01
Dec
2010
Kilimanjaro – Equipamento: oque usamos e oque valeu a pena levar
Escrito por Adriana Miller

Antes de viajar pra Tanzania eu fiz um post com todos os itens de equipamento que a agencia recomendou que levassemos pra viagem. Alem disso, fui seguindo as dicas do Aaron, que tem bem mais experiencia nesse tipo de viagem, mais outros amigos que já tinham escalado o Kili em anos anteriores.

Mas ainda ficava aquela duvida: sera que preciso isso tudo mesmo? Vai faltar alguma coisa? Vou passar frio? Vou passar calor? Vou ficar desconfortavel? Afinal, cada item dessa lista era bem caro, e rolava aquela insegurança de gastar uma fortuna em coisas que nao usaria nunca.

Entao aqui esta o post que finalmente faltava pra fechar a saga Kilimanjaro – bem a tempo de comecar a preparação pra nossa proxima viagem de escalada/hikking/aventura (daqui a 5 meses!).

Bem, pra começar afirmando, que sim. Definitivamente usei absolutamente tudo que a agencia recomendou que levassemos. Por mais que todo mundo quisesse meter o bedelho e dar sugestões e opiniões, eu preferi seguir a opinião dos experts, e achei que numa situação tão extrema como seria o Kilimanjaro (e foi!) pecar por excesso nao seria tao ruim…. o problema seria perceber que não levei alguma coisa importante a 4 mil metros de altura!

O item mais importante de TODOS sem duvida foi a bota de caminhada. Na verdade a bota eu já tinha, e é importante usar uma bota “usada”, e mesmo assim nas duas ultimas semanas antes da viagem, eu usava minha bota pra tudo quando é canto, pra ir moldando ao meu pé, ir “engrossando” a pele e amaciando a sola. Otimo conselho que eu acatei e deu super certo, pois nao tive nenhuma bolha sequer pra contar historia!

Os itens que ocupam o segundo lugar na lista de importancia foram as coberturas a prova d’agua – os “shell”. Nós realmente demos MUITO azar com o clima, e mesmo viajando na epoca de seca e escolhendo a trilha mais seca da montanha, pegamos chuva TODO dia dos 6 dias de escalada. Mas com ou sem azar, em qualquer montanha que seja tão alta, o clima é muito instavel, e as estações podem mudar repentinamente varias vezes por dia. E voce tá lá, completamente exposto aos elementos, chova ou faça sol.

E quando choveu, so mundo desabou! E quando nao estava chovendo, estavamos caminhando neblina adentro, que deixa tudo igualmente molhado. Entao uma OTIMA capa de chuva (com capuz e viseira, pra proteger seu pescoços e rosto), calça de caminhada a prova d’agua e capa para mochila.

E foi isso que eu usei todos os dias, do primeiro ao ultimo dia da viagem.

Depois vieram os itens de “camadas”. Como disse, o clima é super voltail o dia todo, entao de um segundo pro outro, o tempo virava completamente de um super frio com chuva, pra um sol estonteante. E isso, somado ao exercicio fisico de subir a montanha, me dava umas ondas de calor imediatas!

Com a blusa de fleece ultra grossa

E nessas horas, as camadas iam sendo retiradas uma a uma, ou vestidas uma a uma. O melhor investimento foram as blusas de Lã Merino e os casacos de fleece. Então facilmente eu colocava ou retirava 3 ou 4 camadas de roupa sem grandes complicações.

Colete de plumas por cima da blusa de Lã Merino

E um outro iten que o Aaron me convenceu de levar (ele tinha 2) foi um colete de plumas – esquenta o torso, mas deixa os braços fresquinhos, e era oque geralmente eu amarrava do lado de fora da mochila, para ter acesso facil quando paravamos pra descansar, beber agua e comer no meio da montanha – porque mesmo nos momentos de calor durante a subida, 30 segundos depois que voce para de caminhar no vento ou neblina a temperatura do corpo cai drasticamente!

A mochila é outra coisa que pode facilitar demais sua vida, ou virar um calvario! Nossas malas com saco de dormir, roupas, e tal eram levadas pelos carregadores, mas todo dia tinhamos que carregar uma “day pack” com mudas extras de roupas (as camadas), agua, barras de cereal, trail mix, filtro solar, camera fotografica, kit farmacia e oque mais voce quiser carregar. Mas ao longo do dia, cada grama a mais nas suas costas, a cada minuto a mais que vc esta andando, vai pesando mais e mais. Entao é importante usar uma mochila anatomica, com uma boa estrutura e bem ventilada nas costas, que tenha capa de chuva embutida (para acesso rapido quando começava o temporal).

A mochila

Mas oque fez a diferença MESMO, foi levar uma “pochete”! É feio, é brega, podem falar oque for… mas foi a ideia mais brilhante que tive em toda essa viagem!

A pochete em ação!

Essa pochete ficava presa na minha cintura o dia todo e assim me dava facil acesso as cosias mais urgentes, sem ter que me “desenrrolar” toda da mochila, na chuva, cheia de casacos e tals. Entao na pochete eu carregava minha camera fotografica, rolo de papel higienico, lip balm, filtro solar, garrafa de agua, e mais qualquer outra coisa que eu pudesse precisar ao londo do dia.

O lanchinho que estava guardado na pochete

Outra coisa que tive a idea brilhante de levar e nao só foi usada todo os dias, o dia todo, como ainda me salvou: uma faixa de cobrir orelha – feit de fleece duplo e com fecho de velcro.

A faixa tapa-orelha

Assim eu ficava com minha cabeça e orelhas sempre quentinhas (muito importante pra balancear a temperatura do corpo), escondia o estado precario do cabelo sujo (6 dias sem lavar!), era facil de colocar e tirar (tinha um velcro na parte da nuca) e nao ficava embaraçando nem abafando meu cabelo (um problemão pra quem tem muito cabelo como eu).

Nos ultimos dias antes da subida do Summit, o frio foi apertando mais e mais, principalmente durante a noite, com temprarturas ingratas abaixo de zero e um vento impiedoso, e a unica peça de roupa que realmente fazia a menor diferença foi um SUPER casaco de plumas.

Tanta roupa e tantas camadas que se eu me jogasse lá de cima, ia quicando atéééé lá embaixo!

O problema é que um bom casaco de plumas é uma peça MUITO cara… e comprar um casaco qualquer meia boca, poderia ser perigoso demais, entnao decidi não comprar nenhum e usar um dos casacos que o Aaron já tinha. Obviamente ficou gigantesco em mim, mas como esse modelo tinha fechos de ajuste nas mangas e na cintura, e nós dois temos mais ou menos a mesma altura, acabou dando certo e eu fiquei ultra quentinha!

A lanterna de cabeça, eu achei que só seria usada durante a escalda final, que passamos quase 7 horas caminhando completamente no escuro, mas na verdade eu usei todas as noites, porque simplesmente estavamos no meio do NADA e nao tinha nenhuma luzinha em lugar nenhum. Então entre a barraca e o banheiro, pra ir até a tenda refeitorio, escovar os dentes, ler um livro…

Nós levamos 3 lanternas – uma pra cada um, e uma extra – mais baterias extras, e logicamente, acabamos usando as 3! Então foi otimo ter uma lanterna de emergencia, pois teria sido impossivel caminhar no escuro sem ela!

