28
May
2009
Kapali Carsi – Grand Bazaar
Escrito por Adriana Miller

O Grand Bazaar de Istanbul eh literalmente o coracao da cidade. Fica bem no centro do mapa, e por seculos e mais seculos tem atraido comerciantes e turistas de todo o mundo.

O complexo tem mais de 4.000 lojas que vendem de um tudo: de tapetes feito a mao com fios de seda, e bolsa falsificada da Gucci. Eh um labirinto que nao acaba mais de lojas, lojinhas, tendas, e pessoas, muitas pessoas!

Passear em mercados eh uma das cosias que mais gosto de fazer em viagens. Nao importa onde, nem que tipo de mercado eh, mas eu sempre acho que eh uma otima maneira de conhecer melhor a populacao local, e entender como eh a vida deles. Seja um mega shopping na Florida, um mercado de flores na Italia, uma quitanda na Tailandia ou o Grand Bazaar de Istanbul. Todos igualmente hipnotizantes!

Ao longo dos anos, oque era apenas um conjunto de ruas interligadas com um monte de lojas, acabou ganhando teto, muros e portoes, mas a estrutura e organizacao continua a mesma. Cada “bairro” do shopping tem sua especializacao, entao tem a area do tapetes, dos artigos em couro, das especiarias, lampadas, bugigangas, etc, etc. E o mais legal eh simplesmente andar sem rumo.

Nao fomos pra lah pra fazer compras propriamente dito, mas eu estou sempre catando um novo enfeite de natal, e gostamos de comprar pecas de decoracao nos lugares onde vamos. Soh falta espaco pra colocar tudo que temos (hoje em dia estao no fundo do armario, em baixo do sofa, no maleiros, etc), mas o dia que comprarmos uma casa, e decoracao jah vai esta completa! Entao decidimos que o Grand Bazaar de Istanbul seria o lugar perfeito pra comprar um tapete pra nossa (futura) casa!

O unico problema desses mercados eh justamente saber lidar com os vendedores. os precos sao sempre exorbitantes, e a alma do negocio eh a barganha. Discutir, bater boca, sair andando, e ai o vendedor vem andando atras de voce, faz uma chatagem e acavamos concordando num preco.

O Aaron fica pra morrer, mas eu nao nego meu sangue de imigrante portugues, e negocio ateh o fim! Jah chego falando que sou Brasileira pobre e faco altas caras de horror quando eles dao o preco original.

O engracado eh que, pela cultura local, os vendedores sempre se dirigem ao Aaron primeiro (sem falar na cara de gringo que denuncia de longe), ele fica naquela de sem graca,  e entao eu entro na conversa.

Uma cosia que notei na Turquia eh que todos os vendedores usam a MESMA tecnica de venda: Vc para na porta e comeca a ver uns artigos. Alguem vem correndo lah de dentro (se eh que jah nao estavam na porta gritando pra vc entrar). Entao vc pergunta o preco. De cara, ninguem quer dar preco nenhum.

Ai vc pergunta de novo, fala que esta soh olhando, e pesquisando precos. Entao eles comecam com a estoria (no mais puro estilo eu podia ta roubanu, eu podia tah matanu, mas to vendenu meu tapete em Istanbul): voce eh meu primeiro cliente do dia, e como voce eh do Brasil (ou substitua por qualquer outro pais) e eu tenho um primo (troque por qualquer tipo de parentesco remoto) que mora lah, vou te dar um preco especial. Mas antes, entra aqui na minha loja, deixa eu te servir um cha – eh de graca! – e te mostrar como minha mercadoria eh bem melhor que a da concorrencia.

Algumas vezes, estavamos de fato interssados na mercadoria, entao resolvemos entrar pra ver no que dava. Entao a tecnica seguia em frente: Voce pergunta de novo qual o preco, o vendedor te ignora, e comeca a abrir varios tapetes (substitua por qualquer outra tralha), esvaziar preteleiras. Pede pra vc encostar e ver como eh macio, como a qualidade eh boa. Ai vc pergunta de novo quanto custa, ele te ignora mais uma vez, e te conta a historia de como aquilo foi feito a mao, na regiao tal da turquia, e que ele (ou o pai, o avo, etc) eh o dono da loja, entao o preco que ele vai te fazer eh especial, pois nao precisa pagar terceiros, e amargem de lucro eh muito baixa.

