21
Jun
2013
Berati: a cidade Bizantina das mil janelas
Escrito por Adriana Miller

Só mesmo num lugar com a riqueza histórica (e conturbada) como a da Albânia para considerar uma cidade que teve seu auge no século 14 como algo “recente”.

Essa a Berati, a cidade medieval Otomana das “mil janelas”, que só existe até hoje, graças a seu status de “cidade museu a céu aberto”.

Berati é um dos cartões postais da Albânia e parece mesmo uma coisa meio cenográfica: uma pequena colina cercada de casinhas brancas – e suas milhares de janelas – por todos os lados, que sobem, sobrem até o topo, onde esta um castelo medieval do século 11.

 

Ao longo da historia dos últimos 1000 anos, Berati já passou pelas mãos dos Bizantinos, dos Búlgaros, Sérvos e Gregos (modernos) e somente a conquista Otomana no finzinho do século 15 finalmente trouxe estabilidade e prosperidade para a cidade.

Lá dentro estão vários museus e monumentos históricos, inclusive duas das mais antigas mesquitas da Albânia.

Mas o que eu gostei mesmo, foi que nossa visita a Berati nos mostrou o quanto esse país é desconhecido e inexplorado pelo resto do mundo.

Veja só, uma das principais cidades turísticas do pais, patrimônio histórico da Unesco, e quando chegamos lá, mais ou menos na hora do almoço… a cidade não tem nenhum restaurante!

Então nosso guia (que já dei a dica aqui) nos levou no único “restaurante” da cidade, que não passava da casa de uma família que eventualmente servem (e vendem) comida a peregrinos, viajantes e curiosos.

Sentamos na mesa – sem menu – e de cara o guia perguntou se tínhamos alguma restrição alimentar ou se ficaríamos numa boa comendo o que tivesse. Como não somos frescos a mesa, caímos de boca! (perdoem o trocadilho!)

Em alguns minutos a dona da casa começou a trazer pratinhos, travessa e porções de uma infinidade de coisas. Para minha surpresa, a culinária Albanesa não é nada desconhecida, com muitas influências Gregas, Italianas e Turcas.

Aí eu perguntei se aquela era a comida típica mesmo, tipo a que ele come na casa da mãe dele numa quarta feira a noite, ou se era só pra agradar os turistas. E com a cara mais perplexa do mundo ele respondeu: “Turitas? Que turistas? Ainda não chegamos ao ponto onde podemos nos dar ao luxo de ter dois tipos de culinaria”.

Pois é, a Albânia talvez seja um dos últimos lugares ainda autênticos desse mundo!

E pra comprovar ainda mais a inexistência de turistas/turismo no país, logo depois do almoço passamos na casa de outra pessoa… Esperamos do lado de fora enquanto o guia foi lá dentro falar com alguém. Quando ele saiu de lá, estava com um chaveiro enorme carregado de chaves gigantes de ferro maciço: nosso guia tinha em mãos todas as chaves para entrar em todas as mesquitas e museus da cidade!

Onde mais no mundo se pode andar pelas ruas de uma cidade milenar sendo os únicos turistas num raio de vários quilômetros?!

Então tiramos total vantagem de nossa exclusividade – a cidade era todo só nossa, tirando um ou outro olhar curioso pelas janelas! – e não nos cansamos de subir e descer as ruelas, descobrindo novas passagens, cruzando jardins e explorando as mesquitas e monumentos.

Depois de conhecer um pouco da Albânia, eu realmente torço muito para que o pais continue se reerguendo e se desenvolvendo, e se que um dia quando voltar, tudo serão tão diferente.

Então impossível não se maravilhar em saber que provavelmente fomos uns dos poucos (e últimos) turistas do mundo a ver uma Berati (e Albânia!) tão simples e virgem!

 

Categorias: Albânia, Berat, Viagens
9
20
Jun
2013
Tirana e o Hotel Rogner Europark
Escrito por Adriana Miller

Enquanto ainda estávamos planejando nossa viagem para Albânia, a falta de informações sobre o pais e os comentários conturbados na internet nos deixaram com medo de arriscar demais na hospedagem.

Além disso nós queríamos mesmo era sombra e agua fresca – e eu, que estava no 5o mês de gravidez, queria mesmo é conforto!

As opções não são muitas, e o pouco que encontramos, recomendavam o hotel Rogner Europark como o topo da lista em Tirana!

Para nossa surpresa, não tivemos surpresas!

Seria muito clichê se eu disser que o Hotel Rogner é um oasis no deserto? Bastou cruzar pelas portas para você se esquecer das avenidas largas e os prédios soviéticos!

Lá dentro vemos apenas um jardim florido, uma piscina maravilhosa, um restaurante/bar de primeira e muito conforto!

Acabou que o dia que tiramos pra ficar em Tirana, mal saímos do hotel, e aproveitamos o sol do vernao Europeu pra ficar curtindo a beira da piscina!

Mas finalmente quando resolvemos sair pra dar uma voltinha na cidade no fim da tarde, nos demos conta de como a localização do hotel é excelente, bem no centro da cidade, na avenida Bulevardi Deshmoret e Kombit, a poucos quarteirões da Praça Skanderbeg, onde esta o Parlamento Albanês, o teatro municiapal, duas das principais mesquitas da capital e a grande maioria de seus museus!

Pena que o hotel era bom demais e mal saímos de lá!

Rogner Europark Hotel

 

Categorias: Albânia, Tirana, Viagens
5
19
Jun
2013
Apollonia: a escola filosófica Greco-Romana
Escrito por Adriana Miller

Apollonia é o lugar perfeito para se ter um pouco do gostinho do que é a história da Albânia e como o pais foi formado: Originalmente Grega, depois desenvolvida pelos Romanos, enfim Cristianizada e por fim Islâmica.

As primeiras construções datam de 6 século a.c., de origem Grega Coríntio, da época em que Apollonia era uma das principais cidades no eixo Athenas – Oriente médio, e os Gregos dominavam todo Adriático e a península Banlkã.

