28 Mar 2011
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Fui Assim: Damasco, Síria

Beauty Everywhere, Fui Assim, Siria

Esse post “Fui Assim” da viagem para a Siria vai ser o mais interessante de todos os tempos!

Porque? Ora, porque eu fui assim:

Será que vou lançar tendencia?!??! HAHAHAHHAHA

Deixa eu me explicar…

A Síria é um pais Muçulmano (para saber mais sobre a Siria, clique aqui) bem tradicional, e ainda estão se abrindo pouco a pouco para o turismo ocidental (eles até tem muitos turistas, mas a grande maioria é composta de Libaneses, Iraquianos e Iranianos) e algumas areas da cidade (nesse caso, na Mesquita dos Omíadas) apesar de permitirem a entrada de ocidentais (não Muçulmanos) e de mulheres, temos que alugar uma “Burqa” como essa, cobrindo da cabeça aos pés, por questão de respeito a religião e ao lugar sagrado na fé Islamica.

E olha, são viagens desse tipo que me fazem gostar de fazer esses posts “Fui Assim”. Por afinal, se vestir para passar o dia em Bruxelas ou Lisboa não é nem um pouco diferente doque seria pra se vestir em Porto Alegre ou Fortaleza (permitindo as diferenças de temperatura, claro), mas e oque vc leva na mala pra Siria?

Apesar de que a Siria não foi meu primeiro (e espero que não seja o ultimo) pais Muçulmano “exotico” que conheci, nunca sei oque esperar de paises com culturas tão diferentes da nossa.

Mas usei toda minha “experiencia” na hora de planejar como me vestir e na verdade, por baixo do Burqa, eu estava assim:

(as fotos ficaram pessimas, mas estava viajando sozinha e dependia da boa vontade dos outros….)

Calça Jeans: Top Shop

Sapatilha: Tory Burch

Blusa: Zara

Lenço: Alexander McQueen

Jaqueta de couro: Zara

Então como dá pra ver eu estava super bem coberta, sem nada de pele nem curvas a mostra, mas ainda assim, por ser mulher ocidental, pra entrar na Mesquita, passei o dia todo assim:

E pra completar, apesar de nao dar pra ver nas fotos, além de estar coberta da cebeça ao tornozelo, estava descalça (chao de marmore friiiiiiio), pois temos que nos cobrir inteiras, mas por questao de respeito, todos andam descalça nas mesquitas!

Adriana Miller
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25 Mar 2011
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A Damasco Bíblica

Siria, Viagens

Como contei no post sobre Damasco, a cidade é cercada de lendas, metaforas e historias, mas muitas delas são muito bem documentadas nas historias contadas na Biblia.

Apesar de que ao longo dos milenios e seculos, muito doque existia ha 2.000 anos atras já não exista mais, pois foram destruidos pelos Arameus, Omíadas, Otomanos, Mongois, Franceses, Ingleses, Alemaes e afins, ainda assim existe todo um lado de Damasco, que eu nem sabia que existia, e conta uma historia toda diferente da cidade.

A principal, que eu já contei, é a origem da expressão “estrada a Damasco”, onde o entao Judeu Saulo caminhou entre Jerusalem e Damasco, e ao chegar na Rua Direita foi recebido pelo recen-cristao Judas, que o recebeu em sua casa, e o levou a Ananias, que por milagre devolveu a visao a Saulo.

Saulo entao se converteu ao cristianismo, e passou a ser conhecido como Apostolo (e depois Santo)Paulo.

Nao importa qual for sua religiao, e se voce acredita (ou segue) ou ensinamentos da Biblia ou nao, mas em Damasco, Muculmanos, Judeus e Cristaos acreditam que isso realmente aconteceu, e a Rua Direita ainda esta la de prova, assim como a capela de Ananias (a capela foi construida no mesmo lugar onde era sua casa, onde ele recebeu Saulo ainda cego).

A Rua Direita (ou Via Recta) foi construida pelos Romanos, e ha 2.000 anos atras ela tinha cerca de 26 metros de largura, e 1 quilometro e meio de cumprimento, cruzando toda cidade de Damasco de Leste a Oeste, e era conhecida pelos Romanos como a Estrada do Sol.

Hoje em dia a rua ja nao eh tao larga, mas ainda eh bem comprida e em boa parte dela ainda eh possivel ver alguns dos arcos e colunas, que na epoca da dominacao Romana em Damasco, decorava todo quilometro e meio da rua.

Mas uma das principais contribuicoes “Bliblicas” de Damasco nao eh necessariamente alguma coisa que posse ser “visitada”, pois na verdade eh a lingua e o legado deixado pelos Aramaicos, que criaram o primeiro alfabeto da humanidade, e era a lingua falada por Jesus.

