03 Jun 2014
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Four Seasons Hotel Gresham Palace Budapest

Budapeste, Dicas de Viagens, Hungria

Se tem uma coisa que eu realmente noto que mudou em minhas viagens nos últimos anos, sem duvida alguma são as opções de hotéis. Por um lado, sem duvida alguma é a idade. Aos 23/24 anos quando comecei a escrever esse blog, qualquer viagem era viagem, mesmo que embarcasse sem a menor ideia de onde iria dormir. Critérios como “limpeza” e “conforto” eram absolutamente supérfluos, quando na verdade o que me interessava mesmo era o combo preço (baixo) e localização (boa). Então já me meti em altos muquifos pelo mundo afora, e não me arrependo de nenhum!

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Por outro lado, não dá para negar que viajar a trabalho abre portas a todo um novo mundo de mordomias que até uns anos atrás eu não valorizava, mas depois que você começa a perceber a diferença no conforto, no nível de serviço e em todos os detalhes oferecidos por hotéis superiores, não da para negar que nosso nível de exigência muda, e ai finalmente passei a dar valor a pequenos extras, que são apenas isso – extras e supérfluos – mas que fazem uma diferença enorme! Um de meus principais motivos para sempre ter acho que não valia a pena pagar muito pela hospedagem era aquele clássico de que “quase não vou ficar no hotel mesmo” – mas com a Isabella isso mudou, e acabamos passando bem mais tempo no hotel e dependendo mais de sua infraestrutura por causa dela.

E por fim vem as “desculpas” – se estou viajando com o Aaron e a Isabella, queremos um lugar confortável, com bom serviço e luxo por causa dela. Se estou sem ela, é porque quero aproveitar a “liberdade” e poder curtir os extras um pouco mais (seja uma cama super macia, seja o spa ou um bar badalado no hotel).

Então ao planejar uma viagem com minha irmã e uma amiga, queríamos ficar hospedadas com conforto, boa localização, e sem dúvida alguma, luxo! Afinal, era uma ocasião especial estarmos em Budapeste juntas e como só nos vemos 1 ou 2 vezes por ano hoje em dia, então passar perrengue estava fora de cogitação!

O Four Seasons é um hotel dos sonhos, em qualquer lugar do mundo, mas o de Budapeste é especial! Então quando a equipe de RP nos convidou a conhecer o hotel, nem tive que pensar duas vezes.

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Primeiro porque ele faz parte da historia e da paisagem da cidade – o Gresham Palace foi construido em 1827 como um complexo de apartamentos de luxo, mas cerca de 1 século depois foi inteiramente abandonado durante as guerras. Apenas em 1991, com a queda do socialismo, o prédio foi comprado com uma rede hoteleira, e após a aquisição do Four Seasons, o Gresham Palace ficou 9 anos sendo reformado, para garantir que sua arquitetura original Neo-Classica seria preservada.

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E em segundo – e principal – lugar é sua localização. Nem da para discutir que o Four Seasons é o hotel mais bem localizado de Budapeste – você abre a porta (ou a janela do quarto) e da de cara com a Ponte das Correntes, o principal símbolo da cidade, o que nos deixou a poucos metros de distancia de Buda, mas também de outras das principais atrações do lado Peste, como o Parlamento Húngaro a 3 quarteirões de um lado, e a Andrassy Ut a poucos quarteirões do outro lado.

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E eles se superaram na atenção aos detalhes: da cesta de frutas nos esperando no quarto, as sugestões de restaurantes do concierge, e ate mesmo uma coisa bem bobinha, mas tão legal (e que nunca vi nenhum outro hotel fazer – seja 5 estrelas ou não: na véspera do nosso check out, a camareira deixou saquinhos de plástico no banheiro juntos com as miniaturas de amenidades (da L’Occitane!) já prontas para serem levadas para casa no avião.

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Posso dizer o quanto achei isso legal?! Porque convenhamos, todo mundo adora levar as miniaturas dos hotéis para casa (eu AMO!), e tem capricho maior do que ser simpático ao ponto de dizer, ainda que indiretamente: “nos sabemos que nossas miniaturas são muito boas, então toma. Leva para casa, e coloca nesse saquinho, para não confiscarem no aeroporto!”.

Ahhhhh! Achei muito fofo!

E foi um festival de simpatia e detalhes, que nos fazem sentir especiais o tempo todo – outra coisa que eu adorei foi poder reservar nosso pacote nas termas Széchenyi direto com eles, e de quebra ainda nos deram um “kit spa”, com toalha e roupão de banho do Four Seasons, além de chinelinho, touca de banho e miniaturas L’Occitane, dentro de uma bolsinha de tecido que acabamos carregando pela cidade toda no domingo!

Com certeza deu um toque especial a mais no nosso fim de semana – não foi a primeira e definitivamente não será a ultima vez num Four Seasons pelo mundo!

 P.S: Política de parceria: todo conteúdo desse blog reflete a minha opinião e experiência pessoal. A rede Four Seasons de hotéis construiu uma política de muita cordialidade e parcerias com blogueiros mundo a fora, porem minha hospedagem em Budapeste não foi cortesia e esse post não foi pago.

 

Adriana Miller
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Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
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14 Apr 2014
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Varsóvia, Polônia – as dicas rápidas da cidade!

Dicas de Viagens, Polonia, Varsóvia

Não da nem pra fingir que a viagem que fiz com umas amigas semana passada pra Polônia foi muito cultural, porque né? Não foi!

Fomos passar o fim de semana em Varsóvia com 6 amigas e comemorar a despedida de solteira da Tati!