E entao te dah o preco. E entao entra em cena a minha tecnica de negociacao: Tudo comeca com a cara de pavor! Nossa, mas como assim? Eu jah vi em outra loja por X liras (um valor que seja equivalente a pelo menos metade do preco, mas geralmente 1/3). O vendedor tenta contornar a situacao, faz uma cara de coitado e tal. Ai eu ameaco sair, e comeco a falar em portugues com o Aaron (mesmo sabendo que provavelemnte ele nao tah me entendendo, e tah querendo morrer de vergonha alheia!). AI o cara resolve negociar. Pergunta quanto vc quer pagar. Vc dah seu preco. Ele recusa e oferece Y. Ai vc recusa e ameca sair d aloja de novo. Entao ele te dah um outro preco.

Isso pode seguir eternamente, ateh um dos dois cansar e desistir da batalha. Uma das lojas o cara foi dura na queda, e acabamos indo embora. Acabamos comprando o quilt identico ao dele por 1/5 do preco que ele queria vender! Na loja que comprei os enfeites de natal, o preco inicial por 1 bolinha era 20 liras, acabei levando 2 enfeites, mais 2 pulseiras por 15 liras! E por fim acabamos comprando um tapete, que o preco inicial era 500 liras, e por fim levamos DOIS por 300.

Toda vez que vamos num lugar assim o Aaron jura de peh junto que nunca mais entra num mercado comigo, mas no final fica feliz da vida com as aquisicoes e a economia!

 

Categorias: Instanbul, Turquia, Viagens
35
27
May
2009
Hamam – Banho Turco
Escrito por Adriana Miller

Tomar um banho Turco, na Turquia, era uma daquelas experiencias que nao dava pra deixar passar. Eh uma experiencia pros sentidos, pro corpo e pra alma, e sem falar na aula de historia!!

Os Hamams foram introduzidos pelos Ottomanos, que sempre valorizaram a limpeza corporal, e acreditavam que a limpeza corporal os deixaria tambem limpos espiritualmente (ritual ateh hoje comum a cultura Islamica, onde as pessoas tem que se lavar antes de rezar).

Alem disso, um Hamam era o local de relaxamento e socializacao – os homens ficavam separados das mulheres (acontece ateh hoje), e na sala masculina eram discutidas estrategias de guerra e negocios, enquanto que para as mulheres era um local onde poderiam se livrar um pouco da sociedade opressora, e de quebra pesquisar potenciais noras ou sogras!

Hamam do Harem do Palacio Topkapi

Nos fomos no Hamam Suleymaniye, que eh lindo, mas ao memso tempo considerado bem turistico, pois deixa homens e mulheres participarem no mesmo ambiente, entoa eh ideal pra familias, casais, etc. Dizem que o fato de ser tao “turistico” acaba um pouco com a experiencia do Hamam, mas sinceramente, porque eu ia querer passar pela experiencia sozinha, trancada numa sauna com um bando de mulher estranha? (e sozinho com um bando de homem turco o Aaron nao queria ir de jeito nenhum). 

O ritual consiste em varias etapas. Tudo comeca com oque vestir. Eu levei meu biquine, por via das duvidas, pois nao sabia muito bem oque esperar do processo. Mas ao chegar no Hamam eles te dao uma roupa tipica – um lenco (tipo uma toalha feita de algodao) para os homens, e um conjunto de short e sutia (feito do mesmo tecido) para as mulhres, e uma toalha semelhante a dos homens, caso vc queria ficar mais ou menos coberta. Tipicamente ambos os sexos recebem a mesma toalinha, mas como fomos num Hamam misto, nao dah pra rolar oba oba peladao. Ah! E alem disso, eles te dao tambem um tamanco de madeira, difiiiicil de andar, mas ajuda a nao escorregar no chao molhado de marmore.

E entao vc eh encaminhado a “sala morna”, onde seu corpo vai se ajustando a temperatura, e te dao as instrucoes doque vai acontecer dai pra frente.

Entrar no Haman tem um baita impacto. Eh uma sla enoooorme, feita de PURO marmore, do teto ao chao, com uma cupula gigante (parece o interior de uma mini mesquita). No meio tem uma plataforma octagonal, tambem de marmore, e eh ali que todos se sentam. os cantos da sala, tem 4 “quartinhos”, tambem de marmore, com “camas” tamebm de marmore, e torneiras.

(Foto de divulgacao – eu nao consegui tirar fotos durante o processo, por motivos obvios…)

Nos outros cantos da sala existem torneiras e bacias de prata, onde vc pode se molhar com agua fria ou morna.

Entao ficam todos ali, socializando, relaxando no marmore quente (mas nao chega a ser tao fervendo quanto uma sauna normal). Volta e meia vc se levante, tenta se equilibrar no tamanquinho e vai ateh uma das torneiras se refrescar.

Ateh que um dos atendentes chama seu nome. Ah! E todos os atendentes sao homens. Sempre homens.