A geografia da região era muito diferente do que vemos hoje, com o mar Adriático chegando bem pertinho, assim como o – desviado – rio Vjosa que passava ali ao lado, fazendo com que a cidade tivesse grande importância comercial e estratégica.

Por isso Apollonia era uma das poucas cidades que tinham o status de “livre e imune”, o que significava que seus cidadãos eram livres para ir e vir e não pagavam impostos.

Assim, Apollonia rapidamente começou a atrair personalidades ilustres, se transformando num importante centro intelectual e uma escola filosófica Greco-Romana, entre eles por exemplo o Imperador Romano Augustus, que morava/estudava em Apollonia quando Julio César foi assassinado e ele virou Imperador.

Mas essa amizade não impediu que os Romanos quisessem um pedaço dessa cidade estratégia – e no século 4 d.c. finalmente os Romanos invadiram e dominaram Apollonia.

A dominação Romana continuou por mais alguns séculos, e a medida que o poder do Império foi dissipando, Apollonia foi caindo no esquecimento…

Enfim chegaram os Otomanos, mas que não tiveram tempo pra ocupar a cidade – que foi parcialmente destruída por um terremoto, que além de arrasar com os prédios e estruturas, ainda afastou a costa do Adriático ainda mais, e pra sepultar de vez a importância da cidade, mudou o curso do rio Vjosa.

No século 12 uma igreja ortodoxa e um monastério foram construidos na mesma área, e convenientemente usaram muitas colunas gregas e esculturas Romanas como materiais de construção em sua estrutura.

Apollonia caiu no ostracismo e descaso no século 20, quando mais uma vez os edifícios históricos foram depredados com outros fins, e acabaram servindo de matéria prima para abrigos anti bomba e armazéns subterrâneo de armas bélicas pela ditadura.

Hoje em dia o maior desafio dos historiadores responsáveis pela área é tentar resgatar e preservar as diferentes facetas que compõem Apollonia, sem se desfazer de uma ou outra.

Afinal, não se pode delapidar a igreja do século 12 apenas para reerguer as colunas do século 3, assim como não se pode esquecer o passado recente do país para restaurar as heranças de um império.

Mas é preciso enxergar além do que os olhos veem, enxergar o potencial da reconstrução e ver que Apollonia ainda tem muita história pra contar ao mundo!

Categorias: Albânia, Apollonia, Viagens
0
18
Jun
2013
Albânia
Escrito por Adriana Miller

Ok, confesso que até ano passado nunca tinha prestado muita atenção na Albania assim, digamos, turisticamente.

Uma amiga até brincou, perguntando se eu escolho os destinos de viagem olhando no mapa e procurando por lugares aleatórios que ainda não conheço. E quer saber? As vezes sim!

E assim a Albânia entrou em nossas vidas!

Na verdade estávamos buscando um lugar no sul da Europa pra passar um fim de semana prolongado no verão – algum lugar que tivesse sol e temperaturas altas garantidos! Mas infelizmente os destinos mais comuns geralmente lotam com meses de antecedência, muitas vezes sobrando apenas opções de preços proibitivos… mas a Albânia não! Então marcamos as passagens primeiro, e planejamos a viagem depois!

E para minha surpresa, foi bem difícil encontrar informações sobre o país e sobre o que fazer. E o pouco que íamos descobrindo nem sempre era positivo…

Um país pobre, ainda na sombra do subdesenvolvimento de uma ditadura comunista e muitos anos fechados para o mundo. Muitas recomendações aconselhando a não fazer nada independentemente, não pegar estradas por lá e evitar as áreas das montanhas…

Mas por outro lado, aos poucos fui descobrindo uma cultura fortíssima, criada a base da paulada e preservada graças a uma forte presença rural, e claro, a cortina de ferro.

A Albânia foi o último país Europeu a se tornar independente do Império otomano em 1912, o que apenas abriu as portas para que eles fossem invadidos e dominados por todos os seus vizinhos. Já na década de 40, as sombras da 2a Guerra Mundial, a Albânia passou a ser governada por ditadores militares comunistas, que usaram terror, fome, e isolamento para se manter no poder muito além do próprio comunismo da URSS.

Até a década de 1990, quando toda região dos Balkans implodiu numa guerra sangrenta, a Albânia não tinha canais de televisão, nem de rádio, a não ser aqueles usados para propaganda política pelo governo. Eles também não tinham estradas… mas não fazia a menor falta, já que a população “civil” não tinha o direito a comprar carros!

Durante os anos de ditadura e socialismo, o governo confiscou todos os bens privados e implementou uma política de reforma agrária, garantindo que ninguém ficaria sem emprego nem terra pra trabalhar. Mas em compensação, o governo também confiscava todas as “sobras” e lucros além da subsistência da família, e portanto nunca faltava – mas também nunca sobrava.

Uma das coisas interessantíssimas que aprendemos é que até recentemente (inicio dos anos 2000, após o final da guerra dos Balkans), as famílias Albanesas eram alocadas “férias” pelo governo: duas semanas por ano, com datas fixas e intransferíveis. O “pacote” de férias incluía passagens de trem (já que ninguém podia dirigir) para “resorts” comunitários na costa ou nas montanhas do país. As famílias que tinham a sorte de passar férias na costa do Adriático levavam seus rádios e televisões: dependendo do clima – e da sorte – eles até conseguiam pegar canais Italianos!

Uma das coisas que mais me marcou em relação a cultura Albanesa é a importância que eles dão as estruturas familiares e a honra.

É debatível se essas práticas ainda deveriam ser aceitáveis num mundo moderno, mas dois dos principais símbolos do pais são os códigos de honra (“Besa“) e as “Virgens Juradas“.

Eu já tinha ouvido falar nas “Virgens” Albanesas através de um amigo fotógrafo aqui em Londres que fez um projeto sobre elas: nas áreas rurais da Albânia, sobretudo nas montanhas do nordeste, as famílias são comandadas sempre pelos homens – que além de serem o “homem da casa” e ganha pão da família, também tem atuação política em suas vilas.

Porém e quando os homens da família morrem, e só sobram mulheres? Nesse caso, uma das mulheres – solteiras – da família fazem um juramento celibatário em que viverão suas vidas como homens. Elas serão responsáveis pela honra da família, pelo trabalho e administração e terão direitos iguais nas decisões políticas de sua cidade.

