23
May
2011
Burocracias e papeladas para trekking no Annapurna
Escrito por Adriana Miller

O Nepal é inteirinho no meio da cadeia dos Himalaias, sem acesso a mar, planices nem nada do tipo. E boa parte do pais são areas protegidas, parques naturais e afins, que ajudam a regular o fluxo de turistas e controlar os impactos ambientais na região.

Então, não é coincidencia que todas as areas de trekking ficam justamente dentro dessas areas de proteção ambiental, e portanto é terminantemente proibido fazer qualquer tidpo de caminhada, passeio ou trekking sem as autorizaçoes e papelada oficial.

Como nós fizemos nosso trekking atravez de uma agencia não tivemos que fazer nada disso pessoalmente, mas o processo não é dificil, complicado nem caro, então não tem desculpa!

O principal motivo é mesmo a segurança. Os inspetores dos parques ambientais precisam saber quem voce é e onde esta ao longo de seu trekking, pois caso aconteça algum acidente ou emergencia, essa é a unica chance de socorro já que os vilarejos não tem hospital, pronto socorro, nem nenhuma estrutura de nada (nem telefone e muito menos nem internet!).

Mas outro motivo tanto (ou até mais) importante quanto é monitorar o impacto no ambiente e na população local. A região do Annapurna tem cerca de 100.000 habitantes, divididos em centenas de pequenos vilarejos, e recebem cerca de 36 mil trekkers por ano.

E como a maioria dessa população etnica depende economicamente desses visitantes, é muito importante que a região seja sustentavel, e que dure por muitos e muitos outros seculos.

O orgão que regula tudo isso no Nepal é o National Trust for Nature Conservation (NTNC), e na região do Annapurana, o orgão regional (que trabalham em parceria) é o Annapurna Conservation Area Project (ACAP), que tem postos de inspeção ao longo da trilha no Annapurna, e escritorios em Kathmandu e Pohkara, e as autorizações e sua “carteirinha” só pode ser feita lá mesmo, pessoalmente (ou por alguma agencia, que fazer em seu nome).

 

O primeiro passo é a carteirinha de entrada, ou o “Entry Permit”, que custa 2.000 Rupees Nepaleses (cerca de 20 dolares), e além de identificar o trekker, tambem identifica a agencia, guia e/ou carregador que vai viajar com voce (pelo que andei lendo, não é permitido escalar completamente sozinho, por questão de segurança).

Mas o mais importante (e é oque vão checar e carimbar a cada inspeção) é o “passaporte” TIMS (Trekker’s Information Management System), que funciona como se fosse um visto pra entrar na area de conservação do Annapurna, e além da identificação do trekker, indica tambem exatamente qual parte da trilha voce vai fazer, e quais checkpoints vai passar.

 

Existem dois tipos de TIMS diferente, e são divididos entre os turistas que entram no parque acompanhados por guias e/ou carregadores (seja em um grupo, ou como no nosso caso,  num grupo independente) que ganham o TIMS azul, e os turistas que se aventuram sem acompanhamento local/profissional, e carregam seu proprio equipamento e montam seu proprio roteiro, que tem o TIMS verde.

Os preços do TIMS variam de região pra região do pais, e quem pretende escalar de verdade (ou seja, escalar até algum cume) precisa de uma autorização (e preço) especial.

Mesmo pra quem pretende fazer trekking totalmente independente, pode tirar suas autorizações com ajuda de uma agencia, que ajuda a simplificar o processo.

 

 

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
4
23
May
2011
Annapurna dia 2: de Tirkhedunga a Ghorepani
Escrito por Adriana Miller

O segundo dia foi sem duvida alguma o pior, mais longo e cansativo dia do trekk – e que infelizmente e consequentemente impactou todo os outro dias!

E foi um dia com pouca coisa pra falar pois passamos o dia todo fazendo exatamente a mesma coisa! Subindo escadas!

No total foram praticamente 8 horas seguidas subindo degraus e escadarias vertiginosas na beirada das montanhas.

Mas neh, como tudo nessa vida, um passo apos o outro!

O dia comecou lindo, com sol e otimas paisagens, e mais uma vez chegamos a conclusao que o melhor clima pra caminhadas eh quando esta nublado e ate mesmo com neblina, pois ameniza um pouco o calor do esforco do exercicio fisico…

Fizemos algumas paradas estrategicas para foto & oxigenio ao longo do dia, mas o guia na dava moleza, e sabia que quanto antes chegassemos me Ghorepani, melhor. Alem disso ele ficava repetindo incansavelmente que o “clima no Himalaias eh imprevisivel” e nao era porque estava sol naquele momento do dia, que faria sol o dia todo…

Na metade do dia paramos pra almocar no vilarejo Uleri (o bom de viajar com os guias locais eh que eles conhecem todas essas familias, entao sabem exatamente quam cozinha bem e quem cozinha mal, e tivemos refeicoes incriveis todos os dias!) e foi mais ou menos assim: a “mae” da casa botou a mesa pra gente e nos mostrou o cardapio. Decidimos oque queriamos comer (as opcoes sao pouquissimas, e acabamos comendo basicamente a mesma coisa todos os dias), e entao ela desceu na horta pra colher os ingredientes do nosso almoco e comecou a cozinhar tudo ela mesma no fogao a lenha da casa!

Nunca me senti tao saudavel na vida!!

Eu vi ela tirando da terra as batatas e a couve, 3 minutos antes de entrar na panela! Eh ou nao eh incrivel!?

E enquanto esperavamos a comida, a profecia do Deepak, nosso guia, se materializou: de um segundo pro outro comecou um vendaval com umas nuvens pretas de dar medo! Depois vieram os raios e trovoes, e quando a comida ficou pronta, ja estava caindo um temporal!!

Entao aprendemos o verdadeiro significado do ditado “quem ta na chuva eh pra se molhar”, e depois do almoco colocamos nossas capas ipermeaveis e seguimos nosso caminho! Nesse ponto em diante, ainda tinham cerca de 4 horas de caminhada!