A experiencia como um todo foi um tanto quanto cara (35 Euros, por 1,5 hora), mas ver a cara do Aaron se agarrando naquela toalinha como se nao houvesse um amanha, enquanto um macho Turco esfrega as costas dele e joga agua de bacia na cabeca dela nao teve preco! hahahahahah! Eu ria tanto da situacao, que mal conseguia me concentrar no “relaxamento” da coisa…

Mas enfim. O carinha te chama (estavamos os dois juntos no “quartinho”) e primeiro vc senta no chao, ao lado da torneira de marmore. Eles te molham de cima baixo, e com uma luva de bucha vegetal, te esfregam sem doh nem piedade. Adeus celulas mortas! Esfoliacao ateh a alma!

E entao vc deita na cama/maca de marmore; a cama nao eh nem um pouco confortavel, mas eh higienica, e facilita na hora que eles ficam te puxando de um lado pro outro durante  massagem.

A sensacao eh uma delicia! Eles esfregam uma parada que parece um saco de batata no sabonete especial. Esfrega, esfrega, esfrega, e enchem o saco de ar, como se fosse uma bexiga. E entao colocam aquele “balao em cima de voce e “espremem” toda espuma nas suas costas. mas eh mUITA espuma! Nao dah pra descrever! Uma cosia assim banho de espuma de desenho animado!

(foto divulgacao)

E entao, nessa de espuma pra ca, espuma pra lah, eles vao te fazendo uma massagem, te puxam de um lado pro outro, te escorregam na mesa de marmore (e entao vc entende pra que o marmore), te viram de um lado pro outro, e vc fica literalmente nas nuvens!

Pra acordar, lah vem a bacia de agua de novo! Varias baciadas, enxaguando toda espuma de seu corpo. Entao vc senta de novo no chao, e eles continuam te enxaguando, e de quebra ainda lavam seu cabelo (nos, MUITOS nos pra contar historia depois…).

E pronto, esfoliados, limpos e relaxados, vamos para a sala “morna” de novo, onde trocamos a toalinha molhada, por outra seca e quentinha. Ai o carinha amarra uma outra toalha nos ombros, na cabeca e vc pode ficar lah, relaxando quanto tempo quiser.

E por fim aidna rola um barzinho no terreo, com varias almofades espalhadas onde vc pode beber um cha ou fumar um Narguile…

 

 

 

Categorias: Beleza, Instanbul, Turquia, Viagens
17
27
May
2009
Suleymaniye e Historia Turca
Escrito por Adriana Miller

Nosso domingo comecou taaarde… Apesar da lista interminavel de cosias pra fazer durante o dia em istanbul, nos subestimamos o cansaco das 2 horas de fuso horario (ou seja, sabado acordamos as 6 da matina no horario de Londres), somado a 10 horas andando sem parar, mais o papo animado jogados nos almofadoes da calcada bebendo cha ateh a 1 da manha (HAJA cafeina no cha turco! Cruzes!).

Nossa missao era ir direto pro Grand Bazaar, e ter um dia tranquilo de comprinhas “exoticas”, talvez um ou outro museu ou mesquita, ou oque aparecesse pela frente.

Poreem… chegamos no portao do Grand Bazaar e demos com a porta na cara! NADA abre aos domingos em Istanbul!!! Entao reavaliamos noss planos do fim de semana, e resolvemos enfim dar uma olhada nos horarios de abertura das outras atracoes, e acabamos descobrindo que algumas das cosias que tinhamos planejado pra domingo estavam fechadas, e outras coisas que tinhamos planejado pra segunda, tambem estariam fechadas!

Entao meio que comecamos a andar sem rumo e demos de cara com o lindo predio da Universidade de Istanbul! Que tem uma mesquita bem em frente, e chegamos lah bem na hora da chamada para preces. Foi bem legal ver os homens todos largando seus afazeres no meio da rua, e seguindo em massa pra dentro da mesquita, lavando seus pes, maos e bocas antes de se dirigirem para o interior da mesquita.

De lah fomos andando ateh a Mesquita Suleymaniye Camii, que eh uma das maiores mesquitas da cidade, e foi encomendado pelo Sultao Suleyman I ao arquiteto Sinan, pois ele queria uma mesquita que fosse tao imponente quanto a Aya Sofya. O interior da Mesquita estava praticamente todo fechado para restauracoes, entao soh pudemos ver um pequeno pedaco, mas eh uma mesquita famosa por ser incrivelmente clara, e bem iluminada, toda pintada de branco, e coberta de azulejos Iznik em azul claro.

Nessa mesquita, pela primeira vez soh pude entrar com a cabeca coberta, e como nao tinha nenhum lenco comigo nesse dia, tive que “alugar” um lenco na porta.