Todo o resto das coisas que levamos foram usadas com mais ou menos intensidade ao longo da viagem, mas definitivamente não foram tao importantes quanto esses itens ai em cima.

Das coisa que eu achei inuteis, e nao pretendo usar de novo em outras viagens fora:

As “bengalas” de caminhada (Walking sticks), pois achei um incomodo e um movimento cansativo a mais, ter que ficar coordenando os braços e levantando e abaixando aquele ferrinho o dia todo repetidamente!

Mas isso é uma coisa super individual, que eu levei, mas pra mim nao deu certo (usei apenas pra descer, quando meu joalho começou a doer, então serviu como bengala mesmo) mas o Aaron por exemplo, esta tão acostumado que nao consegue manter o ritmo de caminhada se nao usar dois sticks. Então apesar de ter achado um pouco inutil, acho que vale a pena ter só pra ver como vai ser.

O Camel Back (um saco de plastico com um canudo, pra beber agua sem ter que usar uma garrafa) foi outra coisa que achei desnecessaria, pois dois motivos: o primeiro foi sem duvidas o gosto de plastico que deixava na agua, que nao suportei, e o segundo e motivo e mais importante foi que o canudo congelava! O saco com a agua podia ficar protegido do frio dentro da mochila ou ate memso dentro do casaco, mas os restos de agua que ficavam no canudo, nao dava pra evitar, e acabavam cristalizando, e entupindo tudo!

O canudo azul do meu Camel Back

Entao acabei usando minha garrafinha de metal de 0,5 litro, pois assim ela encaixava certinho na pochete, tinha um bico pra beber e uma tampa, e assim achei que era bem mais facil medir e regular os 3 a 4 litros de agua que eu tinha que beber todos os dias!

De resto, as meias de la foram otimas, o oculos de sol eu usei o tempo todo (mesmo nos momentos de cminhar dentro na neblina, o reflexo do sol me incomodava demais), bone, luvas de lã e todos os itens da minha necessaire!

Por fim, a Paula me fez uma pergunta importantissima nos comentarios: E as baterias das cameras?!

Bem, eu levei duas cameras (a Sony Cybershot HX1 e a Sony Cybershot DSC-W170) e como sempre tiro muitas fotos, seja qual for a viagem ou ocasião, eu tenho duas baterias para cada uma delas.

Mas alem disso, como sabia que passaria dias sem acesso a eletrecidade, e a vida util de baterias é muito impactada por temperatura muitos baixas e altitude elevada, fiquei morrendo de medo de acabar ficando sem baterias lá em cima.

E foi então que descobri o Pebble no site da Amazon.co.uk! O Pebble é do tamanho de um Blackberry, mas na verdade é um carregardor portatil; ele vem com cerca de 15 “ponteiras” que se encaixam nos mais variados aparatos: cameras de video, fotograficas, celular, Blackberry, iPhone, iPad, celulares variados, bla bla bla. É só carregar seu Pebble no seu computador (por USB) e uma vez carregado, ele tem energia suficiente pra regarregar um Iphone 3G 4 vezes (o iPhone tem uma bateria pessima, que nao dura mais que 1 dia, e é considerado o aparelho que mais “come” energia), ou um celular comum inumeras vezes, cameras fotograficas e tals.

Então foi isso que nos salvou no Kili! E nos permitiu tirar mais de 2.000 fotos (cada um!) mesmo sem energia eletrica.

(Nao. Infelizmente nem a Amazon, nem o Pebble pagou por esse post :-) Mas se surgir interesse, estamos ai!)

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
23
06
Oct
2010
Dia 6: O ultimo dia no Kilimanjaro!
Escrito por Adriana Miller

O ultimo dia foi magico… Apesar daquela dia/noite miseravel que tivemos, acordamos com um sol maravilloso! Tudo que estava molhado na noite anterior secou em questao de minutos quando estendemos nossas roupas e sapatos no sol pelo chao do acampamento.

E estava aquele clima de despedida no ar… Os carregadores, os ajudantes…

Durante o café da manha organizamos nossas financas em grupo e decidimos oque iamos dar de gorjeta para cada um deles, quem faria os discursos (o Aaron foi o eleito) e finalmente tivemos animo para conversar sobre o dia anterior e nossos feitos! Quem tinha chegado ate que ponto, as historias de horror dos que passaram mal, a ajuda que receberam dos guias e da equipe de apoio, e todas as nossas impressoes finais da viagem.

Fizemos nossa “ceremonia” de gorjeta, que foi nossa oportunidade final de agradecer e nos despedir de todos os ajudantes e carregadores, tirar muitas fotos e seguir viagem!

Ainda tinhamos mais 6 ou 7 horas de caminhada pela frente, para finalmente sair do Kilimanjaro!

E a caminhada foi uma delicia! Como eu queria que todos os outros 5 dias tivessem sido!

O sol maravilhoso, a paisagem de tirar o folego, as vistas de Mawenzi e Kibo (Uhuru), as plantas diferentes… O humor de todo mundo estava completamente diferente, e a cada passo iamos nos sentindo melhor e melhor!

Mas foi uma caminhada muuuuito longa, e a partir da metade (depois de umas 3 ou 4 horas descendo) a trilha comecou a ficar muito ingreme, e foi ai que senti que tinha alguna coisa muito errada com meu joelho! Uma dor e um incomodo estranho, como eu nao tinha sentido ate entao… alguna coisa “empurrando” minha patela para fora da minha perna!

Passei a caminhar mais devagar, tentando compensar mais na perna direita. Ate entao meu joelho direito estava intacto, mas depois de umas 2 horas mancando, o joelho direito comecou a doer tambem, e pra completar, umas fisgadas na coxa direita (acho que estava andando muito torta e tudo ficou meio desconjuntado…).

Quando paramos para almocar no acampamento Mandara, eu nem consegui sentar (no chao), pois sabia que probablemente nao iria conseguir me levantar!

As ultimas 2 horas da descida foram simplesmente torturantes, mas nao tinha nada que eu pudesse fazer aquela altura. Tinha que sair do parque eventualmente, e a ideia de poder tomar um banho quente era tentadora demais!

E finalmente conseguimos! Depois de 7 horas montanha abaixo chegamos no portao final – e ainda tivemos que lidar com a burocracia final de registro do governo da Tanzania, devolver os equipamentos alugados e seguir pro hotel amontoados num jeep capenga!

Mas a recompensa… Ah! A recompensa…!!

Acho que passei umas 3 horas debaixo da agua fervendo do chuveiro…

Eu queria ir direto para cama, mas ainda tinhamos que ir jantar com o grupo e participar do briefing final, onde iam nos explicar sobre o safari e os proximos dias que estavam por vir! E aproveitei tambem para me re-conectar com o mundo e usar a Internet do hotel um pouquinho.

A esse ponto meu joelho esquerdo estava do tamanho de uma bola de futebol, entao fui medicada, enfaixada e coberta de gelo!