A chuva deu uma aleviada, mas a medida que iamos ganahndo elevacao e ficando mais e mais altos na montanha, o tempo foi ficando cada vez pior, e voce jurava que um dos raios iam cair na sua cabeca! Estavamos Literalmente DENTRO da nuvens!!

Ate que um novo temporal chegou com toda forca! Mas chovia tanto, mas tanto que nao tivemos escapatoria e nos refugiamos numa tenda/curral que apareceu pelo caminho…. e ali ficamos plantados por cerca de 1 hora enquanto o mundo desabava la fora! Mas era muita agua! E a agua foi se transformando em gelo, com umas bolotas de granizo de dar medo!

Mas nesse ponto do dia, ja estavamos tao pertinho (faltavam umas 2 horas so) do vilarejo final, que juntamos todas as nossas forcas, e com chuva ou sem chuva seguimos a trilha!

E nao sei se foi a chuva, se foi o cansaco das 6/7 horas anteriores…. sei lah, soh sei que a reta final pra entrar em Ghorepani foi torturosa! O degraus eram maiores e mais largo, e portanto mais dificeis e cansativos de andar, o chao estava molhado e elameado, e a sensacao geral eh um misto de calor (por dentro da roupa de chuva) com o vento frio da chuva e dos Himalaias.

E quando finalmente chegamos a Ghorepani, foi praticamente cena de filme… dava pra ver bem nitidamente que a vila ficava no topo de uma montanha, bem de frente pro Annapurna, com suas casinhas pintadas de azul e tal…

Entao la estavamos nos dois tranquilamente tirando fotos, e com aquele alivio de “ah…. chegamos! Acabou!” quando eu comecei a ouvir um barulho ensurdecedor! Por algumas fracoes de segundos ficamos nos olhando do tipo “que barulho eh esse?!”, e ainda estavamos no meio da pracinha, a uns 100 metros da nossa Tea House. Mas o temporal se aproximando era tao forte e violento, aquela massa cinzenta de agua e pedras de gelo, que o barulho ensurdecedor que estavamos ouvindo era a chuva e o granizo batendo nas pedras e no telhado das casas!

Entao foi uma coisa assim camera lenta…. saimos correndo em direcao ao alojamento, com o guia na janela fazendo sinal de “corre logo”, ainda com nossas mochilas nas costas e o barulho da chuva chegando cada vez mais perto!

Quando finalmente chegamos na parte coberta da casa, ja sendo molhados pelos primeiros pingos que tinham nos alcancado, caimos na gargalhada!! Foi muito engracado! Cena de filme mesmo, com todos os outros guias e hospedes assistindo da janela, e torcendo pra gente conseguir fugir da chuva a tempo!! E o Aaron ainda comentou: Esse sim seria um momento perfeito pra ter feito um video pro Blog! Hahahahah

Entao o resto da noite ficamos na beira da lareira no salao principal da Tea House (que dessa vez era bem grandona), onde jantamos e nos preparamos pra sair de casa no dia seguinte as 3 da manha!!

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
22
22
May
2011
Annapura dia 1: De Nayapul a Tirkhedunga
Escrito por Adriana Miller

O primeiro dia do trekking comecou facil – e bem cedo!

O dia comecou emocionante, e apesar de algumas nuvens no ceu, nos comseguimos ver parte dos Himalaias pela janela do hotel, que mesmo as 6 da manha, dá energia extra pra qualquer pessoa!!

Saimos do hotel em Pokhara e fomos de carro ate Nayapul, que eh o vilarejo de onde partem varias trilhas no extremos oeste do circuito do Annapurna.

Em Nayapul vimos um pouco de tudo… dos turistas super preparados e equipados, prontos pra comecar o primeiro de seus 25 dias ao redor das montanhas mais altas do mundo, mas tambem varios outros grupos que estavam ali apenas pra dar uma voltinha, caminhar por algumas horas ao longo do dia e voltar pra Pokhara.

Logo quando colocamos os pes na trilha e comecamos nossa caminhada (que seria um primeiro dia “facil” – apenas 6 horas!) o tempo abriu completamente e vomos premiados com um sol espetacular!

O unico problema eh eh um tempinho depois, esse mesmo sol se tornou nosso inimigo numero 1!! A temperatura subiu rapidinho a medida que o dia ia avancando e a trilha ia ficando mais e mais ingreme!

Mas esse primeiro dia foi uma otima introducao ao que vinha por ai.

Eu ja tinha lido bastante sobre a regiao Himalaia, e como a populacao local se adapatou ao meio ambiente ao longo da evolucao e ocupacao da regiao, mas nunca pensei que fosse tanto! Principalmente nesse comeco de trilha, a cada meia hora mais ou menos passavamos por um vilarejo diferente, que variavem entre 1 unica casa/familia, ate algumas dezenas de casas, cercadas de pastos e fazendinhas por todos os lados.

Outra coisa que infelizmente eu li bastante a respeito e vi que era verdade, sao as marcas que o “desenvolvimento” estao deixando nos Himalaias.

Felizmente a regiao eh muito bem controlada pelo governo e ainda nao foi afetada por lixo e poluicao, mas por outro lado, por mais que a regiao do Annapurna seja uma area protegida e parque ecologico, a regiao tambem abriga centenas de pequenas vilas, e cerca de 100.000 pessoas nasceram, cresceram e vao morrer or ali. E para essa populacao (quase todo de origem etnica minoritaria, principalmente os “descendentes” e refugiados do Tibet) O Annapurna eh sua casa e sua vida, e eles tambem precisam de ter condicoes minimas de sobrevivencia. Precisam de escolas, hospitais, policiamento, acesso a suprimentos.

Por isso o governo esta construindo estradas entre algumas das vilas, que por um lado facilita bastante a vida de quem mora por lah, e os aproxima da “civilizacao”, mas por outro lado, infelizmente, afeta demais o meio ambiente, destroi as trilhas ecologicas, muda a aparencia da montanha e acaba com part do fascinio de “isolamento” que os Himalaias tem.

