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S.A.L.: Planejamento de Custos/Despesas em viagens
Ha umas semanas atras a Mi e a Lucia me mandaram e-mails pedindo dicas de como se planejar financeiramente pra viagens. Segundo a Mi, dicas sob o ponto de vista viajante-profissional-ex economista-planejadora obsessiva compulsiva.
Entao esses sao os truques financeiros que funcionam pra mim, que aplico ao longo do ano, todos os anos e que me permitem otimizar meu orcamento pra sempre poder encaixar minhas muitas viagens – sem ir a falencia, nem abrir mao de fazer outras coisas na vida.
Esta longe de ser uma formula magica, e cada caso eh um caso; mas vai por mim! Basta um pouco de planejamento curto-medio-longo prazo (ou seja: o tempo todo!) e voila!
Uma das coisas que eu mais gosto em relacao a uma viagem, eh justamente planeja-la.
Sei que muita gente prefere e se sente mais confortavel ao lidar com agencias de turismo. Voce vai lah, diz oque quer fazer, suas preferencias, quanto quer gastar e pronto. Alguem pensa em tudo por voce e te vende um pacote prontinho e completo.

Isso pra mim significa abrir mao de um dos meus passatempos preferidos! Ler, pesquisar, brincar com datas, voos, procurar hoteis, organizar o roteiro, etc, etc, etc. E eu nao to brincando quando digo que jah tenho viagens pensadas/planejadas pros proximos 3 anos!
Alem disso, uma outra grande vantagem de planejar uma viagem independente, com bastante antecedencia, eh poder planejar e espalhar os custos.
Viajar eh sempre mais caro que a vida normal, voce acaba fazendo coisas e gastando com outras tantas que nao fazem parte de seu orcamento do dia a dia, e muita gente deixa de sequer cogitar a idea de planejar uma viagem, justamente por achar que nao tem dinheiro pra esse tipo de coisa.
Entao planejamento financeiro eh essencial nao soh pra tornar sua viagem possivel, mas tambem pra evitar que as experiencias e boas lembrancas da sua viagem se transformem em arrependimento e dividas na volta pra casa!
Bem, pra comecar, eu “categorizo” minhas viagens em dois grupos: as viagens curtinhas-rapidinhas que sao mais frequentes; e as viagens longas, que geralmente sao pra lugares mais distantes e consequentemente serao mais caras.
E por isso tambem prefiro viajar mais vezes, por periodos de tempo mais curtos (tipo 3 dias aqui, 4 dias ali…) evitando acumular de uma vez soh varias diarias seguidas em hoteis, mais 3 refeicoes por dia, por varios dias, etc, etc.

As viagens curtas sao mais frequentes, e geralmente tento fazer quase que uma por mes. Para que isso seja viavel, esse custo faz parte do meu orcamento mensal. Ou seja, todo mes, quando eu recebo meu salario, eu jah sei que todo-santo-mes eu tenho que pagar o aluguel, uma parte pra poupanca, conta de luz, eletricidade, celular, academia, supermercado e viagem (entre outras).
Entao isso pra mim jah eh um custo “amortizado”, que jah nem considero como parte do meu salario liquido. Assim nao caio na tentacao de gastar esse orcamento comprando qualquer outra coisa. Se por acaso, sobrar dinheiro desse “bolo” no fim do mes (se a viagem foi mais barata que o normal, por exemplo), fico no lucro, e aproveito pra “investir” nos custos da proxima viagem!
Esse custo mensal foi calculado tendo em base: custo de uma passagem aerea futura (a pasagem da viagem daquele mes jah foi paga ha alguns meses atras – sempre!), diaria de hotel/albergue, comida, e alguns extras (trem ate o aeroporto, museus, transportes e afins durante a viagem).

Entao eu jah sei, mais ou menos quanto posso/quero gastar na passagem aerea de uma viagem futura (e passo meses pesquisando datas, cias aereas e possiveis precos, versus o custo-beneficio de conhecer tal lugar), estabeleco limites no custo da diaria de hoteis (por isso sempre acabamos ficando em albergues ou pensoes bem baratinhas), e qual nosso custo medio com alimentacao e transporte.
Mas o custo “base” eh sempre a passagem aerea, mesmo comprando de cias low cost. Entao tento comprar as passagens com pelo menos 4 ou 6 meses de antecedencia (jah tenho planos ate Dezembro desse ano, por exemplo, e jah estou de olho nas opcoes de viagens para Janeiro, Fevereiro e Marco de 2011!), e se por acaso sobrou uma grana nao esperada num mes qualquer, aproveito pra jah comprar logo varias passagens ao mesmo tempo (diminuindo os gastos com taxas de cartao, por exemplo, muitas vezes cobradas no sites de viagem low cost), e assim me “livro” do custo, oque causarah mais “sobras” de dinheiros em meses seguintes (oque eh sempre otimo!).
Porem quando a viagem eh mais longa, a passagem aerea consequentemente mais cara, e os gastos de hotel + comida + transporte + aleatorios tambem sao maiores (pois serao mais dias fora de casa) o planejamento precisa ser ainda melhor, e de preferencia com ainda mais antecedencia!

Pra comecar que a grande maioria das vezes decidimos qual destino e data de nossa viagem baseado em custo.
Sempre tenho minha lista top 10 de lugares que quero conhecer (na verdade eh mais um top 67, mas tudo bem…), e entao vou brincando com as possibilidades de um destino X ou Y ou Z dependendo se naquela epoca eh alta temporada em determinado lugar, se esta rolando promocao em algum site/cia aerea, etc. Entao as vezes decidimos viajar pra determinado lugar, puramente porque a passagem estava irresistivelmente barata! (como foi o caso de Dubai em Fevereiro desse ano. Nao estava nos planos pra 2010, mas nao consegui deixar uma passagem de 200 Libras passar despercebida…).
Entao a passagem eh comprada com meses e meses de antecedencia, e esse custo jah desaparece de meu caminho.
Porem se for uma passagem bem mais cara que o normal (passagem pro Brasil, por exemplo! Sempre mais cara que pra qualquer outro lugar do mundo! Incrivel!), jah sei que ao longo do ano tenho que separar um “fundo” diferente que vai patrocinar esse gasto extra (muitas vezes gastos provenientes das “sobras” do orcamento mensal que falei a cima; ou por exemplo adiar (ou cancelar) a compra de alguma outra coisa (Bolsa? Roupa? Camera fotografica? Jantar fora no fim de semana?) que faria parte do mes gasto liquido daquele mes. Ou simplesmente jah saber que X% da minha poupanca na verdade serah destinada a viagem X – como esta sendo o caso da nossa viagem a Tanzania/Kilimanjaro esse ano, que estamos juntando e separando uma poupanca especial pra esse gasto ultra-extraordinario ha 2 anos).
Entao dai pra frente vou tentando “espacar” os custos da viagem o maximo possivel – oque NAO significa pagar nada com crediario, parcelado ou afins, que sao artificios que apenas adiam o gasto com um dinheiro que voce ainda nem sequer tem (que geralmente eh o que gera dividas).
Ou seja, X meses de antecedencia, reservo os hoteis. Mais um gasto futuro que saiu do meu caminho.
No mes Y, reservo passagens de viagens internas (como voos domesticos, viagem de trem, onibus ou afins).
E sempre que possivel, ao longo dos meses X, Y, Z, W, etc vou separando uma grana extra (por menor que seja essa quantidade, no final de alguns meses, sempre dah uma ajuda nos gastos finais da viagem) que vai cobrir os gastos aleatorios durante a viagem: Comida? Taxi? Souvenir? Show/Teatro/Musical? Muambas?