Mas ainda assim conseguimos passear bastante e curtir a cidade, demos muita sorte com o clima e pegamos días incríveis de sol e temperaturas amenas, que sem duvida alguma conseguiram deixar a Polônia ainda mais bonita!

Eu comparei bastante essa viagem com a Cracovia, que foi 100% diferente em tudo! NA época pegamos días frios, escuros e chuvosos, que so aumentaram o tom sombrio e histórico de nossa visita.

Dessa vez, cercada de amigas e com o sol brilhando, vi um outro lado da Polônia: um cultura muito colorida, um povo alegre e fanfarrao, comida deliciosa e vodka… ham-ham (com onomatopeia de hipigarro!), que deixa para lá!

Nossa hospedagem não poderia ter sido melhor, no incrível Hotel Bristol (que eh tao bonito, histórico e incrível que merece um post soh para ele!) e que fica exatamente ao lado do palácio Presidencial (Palac Presydencki), na avenida Krakawskie Prdzedmiescie (que eh a principal da cidade, e que corta Varsovia de ponta a ponta, e tambem conhecida como “Caminho Real”).

Quando andamos 5 minutos para direita, ja demos de cara com a cidade antiga e sua espacosa praca Zamkowy, que o sol colaborou ainda mais para deixa-la fotogénica, com suas casinhas coloridas rodeando a praca e as torres das igrejas ao fundo, contrastando com o tijolo vermelho do Palacio Real que ocupa um lado inteiro da praca.

A verdade eh que a praca Zamkowy eh bem parecida com Cracovia, mas ela eh apenas a entrada para o resto da cidade antiga.

O triste eh saber que essa praca linda e tao cheia de historia eh apenas uma reconstrucao (por mais fidedigna ao original que seja) que reproduz a Varsovia que ali existía por centenas de anos, ate a década de 1930, quando a Polonia (e consequentemente sua capital Varsovia) se encontraram no meio do camino entre Nazistas e Sovieticos, servindo de campo para alguns dos feitos mais crueis e sangrentos da humanidade, e tendo pasado os 30 anos seguintes sendo refens desse sistema.

Mas em Varsovia eu sentí que ese “peso” da historia tem um impacto menor no clima da cidade, e o turista acaba se distraindo com varias outras coisas por la!

Mas continuamos nosso passeio pela cidade antiga nos perdendo por um emaranhados de ruelas medievais (cheias de lojinhas, sorveterias – o sorvete típico da Polonia eh uma delicia, tem um cremoso diferente do que estamos acostumados! – e “milk bars”, os restaurantes/cantinas populares da Polonia, onde a maioria da populacao comia sua única refeicao do dia durante os anos de guerra e opressao.

Muitos desses “milk bars” fecharam as portas com a queda do comunismo, mas agora outros tantos estao re-abrindo, como uma opcao mais “autentica” de comida Polonesa, e outros tantos estao virando barzinhos e restaurante mais alto escalao.

Ate que de repente, chegamos! A praca Starego Miasta, o coracao de Varsovia!

A praca tem aquele ar de conto de fadas que so as cidades do leste europeu ou do interior da Bavaria tem (Praga eh outra cidade que eh bem parecida e tem uma praca central incrivel).

As casinhas coloridas, artistas de ruas, bares e cafes com as mesinhas no sol…

E foi entao que resolvemos dar uma pausa no dia e para um pouco para curtir a cidade – escolhemos um restaurante no lado ensolarado da praca, pedimos uns cafes e uma garrafa de vinho branco no gelo e perdemos completmente a hora vendo a Polonia pasar!

Um tempinho depois seguimos em direcao as muralhas da cidade, que ainda cercam boa parte da cidade antiga, e que ainda possui um dos portoes de entrada originais, delimitando a Varsovia “original”.

Mas quando seguimos a direcao oposta, passando de volta por nosso hotel, voltamos para a grande avenida Krakawskie Prdzedmiescie (conhecida como “Passeio Real”)aquela que corta a cidade quase toda, que mencionei ai em cima), e que eh considerada uma das mais longas ruas da Europa.

Ali eh onde tudo acontece: muitas opcoes de hoteis, restaurante, cafes, supermercados e lojas mil – de lojinhas de artesanato local a lojas de fast fashion internacional e uma loja da mecca Polonesa de Maquiagem “Inglot”!

Mas o caminho real tem outras atracoes tambem, como a Universidade de Varsovia (um predio lindissimo!) e o Centro de Ciencia “Nicolau Copernico” (outro Polones ilustre, pai da astrofisica moderna, que foi o primeiro cientista a colocar o sol como o centro do sistema solar – ate entao a Igreja Catolica considerava a Terra como centro do universo).

E tambem a Igreja de Santa Cruz (entre varias outras – muitas – igrejas), que aliais eh uma coisa que tambem ja tinha reparado na Cracovia, e como os Polacos sao Catolicos fervorosos, e as homenagens a seus ilustres estao por todos os lados, principalmente o finado Papa Joao Paulo II.

A Igreja de Santa Cruz, bem no meio da avenida Krakawskie Prdzedmiescie chama a atencao por ser o “mausoleu” do coracao de Frederico Chopin – outro Polones ilustre que esta homenageado por toda cidade. Apesar do nome Frances (heranca do pai imigrante Frances) e da carreira desenvolvida em Paris no seculo 19, Chopin nasceu e cresceu – e aprendeu a tocar piano e compar musicas – na Polonia, nos arredores de Varsovia.

Ja quase no final da rua Krakawskie Prdzedmiescie esta o parque e o palacio Łazienkowski, uma das principais atracoes de Varsovia, mas que nao chegamos a tempo de ve-lo por dentro… (nao vale a pena tentar andar a avenida toda…. perdemos tempo demais nesse “passeio” e perdemos o palacio!).