O Makeke veio nos ver uma ultima vez e trouxe nossos certificados de conclusao!

A noite for extremamente mal dormida pois tudo doida e parecia fora do lugar… apesar de estar meio grogue por causa do cocktail de comprimidos que me deram, eu nao conseguia me mexer direito na cama (Macia demais? Limpa demais? Quentinha demais? Seca demais? Cheirosa demais?!) e por incrivel que pareca foi a pior noite que tive desde o comeco da viagem!

Mas engracado memso foi no café da manha no dia seguinte, onde todos reclamaram da mesma coisa!

E entao comecamos o Safari!!

P.S. Meu joelho ja esta quase 100% recuperado. AInda vai demorar um tempinho pra poder voltar a correr, mas pelo menos nao doi mais, e nao aconteceu nada serio.

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
18
05
Oct
2010
Dia 5 (continuacao): de Kibo Hut a Horombo Camp
Escrito por Adriana Miller

O dia 5 foi uma especia de dia da Marmota… aqueles dias que nunca acabam e as coisas se repetem mil vezes na sua cabeca…

Esse dia, que na verdade comecou ainda na noite do “dia 4″, teve toda escalada final ate Uhuru Peak, e como se nao bastasse, depois de uma misera hora de descanso, seguimos viagem ao acampemento Horombo, que fica a cerca de 3700 metros de altitude.

Eu sabia que o dia do summit seria o mais difícil de todos (e foi!) e posivelmente o mais difícil de nossas vidas (e foi!), mas nao imaginava que seria tao puxado assim.

O cochilo de 1 hora na volta de Uhuru foi rejuvenescedor, e a ideia de poder dormir a noite inteira num lugar que nao fosse tao congeladamente frio e com oxigenio mais abundante era tantador…

Alem disso eu sabia (achava) que a descida daquele dia seria relativamente facil, pois iriamos cruzar a parte do deserto que eh relativamente plana e aberta.

O problema? Mais um temporal de granizo nos alcancou em pleno deserto, com ventos violentos que arremessavam as bolinhas de granizo como se fossem um estilingue!

E fomos descendo, descendo, descendo… ate chegamos no ponto onde o granizo acabou, e ficamos apenas com um temporal de agua mesmo…

Foi a pior chuva que pegamos na montanha, e por mais de 2 horas caminhamos sem parar debaixo de um temporal, daqueles temporais de fazer o Rio de Janeiro, em plenas aguas de marco se orgulhar…

Nessas horas colocamos todo nosso equipamento a teste, e todos falharam…

A capa de chuva da minha mochila nao deu conta do recado, minhas botas firacam empapadas, luvas, o gorro de la por Baixo do gorro da capa de chuva, as pernas da minha calca… Tudo molhado e gelado! SAbe aquela chuva de pingo grosso?!

Mas a caminhada em si foi divertida, e vimos um lado diferente do deserto e passamos por um “jardin” de arvores Sinecio pelo caminho! Pena que nao deu para tirar muitas fotos, pois nao queria estragar minha camera na chuva…

Quando finalmente chegamos no acampamento final foi aquele alivio… mal sabiamos nos que as barracas tambem molharam, nossas malas com roupas, colchao termico, saco de dormir… tudo pingando!

Ainda bem que tinhamos o alivio psicologico de saber que aquele seria nossa ultima noite na montanha, porque sem duvidas foi a pior de todas… estavamos muito alem de exhaustos depois de caminhar, subir e descer, praticamente sem parar por mais de 17 horas, o frio, as roupas molhadas, o saco de dormir molhado e frio…

Alem disso meu joelho e meus ombros jah estava doendo bastante oque dificultou meu “aconchego” na barraca… cada lado que eu virava era uma dor e um incomodo diferente… mas ai eu pensei: amanha eu vou tomar banho e dormir numa cama de verdade!

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania
11
04
Oct
2010
Dia do Summit: Kibo Hut – Williams Point – Guilman’s Point – Stellar Point e Uhuru Peak! E logo depois, a descida…
Escrito por Adriana Miller

Depois de ter cochilado por mais de duas horas a tarde, nao consegui pegar no sono de jeito nenhum! E quanto mais eu pensava que tinha que me obrigar a dormir, menos sono eu tinha!

Fiquei pensando no frio, na escuridao, no cansaco, na dor no pescoco e na neve que nao parava de cair do lado de fora da barraca…

As 11 da noita em ponto o guia veio nos “acordar” – tivemos que nos arrumar e arrumar nossa barraca na escuridao total! O café da manha parecia um funeral… Ninguem tinha conseguido dormir direito (ou sequer dormir) e 2 pessoas estavam passando muito mal… Preparamos nossas garrafas de agua com agua fervendo (que congelaram pelo caminho!) e la fomos nos!

Comecamos a nossa caminhada a meia noite e foi uma coisa surreal! A neve tinha parado de cair e o ceu era um tapete infinito de estrelas!

Mas andar na escuridao total, apenas com uma lanterna de cabeca, foi muito mais dificl que imaginava!

A explicacao do porque comecamos a escalada a noite foi bem simples: como o solo nessa area da montanha eh composto de areia e cinza vulcanica, eh um terreno muito difícil de se caminhar… seria como escalar dunas de areia, a 5 mil metros de altitude… Entao durante a noite, como a temperatura esta sempre abaixo de zero, o ano todo, o solo congela e a area + cinza ficam compactas e faceis de andar.

Mas foi dificl nao tropecar nas pedrinhas no chao, e manter o equilibrio na subida quando a unica coisa que conseguia enxergar na frente de meu nariz (congelado) era um foco de luz no logo da mochila do Aaron…

Mas o pior mesmo foi a concentracao mental… depois de cerca de uma hora de caminhada acabei ficando MUITO entediada! Serio! Um tedio fora do normal…! Ninguem conseguia conversar porque mal tinhamos ar para respirar… nao tinha nada para ver a nossa volta… nao conseguia tirar fotos de nada pq estava escuro demais (tirei algumas fotos ao longo da noite, mas a grande maioria ficou fora de foco, ou escura demais, ou sme o menor sentido)… Meus pensamentos comecaram a me enlouquecer e fiquei com um MEGA mau humor!

Foi uma coisa meio claustrofobica como nunca senti na vida. Uma ansiedade esquisita, como se estivesse fechada num lugar escuro…

Para completar, pouco a pouco meus pes comecaram a congelar demais, e jah nao sentia nada do tornolezo para baixo. E somado a isso, umas duas horas adentro da caminhada, meus ombros e pescoco comecaram a doer demais outra vez, ainda sequela da tarde anterior, somado ao frio e estar mais uma vez subindo com a cabeca baixa (para me proteger do vento cortante e para conseguir enxergar onde estava andando…). Sofri calada com a dor por mais ou menos mais uma hora, ate que chegou um ponto em que as “facadas” de dor no meu pescoco se tornaram insuportaveis! E tudo isso contribuindo pro meu desespero de frio, claustrofobia, tedio e dor! Quando estava a ponto de largar a mochila por lah, num canto qualquer (com maquina fotografica, garrafas de agua, capa de chuva, comida e tudo mais), o guia (Makeke) se ofereceu para levar minha mochila e me salvou!