Em relacao aos gastos durante a viagem propriamente dita, eu sempre, SEMPRE opto por usar meu carto de debito, que eh internacional, meu banco nao me combra nenhum taxa extra para saques no exterior (soh no Brasil, que sempre me combram! Parece implicancia!) e sempre cobram a cotacao oficial do Euro/Dolar/Dirham/Bhat/etc. Assim jah sei quanto tenho pra gastar durante aquela viagem e nao gasto nada “por conta”.
Mas se esse nao eh o seu caso (se seu cartao de debito nao for internacional, ou se seu banco te cobra taxas exorbitantes), entao use esse “fundo extra” pra ir comprando moeda estrangeira, por exemplo (sempre prestando atencao na cotacao e flutuacao do cambio).
Uma observacao extra eh evitar cair no erro de sair comprando dolar adoidado, se sua viagem NAO for pros EUA. Tudo bem que comprar dolar no Brasil eh bem mais facil doque qualquer outra moeda, mas eh sempre bom ter em mente que vc vai pagar comissao, taxas, cambio, etc pra comprar dolar, jah perdendo uma certa quantia nesse processo. Depois, meses depois quando sua viagem finalmente chegar, voce terah que fazer todo esse processo novamente (e consequentemente perder mais dinheiro) pra trocar seus dolares por Libra/Euro/Dolar/Dirham/Bhat ou oque for – Ou seja, seu saldo final, em Reais sera mais baixo doque o planejado, e voce vai perder dinheiro desnecessario no Limbo das cotacoes de cambio…!
(E nao. Dolar NAO eh aceito como moeda comum na Europa. Seus dolares nao serao aceitos em lojas, nem restaurantes, nem pelo motorista do taxi)
Uma alternativa realtivamente mais “moderna” eh aproveitar os cartoes de credito/debito pre-pagos, tipo o Visa Travel Money. Eu pessoalmente nunca usei (pois meu banco normal me oferece as mesmas vantagens), mas funciona mais ou menos assim: Voce deposita uma quantia X na “conta” de seu cartao – que pode ser usado como credito, mas na verdade vc nao recebe credito por ele, entao tem que jah ter a quantia em maos) – esse cartao sera aceito internacionalmente, em qualquer estabelecimento que aceite sua bandeira (Seja ela Visa/ Mastercard), assim como voce tambem podera sacar dinheiro, sem pagar nada a mais em qualquer caixa eletronico do mundo (mais uma vez, sem pagar taxas exorbitantes a cada saque).
Ao longo e no final da sua viagem, voce poderah sempre checar seu saldo on line, qual a cotacao cobrada por cada moeda (local) sacada, e qual seu balanco final em Reais.
Alem disso, leve um quantia (relativamente pequena) de moeda local para ser usada imediatamente depois que vc chegar a seu destino (por exemplo, pra pagar taxi/Onibus/Trem ate o aeroporto) como reserva, caso vc nao econtre um caixa eletronico ou evitar ter que pagar comissoes absurdas cobradas nos cambistas de aeroportos.
…E para todo o resto, existe Mastercard!
Como nem sempre eh possivel viajar jah com todos os gastos da viagem pagos e quitados, use seu cartao de credito pra cobrir outros gastos eventuais; mas se por acaso voce for fazer isso, garanta que seu cartao esta “limpo”, sem dividas, parcelamentos e afins pendentes, que podem afetar seu limite (num caso de emergencia, por exemplo), ou se transformar numa bola de neve de dividas na sua volta pra casa!
E pra terminar, planeje tambem suas financas pra volta das ferias – como vc vai organizar seu orcamento nos meses seguintes pra combrir os gastos no cartao de credito, por exemplo?
Os gastos pos-viagem vao afetar seu orcamento futuro para as proximas viagens?
Caderno de Perguntas
A Gabi Cristal me convidou pra um entrevista no blog dela que foi bem no estilo “caderno de perguntas” das epocas de escola!
Adorei participar e ela me fez algumas perguntas que sempre pipocam aqui pelo blog e acabam ficando perdidas em alguma caixa de comentario…
Qual a viagem dos meus sonhos? Que lugar do mundo eu mais gostei? Oque espero do futuro? Entre varias outras coisas…!
Obrigada pelo convite e pelos elogios!
S.A.L. – Estudar Full time ou part time em Londres?
A Carla me mandou um e-mail com algumas duvidas sobre os cursos de mestrado e Pos graduacao em Londres. Na verdade ela nao foi a primeira, e como jah dei algumas dicas e respostas em e-mails e comentarios que se perdem ao longo do tempo, resolvi escrever outro post de Servico de Atendimento ao Leitor, o SAL.
(…) Ainda não consegui decidir se eu deveria fazer o curso full ou part time, e por isso resolvi te escrever, pra te pedir umas dicas.
Tenho dúvidas do tipo: qual a média de livros que se lê numa semana? qual o suporte que os professores dão para os assignments/essays? as informações são claras, a gente consegue saber exatamente o que é pedido nesses trabalhos?
Vamos por partes.
Pra comecar, vou explicar um pouco a diferenca entre os cursos full time e part time nas universidades Inglesas (que eh bem parecido com as Universidades Europeias em geral).
Um curso full time (periodo integral) eh quele em que, teroricamente, o aluno eh estudante em tempo integral. Nao sobra, nem deveria sobrar tempo pra mais nada. Nao sobra tempo de fazer uns bicos durante a semana, nao sobra tempo de viajar nem de festejar muito.
Por isso tambem que o governo dah uma serie de benficios fiscais para alunos de cursos Full Time, como isencao de alguns impostos, acesso a emprestimo estudantil (Student Loan) e visto de estudante. Sao pequenas cosias que facilitam a vida de quem nao tem tempo de fazer mais nada na vida, a nao ser estudar.
A grande maioria dos cursos na Europa seguem essa linha, pois aqui nao rola muito a cultura de fazer estagios, trainee etc durante seu curso. Estudante foi feito pra estudar e nada mais. Programas de estagio soh aceitam candidatos durante os meses de verao, e programa de trainees soh aceitam candidatos jah formados.
Para ganhar uma graninha extra, os estudantes Europeus trabalham durante os meses de verao ou nos periodos de ferias escolares (natal, pascoa, spring break etc). Mas a grande maioria eh sustentada pelos pais ou pegam emprestimos estudantil do governo (e passam o resto da vida – literalmente – pagando o emprestimo. O Aaron ainda esta pagando o dele, e ainda faltam tipo mais uns 15 anos!).
Porem ser aluno de um curso full time nao significa que vc vai passar 40 horas semanas na sala de aula.
Na verdade a carga horaria pode variar bastante entre um curso e outro, uma materia e outra. Mas por via de regra, os horarios sao bem “espalhados” ao longo da semana e podem mudar constantemente (um mes vc tem aula as 2- de manha, 2- de tarde, 4- o dia todo, 5- livre e 6- na hora do almoco. No trimestre seguinte, tudo muda), ou seja, nao dah pra se preogramar a a fazer outras coisas (trabalhar, por exemplo) que exigam um comprometimente de medio e longo prazo.
Mas principalmente a regra numero UM de estudos Universitarios na Inglaterra eh: o numero de horas de dedicacao “independente” eh diretamente proporcional ao numero de horas na sala de aula.
No meu caso por exmplo, temos 6 horas de aula por semana (pois fiz um curso part time). Oque significa que cada aluno deverah dedicar pelo menos 6 horas extras para estudar por conta propria.
O mesmo curso em programa full time tem cerca de 12 horas semanas de aulas (espalhados em diferentes horarios e dias) e se espera que os alunos dediquem pelo menos mais 12 horas de estudos por conta propria.
A mesma regra vale para cursos part time (meio periodo). Nao eh porque o curso nao eh em programa integral, que voce terah muita flexibilidade.