Outra atracao que vale a pena visitar em Varsovia eh o Palacio da Ciencia, uma construcao heranca da era Sovietica na Polonia, e um dos “Arranha Céus de Estalin“, construido tambem pelos Russos na decada de 50 seguindo a identidade e arquitetura das “7 irmas” na capital Moscou.

 

– Comida

Bem, nao da pra negar, e se come muito bem na Polonia!

Nao que seja uma comida muito diferente, exotica nem sofisticada, mas eh aquela comida “de casa”, sempre bem feita e bem temperada, sabe?

Como quase todos os paises do centro-norte Europeu, a base de sua culinaria eh a batata e tuberculos em geral, legumes e carnes, principalmente de porco e pato.

O carro chefe da culinaria Polca eh o Pierogi, um misto de risole/pastel com um raviolli gigante. Os recheios e molhos sao variados, podendo ser vegetarianos, de carne de porco, de vitelo, de pato (meus dois preferidos), e podem ser cozidos ou assados.

E outro prato tipico que provei e A-MEI eh a sopa Zurek, servida dentro de um broa de milho!

E as bebidas?!

Bem, todo e qualquer drink feito com vodka “nacional” pode ser considerado uma bebida tipica da Polonia! Os bares e supermercados tem incontaveis prateleiras de opcoes de marcas, intensidade, sabores, filtragens…

De vodka eles entendem!

– Compras

Polonia nao eh exatamente um pais que nos vem a cabeca quando pensamos em “compras na Europa”, mas vale a pena dar uma passadinha nas lojas, pois como eles nao usam Euro ainda (a moeda nacional eh o Zloty), os precos la sao otimos e bem mais baratos que no Oeste Europeu.

Uma marca que vale a pena ficar de olho eh a “Inglot” que eu mencionei acima, uma gigante do mercado de maquiagens profissional e 100% Polonesa, que aos poucos esta ganhando o resto da Europa e do mundo.

Outra dica pra quem gosta de comprar coisas mais “tipicas” em suas viagems (meu caso!) sao as porcelanas Polonesas.

Eu fui apresentada a essas belezuras pela minha sogra que eh uma verdadeira colecionadora e tem pecas incriveis, colecionadas ao longo dos anos participando de feiras de antiguidades e em suas viagens – entao quando vi a variedade de pinturas e estamparias nas lojas da cidade antiga, nao resisti e tambem comecei minha colecao!

Baladas e gandaia

Bem, deixei o melhor para o final, ne?! Afinal esse foi o principal motivo que nos levou ate Varsovia!

A Polonia, e todo leste Europeu, tem fama de baladeiros (se a fama eh boa ou ruim depende da opiniao) e arrasta multidoes de Britanicos e Europeus em busca de suas festas e baladas, sendo praticamente a sede nao-oficial das despedidas de solteiros(as) da Europa!

Em Varsovia so tinhamos uma noite pra sair de verdade, entao nao pestanejamos e seguimos todas dicas e fomos direto para a regiao da rua Mazowiecka onde os bares e night clubs estao a cada porta.

Praticamente um rua inteira so de aopcoes de baladas e barzinhos, todos animadissimos ate altas horas.

Tinham nos recomendado a Opera, Platinum, Paparazzi ou Enclawa, e acabamos optando pela ultima – onde ficamos ate quase 6 da manha!

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13 Jun 2012
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Chernobyl: Homem X Natureza

Chernobyl, Dicas de Viagens, Ucrania

Uma amiga comentou no outro dia, que o mais divertido de viajar é ver o mundo, a vida e a historia acontecendo. Não só todas aquelas coisas que acontceram a milhares de anos atras e que lemos nos livros de história, mas sim oque esta acontecendo agora, ou oque acabou de acontecer. Afinal, viajar é ver com seus proprios olhos, onde a vida e a história acontecem.

E foi por isso que depois de muito debater e muito pesquisar, decidimos visitar Chernobyl na Ucrânia, como parte de nosso passeio.

Pode parecer meio macrabo para muitos, e oque ouvimos de piadinha sobre voltar da viagem com 3 bracos ou brilhando no escuro nao foi brincadeira! Mas assim como nossa visita a Auschwitz uns anos atras, eu acho importante conhecer de perto esses lugares que mudaram o curso da historia mundial – nao so aquela historia de Reis e Descobridores de seculos atras, mas sim aqueles coisas que se passaram a pouco tempo atras que tiveram um impacto direto na minha, na sua e nossa vida – e a seculos por vir, geracoes e mais geracoes vao ouvir falar desse dia e desses lugares, e da historia que nos estamos vivenciando agora.

Tudo bem que Chernobyl nao eh exatamente uma coisa que aconteceu ontem, mas ne, com a data de 1986, garanto que a grande maioria dos leitores por aqui cresceram ouvindo falar sobre esse acidente nuclear.

Os fatos basicos por si so ja sao impressionantes – mas tudo aquilo que lemos e ouvimos, meio que misturados a propaganda socialista, meio que no fim da Guerra Fria e a queda do Comunismo, fica dificil entender oque realmente se passou.

Mas estar la, ao vivo, vendo o Reator 4 a poucos metros de distancia e um contador de Geiger na mao foi realmente uma experiencia que me marcou pra vida! (nao no sentido literal da palavra, claro!)

A usina nuclear de Chernobyl fica nos arredores de Kiev, no norte da Ucrania, quase na fronteira com a Belarus. Sua cidade base era a pequena Pripyat, cidade modelo inteiramente contruida com o intuito de servir de base para a usina.

