21 Jun 2013
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Berati: a cidade Bizantina das mil janelas

Albânia, Berat, Europa, Viagens

Só mesmo num lugar com a riqueza histórica (e conturbada) como a da Albânia para considerar uma cidade que teve seu auge no século 14 como algo “recente”.

Essa a Berati, a cidade medieval Otomana das “mil janelas”, que só existe até hoje, graças a seu status de “cidade museu a céu aberto”.

Berati é um dos cartões postais da Albânia e parece mesmo uma coisa meio cenográfica: uma pequena colina cercada de casinhas brancas – e suas milhares de janelas – por todos os lados, que sobem, sobrem até o topo, onde esta um castelo medieval do século 11.

 

Ao longo da historia dos últimos 1000 anos, Berati já passou pelas mãos dos Bizantinos, dos Búlgaros, Sérvos e Gregos (modernos) e somente a conquista Otomana no finzinho do século 15 finalmente trouxe estabilidade e prosperidade para a cidade.

Lá dentro estão vários museus e monumentos históricos, inclusive duas das mais antigas mesquitas da Albânia.

Mas o que eu gostei mesmo, foi que nossa visita a Berati nos mostrou o quanto esse país é desconhecido e inexplorado pelo resto do mundo.

Veja só, uma das principais cidades turísticas do pais, patrimônio histórico da Unesco, e quando chegamos lá, mais ou menos na hora do almoço… a cidade não tem nenhum restaurante!

Então nosso guia (que já dei a dica aqui) nos levou no único “restaurante” da cidade, que não passava da casa de uma família que eventualmente servem (e vendem) comida a peregrinos, viajantes e curiosos.

Sentamos na mesa – sem menu – e de cara o guia perguntou se tínhamos alguma restrição alimentar ou se ficaríamos numa boa comendo o que tivesse. Como não somos frescos a mesa, caímos de boca! (perdoem o trocadilho!)

Em alguns minutos a dona da casa começou a trazer pratinhos, travessa e porções de uma infinidade de coisas. Para minha surpresa, a culinária Albanesa não é nada desconhecida, com muitas influências Gregas, Italianas e Turcas.

Aí eu perguntei se aquela era a comida típica mesmo, tipo a que ele come na casa da mãe dele numa quarta feira a noite, ou se era só pra agradar os turistas. E com a cara mais perplexa do mundo ele respondeu: “Turitas? Que turistas? Ainda não chegamos ao ponto onde podemos nos dar ao luxo de ter dois tipos de culinaria”.

Pois é, a Albânia talvez seja um dos últimos lugares ainda autênticos desse mundo!

E pra comprovar ainda mais a inexistência de turistas/turismo no país, logo depois do almoço passamos na casa de outra pessoa… Esperamos do lado de fora enquanto o guia foi lá dentro falar com alguém. Quando ele saiu de lá, estava com um chaveiro enorme carregado de chaves gigantes de ferro maciço: nosso guia tinha em mãos todas as chaves para entrar em todas as mesquitas e museus da cidade!

Onde mais no mundo se pode andar pelas ruas de uma cidade milenar sendo os únicos turistas num raio de vários quilômetros?!

Então tiramos total vantagem de nossa exclusividade – a cidade era todo só nossa, tirando um ou outro olhar curioso pelas janelas! – e não nos cansamos de subir e descer as ruelas, descobrindo novas passagens, cruzando jardins e explorando as mesquitas e monumentos.

Depois de conhecer um pouco da Albânia, eu realmente torço muito para que o pais continue se reerguendo e se desenvolvendo, e se que um dia quando voltar, tudo serão tão diferente.

Então impossível não se maravilhar em saber que provavelmente fomos uns dos poucos (e últimos) turistas do mundo a ver uma Berati (e Albânia!) tão simples e virgem!

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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20 Jun 2013
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Tirana e o Hotel Rogner Europark

Albânia, Europa, Tirana, Viagens

Enquanto ainda estávamos planejando nossa viagem para Albânia, a falta de informações sobre o pais e os comentários conturbados na internet nos deixaram com medo de arriscar demais na hospedagem.