Com a urbanização e modernização da nova Albânia, essa prática esta em desuso, mas estima-se que ainda existem cerca de 40 famílias com virgens juradas vivendo na Albânia!

E diretamente relacionado com essa filosofia familiar e de comunidade esta o código de honra Albanês, o “Besa”.

Besa em Albanês significa simplesmente “fé” ou “palavra de honra”, e é um dos traços mais fortes da cultura local. Um Albanês que não mantenha sua palavra ou sua honra, em casos extremos pode vir a ser banido de um comunidade ou cidade, pois será visto como uma vergonha para toda sua família e amigos.

Em casos extremos, o Besa é levado a sério em proporções estratosféricas: em um país que se viu em meio a anarquia política e governamental e isolado do mundo durante tantas décadas (e séculos, se considerarmos a era Otomana) a população – que tanto presa a honra pessoal e familiar – fazia justiça com as próprias mãos: e assim uma “besa” lava a outra…

Ou seja: se você matar alguém da família, eu tenho o direito a matar alguém da sua. Se você me roubar, eu posso te roubar de volta. E assim por diante.

Seja qual for o crime… um olho por um olho. Um dente por um dente.

Pode parecer selvageria, mas foi esse conceito de honra e honestidade e igualdade que manteve a população “controlada” e pacífica durante tanto tempo.

E quem tomava essas decisões? Bem, os homens de cada família (sejam eles homens de verdade ou as “virgens”)!

Sem dúvida alguma, aprender sobre a Albânia foi a melhor parte da viagem!!

E que tal um pouco de trívia Albanesa?!?

Religião: Apesar de ter uma população majoritariamente Muçulmana, a presença católica também é bastante forte, tento inclusive fornecido ao mundo um dos maiores símbolos de bondade e fé: a Madre Tereza de Calcutá!

A Madre Teresa alcançou sua “fama” através de seu trabalho missionário na India, mas nasceu e cresceu na Albânia da Anarquia e do Comunismo (na verdade ela nasceu na região que hoje em dia faz parte, geograficamente, da Macedônia, mas é etnicamente – e legalmente – Albanesa), e é fonte de orgulho imensurável para seus compatriotas, independente de sua religião!

Geografia e história: E olha, por falar nisso, é impossível ler sobre a história da Albânia sem ter um mapa a mão!

O pais já foi parte de um país que também incluía a Eslováquia, a Bulgária, Croácia, Montenegro e Macedônia. Além de também já ter feito parte do Império Romano, e da Grécia. Uma coisa assim meio jogo de “War” sabe? Quem fosse chegando ia expulsando os outros e dominando, fazendo inúmeras combinações geográficas diferentes!

Mas hoje em dia isso deixou pra trás uma herança histórica e arqueológica incrível, fazendo com que a Albânia seja uma dos maiores “segredos” do continente!

Eu mal consigo imaginar o quanto o país vai mudar nos próximos anos, e tenho certeza que quando voltármos, tudo será tão irreconhecível, que será como visitar um novo país!

DICAS PRÁTICAS:

- O único aeroporto que serve o país fica em Tirana, a capital da Albânia. Mas dependendo da região a ser visitada, você também pode chegar ao país através da Macedônia, Croácia ou Montenegro.

A partir de Londres, a British Airways tem voos diretos entre Heathrow e Tirana, que dura apenas 2 horas!

- O difícil vai ser conseguir chegar de um lugar ao outro lá dentro! Quando fomos (em Agosto de 2012) não existiam linhas regulares de ônibus e os trens estavam em estado de calamidade pública (além de terem linhas muito limitadas, horários irregulares e ferrovias sem manutenção).

Alugar carros também – ainda – é inviável: além de não ter cias de aluguel de carros internacionais no país (mas imagino que isso vá mudar em breve), os países vizinhos proíbem que seus carros alugados sejam levados além da fronteira Albanesa!

- Depois de catar cada cantinho da internet, achei uma agência de viagens em Tirana que nos levou pra passear pelos arredores da cidade, e que nos ensinou tudo que aprendemos sobre o país!

A “Albania Trip” foi nosso anjo da guarda no país, além de ser a simpatia em pessoa e super culto – sobre o mundo e seu próprio país! O Elton, nosso guia, morou quase sua vida toda na Suiça, onde seus pais imigraram quando ele ainda era criança, e onde ele estudou até terminar a universidade. Agora, depois de formado e fluente em 5 línguas, resolveu voltar a seu país e participar dessa revolução/evolução que esta prestes a acontecer!

- A moeda utilizada é o “Lek” (que simplesmente significa “dinheiro” em Albanês!), mas Euros e Dólares podem ser trocados na casa de câmbio do aeroporto ou nas recepções dos hoteis. Mas o máis fácil mesmo é sacar dinheiro diretamente na moeda local em um dos muitos caixa eletrônicos espalhados por Tirana.

- Apesar dos pesares, a Albânia é um país muito seguro; Não tivemos problema algum em andar nas ruas a qualquer hora do dia, andar com câmaras penduradas no pescoço, pagar taxis no aeroporto e simplesmente ir e vir.

- Nós ficamos num hotel ótimo em Tirana – mas ele merece post especial!

- E por fim, mais um fato interessante: na Albânia não existe McDonalds!! :-)

 

Categorias: Albânia, Viagens
10
12
Aug
2012
Albânia ao vivo!
Escrito por Adriana Miller

Já que esta faltando tempo pra escrever posts mais elaborados sobre todas as viagens pendentes (Namíbia… Uruguai… França…) pelo menos vou registrando “ao vivo” as viagens que estão rolando!

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Esse fim de semana estamos na Albânia, um pais pequeno e relativamente desconhecido dos turistas que fica espremido entre o norte da Grécia e aquele amontoado de países conturbados da península dos Balcãns.

Quando eu marquei a passagem, meses atras, sabia que a Albânia nao decepcionaria – mas confesso que marquei a viagem num impulso, numa de “marcar primeiro, planejar depois!”, e a medida que fui lendo e aprendendo sobre o pais, mais fui me empolgando!