Na minha universidade por exemplo, para o mesmo mestrado existe o programa full time, o part time e o part time business school (que eh o que eu fiz). A principal diferenca eh que o part time business school tem aulas a noite, e tem uma serie de pre requisitos para que os alunos possam ser aceitos no programa – o princpal eh jah estar inserido no mercado de trabalho, pois a grande maioria dos projetos/trabalhos que temos que fazer sao baseados em nossas proprias experiencias e empresas. Ou seja, o nivel de exigencia para os alunos eh mais alta, para que o nivel de exigencia dos professores seja mais baixa (jah que eles sabem que os alunos terao menos tempo para “estudar por conta propria” jah que todos trabalhamos full time e nossos cursos sao pagos pelas empresas que trabalhamos).
Jah o curso part time “normal” tem aulas durante o dia, em horarios aleatorios, e exige uma dedicacao “independente” ainda maior, para compensar a falta de experiencia profissional.
Em realcao aos livros lidos por semana, isso tambem depende muito de cada professor, cada materia e cada curso.
No caso da Carla ela quer fazer um curso de Direito, que eu imagino iria exigir muitos livros a serem lidos por semana.
Uma amiga fez um curso de moda, e nao tinha que ler muitos livros, mas em compensacao tinha que fazer projetos “reais” praticamente todas as semanas, oque consumia 100% do seu tempo livre (fazendo pesquisa, visitanto ateliers, costurando, colando solados, produzindo desfiles, e afins).
No meu caso algumas materias tive que ler muitos livros (Employment law principalmente!), mas outras materias liamos alguns artigos por semana, outras materias foram baseadas em pesquisas de campo (entreviats e questionarios e pesquisas a serem apresentados e discutidos todas as semanas).
Quanto aos trabalhos e projetos propriamente dito, a teoria eh sempre a mesma: alunos de nivel de mestrado devem ser independentes o suficiente para se desenvolver sozinhos.
No meu curso, cada materia tinha uma media de 2 projetos por trimestre: geralmente 1 Essay e um Business Case. Ambos os casos as instrucoes sao simples, coisa de 1 frase com um tema, ou deixando o tema livre para escolha. (no caso da dissertacao, voce ainda tem que inventar seu proprio tema “inedito” a ser pesquisado).
Os professores sao bem prestativos (bem… quase todos) e dao algumas dicas, mas a mensagem geral eh “alunos de mestrado tem que saber fazer suas proprias pesquisas, proprias referencias e formular suas proprias ideias”. Entao o resumo da opera eh que eh cada um por si.
Eu nunca tive ajuda negada (apenas da supervisora da minha tese!!), mas em compensacao, os professores sao os mais vagos possiveis nas ajudas, pois eles querem mesmo eh testar sua capacidade de pesquisar e de formular ideias e temas.
Alem, disso, o padrao e expectativa em relacao a qualidade dos trabalhos eh altissima, como jah contei em outros posts (sobre notas, plagiarismo e prazos), e nao existe segunda chance, ninguem quer saber dos seus problemas pessoais e outras dificuldades que voce possa ter (nao entender direito a lingua, ser novo no pais, morte de parente, divorcio, doenca, falta de dinheiro, etc). Regras foram criadas para serem cumpridas, e ponto final.
O meu mestrado foi, e esta sendo um otimo aprendizado de vida pra mim. Alem das aulas, dos professores super fera, a troca de experiencias com outros alunos do mundo todo, com as mais variadas experiencias de vida, esse mestrado ainda me ensimou demais a ultrapassar meus limites, seguir e respeitar as regras e mais que nada dar muito valor a fazer as cosias bem feitas.
Uma experiencia absurdamente diferente de qualquer outro curso (universitario ou nao) que jah tenha feito na vida, e as licoes que aprendi vao muito alem dos livros e projetos.
Mas quando digo que nao eh pra qualquer um, nao eh exagero. Aprendi muitas coisas legais, e hoje em dia estou aprendendo a dar valor pra isso, mas em compensacao sobreviver a esses dois anos deixou alguns traumas (hello tese!), e sinceramente eu nao teria aguentado o tranco num programa full time, mesmo se nao estivesse trabalhando – eh informacao demais o tempo todo e minha capacidade de absorcao tem um limite.
Antes de comecar meu mestrado achei que ia ser a maior moleza! Aulas 2 vezes por semanas, 6 horinhas semanais. Afinal isso nao eh nada pra quem estudou na UERJ tendo aula de manha (e mais algumas aulas a noite) e fazendo estagio a tarde toda; ou depois de ter estudado na Complutense de Madrid tendo aulas 4 noites por semana e trabalhando todos os dias entre as 8 e 4 da tarde!
Como estava enganada! O esquema aqui eh bem diferente, o nivel eh bem mais alto (e bota BEM mais alto nisso!) e a exigencia nem se compara. Mesmo.
Sei que muitos alunos internacionais nao tem opcao de escolher entre part time e full time (pois vistos e bolsas de estudo soh sao concedidas para alunos full time), mas pra quem tiver escolha, meu voto e conselho eh sempre optar pelo part time. Vai demorar o dobro do tempo pra voce conseguir terminar, mas em compensacao vc tambem tera a oportunidade de ter uma vida propria em paralelo e tera o dobro do tempo pra aprender tudo!
S.A.L. – Cursos de Ingles em Londres (post coletivo)
A Renilse e a Karina (entre muitos outros e-mails e comentarios nos ultimos anos) pediram dicas de cursos de Ingles com bom custo/beneficio (seja lah oque isso siginifique num curso…) aqui em Londres.
O problema eh que eu nao fco a menor ideia. Nunca fiz curso de Ingles aqui, e a unica pessoa que conheco que fez (minha irma em 2005) jah faz tanto tempo que nao lembro mesmo o nome do curso, nem onde era nem se era bom…
A unica opiniao que tenho sobre cursos, eh que acho que Londres eh provavelmente o pior lugar do mundo pra aprender Ingles, pelo simples motivo de que tem MUITO Brasileiro aqui!
E nao soh muito Brasileiro e muito Portugues, tem muito estrangeiro em tudo quanto eh canto, entao mesmo quem jah vem pra cah com Ingles fluente, acaba desaprendendo as vezes, de tanto ouvir gente falando errado! (serio, jah aconteceu comigo… tanto ouvia minha amiga francesa falar uma palavra errado e ninguem dizer nada, que passei a achar que a errada era eu. Ateh o dia que o Aaron me corrigiu e me dei conta que estava “afrancesando” meu vocabulario).
Mas sei lah leh. Entendo porque eh tao atraente. Afinal eh Londres. Uma das cidades mais legais e cosmopolitas do mundo. A cultura, as pessoas, a historia, as viagens…. e claro o visto de estudante que te permite trabalhar 20 horas por semana! (coisa que jah torna o sonho um pouco mais viavel para a grande maioria)
Alem disso, basta querer aprender. Eu fiz intercambio no pior lugar do mundo pra aprender Ingles (Miami), fui a Brasileira/latina mais antipatica da escola (nao falava com ninguem que falasse uma lingua sequer parecida com Portugues ou espanhol) e fiz todas as aulas extras possiveis e imaginaveis (passava tipo 8 horas por dia na escola). Pra mim deu certo. Cheguei lah com um nivel bom, e mesmo morando na casa da minha tia e falando portugues “nas horas vagas” eu voltei uns meses depois totalmente fluente.
Recentemente meu tio Pedro (posso te chamar de primo? Ou sobrinho? hehehe) veio pra Londres estudar e recebeu as seguintes recomendacoes:
- Eurocentres
- Embassy CES
- Bell Centres
Acho que ele escolheu a Eurocentres, mas nao sei oque esta achando do curso, nem preco, nem visto, nem nada disso.
Ou seja, nao sei como posso ajudar.
Portanto, estou passando a bola pros universitarios!
Voce jah estudou Ingles em algum lugar da Inglaterra, ou Londres? Qual?
Recomenda? Conte um pouco da sua experiencia!