No Museu Nacional da Siria, na parte moderna de Damasco, eh possivel visitar a exposicao com os achados arqueologicos com os primeiros registros do Aramaico, e um fragmento de uma peca de barro com o desenho de todas as letras do alfabeto Aramaico que tem cerca de 7.000 anos.

Uma outra coisa que achei bem interessante em Damasco, foi na propria Mesquita dos Omiadas, que como mostrei no video tem como “atracao” principal um santuario onde esta a cabeca de Joao Batista, tambem considerado um profeta Islamico, assim como seu pai, Zacarias.

Ainda na Mesquita, um dos 3 minaretes, e tambem o mais alto, eh o Minarete de Jesus, que tambem eh considerado um profeta Islamico, e os Muculmanos acreditam que no dia do julgamento final, eh ali em Damasco, no Minarete mais alto da Mesquita mais antiga do mundo, que Jesus vai voltar a terra.

Eu nao me considero uma pessao super religiosa nao, e apesar de ter minha fe (fui criada Catolica), na verdade acho que acredito um pouco em todas as religioes, ao mesmo tempo que não acredito muito em nenhuma delas, mas adoro aprender e estudar sobre as diferencas e as similaridades entre eleas.

Principalmente as 3 religioes monoteistas (Judaismo, Islamismo e Cristianismo), me parecem exepcionalmente fascinantes, e depois de ter tido a experiencia de visitar lugares como Jerusalem e Damasco vejo o quao parecidas elas sao, e como no fundo, as tres religioes estao enraizadas nos mesmos principios e possuem os mesmos “personagens”.

E por isso mesmo eu nao consigo entender de forma alguma como essas 3 religioes conseguem brigar tanto entre si, e criar tanto odio, intolerancia e guerras pelo mundo.

Nao sou de forma alguma uma especialista em nenhuma delas, nem mesmo a minha (e a vergonha de nao saber responder nenhuma pergunta sobre a Biblia que meu guia Sirio me perguntava…?! Rolou uma conversa um tanto quanto desconfortavel sobre religiao, enquanto dirigimos de Beirute a Damasco entre eu, o motorista e o casal de Turcos), mas acho inadmissivel quando vejo pessoas ditas “religiosas” (seja um Judeu Ortodoxo, uma Beata Crista ou um radical Islamico ou qualquer outro “intendido”) cometerem atos de intolerancia contra a fe alheia…

Afinal, quanto mais eu aprendo sobre outras religioes, mas eu vejo como no fundo no fundo, todas elas sao tao parecidas, e pregam os mesmo principios de bondade, igualdade e fraternidade.

Adriana Miller
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25 Mar 2011
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Na estrada de Damasco

Siria, Viagens

A expressao ” A estrada de Damasco” eh muito comummente usada para caracterizar um momento de “iluminacao” na vida de alguem. Eh a”estrada” metaforica percorrida por quem esta perdido, e de repente se encontra. Ou por aqueles que enfim acham sua razao, seu chamado na vida.

A Damasco de hoje eh dia eh muitos vezes associada a Guerra, aos conflitos do oriente medio, os radicais Islamistas e os ditadores militares – mas a origem dessa expressao eh 100% Biblica, e faz referencia ao caminho feito pelo apostolo Saulo (que depois de convertido virou Paulo), cego, entre Jerusalem e Damasco, onde ele saiu da cidade santa pelo portao de Damasco e seguia a estrada por onde passou por um momento de iluminacao e se converteu ao Cristianismo – e entao virando um dos maiores pregadores da fe crista pelo mundo.

Outra lenda que cerca a fama milenar de Damasco tem origem Islâmica e diz que o profeta Maomé, voltando de sua viagem a Mecca, avistou Damasco de cima das montanhas e se recusou a entrar na cidade – ele disse que só queria entrar no paraiso uma unica vez: quando morresse.

Entao, como era de se esperar, Damasco eh uma cidade cheia de contrastes e cheia de conflitos e cheia de historias pra contar.

Damasco eh, supostamente, a cidade mais antiga do mundo pois tem se mantido continuamente habitada ha mais de 8.000 anos (apesar de que Jerico, na Palestina diz ter 10.000 anos… mas o criteiro “continuamente habitada” eh questionavel…) e eh onde fica a rua mais antiga do mundo (que exista regristro historico, cep e tudo mais) – a Rua Direita, onde Saulo foi recebido por Judas e Ananias e finalmente recebeu seu milagre e teve sua “iluminacao”.

A Damasco moderna eh enorme, complexa, confusa e poluida, sem o charme a opulencia da vizinha Beirute, mas é na Cidade Antiga onde tudo aconteceu!