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Tenho muito pra contar sobre esse pais – uma história incrivelmente trágica e triste (em consegui terminar de ler o capitula de “história” do meu guia), que se espalha por milhares de anos, começando há quase 2.500 anos atras com os Gregos, passando pelos Romanos, Visigodos, Bizantinos, Otomanos e depois vieram os Alemães, os Italianos e por fim os Russos; transformando a Albânia numa dos países mais isolados – e pobres – do continente Europeu.

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E apesar do pouco tempo que passamos aqui deu pra explorar varias facetas do país, além de claro tambem curtir uma preguiça e o sol mediterrâneo da Albânia!

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Ah, e claro – olha quem resolveu (finalmente) dar o ar da graça essa semana!

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Com 18 (quase 19!) semanas, até que enfim “estou” gravida! (bastou um vestido mais soltinho e uma estufada, e pronto!)

Categorias: Albânia, Viagens
26
17
Jun
2011
Bucareste
Escrito por Adriana Miller

Bucareste foi a grande surpresa da viagem a Romenia, pura e simplesmente porque a) eu não sabia nada da cidade; b) tinha uma pessima imagem da cidade, e c) consequentemente nem sequer fiz questão se pesquisar nada.

Na minha cabeça, antes de ir, era que Bucareste seria um mal necessario, pra conseguir entrar e sair no pais e chegar até a Transilvania.

Anda bem que errar é humano, né?! Já na noite que chegamos no pais, tarde da noite, no caminho até o apartamento que ficamos ficamos meio boquiaberto nos entreolhando com aquela reação de “Bucareste é ASSIM e ninguem sabe disso?!”

Os predios suntuosos iluminados, as praças floridas, arquitetura neo-classica… e então descobri que Bucareste em sua fase pre-comunismo que quase destruiu o pais, era na verdade conhecida como a “Paris do Leste”. Mas eu já comentei aqui que não gosto dessas comparações, né? Sempre acho que a cidade que tenta ser a “não sei oque” de “não sei onde” acaba não tendo direito a uma identidade propria e vira o nada de lugar nenhum…

Mas realmente eu imaginava Bucareste uma cidade cinza, feia, com aqueles predios do bloco comunista de puro concreto (uma coisa assim meio Budapeste-meets-Tallin em versão pobrinha), sem atrativos turisticos e com ruas cheias de pedintes, cigamos e cachorros abandonados.

Tudo bem, tudo bem que a cidade ainda tem muita roupa suja pra lavar, monumentos pra limpar e calçadas a consertar (e alguem tem que dar um jeito naquele bando de cachorro faminto pelas ruas!), mas o centro historico é muito bonitinho, assim como todo o resto da Romenia!

E por outro lado, justamente por ainda n~åo ter recebido esse “banho de loja” da comunidade Europeia que faz com que a cidade seja ainda mais charmosa e cheia de caracter.

Então vimos partes de Bucareste nas indas e vindas dos passeios pela Transilvania e então resolvemos de apesar de não termos planejado passar tempo nenhum na cidade, mudamos os planos, encurtamos o passeio a Snagov pra poder ter pelo menos uma ultima tarde por lá.

Talvez oque tenha mantido Bucareste tão fora do circuito turistico até agora (além das outras cosias que já comentamos por aqui) é o fato que apesar de ser uma cidade super bonita e “Europeia”, Bucareste não tem um landmark, um simbolo, ou um predio ou monumento que represente a imagem da cidade e atraia turistas.

Aliais, eles tem sim um predio que é simbolo da cidade, mas ele não é exatamente o orgulho da nação…

O Palacio do Parlamento de Bucareste, ou o “Palacio do Povo” é um monstrengo de proporções descomunais, que nada mais é o segundo maior edificio do mundo (em m2 e volume de ocupação) e só perde pro Pentagono nos EUA.

O Palacio é fruto do ego do ex-ditador comunista Nicolae Ceauşescu que queria mesmo construir um palacio que fosse a altura de seu poder (ego) e autoridade (ego).

Para construir o Palacio, Nicolae mandou destruir, demolir e desocupar cerca de 6% da cidade na decada 80, e era tão ineficiente e estupido, que no ano de sua inauguração (1984) meio expediente de funcionamento (cerca de 4 horas) consumia mais energia eletrica doque toda a cidade de Bucareste por um dia inteiro (24 horas)!!! Para sua construção e alargamento da avenida Bulevardul Unirii (que ele queria que fosse reconhecida como mais longa e mais larga que a Champs Elysee em Paris) ele mandou desalojar cerca de 30.000 fmailias, destruiu 19 igrejas Ortodoxas, 6 sinagogas e incontaveis praças e monumentos historicos.

Hoje em dia parte do predio esta aberto a visitação e hospeda um museu no primeiro andar.

Mas o legal mesmo de fazer em Bucareste é andar pelo centro historico, descubrir suas igrejinhas escondidas e os predios historicos.

Em uma tarde conseguimos fazer bastante coisa, mas não deu tempo de fazer tudo – eles até tem um “Arco do Triunfo” na entrada da cidade (que passamos de carro algumas vezes e é bem bonito, apesar de ser copia de Paris…)

 

Romania na Pratica:

- Chegando lá:

A Romania ainda não entrou no circuitão turistico, então a oferta de voos para o pais são bem limitados. Alem disso, por estar bem no Sudeste do continente, a viagem é longa (3,5 horas saindo de Londres) com 2 horas de fuso, que faz com que se perca muito tempo na viagem.

Saindo de Londres, as unicas low cost que voam pra Romania são a Polonesa WizzAir e a Remena BlueAirWeb, e os horarios não são dos melhores. Então aproveitamos o fim de semana prolongado pra voar sexta a tarde e voltar segunda de manha.