Pripyat foi o foco principal da visita, e onde passamos a maior parte do nosso tempo. E motivo eh bem simples: Pripyat hoje em dia eh uma cidade fantasma, 100% evacuada e abandonada por sua polulacao – parte da cidade foi destruida e enterrada pela exercido Russo, e oque sobrou, ficou a merce da natureza e do tempo, lacrada por quase 3 decadas – praticamente uma Angkor Wat do mundo moderno!

No dia 26 de Abril de 1986 pela manha, o corpo de bombeiros de Pripyat recebeu uma chamada de explosao e incendio no Reator 4 da Usina de Chernobyl. Esses bombeiros eram considerados os melhores da regiao, e chegaram ao local em 3 minutos recorde, controlando o incendio e cobrindo o buraco da explosao com concreto.

A explosao foi relativamente simples, nenhum funcionario da usina se machucou, e em questao de horas, o problema parecia estar sobre controle perante a populacao local – e o governo Sovietico estava disposto a manter a situacao assim, encoberta.

Porem, no momento que o reator explodiu a as cameras da usina foram abertas, as particulas nucleares entraram em rebulico e rapidamente se espalharam pela regiao, contaminando o ar, o solo, a agua e qualquer superficie na redondeza.

O problema eh que particulas radiotivas nao tem peso, nem cheiro, nem cor – e portanto a populacao local seguiu com a vida normalmente, sem saber que cada segundo que passava extrapolavam os limites saudaveis de exposicao a radicao.

Mas a nuvem contaminada se expalhou rapido, se espalhando por quase todo leste europeu ate atingir a Escandinavia – e so entao o governo Sovietico foi forcado a tomar acoes para remediar a situacao.

O primeiro passo: evacuar a zona de maior risco – os trabalhadores do Reator e a populacao de Pripyat.

E eh ai que a historia se torna tocante. Pripyat era uma cidade modelo, inteiramente construida (em 1970) pela Uniao Sovietica para ser o “espelho” de um mundo perfeito, onde tudo funcionava de acordo com os mandamentos da doutrina socialista, e a populacao era feliz e bem cuidada.

Os predios e casas eram modernas e confortaveis – a biblioteca era de ponta, com centenas de milhares de livros nas mais variadas linguas e a tecnologia disponivel a populacao era inexistente em outros estados da Uniao.

As escolas foram formadas para desenvolver os futuros lideres e cientistas da Uniao. Os ginasio esportivo, geraria os melhores atletas jamais vistos, e segundo nosso guia – pasmem! – a cidade tinha ate um restaurante! O apice do luxo, numa sociedade onde todos tem acesso apenas ao que eh fornecido (igualmente) pelo governo em suas lojas de distribuicao. Eles tinham ate mesmo um parque de diversao! (olha so o nivel do conforto! Ter o direito a se divertir!).

A cidade e sua felizarda populacao eram constantemente personagens e cenario de propagandas politicas onde a Russia tentava mostrar ao mundo Socialista que sim, o modelo proposto funcionava, e muito bem.

Pois bem. No dia 29 de Abril de 1986, apenas 3 dias depois da explosao do reator, o alarme da cidade soou, o exercido Sovietico invadiu a cidade, e seus cerca de 50.000 habitantes foram evacuados numa missao de guerra em cerca de (miseras!) 3 horas!

Nos andamos pela rota utilizada para a evacuacao da cidade, e todo material posteriormente abandonado pelo exercito (afinal, tudo ultilizado na operacao foi contaminado, e portanto deixado no “cemiterio” de Chernobyl) e o impacto que teve na populacao.

Nao eh permitido entrar em nenhum dos predios (aos poucos, eles estao se desmoronando), mas tudo foi deixado exatamente como estava.

Criancas foram retiradas da escola no meio da licao. Familias deixaram a comida no prato. Trabalhadores deixaram suas tarefas pela metade.

E isso foi aquele lembrete de que por tras de todo desastre, de todo fato historico, existem vidas – perdidas e afetadas para sempre. Imagina o desespero que deve ser ter que abandonar sua vida sem nenhum aviso, sem a chance de olhar pra tras nem poder levar consigo nenhuma memoria.

O parque de diversao abandonado e agora caindo aos pedacos – a evacuacao aconteceu dias antes da inauguracao da roda gigante, a atracao mais esperada pela populacao.

A serra eletrica do marceneiro que nao foi guardada de volta na oficina.

O colegio com a licao pela metade no quadro negro.

E o mais impressionante de todos, a creche que abrigava as criancas dos trabalhadores da Usina, uma das poucas casas que nao foram destruidas do bairro (os predios permanecem, mas muitas das casas foram demolidas para evitar contaminacao).

Talvez seja o impacto de imaginar a cena caotica e de panico envolvendo criancas tao pequenas, longe de seus pais sendo evacuadas pelo exercito… E do outro lado da cidade, pais sendo evacuados sem saber o paradeiro de suas criancas.

O sapatinho que ficou pelo chao. A boneca esquecida. Os bercos vazios. Os livros e jogos pisoteados…

A populacao foi obrigada a deixar suas casas e todos os seus pertences para tras, e foram transferidos para campos de refugiados em Belarus, sem ter direito a nem mesmo a roupa do corpo – afinal elas tambem estavam contaminadas.

Mas muito pouco se sabe sobre essa populacao de “sobreviventes”, e ate mesmo o numero de vitimas eh incerto.

Tecnicamente, ninguem morreu nem se machucou na explosao inicial, e alguns dos dados oficias Sovieticos da epoca apenas reconhecem 31 mortes – todos os bombeiros que acudiram a explosao morreram cerca de 1 semana depois (a descricao do guia foi que eles cozinharam de dentro pra fora, devido a exposicao exagerada a radiacao), assim como os trabalhadores da Usina que estavam na area imediata.