S.A.L. – Como entender os salarios na Inglaterra
A Flavia me mandou um e-mail pedindo uma explicacaozinha sobre como entender os salarios na Inglaterra.
Ela gostaria de trabalhar aqui e tem aplicado para empregos on line na sua area, pra ver se alguma coisa pinta.
E entao ela ficou na duvida, pois a grande maioria das vagas pedem pretencao salarial, e ela nao entendeu muito bem como funciona a media por aqui.
O engracado eh que eu recebo muito essa pergunta nao soh pelo blog, mas dos candidatos extrangeiros que entrevisto diariamente, pois muitas das pessoas que veem trabalhar na Inglaterra ao entendem direito nosso “sistema”.
A primeira coisa a salientar, eh que aqui as diferencas salariais sao minimas. Sao precisos muitos e muitos anos de experiencia e muito sucesso na sua carreira para que seu salario seja realmente “astronomico”, que te permita uma vida de luxos em Londres.
Ou seja, nao existe muita diferenca salarial entre uma faxineira, um garcon, uma recepcionista, um trainee de escritorio de advocacia, ou um analista junior de Marketing com diploma e pos graduacao.
A unica diferenca eh que com um bom nivel de Ingles e boa qualificacao o trainee de advocacia e o analista de Marketing terao progressao de carreira, e as outras vagas “nao qualificadas” nao. Mas jah vi muita gente que serve mesa em bar que ganha bem mais que outra pessoa que trabalha em “escritorio”.
Isso soh pra dar uma introducao a nao-existencia de diferencas sociais, oque pode ser um pouco confuso pra quem acabou de chegar ou esta procurando emprego antes mesmo de vir pra cah. Voce vai ver um monte de vagas completamente diferetes que pagam mais ou menos a mesma coisa.
Outra coisa importante de saber eh que as vagas aqui geralmente sao anunciadas com uma “banda salarial”, que eh calculada em valor bruto anual. E isso eh bem diferente doque se ve no Brasil, na Espanha ou em Portugal por exemplo, que os salarios sao anunciados jah com o valor final que vai entrar na sua conta bancaria todo mes.
Isso porque, por aqui, se parte do principio que varias pessoas diferentes, de niveis de qualificacao e experiencia diferentes podem fazer um determinado trabalho. Sua qualificacao e experiencia vao determinar sua colocacao na “banda” salarial. Quem tem mais experiencia e qualificacao ganha mais. Quem tem menos qualificacao e experiencia (incluindo experiencia “local”) ganha menos. Eh bem comum vermos, em um mesmo time, varias pessoas fazendo o mesmo trabalho, mas com salarios beeeem diferentes.
Entao o exemplo que dei pra Flavia foi o seguinte:
Ela queria ter uma ideia sobre medias do mercado na area dela, que eh uma coisa que nao sei, pois nao trabalho com esse tipo de vagas. Mas uma boa indicacao sao as “salary bands” que quase sempre estao incluidas nos anuncios.
Entao por exemplo, uma vaga que anuncia uma banda salarial entre 35 mil libras e 45 mil libras, e voce se qualificar como “middleweight” e pedir um salario de 40 mil, seu salario liquido mensal serah uma media de 2,5 mil libras, por exemplo (mas isso varia de individuo pra individuo, depende qual Tax Code o governo vai alocar pra voce – baseado na sua situacao socio economica – e outras deducoes de beneficios que sua empresa faca).
Ou seja: 40.000 / 12 = 3.333 – (+-)30% = 2.300 Libras liquidos por mes.
(parentese: o imposto de renda da Inglaterra varia entre 15 e 40%, mas o calculo eh meio complicado e leva um zilhao de coisas em consideracao, nao apenas seu salario, entao usei uma media bem media, tendo em base o salario do meu exemplo)
(Parentese 2: aqui na recebemos 13o salario no Natal nem 14o salario no verao – como na Espanha, Portugal, Itaia e Grecia – entao o salario bruto anual eh dividido por 12 e nao 13 ou 14)
Mas na verdade, antes de sequer te oferecerem a vaga, com certeza eles vao pedir que voce confirme sua “compensation package” atual, ou seja, seu salario bruto anual, seus beneficios, bonus, e todos os extras, para poderem te comparar com a media do mercado. E na verdade eh isso que vai definir seu novo patamar salarial.
Infelizmente, muitos candidatos que vem do exterior recebem salarios (em seus paises) bem abaixo da media Inglesa, e isso acaba influenciando seu (novo) salario final.
Entao usando o exemplo que dei acima, digamos que sua experiencia e qualificacao te posiciona na “media” da banda e portanto com um salario equivalente de 40 mil Libras por ano.
Mas por outro lado, enquanto no Brasil voce ganhava um salario de 8 mil reais por mes (nao faco menor ideia se isso eh viavel no Brasil, se eh muito ou pouco heim gente! Apenas um exemplo!), totalizando 104 mil reais brutos por ano (os salarios no Brasil sao calculados em 13 meses, mas aqui nao temos 13o em dezembro, portanto sao apenas 12 meses de salarios por ano), que convertidos a libras te colocaria numa media de 26 mil libras por ano.
Por causa disso, dependendo da empresa, ha grandes chances que numa media de mercado, voce nao seja posicionada na media “real” de 40 mil e sim na “sua” media, e talvez ganhe inicialmente uns 30 mil libras, por exemplo.
O motivo pelo qual empresas fazem isso eh por causa do tax code de extrangeiros, e como “periodo de prova”, jah que eh sempre um grande risco contratar alguem que vem diretamete de outro pais. As situacoes em que eu vi isso acontecendo, depois de um tempo os salarios se regularam, e os funcionarios estrangeiros passaram a receber o salario da media inicial.
Eu sei que eh complicado, mas eu lembro do quanto eu fiquei perdida quando comecei a procurar emprego em Londres!!
Mas voltando ao meu comentario no inicio do post, sobre diferecas sociais, oque quis dizer eh que a “qualidade” de vida aqui e no Brasil nao eh a mesma.
Apesar de sempre reclamar dos precos no Brasil, como turista, sei que a comparacao entre pagar um aluguel, conta de luz e gaz, supermercado e afins no Brasil eh infinitamente mais barato que aqui por exemplo. E uma pessoa que ganha 8 mil Reais por mes, numa cidade como Rio ou Sao Paulo com certeza vai dirigir o carro do ano, ter uma empregada ou faxineira, sair todo fim de semana pra barzinhos da moda e achar que uma saia de 300 reias no shopping eh um “achado”, enquanto que aqui esse padrao de vida eh BEM diferente.
Comecando pela compracao entre o profissional estabelecido, bem qualificado e cheio de experiencia e fluencia em linguas que ganharia um salario mensal de 2.500 Libras. Esse cara nunca vai poder pagar 800 por mes pra ter uma faxineira trabalhando o dia todo duas vezes por semana, por exemplo.
Por isso acho tao complicado responder os e-mails que me perguntam: “Quanto eh preciso ganhar por mes pra ter uma vida boa em Londres? Uma aprtamento de 2 quartos numa area bonitinha de Londres, sair pra comer em restaurantes legais e viajar de vez em quando?”.
Complicado neh? Oque eh uma “vida legal” pra mim, pode nao ser nada legal pra voce, e vice versa. Uma area bonitinha em Londres pra mim pode ser bem diferente pra voce, a necessidade de ter faxineira, manicure, depiladora, carro do ano, viajar e ficar em bons hoteis, comprar roupa nova, frequentar os restaurantes e barzinhos da moda, etc, etc, eh muito diferente de uma pessoa pra outra.
O moral da historia eh que, pra bem ou pra mal, a vida fora do Brasil (e nao me refiro apenas a Inglaterra nao) eh bem diferente. Em alguns aspectos eh um diferente bom, mas para muitas outras cosias, eh um diferente nao tao legal.