E a recomendaçnao que recebemos (e comprovamos!) de todo mundo: nunca, em hipotese alguma pegue taxi de rua na Romenia e não se assuste com a quantidade de picaretas esperando turistas na porta do aeroporto. Nós reservamos translado com os irmãos Adrian & Valentin do mesmo apartamento que alugamos (e que foram nossos motoristas-guias na Transilvania) e que nos cobraram 14 Euros. (entre em contato com eles pelo e-mail barynni@yahoo.com)

- Hospedagem:

Foi dificil achar hospedagem em Bucareste, pois é uma cidade sem meio termo. Ou voce fica no hotel de rede internacional 5* e paga uma fortuna, ou fica num muquifo afastado da cidade.

Nosso apartamento era super central, mas caia na categoria “muquifo” – realmente o “estabelecimento de familia” da viinhança foi uma pessima primeira impressão. Mas a qualidade do apartamento (por dentro) e o serviço dos irmãos compensou o susto (sem falar no preço, logico).

Minha reserva foi feita pelo Booking.com.

- Onde comer:


Nós comemos super bem na Romenia, que tem uma culinaria bem tipica do leste Europeu: muita batata, muita carne, repolho e cerveja!

A dica dada pelos irmãos foi o restaurante Cara’cu Bere que é um dos restaurantes mais antigos e tradicionais da cidade, que servem comida tipica Romena (e cerveja de fabricação propria) num predio lindo, bem no meio do centro historico!

 

 

 

 

 

Categorias: Bucareste, Romenia, Viagens
16
16
Jun
2011
T.V. Everywhere: Transilvania!
Escrito por Adriana Miller

Antes do video, posso comentar o quanto a gente se divertiu filmando (e editando!) esse video da Romenia?!??!

Foi pura bobeira e tivemos que filmar as mesmas partes varias vezes pq a gente nao parava de rir, e realmente queriamos que fosse um video engraçadinho com toda essa coisa de “caçar vampiros” na Transilvania.

Eu queria ter usado a “Dança do Vampiro” do Asa de Aguia como trilha sonora, pois passei o fim de semana inteiro com essa musica na cabeça, mas como o Aaron não entdia nada, não achou a menor graça…

Categorias: Romenia, T.V. EveryWhere, Transilvania, Viagens
35
15
Jun
2011
Transilvania
Escrito por Adriana Miller

Planejar nossa viagem a Romenia foi tudo muito bom, tudo muito bem, mas a verdade é que tinhamos apenas um objetivo: conhecer a Transilvania.

Não conhecia mais nada no pais, e sabia que com temp limitado, não daria tempo pra muito mais coisa mesmo.

E ainda assim, apenas com um fim de semana mal dá pra cobrir a região da Transilvania, que ocupa toda parte central da Romenia, no meião das montanhas Carpatianas.

Como contei no outro post viajar pela Romenia foi dificil, pois falta estrutura pra tudo. Admito que me surpreendi bastante (positivamente!) com a qualidade das estradas, e quando já estavamos lá, nos arrependemos de nao ter alugado um carro e ter feito a viagem de maneira mais independente.

Mas né, antes de chegar lá a imagem que tinhamos do pais era bem diferente, e de jeito nenhum que eu consegui convencer o Aaron a querer digir por lá.

Além disso a maiorias dos passeios e tours pela Transilvania,  das opções que conseguem mesmo cobrir boa parte das montanhas ou demoram varios dias (que nao tinhamos disponivel) e custavam bem caro (que nao tinhamos disponivel) ainda mais considerando um pais tao barato.

Cheguei a pensar em fazer tudo de trem, mas alem de ter levado uma surra do site precario das Ferrovias Romenas, apesar de muito barato, andar de trem por la seria uma aventura a mais que nao estavamos a fim de encarar (trens caindo aos pedaços, falta de segurança, e viagens que desperdiçariam hooooooras preciosas do nosso fim de semana!).

Entao acabamos fechando nossos passeios com os irmão Andrian & Valentin que nos alugaram o apartamento onde nos hospedamos, e como a diaria foi tão baratinha (30€ por noite) achamos que valeria mais a pena usar Bucareste como base e fazer passeios bate e volta nas cidades e castelo principais da Transilvania sul e Wallachia.

Então começamos nosso passeio pelo Castelo Peles, que fica na cidade de Sinaia, bem na subida das montanhas Carpatianas e fronteira entre a Wallachia a eTransilvania.

O Palacio tem inspiração Alemã/Bavaria e nem é tao antigo assim… Construido no final do seculo 19, foi considerado um avanço de modernidade e tecnologia.

O Rei Carol I, que foi o primeiro monarca da Romania moderna, era na verdade Alemão, e então não só queria que o palacio tivesse as caracteristicas de sua terra natal, mas que tambem tivesse todos os confortos necessarios.

Então o Palacio Peles foi o primeiro palacio Europeu (residencia Real) a ter aquecimento central, energia eletrica integrada e ate um sistema de limpeza por aspiração, um elevador e um cinema!

Por fora o palacio é bem bonito, mas por dentro é que é a grande supresa!

Nunca, repito, NUNCA vi um palacio tão bonito por dentro como o Peles!

O unico problema? A entrada no castelo custa cerca de 10€, e ai eles dizem que vc só pode entrar com sua camera e tirar fotos lá dentro se pagar outros 10€.

Na hora achamos que era furada ou algum golpe pega-turista, e deixamos nossas coisas na entradinha… Ah se arrependimento matasse! Logo que entramos no primeiro salão vimos que não só o interior do Peles teria valido os 10€ como eles poderiam cobram 100€ e ainda assim valeria a pena!

De Sinaia dirigimos em direção a Brasov que é a cidade principal da Transilvania e que serviu de palco para muitas batalhas comandadas por Vlad Tepes.

E por ser bem ali na subida das montanhas, Brasov tambem tem uma posição geografica privilegiada conectando o sul da Romenia e Bulgaria com o Imperio Astro Hungaro – fato que foi muito bem aproveitado durante a dominação comunista no pais.

Então até umas decadas atras a cidade se chamava “Stalin” (Oraşul Stalin), pois o então ditador socialista Nicolae Ceaușescu achou que seria uma boa puxar o saco de seus parceiros Russos.

Com o fim da ditadura e do comunismo, a cidade voltou ao seu nome original, e a população ficou tão feliz com sua recen adquirida liberdade que fizeram questão de publicitar para o mundo seu nome verdadeiro: Brasov – com direito a sinal Hollywoodesco de gosto duvidoso e tudo mais!

