02 Feb 2011
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Beirut by day & night

Beirute, Dicas de Viagens, Libano

Hoje mais uma vez sai tarde do escritorio, oque atrapalhou meus planos de dar uma fugidinha pra passear na Corniche

Mas pelo menos eu passo meus dias assim, com essas vistas na janela do meu escritorio-temporario:

O mar Mediterraneo de um lado…

E as montanhas nevadas do Libano do outro lado…

Mas estava determinada a dar uma voltinha pela cidade, então aproveitei que não tinha anoitecido completamente e resolvi ir andando a pé pro hotel.

E Beirut by night é assim:

A experiencia de estar esses dias em Beirut tem sido otima, e não paro de repetir o quão bonita e encantadora a cidade é, e concordo com quem diz que Beirute é a cidade mais Europeia do Oriente Medio.

Na verdade, antes de vir pra cá, esqueça todos os esterotipos que cercam a cultura Arabe – as ruas são tranquilas, ninguem te incomoda andando pelas ruas (lembren-se que é a opinião de uma mulher viajando sozinha), voce tem o conforto e liberdade de entrar e sair de lojas (que exibem seus preços e não é preciso ficar brigando pelo valor de nada com os comerciantes), e uma sensação de segurança.

Pelo que vi até agora, e por estar esses dias convivendo com Libaneses e Libanesas “de verdade”, a sociedade é bem igualitaria, tantos homens quanto mulheres usam roupas ocidentais, e vejo muita roupa justa e custa pelas ruas – como disse a minha mãe, eu vejo mais “burqas” pelas ruas de Londres doque vi pelo centro de Beirute.

Isso chega a ser um pouco paradoxal já que o exercito armado esta em todas as esquinas, ninguem entra em predio nenhum sem passar por detector de metais, e volta e meia me deparo com algum predio coberto por buracos de tiroteio e explosões… Então em vez de me sentir ameaçada por esse perigo iminente do Oriente Medio, eu me sinto bem segura, pois sei que ninguem vai tentar roubar meu relogio nem minha camera fotografica (por mais deserta ou escura que que a rua esteja), pois eles tem problemas maiores pra se preocupar…

Adriana Miller
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01 Feb 2011
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Ao vivo de Beirute

Beirute, Dicas de Viagens, Libano, Trabalho

Pra quem me acompanha no Twitter, as primeiras impressões do Libano não foram exatamente as melhores. Não necessariamente ruim, mas apenas diferente.

Pra começar que meu voo era um voo Londres – Khartoum, com escala em Beirute. Ah, vc não sabe onde fica Khartoum? Eu também não sabia até ontem de tarde. Khartoum é a capital do Sudão. Eu entrei num avião a caminho do Sudão. Ponto.

Pra quem é super cool, talvez esse pequeno detalhe não fosse tão importante, mas pra mim foi uma coisa meio sureal de “Cara, e se alguma coisa der errado e eu for parar no Sudão?!?!”. Talk about assunto pra post heim?!

Mas o voo foi o mais tranquilo possivel, e aterrisar no Libano foi mais tranquilo doque poderia imaginar. mas foi dificil ignorar a quantidade de soldados armados até os dentes platados em todos os cantos do Aeroporto, inspecionando malas e analisando cada passageiro de cima abaixo.

A mesma coisa na chegada do hotel, onde para sequer virar a esquina, passamos por guarita do exercito, o taxi foi parado, o porta malas revistado e o motorista interrogado.

Na entrada do hotel mais um pouco: Detector de metal, Raio-X e esquema de segurança de deixar muito aeroporto com inveja.

Durante o check-in eu perguntei pra recepcionista se aquilo tudo era por causa dos boato sobre protestos e a confusão no Egito e Tunisia, mas ela me olhou com cara de perdida, e disse com a maior naturalidade que não ouviu falar sobre nenhum protesto no Libano, e que aquilo era perfeitamente “normal”.

Mas não esqueçam que eu estou aqui é pra trabalhar!