Quer quer morar fora, tem que vir com uma mente aberta, e disposto a viver a vida como ela eh em seu novo destino. oque nao dah eh achar que vai imigrar pra Europa, EUA, e afins e manter a mesma vida classe-media que teus pais te criaram… As vezes ateh dah, mas eh preciso adaptacao e jogo de cintura, pra nao virar um daqueles Brasileiros que vive reclamando da vida “dura”, pois lah no Brasil eh que era bom!
S.A.L. – Ano novo em Londres
A Camila deixou esse comentario, que eu respondi no mesmo post, mas resolvi transformar a duvida dela num post SAL, pois talvez alguem por ai tenha tido uma experiencia diferente da minha e saiba dar umas dicas pra Camila e pra quem mais estiver vindo pra LOndres na epoca do Revellion:
To indo passar o ano novo em Londres e queria saber aonde é legal de passar a meia noite! Tem algum bar ou lugar que seja animado?
Infelizmente essa eh uma pergunta sem resposta!
Nao existe lugar “animado” pra passar revellion por aqui!
Pelo menos nao como estamos acostumados no Brasil…
O esquema de ano novo em Londres eh arrumar uma festa fechada em algum restaurante (sem graca) ou boate, se juntar com uns amigos esperar ateh meia noite, e pronto, voltar pra casa.
Eu soh passei 1 revellion em Londres ateh hoje, meu primeiro ano pq estava convencida que seria o maximo, minha irma estava aqui de ferias e estavamos com varios amigos. Mas depois dessa nunca mais. Todos os anos seguintes fiz questao de viajar pra algum outro lugar.
A maioria dos Ingleses nem sequer comemora a passagem do ano, ficam em casa com a familia mesmo, ou juntam meia duzia de amigos que ficaram encalhados na cidade.
Ou entao vao pra night, como fariam em qualquer sexta ou sabado a noite…
Se vc gosta de balada, qualquer bar/boate sera animado, mas tem que reservar e comprar os ingressos da festa com antecedencia. Geralmente vc tem que jantar o menu especial de natal/festas (que costuma ser meio caro) e pagar ingresso e consumacao nos bares/boates.
Queima de fogos soh no Big Ben/London Eye, mas nao recomendo pq eh uma pracinha minuscula, onde milhoes de pessoas tentam chegar ao mesmo tempo, e as poucas pessoas que conheco, que jah tentaram se aventurar, acabaram ficando presos no transito em algum outro canto da cidade – ou entao chegam lah e acampam com 2 dias de antecedencia (no frio!).
Pois eh, meio denimador, mas nao recomendo ano novo em Londres pra ninguem!
Alguem teve experiencias diferentes de festas de ano novo em Londres?
Alguem trabalha em algum restaurante/bar/boate que queria fazer alguma recomendacao, indicar precos etc?
Dando uma procurada bem rapida no Google, achei o link abaixo, que dah algumas ideias de bares/restaurantes que vao fazer festas de ano novo, seus respectivos precos e como reservar.
http://www.viewlondon.co.uk/new-years-eve.aspx
S.A.L. – Aeroporto de Stansted: como chegar?
A Bruna deixou a pergunta nos comentarios:
Quao absolutamente horrivel é o transporte pra Stansed? O meu medo nao é na sexta a noite qdo eu chego (to pensando em comprar passagem pela net do easy bus até Baker street) mas na madrugada de domingo pra segunda, qdo eu vou embora. Entao, repensando na sua experiência, vc acha que vale a pena eu sair de Londres no domingo a noite e dormir num hotel nos arredores do aeroporto?
Indo direto ao ponto: Sim, eh absolutamente horrivel! Hahahaha
Nesse post aqui eu fiz um guia completo com o B-A-BA dos aeroportos de Londres que causam TANTA confusao nos turistas que querem aproveitar os precinhos camaradas das Low Cost e ficam com medo de cair em furada.
O Stansted eh o aeroporto que mais ODEIO em Londres! Mas eh um mal muito necessario, jah que 90% dos voos low cost saem de lah… (viajo pelo Stanted amanha por exemplo…). Eh moderno, eh espacoso, eh bem organizado e tem um free shop maravilhoso, mas morro de raiva do monopolio descarado que rola entre as cias de low cost e as opcoes de transporte publico para chegar ateh lah.
Para chegar e sair do aeroporto voc tem duas opcoes: trem (Stansted Express) ou Onibus (Terravision, National Express ou EasyBus – eu particularmente prefiro o Terravision, pois o ponto de partida eh mais perto da minha casa).
O trem eh mais rapido, mas tambem bem mais caro, e vive tendo atrasos e trens concelados. Entao evito com todas as minhas forcas, pois jah perdi voo e jah vi muita gente perdendo voo por causa do Stansted Express (e se vc perder voo low cost, jah era. Cancela a viagem). Alem disso, o trem soh funciona em horarios “normais” (entre 5 da manha e 11 da noite) entao os voos que saem muito cedo, ou que chegam muito tarde nao sao servidos por esse servico.
Entao se vc vai viajar em voos de “madrugada” (tipo os que saem daqui as 6 da manha!) a melhor opcao eh pegar um onibus da Terravision de madrugada, ou entao dormir no aeroporto na noite anterior (pelos corredores do aeroporto ou em hoteis nas redondezas, depende doque o seu orcamento permirtir).
Amanha vamos pro Porto no voo das 6:20 da matina, e jah comprei minhas passagens pro onibus das 3 da manha. Vai ser horrivel, mas nao eh o fim do mundo!
Ah! Nao esqueca de comprar a passagem de onibus on line, pois eles estao sempre lotados, que quem aparece pra comprar na hora, fica de fora e perde o voo! (jah assisti varias cenas de desespero no ponto de onibus!)
Mas falando serio. O transporte em si nao eh ruim nao. Eh bem padrao Londres, e tao facil e/ou dificil quanto os outros aeroportos (se vc achou chegar/sair de Gatwick tranquilo, nao terah problemas com o Stansted), oque me irrita mesmo eh a falta de opcoes para transporte publico (e consequentemente os precos praticados, que muitas vezes acabam sendo bem mais caros que o proprio voo!).
S.A.L. – Como se vestir no Inverno de Londres/Europeu
A Aninha me mandou o seguinte e-mail hoje, que por acaso eh uma grande duvida de varios leitores/leitoras que passam por aqui e me mandam e-mails:
Bem, pra comecar pelo principio, vamos deixar claro que o inverno de Londres nao tem nada a ver com o inverno carioca. Mas nem de longe. Eu me atreveria ateh a dizer que nem sequer o verao Londrino se compara com o inverno Carioca…!
As dicas que vou dar a seguir valem nao apenas pro inverno na Inglaterra, mas para todo centro/norte da Europa, seja voce apenas um turista por alguns dias, ou caso vc esteja vindo de mala e cuia!
Vou comecar pelo conselho simples e facil: NUNCA compre roupas de inverno no Brasil. NUNCA compre sapatos de inverno no Brasil. NUNCA compre acessorios de inverno no Brasil. A nao ser que sejam de marcas internacionais, vendidos como importados em lojas espcializadas.
Mas mesmo assim, meu conselho seria nao compre nada no Brasil, pois o preco que vao te cobrar por um meia, vc provavelmente consegue comprar um sobretudo por aqui! (ando muito revoltada com os precos no Brasil! prontofalei!).
Mesmo em lojas como aquelas “lojas de inverno” que se dizem especializadas em roupa para frio nao sao as melhores opcoes.
Aqui as roupas de inverno sao (proporcionalmente) super baratas e de otima qualidade, e mais importante, feitas para o frio real daqui. A roupa que vc usa no inverno de SP, Porto Algre, Friburgo ou Buenos Aires nao eh o mesmo do frio que faz aqui. Ainda que Londres tenha uma temperatura bem “moderada”, considerando sua latitude, ainda assim, eh outro esquema!