Foi incrivel como aquele gesto me relaxou, e nao estar mais sentido dor aliviou meus outros sintomas…

Mas isso causou um problema ainda pior! SONO! Assim que parei de sentir dor, do nada me bateu um sono avassalador! E nesse ponto da caminhada o grupo ainda estava todo junto, e 2 pessoas estavam se sentindo muito mal e estavam andando MUITO devagar! Para entreter minha mente entediada naquela escuridao eu fiquei contando quantos segundos demoravamos entre um passo e outro, e adivinhem!? 3 segundo por passo! Serio, eh muita coisa! Mas eh o tempo que leva para darmos uma inalada profunda de ar a cada passo.

O problema eh que esse nao era meu ritmo, e meu pulmao estava se virando muito bem obrigada. Entao esses 3 segundos por passo eram o suficiente para que eu pegasse no sono entre um passo e outro! Sabe aquele sono que doi? Incontrolavel? Dei varios tropecoes, porque dormia enguanto andava! Que desespero que aquilo ia me dando! E isso tudo foi virando um transe, onde juntou o sono, a claustrofobia da escuridao, os passos ritmados, o frio e uma alucinacao generalizada (efeito da falta de oxigenio, segundo o guia).

Aliais, tem uma historia interessante nessa parte da alucinacao. No terceiro dia da caminhada o guia descobriu que eu era Brasileira. Entre varios papos de futebol para cah e para lah, ele se deu conta de que o Ingles nao era minha lingua materna e ficou preocupadíssimo! Aparentemente, um dos efeitos da altitude eh alucinacao causada pela falta extrema de oxigenio oque pode causar  falta de memoria temporaria, e consequentemente algunas pessoas nao conseguem se comunicar em lingua extrangeira. Entao ele me mostrou seu caderninho-emergencia com frases chave em tudo quanto eh lingua: holandes, russo, frances, espanhol, alemao, etc… e comecou a anotar algunas frases e palavras em portugues tambem. (e o Aaron confirmou que em sua escalada na Bolivia, no ultimo dia ele nao conseguia lembrar o nome da propria irma por nada no mundo!)

Entao quando eu estava nesse momento de transe (e chata para caramba, pois segundo o Aaron eu nao parava de reclamar e tagarelar, enumenrando tudo que eu ia exigir que ele fisesse por mim depois da viagem, afinal era tudo culpa dele e eu soh estava la por causa dele, e aquele era a pior noite da minha vida e era tudo culpa dele! HAHAHAH) o Makeke sacou seu caderninho e comecou a me preguntar varias coisas em Portugues, para ver se minha chatisse era puro cansaco e mau humor ou se era efeito da altitude… mas era soh irritacao mesmo!

E entao algo aconteceu! Um dos senhores do nosso grupo desmaiou! Apagou completamente por falta de oxigenio! Os guias entraram em mode primeiros socorros para levar ele de volta pro acampamento, e entao decidimos dividir o grupo. Nessa divisao eu, Aaron, os dois irmaos Escoceses e um outro cara seguimos na frente com o Makeke, e nesse momento tudo se transformou!

Entramos num ritmo otimo de caminhada, bem mais rapido que estavamos antes e rapidinho eu despertei e sai do meu transe de chatisse! Foi mais ou menos nessa hora que passamos da caverna de William’s Point, que marca os 5 mil metros de altitude e vimos no horizonte o pico Mawenzi pequenininho lah em baixo… E vi tambem como a lua estava LINDA e reparei que o horizonte ja nao estava TAO escuro como antes.

A subida foi ficando mais e mais ingreme e cheia de pedras a medida que iamos subindo, e lah pras 5 da manha, cerca de 5.500 metros de altitude o sol comecou a desapontar no horizonte!! QUE VISTA MARAVILHOSA!!!!

O horizonte comecando a mudar de cores, Mawenzi la em baixo, as luzes da fronteira do Kenya perdidas laaaaaaa em baixo no horizonte. Demos un ultimo gaz, pois queriamos conseguir chegar no primeiro pico do Kilimanjaro, o Guilman’s Point, a tempo do nascer do sol: Tinhamos cerca de 45 minutos para escalar (na unha!) os ultimos cento e poucos metros de altitude.

E conseguimos!

Assistimos o nascer do sol mais fantastico do universo, a 5.600 metros de altitude, no topo da Africa!

Infelizmente ficamos pouquissimo tempo lah em cima – nossas garrafas de agua estavam congeladas, aos poucos o frio foi piorando (eh incrivel a diferenta de temperatura no corpo quando estamos andando e quando paramos por poucos segundos!) e tinhamos que decidir: queremos seguir ateh Uhuru Peak por mais 3 horas, ou nao. Um dos irmaos Escoceses sentou e nao conseguir levantar mais. Ele tinha atingido seu limite e nao conseguia andar mais. E depois o Aaron confessou secretamente que ele achava que eu tambem ia desistir, e se isso acontecesse, ele teria desistido tambem…

Mas nao! Eu fui logo a primeira a sair andando pelas pedras! Aquele por do sol, Mawenzi, os glaciares e tudo a minha volta, tinham me dado um novo animo de energia e eu sabia que TINHA que conseguir chegar ate o final!

Entao nos 4 e Makeke comecamos nossa caminhada final… sao apenas 200 metros de altitude, e cerca de 800 metros em distancia (menos de 1 quilometro!) e Uhuru estava tao perto! Jah conseguiamos ver o topo, viamos os grupos de turistas descendo a montanha, mas foram os metros mais dificeis ate entao.

O pulmao jah nao responde, as pernas ja nao respondem…. Eu comecei a chorar incontrolavelmente… uma sensacao sem igual de nao poder mais, mas saber que jamais me perdoaria se parasee estando ali tao perto (um sentimento que os Ingleses descrevem tao bem com uma unica palavra: Overwhelmed! Eu me sentia completamente overwhelmed e inundada por todos os sentimentos bons e ruins que existem!). E a cada passo eu continuava chorando; diferentes grupos de turistas com seus guias iam descendo pelo mesmo caminho e nos dando forca “You can do it!” “You’re almost there!” “Dont’t give up now!” e eu ia chorando mais e mais (serio, chorei escrevendo esse post, soh de lembrar a inundacao de sentimentos e dores, e tudo mais daquelas ultima duas horas de caminhada!).

Ate que viramos a curva que nos deixou ali… cara a cara com a reta final… com a placa que repete para o mundo “CONGRATULATIONS YOU HAVE REACHED UHURU PEAK 5895 METERS ABOVE SEA LEVEL THE HIGHEST POINT IN AFRICA AND THE HIGHEST FREE STANDING MOUNTAIN IN THE WORLD”!!! (Parabens voce alcancou o pico Uhuru a 5.895 metros acima do nivel do mar, o ponto mais alto da Africa e a montanha mais alta do mundo).