O escritorio do BAML tem uma das melhores localizações possiveis, no centrnao historico de Beirute, e ainda me colocaram numa sala com a vista da praça central com as montanhas nevadas ao fundo, e a vista do Mediterraneo na lateral…

Então na hora do almoço me levaram pra dar um voltinha pela area e fiquei logo impressionada com a cidade!

Minha primeira impressão foi que tudo é super novinho…. mas não necessariamente “moderno”. Me senti quase que no estudio cenografico de um filme que supostamente se passa no Oriente Medio…

E explicação? Apesar de “antiga” e “Historica” a região foi completamente bombardeada e destruida durante as muitas guerras que assolaram o pais, e só nos ultimos 5 anos o pais esta voltando ao “normal”. Então iamos andando pelas praças, Mesquitas, predios historicos… e o diretor do banco ia falando “aqui era onde ficava o não sei oque lá. Mas foi destruido pela guerra.”, “aqui foi onde o não sei oque ficava, antes de ser destruido peal guerra”. E assim sucessivamente numa narração de partir o coração sobre tudo que foi destruido e reconstruido ao longo dos anos.

E por mais que Beirute realmente seja uma cidade bonita e cheia de coisa legal pra oferecer, as marcas da guerra estão ai pra quem quiser ver, e guerra minha gente, é uma coisa muito triste. É morte, é destruição, é pobreza, é tudo de ruim junto no mesmo lugar, acontecendo ao mesmo tempo com esse povo.

Mas muito se engana quem acha que os Libaneses estão por ai chirando miseria ou esperando pena ou ajuda de ninguem. O pais teem se reerguido e reorganizado com uma eficiencia exemplar, e apesar dos pesares, se orgulham de sua historia, pra bem ou pra mal, não escondem suas cicatrizes e não colocam panos quentes no problema.

Falam das guerras e conflitos com a mesma naturalidade com que apontam as ruinas Romanas, a igreja Ortodoxa e a Mesquita que dividem o mesmo quarteirão que um relogio Rolex gigantesco, e realmente se sentem os seres mais sortudos do mundo por terem nascido num dos berços da civilização, e prontamente apontam a sorte de poder esquiar de manha e nadar no mediterraneo a tarde!

Quando eu marquei minha viagem semana passada, meu voo original voltava pra casa no sabado de manha, pois realmente pensava que essa não seria a hora certa de passear pelo Libano.

Mas rapidinho mudei de ideia! E já troquei minha passagem pra Domingo, então vou poder dar pelo menos uma esticadinha e conhecer um pouco mais do pais!

Adriana Miller
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07 Jun 2010
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Monte das Oliveiras

Dicas de Viagens, Israel, Jerusalém

(acho que eu nunca demorei tanto pra terminar a serie de posts de uma viagem….)

Além de passar nossos dias perambulando sem rumo pelas ruelas da cidade antiga de Jerusalém, nós também queriamos ver um pouco mais da cidade fora do muro. Entao nos inscrevemos no tour do Monte das Oliveiras com o grupo do New Jerusalem que já contei aqui.

Até daria pra fazer esse mesmo passeio de maneira independente, mas estava o maior calor, é meio complicado de chegar lá em cima, e adoramos os guias e a aula de historia e religião de cada uma dos passeios.

A primeira parada do passeio foi a Igreja da Ascenção, onde acredita-se que foi o lugar onde Jesus Cristo ressucitou e ascendeu ao paraiso. E assim como o Domo da Rocha no bairro Muçulmano, o templo da ascenção foi construido em cima do lugar onde a impressão digital do pé de Jesus ficou impresso na rocha.

Curiosamente, a “Igreja” hoje em dia esta sobre o comando de uma familia Muçulmana, e está sob os cuidados dessa familia ha centenas de anos. Então não é de se estranhar que na verdade o templo nao é nem um pouco segundo os moldes catolicos: a construção é em formato exagonal, o teto é um cupula em domo e lá dentro tem um minarete (que indica a direção a Mecca).