Mas em compensacao, essa impresao soh durou parte do primeiro dia, enquanto ainda estavamos proximos de Pokhara, e a medida que fomos entrando e entrando nos vales, todo sinal de civilizacao ficou pra tras!

Entao la promeio da tarde (6 horas depois…) chegamos em Tirkhedunga, nossa primeira parada e nossa primeira Tea House!

Ficamos numa tipica casa Himalaia, onde mora uma familia, que aluga os quartos construios no andar de cima para turistas. O Avo e a avo organizam tudo e a mae e as criancas cozinham para os visitantes (os homens geralmente migram pras cidades grandes mais proximas e trabalham por lah durante toda temporada, enquanto as mulheres ficam nos vilarejos cuidadndo da casa e das criancas).

Uma casa super simples, e nosso quarto era nada mais que 1 porta, 1 teto e 3 paredes. Mas a cama era conformtavel, o chuveiro morno (frio pelos meus padroes, mas o Aaron gostou…) e a comida deliciosa!

Na mesma Tea House estavam tambem 2 familias Alemans e um casal de Coreanos, que depois cruzamos varias outras vezes nos outros dais da trilha e viraram nossos melhores amigos!

E foi justamente isso que eu mais gostei nesse esquema “tea House” do Nepal: no fim do longo e cansativo dia, voce chega “em casa”. Pode se jogar no sofa confortavelmente, comer uma comida caseira super bem feita (nao ha nada mais organico que aquilo!) e bater papo com a familia pra relaxar.

Conhecemos muita gente diferente e legal ao longo dos nosso 7 dias de trilha, vindos da mais variadas partes do mundo, mas todo com o memso objetivo, e com aquela energia boa que so o Nepal tem!

Depois que o sol se pos, jantamos e demos inicio a rotina que se repetiu todos os dias – ir pra cama com as galinhas, pra termos uma longa noite de sono e acordar de novo no dia seguinte assim que o sol nascer!

 

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
7
20
May
2011
Se apaixonando pelo Nepal
Escrito por Adriana Miller

Logo que chegamos em Kathmandu, definitivamente nao foi amor a primeira vista!

O voo vindo de Delhi atrasou mais de 2 horas por causa de mau tempo em Kathmandu, e o aeroporto da capital do Nepal parece que ficou parado no tempo em 1937. Foi um choque cultural sair do aeroporto novissimo, moderno e super bem organizado de Nova Delhi, passar cerca de 1,5 hora no aviao e pousar em Kathmandu!

Pra comecar que o aeroporto eh minusculo, alguns dos sinais e informacoes sao pedacos de papel escritos a mao e colados nas paredes, e os turistas ficam meio zuretas tentando entender oque fazer e pra onde ir…

Eu tinha pesquisado sobre o visto Nepales, e sabia que nem eu nem o Aaron precisavamos de pedir visto com antecedencia, mas mesmo assim imprimi os formularios do visto, separei as fotos 3×4 e deixamos tudo prontinho e preenchido (eu tinha lido num forum qualquer de mochileiros que levar tudo prontinho economizaria uns 40 minutos de burocracias na fronteira – e era verdade).

Mas ai, assim que saimos do aviao, qual foi a primeira coisa que eu lembrei? Lembrei que esqueci de levar toda papelada do visto pro Nepal!!!!

Nao foi o fim do mundo, mas tivemos que disputar espaco com outras dezenas de turistas pra usar a bancadinha com os formularios, e pagar uma pequena fortuna pra tirar uma foto 3×4 com o “fotografo” do aeroporto (que cobrava seu preco em dolares, mas soh aceitava pagamento em Rupees Nepaleses, que por sua vez significou que tivemos que ir trocar dinheiro na casa de cambio do aeroporto, e pagamos mais uma pequena fortuna em taxas e comissoes e uma taxa de cambio que foi uma verdadeira roubalheira!).

Mas logo que saimos do portao de desembarque eu vi a plaquinha com meu nome nos esperando (a agencia que nos acompanhou na trilha pelo Hilamalia foi nos buscar), e foi mais um deus-nos-acuda de gente querendo oferecer taxis, oferecer ajuda pra carregar as mochilas, oferencendo hoteis, oferencendo pacotes de viagem… uma verdadeira visao do inferno! E claro, golpe numero 1 em viagens – se vc deixa alguem te “ajudar” por um segundo que seja (no caso, um carinha “segurou” a alca da mochila enquanto o Aaron colocava nossas coisas na mala do carro) eles vao cobrar uma gorjeta! O problema nao eh pagar pelo servico prestado, e sim a imposicao do pagamento por um servico nao solicitado (e nesse caso duvidosamente prestado)! Entao o Aaron resolveu abrir a carteira pra pegar umas notas de Rupees Nepaleses, e pronto, uns outros 3 caras pularam no nosso carro pra pedir gorjeta tambem, metendo a ao pela janela, e logico, quem vai querer 100 Rupees Nepaleses (cerca de 1 dolar) quando a mesma carteira tem notas de Euro e Libras?! (mas isso ja eh uma ooooooutra discussao que vivo tendo com meu dignissimo esposo que cisma em viajar carregando sua carteira “chamativa” e cara, cheia de cartao e diferentes “dinheiros”. Mas enfim, deixa pra la!).

Mas tudo bem.

Seguimos diretamente pra fazer check in no nosso albergue, o Kathmandu Madhubam Guest House (que recomendo DEMAIS!!!!) e de la fomos pro escritorio da nossa agencia fechar os acertos finas da viagem.

Nossa trilha nos Hilamaias foir organizada pela agencia Alpine Adventure Club, que eh uma agencia 100% local. Foi meio que um tiro no escuro fechar a viagem com eles, ja que nao tive nenhuma referencia pessoal, e foi tudo decidido a base de e-mails.

Mas como contei antes, eu pesquisei demais as opcoes de rotas e trilhas e qual seria a melhor opcao pra nossa viagem. E uma das coisas que eu li bastante sobre o Nepal, foi da importancia de prestigiar as agencias e guias locais.