Brasov nada mais é que uma pracinha medieval cheia de casinhas coloridas e que não corresponde em nada, NADA com oque eu imaginava que a Transilvania seria!

Na verdade a Transilvania como um todo é tão bonita, fofa, limpa e bem cuidada que ficamos brincando que daria muito trabalho “enfeiar” as fotos no Photoshop, pois queriamos que os lugares tivessem uma pinta mais macabra e vampiresca convincente…

No centro da cidade, a atração principal é a Igreja Negra – uma construção Gotica Medieval que herdou esse nome por sua aparencia “carvão”, resultado de muitos incendios decorrentes de guerras e batalhas contra Turcos Otomanos – mas apesar dos pesares e estrutura maciça de pedra sobreviveu!

Mas a atração principal de Brasov é mesmo seu castelo mais famoso, o castelo de Bran, ou o castelo do Dracula.

Mas só pra deixar bem claro, esse não é nem nunca foi o castelo habitado por Vlad Tepes… na verdade, historicamente falando ele lutou algumas batalhas ali perto e possivelmente passou algumas temporadas por lá, mas o castelo de Bran nunca foi sua residencia oficial.

Mas como quem conta um conto, aumenta um ponto, olha só que coincidencia conveniente que bem na vizinhança de uma das cidades principais da Transilvania exista um castelo sombrio, que encaixe direitinho na descrição literaria do Conde Dracula e que ainda por cima se chama Bran?! (o nome do autor do livro é Bram Stoker, lembra?)

Pronto, isso foi tudo que precisaram pra alastrar a fama do “castelo do Dracula”.

Mas seja verdadeiro ou não, é claro que fizemos questão de conhecer e tirar muitas fotos!

No dia seguinte, nossa viagem continuou seguindo a lenda do Dracula, e acabamos passeando pela Wallachia, que fica nos arredores de Bucareste.

A primeira parada foi a cidadezinha de Snagov, que tem um Monasterio pitoresco bem no meio de de uma ilha, bem no meio de um lago e que por acaso é onde o Vlad esta sepultado.

Na verdade né, ninguem sabe ao certo se o corpo enterrado em Snagov é mesmo o Vlad, afinal em 1400 e poucos não existia DNA, mas como a lenda de sua sepultura é muito mais antiga que o libro do Bram Stoker, então é bem capaz de ser tudo verdade (pois a “lenda” foi crida antes da Transilvania virar caça níquel).

A lenda diz que na epoca em que Vlad foi assassinado, os monges de Snagov encontraram o corpo de um homem nobre (pelas roupas e joias) decapitado, e que apesar de não ter rosto, ele foi identificado por seus suditos como sendo Vlad Tepes.

Então sua sepultura tem lugar de honra bem ao lado do altar dentro a Igreja, que diga-se de passagem é super linda por dentro!

É uma Igreja Ortodoxa Cristã, e que seguindo a tradição da religião é toda construida em naves e cupulas e inteiramente, completamente pintada e decorada.

Como tudo na Romania: fotografou pagou, e o mongezinho mercenario nos cobrou 20€ para tirar fotos lá dentro!

Como estavamos traumatizado por termos sido pão duros e não ter nenhuma foto do Palacio Peles, aceitamos o golpe e pagamos assim mesmo.

Mas quer saber, valeu a pena! A Igreja nem é assim tão impressionante como outras Igrejas Ortodoxas, mas em copensaçnao Igrejas Ortodoxas NUNCA deixam dirar fotos em seu interior, então foi uma otima oportunidade de registrar a arquitetura e arte Ortodoxa.

E nosso passeio terminou no Palacio Mogosoaia, que fica bem pertinho de Bucareste, e foi bem interessante. O Palacio é relativamente recente e não tem nada a ver com a Transilvania, mas como tinhamos decidido encurtar o passeio pra ter tempo de conhecer Bucareste, uma paradinha em Mogosoaia foi uma otima opçnao pra fechar nosso dia!

 

 

 

 

Categorias: Romenia, Transilvania, Viagens
24
14
Jun
2011
Mas afinal, quem foi o Dracula?
Escrito por Adriana Miller

Uns dias antes de viajar, estava conversando no trabalho sobre a viajem a Romenia e um colega comentou “Mas vc sabe que o Dracula nao existe, certo? Voce sabe que eh tudo falso, neh?”… Com aquela cara de quem esta indo cacar o Coelinho da Pascoa!

Entao adorei aprender mais sobre os mitos e superticoes do Romenos e descobrir afinal quem foi esse tal do Dracula.

Mas soh pra esclarecer: Sim, o Dracula existiu. Mas sim, ele eh ficcao!

O Conde Dracula, o Vampiro da historia do Bram Stoker eh logicamente um personagem de ficcao literaria e nao existem vampiros na Transilvania (sera?!).

Mas ao mesmo tempo, a Romenia realmente teve um principe Dracula, que assim como varias outras lendas e tradicoes Romenas, serviram de inspiracao ao personagem de Bran Stoker.

Entao o personagem (real) principal desse mito eh o Principe Vlad Tepes, que reinou a regiao da Wallachia no seculo 15.

Vlad era filho do Rei da Transilvania e Wallachia (bem antes da Romenia existir como pais), que era integrante da “Ordem do Dragao” – uma legiao de reis e principes Europeus que defendiam o continente dos Turcos Otomanos.

Dragao em Romeno eh “Dracul”, e “Lea” significa filho. Entao Vlad, era conhecido como Principe Draculea (Principe “filho do Dragao”).

Vlad teve uma infancia e adolescente horriveis, pois foi capturado pelos Turcos ainda crianca, e enviado para uma prisao Turca, onde foi torturado, maltratado e abusado durante anos a fio.

Da pra imaginar oque o filho adolescente do Rei inimigo nao deve ter passado na mao dos Turcos, ne?!…!

Historicamente a intencao dessa prisao era converter Vlad ao Islamismo (ele era Cristao Ortodoxo), e assim ele poderia voltar a Transilvania e reinar como um principe Otomano.