Mas os dados recolhidos entre 1986 e 2000 mostram numeros muito diferentes, incluindo dados de incidencias altissimas de cancer de tireoide, deformacao de fetos e recem nascidos, e a populacao das outras cidades vizinhas, que em alguns casos demoraram anos para serem relocadas para regioes seguras.

A devastacao economica tambem nao pode ser esquecida, e muita gente atribiu a Catastrofe de Chernobyl como uma das principais causas da queda da URSS 4 anos depois, tamanho foi o impacto politico, social e economico na Uniao, que incliu um embargo a todo e qualquer produto plantado, colhido e produzido em todo Leste Europeu, levando ao colapso economico de paises inteiros (muitos deles ainda vivem na pobreza ate hoje – a Ucrania inclusive).

A regiao ficou vedada por mais de duas decadas e so voltou a ser aberta ao publico nao-cientifico e de manutencao nos ultimos anos – e esse abandono se ve em cada esquina.

Alem daquela sensacao de estar andando no set do The Walking Dead completamente abandonado, eh incrivel ver como rapidamente a natureza reclama seu espaco e pouco a pouco foi tomando conta do lugar.

Quando visitamos lugares como Roma, Egito ou Angkor Wat, saimos impressionados de como construcoes sobrevivem o teste do tempo, ainda estando de pe milenios depois – ja em Chernobyl a sensacao eh justamente o contrario – como a sociedade moderna eh fragil perante a natureza, e como tao facilmente as coisas podem dar errado!

Afinal se pensarmos bem, sao menos de 3 decadas – um nada historicamente falando!

Eu lembrei muito de Angkor Wat enquanto estava em Chernobyl, e o fato de que as construcoes no Camboja, em pedra macica, sobreviveram ao tempo, e quase mil anos depois, ainda estao la, em meio a natureza, com galhos e troncos decorando as paredes e colunas.

Ja Chernobyl, pouquissimas geracoes terao o privilegio de ver de perto antes que tudo seja destruido pela natureza, que ano apos ano, inverno apos inverno, vai destruindo e se infiltrando no chao de concreto e nas paredes de tijolo construidos na decada de 1970.

Como visitar Chernobyl na Pratica:

Nossa visita, que para muitos de nossos amigos e conhecidos foi classificado como “loucura” soh foi decidida depois de muita pesquisa e a certeza de nossa seguranca.

Afinal, piadinhas a parte, eu queria me certificar que o passeio seria seguro e nao sofreriamos nenhuma sequela nem consequencia devido a exposicao a material radioativo.

E o resultado da pesquisa foi positivo: a regiao de Chenobyl esta longe de ser o lugar mais saudavel do planeta, e entrar na area restringida eh cercado de regras e restricoes, mas para meros visitantes como nos, tomando certos cuidados, e passando apenas algumas horas por la, teria o mesmo efeito da exposicao radioativa de um voo transatlantico – como faco muitos desses por ano e ainda nao cresci um terceiro braco, me senti segura (menos que um Raio-X no dentista).

As regras a seguir durante o passeio sao tao simples como: nao comer nem beber nada la dentro (eles transportam agua e comida diariamente para cozinhas especiais – nos almocamos junto com os funcionarios de manutencao da usina), nao tocar em absolutamente nada sem a permicao do guia. Nao caminhar fora das trilhas permitidas, nao pisar em pocas d’agua nem lama, nem pisar nas plantas de musgo que crescem no chao (que sao extremamente radioativas e contaminadas).

Todos nos passamos por uma inspecao na entrada e na saida da area de protecao, e se por acaso algum de seus pertences estivessem contaminados, essa peca sera destruida imediatamente (nosso guia disse que o mais comum eh ver turistas voltando pra casa sem sapato, por pisarem em locais proibidos).

Outro detalhe importantissimo eh que as visitas turisticas sao apenas feitas por pouquissimas agencias autorizadas e com guias treinados (que tambem seguem regras serissimas de rotas e expedientes e check up de saude) e autorizadas pelo Governo da Ucrania e da Agencia Europeia de Seguranca Nuclear.

Sua requisicao de visita deve ser feira com no minimo 11 dias uteis de antecedencia, e pedidos com menos tempo que isso sao imediatamente recusados.

Seu formulario eh encaminhado da agencia pro governo, eles analizam sua ficha e enviam a autorizacao diretamente pra agencia – nos soh ficamos sabendo que tinhamos sido aceitos 3 dias antes da viagem!

A fiscalizacao eh rigida, seu passaporte deve ser carregado e presentado o tempo todo em varios check points, onde os guardas verificam se cada um de nos tinha mesmo recebido permissao do governo para estar ali dentro (um carinha Espanhol do nosso grupo foi barrado – e atrasou nosso passeio em quase 2 horas! – porque preencheu a ficha com o nr da Carteira de Identidade, mas apareceu por la com o passaporte; que foi imeditamente recusado e foi enviado de volta a Kiev).

Nosso tramite e visita guiada foi todo feito pelo Yuri, da agencia  UkranianWeb, que foi super prestativo, esclareceu todas as nossas duvidas e falava um Ingles perfeito!

E como valeu a pena essa trabalheira toda, viu! Visitar um lugar como Chernobyl eh dessas experiencias e licoes de vida que te mudam pra sempre!

 

 

Adriana Miller
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26 May 2012
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Kiev: a capital mundial das Igrejas Ortodoxas

Dicas de Viagens, Kiev, Ucrania

Como disse no post anterior, esse “titulo” foi eu que inventei mesmo – sem nenhum censo nem pesquisa teologa-arqutetonica como embasamento. Mas acho dificil achar outra cidade que tenha tantas catedrais Ortodoxas (Patriarcado Russo) por metro quadrado como Kiev!