Em volta do mesquita tem uma ruazinha cheia de bares e restaurantes, que era conhecida como a “rua dos vicios” pois aqui era o mercado de rua onde eram comercializados produtos como alcool e opio.

Parte dessa mesquita eh o Hamam, o banho turco, que foi construida a pedido de Roxelana, uma das “Favoritas” do Sultao Suleymaniye, e construida pelo memso arquiteto Sinan. Ha uns anos atras o Hamam foi reformado, e hoje em dia, alem de ser considerado um dos banhos turcos mais antigos e bonitos, eh tambem o mais turistico, pois permite que homens e mulheres compartilhem o memso ambiente. Aproveitamos que estavamos ali e fizemos nossa reserva pro fim do dia.

O resto da tarde ficamos batendo perna pela cidade, e resolvemos entrar no Museu Arqueologico, que fica bem do lado do Palacio Topkapi, e nao davamos nada por ele, mas que acabou sendo uma das melhores surpresas de Istanbul!

Nesse ponto os Turcos foram muito espertos, e souberam muito bem preservar sua historia e seus monumentos. O museu foi fundado no final do seculo 19 (1881 s enao me engano) por um historiador Turco que se deu conta que os “exploradores” Europeus que vinham visitar a regiao acabavam levando consigo pecas muito valiaosas (Alou British Museum!), oqu ena epoca era considerado normal, mas que ele nao concordava. Entao Osman Hamid resolveu fundar o museu e criou leis de protecao ao patrimonio historico da Turquia.

O mais impressionante desse museu eh a quantidade de pecas antiquerrimas e super bem conservadas. Nos acabamos nos acostumando a associar estatuas antigas (tipo, bem antigas besmo, pra cima dos 3 mil anos) a ruinas, como se ve na Italia e principalmente na Grecia, mas aqui, tudo estava impressionantemente bem conservados, e algumas pecas intactas, como se tivessem sido esculpidas ontem!

Sao corredores e mais corredores, saloes e mais saloes repletos de pecas raras, partes da historia da Turquia e de todo impreio Ottomano e Bizanino, alem de reliquias deixadas pelos Romanos e trazides pelos Arabes.

Ficamos lah dentro por horas e mais horas, dando gracas a deus que nossa programacao “normal” tinha furado, e tivemos a oportunidade de ver tudo aquilo de perto!

E quando saimos de lah, fomos direto para nosso banho turco! (que depois vai virar um outro post, pois precisa de mais detalhes!)

 

Categorias: Instanbul, Turquia, Viagens
4
26
May
2009
Sultanahmed
Escrito por Adriana Miller

Sultanahmed eh o bairro antigo de Istanbul, e onde estao as principais atracoes turisticas da cidade. Como dei a dica no post ai em baixo, ficamos hospedados em Sultanahmed e foi a melhor coisa que fizemos. Estavamos pertinho de tudo, e fizemos tudo a peh – era soh seguir o mapa, ou alguma das dezenas de placas turisticas nas ruas que te ensinam o caminho.

Nosso primeiro dia fomos direto ao principal!

Na mesma praca, no alto da colina de Sultanahmed estao as mesquitas Hagia Sophia e a Mesquita Azul.

O tempo estava espetacular, com um ceu azul turqueza, e uma temperatura agradavel, que nao fazia nem calor nem frio…

Comecamos o tour pela Mesquita Azul, que na verdade nao eh azul. Seu nome oficial eh Sultanahmed Camii, que significa “Mesquita do Sultao Ahmed”, e foi apelidada de Mesquita aazul devido aos azulejos internos, decorados em azul. A mesquita foi contruida entre 1603 a 1617 e oque o Sultao queria era justamente ofuscar a beleza da Hagia Sophia, que fica na mesma praca, exatamente do outro lado da rua.

O conselho que recebemos foi de evitar os horarios das preces muculmanas, pois a mesquita ainda fuinciona como templo religioso, e nao apenas um museu. Porem, apesar de ainda ser uma mesquita funcional, nao precisei cobrir a cabeca, apenas os ombros e pescoco (jah estava usando uma blusa de manga e um lenco). Ah! E ninguem pode entrar usando sapatos.

O interior da Mesquita eh lindo, sem palavras! A decoracao em azulejos tipicos Turcos dao um toque azul, mas sem perder o charme e a delicadeza dos desenhos, as letras de alfabeto Arabe e as flores coloridas. O chao, totalmente acarpetado, com um carpeta vermelho inenso e super macio, e a iluminacao “luz de velas” criou um ambiente magico.