Mas uns anos depois, Vlad escapou e voltou pra Wallachia, onde encontrou seu pai e irmao assassinados.

Se esse menino ja nao devia ser extremamente traumatizado e perturbado, subir ao trono soh piorou sua situacao, e Vlad jurou vinganca eterna aos Turcos.

Ele reinou poucos anos, mas historicamente era adorado pela populacao, justamente por ser tao sanguinario e sem tolerancia. Sob seu comando a regiao properou e ficou livre de guerras e conflitos.

Porque? Porque ele matava e torturava qualquer inimigo que chegasse perto de seu Reino, sem do nem piedade.

Vlad ficou conhecido como “O Impalador”, pois aplicava em seus inimigos o metodo de turtura medieval de “impalar”, que nada mais eh doque espetar seus inimigos com estacas de madeira que subiam do reto ate a clavicula – O corpo era cuidadosamente espetado de buraco a buraco de maneira a nao perfurar nenhum orgao vital, entao as vitimas permaneciam vivas por cerca de 48 horas, em sofrimento agudo, enquanto ele assistia sua morte lenta…

Os cinicos dizem que ele tinha um certo fascinio em turturar seus inimigos (principalmente os Turcos) usando qualquer metodo que involvessea parte traseira de sua anatonia, resultado de uma adolescencia de abusos sob dominio Turco.

E por causa desse metodos sanguinarios, Vlad Draculea (Dracul significa Dragao, mas tambem pode significar “Demonio” dependendo da intonacao da palavra) a fama de Vlad, o Impalador, ou Vlad, o Demonio se espalharam pela regiao.

Entao, quase 300 anos depois, numa pequena cidade da Irlanda, um jovem Bran Stoker, que ja tinha escrito outros livros e contos sobre vampiros e “criaturas” miticas, comecou uma pesquisa para inspiracao para sua proxima novela, quando ele encontrou livos Hungaros sobre o “Leste selvagem” da Europa e esse tal de Vlad Draculea.

Bran Stoker nao era uma cara muito culto, e nunca tinha viajado pra fora de sua cidadezinha natal, e portanto foi muito facilmente impressionado com as historias que ele leu sobre o Leste dos Balkans – lendas que se somaram a historia de Vlad para criar o mito do Conde Dracula.

Mitos esses que incluiam praticas muito verdadeiras (e usadas ate pouco tempo atras) na cultura Romena, mas que soaram tao chocantes ao Bran, que realmente soh poderiam ser obra de ficcao!

Historias sobre comidas cozidas com muito alho, que deixavam as pessoas com cheiro estranho a ponto de espantar os outros (Bram era um Irlandes que devia comer nada mais que batatas e cereais com carne de ovelhas…), ciganos nomades que praticavam bruxaria e matavam animais como “sacrificio”; A cruz torta (o crucifixo Ortodoxo tem uma terceira “perna” meio entortada), e a pratica cigana onde uma estaca de madeira deveria ser enfiada no coracao do defunto que nao ficasse gelado nos primeiros dias de sua morte (os ciganos Romenos ainda faziam isso ate poucas decadas atras, pra garantir que seus fmailiares nao eram mortos-vivos).

Como bom Irlandes Catolico que era, Bram entao incorporou que um bom crucifixo e um pouco de agua benta o protegeriam desses metodos selvagens. Assim como o cheiro forte do alho, e uma estaca de madeira no coracao!

E pra completar, ele ainda leu sobre as batalhas e metodos de tortura usados por Vlad, somados a uma das poucas pinturas que existem do Rei Vlad comemorando uma de suas vitorias, bebendo uma taca de vinho tinto enquanto centenas de inimigos sofriam na “paisagem” sendo impalados com estacas de madeira!

Eh ou nao eh um prato cheio para uma novela sobre vampiros, lobisomens e afins?!

Eu perguntei pro nosso guia se os Romenos se ofendiam como toda essa historia de Dracula e vampiros, e ele me garantiu que nao, muito pelo contrario! A Maioria das pessoas tinham orgulho de saber que parte de sua cultura e essa parte do pais eh tao conhecida internacionalmente, e que se nao fosse pelo Conde Dracula a Romania provavelmente nao atrairia tantos turistas que vao para o pais atravez das tais lendas e o tanto que isso ja ajudou a economia das montanhas em epocas muito dificeis para o pais.

Entao Vlad, O “Dracula” esta por todos os lados. Muitos monumentos historicos e referencias ligadas ao Principe Vlad, e muitas outras tantas coisas tirando uma casquinha do “Conde Dracula” – oque vc puder imaginar eles vendem: camisetas, canecas, bone, brinquedos, mascaras e mais uma infinidade de coisas “vampirescas” autenticas da Transilvania!

Categorias: Romenia, Transilvania, Viagens
19
13
Jun
2011
Romenia
Escrito por Adriana Miller

A Romenia eh geralmente considerada o “velho oeste” da Europa: Costumes e folclores “barbaros” que parecem terem parado no tempo; pobreza, analfabetismo e inseguranca. Ciganos, bruxas e vampiros.

Com a entrada do pais na Comunidade Europeia em 2007, parece que coisas soh pioraram para a imagem do pais, ja que muitos dos outros estados membros nao queriam a Romenia na “panela”.

Entao apesar de ser o pais cacula da EU, a Romania ainda opera sob regras especiais e varios outros paises foram autorizados a criar suas proprias regras locais que impecam que os Romenos tenham os mesmo direitos de ir e vir que seus vizinhos Europeus. Entao ter o passaporte Romeno nao necessariamente permite trabalhar em toda Europa, estudar em toda Europa e afins (eu ja quase entrei numa fria por ter recrutado uma menina Romena pra trabalhar no escritorio de Milao e a empresa quase teve que pagar uma multa milionaria pois Romenos precisam de visto pra trabalhar na Italia, mesmo sendo parte da EU!).

Mas o pior foi que ao abrir as portas da Europa aos Romenos, a enchurrada de imigrantes foi tanta que varios paises fizeram pesquisa sobre “aumento de criminalidade”, “Indice de inseguranca” etc, etc, ligados aos imigrantes Romenos. Basta ler posts e artigos sobre golpes e crimes nas capitais Europeias e voce vai ver que quase todos sao relacionados a imigrantes Romenos.