O governo do Nepal leva super a serio a industria do Turismo, assim como a preservacao ambiental de seu principal bem e gerecao de renda: as montanhas (e isso soh foi comprovado ainda mais depois que comecamos a trilha pelos vilarejos), e tudo por la eh super bem regulado e inspecionado, mas sobretudo porque o turismo eh a unica opcao que a maioria esmagadora da populacao tem de ter uma vida um pouco melhor.

Opcoes nao faltam de agencias baseadas na Europa, EUA e do mundo todo que organizam expedicoes nos Himalaias, que muitas vezes sao mais bem organizadas e oferecem uma infra estrutura melhor; mas por outro lado, eles utilizam guias estrangeiros, carregam material de acampamento e afins, oque significa que a populacao local nao se beneficia nem lucra com esse movimento de turistas.

Entao entrei em contato com varias agencias locais em Kathmandu (e inclusive, muito gente que vai pra la com tempo e uns dias sobrando, deixa pra fechar a agencia e opcoes de trilha soh depois de ja estar em Kathmandu), mas a Alpine Adeventure Club foi a que mais me cativou.

Todos os e-mails foram trocados diretamente com o Sr. Binod Thapa, que eh o dono da agencia, e que depois nos contou que tinha mais de 20 anos de experiencia como carregador, sherpa, guia e inspetor, antes de decidir abrir sua propria agencia.

Ele entendeu perfeitamente meus requerimentos, nossa limitacao de tempo, e o fato de que queriamos ter belas paisagens pra tirar muitas fotos!

Ele fez varias sugestoes, e ofereceu organizar um pacote personalizado soh pra nos dois, por apenas 50 dolares de acrescimo (nao queriamos ficar presos a um grupo, queriamos poder andar no nosso proprio ritmo e ter certo poder de decisao no roteiro). Entao tivemos um roteiro soh nosso, sem estar presos a nenhum grupo, e com um guia e um carregador particular.

O Binod cuidou de toda papelada de autorizacao de trilha e afins por nos, e ainda nos instruiu sobre onde comer em Kathmandu, onde alugar nosso saco de dormir, e onde comprar algumas das coisas que estavam faltando.

No dia seguinte, quando fomos na rodoviaria pegar nosso onibus em direcao a Pokhara, ele estava lah, pra garantir que estava tudo certinho!

Mas infelizmente, depois que ja estava tudo resolvido com a agencia, caiu um temporal digno de Himalaias!!

Nao soh atrapalhou nossos planos de conhecer um pouco da cidade, como ainda foi um problemao pra conseguir achar um caixa eletronico que funcionasse! (quando comeca a chover assim, varias partes da cidade ficam seu energia eletrica, entao os bancos travam automaticamente!).

Entao passamos boa parte do tempo no albergue, dormindo, comendo e conversando com o dono do Madhurbam Guest House (que eu nao lembro o nome!), outro Nepales incrivelmente simpatico e prestativo, enquanto tentavamos nos atualizar na internet (gratiz no albergue!) e descobrir oque estava acontecendo no mundo e comendo maravilhosamente bem (pecam o Dal Fry e Momo Vegetariano!! O MELHOR que comemos no Nepal – e olha que comemos MUITO bem no Nepal)

Mas assim que a chuva acalmou, saimos pra passear pela regiao de Thamel (que eh o bairro dos mochileiros de Kathamandu), e a sensacao de que, apesar dos pesares, tinhamos nos apaixonado pelo Nepal e pelos Nepaleses nao parou de crescer ate o final da viagem!

E foi paixao assim de graca mesmo.

Apesar do caos de cidade mal planejada, apesar da poluicao visual (e do ar tambem!), tuk-tuks insandecidos nas ruelas sem calcada, o Nepal eh um lugar que por definicao transmite paz.

As pessoas sao tranquilas, voce se sente bem, bemvindo e querido por todos o tempo todo. A cada lojinha, cada restaurante, cada alojamento, a sensacao era sempre de que eramos hospedes de honra, convidados da familia que eles faziam questao absoluta de tratar bem. Questao de honra mesmo! E de karma!

E como tudo que eh do bem, atrai mais coisas do bem, o Nepal tem esse ar de ciclo vicioso, onde as pessoas se sentem bem pois sao bem tratadas, e por sua vez voce quer ajudar e tratar bem os locais, e o ciclo recomeca!

Nao da pra explicar oque que o Nepal tem, mas eh um lugar de energia sem igual, e ja estamos (mesmo!) planejando uma outra viagem pra la ano que vem!

Postado em: Annapurna Kathmandu Nepal Perrengues Viagens
6
02
May
2011
Nepal ao vivo!
Escrito por Adriana Miller

Sobrevivi!

Depois de 6 (ou 7? Perdi a conta dos dias e perdi a noção do tempo…) nas trilhas no meio dos Himalaias, voltamos pra Pokhara, e amanha voltaremos pra Kathmandu!

A escalada foi simplesmente sensacional, e uma experiencia e sensaçnao inigualavel de estar ali, nos vales das montanhas mais altas do mundo!

Paisagens deslumbrantes, pessoas simpaticas, comida deliciosa!

E… 1.500 fotos (e vaaaarios videos) pra registrar cada segundo da viagem!

O Nepal me surpreendeu demais, e foi uma das viagens que mais AMEI! Tanto, que já começamos a planejar outra viagem pra cá ano que vem!

Amanha voltamos pra Kathmandu, e quarta feira voamos pro Sri Lanka até a hora de voltar pra casa…

 

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
17
28
Apr
2011
Annapurna – Treinamento
Escrito por Adriana Miller

Nos meses que antecederam a viagem ao Kilimanjaro, uma das minhas principais preocupações era meu preparo fisico.

Não que eu fosse um saco de batatas, mas sei lá né? Nunca tinha feito nada naquele nivel, nunca tinha estado em altitude elevada, e tudo que eu lia a respeito era que seria a coisa mais dificil de se fazer na vida.

E realmente foi! Conseguir chegar em Uhuru Peak foi o maior desafio da minha vida, e acho dificil qualquer outra coisa conseguir se comparar. Mas no geral, a viagem foi bem tranquila fisicamente.