Eu jah dei algumas dicas de como fazer as malas, e que coisas trazer se vc vem pra fazer turismo, e essas dicas ainda sao validas, pois o principio eh o mesmo. Nesse caso (morar Vs passear) a diferenca serah na quantidade de pecas e variedades que vc vai trazer, mas mesmo assim eu acho que uma mala pra viajar por 1 mes seria bem parecida com uma mala pra morar 6 meses, uma vez que invariavelmente vc poderah lavar roupas inumeras vezes, entao nao precisa trazer a casa toda!
Minha lista essencial seria (sem discriminar quantidades, pois isso varia de pessoa pra pessoa)
- Camisetas (t-shirt ou regartas) de algodao
- Camisetas de algodao de manga comprida
- Blusas de la/fleece/malha (que nao seja sintetica) de gola role
- Pullover/Sweater de la, ou misturas de algodao/la (mais uma vez evite os sinteticos)
- Calca(s) jeans
- Leggings e/ou meia calca grossa (pra usar por baixo do jeans ou com saias/vestidos)
- Meias de lah ou algodao de cano alto (para proteger sua pele das botas) e grossas
- Bota/sapato de couro com solado impermeavel e confortavel (de preferencia de borracha, pra vc nao deslizar nas ruas congeladas)
- Bota de cano alto (de preferencia sem salto) para proteger suas canelas do vento
- Uma jaqueta de plumas (plumas por dentro, nao por fora, por favor!)
- Um sobretudo de lah, com forro (muito importante ser forrado!)
- Luva (de preferencia daquelas mais grossinhas, com forro)
- Cachecois
- Gorro, chapeu (que cubra as orelhas) ou ear muffs (aqueles protetores de orelhas)
- Roupas intimas
- Qualquer outra coisa de uso pessoal (shampoo, cremes, perfumes, etc, etc, se bem que aqui eh tudo bem mais barato)
- Remedios: isso eh muito importante, pois o sistema de saudae na Inglaterra eh bem problematico e diferente do Brasil. Se vc eh hipocondriaca(o), ou tem que tomar remedios com certa frequencia, traga suas receitas medicas e um belo estoque de tudo! A maioria dos remedios aqui sao controladissimos e requerem receita medica para compra.
Como falei no post sobre fazer as malas, pra mim o segredo para “sobreviver” o inverno eh saber se vestir. Como dizem por aqui, “nao existe tempo ruim, oque eh existe eh roupa errada!”, e realmente esse eh o segredo para conseguir viver melhor ou pior durante essa estacao tenebrosa!
E oque quero dizer com isso nem tem muito a ver com a marca/preco/qualidade das roupas e sim como usa-las!

Dois exemplos de casacos/jaquetas de plumas – uma versao curta (acima) e outra longa (abaixo)

No meu caso, oque dah certo sao as camadas! Nao soh um otimo casaco (cheio de forros e plumas e tal) por cima de tudo, mas principalmente se vestir por camadas: eu comeco com um regata ou t-shirt de algodao fininha. Por cima uma camiseta de manga comprida de algodao. Depois uma blusa de gola role ou um pullover por cima (e se estiver muito frio mesmo, uso os dois, um por cima do outro!).

Nessa foto dah pra ver bem as “camadas”: gola role preta, pullover de la mostarda, colete de fleece, jaqueta de plumas por cima (essa jaqueta eh otima, pois “fecha” na gola e entao cobre bem o pescoco).
O segredo pra guardar o calor dentro da sua roupa e perto do seu corpo sao justamente essas camadas de “ar” entre uma peca e outra. Sem falar que caso vc entre na sala de aula/escritorio/metro/trem/restaurante o aquecedor vai estar a todo vapor e vc vai morrer de calor, entao eh bom se vestir em camadas, e vc vai tirando aos poucos, oque precisar tirar.

Sobretudo de la com forro (acima e abaixo) – na foto abaixo, tambem dah pra ver algumas das “camadas” de roupa

Na parte de baixo eh mais complicado, pois caso vc use uma meia calca, mais um legging, mais uma meia de lah, mais a calca jeans por cima, jah nao eh tao facil se livrar das camadas… Entao eu soh uso essas coisas todas quando sei que vou ficar na rua o dia todo (quando estou viajado, por exemplo). Mas no dia a dia, oque faz a diferenca MESMO eh uma boa meia, grossa e de cano bem alto, e um bom sapato (prefiro as botas). Se seu peh esta quentinho, o resto fica tranquilo.
O principal em uma boa bota pra mim eh a sola, que tem que ser de borracha, e de preferencia mais grossinha, pra separar a sola dos seus pes do chao frio/molhado/congelado. E bem vedada/impermeavel porque se entrar humidade, jah era! Humidade eh a inimiga do conforto no frio, e como estamos falando de Londres (e todo norte da Europa) a chuva e humidade sao constantes!

Montagem completa

Close na minha super-ultra bota de neve! Em Londres gracas a deus, NUNCA precisei usar… O frio aqui nao eh tao extremo! As botas do dia a dia sao como a foto abaixo: couro, cano alto, solado de borracha

Uma bota de cano alto pra mim tambem eh essencial, pois nao tem nada pior doque aquele ventinho congelado que sobe pela calca jeans!! Assim, a bota vai quase ateh o joelho, enquanto que o sobretudo, desce quase ateh o joelho, protegendo suas pernas por inteiro! Adoro as botas Ugg! Por mais que sejam realmente horrorosas, sao super confortaveis e ultra quentinhas!
Mas alem disso tudo, os acessorios sao tao essenciais quanto!
Quanto faz frio, qualquer minima brisa faz com que seu corpo inteiro se sinta congelado, entao vc tem que se vedar e fechar toda e qualquer passagem de ar frio!
Luva bem forrada (os dedos congelam na velocidade da luz!) e um cachecol bem comprido e grosso! Atencao, aqueles cachecois fininhos que se usam no Brasil sao totalmente inuteis! O cachecol tem que ser grosso e largo (como por exemplo as pashminas que sao retangulares), para que vc possa enrolar bem em volta do pescoco (quanto o frio aperta de verdade, quelas voltinhas arrumadinhas e nada sao a mesma coisa) pra nao deixar o frio entrar!
E por fim, o gorro/chapeu! Ateh pouco tempo atras eu nao sabia disso, mas a cabeca eh a parte do corpo que mais perde calor (e mais rapido) entao nao adianta muito se cobrir dos pes ao pescoco e esquecer da cabeca (principalmente para os homens que nao tem muito cabelo, ou cabelo curto). As vezes, um chapeu estiloso pode ateh parecer bem mais bonito, mas se nao for grossinho e confortavel, nao vai ser muito util (jah passei por isso varias vezes…).



Chapeu! Chapeu! Chapeu! E cachecol! Cachecol! Cachecol! O importante eh deixar o pescoco, orelhas e cabeca cobertos.
Ah! E claro, por fim, nao podemos esquecer do guarda chuva!!
Muito se engana quem acha que Londres chove o tempo todo, torrencialemente! Na verdade chove muito pouco por aqui. O problema eh mesmo a tal da garoa. O tempo eh incompreensivel e em Londres vc precisa carregar oculos de sol e guarda chuva todo dia, o dia todo! O chuvisco chato eh constante, num “chove nao molha” literal!
Na maioria das vezes eu nao me preocupo a sequer abrir o guarda chuva, jah que estou coberta dos pes a cabeca mesmo, entao sei que nao vou me molhar! mas caso a chuva aperte, saco o mini-guarda chuva da bolsa e pronto! Problema resolvido!
Quanto a lugares/lojas pra comprar as roupas de inverno em Londres, oque nao falatam sao opcoes, pra todos os bolsos! Uma opcao bem boa na relacao custo/beneficio eh a Zara, que sempre tem uns casacos otimos e quentinhos por precos bem camaradas, ou entao a Mango. Opcoes mais baratas estao em lojas como a Primark, New Look e Next. E para opcoes mais caras, o ceu eh o limite!