Conhecer a Romenia, mesmo de longe, pode ser um choque cultural pra quem acha que tudo na Europa eh lindo, glamuroso e perfeito.

Entao quando comentava com amigos, colegas e conhecidos que estava planejando uma viagem a Romenia, recebi os olhares mais assustados e desconfiados do mundo!

Romenia?!?! Pra que?! Porque?!

Mas desde que comecei a trabalhar com Romenos ha uns anos atras e comecei a viajar pelos Balkans a vontade de conhecer o pais so aumentou!

Seu eu ja acho a regiao dos Balkans fasciante, por todo seu misterio, distancia e historia, Romenia entao estava no topo da lista!

Mas nao da pra negar que ficamos com receio sim… Sera que eh seguro? Sera que eh facil de viajar? E a estrutura para turistas?

Entao comecou a relaidade: o pais tem muito a oferecer, mas o dificil mesmo eh saber oque sao essas coisas!

A estrutura turistica praticamente nao existe… Pouquissimas opcoes de voos para o pais, poucas opcoes de hoteis, principalmente na categoria “media” – ou voce paga precos de “Europa” para ficar em hoteis de rede de luxo, ou entao encara um muquifo acima do bordel (que foi nossa opcao).

Alugar carro eh barato, mas as estradas sao pessimas, pouca sinializacao e de dificil navegacao. Trens sao velhos e lentos, e as estacoes sao perigosas. Passeios e day tours atendem apenas a viajantes com muito tempo nas maos e dinheiro no bolso, nao encaixando no perfil de viagens economicas curtinhas que geralmente fazemos.

Tentar conhecer esse pais em apenas 2 dias eh impossivel, entao com as passagens na mao ficamos perdidos sem saber exatamente oque fazer, onde ir, e como fazer.

Mas pelo menos foi facil concentrar os esforcos: tinhamos apenas 3 noites e 2 dias inteiros por la, e a unica coisa que queriamos mesmo conhecer era a Transilvania. O resto era lucro!

Acabei reservando um apartamento de temporada no booking.com e li alguns comentarios sobre o passeio deles na Transilvania – entao numa paulada soh, resolvemos nosso problemas! Acomodacao baratinha (e fuleira) e passeio pela Transilvania com guia e transporte particular (fazendo o roteiro que queriamos, mas pagando menos da metade do preco que vimos em outras agencias!).

Nos ficamos hospedados no Best Flat Apartments bem no centrao de Bucareste, que eh gerenciado pelos irmaos Adrian e Valentin. Ja aviso a quem quiser seguir a dica que a primeira impressao eh pessima! Apesar de estar bem no centro historico de Bucareste e num bairro considerado bom, o apartamento fica mesmo, em cima de um strip club, e foi um susto quando o Valentin (um dos irmao e que foi nos buscar no aeroporto) parou o carro ali na frente… a primeira reacao foi “pronto, caimos no primeiro golpe!”. Mas o apartamento em si eh otimo, super novinho e limpo, ideal pra quem quiser passar bastante tempo (eh tipo um kitinete, com cozinha, banheiro, wifi gratis, TV a cabo e afins), apesar de ficar num predio velho e mal cuidado, que correspondia exatamente a ideia que eu tinha sobre as cicatrizes deixadas pelo comunismo no pais…

A lingua ajuda a se virar entre o caos e a falta da estrutura. O Romeno eh uma lingua latina, e muito, muito parecido com o Italiano. Entao ler placas, sinais e informacoes nao foi dificil, apesar de que a fonia da lingua eh bem diferente (soa como uma lingua Eslava, meio Russo, mas na verade sua origem – e que deu origem ao nome do pais – eh Romana, e a populacao se considera “latina”).

A moeda eh o “Leu” (plural = Lei) mas o Euro era facilmente aceito, e de maneira geral os precos (ainda) sao muito baratos mesmo em comparacao com outros paises Europeus, mesmo os vizinhos do Leste.

Mas oque mais me atraia em uma viagem a Romania (vampiros e Dracula a parte) eh justamente essa coisa “selvagem” que eles ainda vivem. A Romania eh um dos poucos paises Europeus que ainda sao autenticos.

A “maquina” da Comunidade Europeia pode ate ser otima para varios paises pelos mais variados motivos, mas por outro lado, por onde passa, deixa o rastro de uniformidade… os precos aumentam, as cidades se modernizam.

Nao to dizendo que isso seja uma coisa ruim, e realmente a populacao soh tem a ganhar nos proximos anos, mas se voce pretende conhecer a Romenia, a hora eh agora!

Enquanto os ciganos ainda nao sao uma profissao regulamentada (a EU quer regulamentar a “profissao” de ciganos e bruxos na Romenia, assim como fizeram com a prostituicao na Holanda), enquanto Zaras e Starbucks nao ocupam cada esquina, e enquanto nao existem gift shops na saida dos castelos do Dracula.

As coisas mudam rapido, e a evolucao chega voando, mas a Romena ainda tem o gostinho de que parou no tempo, e mesmo cheio de contrucoes, reformas e modernizacoes, ainda tem aquele jeito de Europa do leste como eu sempre imaginei.

E quanto aos Estereotipos e medos pre-viagem?

Todos falsos!

Os Romenos que conhecemos foram incrivelmente simpaticos, alegres e hospitaleiros. Honestidade eh honra, e eles teem um orgulho de sua cultura que da gosto de ver!

Com ou sem vampiros, a historia de lutas e guerras esta na ponta da lingua, e eles sabem que eh questao de tempo ate que a fama de sua historia, beleza e cultura se espalhe pelo mundo.

Pode perguntar a vontade sobre o Dracula, mas cuidado ao fazer compracaoes com a Bulgaria, evite falar da Turquia, e nunca jamais confunda Bucreste com Budapeste! (Os Hungaros sao seus arqui-inimigos historicos, e os Romenos detestam ver sua cidade confundida – Gafe ja cometida por varias celebridades que visitaram o pais!).

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