Se eu tivesse oxigenio suficiente no meu sangue e meus musculos, teria dado um pulinho de emocao, e teria feito a danca da felicidade! Mas em vez disso eu chorei. E chorei, e chorei. E abracei o Aaron, abracei o Makeke e saquei minha camera fotografica do bolso interno do casaco! (estava no bolso interno para ficar quentinha, jah que a altitude e o frio podem descarregar a bateria da camera e cristalizar as lentes – entao preferi nao arriscar, e as fotos da subida foram tiradas com minha maquininha velha, que levei soh para registrar essa esclada final!).

Tiramos muitas fotos, por momentos que pareciam uma eternidade la em cima. O Uhuru Peak era so nosso, e tinhamos toda a Africa aos nossos pes!

Mas a pesar do sol estonteante que estava la em cima, o vento era de matar e o Makeke logo nos lembrou que a pesar de termos conseguido chegar ate o final, agora faltava descer tudo de novo!!!!

E entao comecamos pouco a pouco a descer. Dizem que para baixo todo Santo ajuda, neh? Fui nessa feh ladeira abaixo e fui deixando meu corpo ser carregado pela gravidade…

Ate que chegamos de novo na parte onde a areia e cinza vulcania jah tinha comecado a derreter… e a trilha que usamos para subir tinha virado um rebulico de lama preta….

Seriam mais 3 horas descendo (sao 4 horas para descer o mesmo percurso que demorou 9 horas para subir) mas o Makeke propos um atalho que prometia economizar 1 hora de nossa descida! E la fomos nos, praticamente de Ski-bunda montanha abaixo!

Nossas pernas enterravam ate o joelho na areia e deslizava alguns metros pra baixo, enquando ainda tentava desenterrar a perna anterior para repetir o processo. Usei as “bengalas” de caminahda para manter meu equilibrio e dar uma forcinha ao meu joelho, que pouco a pouco ia sentindo o esforco de descer uma ladeira tao violenta e tao rapido, e o peito latejava a cada inalada, com uma respiracao pesada sem oxigenio, mas tudo que eu queria era ir mais e mais rapido e chegar logo la em baixo!

E la fomos nos… 1 hora… 2 horas…. As nuvens subiram e nos alcancaram no meio do caminho, mas eu estava suando em bicas, e jah tinha tirado quase todos os meus casacos… Ate que o guia apontou uma formiguinhas lah em Baixo… “Olha eh o Kibo Hut! Estamos chegando perto! Mais 1 hora e estamos lah!”

UMA HORA?!?! Eu nao aguentava mais nem um segundo… mas tudo que sobre, desce… e fui seguindo meu deslizamento de barranco abaixo sonhando com minha barraca!

Quando finalmente chegamos na entrada de Kibo, varios de nossos carregadores estavam lah nos esperando! Vieram ajudar a nos carregar de volta pras barracas, carregar nossas mochilas e casacos e atender qualquer pededido especial (Agua! Agua!!)!

Fui direto para minha barraca e me recusei a ir almocar – e entao me dei conta que nao tinha comido nada, e mal bebi agua durante as ultimas 12 horas! (e nem fui ao banheiro nesse tempo todo, mas ai jah eh too much information….).

Entrei na barraca com lama ate os joelhos, sem colchao nem saco de dormir… Onde meu corpo encontrou o chao congelado da barraca, foi onde eu fiquei, e apaguei instantaneamente!

Mas cerca de 1 hora depois, os guias vieram nos acordar de novo… era hora de comecar a caminhada de volta, pois tinhamos que descer pro acampamento Horombo, a 3700 metros de altitude, para que nosso Corpo pudesse se recuperar com oxigenio suficiente.

Nossa, e o mau humor que me assolava?!??!

Mas tudo bem.

Arrumei minhas coisas de volta na mochila e comecamos a descer pelo deserto, na direcao contrario de onde viemos (agora estavamos descendo pelo lado sul da montanha)…

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
42
01
Oct
2010
Dia 4: Mawenzi Camp a Kibo Hut
Escrito por Adriana Miller

A pesar do temporal da noite anterior, o dia acordou super limpo, e nosso acampamento tinha uma vista sensacional!

A visao privilegiada de Mawenzi de um lado, com a visao privilegiada do Uhuru Peak e seus glaciares no outro lado… E tudo isso bem acima das nuvens!

Aliais, a experiencia de acordar em cima das nuvens, e ver o mundo de cima das nuvens eh sem igual…. Ate hoje sempre que olho pro ceu e vejo nuvens (que acontece bem frecuentemente em Londres!), principalmente aquelas bem fofinhas, eu sempre penso “Jah vi o lado ‘avesso’ das nuvens!”!

A caminhada do 4º dia, teoricamente seria bem facinha…. Apenas 370 metros de altitude ganhas numa subida bem gradual cruzando o deserto Alpino na base do Kilimanjaro… Teoricamente isso seria fácilmente alcancado em cerca de 4 horas…

E realmente o dia comecou bem! Com sol e vistas lindas… mas pouco a pouco viamos as nuvens subindo em nossa directo, e cerca de 1 hora depois que cometamos a caminhas, o tempo fechou de novo. E foi tambem justamentemente quando cegamos na area desertica, sem nenhuma pedrinha nem arvore para nos proteger do vento e tudo mais que vinha pela frente.

Pouco a pouco o tempo foi piorando…

Primeiro foi um baita temporal! Uma chuva forte que ate assustou os guias, pois nao eh normal que chova tao “grosso” a essa altitude, e muito menos nessa epoca do ano…

Quando achei que nao dava mais para piorar, jah estava congelada e encharcada, a chuva – como magica – se transformou em temporal de granizo! Umas pedronas de gelo que chegavam a machucar! Depois de um tempinho fiquei com uma baita dor no descoco e nos ombros de tanto andar com a cabeca baixa para proteger meu rosto do granizo!

E para completar a miseria, nossa ultima hora da caminhada (com o acampamento jah a vista!) o granizo se transformou numa tempestade de neve!!!

Chegamos no acampamento destruidos, congelados e exaustos!

A nossa sorte (que depois se provou ter sido um grande azar!) foi que conseguimos etrminar a travessia em pouco mais de 5 horas, entao nos serviram um almoco reforcado e tivemos a tarde livre!

E ai que estava o problema… com a tarde livre, morrendo de frio e sem nada para fazer, me encasulei no meu saco de dormir e acabei cochilando por mais de 2 horas!!

Na hora foi otimo…. Quando o guia veio ns acordar pro briefing final, eu estava renovada…!

E entao nos serviram o jantar as 5 da tarde e tinhamos mais 5 horas para descansar!

Nosso ulimo – e principal!! – dia de escalada comecaria pontualmente as 11 da noite daquele mesmo dia e nos levaria ate o topo da Africa!

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
15
01
Oct
2010
Dia 3: Kikelelwa a Mawenzi
Escrito por Adriana Miller

O Kilimanjaro nao faz parte de nenhuma cordilheira, mas na verdade eh uma montanha que tem 3 picos principias: Shira a cerca de 3500 metros de altitude, Mawenzi tem 5000 metros de altitude e Kibo, com 5895 metros, que é a montanha onde esta o pico Uhuru, que eh o ponto final e geralmente referido como “O” Kilimanjaro (ja que ninguem esta nem ai pros outros picos: oque importa mesmo eh chegar a Uhuru!).