E nao importa como voce vai tentar organizar seu passeio pela cidade, pode ter certeza que qualquer roteiro em Kiev terah as Igrejas como atracao principal.

Mas tambem pudera – Só Catedrais sao 5, sem contar o maior monastério Ortodoxo do mundo, que so la dentro sao mais 9 Igrejas.

Para onde voce olhe, la estao elas… enormes, coloridas e com suas cupulas douradas reluzindo no sol. Um contraste inconfundivel numa cidade tao cinza!

Seus formatos e suas cores sao magneticas para qualquer camera fotografica, entao nosso fim de semana em Kiev se rezumiu a basicamente isso, rodar a cidade em busca dos melhores angulos de cada uma de suas catedrais – sempre admirando a devocao dos Ucranianos, que encabecam a lista de povos mais devotos e religiosos da Europa!

A qualquer hora do dia ou da noite, as Igrejas estavam sempre cheias de peregrinos e devotos, de todas as idades, sexos e classe sociais. As mulheres sempre de cabeca coberta (mas com as pernas super de fora!) e todos trazem suas flores para oferendas. Eh um ritual contagiante!

A Igreja de Santo Andre (Андрiївська церква em Ucraniano), nao eh a maior nem a mais imponente da cidade, mas sua localizacao, no topo da colina Andriyivska no bairro boemio Podil, lhe da um destaque sem igual.

Suas cores em tons de azul e verde, com detalhes em dourado combinam perfeitamente com o verde jardim a sua volta e o azul do ceu, ja que voce sempre vai olhar a Igreja de baixo pra cima!

A localizacao da Igreja foi escolhida a dedo pelo Principe Vsevolod I, no local onde supostamente o Apostolo Andre ergueu uma cruz e declarou que a cidade deveria virar Crista – mas principalmente, num ponto que se sobresairia na paisagem da cidade.

O problema eh que esse local tao minuciosamente escolhido tem uma pessima fundacao, e a igreja esta aos poucos afundando e rachando. Entao no momento ela esta passando por uma grande reforma de restauracao e reconstrucao de sua fundacao, e todo bairro Podil esta interditado por causa disso.

Ja a Catedral de Santa Sofia eh um dos principais icones da cidade, e junto com o Monasterio das Cavernas foi reconhecido como Patrimonio da Humanidade pela Unesco.

Diz a lenda que a Catedral recebeu esse nome em homenagem a Hagia Sofia de Istambul e eh dedicada a “sabedoria sagrada” e nao a Santa Sofia, assim como a versao Turca.

As contruções foram iniciadas em 1011 sob o reinado de Vladmir, O Grande e portanto tomou um banho de loja  na ultima década em preparação a comemoração de seus 1000 anos em 2011!

A Catedral tambem tem, alem da Igreja principal, um Campanario e a torre do Sino e uma estrutura separa que hospeda o museu “Sofia de Kiev” – tudo isso em arquitetura Bizantina, com 5 naves internas e 13 cupulas externas, em tons de verde e branco.

Dividindo a mesma praca, bem ali do outro lado da rua esta a Catedral de Sao Miguel, ou Mykhailivsky.

As duas se complementam perfeitamente, criando uma praca que eh o coracao turistico e religioso (e fotografico!) de Kiev.

A Catedral ainda eh um Monasterio em atividade, e foi construida cerca de 100 depois da Sofia, em 1108 aob o governo do principe Sviatopolk II Iziaslavych que quiz construir uma Igreja em homenagem a seu santo patrono, o arcanjo Miguel, que era considerado o patrono de guerreiros e vencedores, em homenagem a vitoria de Sviatopolk II na batalha contra os barbaros Hungaros.

As cupulas douradas eram de ouro macico, e foram inteiramente destruidas e roubadas quando pais foi invadido pelo exercito Mongol no seculo 13 – que desfez o monasterio que estava baseado ali e fez com que a Catedral ficasse abandonada por varios outros seculos.

Mas a Igreja foi reconstruida no seculo 15 e passou a abrigar quase 300 monges, e passou a ser a principal Catedral da cidade – entre o seculo 15 e a revolucao Russa de 1917, eram os monges da Sao Miguel que craivam as joias da realeza e os aneis Reais dos monarcas Ucranios. Acreditava-se que os aneis manufaturados e abencoados pelos monges tinham poderes anti-bruxaria e protegeriam os Reis de doencas e morte subita, ja que o Monasterio Sao Miguel foi um dos poucos lugares na Ucrania a nao serem afetados pela peste negra na Europa.

Mas ainda assim, nenhum Monasterio tem a importancia e imponencia do Monasterio das Cavernas, o Pechersk Lavra.

Esse Monasterio eh considerado o centro da religiao Ortodoxa do Leste (Russa), como se fosse uma especia de Vaticano Ortodoxo., alem de tambem ser a residecia oficial do Volodymyr Sabodan, o “cabeca” da Igreja Ortodoxa (o “Papa” Ortodoxo).

Entao todos os anos sao centenas de milhares de peregrinos que viagem todo o continente para visitar e prestar suas homenagens e pagar suas promessas no Pechersk Lavra.

A estrutura do Monasterio eh gigantesca, incluindo nao so a Igreja principal, a Catedral Dormition e as cavernas subterraneas e mais outras 8 igrejas espalhadas pela area cercada pela muralha do monasterio.

E lá dentro é que a gente se dá conta da fé dos Ortodoxos.

