28 Feb 2010
11 comentários

Portas abertas, mentes abertas

Dicas de Viagens, Dubai, Emirados Arabes

Uma das coisas mais legais que nós fizemos em Dubai foi assistir uma palestra “Open doors, open minds” ministradas por voluntarios do “Centro de Compreensão Cultural Sheikh Mohammed” (o nome verdadeiro é “Sheikh Mohammed Center for Curtural Understanding“) que tem como objetivo desmistificar os estereotipos e mitos sobre muçulmanos e o Islamismo.

A palestra acontece na Mesquita Jumeirah todos os Sabados, Domingos, Terças e Quintas as 10:00 horas, dura cerca de 1 hora e meia e custa 10 Dirhams (mais ou menos 4 dolares).

A palestra que assistimos foi dada por duas Inglesas, convertidas ao Islamismo após se casarem com Muçulmanos, e logo de cara elas avisaram: nao se inibam; Nós já ouvimos de tudo nessa vida, e já estivemos “no outro lado” e tínhamos as mesmas duvidas e os mesmos preconceitos que voces. Entao a palestra é justamente pra quebrar todos esses mitos e explicar oque realmente acontece.

Eu achei a iniciativa sensacional, e adoraria que mais cidades e religiões fizessem o mesmo!

Para entrar na mesquita é necesario estar com pernas e braços cobertos (para homens e mulheres), e as mulheres devem cobrir os cabelos com um lenço. Os sapatos devem sempre ser deixamos na porta (ou guardados na bolsa, se for mais pratico).

A palestra comecou com um tour pelo interior da mesquita, mostrando algumas das caracteriscas de arquitetura especificas da religiao. Pra quem nunca entrou numa Mesquita, ao contrario das Igrejas elas sao realtivamente simples e um espaço bem aberto. Na verdade tudo que é necessario para “ter” uma mesquita é um carpete, respeitar os horarios de orações e a direção de Mecca.

As cadeiras estavam ali apenas para a apalestra – mesquitas nao tem cadeiras, pois todas as orações sao feitas no chao, direto no carpete.

Numa mesquita o ponto principal, ou oque seria o equivalente de um altar, é o Mihrab, que é um espaço na parede do fundo da Mesquita que indica a direção da Qibla, ou a direção de Mecca; e o Mihrab sempre tem o formato de uma porta, pois simboliza a passagem para Mecca.

Outro ponto focal de uma Mesquita é o Minbar, que é um mini altar, ou mini plataforma de onde o Iman (lider daquela especifica mesquita – como se fosse um padre) ministra o sermão de sexta feira, ou o Khutba.

A principal função do Iman, alem do sermão Khutba é “cantar” o Adhan que é a “chamada” para oração que acontece 5 vezes por dia, de acordo com o calendario lunar e a posição do sol: Al Fajr, antes do sol nascer; Al Thuhur, meio dia, ou antes do almoço; Al Asr, no meio da tarde; Al Maghrib, entre o por do sol e o anoitecer, e o Al Isha, a noite – diariamente, os jornais Arabes publicam os horarios corretos da oração, e todos os Muçulmanos abeis, devem parar oque estiverem fazendo e completar o ritual do Salat (a oração em si). No nosso passeio ao deserto, o motorista do nosso jeep parou num posto de gasolina no meio da estrada, onde ele fez sua “Ablution” e depois foi a sala especial de oração. E quando reparei oque estava acontecendo, tirei uma foto discretamente e entao vi que praticamente todos os carros, taxis e caminhões que passaram pelo posto naquele momento, pararam, e os motoristas foram direto para a sala de oração.

Nos shoppings centers tambem existemm varias salas de oraçao espalhadas, para que as pessoas nao tenham que para suas compras para cumprir com suas obrigações religiosas.

Na palestra elas contaram tambem algumas estatisticas interessantes: Estima-se que 1 em cada 5 pessoas no mundo sejam muçulmanas, e que ao contrario dos mitos que cercam a religião, apenas 20% dos Muçulmanos sao Arabes, e apenas 30% de todos os Muçulmanos do mundo moram no Oriente Medio. A maior comunidade Muçulmana do mundo esta na Indonesia, e o Islam é a segundo maior religião nos Estados Unidos e Gran Bretanha.

Tambem aprendemos sobre os 5 pilares do Islam, que sao: – Shahadah: acreditar na existencia de apenas um unico Deus; – Salat: as cinco orações diarias; – Zakat: caridade e ajuda ao proximo (que deve ser equivalente a 2.5% da renda de cada individuo, ou familia. Esses 2,5% podem ser doados a quem voce quiser, ou a sua Mesquita); – Haj: a pelegrinaçnao a Mecca, pelo menos uma unica vez na vida.

No final da palestra, começamos a seção de perguntas e respostas, e quase todas foram sobre as roupas e relcionamentos familiares e entre homens e mulheres.