A cidade já foi tão disputa ao longo dos seus 8.000 anos de historia, e tantos diferentes imperios e colonizadores já deixaram sua marca por ali que um ditado Sírio diz que “todo homem tem duas nacionalidades: a sua propria, e a Síria”.

A entrada principal da cidade eh pelo portão que fica entre os muros da Citadela, onde esta a estatua de Saladin e onde comeca o maior e principal Souk da cidade, o Souk coberto al-Hamidiyya.


A cidade tem varios outros, e cada um tem sua especialidade em mercadorias. Esse Souk eh antiquissimo, ja foi recontrstuido diversas vezes mas mantem seu ar de decadencia. Soh pra dar uma ideia, a sorveteria ja existe por ali e faz parte da mesma familia ha 150 anos!
Uma das caracteristicas principais dos mercados de Damasco eh o teto de ferro, que protege lojistas e fregueses do sol impiedoso do Oriente Medio.

Mas soh quando chegamos no outro lado do Souk eh que finalmente temos ideia do quão antigo aquela area da cidade eh, e a quantos milenios essa mesma rua é usada por comerciantes… Quando finalmente o mercado se reabre para a cidade, damos de cara com as colunas gigantescas do antigo Templo de Jupiter, de origem Greco-Romana, que por sua vez o conquistaram do Fenicios, que por sua vez o conquistaram dos Aramaicos e que ali estabeleceram um tempo que ja foi o maior da regiao e que abrigava o principal mercado da rota Oriental da Seda – o mercado de Damasco.

Nessa mesma praca esta a atracao principal de Damasco, a gigantesta e imponente Mesquita do Omíadas (Mesquita Umayyad, que ja mostrei “ao vivo” aqui nesse video!), que é uma das maiores mesquitas do mundo, e a mais antiga (foi a primeira grande Mesquita construida pelos Omíadas, que como contei aqui foi a primeira linhagem de seguidores do profeta Maomé na fé Islamica).

Originalmente a “estrutura” foi controntruido pelos Aramaicos no ano 3.000 a.c. e era um templo ao Deus Hadad, e mencionado no Livro dos Reis do Velho Testamento) e fazia parte do mesmo conjunto de templos que existem em Palmira (norte da Siria) e Baalbek no Libano.

E antes mesmo de virar mesquita, quando o Imperador Romano Constantino se converteu ao Cristianismo (e consequentemente todo o imperio Romano) no seculo 3d.c., ele transformou o altar pagão to templo numa basilica em homenagem a São Joao Batista.

E até hoje João Batista (que também é considerado um profeta Islamico) é a atração central da mesquita, com um santuario construido bem no meio do edificio, onde supostamente sua cabeça esta sepultada.

Então finalmente em 636 d.c. os Muçulmanos conquistaram Damasco, e tranformaram a Basilica Romano-Bizantina em Mesquita. A recontrução levou 7 anos, e quase levou a Siria a falencia, tamanha a opulencia da construção… mas hoje pouco sobrou dos mosaicos de ouro original – pois Damasco também foi conquistada e dominada pelos Mongois, que fizeram sua parte na devastaçnao e deixaram suas marcas.

Entrar na Mesquita realmente é impressionante, e apesar de ser um lugar tão sagrado na fé Islamica, turistas e não-muçulmanos também são bem vindos, tanto no patio, quanto no interior da mesquita – porém mulheres (e homens que não estiverem “descentes”) tem que alugar uma “burqa”, que vem em diferentes tamanhos, pois precisam te cobrir exatamente da cabeça aos pés.

O engraçado é que no video, as duas turistas que eu filmei estavam com sua “burqa” aberta, e logo depois elas levaram bronca para se cobrirem melhor. E eu tambem levei uma bronca pois deixei o capuz da minha cair (estava olhando pra cima, tirando foto dos mosaicos) e meu cabelo ficou a mostra.

Dentro da Mesquita ainda é possivel ver as colunas da estrutura original do templo Aramaico e Greco-Romano.

Saindo da Mesquita, a cidade antiga é um emaranhados de ruelas e mercados, e um deles é o Souk al-Bzouriyya (que aparece no video) que esconde outra joia de Damasco, o Palacio Khan As’ad Pasha, que tem oito domos, geometricamente organizados e decorados com suas listras (que me lembrou bastante o interior de origem Arabe da Catedral de Cordoba), com uma abertura central, que ilumina uma fonte interna.

Mas é impossivel andar pela cidade antiga sem admirar uma das suas principais caracteristicas: as casas tradicionais de Damasco, com suas tipicas janelas de madeira trabalhada (muitas delas caindo aos pedaços e/ou sendo transformadas em Hotel Boutique ou restaurantes de calibre internacional.

 

 

Adriana Miller
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