Quando comecei a planejar a viagem eu tive bastante cuidado em pesquisar as datas, pra justamente não coincidir com nenhum feriado religioso (fomos no nosso feriado da Pascoa, mas a Pasco Ortodoxa é sempre na semana seguinte), e mesmo assim acabamos deixando pra ir lá no Domingo e ficamos impressionados com a quantidade de gente peregrinando e rezando nas igrejas.

No horario das missas, em cada uma das igrejas, a quantidade de pessoas era tanta, que os patios em frente a cada Igreja tambem ficava lotado, e os Padres saiam da Igreja pra estendar a bençao ao pessoal que não conseguiu lugar lá dentro!

E isso sem mencionar que o interior das Igrejas Ortodoxas tendem a ser enormes, pois elas tem uma arquitetura bem diferentes das Igrejas Ocidentais que estamos acostumados.

E claro, vale a pena falar do interior das Igrejas!

Geralmente não é possível tirar fotos dentro de Igrejas Ortodoxas, e Kiev não foi exceção (oque foi uma pena, pois todas são lindíssimas!)

Mas por sorte, logo que entramos em Pechersk Lavra, enquanto tentavamos fugir da multidão na saida das missas, entramos numa das igrejas menorzinhas e secundária, e por sorte, pudemos comprar o “passe” para fotografia que nos permitia fotografar lá dentro! E não tinha mais ninguém!

Logicamente, em segundos sacamos nossas câmeras e começamos a registrar os detalhes incríveis!

O nivel de detalhe dentro das Igrejas e Catedrais Ortodoxas é incomparável – na primeira viagem que fiz pra Moscou, fizemos o Tour do Kremlin (e ano passado também fizemos um tour parecido nas Igrejas da Romênia) onde aprendi sobre a arquitetura e organização hierárquica das igrejas Ortodoxas.

Pra começar que elas não tem aquela divisão de nave e altar que estamos acostumados – o interior das Igrejas é um grande vão aberto, sem cadeiras, sem coxia etc.

Todos ficam de pé como iguais, e lá na frente esta o Abside, uma espécie de Altar, que fecha toda a frente da Igreja, e geralmente os padres e os rituais são feitos por tras dessa barreira.

Mas oque impressiona mesmo são as pinturas em cada milímetro quadrado das paredes. E o motivo é simples – na idade média o proletariado não tinha direito a alfabetização, e portanto não sabiam ler a Bíblia.

Portanto a unica maneira da população aprender os ensinamentos da Igreja era atraves de imagens e pinturas, contadas nas paredes das Igrejas. Então cada igreja conta sua história, mas todas tem em comum as imagens que decoram a porta de saida da igreja, onde sempre mostram imagens do paraiso e inferno – aquele ultimo lembrete dos beneficios de seguir as doutrinas que voce acabou de aprender ou não.

Por fim, a ultima grande Catedral que visitamos a São Vladimir, que fica no Oeste da cidade, e se destaca por suas cores espalhafatosas – amarelo ovo nas paredes, com cúpulas azul celeste e muitas estrelas douradas.

Essa é a igreja mais recente de Kiev, mas tem um diferencial – foi construída pela população.

Em 1800 e poucos, o Patriarcado de Moscou sugeriu a construção de uma igreja pra comemorar os 900 anos do nascimento de Vladimir, O Grande, um Principe Ucrâniano que virou Santo ortodoxo após sua morte.

A população ficou comovida, e fiéis ortodoxos de todo mundo enviaram suas contribuições para financiar a construção da Igreja, e cerca de 30 anos depois a Igreja abriu suas portas pela primeira vez.

 

Adriana Miller
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25 May 2012
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Ucrânia – a joia escondida do Leste Europeu

Dicas de Viagens, Kiev, Ucrania

Uns dias antes de embarcarmos na nossa viagem pra Ucrania, na Pascoa (comeco de Abril 2012) estavamos jantando com um casal de amigos e gerealmente a pergunta que todos nos fazem sempre eh: “qual a proxima viagem?!”.

A resposta, “Ucrania”, veio misturada com expressoes de confusao e espanto. Onde? Quem? Porque???

Eu estou longe de considerar a Ucrania um doa paises mais “exoticos” que ja fui, mas poucos destinos causaram tanta comocao e surpresa entre nossos grupos de amigos – mas a verdade eh que Kiev estava na minha lista ha anos, mas a oportunidade certa nunca chegava.

Eh uma pena que o pais seja tao pouco explorado pelo resto do mundo, sendo uns dos lugares de mais importancia e imponencia no Leste Europeu e entre as regioes da antiga URSS.

Kiev eh a capital do pais, e era a cidade braco direito de Moscow durante o periodo Sovietico – e essa historia recente esta presente em todas as esquinas.

Mas pra mim, Kiev sempre teve uma unica imagem: a capital mundial das Igrejas Ortodoxas!

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Esse “titulo” (obviamente inventado por mim e sem nenhuma legitimacao), eh 100% condizente a quantidade incrivel de igrejas Russas Ortodoxas espalhadas pela cidade. Nenuma delas eh tao imponente quanto a Sao Basilico em Moscou, por exemplo, mas enquanto varias outras cidades do Leste Europeu tem uma Catedral Ortodoxa pra chamar de sua (por exemplo em Tallin, em Helsinque, Sofia e Bucareste, para citar algumas), mas nenhuma delas eh tao colorida e espalhafatosa quantos as igrejas de Kiev.

A cidade foi destruida por guerras e conflitos, e em termos gerais, eh uma cidade feia e sem vida – ainda com muitas cicatrizes deixadas pelo regime Socialista e a pobreza da Cortina de Ferro da regiao. Mas sao as Igrejas de Kiev que espalham cor e fe por todas as esquinas.