Logico que fiquei exausta todos os dias, afinal passar de 6 a 9 horas subindo ladeira todos os dias não é exatamente facil, mas eu imaginava que seria muuuuuito pior doque foi!

Na minha cabeça eu passaria os dias em sofrimento, com caibras fatais, falta de ar e enjoos de me virar do avesso. Mas nada disso aconteceu. Não sofri nenhum efeito com a altitude, não sofri com grandes dores (tudo doía, mas não o suficiente pra me impedir de seguir em frente) e o mais importante, consegui respirar bem, mesmo a 5.895 metros de altitude!

Então quando comecei a planejar como seria meu treinamento pro Nepal, pelo menos eu já sabia mais ou menos oque esperar.

Mas tive alguns problemas. Primeiro que tive muito menos disciplina, posi sabia que sobreviveria sem grandes dificuldades.

Mas o grande problema mesmo foi que na descida do Kilimanjaro eu machuquei meus joelhos, e apssei os ultimos meses fasendo fisioterapia e exercicios de fortalecimento muscular.

Por sorte a lesão não foi tão grave a ponto de me impedir de escalar mais nada, mas me impediu de fazer o exercico que mais gosto, que é correr.

Então toda aquela rotina pre-Kili de acordar 6 da manha pra correr na beira do Tamisa foi por agua abaixo, e o maximo que fiz foi tentar encaixar a academia na hora do almoço umas 3 vezes por semana (isso quando eu estava no escritorio, né, porque nos ultimos meses viajei bastante a trabalho).

Meu foco continuou sendo as subidas/ladeiras, então subia na esteira com meu iPod e ficava andando rapido com inclinação alta na esteira até a hora de voltar pro meu escritorio.

E claro, muitos exercicios de fisioteriapia e alongamento.

Se isso tudo vai ser suficiente eu não sei, mas acho que só a diferença de altitude (o ponto maximo que chegaremos no Annapurna é de 3.500 metros de altitude, um pouco mais que a metade da dificuldade do Kili) já vai ajudar bastante e exigir menos de mus musculos e pulmão.

Mas só vou poder confirmar isso na volta!

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
5
25
Apr
2011
Annapurna: Lista de equipamentos (e oque levar na viagem)
Escrito por Adriana Miller

Toda preparacao pra esse viagem tem um gostinho de nostalgia, pois agora ja me sintomais “experiente” do que era antes do Kilimanjaro (impossivel nao ficar comparando os dois o tempo todo!).

Sem falar que dessa vez, eu ja sei oque esperar, oque vou realmente usar ou nao, oque eh frescura e o que eh essencial. E ainda bem! Porque os trekkings no Nepal (pelo menos do jeito que estamos fazendo) eh bem mais independente, e nao recebemos tantas informacoes sobre o clima, oque usar etc, como foi na Tanzania.

Mas por outro lado, teoricamente voce nem precisa levar nada pra escalar no Nepal. Aparentemente Kathamandu eh lotada de lojas de aluguel de equipamento – ja li alguns comentario sque basta chegar la com sua escova de dentes e botas e pronto! Todos o resto por der alugado por la a preco de banana!

Esse nao eh nosso caso ja que ja tinhamos tuod que precisavamos pra viagem (eu tive que comprar mais alguma coisas ja que levei varias coisas emprestasdas na viagem do Kili).

Mas recaptulando, TUDO que estou levando para esses 17 dias de viagem (incluindo os 10 dias na montanha) sao:

Roupas tecnicas:

- Jaqueta corta vento a prova d’agua (também conhecida como “shell” pois é oque vai por cima de tudo)

- Jaqueta termica de pena de ganso

- Jaqueta mais leve, de fleece (que siva como a camada intermediaria)

- Camisetas (de maga curta e longa) feitas de material esportivo, que repele agua e suor (evitando que o suor fique em contato com a pele)

- Calça a prova d’agua e corta vento (que tambem vai por cima de tudo)

- Calça para caminhada (cargo)

- Calça de fleece ou de lã

- Lingerie/roupa de baixo para esporte (com material anti umidade e suor)

Para proteger a cabeça:

- Chapeu de abas e/ou bone (boa parte da escalada será acima das nuvens, então o sol será constante e impiedoso)

- Gorro que cubra as orelhas

- Gola “role” de fleece (para proteger e esquentar o pescoço)

- Lanterna de cabeça (alguns dias começamos a caminhada antes do sol nascer – e pra achar o “banheiro” no meio da noite!)

Mãos:

- Luva fina (de dedos) de fleece ou lã Merino de grado medio

Pés:

- Botas de caminhada, a prova d’agua

- Meias de lã de espessuras diferentes (media e grossa)

- Meia de seda pra usar por baixo da meia de lã (pro proteger a pele da textura grossa das meias de lã)

- Chinelo / sapatos extras pra descansar os pés depois da caminhada

Acessorios:

- Mochilona (que será a bagagem)

- Mochila menor pra carregar suas coisas durante o dia (agua, barra de cereais, casaco extra, camera fotografica, etc) de cerca de 30 a 40 litros

- Pochete: Nao sei se sobreviveria sem ela! Foi muito bom ter tudo que precisava sempre a mao, sem ter que ficar tirando e recolocando a mochila 500 vezes ao longo do dia na chuva.

- Oculos de sol

- Garrafa de agua de metal (as de plastico acumulam bacterias e deixam a agua com mal gosto)

- Toalha de viagem (daquelas fininhas que secam mega rapido)

- Lençol para o saco de dormir (já que o nosso será alugado)

- Sacos platico Zip pra separar as roupas e proteger de sugeira/chuva/roupa suja

As coisas que eu retirei da minha lista pois sei que nao vou usar ou precisar foram:

- “Bengala” de caminhada – Nao consegui pegar o jeito da coisa… achei que ter que cordenar os passos, com a respiracao, mochila, camera e afins e ainda ter que segurar duas bengalas, tava atrapalhando meu style

- Camel back (compartimento de agua – 1 ou 2 litros – que vai atras da mochila com o estoque de agua do dia) – Achei de deu um gosto horrivel de plastico na agua, e nao consegui me adaptar a beber por aquele canudinho.