Em nosso 3º dia de escalada fomos ate o acampamento base do pico Mawenzi, que eh o segundo maior pico do Kili e altamente impressionante! Quem se aventurar a escalar Mawenzi, precisa tirar uma licenca especial, fazer um treinamento especial, pois eh uma escalda altamente tecnica e muito perigosa!

Esse dia, nossa caminhada seria relativamente “facil”, afinal seriam apenas 4 horinhas de trilha… Mas em compensacao foi tambem o dia mais inclinado, onde esperavamos ganhar cerca de 750 metros de altitude em 4 horas, e precisamos usar nossas maos pra ajudar na subida boa parte do tempo.

Mas acabou que a escalada foi muito mais difícil doque imaginamos, e nem todo mundo conseguiu acompanhar. Do grupo de 9, 4 pessoas (os mais velhos) estavam jah se sentindo muito mal com os efeitos da altitude, com fortes dores de cabeca, enjoo e varios outros desarranjos, alem de muito cansaco (afinal ja foram 2 noites mal dormidas, seguidas de dias bem puxados). Tivemos que fazer varias longas paradas pelo caminho, que nao estavam previstas, ou simplesmente andando mais devagar doque o ritmo normal, para que todo mundo no grupo pudesse continuar junto.

Entao, oque era para ter sido feito em 3 ou 4 horas, acabou levando mais de 6, e chegar no acampamento Mawenzi (a 4.330 metros de altitude) foi como chegar num oasis! E o engracado eh que esse acampamento eh caracterizado por um laguinho no meio das pedras, entao realmente foi um oasis!

Achavamos que iamos poder ir direto para nossas barracas, mas na verdade ainda tivemos que fazer mais uma caminhada de aclimatizacao ate 4.500 metros de altitude!

Para mim essa foi a pior parte…. Quando chegamos no acampamento eh jah tinha meio que “desligado” mentalmente e nao estava preparada para passar mais 1 hora subindo pedregulho (essa parte foi “escalada” mesmo, usando maos, cordas e nossas bengalinhas para ajudar) bem na hora que a chuva comecou a cair pesada! Foi difícil conseguir me concentrar na escalada, na respiracao, no caminho que o guia estava fazendo (com o nevoeiro, mal conseguiamos ver quem estava caminando na nossa frente!) com aquele temporal que escoooorre no seu rosto… Colocamos a prova nosso equipamento a prova d’agua e por dentro fiquei seca, mas foi bem desagradavel… (o washy-washy quentinho que veio depois nunca foi tao bom!).

Essa noite eu custei para pegar no sono, pois os Escoceses na barraca ao lado nao paravam de tagarelar!! Entao em vez de ir dormir no horario habitual de 8 horas… acho que acabei pegando no sono as 10:00…

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
14
30
Sep
2010
Dia 2: Rongai Camp ao Kikelelwa Camp
Escrito por Adriana Miller

O Segundo dia de caminhada foi o mais longo e causativo… Na verdade, a cada dia que ia passando, AQUELE dia se tornava o mais cansativo, pois a estafa ia acumulando, o oxigenio ia diminuindo… Mas nós ainda nao sabiamos disso, estando apenas começando o segundo dia…

Mas “no papel” esse seria nosso dia mais puxado (excluindo o dia da escalda final), onde tinhamos uma caminhada de 9 horas pela frente, ganhando cerca de 900 metros de altitude!

O unico probleminha, eh que logo depois que acordamos e comecamos a nos organizar para comecar a escalada, as nuvens nos alcancaram e o tempo fechou de novo! Mas pelo menos nesse dia nao choveu, apenas tivemos um nevoeiro muito denso praticamente o dia todo!

Teoricamente esses dois dias seriam os mais puxados em relacao a altitude ganha num unico dia, e em ambos alcancamos o limite maximo (seguro) de ganho de altitude que o corpo humano aguenta. Claro que isso varia muito de pessoa para pessoa, organismo para organismo, mas dizem que passar de 1000 metros de altitude num unico dia eh arriscado demais para saude.

Entao os guias aproveitavam a altitude ainda relativamente baixa (tudo abaixo de 3 mil a 3.500 metros de altitude ainda eh considerado de baixo risco) para conseguirmos subir o maximo da montanha de uma vez soh, enquanto nossos pulmoes aguentavam, para podermos ter um dia extra de aclimatizacao numa altitude bem alta.

Alguem tambem me perguntou oque seria uma escalda de aclimatizacao, que significa que escalavamos ate um ponto maximo, pasávamos um tempinho la em cima, e depois desciamos de novo, para acampar e dormir numa regiao de mais oxigenio – e nesse sobre e desce no nivel de oxigenio que o organismo vai se acostumando com a altitude.

Mas voltando a caminhada, foi sem duvidas um dia, muito, muito longo, mas nao necesariamente difícil.

A subida foi bastante gradual, com algunas areas mais inclinadas que outras, onde tivemos que usar as maos para subir, mas no geral, uma longa e inclinada caminhada.

Nesse dia foi quando saimos da regiao de Floresta Alpina e a paisagem foi ficando menos e menos densa, e passamos a ver mais flores e plantas “exoticas”! Foi nesse dia tambem que vimos nossa primeira arvore Senecio gigante!

Os pontos altos do dia foi ver as cavernas escondidas na trilha Rongai, onde geralmente os animais de escondem durante a noite – vimos varias pegadas de bufalos! E segundo o guia, volta e meia tambem aparecem umas pegadas de elefante!

O grupo de carregadores estava nos esperando na primeira caverna, onde nos serviram o almoco – a sopa do “engenheiro estomacal” caiu perfectamente pois pegamos muito frio nesse dia!

Mas logo depois tivemos que seguir viagem, e a tarde foi ainda mais difícil! Nao soh porque jah estavamos cansados das primeiras 4 horas de caminhada, mas a temperatura caiu bastante a medida que iamos subindo e a trilha foi ficando mais e mais inclinada (sem falar que a quantidade de oxigenio na parte da tarde, jah era mais baixa que na parte da manha, que contribuiu pro cansaco….).

Finalmente acampamos no Kikelelwa Camp, perto da segunda caverna, a 3.600 metros de altitude.

Essa altitude jah eh considerada de risco, entao o guia chefe, Makeke jantou com a gente, prestando bastante atencao em como estavamos reagindo ao cansaco, as horas puxadas de caminhada e a altitude.

Algumas pessoas de nosso grupo comecaram a passar mal nessa noite, com fortes dores de cabeca, enjoo e um desarranjo generalizado, entao resolvi comecar a tomar o Diamox por prevencao. Ate entao eu estava me sentindo otima! Cansada, mas otima. Sem nem um pingo de dor de cabeca, nem enjoo e nem sequer sentia muita falta de ar, e como uns dias antes da viagem, ainda em Londres eu tomei um Diamox (conforme o medico recomendou) para testar o efeito, e passei meio mal, tinha pensado em nem tomar – mas ao ver como algunas pessoas estavam reagindo, resolvi arriscar os efeitos do Diamox para prevenior os efeitos da altitude, e tomei ½ comprimido. Me senti super bem, sem efeito nenhum!