Além disso nós queríamos mesmo era sombra e agua fresca – e eu, que estava no 5o mês de gravidez, queria mesmo é conforto!

As opções não são muitas, e o pouco que encontramos, recomendavam o hotel Rogner Europark como o topo da lista em Tirana!

Para nossa surpresa, não tivemos surpresas!

Seria muito clichê se eu disser que o Hotel Rogner é um oasis no deserto? Bastou cruzar pelas portas para você se esquecer das avenidas largas e os prédios soviéticos!

Lá dentro vemos apenas um jardim florido, uma piscina maravilhosa, um restaurante/bar de primeira e muito conforto!

Acabou que o dia que tiramos pra ficar em Tirana, mal saímos do hotel, e aproveitamos o sol do vernao Europeu pra ficar curtindo a beira da piscina!

Mas finalmente quando resolvemos sair pra dar uma voltinha na cidade no fim da tarde, nos demos conta de como a localização do hotel é excelente, bem no centro da cidade, na avenida Bulevardi Deshmoret e Kombit, a poucos quarteirões da Praça Skanderbeg, onde esta o Parlamento Albanês, o teatro municiapal, duas das principais mesquitas da capital e a grande maioria de seus museus!

Pena que o hotel era bom demais e mal saímos de lá!

Rogner Europark Hotel

 

Adriana Miller
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19 Jun 2013
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Apollonia: a escola filosófica Greco-Romana

Albânia, Apollonia, Viagens

Apollonia é o lugar perfeito para se ter um pouco do gostinho do que é a história da Albânia e como o pais foi formado: Originalmente Grega, depois desenvolvida pelos Romanos, enfim Cristianizada e por fim Islâmica.

As primeiras construções datam de 6 século a.c., de origem Grega Coríntio, da época em que Apollonia era uma das principais cidades no eixo Athenas – Oriente médio, e os Gregos dominavam todo Adriático e a península Banlkã.

A geografia da região era muito diferente do que vemos hoje, com o mar Adriático chegando bem pertinho, assim como o – desviado – rio Vjosa que passava ali ao lado, fazendo com que a cidade tivesse grande importância comercial e estratégica.

Por isso Apollonia era uma das poucas cidades que tinham o status de “livre e imune”, o que significava que seus cidadãos eram livres para ir e vir e não pagavam impostos.

Assim, Apollonia rapidamente começou a atrair personalidades ilustres, se transformando num importante centro intelectual e uma escola filosófica Greco-Romana, entre eles por exemplo o Imperador Romano Augustus, que morava/estudava em Apollonia quando Julio César foi assassinado e ele virou Imperador.

Mas essa amizade não impediu que os Romanos quisessem um pedaço dessa cidade estratégia – e no século 4 d.c. finalmente os Romanos invadiram e dominaram Apollonia.

A dominação Romana continuou por mais alguns séculos, e a medida que o poder do Império foi dissipando, Apollonia foi caindo no esquecimento…

Enfim chegaram os Otomanos, mas que não tiveram tempo pra ocupar a cidade – que foi parcialmente destruída por um terremoto, que além de arrasar com os prédios e estruturas, ainda afastou a costa do Adriático ainda mais, e pra sepultar de vez a importância da cidade, mudou o curso do rio Vjosa.

No século 12 uma igreja ortodoxa e um monastério foram construidos na mesma área, e convenientemente usaram muitas colunas gregas e esculturas Romanas como materiais de construção em sua estrutura.

Apollonia caiu no ostracismo e descaso no século 20, quando mais uma vez os edifícios históricos foram depredados com outros fins, e acabaram servindo de matéria prima para abrigos anti bomba e armazéns subterrâneo de armas bélicas pela ditadura.

Hoje em dia o maior desafio dos historiadores responsáveis pela área é tentar resgatar e preservar as diferentes facetas que compõem Apollonia, sem se desfazer de uma ou outra.

Afinal, não se pode delapidar a igreja do século 12 apenas para reerguer as colunas do século 3, assim como não se pode esquecer o passado recente do país para restaurar as heranças de um império.

Mas é preciso enxergar além do que os olhos veem, enxergar o potencial da reconstrução e ver que Apollonia ainda tem muita história pra contar ao mundo!

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