A vista da cidade eh salpicada por cupulas douradas e colunas de todas as cores – aliais, em belo estilo tipico (e estereotipico) do Leste Europeu – eles nao poupam nas cores: nos predios, nas flores, nas igrejas, nas roupas e nos cabelos.

Eita povo colorido! Se toda essa misturada se encaixa nos padroes de beleza que estamos acostumados ou nao, ai isso ja eh outra historia, mas o exagero arquitetonico e fashion da cidade e de seus cidadaos, definitivamente compensa pelo clima frio e cinzendo e os predios feios da heranca Socialista.

Mas se prepare pra ouvir falar muito sobre a Ucrania num futuro bem proximo!

Apesar de ainda ser um dos paises mais isolados do continente Europeu, pouco a pouco eles estao se abrindo para o mundo, e o primeiro grande passo eh sediar a EuroCopa de 2012 em parceria com a Polonia, que vai comecar agora em Junio. Segundo os locais, Kiev sera a “proxima Praga”!

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Um plano ambicioso, mas para isso a cidade esta se modernizando, dando aquela faxinada geral, e acima de tudo se preprando para abrir suas portas para o resto da Europa.

Mas viajar pra la ainda nao eh dos destinos mais faceis, e por isso mesmo nao entra no roteiro de muita gente, e demorou tanto anos pra sair da minha listinha de viagens.

Pouquissimos voos e cias aereas conectam a Ucrania (principalmente Kiev, a capital) com outras cidades Europeias, e atualmente a unica cia de Low cost que voa para o pais eh a Wizz Air, e ainda assim com dias e horarios muito restritos, oque sempre nos fez “deixar pra depois”.

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Saindo de Londres, a melhor opcao de voo pra chegar em Kiev eh a British Airways, que tem alguns voos para a capital Ucraniana algumas vezes por semana, e que por acaso casaram direitinho na nossa disponibilidade do feriado prolongado da Pascoa.

Europeus, Brasileiros e Americanos nao precisam de visto para entrar na Ucrania, mas o pais nao faz parte da Comunidade Europeia, e portanto tem suas proprias regras de imigracao e controle de fronteira.

Mas ainda assim o voo eh longo (3 horas e meia, oque eh um voo bem longo para padroes Europeus) e com 2 horas de fuso horario, oque “come” bastante tempo de qualquer viagem.

As opcoes de hospedagem tambem nao sao das melhores – tanto no segmento de hoteis de luxo e internacionais, quando no segmento de albergues, as opcoes nao sao muito abundantes, e de maneira geral, os precos sao bem caros para oque se recebe em troca.

Nos preferimos alugar um apartamento do Best Kiev Apartments, recomendado pelo nosso guia, que foi uma otima opcao de preco e localizacao, mas que por outro lado deixou a desejar numa cidade com tao pouco infraestrutura turistica.

Digo isso porque Kiev eh o tipo de lugar onde quase ninguem fala Ingles, onde nao existe ponto de informacao turistica, e tudo que vemos pelas ruas eh escrito em Cyrilico e nem adianta tentar pedir informacoes na rua pois ninguem fala Ingles. Entao o fato de estarmos num apartamento, e nao num hotel com recepcao, concierge e tal, atrapalhou nossa “desenvoltura” na cidade.

Entao nossos pontos de apoio acabaram sendo os hoteis Radisson Blu, que ficava no nosso quarteirao (onde os recepcionistas foram super gentis e prestativos, mesmo nao sendo hospedes) e o hotel Hyatt que fica na praca da Catedra Santa Sofia, onde devido a sua localizacao super privilegiada (e com vistas lindas) nos batemos ponto no bar da cobertura quase todas as noites! Entao ambos sao otimas opcoes de hospedagem na cidade, e se pudesse voltar a tras, teria ficado num desses hoteis – mas pra quem nao quer gastar muito, os apartamenos alugados sao otimas opcoes!

Uma dica que ja dei sobre varios paises e continua sendo super valida na Ucrania eh a atencao com a lingua – O Ucraniano (que eu ignorantemente vou generalizar e dizer que eh uma variante do Russo) eh a unica lingua de fato falada e entendida na Ucrania, mesmo na capital Kiev. Entao eh sempre bom ter cuidado com enderecos e nomes, pois oque aparecer no seu guia de viagem nao vai ser o mesmo que no mapa que vao te dar na recepcao.

Sempre tenha enderecos e instrucoes anotadas direitinho em Cirilico para evitar apuros, e nunca saia de casa sem o cartaozinho que explica exatamente pra voce vc quer chegar/voltar.

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A moeda na Ucrania eh a “Hryvnia”, e eh uma moeda que soh circula no pais. Eles nao aceitam dolar nem Euros, mas a moeda nao pode ser comprada no exterior.

Entao chegue na Ucrania com uma reserva em Dolares ou Euros, e aproveite a casa de cambio minuscula no saguao do aeroporto pra fazer o cambio e ja sair do aeroporto com algumas Hryvnias na mao, so pra garantir.

Mas foi facil achar caixa eletronico que aceitem cartoes internacionais e outras caixas de cambio ao redor da cidade, entao nao tivemos problemas com dinheiro.

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mas eh sempre bom ter uma boa quantia de Hryvnias em dinheiro vivo, ja que muitos lugares nao aceitam cartao de credito nem debito.

Na epoca que viajamos a Hryvnia esta mais ou menos 1 pra cada 8 dolares.

 

E claro, ja que voce esta por la, aproveite pra comer um Frango a Kiev (em Kiev!!) e a deliciosa e tradicionalissima sopa Borshch!

 

Adriana Miller
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