Apesar das ordas de turistas tentando tirar o maximo de fotos possivel antes da prixima chamada para preces comecasse (oi!) deixou o ambiente um pouco lotado, mas mesmo assim, reparei que nos fundos da mesquita, no especao separado as mulheres, eles ainda estavam lah. Rodeadas de livros do Corao, cobertas por seus lencos, e ajoelhadas em direcao a Mecca. Fiquei ali um tempao, olhando pra aquelas mulheres e tentando entender a vida diferente que temos – nem melhor nem pior, apenas diferente. Ateh que um senhor chegou, todas levantaram e o seguiram pra fora da Mesquita. Seria ele um pai? Um marido? Um guia?

Aproveitamos pra dar um voltinha no jardim da Mesquita, que estava parcialmente fechdo, mas acabamos caindo de gaiato na carona de um grupo guiado, e fomos andando por um dos tuneis que levam ao jardim (que era uma das entradas antigas da mesquita) e descobrimos porque as estradas das mesquitas tem umas correntes estranhas: apenas o Sultao poderia passar pelo meio das correntes, ereto; todos os demais, passavam pelas laterais, e assim era obrigados e abaixar suas cabecas em venerencia ao Sultao!

Do outro lado da praca esta a Igreja da Sabedoria Sagrada (Holly Wisdom), tambem conhecida como Hagia Sophia, ou Aya Sofya – e que nao significa “Santa Sofia” como algumas pessoas pensam.

O edificio que vemos hoje foi contruida em 537 d.c. a mandato do Imperador Romano Justinus, e era a maior Igreja crista do mundo. Porem em 1453, quase 100 anos depois, A Igreja e a religiao cairam, junto com Constantinopla, e o Sultao Mehmet, o Conquistador conseguiu derrubar os muros da cidade e transformou a Igreja em Mesquita. E entao, foi proclamado museu em 1934.

Por fora, a Aya Sofya nao eh tao bonita quanto sua rival, Mesquita azul. Por ser uma construcao tao antiga, ao chegar perto vemos que a estrutura feita de pedras, e um pouco caindo aos pedacos deixa um pouco a desejar, se comprada com o impacto visual que tem ao ser vista de longe.

Porem, eh no interior do museu que a coisa realmente muda de figura! As cupulas, decoradas com mais de 30 milhoes de mosaicos dourados, contam a historia de Jesus e seus apostolos, numa cupula com mais de 30 metros de diametro, e amparada por cerca de 40 arcos e colunas laterais. Se uma estrutura dessas eh impressionante para nos, meros turistas, imagina o impacto que uma Igreja desse porte nao tinha na populacao do ano 537??! Se alguem duvidasse que existia um Deus, bastava entrar na Aya Sofya para que passasem a crer.

Quase 1000 anos depois, quando a Igreja foi transformada em Mesquita, o Sultao e seu arquiteto (o famoso Sinan, que esta por todas as partes) pintaram por cima de todos os mosaicos, cobrindo as imagens cristas e simbolos da Cruz. Dizem que Sinan passou toda sua vida profissional desenhando e tentando contruir mesquitas que fossem semelhantes a Aya Sofya, mas a cupula construida com tijolos de uma lama especial da ilha de Rhodes (na Grecia) nunca conseguir ser equiparada.

Quando a mesquita foi transformada em Museu em 1934, os arquetetos e restauradores descobriram parta da estrutura das Igrejas que foram contruidas anteriormente no memso lugar, e conseguiram recuperar parcialmente os mosaicos cristaos, que hoje em dia convivem lao a lado com os simbolos Muculmanos.

Para finalizar o dia, fomos ao Palacio Topkapi, que a primeira vista nos pareceu bem sem graca em comparacao as duas mesquitas maravilhosas que tinhamos acabado de ver. mas apesar de um pouco “vazio”, eh um dos palacios com mais historias pra contar do mundo.

O Topkapi foi contruido em 1453 pelo Sultao Mehmet, logo depois da conquista de Constantinopla, e foi a casa de alguns outros Sultaos que governaram a Turquia: Selim, que morreu afogado na banheira depois de beber muito champagne. Ibraim, o Louco, que enlouqueceu dentro do palacio, depois de passar muitos anos trancado nas gaiolas de ouro com medo de seus rivais, e Roxelana, uma das esposas “favoritas” de Suleyman, o Magnifico – que eh ateh hoje considerada uma das mulheres mais influentes da historia da Turquia.

Porem, a parte mais legal do palacio nao eh exatamente o palacio em si, e sim o Harem. A parte do palacio reservada as esposas e comcubinas dos Sultaos.

Para entrar no Harem, tivemos que pagar uma taxa a mais, que valeu muito a pena!