A noite ainda dormi bem, apesar do saco de dormir deslizante!

Mas eu realmente me surpreendi de como me adptei super bem – eu imaginava que jah no segundo dia ia estav me desfazendo de tanto vomitar e dor de cabeca, mas o fato de que meu apetite ainda estava intacto, e estava me sentindo super bem e “forte” foi um alivio que me animou ainda mais pra seguir a escalada nos dias seguintes!

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
17
29
Sep
2010
Primeiro dia – o comeco da escalada (do Portao Nale Moru aos 2.600 metros de altitude)
Escrito por Adriana Miller

Nosso primeiro dia na montanha comecou cedo e com um ultimo e reforcado banho!

Tivemos um ultimo briefing com o guia lider, ajudamos a organizar as malas e mochilas no jeep e seguimos na estrada de terra por cerca de 2:30 hrs ate a entrada do Parque Nacional do Kilimajaro, pelo lado norte, perto da fronteira com o Kenya.


A viagem de carro foi bem legal e interessante, onde pela primeira vez na viagem finalmente me senti na Africa estradas de barro e terra sem ter fim, muitos bananais por todos os lados e a pobreza e simplicidade imposible de ignorar! E isso porque devido a industria do turismo a regiao do Kilimajaro eh uma das mais prosperas do pais


Passamos por varios mercados de rua, vilas e valarejos, onde tivemos o primeiro contato e vimos de perto como eh o dia e a dia e a vida da populacao local e acho que a reacao era reciproca! Cada vez que pasavamos por algum vilarejo, nos ficavamos todos animados, tirando fotos e prestando atencao nas roupas coloridas, sacos de batata na cabeca das mulheres, as arvores e frutas exoticas, e etc, e da mesma maneira que assim que a populacao local percebia que tinha um jeep de turistas cruzando suas ruas eles vinham para beira da estrada (principalmente as criancas!) para nos ver, dar tchau, correr atrás do carro


Quando finalmente chegamos no portao da entrada do parque, o tempo tinha virado totalmente!

Um nevoreiro denso, com uma chuvinha chata que de cara desinflou nossos animos la fomos nos desempacotar mais camadas de roupas, colocar nossas capas de chuva, luva, gorros, e afins


Mas antes de finalmente subirmos a montanha, tivemos a primeira apresentacao oficial da equipe de apoio e conhecemos os 4 guias asistentes e o cozinheiro chefe uma ultima sessao de perguntas&respostas, registro de todo mundo com a Guarda Florestal, e lah fomos nos floresta acima!


Esse primeiro dia comecamos a trilha a 1.900 metros de altitude e cruzamos boa parte do dia na zona de floresta Tropical e cultivo, cruzamos um mini-micro vilarejo de cultivo de milho no meio do nada (a criancada fez a festa quando nos viu chegando!!) ate que comecamos a adentrar a zona de floresta Alpina e a montanha ficou absolutamente deserta dai para frente!

Ao longo do dia a chuva apertou bastante, oque foi extremamente frustrante alem dos motivos obvios do frio e humidade, que nao sao nada legais quando se esta totalmente exposto aos elementos, mas principalmente o aspecto psicologico da viagem Mal conseguiamos ver um palmo na frente do nariz, quanto mais conseguir admirar a paisagem da subida, ver os animais etc (conseguiamos ouvir os animais, mas ver que eh bom nada).


Ja no fim do dia, chegamos no acampamento, onde cada um de nos (cada casal/grupo) conheceu sua tenda e seu “ajudante de tenda, nos mostraram como funcionava o banheiro, onde era a tenda comunitaria etc e fomos oficialmente apresnetados ao “washy-washy”…

Quando pensavamos que finalmente iamos poder descansar depois de mais de 5 horas de caminhada. O guia nos levou para mais uma caminhada de aclimatizacao de cerca de mais 1 hora de subida ingreme


Mas pelo menos chegamos no acampamento (a 2.600 metros de altitude) bem na hora do Washy-Washy e jah com tudo pronto para nosso primeiro jantar!

Como a chuva ainda estava apertada, e todos estavamos exaustos, nao rolou muita confraternizacao na barraca comunicataria, e acabamos indo todos dormir assim que o sol se pos

Essa nao foi a primeira vez que acampei na vida, entao sabia muito bem oque esperar. O unico problema eh que todas as outras vezes que acampei na vida (e foram muitas!) era em regiao de praia e fazia calor. Nao me importei nem um pouco em ficar confinada na barraca, pra mim o pior mesmo foi conseguir ficar confortavel “embrulhada” no saco de dormir ultra grosso (era um saco de dormir de 4 estacoes em formato “mumia”), e pior: como paramos pra acampar no meio do nada na montanha, o solo era ingreme! Entao lentamente iamos escorregando pro pe da barraca, e acabei acordando varias vezes durante a noite pra me “empurrar” de volta (ate porque o saco de dormir escorrega no colchao termico, que por sua vez escorrega no chao da barraca…)!

Mas surpreendentemente, acabei apagando e dormi super bem!

 

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
17
05
Sep
2010
Conseguimos! O Kilimanjaro eh nosso!
Escrito por Adriana Miller

Voltamos para a “civilizacao” ha pouco mais de 2 horas, e a primeira coisa que fiz foi correr pro banho! E nao satisfeita tomei 2 seguidos!!!

Tanto eu qaunto o Aaron conseguimos chegar ao topo da Africa e ontem as 6 da manha (horario local) chegamos ao Guillman’s Point, e duas horas depois chegamos ao Uhuru Peak, a 5.895 metros de altitude e eh o ponto mais alto do continente Africano e a montanha “free standing” mais alta do mundo!

Foi sem duvuda alguma a coisa mais dificl que fiz na vida, e (provavelmente) nunca mais farei nada parecido!

Mas ao mesmo tempo, nao tem preco chegar la em cima, ver as nuvens e o mundo laaaaaaah em baixo e se sentir parte do seleto grupo de seres humanos que conseguiram esse feito!

Soh pra ter uma ideia, do nosso grupo de 9 pessoas, apenas 4 (eu, Aaron e mais 2) conseguimos chegar ate o final!

Todos os detalhes virao em breve (a internet na Tanzania nao eh das melhores….) mas as ultimas 36 horas foram as piores da minha vida…. e ao mesmo tempo uma das melhores memorias que jamais terei que qualquer outro feito que venha a conquistar!

Nossa subida final comecou a meia noite, no breu e com lampadas de cabeca, subimos SEM PARAR por 6,5 horas ateh Guillman’s point (nessa hora jah eramos apenas 5 do grupo de 9), assistimos o nascer do sol mais incrivel do planeta, e seguimos por mais 2,5 ateh Uhuru peak, que eh a conquista final.

O problema eh que soh quando chegamos lah em cima, pulamos, comemoramos, tiramos um gazilhao de fotos eh que caiu a ficha que ainda faltava voltar tudo!

Ainda bem que pra baixo os santos ajudam, e o trajeto de 9 horas foi feito em menos de 4 horas!