Para precinhos mais + ou -, de uma olhada em lojas como H&M e TopShop (mais carinhas, porem com pessima qualidade, apesar da fama inexplicavel!).
Se vc resolveu seguir meus conselhos e vai deixar pra comprar suas roupas de inverno quando chegar em Londres, vah direto pra regiao de Oxford Street/Regent Street no centro de Londres (se bem que essas lojas estao espalhadas pelo pais TODO). Nessas duas ruas, essas lojas que mencionei estao praticamente uma ao lado da outra!
De resto use o bom senso! Soh vc sabe quantas calcas jeans vc vai querer/preferir usar, quantas camisetas de algodao vai precisar (vc eh mais no estilo fresco e soh usa as roupas uma vez – pq provavelmente nao eh vc quem lava – ou lava roupa todo dia?), quantas meias, cuecas, calcinhas, etc.
Esse eh um guia bem basico, e tentei colocar fotos de alguns “looks invernais” pra vcs terem uma ideia do frio vs roupa usada, e todo e qualquer complemento vai muito de pessoa pra pessoa!
Quantas bolsas vc quer (ou pode) trazer? Nao vive sem cintos? Eh viciada em aneis e brincos? Nao vive sem salto e vai arriscar uns saltoes?
Isso soh quem pode decidir eh voce mesmo(a), depende do seu estilo, necessidades e espaco na mala!
S.A.L. – Reconhecimento de diplomas
A Erika me enviou uma pergunta interessante, e que jah apareceu por aqui varias vezes. Minha resposta vai ser um pouco vaga, baseada na minha opiniao (minha experiencia pessoal e minhas experiencias como Recursos Humanos). Quem tiver opinioes,/experiencias diferentes (ateh porque essas coisas variam demais de pais pra pais, carreira pra carreira, e nao dah pra generalizar “lah fora” – exterior, fora do Brasil em geral – como se fosse uma grande nacao).
Um mestrado ou pos-graduacao em outro pais, digamos aqui mesmo no Brasil, eh reconhecido ai fora? Digo, se colocar no meu CV formada nisso, MBA naquilo e Pos ou Mestrado (nao sei ainda o q fazer..) naquilo outro, chama a atencao ou nao quer dizer nada pra vcs na Inglaterra, por ex?
Abstraindo-se a experiencia nesse caso. (leve em consideracao q a pessoa tem experiencia na area…)Pode falar ate mesmo na area de RH, pq acho uma area interessante qdo se trata do performance improvement….
Entao, formacao aqui no Brasil conta ou eles acham q nao vale nada?
Bem, vou comecar com o seguinte. Ha formacoes, E formacoes, e fazer afirmacoes generalisadas seria um erro da minha parte.
Minha visao sobre os estudos no Brasil eh um pouco suspeita, pois no Brasil qualquer “Faculdades Integradas” oferece curso de pos graducao e “MBA”, que sinceramente acho que nao valem pra nada.
Obviamente que estudar SEMPRE vale a pena, e cada dia a mais que vc passa na sala de aula, esta te trazendo um beneficio inmesuravel pro futuro.
Porem o fato de um determinado curso ter como titulo MBA nao faz dele um Master in Business Administration. Oque vejo no Brasil eh que MBA vioru giria pra curso de pos-graduacao em geral. E pos graduacao pode ser em QUALQUER coisa que seja feita DEPOIS da Graduacao oficial.
E ai comecam os problemas. Por existirem pos de tudo e mais alguma coisa, a grande maioria dessas “pos” nao tem reconhecimento algum.
Nao que nao tenham valor para quem as faz, muito pelo contrario, mas acho que “aqui fora” nao servem pra muita coisa. O proposito de fazer um curso desses (ao meu ver) eh fazer um mini-curso que seja focado num assunto e mercado especifico, fazer networking na sua area, conhecer outros profissionais, professores etc. E portanto, uma vez que vc muda de pais, essas coisas perdem um pouco o valor.
Jah se vc fizer um Mestrado (nao Pos ou “MBA”) ai a coisa muda um pouco, pois geralmente no Brasil, as unicas Universidades que ministram mestrado sao as publicas ou reguladas (ou serah que mudou? Na minha epoca de UERJ era assim). Geralmente eles exigem dedicacao exclusiva, um numero minimo de horas de sala de aula, mais as horas que vc tem que se dedicar sozinho, os livros academicos que le (que geralmente sao os mesmos no mundo todo), pesquisas de campo, dissertacao academica, qualificacao dos profesores que lecionam, etc, etc. Ou seja, a dedicacao e esforco de se fazer um mestrado de verdade, aquele que te dah um titulo de Mestre, eh reconhecido no mundo todo.
(obviamente um Mestrado em Direito, ou medicina, ou qualquer carreira super especifica, funciona diferente, e geralmente nao sao validos uma vez fora do pais ao qual o curso se refere)
Mas o problema eh que na pratica o buraco eh mais embaixo.
Se vc estiver recem saido da Universidade, tentando arrumar seu primeiro emprego, talvez um programa de trainee e tal, encher o curriculo de cursos e titulos (pos disso, MBA daquilo, etc) ateh dao um bela ajuda, jah que vc nao tem mais nada pra pra “encher papel”, e realmente como jah disse, quanto mais tempo vc passar na sala de aula, melhor.
Mas infelizmente (ou felizemente!) depois de uns anos no mercado, isso tudo jah nao vale pra mais nada. Nao importa quantos zilhoes de cursos vc tenha, se nunca tiver usado nada daquilo na pratica, eles nao tem valor ou sentido algum (a nao ser que vc esteja seguindo uma carreira academica).
Eu entrevisto pessoas com 10, 15, 20 anos de experiencia profissional, para cargos de gerencia senior, diretoria, Vice Presidencia etc, e NUNCA perdemos tempo falando sobre qual o curso universitario aquela pessoa fez, ou se a universidade ou diploma eh “bom” ou “ruim”. E acreditem, na maioria das vezes, essas pessoas estao exercendo profissoes que nao tem NADA a ver com seu diploma, ou nem sequer tem um curso universitario – acabaram entrando num determiando mercado/carreira por acaso e foram progredindo por puro talento.
As raras excessoes sao se por acaso me aparece nas maos um CV de alguem que ALEM dos 20 anos de carreira ainda fez um Mestrado em Harvard, ou Oxford, ou coisa parecida. Isso sim chama atencao.
Mas como jah falei antes, isso muda MUITO de pais pra pais. Por exemplo na Africa do Sul, os curriculos parecem CVs Brasileiros, cheeeeeiros de cursos disso e daquilo e a Diretora Regional soh gosta de entrevistar candidatos com “MBA”, coisa que jah virou ateh piada aqui em RH, pois ateh a secretaria dela e o menino que cuida do estoque teem “MBA”. Ou seja, lah em Johanesburgo virou uma coisa que todo mundo “tem que ter” mas na verdade nao tem valor algum, pois nao te diferencia, jah que nao sao Masters in Business Adminstration e sim um pos de qualquer coisa.
Isso tudo pra mostrar que generalizar eh um pouco perigoso, mas a realidade de quem quer imigrar eh que oque conta mesmo eh a experiencia profissional relevante naquela profissoa especifica, seja um curso feito “aqui fora” ou em qualquer outro lugar do mundo.
O meu exemplo eh otimo pra ilustrar isso. Fiz faculdade de Economia, numa Universaidade considerada ser uma das melhores do Rio e do Brasil. Nao gostei muito do curso, e detestei a carreira. Entao decidi que a melhor maneira de mudar seria fazer “um curso”. Fui pra Espanha e fiz um mestrado em Turismo, pois achava que uma vez tendo um titulo Espanhol todas as portas se abririam pra mim.