Segundo elas, ao contrario doque as pessoas pensam, segundo as leis do Islamismo, homens e mulheres sao exatamente iguais, e por mais que os ocidentais acreditem que o Islamismo é opressor as mulheres, elas discordam, e acham que suas vidas e liberdade de ir e vir nao mudou em nada ao se converterem ao Islamismo e morarem em Dubai.

E nos explicaram tambem sobre as roupas tipicas dos Emirados. O nome correto é Abaya, ou o “vestido” que elas usam por cima da roupa – a cor mais comum é preto, mas podria ser branco, azul, ou qualquer outra cor. A função da Abaya é “esconder” oque esta por baixo e dar mais liberdade para que as mulheres usem oque quiserem; E por isso tambem a maioria das mulheres acaba escolhendo o preto – pois ajuda a comuflar melhor a roupa que elas estao por baixo.

E o mesmo vale para o lenço que cobre os cabelos. Por uma questao de respeito a Deus, as mulherem devem cobrir seus cabelos – porem nao é obrigatorio. Na verdade vimos muitas mulheres andando pelos shoppings com lenços que cobriam apenas metada da cebeça, ou deixavam a fraja ou o topete pro lado de fora.

Em compensação outras, estavam to-talmente cobertas, inclusive seus olhos. Segundo as palestrantes, usar ou nao veu no cabelo, cobrir ou nao o rosto é uma opção pessoal, e geralmente significa um comprometimento meio com Deus.

Elas tambem falaram sobre a Burqa, que é uma “mascara’ usada por algumas mulhres que cobre as maças do rosto e o nariz. Na verdade, a mascara que parece ser feita de metal e extremamente opressora é feita de couro e seda, e teve sua origem nos povos nomades do deserto, e as mulheres usavam a burqa para proteger sua pele e olhos do reflexo do sol. Por um tempo o uso da Burqa diminuiu bastante (depois que inventaram filtro solar e oculos escuros), mas que de uns tempos pra cá, muitas mulheres voltaram a usar como um “protesto” e como proteção da cultura Arabe, que tem sofrido bastante nos ultimos anos, pos 11 de Setembro. Hj em dia é bem comum ver meninas bem novas e adolescentes que usam a Burqa cobrindo seus rostos como um ato de orgulho de suas raizes e tambem como um fashion statement, comprando burqas em diferentes cores, com brilhantes, pedras preciosas etc.

E o mesmo vale para os homens. Usar o Kandoora (o “robe” branco até o chao) além se pratico, tambem ajuda a diminuir o calor corporal no calor do deserto do Golfo, e o lenço na cabeça Gutra, mostra respeito a Deus e seu compromisso com a religião. É igualmente aceito que homens usem bonés ou outrso tipos de chapeu, por exemplo, mas de uns tempos pra cá, por puro “orgulho de ser Arabe”, muitos homens voltaram a usar a Gutra e Agal (que a corda que amarra o lenço Gutra na cabeça deles) como um fashion statement.

Os shoppings de Dubai sao cheios de lojas que vendem as Abayas e e Kandooras, que sao “moda” como qualquer outra loja – teem opcoes mais caras, mais baratas, tecidos tradicionais ou cheios de tecnologia, Petes, brilhantes e detalhes…

Definitivamente recomendo demais uma das palestras ministradas pelo centro de cultura (eles tambem tem outros eventos culturais que soa abertos a turistas), e se mais paises e mais religioes tomassem iniciativas desse tipo, o mundo teria menos preconceito e provavelmente teriamso menos conflitos e confusoes causadas por interpretacoes erradas da religiao alheia.

Adriana Miller
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Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella e do Oliver.
Atualmente morando em Denver, Colorado, nos EUA, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
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  1. Daiane Tozzi - 28/02/10 - 22h34

    Adriana A-D-O-R-O voce!
    é muito bacana a forma como vc expõe o seu conhecimento e como eu isso contribui pra minha cultura! Contei aqui em casa as coisas que vc escreveu aqui em cima e minha mãe ficou impressionada!
    Eu venho sempre aqui fuçar, como se eu viesse saber as novidades de uma amiga.
    Voce é absolutamente inspiradora!

    Um abração (virtual)

    Responder
  2. Isabel - 01/03/10 - 03h06

    Adriana, eu sou como a Daiane Tozzi. Fico fascinada com os seus artigos. Tudo o que escreve nos ensina qualquer coisa. Depois a Adriana em tudo o que diz põe muito sentimento. Também podia guardar tudo para si, mas não , expõe tudo de uma forma que parece que viajamos consigo.
    Fico sem palavras. Boa sorte e continue sempre assim com esse ar de menina feliz.