- Gaiters (uma proteção que vai por cima da bota e da calça, pra evitar que agua/neve entre na bota) – foi super util no Kilimanjaro, mas nao vamos ter que caminhar em terreno solto nem em nevel alta, entao dessa vez os Gaiters sao dispensaveis.

- Luva tipo Mitts para neve (daquelas que não tem dedo e sao acolchoadas) – achei mais util ficar com as maos nos bolsos e colocar os “hand warmers” dentro das luvas doque ficar andando e tentando segurar minhas coisas, tirar fotos, abrir a carrafa de agua e etc usando essas luvonas enormes!

- Balaclava (aquele gorro que cobre parte do rosto) – Um bom gorro de la ou fleece que cubra bem a cabeca e as orelhas eh mais que suficiente. Acho que a Balaclava talvez seja mais util pra homens, mas pra mulheres de cabelo comprido, soh atrapalha (e deixa uns nos fabulosos na parte de tras da cabeca!)

E pra completar, alem disso tudo ainda estou levando algumas outras mudas de roupa pra usar nos dias que estaremos na India e no Sri Lanka.

A principal diferenca vai ser a temperatura – a previsao media para esse fim de semana em Delhi e Jaipur eh de 40 graus, e o Sri Lanka vai estar um pouco mais fresquinho, uns 35 graus, mas com chuva forte todas as tardes (pegamos o comecinha da temporada de moncoes)

Por causa das diferencas culturais e religiosas desses paises, foi facil escolher oque vestir: saias e vestidos longos, com camisetas/blusas que cubram os ombros.

Reparem que nao to levando nenhuma calca jeans! Totalmente inutil e dispensavel numa viagem dessas.

Entao estarei bem coberta, mas um pouco fresquinha pelo menos…

E pra completar o pacote, nao posso esquecer, CLARO da parafernalia nerd, incluindo minhas duas cameras fotograficas, meu laptop, o Kindle (com 4 novos livros!), o Pebble, o mini tripe, baterias extras para as cameras (eu tenho 3 baterias pra camera grandona, e 2 para a pequena), e todos os cabos do laptop, carregador das cameras, etc.

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Postado em: Annapurna Nepal Viagens
6
21
Apr
2011
Trekking nos Himalaias – Por onde começar?
Escrito por Adriana Miller

O Aaron tinha o sonho de escalar os Himalaias. Com os anos passando, a idade avançando e o fisico de atleta de outrora ficando pra tras, ele desistiu de tentar de fato escalar qualquer coisa entre a cadeia de montanhas mais altas do mundo. Mas ainda assim, sempre manteve a região na sua bucket list.

Mas mesmo que voce não tenha 6 meses a sua disposição e um preparo fisico de tri-atleta, oque não faltam são opções de roteiros e circuitos pelos Himalaias (Indiano, Nepales, Butão e Tibet) – e ai começa a duvida…

São literalmente centenas de opções, então qual escolher??

Quando finalmente decidimos fazer essa viagem, marcamos passagem e afins, então começamos a quebrar a cabeça pra decidir e pesquisar onde ir e oque fazer exatamente.

Imediatamente desconsideramos os roteiros desconhecidos, areas de conflito politico (Tibet) ou que dificultariam demais nossa vida e nossos custos (como é o caso do Butão! Chegamos a considerar ir pra lá mais o pais tem um dos turismos menos acessiveis do mundo – e de proposito!). Então a decisão foi tomada e iriamos pro Nepal!

Pesquisas on line ajudam, mas precisávamos de uma ajuda mais “profissional” então consultamos guias especializados, como por exemplo o “Trekking in the Nepal Himalaya” do Lonely Planet, e começamos o processo de escolha por eliminação. Escolher nossa trilha no Kilimanjaro foi facil, afinal sao apenas 6 opcoes, mas no Nepla sao literalmente centenas!!!

As duas regiões mais populares são a região ao redor do Everest e da montanha Annapurna. Pra minha surpresa, o Aaron descartou qualquer coisa na região do Everest (eu jurava que todo alpinista que se preze tem loucura pelo Everest, não?!), pois achava que era comercial e “batido” demais. Então tomamos a decisão de ir pra região do Annapurna e ver quais opções teriamos por lá.

Primeiro passo era determinar nosso tempo disponivel: Queriamos uma viagem relativamente rapida (de 2 semanas a 20 dias incluindo tudo), e eu principalmente não queria ficar quase um mes inteiro sem poder tomar banho nem usar um banheiro decente, então de cara sabiamos que não seria possivel fazer nenhum circuito completo.

O Circuito do Annapurna completo demora no minimo entre 20 e 30 dias (sem escalada do pico propriamente dito, que precisa de meses de tentativa e erro. Esse periodo todo é só pra chegar no acampamento base!), e o circuito do Everest demora entre 15 e 20 dias (pois é mais turistico, e portanto melhor infra estrutura pra ajudar na adaptação – e também é apenas pra chegar no acampamento base, sem escalar pico nenhum), então sabiamos que não ia dar pra fazer nenhum dos dois circuitos completos.

Mas como o Nepal tem uma estrutura de trekking bem desenvolvida, com trilhas bem marcadas e infra estrutura turistica, também existem inumeras opções de semi-circuitos pra fazer na região, e mini trekkings entre vilarejos, que podem variar entre uma simples caminhada entre duas cidades em algumas horas durante o dia, ou semi-circuitos mais completos, entre 6 e 15 dias.

Um coisa que eu fui prestando muita atenção nas pesquisas sobre as diferentes opções de semi-circuitos era a classificação da “paisagem” – e entao bati o martelo na opção classificada como “cenario excelente”, que nos proporcionaria as melhores vistas.

Então vamos fazer o semi-circuito Ghorepani-Poon Hill, que é uma das opções começando o circuito no lado esquerdo do Annapurna, e que é a area que tem as melhores vistas do Annapurna e do Machapuchare (eu só penso “naquilo” – as fotos!).