Eu li bastante sobre o Harem antes de irmos pra lah, e ao contrario do imaginario ocidental de promiscuidade e “bordel” que imaginamos os Harens, eles eram na verdade uma escola de meninas. Logicamente, there’s no such thing as a free lunch, e ao longo doas anos as pupilas eram “apresentadas” ao sultao.

Num momento “Sim querida, acho essa coisa de Harem um absurdo! Quem precisa de mais de uma, quando jah tenho voce? O Sultao e Huf Hefner nao estao com nada! – Isso mesmo! E ai dele se discordar!

Cada sultao poderia ter ateh 4 esposas “oficiais” e quantas concubinas quisesse. A “media” era de 200 mulheres morando ali ao memso tempo. mas na verdade o Harem era ocupado por cerca de 1000 pessoas, incluindo as esposas, as comcunbinas, seus filhos e os Eunucos (Brancos e pretos) que cuidavam das mulheres e eram os serventes do Harem.

As candidatas a Concubinas chegavam ao palacio entre as idades de 5 a 12 anos, e deveriam ser bonitas, inteligentes e prendadas, e seguiam uma hierarquia dentro do Harem. A esposa principal era a “chefa” e controlava tudo e todas (imagina o tipo de intriga que nao deveria rolar no meio dessa mulhereada toda??!?!). Depois vinham as esposas e as favoritas – que nao necessariamente eram “oficiais” do sultao – e as comcubinas que tinham tido filhos – separado entre filhos homens (possiveis herdeiros) e filhas mulheres. Algumas delas eram consideradas escravas, e faziam parte da equipe de serventes do palacio. Quando o Sultao morresse, todas as concubinas poderiam ser consideradas livres, porem as que tinham filhos homens tinham que pernanecer no palacio com seus herdeiros, e as que tinham filhas mulheres eram re-casadas com outros homens da “relaleza”.

Toda a historia do palacio eh super interessante, e eh possivel entrar em cada uma das areas do palacio, nos quartos e apartamentos, os banheiros e as “gaiolas” onde os herdeiros eram guardados (um dos Sultoes, que foi o unico sobrevivente de 19 irmaos assasinados, ordenou que todos os seus filhos homens fossem “protegidos” por grades de ouro em suas janelas, e que ficasse ali, prisioneiros ateh que chegassem na idade de assumir cargos reais. Logicamente a maioria deles ficava louco e acabavam morrendo jovens).

Dos jardins do palacio se tem a vista maravilhosa do Estreito de Bosforo, que separa a Europa da Asia, e o Mar Mediterraneo do Mar Negro, e cabamos decidindo de nao fazer o tal do passeio de barco pelo Bosforo – nao conheco uma unica pessoa que tenha gostado do passeio!

A Europa na Esquerda, ea Asia na Direita

Para finalizar o dia (exaustous!) fomos jantar num restaurante de culinaria Ottomana (muito parecida com a Grega) no terraco de um predio, com vistas maravilhosas das Mesquitas, e um merecida e relaxada noite regada a cha de maca nas almofadas na calcada do hotel!

 

 

Categorias: Instanbul, Turquia, Viagens
14
26
May
2009
Istanbul
Escrito por Adriana Miller

Qualquer pessoa que goste de historia da mesma maneira que eu gosto (ADORO) sabe a importancia que Istanbul tem na historia da humanidade, e disputa com Roma e Atenas o podio das cidades ocidentais mais interessantes e de historia mais conturbada da regiao.

A cidade que hoje eh Istanbul, jah foi Bizantiun, capital do imperio Bizantino, e depois Constantinopla, quando foi conquistada pelo imprador Romano Constantinus, e no seculo 15 foi finalmente invadida pelos muculmanos, e entao virando Islam-Bol, ou Istanbul – a cidade do Islam.

A cidade (e pais) eh dividida entre dois continentes – Europa e Asia – e corredor de passagem de dois grandes mares: Mediterraneo e Negro (estreito de Bosforo), e jah assistiu batalhas como a conquista de Alexandre, o Grande, virou a “Roma do leste” pelas maos de Constantinus; foi aqui que Aquiles lutou contra os Troianos; onde os Ottomanos comandaram seu imperio, e que foi invadida e convertida pelos muculmanos comandados pelo Sultao Mehmed, o Conquistador em Maio de 1453.

Como nosso voo chegava super tarde sexta feira, decidimos pedir um trasfer do hotel. Sai um pouco mais caro, mas eh um preco que vale a pena ao aterrisar tarde numa cidade desconhecida que tenha “mah fama” – todos nos aconselharam a ter muito cuidado com os Turcos, negociar bem os precos, conferir troco, nao dar bobeira com a bolsa, maquinas fotograficas e tal. Boa parte dos conselhos foram bem exagerados, mas nao custa nada prevenir, certo? Ainda mais saindo do aeroporto a 1 da manha!