    Responder
  3. glau - 01/03/10 - 18h18

    quer dizer que o veu que cobre o cabelo nao tem nda a ver com ‘assinua-se para os homens qdo nao se usa’? nossa que surpresa. Definitivamente aprendi um pouco hj.
    aproveitando o comentario, o link de viagens ‘franca’ nao esta abrindo, pq seria?
    abraco

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    • Adriana - 01/03/10 - 18h33

      Isso mesmo Glau.
      O lenco cobrindo os cabelos eh em respeito a Deus, e os homens tambem devem fazer o mesmo – a palestrande deu como exemplo as “carolas” catolicas que vao pra Igreja com veu cobrindo a cabe ca e o rosto, por exemplo. Eh uma pratica comum em varias religioes, mas os muculmanos levam mais a serio, e acabam levando a “fama” por causa disso.

      Porem ela confirmou que a maioria das mulheres de lah sao bem reservadas e timidas quando estao fora de casa, e preferem se “esconder” mesmo – porem nunca porque o pai/marido/irmao “mandou” nelas, e sim por uma escolha pessoal.
      Jah o espaco reservado para mulheres na mesquita eh por questao de respeito. Como elas nao estao acostumadas a se expor a estranhos, e por considerarem o momento da oracao tao sagrado e de “abertura”, as proprias mulheres preferem ficar em salaas separadas nas mesquitas, ou entao fazer o ritual em sua propria casa.

      Responder
  4. Carol - 01/03/10 - 18h40

    Adoreeeeei!!! Eu amo saber sobre outras culturas e religiões e quebrar paradigmas é bem legal…tem coisas que a gente imagina de um jeito, mas na verdade a gente fantasia muito né!! Uma vez li uma entrevista de uma mulçumana e ela falava exatamente o que vc falou, que quando ela usava essa roupa aí sim que se sentia livre!! Elas se sentem livres de assédios, e não sabem como as ocidentais conseguem sair sem isso!! A gente pesna o contrário né, como elas conseguem usar isso!! rsrsrs…mas nada como enxergar o outro lado da história…começamos a enxergar com outros olhos!!

    Que bom que temos vc pra relatar essa palestra pra gente, pq se fosse eu que tivesse ido à Dubai não assistiria essa palestra, pq apesar de falar um pouco de inglês, não sei se entenderia tudo tão perfeitamente como vc!!

    Brigadaaaa!!! =)

    Responder
    • Adriana - 01/03/10 - 18h51

      OI Carol,
      Que bom que vc gostou!
      Pois eh, infelizmente as palestras desse centro cultural sao pouco divulgadas, e eu descobri por mero acaso, e como adoro conhecer mais sobre cultura, historia e religiao dos lugares onde vou, me animei na hora! alem de ser a unica mesquita aberta a nao muculmanos em Dubai, entao foi bem legar ver a mesquita por dentro e entender um pouco mais do porque das coisas.

      E a plestrante ainda confirmou que muita gente acha que soh porque elas andam cobertas dos pes as cabecas, se embarangam, mas na verdade eh exatamente o contrario, pois podem se arrumar muito mais, se enfeitar, mas nao precisam se “preocupar” com assedio dos outros nem em serem julgadas por estranhos. mas quando estao em casa, casa de amigos ou em abientes sem “estranhos”, elas se vestem normalmente.
      Ambas levantaram a “saia” pra gente ver oque tinha por baixo – uma delas estava com um vestido bem bonitinho e curto, e a outra de calca jeans e camiseta. bem normal. E elas tambem sempre estao super produzidas e maquiadas, cheias de joias e tal.

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  5. myiska - 02/03/10 - 02h31

    tb gostei muito dessa contribuição p conhecer um pouco dos costumes e religião de um povo tão distante. p mim isto é viajar – não percorrendo só o espaço fisico, mas se interessando pela história ,diferenças culturais, etc. isto é aprender constantemente , mto,mto interessante. tb adoro sentir e se possivel interagir c o povo. vc divide mmo c os outros todas a experiências de uma viagem. Parabéns!

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  6. Fê Costta - viaggio mondo - 05/03/10 - 08h13

    Até hoje não entrei dentro desta mesquita. Mas depois de conhecer a magnífica de Abu Dhabi e as mais que históricas de Istambul, esta de Jumeirah fica até meio sem graça, né?

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    • Adriana - 05/03/10 - 11h37

      Com certeza!
      Essa mesquita nem se compara as mesquitas de Istambul, mas oque eu achei legal mesmo foi a palestra dada e a iniciativa. Como estrutura ou arquitetura deixa muito a desejar!

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  7. […] mesquita eles operam um programa muito parecido com o “Mentes abertas” de Dubai (um pouco mais improvisado, pois eles nao recebem tantos turistas) onde guias te […]

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  8. Marcos Leite - 05/07/15 - 18h55

    OI Adriana,
    Estive nesta mesma Mesquita semana passada 27/06/15 e a palestrante foi a Britanica que está a esquerda na foto que tem as duas mulheres.
    E o homem de branco da foto, ele continua fazendo a demonstração de como se reza.
    E logico que li o seu blog antes de ir a Dubai.
    Abraço,
    Marcos

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