No total serão 8 dias na montanha (10 no total, pois temos que chegar de Kathmandu a Pokara – 1 dia na ida e um dia na volta) e escolhemos o metodo de “tea house”, que aparenta ser um pouquinho (bem pouquinho mesmo!) mais confortavel que acampar. Alem disso,  acampamento é fortemente desincorajado nos Himalaias por causa dos residuos de lixo e impactos no meio ambiente.

As “Tea Houses” são huts ou chalés comunitarios que são criados, organizados e gerenciados pelo população local de um determinado vilarejo, e que representam a principal fonte de renda daquele lugar. Então além de ser mais ecologicamente correto que acampar, também ajuda a economia local, pois eles fornecem hospedagem e alimentaçnao durante todo circuito.

Eu não sei muito bem oque esperar dessa experiencia. Por um lado sei que vai ser muito mais facil que o Kilimanjaro, mas por outro lado teremos outros tipos de dificuldades, pois será uma viagem menos “paparicada” (eu sei que é dificil de acreditar que fomos paparicados no Kili depois de ler posts como esse, mas realmente fomos muito bem tratados o tempo todo!), e apesar de termos contratado um guia e um carregador para nos acompanhar, vamos estar relativamente independente, sem fazer parte de um grupo e sem ter uma agencia que vai cuidar de todos os minimos detalhes e “tomar conta” de nós dois.

Sem duvida alguma vai ser uma experiencia unica e mal posso acreditar que o dia esta chegando!!

Postado em: Annapurna Nepal Viagens
11
20
Apr
2011
SCI – Os detalhes praticos: vistos, vacinas, autorizacoes
Escrito por Adriana Miller

Um dos principais motivos que eu enrrolei tanto pra falar sobre essa viagem foi o suspense (ate o ultimo segundo!!!) sobre se a viagem ia rolar de maneira planejada ou nao, e tudo isso por simples motivos burocraticos (e o pessoal do Twitter teve que me aturar fazendo drama!)

E admito que cometi um erro fatal no planejamento de uma viagem complexa: eu simplesmente “achei” que seria facil e nem me preocupei em averiguar os detalhes ate umas semanas antes. Achei que visto pra India a partir de Londres seria a coisa maaaaais facil do mundo, afinal nos temos praticamente mais descendentes de indianos por aqui doque Ingleses!

Entao tava crente que bastava preencher um formulario, ir la no consulado, pagar uma taxa (que na minha cabeca seria bem baixinha, quase que simbolica) e pronto.

Ate que ha mais ou menos 1 mes atras, conversando com um amigo que tambem estara na India na mesma epoca, ele lanca “Nossa, mas e o visto heim? Dor de cabeca!”. HEIM?!?!

Ai pronto. Mi fu, e o Aaron me olhando com aquela cara de “nao olha pra mim porque eu sou casado com uma viciada em viagens e quem planeja tudo eh voce!”…

Entao toca a catar as informacoes na internet e me dei conta de que simplesmente nao teria tempo de pedir o visto pelas vias “normais”! Nos ultimos 2 meses eu nao tive mais que 1 ou 2 semanas de tempo “livre” em que nao precisasse de meu passaporte!

Entao tivemos que cronometrar minha volta da Africa do Sul com o servico express de uma agencia-despachante pra nos ajudar a agilizar o processo.

E realmente o visto pra India nem eh tao complicado assim nao, o problema eh que eles sao cheios de regras, pedem um moooonte de papelada, que soh piorou com o fato de que nos dois somos estrangeiros morando na Inglaterra, e pra piorar a situacao ainda trocamos de endereco umas quantas vezes nos ultimos anos e eu ainda fui inventar de casar e trocar de nome!

Quando liguei pro despachante ele foi categorico que na minha situacao, provavelmente o visto nao seria concedido, e me “aconselhou” a fazer outros planos (e com tao pouco tempo! Tivemos que pagar todas as taxas mega extras pra fazer o processo “urgente” de visto em 3 dias!!!).

Mas enfim, mandamos toda nossa documentacao para a TLCS Visas (agencia super boa aqui em Londres e otima fonte de informacao mesmo pra quem nao mora aqui – no site deles basta selecionar qual seu passaporte e pra onde vc vai viajar e eles te dao todas as informacoes que voce precisa pro tirar qualquer visto do mundo) e dai pra frente foi esperar sentados!

Ah! E falei que nesse meio tempo teve um feriado na India e o consulado ficou fechado um dia???

Entao na ultima semana, enquanto fechava os detalhes da viagem “plano A” tambem ia planejando as opcoes de um possivel “plano B” e “plano C” caso nao pudessemos entrar na India (que nossa porta de entrada e Delhi).

Mas finalmente na terca feira na hora do almoco o Aaron me ligou pra avisar que nossos passaportes chegaram e…. tcharam! Com visto entradas multiplas pra India!

Eu nao sei se os requerimentos pra visto mudam de pais pra pais, passaporte pra passaporte, mas coisas a ter em consideracao antes de planejar sua viagem pra India:

- A India nao concede vistos “multiplos”. Voce pode transitar pelo pais (em escalas de voos) varias vezes (como eh o nosso caso), mas se oficialmente entrar no pais, voce nao pode sair e entrar de novo por 2 meses. No nosso caso isso nao atrapalhou nosso planos pois apenas vamos entrar por Nova Delhi e fazer uma conecao final entre o Sri Lanka e Londres, mas muita gente que planeja viagens longas pela regiao acaba encontrando problemas, pois ao entrar e sair da India, vc nao pode mais pedir vistos/entrar no pais por 2 meses corridos

- Eles nos pediram um monte de documentacao pra provar que o Aaron morava na Inglaterra legalmente e que ambos moravamos na Inglaterra ha mais de 2 anos. O problema eh que eles pediram comprovamentes de residencia de 24 meses, 12 meses e mes corrente e que fosse no mesmo endereco e do mesmo provedor (conta de luz, gaz, etc). Isso eh uma cosia simples, menos para nos! Nesses ultimos 24 meses mudamos de apartamento 2 vezes e em cada endereco tinhamos provedores diferentes… Acho que acabamos enviando umas 100 paginas de “provas” (incluindo contrato de aluguel, contrato de trabalho, todas as contas de luz, gaz, telefone, etc), e no final deu certo, mas nao entendi ate agora qual o criterio deles.

