cerca de 1 hora enquanto o mundo desabava la fora! Mas era muita agua! E a agua foi se transformando em gelo, com umas bolotas de granizo de dar medo!

Mas nesse ponto do dia, ja estavamos tao pertinho (faltavam umas 2 horas so) do vilarejo final, que juntamos todas as nossas forcas, e com chuva ou sem chuva seguimos a trilha!

E nao sei se foi a chuva, se foi o cansaco das 6/7 horas anteriores…. sei lah, soh sei que a reta final pra entrar em Ghorepani foi torturosa! O degraus eram maiores e mais largo, e portanto mais dificeis e cansativos de andar, o chao estava molhado e elameado, e a sensacao geral eh um misto de calor (por dentro da roupa de chuva) com o vento frio da chuva e dos Himalaias.

E quando finalmente chegamos a Ghorepani, foi praticamente cena de filme… dava pra ver bem nitidamente que a vila ficava no topo de uma montanha, bem de frente pro Annapurna, com suas casinhas pintadas de azul e tal…

Entao la estavamos nos dois tranquilamente tirando fotos, e com aquele alivio de “ah…. chegamos! Acabou!” quando eu comecei a ouvir um barulho ensurdecedor! Por algumas fracoes de segundos ficamos nos olhando do tipo “que barulho eh esse?!”, e ainda estavamos no meio da pracinha, a uns 100 metros da nossa Tea House. Mas o temporal se aproximando era tao forte e violento, aquela massa cinzenta de agua e pedras de gelo, que o barulho ensurdecedor que estavamos ouvindo era a chuva e o granizo batendo nas pedras e no telhado das casas!

Entao foi uma coisa assim camera lenta…. saimos correndo em direcao ao alojamento, com o guia na janela fazendo sinal de “corre logo”, ainda com nossas mochilas nas costas e o barulho da chuva chegando cada vez mais perto!

Quando finalmente chegamos na parte coberta da casa, ja sendo molhados pelos primeiros pingos que tinham nos alcancado, caimos na gargalhada!! Foi muito engracado! Cena de filme mesmo, com todos os outros guias e hospedes assistindo da janela, e torcendo pra gente conseguir fugir da chuva a tempo!! E o Aaron ainda comentou: Esse sim seria um momento perfeito pra ter feito um video pro Blog! Hahahahah

Entao o resto da noite ficamos na beira da lareira no salao principal da Tea House (que dessa vez era bem grandona), onde jantamos e nos preparamos pra sair de casa no dia seguinte as 3 da manha!!

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