E ai eh que comecou o pesadelo! Nos deram 1 misera hora de descanso (“descando”, na tenda imunda) e jah comecamos a volta da montanha, com mais 5 horas descendo, embaixo de um temporal de granizo! E hoje tivemos mais uma descida de 6 horas ate finalmente poder tomar banho e dormir numa cama!

Mas agora que o pior jah passou, revendo nossas fotos e a experiencia maravilhosa que tivemos – e claro tirando o fato de que meu joelho esquerdo esta do tamanho de um melao – eh que aos poucos a ficha vai caindo e nos dando conta dessa conquista maravilhosa!!

E tenho ate um certificado emitido pelo Governo da Tanzania pra provar!

Amanha comecamos o Safari e acho que a tecnologia serah mais amiga, e na medida do possivel, vou dando noticias!

Ah! E pro meu pai…. FELIZ ANIVERSARIO!!

Categorias: Kilimanjaro, Tanzania, Viagens
47
31
Aug
2010
KIlimanjaro – Rotas e Trilhas
Escrito por Adriana Miller

Uma das coisas mais importantes durante a pesquisa sobre o Kilimanjaro é conhecer as diferentes trilhas que existem pra chager lá em cima. Algumas são consideradas bem faceis, com acomodação fixa (tipo umas cabaninhas comunitarias), bares e maquinas de coca-cola, enquanto outras são bem mais longas, ou mais ingremes, mais lotadas de turistas ou mais isoladas…

No total são seis rotas pre estabelecidas, e por ser um parque nacional e protegido, visitantes não podem subir a esmo e fazer qualquer caminho que queiram (até porque pode vir a ser muito perigoso), e as trilhas são: Marangu, Mechame, Lemosho, Shira, Rongai e Umbwe – e tem tambem a Mweka, que é usada apenas para descidas.

As trilhas Marangu, Mechame e Umbwe sobre o Kilimajaro pelo sul, e são as rotas mais comuns e com mais infraestrutura turistica. As trilhas Shira e Lemosho sobrem o Kili pelo Oeste e são mais curtas, pois começam numa elevação maior, e a Rongai é a unica trilha que sobre pelo lado norte e é tambem a mais vazia e seca (a unica que pode/deve ser escalada nos periodos de chuva).

- Trilha Marangu: A trilha “Coca-Cola”:

A rota Marangu é conhecida como a “trilha Coca-Cola” por ser a mais bem estabelecida e com mais infraestrutura turistica (inclusive com maquinas que vendem coca-cola!) – é tambem a trilha mais antiga e por isso oferece trilhas bem demarcadas e acomodação fixa, em cabanas (huts) e dormitorios.

A grande maioria das agencias “cool” (ou seja, menos turistas e mais “aventureiras” ou profissionais) não recomendam essa rota, justamente por ser turistica demais, geralmente lotadas e por oferecerem poucas “vistas” da area, já que a trilha sobre e desce pelo memso caminho.

- Trilha Mechame: a Trilha “Whiskey”:

A rota de subida Mechame tem se popularizado cada vez mais nos ultimos anos, e por isso ganhou o apelido de “Whiskey” – é popular, mas não é qualquer um que aguenta.

Essa trilha é considerada mais dificil que a Marangu, apelsar de ter uma estrutura parecida, mas os dias são mais longos (=mais horas de caminhada por dia) e a trilha é mais ingreme. Por isso tambem os programas de subida são mais longos, e o recomendado é no minimo 6 dias, sendo que 7 seriam o ideal, pois a aclimatização nessa rota não é das melhores.

As avaliações da “vista” durante essa trilha são otimas, mas por ser tão lotada, acabou perdendo parte de sua beleza natural e “selvagem”.

- Trilha Lemosho:

A trilha Lemosho é uma das mais recomendadas, apesar de ser bem longa. Por subir o Kilimajaro pelo lado Oeste, ela ainda é relativamente vazia e oferece vistas priviegiadas.

O period0 recomendado para subida é de 8 dias, no minimo, pra agarantir uma boa climatização, e também porque essa trilha é mais longa que as outras.

- Trilha Shira:

A trilha Shira também sobe pelo lado Oeste, e apesar de ser uma das rotas originais do Kili, é uma das menos recomendadas.

Pra começar que essa trilha é mais curta que as outras, pois só começa numa altitude bem elevada (3.600 metros de altitude), oque significa que de cara a maioria das pessoas não conseguem passar mais que um dia por lá, pois os efeitos da altitude são imediatos desde o primeiro dia (em todas as outras trilhas se leva pelos menos uns 3 dias até chegar nessa altitude, oque dá bastante tempo pro organismo ir se acostumando aos poucos com a falta de O2).

Depois disso, a rota Shira se junta na mesma trilha que a Lemosho, mas muitas agencias classificam essa trilha como a rota dos “preguiçosos”, pois metade do caminho foi feita de jipe.

Essa rota tambem é usada por agencias que querem oferecer uma “amostra” do Kilimajaro pra turistas que estão viajando pela reginao (fazendo Safari, por exemplo) e querem experimentar um pouco da experiencia Kili – então é só dirigir até o Portao Shira e babar com as vistas!

- Trilha Rongai:

A trilha Rongai é a unica que sobre a montanha pelo lado Norte da montanha, perto da fronteira com o Kenia.

Essa trilha é a mais remota e “selvagem” de todas, e a unica que passa pelo maior numero de “ambientes” diferentes ao longo da subida. Apesar da subida não ser tao bonita e diversificada quanto o lado Oeste da montanha, por ser tão mais vazia que as outras promete uma experiencia mais “autentica”.

Essa também é a trilha mais recomendada pra quem quer escalar o Kili durante as epoca de chuva, pois é a rota mais “seca” e que recebe menos chuva ao longo do ano.

O lado negativo da nossa agencia é que eles não oferecem uma grande variedade de pacotes com as diferentes trilhas. Pra quem tem uma prefrencia bem especifica por uma determinada rota deve procurar agencias mais especializadas no KIlimanjaro.

No nosso caso, na verdade não tinhamos nenhuma preferncia especifica, e por causa do pacote e datas oferecidas para o passeio Kilimajaro + Safari acabamos fechando a viagem que sobe a montanha pela rota Rongai, apesar de que durante nossas pesquisas eu estava mais inclinada pelas descrições da rota Lemosho.

Mas na verdade isso não faz muita diferença, e oque importa mesmo é o tempo que se passa na subida, pois o corpo precisa de um bom periodo de aclimatação, e ir aos pouco, se acostumando com a falta de oxigenio no ar.

A filosofia dessa escalada/trilha, seja qual for sua rota escolhida, e subir pouco a pouco por dia, sem grandes esforços, e evitar areas muito ingremes (que cansam mais), e o programa do dia, todos os dias é “climb high, sleep low”, ou seja, escale alto, mas durma baixo, entao todos os dias vamos subir, subir, subir, passar o dia numa altitude alta, e depois descer mais algumas centenas de metros e dormi num acampamento que fica num lugar mais baixo – e é essa oscilaçnao na quantidade de oxigenio no ar que ajuda o corpo a se adaptar.

P.S. Esse post foi agendado, pois nesse momento já estou lá em cima!

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