- Poderiamos simplesmente ter aplicado para vistos de nao-residentes, mas esse processo demorar entre 3 semanas e 1 mes, e por causa de viagens a trabalho nenhum de nos dois poderiamos ficar tanto tempo sem nossos passaportes.

- Quem viaja com passaporte Brasileiro precisa apresentar carteirinha de vacinacao da febre amarela (e eles tambem recomendam febre tifoide e outras coisas medonhas). Passaporte Europeu/Americano/Canadense e afins nao precisam. mas comvem levar sua carteirinha assim mesmo e sempre estar com as vacinas em dia!

- Eles pedem uma foto muito esquisita, que tem que ter exatos 5x5cm e foi um saaaaco achar um lugar em Londres que tirasse fotos nesse tamanho! (a quem interessar possa, a Snappy Snaps foi o unico lugar que consegui achar)

Mas em compensacao para o Nepal nao precisamos nos preocupar com nada!

Voce ate pode pedir o visto com antecedencia na embaixada, mas o normal eh que o visto seja concedido no porto de entrada (nosso caso, no Aeroporto de Kathmandu), e por precaucao, imprimi os formularios de visto e ja vou levar tudo prontinho pra nao enfrentar muita fila!

A unica burocracia no Nepal foram nossas “autorizacoes” para entrar nos parques e reservas naturais dos Himalaias como parte da nossa escalada – mas como vamos fazer tudo com uma agencia, eles cuidaram desses detalhes pra gente (depois falo disso em mais detalhes).

Alem disso, o Nepal nao eh zona de risco de febre amarela, malaria e outras doencas “tropicais” por causa da alta elevacao nas montanhas.

 

 

 

E no Sri Lanka eh uma belezura! Eh soh chegar la com passaporte valido por 6 meses e pronto! Sem custos, sem fichas, nem nada.

Poreeeeeem… infelizmente o Brasil nao faz parte da lista de paises “livres” e Brasileiros tem que pedir visto diretamente na Embaixada/Consulado do Sri Lanka.

 

 

 

Postado em: India Nepal Perrengues Sri Lanka Viagens
17
19
Apr
2011
SCI – Sub Continente Indiano
Escrito por Adriana Miller

A primeira vez que eu ouvi a sigla “SCI” (na verdade foi ISC – Indian Sub Continent) eu fiquei meio perdida sem saber oque era, mas parando pra pensar, classificar essa regiao como um “sub continente” faz todo sentido.

Geograficamente os cinco paises que ocupam a regiao (India, Nepal, Paquistao, Bangladeshi, Sri Lanka e Madivas) estao entre a Europa (Eurasia) e a Asia, porem sao etinicamente distitos dessas duas outras regioes.

Sem falar que sozinhos, eles possuem mais de 2 Bilhoes de habitantes (ou seja, 1/3 da populacao mundial vive nesses 6 paises!), praticamente dominam o oceano Indico e dominam a cadeia de montanhas mais altas do mundo!

Entao nada mais justo que ganhem um (sub) continente pra chamar se “seu”.

A ideia de viajar praquelas bandas eh antiga, desde que fomos convidados pra um casamento na India em 2007, que acabamos nao conseguindo ir.

Depois veio a viagem ao Kilimanjaro, e passado o trauma da escalada, gostei do gostinho da superacao, e aceitei o desafio proposto pelo Aaron e decidimos entao que queriamos fazer umas escaladas/caminhadas nos Himalaias.

O roteiro final India – Nepal – Sri Lanka foi entao facil de decidir.

Eu sempre tive muita vontade de conhecer a India, mas ao mesmo tempo, morro de medo. Por mais que ja tenha viajado meio mundo, sei muito bem que nada, nem ninguem, pode preparar um ocidental para o choque cultural que eh aquele pais! Entao a ideia sempre foi fazer uma viagem rapida pra India, carimbar presenca no pontos principais e seguir viagem.

Consegui juntar a fome com a vontade de comer quando descobri que os voos pro Nepal que fazem escala na India sao muito mais baratos que os voos direto pra Kathmandu.

Entao ficou decidio que voariamos num voo com uma escala de 3/4 dias na India e depois ficariamos bastante tempo nos Himalaias do Nepal.

Oque o Sri Lanka tem a ver com isso?

Bem, essa eh outra longa historia, mas quando estavamos planejando a viagem ao Kilimajnaro, minha “exigencia” era que no final de tudo, passariamos uns dias relaxando na praia. Mas infelizmente uma viagem pra Zanzibar, por miseros 3 dias, ia praticamente dobrar os custos da viagem, entao pra minha frustracao, engavetamos o plano de ir pra essa ilha paradisiaca no final da escalada. Mas o tempo todo (antes, durante e – principalmente! – depois) eu ficava pensando como seria bom poder ficar uns dias de molho na agua do mar depois daquela escalada de matar!

Entao, como eu sou a Ninja dos planejamentos de viagem, logo logo consegui achar uma combinacao magica de passagens que nos deixaria viajar pro Nepal, mas fazendo escala da India na ida, e escala no Sri Lanka na volta, com um aumento de custo minimo.

Entao vamos fazer exatamente isso. Depois de 4 dias turistando na India, mais 10 dias fazendo hikking no Nepal, vamos passar mais 3 dias fazendo NADA na beira da praia no oceano Indico no Sri Lanka (talvez um passeiozinho aqui ou ali, porque ninguem eh de ferro!).

Eu to meio atrasada com as postagens sobre a viagem, mas outros posts virao por ai, dando mais detalhes da nossa viagem e do planejamento que fizemos nos ultimos 5 meses!

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Postado em: India Nepal Sri Lanka Viagens
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