Nosso motorista parecia ser bem gente boa, tentando se comunicar nas 5 palavras que falava em Ingles, e foi nos levando dando voltas e mais voltas pela cidade, para vermos os pontos turisticos – se fosse um taxi comum, estariamos morrendo de raiva de sermos enrolados e “dando uma voltinha”, mas com o motorista do hotel, estava tudo otimo!

Uma coisa uqe me surpreendeu em Istanbul foi que nao existe pobreza. Tudo bem que nao viajamos pelo interior do pais, e basicamente nao saimos da area turistica da cidade, mas mesmo no caminho entre o aeroporto e a cidade, nao vimos nenhuma area que tivesse cara de “periferia”, ou uma area mais perigosa. E apesar de tudo que nos falaram sobre os Turcos, me senti extremamente segura o tempo todo. Logicamente, tem que ficar esperta com bolsas e tal, e como qualquer cidade grande do mundo nao dah pra dar bobeira, mas andamos com maquina fotografica pra tudo quanto eh canto, andamos pela rua de noite, nos embrenhamos por ruelas mal ilumindas, e em nenhum momento me senti em perigo. Nao vi criancas na rua, e nem sequer pedintes… e o unico mendigo que vi na rua, quando jogou um papel no chao, uma mulher que andava atras dele (bem vestida), parou, catou seu papel no chao e jogou na lata de lixo.

Fiquei muito bem impressionada, mesmo! Nao sei porque, mas imaginava um lugar diferente, talvez por imaginar que seria um pouco como Marrocos, e provavelmente por causa do estereotipo que os Turcos tem pela Europa, de perigosos e imigrantes ilegais, principalmente na Europa central.

mas muito pelo contrario, descobrimos uma cidade milenar, cheia de historia pra contar, mas ao memso tempo jovem e cheia de vida, colorida e tolerante.

Mas mesmo assim, alguns cuidados foram tomados, pois por mais que eu tenha adorado a cidade, e quebrado varios de meus estereotipos e preconceitos, a cultura e religiao eh muito diferente da nossa, e por mais cabeca aberta que eles sejam em relacao ao turismo ocidental, temos que respeitar seus costumes e culturas, oque inclui:

- Roupas: Na Turquia nem todas as mulheres usam vem cobrindo os cabelos ou rosto, mas mesmo assim, todas andam muito cobertas, e nao eh pemitido a entrada em mesquitas e templos para mulheres com ombros, colo e pernas a mostra, ou homens de bermuda. E nao soh pelo respeito a religiao, mas por seu proprio bem! Os Turcos sao descarados e bem “machos latinos” nesse aspecto, e seja voce de que religiao for, sozinha ou acompanhada, a cada passo recebera uma cantada, ouvira um fiu-fiu na rua ou uma piadinha de gosto duvidoso. Tanto homens quanto mulher encaram as mulheres ocidentais sem piedade (por motivos diferentes, obviamente!), e basta um micro decote para virar a atracao do restaurante/bar/mercado, etc. Eu vi umas meninas bem “assanhadinhas” de short curto ou blusa decotada, e dava ateh pena coitadas… E o Aaron, que eh o homem mais pacato e seguro do universo volta e meia saia bufando e pensando alto que queria “quebrar a cara do idiota” (convenhamos que vindo dele chega a ser comico!) pois os homens sao mesmo descarados!

- Bebida alcoolicas: No geral, Muculmanos nao bebem, mas os Turcos sao tolerantes com quem queira beber. Nem todos os bares servem cerveja, vinho, ou qualquer outra coisa, e alguns servem soh depois de uma certa hora; mas de qualquer maneira, nao chegamos a ver turistas bebados nem anda do genero (e ficamos numa area cheia de albergues, e barzinhos).

- Negociacao: negocie, negocie, negocie. Nuca, jamais pague o preco que eles pecam, em nada! O Aaron fica pra morrer, pois ele odeia essa coisas, mas eu me divirto! Sou cara de pau, bato boca com vendedor, e soh compro pelo preco que quero. mas os vendedores Turcos tem toda uma tecnica bem convicente – e presenciamos a mesma tecnica varias vezes, e situacaoes e lojas diferentes!

Nos ficamos hospedados no Hotel Agan, que eh tipo uma pensao/albergue. Super recomendo, para quem nao tem frescuras de hotel. Os quartos sao bem simples, mas limpos, com tv a cabo, frigobar e banheiro (o banheiro deixou a desejar, mas nada a perfeito, certo?), alem de um cafe da manha legalzinho e tipico Turco e um restaurante com almofadas na varanda que era uma delicia!