De lá fomos direto pra Igreja Pater Noster, que é a Igreja que foi construida no mesmo lugar onde Jesus ensinou a oração do “Pai Nosso” aos seus descipulos – a Igreja foi parcialmente destruida durante a 2ª Guerra, e sua estrutura foi usada como deposito de armas, porém esta sendo cuidadosamente reconstruida e como parte da decoração do jardim e patio estão inumeros mosaicos com a oração Pai Nosso impresso, em dezenas e centenas de linguas e dialetos de todas as partes do mundo, oque é bastante emocionante!

Por dentro a igreja é bem simples, e a atração principal é justamente a gruta onde o ensinamento da oração aconteceu.

Ainda na mesma rua, descemos em direção ao ceminterio Judeu, que por centenas de anos foi o principal e mais importante cemitario Judeu do mundo. Centenas de milhares de judeus estão enterrados por ali, onde acredita-se que o julgamento final vai acontecer – e assim, a crença é que as almas que foram enterradas por ali serão as primeiras a receberem o julgamento e ascender para a vida eterna.

O interessante é reparar que todos os caixões e sarcofagos estão virados com os pés voltados para o vale, já preparados e virados para o lado certo – visão de camarote para o julgamento!

E não é por acaso que logo do outro lado do vale, frente a frente está tambem o cemiterio Muçulmano, enterrados na mesma direção e tambem estperando o julgamento divino.

Reparem que em cima dos sarcofagos, existem umas pedrinhas – na tradição judaica, em vez de deixar flores para os entes queridos, as pessoas deixam pedras, afinal elas duram muito mais e portanto a presença de quem esteva por ali durarah pra sempre. Então imagina que algumas dessas pedrinhas podem estar ai ha centenas de anos!

Isso sem falar que a vista lá de cima é super privilegiada! É possivel ver a cidade inteira e entender melhor como funciona a dinamica do muro da cidade, o vale, os cemiterios, os portões e as cupulas!

Continuamos descendo o Monte até que chegamos no Igreja Dominus Flevit, que é uma igreja de arquitetura bem moderna e recentemente construida, e sob os cuidados de Monges Franciscanos, e foi construida em homenagem ao local onde Jesus teve a visão de que Jerusalem seria atacada e destruida e o templo Judeu seria destruido (oque de fato aconteceu, 40 anos depois, sob ataque do Romanos em 70dc).

A Igreja é bem pequena, e em vez de um altar, o fundo da Igreja tem uma janela enorme, com a vista privilegiada do Templo do Monte, onde um dia o templo Judeu estava, e foi essa a vista que Jesus teve.

Outra igreja linda ali na mesma rua é a Igreja Ortodoxa Russa, que domina a vista do Monte das Oliveiras, para quem olha desde Jerusalem, com suas cupulas douradas reluzentes. Porem ali funciona um convento Ortodoxo, e portanto as visitas sao super hiper limitadas – nós não tivemos sorte e só vimos as cupulas de longe!

A ultima parada na descida do Monte das Oliveiras é a Igreja de Todas as Nações, que foi construida no meio do Jardin Gathsemane, onde Jesus foi traído e preso pelos Romanos. O Jardin é impressionante, com Oliveiras que estiman-se que existem por ali ha mais de 2 mil anos! Se elas realmente são tão antigas não se sabe ao cero, pois provavelmente os Romanos destruiram tudo, mas as arvores são sem sombra de duvida enormes e antiquissimas!

E as poucas Oliveiras que ainda existem e são produtivas por ali, são as Oliveiras que fornecem as olivas/azeitonas que produzem o azeite usado pelo(s) Papa no Vaticano!

A Igreja, que também é conhecida como a Igreja da Agonia também é uma construção relativamente moderna, e tem 12 cupulas, representando os discupulos e as nações que foram envolvidas em sua construção. E por dentro sua decoração é toda bastante escura, para representar a traição e a agonia de Jesus.

Mais uma vez o passeio foi bem legal, e ajudou ainda mais a entender melhor a historia do local, e o quanto as 3 religiões de Jerusalem são tão interligadas!

Adriana Miller
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