O curso foi otimo, aprendi um monte, fiz varios contatos (todos locais, logico) e tal, mas quando fui munida de meu Cv pro mercado, nao valia pra nada (mesmo sendo Espanhol) pois eu nao tinha experiencia NENHUMA daquele mercado.
Entao entrei numa outra situacao muito comum nesses casos: estava Overqualified (ou seja, qualificada demais) para alguns cargos (que geralmente sao os mais baixos da cadeia alimentar de determinada carreira, e que poderia me abrir algumas portas) e Underqualified para outros cargos (que exigiam experiencia na area e eu nao tinha nenhuma!).
Me deseperei e acabei caindo por acaso em RH. Como? Acabei descobrindo que oque eu fazia no Brasil na area de Financas, aqui na Inglaterra eh considerado parte de RH, entao jah tinha 3 anos de experiencia numa carreira que eu mal sabia que existia, e por sorte, me dei bem.
Entao, dois anos depois trabalhando no mercado local, resolvi fazer um outro mestrado, dessa vez especifico da carreira que queria seguir e que jah tinha experiencia, para aprimorar meus conhecimentos tecnicos e teoricos (afinal nunca tinha estudado RH antes na vida) e fazer todo networking local.
Talvez se um dia eu mudar de pais de novo, esse mestrado perca um pouco seu valor, mas pelo menos lah se foram muitos anos de carreira + um Mestrado na area, que alem do titulo de Mestre ainda me dah uma qualificacao profissional (CIPD) que eh reconhecida em varios outros paises dentro e fora da Europa.
Bem, esse post ficou gigantesco e nao sei se respondeu a pergunta, ou se confundiu mais ainda… Sintan-se livres para dar sua opiniao, contar diferents experiencias e tal. Quem sabe assim nao ajudamos alguem.
S.A.L. – Com a barriga no fogao
Quem mais pilota o fogão aí na sua, vc ou o Aaron? E qual a especialidade que cada um de vcs cozinham?
Tenho muita curiosidade em saber como é o dia a dia seu e do Aaron, tipo, como vc descreveria um dia na rotina de vcs?
O que vcs costumam fazer qdo chegam do trabalho, quem costuma cozinhar, esse tipo de coisa …
Como vc aprendeu a cozinhar? Pois no começo do blog vc disse que nunca havia cozinhado aqui no Brasil. E não sei se perdi alguma parte, mas não li como foi esse começo. Também gostaria de saber o que alguém perguntou aí em cima, o que vc cozinha no dia-a-dia? Cozinha todos os dias?
E uma sugestão: vc poderia criar uma nova categoria no blog, Receitas. Sempre vejo que vc faz umas receitas maravilhosas e queria muito saber mais!
Surpreendentemente, muita gente perguntou sobre a rotina forno e fogao lah em casa!
A minha relacao com a cozinha eh um pouco engracada, pois jah tive varios altos e baixos! Tive uma epoca muito caseira (ainda morava com meus pais) que adoraaaava passar minhas tardes assistindo “Note e Anote” (ai socorro), “Martha Stwart” e afins. Mas nessa epoca, como ainda morava com meus pais, ficava soh na vontade e nao fazia era nada!
Ai depois entrei na fase mulher-idependente-faminista-anit-tarefas-domesticas e ai de quem me pedisse pra fritar um ovo sequer! Saber cozinhar eu ateh que sabia, mas achava uma afronta o estigma e preconceito de que mulher tem que saber cozinhar, passar, pregar botao etc. Mesmo morando sozinha, e sabendo que teria que fazer isso tudo pra sobreviver, preferia deixar pra lah, e ia me virando de outro jeito.
A verdade eh que eu odeio qualquer tipo de obrigacao domestica. Acho que jah ultrapassei a fase “sou mulher moderna e nao sou paga pra isso” ultra feminista de uns anos atras, mas continuo sem gostar de certas obrigacoes do lar. Odeio lavar louca com todas as minhas forcas. Soh passo roupa quando a situacao eh mesmo desastrosa, e faxina e arrumacao soh a cada lua cheia.
Porem, no meu ultimo apartamento antes de morar com o Aaron eu tinha uns flatmates super prendados, que limpavam, cozinhavam, iam no mercado comprar frutas organicas e etc. E por concidencia, na mesma epoca tinha um grupinho de amigos foodies que adoravam fazer umas reunioesinhas que envolvessem um rango.
Entao aos pouos fui me soltando, e a medida que ia arriscando algumas receitas, fui me dando conta que nao soh tudo que eu fazia ficava uma delicia, as eu ainda estava me divertindo pacas!
E entao depois veio o Aaron… comecamos a passar mais tempo juntos, fins de semanas inteiros, em Londres ou na Alemanha e depois fomos morar juntos. Uma coisa que nunca gostei (e continuo nao gostando) eh de cozinhar pra comer (e limpar!) sozinha. Entao quando passei a morar com o Aaron cozinhar passou a ser uma diversao, pois sempre tinha alguem pra comer tudo que eu fazia. E acabei descobrindo que pra mim, cozinhar era uma terapia. Chegava em casa morta depois de trabalhar e ia no metro pensando oque poderia “inventar” pro jantar. Passava no mercado, e ia pesquisando ingredientes diferentes.
Alem disso, cozinhar pra mim nunca foi uma obrigacao, e quando nao estou a fim, pedimos uma pizza! Simples assim.
Mas eu gosto mesmo eh de cozinhar pra grandes “eventos”! Quando sei que vem um monte de gente lah pra casa, um menu elaborado, e passo dias fazendo listas de compras, pesquisando receitas, e afins. Acho tudo muito terapeutico!
Com o tempo, ateh o Aaron coecou a se animar a comecar a cozinhar tambem. Eu comprei alguns livros de receita que ele gostou, e volta e meia ele toma o controle da cozinha e pilota nosso fogao!
Mas geralmente ele eh mais preguicoso e menos criativo na cozinha, e alem disso, nossa regra numero 1 eh que quem cozinha nao limpa, entao como eu O-DEIO limpar, prefiro cozinhar, e assim deixo a bagunca na cozinha por conta dele!!
Mas nao tem obrigacao, nem cobrancas. Gosto de cozinhar pra aliviar a cabeca, uma terapia mesmo. Tem gente que gosta de tocar um instrumento, ou fazer trico. Eu gosto de assar um frango com molho honey mustard ou um cheese cake!
Quando nao estou afim, peco pra ele cozinhar, e quando ele tambem nao esta a fim, pedimos alguma coisa por telefone, ou comida congelada, ou um sanduiche, oque oque tiver pela frente.
No dia a dia nao tem regra. Como moramos no centro de Londres e nao tem superercado grande aqui perto, ficamos a merce doque tiver disponivel na lojinha da esquina, que nao eh muito farta. Fazemos compras semanal, ou entao no caminho de casa passo lah e compro alguma coisa pro jantar. Mas nao saberia dizer oque cozinho no dia a dia, pois nao tem muita regra. Depende doque estou com vontade de comer, se estou afim de ter mais ou menos trabalho, doque esta disponivel no mercadinho e se vi alguma receita nova por ai.
A unica diferenca eh que quando eu cozinho, eh comida de verdade (!), e quando o Aaron cozinha, como bom Americano que eh, sempre rola alguma porcaria! Suas especialidades sao os hamburgers, sanduiches em geral (ele tem uma capacidade incrivel de colocar qualquer coisa entre duas fatias de pao!), chicken wings, onion rings, chili con carne, etc.
Aqui no blog ateh tme uma categoria que volta e meia posto alguma receita “Com a barriga no fogao“, mas nao sei se faz muito meu estilo ficar escrevendo receitas nao, ateh porque quase tudo que cozinha eh meio no “olho” e nao sigo, nem anoto receitas… Mas vou tentar colocar mais algumas aqui pra voces.