Mas a melhor parte foi mesmo a localizacao! O Hotel fica a menos de 5 minutos de todas as principais atracoes turisticas em Istanbul, no centrao da cidade antiga, Sultanahmet e passamos o feriado inteiro andando a peh pra cima e pra baixo, sem precisar de pegar taxi ou tram uma unica vez! Ah! E eles organizaram nosso transfer de chegada e saida pro aeroporto por um preco bem bom, e pra quem vai pra Turquia com mais tempo pra passear, eles tem uma mini agencia de viagem na recepcao do hotel que pode organixar uma infinidade de passeios bem legais pelo pais todo! De viagens mochileiras de onibus noturno, a passeios romanticos de balao por Capadoccia!

Saindo de Londres, existem varias opcoes de voos diretos pra Istanbul, incluindo algumas opcoes low cost, como a EasyJet. Acabamos achando uma super promocao da Expedia meses e meses atras que incluia hotel e voo da British Airways, no fim de semana do feriado, que acabou saindo mais barato que o voo da EasyJet! Entao eh bom ficar de olho nas promocoes, e logicamente, planejar com muito tempo de antecedencia!

Tiramos muitas, MUITAS fotos (eu quase 500, e o Aaron quase 700!!) e jah estao AQUI.

 

Categorias: Instanbul, Turquia, Viagens
18
26
May
2009
Sa e salvos
Escrito por Adriana Miller

Voltamos pra casa, depois de nossa viagem pra Istanbul, Turquia; que foi super ultra maravilhosa – Istanbul superou todas as minhas expectativas, e eh definitivamente mais um pais pra lista (que nao para de crescer!) de lugares que um dia temos que voltar e conhecer com mais calma, ver mais coisa.

A viagem em si foi eio conturbada, pois pegamos MUITA turbulencia tanto na ida quanto na volta, oque me deixou enjoada de ver estelas. E alem de ter passado a viagem de volta com a cara enfiada no saquinho de vomito quase o tempo todo, o Aaron ainda estava em panico achando que “alguma coisa” estava acontecendo. Eu nao vi nada, pois soh olhava pra dentro do saquinho, mas a turbulencia estava fora de controle, e era nitido que as comissarias estavam preocupada com alguma coisa. Ninguem podia levantear pra nem sequer ir no banheiro, todos trancafiados em suas poltronas.

Quanto pousamos em Heathrow a pista estava rodeada por policiais e bombeiros, oque aumentou a preocupacao do Aaron, que a esse ponto, achava que o aviao ia ser invadido pela policia a qualquer minuto!

Quando jah estavamos salvos e “estacionados” no chao, o piloto anunciou no alto falanta que o Piloto Automatico nao estava funcionando, e tivemos problemas com um dos motores!!!!! Entao to achando que nao foi turbulencia coisa nenhuma, e sim um piloto barbeiro que nao segurou o tranco…. Ah! E os bombeiros estavam a postos, caso o pouso “nao desse certo”!!! (????)

Mas como sobrevivemos, entao isso foi apenas um detalhe… as fotos jah estao baixadas, e estou organizando as ideias pra publicar uns posts mais tarde quando esvaziar meu inbox!

 

Categorias: Feriados e afins, Instanbul, Perrengues, Turquia, Viagens
7
12
May
2009
Visto para Turquia
Escrito por Adriana Miller

A Turquia eh bem relaxada em relacao a vistos, mas mesmo assim, 2 semanas antes da nossa viagem pra Istambul esquecemos completamente de sequer conferir oque era preciso pra entrar no pais! (eh o trauma de passar perrengues e semi deportacao!).

No site do consulado Turco tem tudo bem esplicadinho, e Europeus e Americanos precisam de visto de turista para viagens de ateh 90 dias, mas o visto eh retirado na entrada no pais, no proprio aeroporto.

Porem, entre os passaportes Europeus, os Britanicos tem regulamentos de visto completamente diferentes, e apesar de simples, eles exigem umas informacoes a mais.

Jah para Brasileiros eh festa! Quem entrar na Turquia com passaporte Brasileiro nao precisa de visto, nem de nada e pode ficar no pais por ateh 180 dias por ano.

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Mudando de assunto ligeiramente… Alguem ai que jah foi pra Istambul tem alguma dica de Hamam (Banho turco) unisex? Eu estou doida pra ir num banho turco, mas sei que se tivermos que ficar em salas separadas o Aaron nao vai topar, e mesmo ficando juntos jah esta dificil convence-lo que vai ser super legar ter um homem Turco semi nu dando banho nele com direito a esfregacao de bucha e tudo mais! (mas eu to empolgadona! Eh a variedade mais milenar de um Spa, gente!)

 

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